sexta-feira, 31 de julho de 2009

Flash

No Brasil, os unicos amigos que moravam sozinhos (leia-se, sem parentes) eram aqueles que vinham de outras cidades para estudar. Aqui, graças aos céus, ou não, os jovens costumam sair de casa aos 18 anos. Isso estimula certos habitos, como festas e jantares frequentes na casa dos amigos. E eu adoro isso! Na nossa casa fazemos muitas festas e não ha nada melhor que beber sem preocupações (sem preocupações = muito), dar dois passos e cair na propria cama.

Sexta passada fizemos uma festa surpresa para Simone aqui em casa. Na ocasião, pude conhecer uma das meninas que vai morar com a gente na proxima casa. Eh uma marroquina que deve ter a minha idade e que mora na França ha cinco anos. Das pessoas que vão morar conosco (sem contar eu e Camilo, serão seis) ela foi a unica com a qual não simpatizei muito.

Meu inglês é uma porcaria, mas é com ele que eu me viro aqui na França. Então, toda vez que alguém me faz uma pergunta, respiro fundo e falo sempre fazendo caretas e perguntando "você entende?" ou "essa palavra tah certa?" e costumo sempre, sempre, ver as pessoas com um sorriso me aprovando com a cabeça, mesmo quando eu tou errada, afinal, o que vale é o esforço. Mas acho que essa não é o lema da marroquina. Cada vez que eu falava alguma coisa errada, ela mexia a sobrancelha de uma maneira quase imperceptivel, mas pelo fato de se repetir sem parar, eu acabei notando. E, porra, isso brocha qualquer interlocutor! Ela não era de todo chata, mas a conversa não estava sendo agradavel e tampouco ela se mostrou interessante, o que é uma pena, ja que ela vai MORAR comigo. E, no auge da conversa, eu:

- Meu pai trabalha num banco e minha mãe é dona de casa. Ela trabalha muito, é a primeira a acordar e a ultima a dormir.
- Mas por que?!
- Porque ela limpa, lava, cozinha, cuida de toda uma casa!
- Ela não tem maquina de lavar?
(Claro, porque uma maquina de lavar resolve todos os problemas domesticos. Inclusive, a roupa vai pro varal sozinha, é passada sozinha e vai pro guarda-roupa sozinha)

- Tem, mas existe outras coisas pra fazer.
- Ah, pois eu vou ser dona de casa! (se espreguiçando) Acordar tarde, não ter nada pra fazer, soh cuidar do bebê.

Adoro mulheres ambiciosas.

Depois de meia hora de sofrimento gratuito, nos livramos uma da outra e eu corri pra Camilo pra dizer que não tinha gostado dela. Foi ai que descobri que eu não sou a unica.

Ja ontem teve uma festa pra comemorar a mudança de Laure pro apartamento das amigas. Pedi e implorei a Camilo que, pelo amor de jesus cristinho, não me deixasse sozinha (principalmente com alguém chato). Beleza.

Chegamos na festa e, mais ou menos uma hora depois, um amigo liga pra Camilo dizendo que precisa urgentemente conversar com ele em tal lugar. O assunto é sério. Camilo me da essa noticia e eu fico me perguntando "o que porra eu vou fazer aqui sozinha?" Porque geralmente, depois de eu beber, não preciso mais ficar seguindo Camilo pra onde ele vai e acabo conversando por ai com qualquer pessoa. Mas não era o caso. Eu não tava bêbada, a festa tava estranha, tinha pouca gente conhecida. Então, la vai Luci com seu copo de vinho na mão se enfiando nesse grupo aqui, ou naquele ali...

O que aconteceu foi que, finalmente, não consegui achar nenhum grupo interessante pra me meter, e o melhor que consegui foi conversar com um cara com um sotaque francês fortissimo e não entender porra nenhuma.

