terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu também nao...

De vez em quando, bem de vez em quando, eu saio de Lyon pra fazer uma faxina em St Didier. Eh uma commune bem longe de Lyon, ao norte, onde soh moram ricos. Quanto mais afastada de Lyon esta a commune, mais rica ela é. Eh em St Didier, por exemplo, que moram mme Cler e um dos chefes de Camilo. Fui a St Didier duas vezes pra fazer uma faxina na casa da vizinha e amiga de mme Cler, mme Liseron, uma velhinha viuva. Na saida da primeira faxina, pude averiguar que St Didier foi feita pra ricos porque existem ruas sem calçadas. Ora, calçadas servem pra pedestres, os mortais que andam a pé. E andar a pé? Em St Didier? Jamais.

Quando sai da casa de mme Liseron, procurei, sem sucesso, alguma alma viva que pudesse me informar onde eu poderia pegar o ônibus 84. O maximo que consegui foi avistar ao longe um jardineiro dentro de uma propriedade que era tao grande, que nem valia a pena me esgoelar pra chamar atencao do trabalhador. Outra conclusao de que St Didier é rica é que o ônibus, que eu finalmente peguei, soh tinha três pessoas: eu, uma velhinha e o motorista.

Mas St Didier me lembra coisas boas. Lembra um bom festival que fui assim que cheguei à Lyon e também mme Liseron, que é muito gentil. Hoje, fui pela segunda vez na casa dela. Ela fala bem-pau-sa-da-men-te. Bem pausadamente. Porque eu sou estrangeira. Mas é melhor pau-sa-da-men-te do que GRITANDO, como fazia a enfermeira que me cuidou de mim na ocasiao da Queda de Bicicleta. Ela gritava o francês, como se meu problema fosse surdez e nao o desconhecimento da lingua. Bom, de qualquer forma, mme Liseron tem um gato. E ela disse que ela adotou esse gato. Mas, pela solidao dela, acho que foi o gato que resolveu ficar com a mulher.

Quase ao final da faxina, ela me mostrou uma planta morta e disse: "é marijuana". Como mme Liseron tem uma mao inutilizada por alguma doenca, pensei "ah, pobrezinha, ela utiliza a erva pra diminuir a dor". Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela se adiantou. "Ah, mas eu nao consumo. Nao mais". Acho que a velhinha da historia sou eu.

3 comentários:

Margareth Travassos disse...

Luci,

Esse post daria um filme... lindo, por sinal!

Adorei Mme Lissman, quando crescer quero ser que nem ela - afinal ela conseguiu parar - hehehe

Bjinhos

Margareth

Amanda disse...

Ahahaha! Olha, aproveita pra conversar com ela, ela deve ter um monte de hitorias pra contar e ninguém pra ouvir. Vai aprender um monte de coisas e ainda treina o francês! Eu queria fazer trab voluntario com os velhinhos, mas não sei onde ir...

Margareth, vc ta sumida!!

::: Luís Venceslau disse...

Eu tive uma visão semelhante da de Margareth: pareceu um cenário daqueles de Agatha Christie, um lugar onde ricos se reúnem, aí acontece um crime num desses chalés e no fim Poirot descobre que a culpada foi a velhinha q tinha deixado cair um pedaço de uma folhinha da erva na cena do crime.. ehauhehaehea mó viagem...

Talvez

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