quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Continuando...

Hoje de manhã fui na ACFAL, empresa responsavel pelo curso de francês oferecido pelo Governo. Falei com uma mulher doida la, que fala rapido, e ela me disse que minhas aulas serão todos os dias, com exceção da terça. Serão 21h semanais. Pelo que vi nas salas de aula de la, eu vou ter muitos amiguinhos arabes. Pelo menos esses eu sei que vão morar em Lyon.

De tarde, me preparei psicologicamente pra enfrentar a entrevista. Para chegar la, fiz pequenas coisas que nunca tinha tido a possibilidade de fazer por estar sempre acompanhada de Camilo.

Passo um: achar o metrô certo pra chegar ao "bairro nove". (Linha Verde - D)
Passo dois: comprar os bilhetes pro metrô. Depois de observar atentamente uma mulher, consegui compra-los (dez bilhetes por 13€).
Passo três: achar o local da entrevista. Como eu tenho um otimo senso de localização, depois que desci do metrô, fiquei rodando sem saber aonde eu tava indo e decidi parar num lugar pra ver melhor o mapa. Parei uns cinco minutos e segui decidida pra direita. Depois voltei. Não entendi nada. E, finalmente, percebi que eu estava o tempo todo na calçada da empresa. Tipo assim, quase beijando a porta do lugar. Sinceramente, aquele mapa tem umas proporções bizarras. Ta errado.
Passo quatro: controlar o intestino pra não cagar no birô da mulher.
Passo cinco: "Bounjour! Mme. Cler?" (era eu ja apertando a mão da Madame). Na noite anterior, treinei com Audrey todas as frases pra responder às possiveis questões dela. Passamos uma hora nesse treinamento e eu ja nao aguentava mais ter que decorar tanta coisa. Pensei que a mulher não ia exigir muito. Mais uma vez, eu estava equivocada. A mulé perguntou tudo a que tinha direito, parecia que eu tava me candidatando ao cargo de gerente da empresa. Minha amiga, eu vou fazer fa-xi-na! Em certo momento ela se levantou e disse "você pode passar essa camisa pra mim?" E, quando eu vi, surgiu do chão um ferro de passar, uma mesa e uma camisa amassada. Eu nunca passei uma calcinha na minha vida! "Fudeu, fudeu!" Olhei pra camisa, olhei pra Mme Cler, sorri e fui passando, passando... Como se eu tivesse tudo sob controle. Depois ela chegou junto e perguntou simplesmente "você não passa as camisas do seu marido?". Foi foda.

Foda I: essa foi uma maneira muito gentil dela dizer que eu não sabia fazer porra nenhuma daquilo.
Foda II: é impressão minha ou madame Cler é machista?

"Não, não passo, porque ele não deixa" (o que em parte é verdade, a outra parte é que a gente não tem ferro de passar). Ai ela perguntou "você quer aprender a passar ferro?" e eu disse "não" (eu tinha entendido errado). Coitada. Porém (esse porém é bom), sai de la com um contrato de tempo determinado (ainda não assinei), de três meses, sendo as duas primeiras semanas de treinamento. Fiquei feliz por ter conseguido superar o drama, mas não sei... O primeiro trabalho, que é amanhã, fica fora de Lyon. E, pelo que ela disse, não é coisa simples. "Ah, você vai fazer uma faxininha, cuidar das crianças e fazer o jantar". Quero saber até quando vou ter saco de cuidar da familia e da casa dos outros e deixar a minha de lado. Por enquanto, vamos ver no que vai dar.

10 comentários:

Amanda disse...

Ai Luci, lembra que vc disse que lia meus post achando que foi vc quem escreveu? Agora fui eu que me senti assim. A primeira coisa é vc saber que nao esta sozinha, que todo mundo passa por isso. Quer dizer, para algumas pessoas é mais dificil pelo simples fato de não serem sustentada por ninguém e terem de qualquer forma que trabalhar. O bolso não entende que nos nao falamos francês, que é dificil, que é injusto.
Quem vem pra França sem se preocupar com dinheiro, vem pra estudar ou vem acompanhar o marido ou mulher que trabalha, a vida é mais facil, ou pelo menos não tem essas situações chatas.
Mas é so o começo que é assim! Depois a gente se acostuma, pega mais confiança pra falar francês e as coisas se ajeitam. Agora, essa agência ta cheirando exploração! Cozinhar, limpar e cuidar de criança?

Ah, somos iguais até nos sintomas da ansiedade! Eh so eu pensar numa coisa que me deixa inconfortavel que tenho que correr pro banheiro!

calcinha exocet disse...

Já passei, fora do Brasil, pela situação de parecer grossa, sem querer, por não entender a pergunta, e responder um "não", por via das dúvidas. Sabe lá o que estaríamos aceitando, não é? mas a pessoa tem que perceber que, se temos dificuldade com a língua, é claro que pode haver esses mal-entendidos. Meu marido estava nos EUA fazendo um curso, e dormia num alojamento. Disseram para ele que, quando fosse para trocar a roupa de cama, ele poderia "put the sheet on the floor" (colocar o lençol no chão). Ele pensou em shit (merda), e ficou olhando com o olho arregalado, até alguém explicar...

asnalfa disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
To me mijando de rir da sua historia. Parece ate filme da sessao da tarde!
Está hilario, mal posso esperar pelo desfecho da historia. Esse negocio de cozinhar e cuidar de criancas nao vai dar certo!!!

Margareth Travassos disse...

Luci,

Fique tranqüila!

Não quero chover no molhado, acho que a Amanda já disse o bastante. Quero apenas que saiba que ha casos piores que o seu - o meu por exemplo.

Ao contrario de vc, pelo visto, eu sofria de excesso de autoconfiança. Eu achava que não deveria nunca me preocupar com nada, pois era tão foda que me daria bem sempre.