- Minha namorada é de tal pais.
- Eh de onde, brother? Sei...
- Então, ela enfrenta o mesmo problema que você...
- Ela enfrenta o que? Que coisa, hein!

Acho que ele notou, as respostas não tavam encaixando muito bem. Uma hora depois, Camilo ainda não tinha voltado, e eu ja tava tão doida de vinho, que entrei em um dos quartos e me joguei numa cama. Ai vem o que eu lembro. Flash um: eu brigando com Camilo que tinha acabado de me acordar e, flash dois, eu no meio da rua chorando voltando pra casa a pé com ele.

Hoje de manhã acordei meio puta porque sabia que a gente tinha brigado, mas não lembrava exatamente porquê, então, toda desconfiada, liguei pra ele (no trabalho) e perguntei porque a gente brigou. Que pessoa idiota. Ele riu, disse que eu tava muito bêbada, que acordei histérica dizendo que ele tinha me esquecido, que fiquei batendo no braço dele, que tentei vomitar etc. Ele disse ao amigo do trabalho hoje: "tenho que voltar pra casa cedo pra me resolver com Luci. Ou ela vai tah muito puta e a gente vai brigar ou ela não vai lembrar de nada e vai rir da historia". Então, foi mesmo a segunda opção, mas eu não ri muito. A pior ressaca é a moral.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eis a questão

The Puppini Sisters

Ha dois meses, eu anunciei aqui meu belissimo presente de aniversario: ingressos pro show das Puppini Sisters. Agora chegou a hora em que eu descrevo o show. Em duas palavras? Absolutamente fantastico! Mas como eu não sou de falar pouco, ai vai:

O show estava marcado pras 20:30h, mas às 19h eu ja estava abortando de tanta ansiedade! Pulando toda a movimentação infeliz pré-show, entramos no teatro e procuramos uma vaguinha. Escolhemos um bom lugar, mas num anfiteatro ha maus lugares? O lugar em si é absolutamente fantastico. Meu lado historiadora estava batendo palminhas internas. Quantas centenas de pessoas ja não puseram a bunda exatamente naquele lugar em que eu estava sentada? Ok, sei que é uma coisa esquisita de se pensar, mas eu estava feliz também por isso. Pra mim, eram milhares de historias que se cruzavam sendo testemunhadas pelo mesmo local.

Com apenas cinco minutos de atraso, elas entraram. Eu nem percebi de imediato: quando escutei os gritos da multidão, voltei o olhar distraido em direção ao palco e vi aquelas três figuras prateadas sorrindo. Nossa! O queixo começou a tremer. "Se segura". Cantei pra disfarçar a cara de imbecil, mas na segunda musica comecei o berreiro e soh parei depois da terceira musica. Sim, Luis, elas são tão afinadas quanto no estudio. Elas tem presença de palco, elas soltam piadas engraçadinhas, dançam e tocam bem. A ruiva com um violino, a morena com um acordeão e a loira com uma escaleta (perdoem, não sei o nome delas e a falta de interesse não permite saber). Quando a ruiva entrou, Camilo disse "puta que pariu, que coxão da porra!". Pois é, tem ainda esse "agravante". Mas vamos voltar a esse assunto depois.

Indo para o Brasil...

Apesar de eu ja poder somar quase cinco meses de residência na França, ainda me surpreendo com muitas coisas que acontecem por aqui. Com um espetaculo como esse, não seria diferente. As três bandas que vimos (The Puppini Sisters, Java e Caravan Palace) são voltadas pro publico jovem. Mas isso não impediu que quase a metade das pessoas que viram ao show no ultimo dia 28, fossem compostas por pessoas acima dos 40 anos. No Brasil, pessoas de 40 anos saem de casa pra ver o show de Roberto Carlos. No Brasil, nunca vi um show começar com apenas cinco minutos de atraso. No Brasil, eu não deixaria minha mochila no banco enquanto pulo e balanço distraidamente. Monique me escreveu ha alguns dias dizendo que foi furtada no show do Festival de Inverno de Garanhus (PE). La você pode introduzir sua mochila na sua vagina e, acreditem, vão achar uma forma de tira-la dali, por bem ou por mal.

