quinta-feira, 26 de novembro de 2009

[religião II] Acredito que...

Mãe: ja minha mãe é uma pessoa mais controlada. Bom, qualquer pessoa perto do meu pai seria mais controlada. A médica do aeroporto de Aracaju é um poço de controle perto do meu pai. Apesar disso, minha mãe casou com meu pai e nos deu uma educação bem livre em relação à religião. Sinceramente, eu ignoro completamente qual foi a vida religiosa da minha mãe até então! Ela nunca falou de cadarço amarrado, enguiçamento, cruz, ou imagens cristãs. Quando insistiram pra gente fazer a Primeira Comunhão na escola de freira, ela não manifestou opinião. Acho otimo!

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Eu: O que poderia eu me tornar com um pai tão "religioso-supersticioso" e uma mãe neutra? Uma agnostica! Tcharam!

(Ai vem a parte em que as pessoas me chama de autista, mas... vou contar assim mesmo)

Quando eu fiz seis anos, eu ganhei minha primeira cama de gente grande e migrei pro quarto do lado e comecei a dormir sem meus irmãos. Com isso, obviamente, veio o medo de ficar sozinha e da escuridão. Como eu sempre acreditei em espiritos, toda noite eu entrava em pânico na hora de dormir. Por isso, como forma de autoproteção, eu simplesmente fiz amizade com os espiritos do mal. Sim, se meu pai manda Deus tomar no cu, por que eu não posso fazer amizade com os enviados do Santanas? Eu conversava horrores com todos.

Até os 15 anos, eu acreditava em Deus, até porque eu não tinha opção mesmo! Se eu dissesse em casa à meu pai que Deus não existe, ele ia fazer desaparecer também meus dentes. Melhor não arriscar. Depois disso a gente vai crescendo, né, gente? Mas mesmo depois do curso de Historia, eu ainda guardo um "espiritual independente de religião". E me sinto bem assim. Sinto que não falta nem sobra nada. Na verdade, eu não conseguiria acreditar que não existe nada além das paredes, da cadeira e das arvores da minha casa. Eu sou muito bestinha, acredito em tudo o que me dizem e Camilo se utiliza disso pra infernizar minha vida. Acredito em Amor, em espirito, acredito que os anões de jardim do pai da Amelie viajaram por ai... Acredito. Acredito também que, como Camilo é ateu, e como eu não quero meu filho fazendo pacto com o demônio pra dormir de noite, o bichinho crescera longe de igreja.

[religião I] Meu pai pode

Nossa! Acho que nunca vi tantos posts sobre religião/Deus/Biblia em tão curto espaço de tempo. Um, dois, três, quatro, cinco. E, como tenho algumas coisas a comentar, seis. Na verdade, o que eu tinha pra comentar, ja comentei no espaço dado a isso em cada blog. O que me leva a fazer esse post é simplesmente o fato de eu estar meio triste (depois explico o porquê. Ou não) e não estar com saco de enfrentar esse assunto via blog. Gostaria de ter capacidade intelectual e moral pra fazer um post como fizeram as meninas. Na falta disso, escrevo um texto mais leve, contando das minhas experiências com a religião.

Pois vamos contar uma historia. Adoro contar historia!

Meus pais são de Campina Grande, interior da Paraiba, assim como eu e meus irmãos. Quando nos mudamos pra João Pessoa, eu tinha dois anos, por isso, passei toda a minha infância e começo da adolescência viajando bastante com minha familia nos fins de semana pra Campina Grande. No domingo, sempre havia uma igreja pra eu ir, ja que meu pai veio de uma familia supercatolica e minha mãe, de uma familia protestante.

Minha avoh materna ria da minha avoh paterna dizendo que ela soh saia de casa pra visitar três lugares: cemitério, hospital e igreja (e era verdade!). E la ia eu, ora enfiada numa superigreja velha, cheia de canto triste (Igreja Catolica) ou enfurnada numa igreja clara e cheia de gente jovem cantando musicas mais felizes, a Igreja Protestante.

Um dia, eu tava na casa da familia protestante (materna) quando vi, la no final da rua, minha avoh catolica se aproximando. Eu devia ter uns oito anos, mas sabia perfeitamente que o encontro entre minhas duas avos ia dar em briga, porque elas sempre brigavam e eu achava que era porque minhas avos não gostavam de seus respectivos genro e nora. Que nada!

La vem vovoh subindo a rua (se arrastando). Ela chega. Minha avoh protestante da boa tarde desconfiada e a "conversa" começa. Eu nem faço idéia do conteudo da conversa, não lembro mais, mas nunca vou esquecer da frase que fechou o dialogo:

- ...porque protestante é uma merda!
- E catolico é uma bosta!

E nesse momento, as duas velhinhas religiosas se deram as costas e foram embora. Essa foi minha formação cristã. Depois disso, enfrentei dois anos de colégio de freira e um ano num colégio de padres que não acrescentaram em nada na minha formação religiosa. No colégio de freira (que faliu), eu ficava falando sobre Cavaleiros do Zodiaco com minhas amigas e no colégio de padre (que faliu), eu batia nos meninos.

