quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vitae

Agora, vamos à grande pergunta: Luciana, como anda seu francês? Bem, querido leitor, meu francês não anda, rasteja. Mas rastejar é melhor que ficar parado. Depois do curso de francês, tenho uma base, ainda que infima, pra formar algumas frases. Camilo passou a falar comigo, em grande parte do tempo, em francês (coisa que era impossivel antes do curso). Eu entendo muita coisa, ja posso participar das conversas e saber do que as pessoas estão falando, mesmo que eu ainda não consiga captar os detalhes da conversa (sei que uma pessoa viajou pro sul na terça-feira, de carro, com a namorada, mas não consegui entender o porquê da viagem, por exemplo). Mas ainda tenho MUITO caminho pela frente.

Hoje vamos resolver mais uma etapa do meu visto, a mais importante, talvez. E amanhã, vamos a uma agência de emprego me inscrever pra ver se eu saio do canto. Tou um pouco estressada com isso, porque... porra, eu não sei falar francês e nunca ouvi falar na minha vida de um emprego onde não se precise dizer uma palavra. E se eu precisar ir a uma entrevista de emprego? E se eu nem precisar disso, e for logo empregada, fico imaginando como vou entender as ordens do patrão, se ele vai ter paciência de empregar uma muda quando poderia empregar outra pessoa "mais habil" pro serviço. Enfim, muitas perguntas. Pode ser também que eu soh seja empregada quando tiver falando perfeitamente, afinal, emprego hoje em dia não cai do céu, ainda mais pra mudos. Nessa hora, eu penso que não adianta deixar a insônia me tomar a noite. Não adianta sofrer por antecipação, mas eu tenho um talento incomum pra isso. Mentalizo diariamente que esse pequeno inferno que eu tou passando por não saber uma porra de uma lingua vai acabar. Vai sim.

Mas antes, uma coisa esquisita. (Fabinho, tas ai?) Pra me inscrever na agência de empregos, precisei fazer meu curriculo. Camilo pegou o curriculo dele como base e saiu apagando as informações sobre ele e adicionando as minhas no lugar. Acontece que o curriculo de Camilo é muito bom. O cara é bilingue (mãe francesa, pai salvadorenho), sabe falar inglês e português numa fluência impressionante. Ja estudou na Espanha, estagiou na Suécia, fez projeto disso e daquilo outro na França e... Bla, curriculo bonito. O meu? Bom, o meu diz que eu entendo isso, mas que não falo muito bem, diz que eu compreendo tal lingua, mas não sei escrever (enrolação). Fala que eu sou formada em Historia e que fiz um estagio num arquivo que, porra, nunca vi serventia praquilo. Fim. Eu não pude segurar o riso na hora. Era patético. Mas esse riso se tornou num abatimento grandioso, do tipo "golpe de misericordia na auto-estima e no juizo dessa menina". Eu preciso me esforçar mais.

Enquanto isso, vou me virando. Fiz minha segunda faxininha na empresa de Camilo e o patrão dele (o nosso?) ja falou que era pra eu ir toda semana. Minha mãe me chama de Solineuza nos emails. Palhaça. Bom, mas ganhei 77 euros até aqui. Nada mal pra uma muda.

3 comentários:

Amanda disse...

Ja viu curso de francês da mairie??? Eu mandei minha inscrição hoje. 80 euros por seis meses de curso e publico latino separado dos não-latinos pra evitar ter que perder tempo ensinando o alfabeto pra quem ja sabe.

monique disse...

o meu tbm é tão pobrezinho, chega dá dó...

Luci disse...

eu vou tentar esses cursos na prefeitura. tentei uma vez, mas a professora nunca apareceu. e tambem nunca me ligaram pra dizer se a mulher voltou viva das ferias ou nao. uma pena.

Talvez

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