Voltando...

O publico era, pra mim, um espetaculo à parte. Quando a banda pedia palmas, batia-se palmas até o fim da musica. E não era raro ver a onda de braços balanço pra ca e pra la. Velho, foi um show bonito, pra onde se olhava (pro publico, pros assentos, pro palco) se via um espetaculo. Entre um show e outro eu corria pra me embebedar, o que tornou as coisas ainda mais fantasticas! Ou não.

Eh o seguinte... O figurino das Puppini era uma roupa prateada, bem bonitinha: a ruiva gostosona vestia uma roupa micro que deivaxa 99% das pernas de fora; a morena baixinha tinha pano até metade da coxa; ja a loira, usava um modelo até os joelhos. Na hora, eu dei pouco importância àquilo. A vocalista do Caravan Palace, no entanto, entrou com uma roupa que deixava a ruiva puppini parecendo uma freira. E cada vez que ela entrava no palco, a multidão gritava com mais energia. E quando ela descia até o chão (à la Sheila Carvalho)? Então eu comecei a achar aquilo meio idiota. A voz da mulher era uma massagem no ouvido (e o show foi do caralho!), mas eu me perguntava "pra que vir pelada?". Eh logico que vão dizer que eu estou sendo puritana ou neurotica, (ou pior, invejosa. credo!) mas a questão é que acho uma pena elas, todas elas, terem que aparecer peladas pra agradar. Então, acabei vendo o show de Caravan Palace com a mão no queixo, parecendo aquelas velhas ranzinzas. Porque cada vez que eu olhava pro palco e via aquela mulher pinotando pelada, eu tinha vontade de correr la, sacudir os ombros dela e dizer pra ela não se sujeitar àquilo.

No final do show, discuti sobre o assunto com Camilo e passamos quase uma hora (estimulados pelo alcool) falando sobre machismo, sobre os direitos da mulher sobre seu corpo etc. Disse que era desnecessario que elas usassem aquelas roupas pra representar um determinado estilo musical. Camilo rebateu dizendo que elas poderiam soh querer ser sexy. E depois de mais meia hora discutindo, ele me perguntou se tinha alguma forma das mulheres usarem pouca roupa, querendo ser bonita/sexy, e não serem chamadas de vitimas (ou não) da sociedade machista. Velho, eu não sei. Não é que uma mulher não possa usar roupa curta, decote. Quem sou eu pra dizer isso, não é? Eu sou a primeira a usar. Mas o apelo erotico usado pra dar audência à banda é que me deixa nervosa. Camilo, aos cinco minutos do primeiro tempo soltou "que coxão da porra". Talvez ele tenha percebido que a voz da moça era bonita, mas o comentario foi sobre a coxa. Tou de acordo com ele. Que coxão da porra! Mas é uma peninha que o coxão da porra não possa ser poupado da exibição. E é uma peninha pensar que a idéia daquela roupa minima, provavelmente, não foi idéia de uma mulher. Ou melhor, da mulher que usou o traje.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

E é boa

Numa contagem rapida, me vem à cabeça pelo menos uns dez amigos de Camilo que sabem falar português e ainda outros dez que desenrolam o espanhol (sem contar os que falam inglês: quase todos) mas com nenhuma dessas pessoas eu consegui conversar por mais de cinco minutos. A conversa, além de tudo, insiste em girar sempre em torno da minha adaptação na França, como se minha vida fosse resumida a isso.

