quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Defenda-se: você não esta sendo atacado!

Não sei se as brasileiras que moram na França e leem este blog vão concordar comigo, mas o povo francês é tão briguento! Seis meses aqui e eu ainda me impressiono. E por briguentos eu não quero dizer "lutadores", tipo assim, estilo Street Fighter. Eh uma coisa mais simples mas que me assusta igualmente. Eh o fato de você estar sempre inflamado e armado (não no sentido literal) pra se defender. Se defender mesmo que não estejam te atacando! Voila! Esta é a descrição!

Eh extremamente comum ver as pessoas se gritando no meio da rua. Mas eu vou ficar na coisa mais gratuita, que são as pequenas ações chatas do cotidiano. Por exemplo. Quando você vai pegar o metrô, a educação (e o bom senso) faz você deixar todas as pessoas sairem antes de você entrar. Mas semana passada, no metrô, eu vi que não tinha ninguém saindo, entrei, mas dei de cara com uma velha tentando sair. A porta do metrô é enorme e dava pra passar as duas tranquilamente sem mesmo haver necessidade de nos tocarmos. Mas ela precisava garantir seus direitos. E precisava garantir seus direitos gritando e sendo chata. "Minha filha, deixe eu sair primeiro!" E resmungou até eu perder ela de vista.

Ainda recentemente, sentei ao lado de uma loira no metrô. O metrô ia em silêncio, completamente tranquilo. De repente, essa mulher, DO NADA, olha pro outro lado (acho que foi pra um homem) e da um grito bem alto, que eu interpretei como "tah olhando o que, filho da puta?" Interpretei isso tudo porque um homem começou a rir dela. Mas é assim o tempo todo. As pessoas se gritam no metrô, na fila do banco. As pessoas ficam putas e são grossas por muito pouco. Basta trocar o "vous" pelo "tu" e sua vida corre risco. Tenho na cabeça muitos outros exemplos que me fogem agora porque muitos deles ja foram pro arquivo de coisas comuns que vivo na França.

Discutindo sobre isso com Camilo, vi que os dois estavam de acordo que isso é herança de um povo que sempre lutou pelos seus direitos. Eu nunca vi um pais fazer tanta greve, por exemplo. Aqui, qualquer suspiro mal dado por um politico gera uma passeata, uma reinvidicação. Inclusive, eu disse a Camilo que achava que o caso da briga com a arabe do carro do outro dia, poderia ter sido influenciada por esse clima de tensão que os franceses vivem. Não vou dizer que me sinto bem com isso, mas se for pra viver num pais onde as coisas funcionam, eu até aguento as velhas do metrô.


8 comentários:

Mariana disse...

concordo contigo Luci! Esse tipo de atrito é bem comum por aqui mesmo! Penso que essa coisa do espaço individual é coisa muito delicada pros franceses..;
Mas penso também que eles vivem esses atritos como uma coisa tão normal que eles nem se sentem mais tão atingidos sabe? A gente fica todo magoado quando algo assim nos acontece...o natural do brasileiro é ser simpatico e assim, toda briga é coisa grave e nos atinge de verdade. Aqui acho que é como um espirro...Na hora vem com tudo mas em cinco minutos vc ja esqueceu!
bjus!

disse...

Putz, pior que é isso mesmo. Nunca vi povo tão barraqueiro! Eles adoram tirar satisfações uns com os outros e é super comum vê-los discutindo no meio da rua. Não é so' impressão sua não.

Tudo bem lutar pelos seus direitos, mas acho que eles exageram na intransigencia.

calcinha comestível disse...

Pra gente é realmente estranha a supervalorização de pequenos gestos de civilidade, e a inflexibilidade em torno deles. Talvez eles fossem mais felizes se levassem as coisas menos a sério. Mas isso está dentro das diferenças culturais. Eles não vão mudar de repente, então o jeito é aceitar e tentar não se aborrecer. Os franceses que moram aqui no Brasil também são obrigados a conviver com a, em geral, excessiva intromissão do brasileiro na vida alheia. É como qualquer relacionamento, podemos valorizar os defeitos ou as qualidades. E os franceses têm muitas qualidades, por exemplo, de forma geral são muito solidários com o sofrimento dos outros, como no caso da professora que correu para buscar um copo d'água, diante do seu choro. Aliás, neste aspecto, somos parecidos pois também costumamos ser solidários.

::: Luís Venceslau disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
::: Luís Venceslau disse...

Dia desses eu tava vendo no History Channel um especial sobre a Revolução Francesa, e nele falava da participação de mulheres feirantes na queda da Bastilha. De onde menos se esperava, veio a ajuda q pode ter sido decisiva. Achei foda. Isso diz muito sobre o espiríto não só deles, mas de toda a Europa. Teve q rolar muita briga pra eles atingirem esse grau de civilização.

asnalfa disse...

Programa do Ratinho faria sucesso ai entao, ne! To imaginando isso na escola. Bullying, tapas, gritos. Afinal ja se começa cedo, ne?

Aline Mariane disse...

concordo que os franceses sao brigoes, mas nao sao na hora que deveriam ser. Acredita que na fila pro show tinha muita, mas muita gente mesmo, furando fila?! Nao vi isso nem no show da Madonna aqui em SP...
Por outro lado acho o brasileiro muito acomodado, faz tudo pra nao entrar numa briga...
Bjss!

Drixz disse...

Eu não fiquei tempo suficiente para ver as brigas aí. Talvez pq eles estavam de férias e não tinha muito francês pra criar caso em Paris. Mas uma coisa que achei graça foi a "mão da escada". Vc sempre tem que ficar do lado direito, assim quem sobe e quem desce não se esbarra. Mas a guia me explicou isso e eu não tive problemas. Em parte, pq um dia eu esqueci e todo mundo me olhava de cara feia.

Talvez

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