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Pai: além de catolica, a familia do meu pai é muito supersticiosa. Muito. Uma vez, eu disse a minha avoh que eu tava com dor de barriga. Ela me puxou pra cozinha, colocou uma cadeira na frente do fogão, me fez subir na cadeira, verificou se as bocas do fogão estavam frias e, como viu que estavam, pegou meu pé direito e, rezando qualquer coisa, colocou meu pé em cada uma das bocas. Eu adorei! No final da sessão, eu fiquei supercurada! Uma vez eu varri o pé dela sem querer e ela soltou um grito dizendo que eu não podia fazer aquilo senão eu não arrumaria marido (acho que eu devo ter varrido mal o pé dela).

#1 Meu pai soh faltava trucidar a gente quando tiravamos o tênis do colégio sem desamarrar os cadarços. A explicação razoavel era de que os nohs deixados no sapato prejudicavam a saude dele. Como? Não sei. #2 Passar por cima do irmão que tava deitado no chão (enguiçar) também era erro grave: isso comprometia o crescimento do individuo enguiçado. Por algum motivo meus dois irmãos tem mais de 1,80m. #3 Sempre que meu pai passa por uma igreja catolica, ele faz o sinal da cruz. E ai de quem estiver no carro com ele e não o fizer! Ele grita, berra e amaldiçoa! #4 Ele tem uma corrente de ouro pendurada no pescoço com a imagem de Jesus Cristo. Desde que eu me entendo por gente que essa corrente tah pendurada no pescoço do meu pai. Um dia, ele tirou a corrente pra jogar futebol e colocou debaixo do banco do motorista do carro dele. O frentista de um posto em que ele abasteceu o carro viu a corrente, sei la como, e a pegou. Meu pai, quando chegou em casa, deu pela falta da corrente, sacou que tinha sido o frentista que havia pego e simplesmente voltou ao posto de gasolina com uma faca na mão, uma faca do tipo Crocodilo Dundee que ele tinha. Jesus deve ter ficado hiperorgulhoso. #5 Nos ultimos anos, a situação financeira la de casa (e da de todo brasileiro médio) se complicou e, com isso, vieram os xingamentos à Cristo. Cada vez que minha mãe tentava consolar meu pai dizendo que Deus era justo e que ia ajud... "Porra de Deus! Deus não existe não! [olha pro céu e...] Deus, vai tomar no cu!" Meu pai pode.

*As duas imagens deste post são de Santa Luzia e São Sebastião. Ambas enfeitavam a sala de estar da minha avoh paterna.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Oinc

Passei o ultimo domingo em frente ao computador curtindo uma insistente ressaca da bebedeira do dia anterior. No final do dia, comecei a sentir uma cansaço extremo, dores nas costas, na cabeça e uma sensação de febre. Pensei que ressaca tava indo longe demais. Fui dormir e acordei as 4:30h da madrugada com a cabeça estourando e uma febre alta. Depois de me dar remédio e procurar (em vão) o termômetro, Camilo foi pro Google pra saber o que eu tinha.

- Acho que tu ta com gripe.
- Mas eu não tou espirrando.
- E dai?

Sei la, pra mim gripe = espirro.

Como eu não queria esperar que meus pulmões se desfizessem em catarro pra procurar um médico, pedi pra Camilo marcar, na primeira hora util do dia, uma consulta pra mim. As 14h fomos visitar uma francesa de sobrenome arabe (Camilo escolheu ela pelo sobrenome. Preconceito?). Ela confirmou que eu tava com gripe. Não com a gripe, mas que, em todo caso, ia me tratar com o tal do Tamiflu. Bom, depois ela disse que eu tava com uma versão light da Gripe e eu não entendi mais nada. So que eu deveria ficar, obrigatoriamente, cinco dias em casa. Essa é a parte boa. Quer dizer, essa é a parte ruim. Não sei.

Fiquei pensando se a vacina ou o Tamiflu teriam efeitos colaterais complicados e acabei achando isso aqui na internet:

Existem preocupações de que o oseltamivir (Tamiflu) pode causar perigosos efeitos colaterais psicológicos, neuropsiquiátricos, incluindo automutilação em alguns usuários.

Lim-pe-za. Chegar pra Camilo com meia perna e dizer que foi culpa da gripe. Bom, de qualquer forma, liguei pra mme. Cler pra avisar que eu soh voltarei a trabalhar segunda e ela pareceu bem compreensiva. Mas agora é bom que todo mundo seja compreensivo comigo: agora eu sou uma pessoa perigosa. Então, se vocês tiveram algum amigo do qual não gostem, eu posso tossir na cara dele, sem problemas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ai, se sêsse...

Hoje foi o segundo e ultimo dia de palestra da Prefeitura. Se ontem eu achei que tinha visto muito preconceito, é porque não esperei pra ver a sequência cômica de hoje.

Antes de tudo, lembrei que M. disse ontem que ele pensava em ir pra Strasbourg (cidade colada com a Alemanha) porque ele achava que la tinha menos desse povo. Ta bom, meu filho. Strasbourg é o recanto perdido dos ultimos franceses puros deste pais. Hoje a sala de aula tinha menos arabes. A maioria era de um outro pais que ficava no sul de sei la onde (veja como eu presto atençao nas informações). Comentario de M.: "hoje tem menos dessa porra desse povo!". Com todas essas letras. Gentil.