No entanto, conheci um amigo de Camilo, Simone (um italiano que estava de intercâmbio na Argentina ha pouco tempo) que me fez relembrar que eu sou gente. Eh incrivel como uma simples conversa pode humanizar alguém. Na primeira conversa, falamos sobre masturbação. Na ultima, sobre Astrologia. Recebi meu primeiro xingamento em terras estrangeiras (por alguém que não fosse meu namorado) e, se isso não mostra que eu e o recém-chegado seremos amigos, pelo menos me faz relembrar como é a sensação de ter um.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Estranho no estrangeiro - parte I


Vou metralhando, presta atenção. Porque isso aqui não é redação pra vestibular e não precisa ter começo, meio e fim. Ou mesmo sentido.

Quando eu digo que sou timida, as pessoas riem. Algumas ja gargalharam, o que não foi muito legal. Quanto mais riem, maior é o grau de distância que percebo entre mim e este ser humano, porque, quem me conhece, nunca duvidaria que esta afirmativa é verdadeira, porque, quem me conhece, sabe que eu gosto de falar, de falar e de falar (um amigo me disse uma vez que eu não era timida, que eu apenas tinha traços de timidez. Mas o que é uma pessoa com traços de imbecilidade senão um imbecil?). Não culpo as pessoas que me conhecem pouco por rirem de mim quando falo da minha suposta timidez. Afinal, geralmente estas pessoas me encontram em mesas de bares, shows, festas de rua e, nesses lugares, eu estarei, quase que com certeza, bêbada ou prestes a ficar. E todo mundo sabe que pessoas bêbadas são os seres mais expansivos e desenrolados do mundo (perdendo a linha do raciocinio... voltando em um, dois, três).

O fato é que, bêbada ou não, eu gosto de conversar. Eu gosto de sentar numa mesa de bar e descobrir uma figura desconhecida do outro lado. Quem mora em João Pessoa sabe o quanto é dificil situações como estas acontecerem. E pior, é muito raro que as pessoas de João Pessoa que conseguem juntar no mesmo corpo bom humor, conversa interessante e HUMILDADE, se sentem na sua mesa de bar. Não é a toa que meus melhores amigos se tornaram meus melhores amigos desde o primeiro instante.

Então, sair de uma cidade subprovinciana, onde muitas pessoas (também os jovens) tem o cérebro do tamanho de uma ervilha, e ir para uma das maiores cidades de um dos maiores paises da Europa, me deixou, no minimo, excitada com a possibilidade de uma nova vida. Me deu ao menos a esperança de que, um dia, uma tarde que fosse, eu conversaria com alguém que não tem cérebro de ervilha, que não faz questão de inserir, no meio de uma conversa sobre geo-politica, que seu pênis mede dois palmos ou que você passou no vestibular aos 16 anos.

Mas a pergunta é: e cego vê? Porque, de repente, apesar de ter todos os sentidos funcionando perfeitamente, de ter as faculdades mentais em ordem, na França eu sou surda, muda e analfabeta. Eu não entendo as pessoas, não consigo me expressar e, como se não bastasse, não consigo identificar os codigos do mundo exterior estampados nos letreiros do ônibus e nos cartazes das ruas. Eh isso. Fiz faculdade, mas, da noite do dia 20 de maio pro dia 21, me tornei uma completa tapada.

Obviamente esse post não é um pedido de ajuda e a autora dele não admitira conselhos e tapinhas no ombro. Vou falar francês algum dia, não tenho duvida quanto a isso. Mas enquanto esse dia não chega, é mais do que frustrante ir a uma festa e não encontrar sequer um cérebro de ervilha pra trocar meia duzia de palavras. Irônico, não?

terça-feira, 21 de julho de 2009

Feminismo

A Amanda (responsavel pelo blog linkado no meu ultimo post) fez uma publicação no Porte Dorre sobre um concurso de blogs cujo tema é o feminismo. Li alguns posts concorrentes e posso dizer que estou pipocando (pipocando?) de felicidade por ter encontrado não somente posts superinteressantes, mas blogs que sei que lerei enquanto durarem. Ah, essas mulheres!




segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sem lenço e sem documento

Neste ultimo final de semana, apesar do convite de amigos para viajarmos, resolvemos ficar em casa para colocarmos em dia os nossos compromissos. Foram e-mails respondidos e cartas remetidas. Fizemos minha pré-matricula no curso de francês. Camilo organizou todos os papéis necessarios para pedir o reembolso dos remédios e das contas do hospital em que fiquei internada no final de maio.

