sexta-feira, 19 de junho de 2009

O terceiro olho

Sempre fico esperando que alguma novidade apareça na minha vida para que eu tenha motivos para postar neste blog. O que é detestável, afinal, a idéia inicial era de ter um contato direto com meus amigos, escrever somente para eles, o que quer que fosse, pois eu sei que qualquer coisa que eu escreva será bem-vinda. Mas o fato de outras pessoas agora lerem o blog, me deixa um pouco mais inibida. Gastei uma hora do meu tempo ontem escrevendo um post que, depois de publicado, foi deletado (justamente por eu não ter me sentido à vontade com as confissões e o público estranho). Mas que tenha sido a primeira e última vez! Odiei fazê-lo!

O post de ontem, que os amigos finalmente receberam via e-mail, falava de ciúme. Eu falava de uma faísca entre mim e Camilo por causa de uma menina que o havia paquerado numa pizzaria. Nada demais. E, no post, tentei dizer justamente isso, foi apenas um mal-entendido. Mas ao ler o email-resposta de Monique que dizia "ciúme é saudável" (um tipo de consolo/conselho?) eu me senti na obrigação de vir aqui salvar a minha reputação (e eu tenho?).

Não é que eu tenha sentido ciúme de uma esquisita paquerando meu namorado. Não é a primeira vez que isso acontece. E, oxalá, não será a última. Não gostei somente da forma com a qual ele me contou o fato (com certa alegria). Não é que ele tenha que acender uma vela preta e contar, entre lágrimas, que foi paquerado. Mas um pouco de seriedade nessas horas não faz mal a ninguém. Ele sabe perfeitamente bem que não sou de encrencar com essas coisas, mas temos códigos de ética.

Nos quatro anos em que passamos juntos, Fábio me ensinou muitas coisas boas. Duas delas foram de tremenda importância para que eu viesse a me tornar o que sou hoje. Ele me ensinou a não ter orgulho (quando errada: "refletir, arrepender-se, desabafar, desculpar-se". Isso passou a ser prática freqüente) e a ser sincera. Ser sincera é poder dizer sem censura coisas que antes eu não ousava dizer ou fazia questão de não ouvir. Logo, eu não tenho problemas em falar a Camilo questões que vão deixá-lo enciumado ou de ouvir deste confissões que possam me deixar da mesma forma. Essa prática me tornou mais compreensiva e tolerante (hoje, quem se utiliza dos benefícios dos ensinamentos do mestre Fábio não é ele, é Camilo). Ou seria, menos incompreensiva e intolerante? (Fábio, manifeste sua nobre opinião).

De tarde, logo depois de ter publicado (e deletado) o tal post, fomos a um bar. Conversávamos. Camilo disse que achava esquisito que no Brasil os caras sacassem a bunda das mulheres sem o menor pudor. "É, como se isso fosse um sinal de virilidade, não de estupidez", completei. E comecei a falar do quanto detesto quando meus amigos fazem isso, do quanto ficam parecendo idiotas. E ele perguntou se tinha alguma forma de um cara olhar meu corpo (ou o corpo de qualquer menina) sem parecer grosseiro. Eu respondi tudo o que achava sobre o fato, mas ele perguntava novamente. Ainda não satisfeito com a resposta, finalmente disse "pela décima vez, eu vou reformular minha pergunta" e "confessou" que olhava para outras meninas (para o corpo, mais precisamente) e não queria que elas se sentissem mal, então, ele estava atrás de alguma fórmula para que pudesse fazê-lo sem me ferir, sem ferir a moça e sem manchar a dignidade dele. Aí, lá vai Luci dar dicas ao namorado de como olhar pros corpos de outras meninas.

"Rapaz, em primeiro lugar, faça tudo, menos olhar pro rosto dela depois de ter olhado pra bunda, porque se o olhar de vocês se baterem, vai ser ridículo! E também não precisa olhar cinqüenta vezes pros peitos da menina, uma olhada rápida pra dar uma sacada tá de boa, afinal, mesmo que ela não o veja, a amiga pode estar de olho e, acredite, ela vai comentar sobre o fato com a outra". E a conversa foi andando...

Não adianta se enganar. Minha querida leitora, por mais que seu marido/namorado diga que os dois olhos dele são para você, acredite: há um terceiro olho e esse aí, ninguém controla. E isso não significa absolutamente NADA. Mentalize isso, afinal, não há nada mais sexy que uma pessoa segura de si. Quando a coisa fica difícil, eu finjo segurança e escuto com paciência qualquer coisa que eu ainda não possa compreender bem. Porque, no fim, sempre vem a recompensa: "como é bom poder falar essas coisas contigo!”


3 comentários:

Laércio disse...

Se levar adiante... vejo nascer um best seller (se é que já não existe...): O Terceiro Olho
E você é fantástica ao encarar essas coisas... a maioria das meninas que conheço ficariam loucas ao escutar isso de namorado/noivo/marido... (e ao contrário também)
Beijos!

Amanda disse...

Luci, a questão é: seu namorado leva numa boa quando você fala que olha para os outros caras também? Porque essa historia de que homem é assim mesmo e mulher não olha, é conversa pra boi dormir, né? :)

Agora, a parte dos intrusos no blog (como eu), quem manda fazer um blog tão legal? Ele acaba caindo no dominio publico mesmo...

Quando vier pra Paris, vamos tomar uma cerveja!

Beijos

Amanda disse...

Poxa, escrevi um comentario e perdi! Grrrrrr!

Que bom então que essa franqueza é reciproca! Aqui em casa as coisas funcionam um pouco diferente, mesmo porque o cheri nunca percebe quando tem alguém dando em cima dele, eu que tenho que avisar!

Que bom que vcs discutem sobre o meu bloguinho tbm! O que ele achou do protesto na piscina? Fiquei pensando se fosse no Brasil, os caras iam zoar tanto, que as mulheres teriam que ser muito firmes pra não desistir! Aqui eles ficaram caladinhos, fizeram piadinhas so depois.

Alias, vc ja conhece Paris? Olha, somos grandes bebedores de cerveja, viu?
Beijos!

Talvez

Related Posts with Thumbnails