Mas M. não teve o privilegio de ser a unica figura intolerante por ali. A palestra de hoje girava em torno da historia da França e dos direitos dos cidadãos. Falava bastante de 1789 e do quanto esse povo (dessas vez, "esse povo" são os franceses) repudia as diferenças e trata seus filhos e seus imigrantes como iguais. Eu fiquei emocionada. No final da palestra, a mulé passou um questionario pra gente com questões do tipo:

- A mulher tem os mesmos direitos que o homem na França? ( ) sim ( ) não
- Um homem pode se casar com outra mulher mesmo estando casado? ( ) sim ( ) não
- O chefe da familia é o homem? ( ) sim ( ) não
- As mulheres devem pedir autorização do marido para utilizar metodos anticoncepcionais? ( ) sim ( ) não

Ao final, fomos corrigir as questões. Eu sabia que muita gente ali achava que o homem é o rei do lar, mas eu não imaginava que eles iam gritar isso dentro da sala pra todo mundo ouvir. Em relação à ultima questão, um dos caras respondeu "eu não concordo!". E a palestrante rebateu "é, mas não funciona assim".

A mulher que tava sentada na minha frente, devia tah se achando A pensadora liberal, racional, evoluida, porque, toda vez que a palestrante dizia que, por exemplo, a mulher na França tinha direito de escolher com quem queria se casar, ela dizia "ah, mas isso é obvio, em todo pais é assim". Eu ja tava ficando puta! Porque, ô, criatura, ou tu é muito ingênua/ignorante pra achar que isso é muito obvio e que a realidade da mulher em todos paises é assim (livre-arbitrio) ou tu ta dando uma de doida. Finalmente a palestrante respondeu à essa também dizendo que, não, coração, não é assim em todos os paises. Ai, se sêsse...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

T-o-l-e-r-â-n-c-i-a

Uma das minhas obrigações perante o Estado francês para permanecer no pais estah em assistir dois dias de palestra sobre a cultura francesa, como os direitos trabalhistas, o sistema de saude, o funcionamento escolar, os direitos e deveres do imigrante etc. Para esse evento, realizado hoje e amanhã, foi contratato um tradutor português especialmente para minha pessoa. O nome dele é M. e eu o conheci no dia em que fui assinar o Contrato de Integração e Acolhimento. Ele foi meu intérprete na ocasião. Agora, meses depois, nos encontramos de novo. Ele é pernambucano e, de cara, nos demos muito bem porque... Bom, ele é pernambucano.

Apesar de M. ser legal e da gente se dar bem e de conversar bastante sobre qualquer assunto e de até nem ficarmos constrangidos no silêncio, desconfio gravemente que não seriamos assim, chegados, se tivessemos nos encontrado em outra situação que não a do estrangeiro. Seguinte: a sala da palestra era composta de arabes, arabes e arabes. E eu (das 25 pessoas na sala, eu era a unica não-arabe). Aos dois minutos do primeiro tempo, M., quando foi se referir aos arabes, soletrou a palavra: "os a-r-a-b-e-s..." e eu fiquei sem entender o porquê de tanto segredo. Na segunda, na terceira e na quarta vez, ele usou "esse povo" pra se referir aos, err... a-r-a-b-e-s. (Shhhi!) Comecei a achar que ele tinha problemas com os arabes quando a expressão foi mudando de cor e de tom, quando "esse povo" se transformou em "ESSE POVO!" com direito a entortada de nariz. E, obviamente, eram sempre frases negativas e, as vezes, desconexas. Eu:

- Tu acha que todo mundo aqui (olhando pros arabes) é casado com francês? Ou eles assinam o Contrato porque trabalham na França?
- Menina, esse povo não é casado com francês não! Err, teu marido é francês-francês? Hum! Então, esse povo casa com francês e traz a cultura deles pra cah e depois enchem a boca pra dizer que são casados com franceses!
- (Eh o que, homi?)
- Eles casam com um francês que passou a vida toda lah. Eles passam a vida toda lah e depois vem pra cah com a cultura deles e não se adaptam! Entendeu?

Não.

Depois de uma certa confiança, M. foi rebaixando os arabes e dizendo que era dificil competir com eles porque essa gente soh da emprego pro povo deles. E era um tal de essa gente! pra cah e esse povo! pra lah e eu comecei a achar que os arabes pro M. eram assim, gente de outro mundo, de outro universo, quem sabe nem eram gente.

Eh incrivel como francês e arabe aqui não se mistura. E a resistência, a meu ver, vem de ambos os lados. Outro dia, quase tive um ataque cardiaco ao acompanhar um topico 100% brasileiro no Orkut sobre a presença arabe na França. A questão era sobre adaptação e, à certa altura, uma fulana comentou que ela fazia o maior esforço pra se adaptar à cultura francesa e achava que, se os arabes não conseguiam se adaptar aqui, eles deviam voltar pra terra deles!

Sabe, por exemplo, essa terra?

A fulana falou que ela teve que se adaptar às formas de redigir um trabalho no computador (por exemplo, ao escrever em francês, a gente deixa um espaço entre a ultima palavra e o ponto de interrogação. O mesmo serve para o sinal de dois pontos). Ela também teve que se acostumar com a agua daqui, que é diferente. Ela teve que se acostumar a um bocado de coisa, minha gente. Eu fiquei com pena dela, quase não consegui dormir naquela noite pensando o quanto deve ser duro pra ela apertar a barra de espaço toda vez que precisa colocar o ponto de interrogação. Deve ser horrivel.