O meu seguro social cobre 80% das despesas hospitalares. Infelizmente, somente depois de ser internada, é que Camilo foi atras da cobertura dos outros 20%. Tarde demais. A conta referente a esses 20% chegou ha uns dias: 508€. Exatamente. Quase R$1.500. "Ja passou", consolava o menino diante da minha angustia. Mas parece que não passa nunca! 508€ por um momento de abestalhamento. Valeu, Luciana!

Bom, mas o que estah feito, estah feito (conclusão apos momento de reflexão profunda).

Para resolver esses compromissos que citei, passamos a tarde inteira do domingo em meio a papéis de todo tipo. Eh impressionante a burocracia francesa. Para qualquer ação tomada junto ao governo francês, ha um milhão de requisitos e pré-requisitos a serem cumpridos e meia tonelada de papel certificando que você é você, que você tem boas intenções, que você trabalha, que você. Simplesmente. Antes de respirar a tranquilidade do estrangeiro legalizado, preciso ir na Prefeitura validar meu visto até 18 de agosto proximo.

Na primeira tentativa de fazê-lo, chegamos à Prefeitura às 9h da manhã, pegamos a senha 125 e soh fomos atendidos às 16h. A espera soh não foi tão traumatica porque saimos da Prefeitura e fomos andar pela cidade até a hora em que calculamos ser a ideal para voltarmos. Soh que um dos nossos papéis, o comprovante de residência, estava um mês fora do prazo, então tivemos que voltar pra casa de mãos vazias. Então, para Camilo não perder um dia inteiro de trabalho novamente, combinamos que hoje eu iria sozinha, pegaria a (maldita) senha, voltaria pra casa e somente de tarde iriamos à Prefeitura.

Eu não pretendia escrever tanto, mas eu preciso descrever o horror da fila da Prefeitura! A Casa abre às 9h, mas acredito que de madrugada ja tenha gente acampando na calçada. Hoje cheguei às 8:45h e a fila tinha uns 150m (mas poderia ter 50m, afinal, ja disse que minha noção de distância veio com defeito). O que importa é que tem muita, mas muita gente mesmo! Somos então segregados: "povão estrangeiro" do lado esquerdo e "cidadãos franceses" do lado direito.

Na fila do lado esquerdo, se vê gente de toda cor, tamanho, sexo e cheiro. Esse é o ponto interessante. Passei 45min na fila atras de um cara que desconhece o uso do desodorante. Cada vez que ele se movimentava, o veneno que saia debaixo dos braços dele corria pras minhas narinas. Eu ja estava perdendo os sentidos quando a fila começou a andar.

A policia acompanha todo o movimento. E acompanha com uma cara nada simpatica. E eu la, sozinha, com meu papelzinho escrito "je viens faire une 1ere demande de titre de sejour". Eu odeio ter pena de mim. E hoje eu tive pena de mim. Quando tirei o papelzinho do bolso, ja na proximidade da entrada da Prefeitura, gaguejei o que lembrava do papelzinho. A mulher entendeu (acho que foram os anos escutando sotaques dos mais variados) e me indicou um guichê. A moça do guichê perguntou pelo meu passaporte. Pensei "fudeu". Primeiro porque eu não havia levado o documento, depois porque não sabia explicar em francês onde estava o meu passaporte. Olhei pra cara dela, com minha cara de cu, pensei dois segundos e disse (em francês) que estava em casa, mas, claro, ela não entendeu. "Err... maison? Hmm... Ah, chez moi!" Não, não adiantava estar em "chez moi", querida, tinha que estar nas minhas mãos mesmo. Então, tive que voltar pra casa de novo. Sem nada.

