sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ai, se sêsse...

Hoje foi o segundo e ultimo dia de palestra da Prefeitura. Se ontem eu achei que tinha visto muito preconceito, é porque não esperei pra ver a sequência cômica de hoje.

Antes de tudo, lembrei que M. disse ontem que ele pensava em ir pra Strasbourg (cidade colada com a Alemanha) porque ele achava que la tinha menos desse povo. Ta bom, meu filho. Strasbourg é o recanto perdido dos ultimos franceses puros deste pais. Hoje a sala de aula tinha menos arabes. A maioria era de um outro pais que ficava no sul de sei la onde (veja como eu presto atençao nas informações). Comentario de M.: "hoje tem menos dessa porra desse povo!". Com todas essas letras. Gentil.

Mas M. não teve o privilegio de ser a unica figura intolerante por ali. A palestra de hoje girava em torno da historia da França e dos direitos dos cidadãos. Falava bastante de 1789 e do quanto esse povo (dessas vez, "esse povo" são os franceses) repudia as diferenças e trata seus filhos e seus imigrantes como iguais. Eu fiquei emocionada. No final da palestra, a mulé passou um questionario pra gente com questões do tipo:

- A mulher tem os mesmos direitos que o homem na França? ( ) sim ( ) não
- Um homem pode se casar com outra mulher mesmo estando casado? ( ) sim ( ) não
- O chefe da familia é o homem? ( ) sim ( ) não
- As mulheres devem pedir autorização do marido para utilizar metodos anticoncepcionais? ( ) sim ( ) não

Ao final, fomos corrigir as questões. Eu sabia que muita gente ali achava que o homem é o rei do lar, mas eu não imaginava que eles iam gritar isso dentro da sala pra todo mundo ouvir. Em relação à ultima questão, um dos caras respondeu "eu não concordo!". E a palestrante rebateu "é, mas não funciona assim".

A mulher que tava sentada na minha frente, devia tah se achando A pensadora liberal, racional, evoluida, porque, toda vez que a palestrante dizia que, por exemplo, a mulher na França tinha direito de escolher com quem queria se casar, ela dizia "ah, mas isso é obvio, em todo pais é assim". Eu ja tava ficando puta! Porque, ô, criatura, ou tu é muito ingênua/ignorante pra achar que isso é muito obvio e que a realidade da mulher em todos paises é assim (livre-arbitrio) ou tu ta dando uma de doida. Finalmente a palestrante respondeu à essa também dizendo que, não, coração, não é assim em todos os paises. Ai, se sêsse...

8 comentários:

asnalfa disse...

Vixi! Eu tiraria 10 nesse questionario.

- A mulher tem os mesmos direitos que o homem na França? (x) sim ( ) não
- Um homem pode se casar com outra mulher mesmo estando casado? ( ) sim (x) não
- O chefe da familia é o homem? ( ) sim (x) não
- As mulheres devem pedir autorização do marido para utilizar metodos anticoncepcionais? ( ) sim (x) não


Adoro gente inocente como essa sua amiguinha ai!! Polianeca ne? E o povo oriental chines dai? Vc é tb agredida por eles tb? Sao baixinhos? E bonitinhos??? Sou louco pra beijar menino do oolho puxado!! Aqui no país tupiniquim nao tem nao...

Amanda disse...

Caraca, esse teu tradutor nao ta com nada, heim? Vc lembrou pra ele que ele tbm é imigrante? Acho que ele deve ter se esquecido desse detalhe. Sera que ele sabe que se for morar em Sao Paulo, vai ter um monte de gente o chamando de "esse povo"?

As vezes perco fé na humanidade.

Drixz disse...

Eu li primeiro esse post e juro que pensei que o tal do M. era francês. No fundo ele é um pobre coitado iludido. O dominado que se vende ao dominante para ter nem que seja uma sensação mínima de pertencer ao grupo dos dominantes. Da próxima vez, faça o favor de dizer pra ele que ele é brasileiro e não francês. Se os franceses são hipócritas já é ruim, mas pra que esse cara assimila um ódio que não é dele?

psique disse...

porra, velho! dá um se ligue nesse cara, que manezão...

Aline Mariane disse...

preciso dizer que esse titulo parece o Loic falando português, hehe...

::: Luís Venceslau disse...

Ué, vai q ele tem mesmo os motivos dele pra pensar assim.. O povo aqui acha normal odiar argentino, campinense, e olha q eles até q são bem comportados (qdo o assunto não é futebol, é claro)..

Anônimo disse...

Sempre achei a Revolução Francesa a parte mais difícil de estudar em História Geral, mas com ctza foi um dos momentos mais decisivos pra essa história dos "direitos iguais". Sem querer parecer a sua colega sem noção, mas por ignorância mesmo: tem muita gente que vai pra França acreditando que as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens?

luci disse...

asnalfa: eu vi muitos orientais no curso de frances (particular), mas no meio da rua nao vejo muitos. quer dizer, vejo muitos, mas se comparado aos latinos ou africanos ou da europa do leste, sao poucos.

aline: "ai se sesse" faz parte de um poema de um poeta paraibano. depois eu posto ele aqui. ou mando pro teu email :)

luis: ainda que a irma do cara tivesse sido estuprada por um arabe, eu continuaria achando esse odio todo inutil. afinal, teria sido UM arabe a estuprar a irma, nao OS arabes. entende? sei la... tanto odio assim no coracao deve fazzer mal. ainda mais porque, pra todo mugar que se olha nesse pais, tem arabe. acho melhor o cara ir se acostumando mesmo...

anonimo: olha, acho que os arabes que vem pra ca nao acreditam que a vida na frança em relacao aos direitos da mulher eh a mesma do que no pais deles. mas acho que eles pensam que eles podem reproduzir as praticas machistas aqui. triste.

Talvez

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