COMO eu posso comparar minha adaptação na França com a adaptação de um arabe aqui? Pra mim, a coisa mais dificil de assimilar até agora na França é o fato de que minhas chances de ser estuprada ou assaltada aqui são quase inexistentes. Foi o maior choque cultural. Eu não precisei deixar minha religião fora do meu lugar de trabalho, de estudo, eu não precisei aprender outros codigos linguisticos, outros codigos juridicos, outros codigos... sociais. Não, não defendo a isolação do arabe na França. Até porque deu uma peninha tão grande quando aquela mulher de 50 anos me parou no Leader Price pra saber qual o produto era mais barato, se aquele de 85 centavos ou o de 92!

Tah dificil. Se um imigrante não pode compreender a situação de outro imigrante, o que porra eu posso esperar dos franceses?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Construindo clichês

Agora que eu escrevi a introdução, hihi, vamos à coisa curiosa que me aconteceu. Não fiquem curiosos, não é tão curioso assim. Eh tosco.

Ha algumas semanas, antes mesmo de eu entrar no curso de francês, os alunos da minha turma estavam trabalhando numa pesquisa sobre seus proprios paises a fim de apresenta-los durante as aulas da sexta-feira. Peguei o bonde andando, mas como o trabalho não é assim, acadêmico, fiz meu cartaz sobre o Brasil e fui convidada a abrir as apresentações na sexta passada.

No começo, fiquei um pouco nervosa e tive que me conter pra não quebrar os dedos da mão no estalar sem fim. Isso durou três minutos. Depois fiquei toda empolgadinha e sai falando sem parar sobre os portugueses, os indios, o presidente Lula, o dedinho que lhe falta, a feijoada, o Nordeste, o Real, o povo "catolico" do Brasil etc. Falei até dos filmes de pornochanchada dos anos 70. Não falei de caipirinha, nem de futebol, mas falei do carnaval! Disse que existia dois carnavais super tradicionais no Brasil: o do Rio de Janeiro e o de Olinda. Claro que eu puxei a brasa pra sardinha daquele que eu adoro! No final, depois de uns 20min de apresentação, sentei no meu lugar razoavelmente satisfeita, me perguntando quais as conclusões que as pessoas tiraram do Brasil depois do meu seminario.

Foi quando a professora se virou e disse que estava curiosa e que tinha uma ultima questão: "como é o carnaval de Olinda, o que vocês fazem?" Soltei um risinho porque pensei no quanto seria complicado descrever aquele suplicio nas ruas de Olinda como sendo bom, mas tentei resumir: "Ha muita gente por todo lugar. Eh preciso alugar seu alojamento muitos meses antes. Dai a gente sai nas ruas... E fica todo mundo por aih, dançando. A toda hora passam as bandas de fanfarra... tocando musicas de... carnaval... e... as pess... buuaaaaaaaaaaaaa!"

Sim, eu chorei!

Hahahahahaha! Eu chorei! Eu chorei muito! Minha gente, vocês não estão entendendo: eu chorei na sala de aula falando sobre o carnaval! Nossa! Eu rio toda vez que lembro dessa palhaçada, mas é porque foi muito cômico (ridiculo). Acho que eu fiquei emocionada quando lembrei do loloh. Vocês deveriam ter visto: as sete pessoas na sala pararam todas de respirar e olharam pros seus pés, completamente mudas, sem saber o que dizer. A professora saiu pra buscar agua e, quando voltou, eu ja tava rindo, morta de vergonha.

Mas uma coisa é flagrante: a ultima coisa que eu disse antes de parar de chorar (quando eu consegui dizer alguma coisa) foi "é porque aqui é muito diferente" e segurei com todas as forças a nova demanda de lagrimas. Falei por 20min do meu pais. Da musica, do cinema, de politica, das praias, mas quando lembrei do carnaval, da festa, das pessoas loucas que aquele pais tem, sim, eu chorei. Não acredito no clichezão de que os franceses são frios. Não, não são. Ja me diverti muito com os franceses que conheci, mas lembrando dos brasileiros, a diferença é do tamanho da distância que separa os paises em questão. Agora acho que ajudei a consolidar mais um clichê nesse mundo: no final das contas, acho que o pessoal da sala concluiu que brasileiro gosta mesmo é de carnaval.

Conclusões da introdução

Na ultima sexta-feira aconteceu uma coisa curiosa comigo. Calma, não tem nada a ver com arabes, policiais ou quedas de bicicleta. Mas antes de falar sobre o caso, uma pequena introdução - que pode durar até o ultimo paragrafo.

Sempre me perguntei como seria a minha adaptação na França, mas toda vez, antes mesmo de raciocinar e colocar os pontos positivos e negativos sobre a mesa pra analise, eu me desesperava e começava a choramingar. E a chorar. E a berrar. No entanto, pra minha surpresa, uma vez aqui, eu nunca me peguei roendo, desejando voltar, tomada pelo banzo. Inclusive, quando as pessoas me perguntam, com uma voz meio "solidaria", se eu gostaria de voltar pro Brasil, se espantam quando eu digo um espontâneo "não".