Aquela sensação que, provalmente, eu tive pela ultima vez aos oito anos de idade, voltou com força depois de ter recebido o não da funcionaria. Fiquei super chateada. A sensação era essa: era como se eu fosse criança de novo e enfrentasse toda minha timidez pra comprar o melhor doce da venda tendo apenas dois centavos nas mãos. Dramatica, não? Mas é assim que eu sou e é assim que senti hoje de manhã. Mas soh me senti assim até achar a saida da Prefeitura. Depois voltei a ser Luci atual e xinguei mentalmente a mulher do guichê, o policial, o cara do sovaco podre, Sarkozy e a mim. A telepatia fez Camilo me ligar na mesma hora. E de novo, "ja passou, amor".

Quinta-feira tentarei de novo! Munida de mp3, passaporte e mascara!

Para mais: PorteDoree.blogspot

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Felicidade tem forma e nome de homem

Quando é ruim, eu escrevo. Quando é bom, também. E, apesar de eu sempre estar te falando e fazendo coisas pra que tu entenda que eu gosto de tu, desconfio seriamente que a gente não deva ser o casal mais bonito da face da terra, e que talvez estejamos longe de ser o que mais se ama. A sorte é que eu não tenho ambição de fazer parte do casal mais bonito da face da terra e não me importo também que não sejamos eleitos os namorados que mais se amam. Porque, no final das contas, tu cuida tanto de mim que minha felicidade às vezes passa da conta e eu costumo, como agora, chorar so de pensar o que seria da minha vida sem tu. Entro em pânico quando penso que um dia tu não vai mais existir. Mas tu ri dessas minhas preocupações e eu acabo rindo junto. E fico assim, tristemente feliz do teu lado. "Quanto mais se ama mais fraco se é". E se por inveja ou por preocupação dizem que é feio ou perigoso precisar tanto assim de um homem, ignoro. Tudo o que tu me provoca é orgulho, é amor, é felicidade. Felicidade daquela boa, carimbada pelos santos e aprovada pelos céus.

Sabe, e aqui entre nos, o que faz com que eu saiba que eu te amo, não são essas coisas. Eh que, misteriosamente, toda vez que eu penso tu, meus olhos se fecham devagar... Eh massa, gordo!

O mundo pega fogo. Enquanto isso...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Bem feito

Ah! Familia cansa! Cansa pra caralho! E é uma confusão o que eu sinto pela minha. E não falo da familia de primos, tios e avos, porque, com essa dai, me desapeguei ha uns dez anos. Definitivamente, eu não sou uma pessoa "familia". Quando morava em João Pessoa, passava um mês longe de casa (entre as casas de amigos e de C.) e, quando voltava para minha, era somente pra escutar grito e presenciar briga. Eh foda olhar as pessoas que cresceram com você, as pessoas que educaram você, e se dar conta de que, apesar de eu falar igual a minha mãe, ter as mesmas sobrancelhas do meu pai, dividir o mesmo coração mole da minha irmã, eu não tenho absolutamente nada a ver com eles. Quero todos bem, saudaveis, trabalhando em algo recompensador, meu irmão "de cuca legal", mas é da forma que ta agora: longe. Me contorço de saudade dos meus amigos, e amuo quando olho pra foto do meu cachorro, mas quando recebo os emails da familia (ainda com exceção dos emails da pequena), eu respiro fundo. E quando escrevo a resposta, preciso antes de umas cinco revisões pra tirar todos os "pare com isso", "deixe de besteira", "não quero saber" e "puta que pariu", porque sei que isso magoaria imensamente a todos e não é bem isso que quero. Acontece que as pequenas coisas que vivi durante a adolescência e idade adulta insistem em não sair da cabeça. Aquelas magoas que latejam e sempre voltam, a cada dia, de uma forma diferente. Eh impressionante como sonho com meu pai. Se é que se pode chamar aquilo de sonho. Ele em um carro, minha mãe do lado. Ele bate nela, eu mando ela reagir, ela fecha os olhos. Então, castigo aos três: "vocês nunca mais vão me ver". Eu vou embora. Eles choram. Eu choro também. Viu? Não é simples diagnosticar tanta magoa? Nem precisa ter formação como psicologo. Foram anos batendo cabeça, puxando cabelo, fungando de madrugada e imaginando em que ocasião eu finalmente sairia de casa. E demorou tanto, tanto! Mas quando fiz, fiz bem feito. Fui pra outro continente. E agora eu durmo tranquila (quando os tais sonhos não vem). E acordo ao lado de pessoas que se respeitam, que se amam. Acordo todo dia com "bom dia, amor da minha vida". E, apesar de enfrentar dias solitarios, dias angustiantes de silêncio, tão torturantes pra alguém que adora falar e contar historia, sim, eu estou bem. E me aborreço soh de pensar que tenho que voltar um dia. E esses emails, esses tais emails me chegam pra me torturar. Pra que eu nunca esqueça que, apesar dos pesares, eu venho deles e pra eles eu voltarei quando eu deixar de ser o amor da vida dele e estar perdida novamente.

