quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A proposito, ela é mexicana

Post escrito na terça, 04

A prova de que meu inglês não é bom, é que ouvi perfeitamente ontem que a minha primeira aula do curso de francês seria amanhã (dia 05). Ouvi tão "perfeitamente" que, quando Camilo ligou hoje pra Universidade, disseram a ele que as aulas começavam hoje. Então, sai de casa no momento em que deveria estar entrando na sala de aula, às 9h da manhã. Eu ainda tinha que passar em outro prédio, responsavel pela administração da Universidade, onde estaria afixado meu nome e meu grupo. Groupe A. Beleza. Vi que era um grupo de 15 pessoas e, pelos nomes, percebi que não veria muitos ocidentais na sala.

Na sala, nenhuma surpresa: dois terços da turma eram formados por orientais. O exercício que estava sendo praticado no momento, era a forma de se apresentar. Comment vous vous appellez? Quel âge il a? e outras variações. Foi através das respostas que soube que três dos alunos eram iraquianos. O mais jovem deles estava sentado na minha frente (a sala estava disposta em forma de U), mas foram os outros dois que me chamaram a atenção. Era um casal de mais ou menos 50 anos, que lembrava muito meus pais. O cara não sabia falar picas de francês e errava pra caralho. Até ai, tudo bem. Só que, quando o professor pedia pra esposa dele dizer alguma coisa e ela errava, OU NAO, o cara ficava maluco de raiva. Ele ficava cochichando pra ela a resposta “certa”, com aquela tensão, sempre se metendo no que ela dizia. Em um dos gravíssimos erros dela, ele chegou a levar as mãos à cabeça e a apertar os olhos. Pois então, meu pai é assim. Ele acha que a esposa dele é o ser humano mais estúpido na face da terra e que ele é, por sua vez, o mais inteligente. E ele faz questão de deixar isso bem claro. Bom, mas isso é uma outra história e deverá ser contada em outra ocasião.

Depois de ver que dividia o espaço com nove japoneses completamente entrosados entre si, três iraquianos que não me causaram a menor curiosidade e um chileno na casa dos 50 anos, meu olhos se voltaram praquela que eu julgava ser uma amizade em potencial: Maria Fernanda. Nacionalidade: ignorada. Passei a manhã toda analisando o sotaque da menina, as roupas, o cabelo e a desenvoltura pra ver se adivinhava a nacionalidade dela. Nada. A unica coisa que percebi foi o iraniano olhando pra minha cara.

A aula da manhã acabou, fui pra casa, almocei e voltei correndo pra aula da tarde. Vi que os alunos sentaram nos mesmos lugares, então, num ato desesperado, sentei na cadeira vizinha àquela que a tal Maria havia sentado de manhã. Mas quem ocupou a vaga dela foi o iraniano! Gah! Pra aumentar minha felicidade, descobri que ele é o tipo do aluno que fala mais que o professor, daquele tipo tabacudo que quer mostrar que sabe tudo, a qualquer custo.

- Vocês conhecem os numeros?
- OUI OUI OUI!
- Otimo, então vamos passar pra...
- UN! DEUX! TROIS! QUATRE!
- Que bom, vejo que sabem.
- CINQ! SIX! SEPT!
- Ok, então..
- HUIT! NEUF!

E eu la, revirando os olhos.

Eu gostei de finalmente estar saindo de casa, de ter quebrado a rotina, mas acho que as aulas não vão ser bem como eu esperava, porque é dificil ter aulas de francês quando a grande maioria da turma nem sequer tem o mesmo tipo de escrita que a nossa, ocidental. Então, uma das coisas que a professora precisou ensinar ontem foi o alfabeto. E ela escreveu o alfabeto de três maneiras diferentes. Em maiusculo, em minusculo e depois da forma que vem escrito nos livros (a forma do teclado do seu computador). Nada mais natural, afinal, o caderno de cada uma daquelas pessoas, com exceção do meu, do do chileno e do da Maria Fernanda, era cheio de codigos indecifraveis. Japonês e arabe. Então a turma anda na velocidade lesma. Tendo que aprender o basico do basico. Mas enfim, paciência.

Agora vou tratar do meu TCC, porque nem so de França vive Luci.

8 comentários:

Ana disse...

Oi Luci, como tudo tem um lado bom e um ruim, o bom é que existem pessoas que sabem menos francês que vc então pode colocar mais um nível outros no seu post anterior, rs
O ruim é que aparentemente vc vai estudar com gente nada a ver com vc e isso deve ser um saco, tirando o lado antropológico da coisa como vc mesma descreveu aqui.
Tenta mesmo virar amiga da mexicana, acho que será a sua salvação, rs
Beijos,

Amanda disse...

Luci, que nada, daqui a pouco vc vai estar super entrosada com os asiaticos! Geralmente eles são bem abertos a amizades com os ocidentais, mas como vcs estão ainda no nivel iniciante, pode ser que eles se sintam mais a vontade entre eles por causa disso.

Mas é verdade que é um atraso pra vc ter que ouvir explicações sobre o alfabeto!

Agora, o iraniano exibido foi demais! Hahaha! Mt engraçado! Aprende a contar até dez em persa pra calar a boca dele! Alias, ele é iraniano ou iraquiano?

Drixz disse...

Que legal, vc é historiadora! Vai mesmo gostar dos Tudors. O cenário e o figurino são maravilhosos. Mal posso esperar pra pegar a terceira temporada.

Bon travail avec le français, Luci!

Sardenta disse...

deve ser estranho uma sala de aula assim, iraquianos, japoneses, chilenos.



não consigo parar de pensar nisso.

psique disse...

cola nessa maria! (essa é a minha dica)

Maíra disse...

Caramba... que história essa da mulher iraquiana. Que @#$%$!

Valeu pela visita e pela indicação, Luci!

Ah, e boa sorte no seu francês! Ce n'est pas difficile :-)

Luís Venceslau disse...

Se for falar com a mexicana, assunto não vai faltar: Chaves, Carrossel, A Usurpadora, Thalia, la nueva gripe..

Aline Mariane disse...

Oi!
Ameeei seu blog!! Estamos no mesmo bonde-blog: também criei o meu pra contar minhas aventuras para a familia e os amigos - e estou ganhando novos amigos assim, nao é o maximo?!! Na verdade, peguei o tal bonde atrasada, so quando estava nas vesperas de trocar Paris por uma temporada em Dakar, a trabalho com o "namorido".
Boa sorte com o curso de francês!! Eu ainda estou lutando pra aprender essa lingua... hehe
Bjss! Aline saopauloparisdakar.over-blog.com

Talvez

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