- Eh melhor aqui ou la?
- Aqui.

- Você pretende voltar?
- Pras férias.

- Você telefona muito pros seus pais?
- Eh, telefonei uma vez...

E assim por diante. E antes que vocês tirem suas conclusões, não, a França não me deixou "fria" e muito menos eu fiquei maravilhada pela "civilidade" (cof cof) francesa. Acho que as pistas pra encontrar o motivo dessa "dureza" repentina são questão de auto-sobreviência e rancor. Vamos apresentar nossos candidatos:

Questão de auto-sobrevivência: apesar de pequena, a minha cidade abriga todas as maiores felicidades que eu tive na minha vida, seja em forma de pessoas, de comidas, de bichos ou de lugares. De infeliz, João Pessoa soh tem o nome. Estar longe dela não é uma tarefa facil, por isso, não basta estar aqui, tem que estar desconectada de lah. Eu evito pensar na cidade, nas pessoas, nos cheiros, nas sensações e, na maioria das vezes, obtenho sucesso. De outra forma, minha permanência aqui seria, no minimo, impossivel.

Rancor: soh depois de sair de casa é que realmente me dei conta de que era um inferno viver dentro dela. Eu tinha consciência de que eu nunca tive, e de que eu nunca teria, o que as pessoas chamam de "lar doce lar". A convivência com meu pai era insuportavel e o sofrimento da minha mãe me consumia o figado. Eu aguentava porque aquela era a unica forma de "viver" que eu conhecia e, principalmente, porque eu nunca tive condições financeiras pra sair daquela situação. Hoje eu trabalho, não dependo de ninguém (ouviu bem, otario? ninguém!), moro com gente mentalmente saudavel e equilibrada, então... Eh, eu acho melhor morar aqui, obrigada.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Yes, o Brasil tem bananas!

Sempre que eu volto pra casa do trabalho ou do curso de francês, tenho que passar pela rua do acidente da moto. Agora, eu pedalo pela rua como uma boa cidadã. Uma boa cidadã que se fudeu e que aprendeu na marra. Como eu disse no post linkado, não da pra uma bicicleta e um carro trafegarem nessa rua ao mesmo tempo. De qualquer forma, pra minha supresa, enquanto eu pedalava na rua semana passada, um carro passou por mim e a passageira me gritou por algum motivo. Fiquei em duvida se era comigo até perceber que eu era a unica alma na rua. E não soh o grito foi pra mim, como o motivo era o fato de eu estar atrapalhando a passagem da donzela!

Eu fiquei puta.

Quando eu tou errada, eu sofro acidentes, e, quando finalmente tou certa, chega alguém e me grita? Isso não podia ficar assim! Eu subi em cima da calçada e sai correndo até alcançar o carro dela que ficou parado no semaforo (eu poderia ter continuado na rua se não fossem os outros carros que tivessem me fechado a passagem). Ai parei do lado do carro e lancei a ja usada questão-afronta: qu'est-ce qu'il y a? Ela baixou o vidro e, tanto a motorista, quanto a passageira, começaram a me gritar e eu comecei a gritar também! Eu duvido muito que eu tivesse falando corretamente, mas o importante era me defender. Comecei a dizer que eu tinha o direito de andar na rua e ela rebateu que ali não tinha ciclovia e eu disse que bicicleta não soh anda por ciclovia e que eu não poderia andar na calçada (nesse momento, o tempo congelou e, ao fundo, se viu uma imagem minha, de um mês atras, na qual se podia ver eu pedalando e atropelando um motociclista na calçada. A cena terminou, o tempo real foi descongelado e eu continuei gritando com a arabe estressada. Eramos duas).

Depois de dizer o que eu tinha pra falar, virei as costas e procurei o primeiro espaço na rua pra mim e pra minha bicicleta, soh pra contrariar. E fiquei la, puta da vida, esperando a arabe passar por cima de mim. Em casa, fiquei me questionando sobre o caso. Acho que eu era uma pessoa mais pacifica no Brasil, pra não dizer menos banana. Acho que isso de deve ao fato de eu sentir que agora eu tenho que me virar sozinha aqui, tenho que resolver meus proprios problemas. Por isso, fico feliz da motorista não ter uma cimitarra. De afiada, bastava a lingua.

domingo, 8 de novembro de 2009

Queda pra inglês sofrer

Queda de bicicleta, infelizmente (para os outros), não é privilégio meu. Hoje de manhã, depois de trocar os freios da minha bicicleta, que se romperam com o ultimo acidente, dei de cara com a inglesa que mora a gente, Cecilia. Por um segundo, eu não pude acreditar: a coitada tava toda arrebentada. Os dedos, o queixo e as palmas das mãos cheias de curativos. O labio superior completamente inchado e meio aberto. E, finalmente, lhe faltava um dente. Não precisei pensar muito pra deduzir que aquilo tinha sido resultado de uma queda de bicicleta. E, quando ela entrou no banheiro e tentou induzir o proprio vômito, não foi dificil, tampouco, imaginar que a queda foi durante um porre. Coitada.