terça-feira, 7 de julho de 2009

"Apesar de você"

Como eu estou completamente fudida no prazo de entrega dessa infindavel monografia e não ando com tempo nem de me coçar, vou enrolar descaradamente vocês, meus queridos leitores, com um post feito em um oooutro blog que mantenho oculto.

O tema é o meu preferido: Camilo. O contexto: Luci depois do fim de um namoro longo resolve sair no sabado. Afinal, sabado à noite tudo pode mudar. Ou não?

Eh um. Eh dois. Eh um, dois, três e...

Como foi? Foi assim... Anh? Certo, em detalhes. Pra você se lembrar no futuro exatamente como foi, Luci. Caso a tua fraca memória resolva, você sabe... te abandonar de vez. Ela tem ameaçado, não?

A horrível sexta-feira 13 tinha passado. Eu queria morrer e os meus pensamentos insistiam nisso. É noite. Eu enxugo as lágrimas e começo a me arrumar - depois de uns amigos terem me adotado. Me sinto como uma personagem gorda, feia e loser de um filme americano e recomeço o choro. Olho pra roupa e choro, olho pro rosto e choro, sento na cama e choro, enxugo as lágrimas e saio.

Lá, sento numa mesa com Toni. Ansiosa e estranha, converso. Eliza já vem e trará dois amigos: Osvaldo e Camila. Quando chegam, descubro que Camila é homem e que é aquele francês, aquele que Monique tanto falava, do Hospitality Club... Sei sei. Porra de francês!

Eu bebo, falo, rio e faço rir. Conversamos a noite inteira. Camilo me observa mudo, com um sorrisinho indecifrável. Eu amuo. Ele vai conversar com o que parece ser uma nova amiga. Ele chupa o que parece ser a língua dela. Oh... Eu amuo. Nem sei porque. Acho que é o costume...

- Quer dormir lá em casa?
- Quero...

Em 20 minutos estamos na casa de Eliza. O francês, que estava se hospedando na casa dela, chegaria mais tarde. A noite deve ter sido boa. Mas eu não pensei sobre, eu estava egoistamente infeliz naquela noite pra perceber isso.

Acordei ainda mais feia, mas menos triste. Procuro e acho Eliza na cozinha. E, ao me voltar, me deparo com o francês que começa a ter nome. "Oi, Camilo". E me impressiono com minha impressão sobre ele. Esse menino fica mais bonito de manhã! Interessante...