Na verdade, no Brasil, as coisas sempre correram suficientemente bem, de modo que me sentia folgada pra continuar pensando (e agindo assim, despreocupadamente). Ate que vim para a França, ou melhor, ate que vim morar em Paris – que é bem pior que o restante da França. Nossa! Nunca me dei tão mal na vida quanto agora. Eu vivo, a cada dia, uma nova prova, de humildade - pra ser mais exata. E confesso que muitas vezes pensei em desistir.

Entretanto, estou aqui, lavando, passando, cozinhando, estudando, trabalhando, ganhando pouco, economizando e por ai vai...

Às vezes rio de mim mesma, das minhas burradas – as antigas e as atuais. E tenho certeza que ainda farei muitas!

Pra vc só tenho uma palavra AVANTE! hehehe

Helena disse...

Oi Luci, obrigada pelo comentário lá no meu blog, fiquei bem feliz! Com certeza você não está sozinha no barco, essas coisas acontecem com quase todo mundo que tenta uma vida fora. Até dentro do Brasil não é fácil mudar, hehehe. Mudei de Porto Alegre para S. Paulo e ainda estou aprendendo a me virar por aqui. Daqui a pouco você já vai estar falando super bem, vai fazer algum curso na sua área e começar a procurar emprego no que gosta. Estou torcendo por isso :)

Maíra disse...

Lucy, querida, essa eh a vida na Europa nos primeiros meses - e nao se assuste: talvez nos primeiros anos o.O

No comeco eu nao tive exatamente os mesmos problemas q vc, pq:
1. ja tinha emprego (empregaco, alias: au pair o_O)
2. td mundo fala ingles aqui, entao n tinha mt problemas p me comunicar.

Mas tenho q admitir q reconheco mts dos problemas q tive mais tarde nos seus problemas atuais:
1. procurar faxina feito louca (ou trabalho como baba, ou lavando prato em restaurante, ou sendo host em restaurante - q foi o pior), com um pequeno diferencial: vc ja tem um bacharelado nas costas... isso deve ser mais frustrante ainda.
2. nao conhecer o sistema d transporte coletivo e n ter senso d direcao algum, mesmo com um mapa na mao (esse pequeno problema d senso d direcao, devo dizer, n se resolve tao facilmente...)
3. n entender quase nada do q o povo falava, depois d ter passado apenas 1 mes no curso d holandes da universidade e td mundo achar q so devia falar em holandes comigo o_O

Um problema adicional q eu tive e vc, gracas a deus, nao teve - pq esse eh o pior - foi a imigracao, um visto atras do outro: d aupair (q demorou 6 meses p sair), depois d estudante (q demorou apenas 2 meses mas foi negado), apelo do visto d estudante (q demorou 6 meses e qdo saiu so foi valido por um mes), prolongamento do visto d estudante e finalmente visto d 'morar junto', q gracas a deus eh valido ate 2011.

O melhor d tudo eh q a gente vai procurar emprego por aqui no momento da crise hehe eu terminarei o mestrado em junho do ano q vem, ano em q uma grande taxa d desemprego foi prevista p a Holanda hahaha como estao prevendo 2010 aih p a Franca?

Mas no final das contas, toda a adaptacao vale a pena. Afinal, estamos com nossos queridinhos...

Maíra disse...

E outra: vc tem q dividir o trono d rainha da ansiedade e do sofrimento por antecipacao (por coisas q em 99.9% dos casos dao certo hehe) cmg.
Eu so cago qdo estou ansiosa - o q gracas a deus acontece pelo menos uma vez na semana - e choro pensando no q pode acontecer c Rick ou minha familia no Brasil (principalmente por me sentir culpada por estar longe - isso so vem depois d alguns anos fora, prepare-se hehe)

luci disse...

amanda: pois é, tem uma casa la que a agora famosa mme her disse que tinha que fazer até jantar. brother, eu posso ate fazer isso, mas eu nao garanto a vida dessas crianças estando eu na cozinha. nao dah pra ser duas ao mesmo tempo. pfff!

calcinha exocet: eu ri de ficar roxa hahahahahahahahahaha agora, uma nova palavra pro meu parco vocabulario ingles: sheet. boa!

asnalfa: achei que dizer que minha historia era de novela mexicana ja fosse ruim, mas obrigada pelo "sessao da tarde".

margareth: nada, quando a intenção é boa, qualquer conselho é valido! valeu pelos seus (sério, serissimo) ;)

helena: pois é! eu sei que no brasil as coisas também nao sao faceis, ainda mais pra uma mulher + nordestina. tenho amigos que foram pro sul/sudeste e sofreram o diabo. e depois veem me dizer que a frança é xenofoba.

maira: eu e monique estavamos falando sobre tu atraves dos emails hoje hehehe "exemplo de atitude". quero ser você quando crescer. valeu pelo comentario! ate estranhei. "prof girafales, que milagre o sr por aqui" =*

Mythus disse...

caracas... to com pena do teu sufoco.

Luana disse...

ow, a bichinha...mas essa mulher foi melhor que minha host, aquela "querida". Na minha segunda semana ela me disse que não podia deixar o marido sair daquele jeito (todo amarrotado, graças ao meu talento para passadeira), então ela me resolveu dar um aula de como passar. aula mesmo: anatomia do FERRO e da tábua de passar, tecidos, como adptar as roupas a tabua...e, na semana seguinte (acho que era o sefundo módulo do curso), uma aula da melhores maneiras de dobrar roupa: como dobra-las para caber em locais pequenos, tecidos, etc. eu queria ter dido a sua chance de dizer não. :p anyway, se tu quiser eu te passo os contatos. =*

Talvez

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