Segue dialogo entre mim e Camilo ao som do vômito de Cecilia:

- Nossa, quantas quedas de bicicleta esse ano!
- Pois é...
- Tu caisse, Camille, Cecilia...
- Sophie...
- Quem mais? Falta uma pessoa!
- Não sei.
- ...
- ...
- Ah, eu...

O proprio se arrebentou no oitavo dia do ano, na vespera do nosso casamento. A presepada pode ser relida aqui. Camilo tava bêbado. Sophie caiu na mesma semana em que eu cai da primeira vez: bêbada. Camille caiu ha menos de um mês e também arrebentou o rosto: bêbada. Cecilia caiu ontem. Acabou de sair com Camilo pra procurar o pedaço do dente que lhe falta. Acho que ela não vai encontrar. Mas a boa noticia é que o ano ainda não acabou. Quem sera o proximo?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Meu quartinho

Não sei, talvez vocês não entendam. Pode ser um pouco complicado. Mas eu, por exemplo, me impressionei quando Camilo perguntou qual era o Beatle que havia morrido. Ou sera que ele apontou pra John e perguntou quem era esse? Enfim... Eu sei que eu sou uma pessoa extremamente dramatica e tudo que eu descrevo é pessimo ou otimo, é maravilhoso ou é terrivel. E, ou eu choro, ou eu tou rindo abestalhadamente. Mas eu não poderia descrever minha relação com os Beatles de maneira branda. Eu tou à anos-luz de ser uma super fã dos Beatles. Anos-luz. Mas o problema é que eu sou completamente apaixonada por eles. Completamente.

Faz somente uma década que comecei a emprestar meus ouvidos a eles e, até hoje, apesar do esforço, nunca encontrei um album como a força hipnotizadora do Abbey Road. Centenas de vezes ouvindo e centenas de vezes enlouquecendo. A verdade é que ha muito tempo eles despertam minha curiosidade. Quando eu era bem guria, ia na despensa de casa pra revirar os baus velhos dos meus pais e meu pai tinha um album de figurinha (dos anos 70) de temas variados e, em meio à dinossauros, jogadores de futebol e comidas tipicas do Brasil, havia uma pagina dedicada aos Beatles. Faltava John Lennon. A coisa se desenrolou nos anos seguidos, de tal modo, que me flagrei varias vezes chorando ridiculamente depois de examinar uma sequência de fotos dos Beatles, desconsolada por ter nascido tarde e longe demais.

Seja como for, foi depositado no meu colo a oportunidade de ver 1/4 do meu sonho. A possibilidade era real: Paul Mccartney iria tocar no dia 10 de dezembro, as 20h, na capital francesa. Tudo que eu precisaria fazer era estar as 10h do dia 06 de novembro na frente do computador com um cartão de crédito na mão. O meu medo de não conseguir comprar o ingresso era real: eu sabia que Paul Mccartney estava no Guinness pela vendagem de ingressos mais rapida, mas não sabia que o recorde era esse. E meu medo se mostrou razoavel quando eu soube que os ingressos se esgotaram antes das 11h. Bom, recorde é com ele mesmo.

Camilo tentou me manter calma durante os dias que antecederam a venda e foi bastante firme quando disse "você vai pra esse show, tenha calma". Isso evitou que eu tivesse um derrame. Mas la estah de novo minha negatividade preocupada com o horario do trem pra Paris (a gente parte de Lyon três horas antes do show), com medo das greves doidas que acontecem aqui nos transportes. Com medo de uma queda de bicicleta, de uma ida ao hospital, com medo de mau olhado, com medo de que o homem, nos seus 67 anos, morra. Com medo. Com medo, mas ABSURDAMENTE FELIZ!

*agradecimentos especiais à Aline (que também vai ao show, uh ruh!) que foi quem me avisou do show e suportou meus emails aflitos. E ao meu amado, salve salve, que foi quem comprou os ingressos. Ele confessou que suou nao na frente do computador. "Se eu perder esses ingressos, Luci me mata". Matava. Agora Luci é soh beijinho e ansiedade. De qualquer forma, obrigada!

Oh, boy!

Este aqui o post mais delicioso que ja escrevi na vida. Sabe todas as empolgações, todas as felicidades e todas as ansiedades que ja tive na vida? Não são nada diante do que eu estou vivendo agora. Vou falar um pouco mais sobre isso quando tiver tempo, mas por hora, eu queria anunciar que... eu tenho dois ingressos pra um show em Paris daqui a um mês. Show de quem?































Paul Mccartney.

(poft).

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Deixa que digam, que pensem, que falem...

Uma vez, um conhecido de João Pessoa me perguntou, abismado, o porquê de eu ter um blog onde eu expunha toda minha vida (ele falava do Circo sem Futuro ainda). Eu não soube responder. João Pessoa é uma cidade ridiculamente pequena, mas eu sempre me surpreendia quando eu ficava sabendo que alguém, que eu jamais falei na minha vida, lia meu blog sempre. Tem uma fofoqueira em João Pessoa que espalhava historias alheias, falsas ou verdadeiras, aos quatros ventos. A Fofoqueira chegou uma vez a dizer que eu pegava Camilo e meu ex (nunca soube se ela quis dizer que os três faziam suruba ou se eu "somente" traia Camilo com o ex, mas... pouco importa) e que me conhecia. "Ah, conheço demais, eu leio o blog dela". Eu nunca disse um oi à figura, mas ela me conhece: ela lê meu blog.