O constrangimento confina a nós dois naquela minúscula sala, mas só eu percebo isso. Procuro um CD mágico que possa quebrar o clima e acho um de Django. (...) Django é como uma vida nova dentro de mim, mesmo quando eu estou menstruadíssima. Django é não sentir a menor vergonha dessa minha última frase. Django me leva à vida que eu queria ter. E aquele Django, oh, meu deus, era do fr... Camilo. Ponto pra ele!

Eu sento no sofá verde, ele senta na mesinha azul, assim, desavergonhadamente de frente pra mim. Eu costumo me surpreender quando percebo que há pessoas que simplesmente não se importam. Eu falo de timidez. Elas não são! É estranho... Porque pra mim parece óbvio, mas... deixa pra lá.

De alguma forma ele já estava tentando me convencer de que estávamos no fim do bairro, quando eu nunca havia dado importância a isso. Ele pega o mapa e senta do meu lado. Eu suo levemente. Ah, eu também disse que, quando o inverno chegasse... "Mas é inverno". Ah, claro, eu sei. É verdade. Meu nervosismo fazia as estações mudarem. Fantástico!

E ali ficamos. Ele, com aquele sotaque inspirador de masturbações, e eu, com aquela angústia que paria lágrimas. Antes do almoço, Eliza comenta em particular que notou tudo, hein! No sofá, sua safada! E eu rio mais de nervoso do que de vergonha. E acho engraçado como um comentário poderia exercer tanto poder sobre mim, porque, a partir dali, tive certeza de que queria aquele maldito menino. E adivinha só!

Tá bom, pode ir fazer xixi (...)

A tarde era o tempo reservado para uma reunião entre amigos universitários que iriam discutir... assuntos universitários. Fomos todos juntos e felizes à casa de um tal de Bigode. Juntos e felizes começamos uma bebedeira que terminou em três mortos e uma ferida. A minha, no caso. No meio da noite, a amiga de língua grande que mostrou a Camilo no outro dia o quanto somos hospitaleiros, o chamou pra outro lugar e, como bom cavalheiro, ele foi. Filho da puta.

Horas entediantes se passaram até a hora de voltar pra casa (de Eliza). Encontramos o francês de cueca no meio da casa se preparando pra dormir. Era quase meia-noite, mas ainda jogamos uma partidinha chata de cartas. Eliza vai dormir, um amigo que viera praquela noite, também. Eu decido fumar um cigarro no sofá verde, sabendo que aquela era a chance de ver um possível interesse de Camilo em... fumar.

Fumamos. E conversamos sobre nossos cachorros e sobre a política educacional do Brasil. Que chatice. E chegamos a uma hora da manhã. E depois passamos das duas. E fumávamos e conversávamos, mas às três horas o sono queria ser mais forte.

Camilo encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos. Não! Eu fui encostando minha cabeça, mas tirei e... voltei a tentar encostar, mas... tirei e, mesmo com a garganta querendo expulsar o coração, eu consegui encostar a minha cabeça no ombro dele. E experimentei os séculos silenciosos que se passaram naqueles segundos e, mesmo sabendo que o estômago era frágil, acariciei o braço dele. E já não sabia o que fazer, quando ele se voltou pra mim decidido e... adivinha só! No domingo fazemos oito meses de namoro. Com direito a planos pro futuro e tudo mais. Tá bonito.

Não imaginava onde iriam dar esses "planos pro futuro". Mas agora, atualizando: em dez dias, dois anos. So não continua bonito... agora é lindo! Lindo!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Documentários de verdade

Um post pra divulgação de um site que deveria interessar o mundo inteiro:

[Documentários de Verdade]

O blog conta com dezenas de documentários que lutam "contra a exploração laboral e infantil, a fome, a miséria, a guerra, a corrupção dos governos, a parcialidade da mídia, a venda dos estados em favor das corporações, a degradação ambiental, o preconceito racial, social e sexual, a crueldade com as pessoas e com os animais e, claro, contra a injustiça social".

O mais difícil já foi feito. Agora, você só precisa assistir aos documentários.

Divulguem!


Talvez

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