São pessoas como essa que me mostram que eu não devo me importar com o que eu penso, falo ou escrevo. Porque, primeiro: a divulgação do que eu falo e escrevo não sera feita à semelhança do que eu disse. Segundo, serão espalhadas coisas que eu nunca disse, que eu sequer fiz, independente da minha escolha, dos meus registros. Então, do que adianta ficar se preocupando? Eh obvio que se eu escrevo, eu dou material pra fofoca, mas o pior que pode acontecer é as pessoas falarem sobre minha vida.

Bom, uma vez eu escrevi no Circo que a chefe do meu estagio era assustadora e que tinha olhos de tubarão (entre outros). Meses depois, enquanto eu trabalhava, vi, em tempo real, ela lendo meu blog. Pelo contador, soube depois que a maldita tinha procurado o proprio nome no Google e encontrado meu blog (o nome dela é tão bizarro que ela soh precisou digitar o nome). Eu fiquei gelada, mas não aconteceu absolutamente nada.

Eu sempre gostei de escrever, mas o Blog em si é uma espécie de terapia onde eu, bizarramente, me liberto, graças aos olhos de desconhecidos, dos problemas que me afligem. Eu escrevo cartas, emails, mas eu sinto que preciso falar aqui. Quando acontece alguma coisa no meu dia, mesmo que ela não seja especial, é muito normal que eu pense em relatar no blog. E, atualmente, duas coisas fazem com que eu me sinta mais ansiosa por escrever: a solidão e as descobertas francesas.

Esse post inteirinho, na realidade, não pretendia tratar de fofoca ou do alcance dela. Tinha a unica intenção de dizer que é provavel que eu escreva posts sem sentido daqui pra frente. "Sem sentido", no meu dicionario, é "sem um objetivo especifico". As vezes eu sinto somente vontade de dizer como eu me sinto, das sensações que o mundo me provoca e não quero me privar disso, ainda mais aqui, no meu espaço. Bom, acho que esse post é um começo de qualquer coisa.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A décima terceira que da sorte

E, partindo pra assuntos que me deixam menos estressada...

Pouco a pouco, o desespero que eu sentia aqui na França vai se dissipando. Eu sinto a mudança. Eu poderia esperar um pouco mais antes de escrever um post falando sobre os progressos que tenho feito aqui, ja que sei que ainda falta muito a ser alcançado, mas... por que não?

Ontem eu fui, pela segunda vez, no restaurante em que almocei no dia em que tive que ligar, pela primeira vez, pra Mme. Cler. Faz algumas semanas ja e eu falei disso aqui. Camilo havia viajado por uma semana e eu havia ficado em Lyon pra resolver assuntos importantes. Um deles era ligar pra duas propostas de emprego. Se hoje meu francês é tosco, ha algumas semanas, ele era mais que bizarro. Quem me deu forças (me obrigou) a telefonar foi Audrey (uma menina que mora comigo). Foram minutos de sofrimento, mas eu consegui um contrato.

Ontem, quando voltei ao restaurante, eu tive uma sensação ruim, justamente as lembranças desagradaveis daquela tarde chuvosa, cinza e feia em que eu estava ensopada de medo. A diferença é que ontem eu voltei com Camilo e Co, o namorado de Audrey, e passamos quase duas horas conversando sobre nosso futuro (assunto pra um post que levara meses pra ser escrito). Quando eu digo "conversando" não é mais "eu ouvindo calada, sem entender nada". Quando eu digo conversando, me refiro a uma Luci falante. Gaguejei, consultei meu dicionario (Camilo) uma porção de vezes, mas pude ouvir e ser ouvida. Em francês. Mas o barato veio uma hora depois: uma assistente de Mme. Cler, até então desconhecida por mim, me telefonou e eu pude falar e perguntar determinadas coisas e chegar ao fim da conversa sem pensar em desligar o telefone, tomada por um ataque de pânico (como é bem meu estilo).

Pode parecer uma bobagem isso tudo, e eu até penso duas vezes quando vou falar dos meus avanços pros amigos franceses, mas a verdade é que é mais do que sufocante ver seu celular tocar e não ter a coragem necessaria pra atendê-lo. Eh sufocante saber que você não pode jamais se perder na cidade porque, ah, você não saberia pedir informação a ninguém. E hoje, na minha terceira ida ao restaurante, fui sozinha. Fui sozinha e fiquei bem feliz de entender tudo, de poder pedir o prato, de até aceitar a sugestão de sobremesa (torta de limão gostosa) e, no fim, pagar tudo com o meu dinheiro, que ganhei com o meu trabalho. São essas pequenas coisas, aparentemente tão estupidas, que tem me deixado mais tranquila.

Uma outra coisa boa, é que andei me aproximando da mexicana que mora com a gente. Nossa, preciso apresentar com calma as pessoas que moram com a gente! Agora somos onze na teoria e treze na pratica. E uma dessas treze pessoas se chama Diana. Diana chegou por um total acaso aqui. Quando a gente tava entrevistando os candidatos pra morar aqui, idos de agosto, conhecemos um mexicano e ele tava bem cotado pra morar conosco. Um dia, ele trouxe uma amiga e ela jantou aqui. Gostamos tanto dela que, um tempo depois, dispensamos o mexicano e a convidamos pra morar com a gente definitivamente.

Tem um monte de coisa que me faz gostar de morar com Diana. Me sinto um pouco mais confortada por poder dividir a França com alguém que estah na mesma situação que eu: sem amigos, sem seu idioma, sem sua familia etc. Mas minha empolgação com ela vai além dessa felicidade egoista. Diana é muito legal! Sabe quando você encontra aquelas pessoas que você sabe que tem bom coração? Pronto, eu moro com uma dessas. Eu me divirto muito conversando com ela porque ela é engraçada e bem humorada. E parece que o nosso grau de francês é o mesmo. Dai, eu sinto que posso falar qualquer coisa sem a pressão de ter que falar perfeitamente. Quando não da mesmo, ela diz a palavra que não conhece em espanhol, e eu, em português. E a gente se entende. A primeira conversa foi uma troca de figurinha sobre menstruação. Depois disso, ficou claro que nos dariamos bem. Ontem fofocamos, sem pudor algum, sobre o mexicano. E eu e Camilo temos convidado ela pra tudo que é canto. Hoje a gente vai ver Mary and Max.

Obviamente que ainda falta um bocado. Se eu tivesse metade da amizade que tenho com Diana com o resto da casa, a coisa estaria linda. Mas não é o caso. Falta aprender a falar no passado e no futuro e também de uma forma hipotética. Eh dificil. Mas ao menos eu ja posso me perder na cidade!

domingo, 1 de novembro de 2009

Garotos nunca dizem não

Pequenos adendos em forma de post. EU PRECISO!

Os comentarios do post passado feitos pelos homens são a prova concreta de que vocês, definitivamente, não entendem o que é ser uma mulher. Digo, não entendem o quanto é dificil ser uma mulher. Fazem idéia, mas não entendem. Tem o comentario de Mythus onde ele diz que ja sofreu cantadas ("sofreu" é expressão minha, ja que homem não sofre cantada, ele recebe) de mulheres nas ruas e ficou constrangido. Pra mim, isso é novidade. Acredito nisso, mas eu duvido muito que algum desses comentarios tenham deixado você "amedrontado" ou "emputecido", tipo assim, como acontece com a gente.

Quanto aos comentarios de Luis, não, caro amigo, nossa reação não foi desproporcional. Desproporcional foi a reação de centenas de estudantes de uma universidade ao verem uma menina usando uma minissaia.

E quanto ao comentario de Ailton... Ufa! Ainda bem que você veio nos iluminar com sua opinião. "Luis tem razão mesmo. Queiram ou não". Vou repetir: queiram-ou-não. Ponto. Afinal, ninguém melhor do que um homem pra entender a realidade de uma mulher num pais latino-americano, altamente machista/moralista. As mulheres não devem sofrer nenhum tipo de preconceito no meio da rua. Mas (e o "mas" da discordia aparece novamente!) se ela usa uma roupa provocativa, ela estah pedindo pra ser abordada. Eh como usar uma tatuagem. Ninguém usa uma tatuagem pra se enfeitar. As pessoas usam tatuagens porque gostam de sofrer preconceito, porque gostam de serem olhadas de viés. A verdade é essa. Queiram ou não.

Nos meus pobres 24 anos de vida, soh conheci dois homens feministas. Não por acaso, eles foram meus namorados. Camilo Marti e Fabio Viana. Não por acaso, eu me apaixonei perdidamente pelos dois porque eles nunca, JAMAIS me disseram o que eu podia e não podia fazer por ser mulher. Fabio nunca discutiu o tamanho da minha roupa, Camilo me incentivou a casar (e casei) de decote (isso, pra ficar soh no topico "vestimenta"). O tipo de homem que diz que é liberal mas castra a namorada pra mim é um bosta. Eh como aquele povo que diz que não tem preconceito com gay, mas se arrepia de nojo quando tem que apertar a mão de um. Pior que isso é o "não tenho preconceito, desde que fique longe de mim". Claro. Não sou machista, mas namorada minha anda na linha. Que linha mermo?

Pra finalizar, a pergunta que Mythus me fez post passado (espero que tenha respondido):

Qual a reação que a senhorita gostaria de provocar ou ver naqueles que se deslumbrarem contigo?

Sendo bem direta: quando quero impressionar alguém, seja um homem, seja uma mulher, eu prefiro usar a cabeça a usar minhas coxas. Mas se eu fico sabendo que alguém se impressionou com alguma parte do meu corpo, definitivamente, isso não vai tirar meu sono. Otimo! A questão não é absolutamente o que as pessoas possam sentir por mim, mas a forma delas externarem isso. Eu não me importo se eu provoco masturbações, pesadelos, simpatia ou sorrisos falsos. Eu não me importo. O que eu acho grosseiro são as reações. Não preciso ninguém babando em cima dos meus peitos, nem pegando na minha bunda como se eu estivesse dormente. Não quero ninguém me chamando de puta ou soltando gracinhas pelo decote, pela minissaia, por mais que eu esteja "provocativa" ou "chamando a atenção", seja la o que for isso. Finalmente, o problema não esta na minha provocação, esta na reação alheia. Quer a gente queira, quer não. Infelizmente.

Talvez

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