domingo, 4 de julho de 2010

Convite à Terra

Como é bom ler um livro ou ver um filme em que ninguém depositou muitos elogios: do contrario, a expectativa se transforma, invariavelmente, em frustração. Não foi o caso do filme que vimos ontem, La belle verte.

O filme conta a historia de um povo extra-terrestre que vive em plena comunhão com a natureza e que, uma vez por ano, tem que visitar outros planetas. A Terra é o unico planeta do qual ninguém se voluntaria pra ir, dada a gritante diferença entre o modo de vida deles e o nosso. O ultimo visitante a ir a Terra, testemunha: "A hierarquia lah é um caso sério. Chefes se acham superiores a tudo: os homens às mulheres, as pessoas da cidade às do campo, os adultos às crianças, os humanos aos animais".

Finalmente, uma mulher e seus dois filhos vão a Terra: ela aterrissa em Paris e os dois filhos caem no meio de alguma tribo africana de caçadores e coletores que tem o modo de vida semelhante ao dos visitantes. Enquanto a mulher estranha o cimento e a fumaça dos carros na grande Paris, os filhos relatam à mãe a vida na tribo que os acolheram: "Eles estão aqui ha 40 mil anos e nunca estragaram suas terras. Têm a mesma medicina que nohs. Nohs comemos muito bem! E eles são fortes em telepatia. São tão avancados quanto nohs. Estamos bem, a Terra é bela!"

Então, leitor, qual o seu conceito de avanço?

Um dos dialogos que eu mais gostei, foi quando a mulher-visitante pergunta, com curiosidade pueril, pelo conteudo da bolsa de uma terraquea:

- O que tem na sua bolsa?
- Um batom.
- Pra que serve?
- Coloca-se nos labios. Eh pra ficar bonita.
- Pra ficar bonita?
- Eh. Sexy. Eh pra agradar...
- A quem?
- Errr... a todo mundo.
- Isso deve ser dificil!

Apesar do filme ser de 1996, ele traz boas discussões sobre temas que estão em voga, como consumo de carne, machismo, desenvolvimento sustentavel, preconceito etc. O filme é bem obvio quanto ao(s) seu(s) objeto(s) de critica, mas me agradou por escancarar a mazela humana através da via cômica, sem aquela chata pretensão de ser um filme engajado. Boa reflexão sobre a sociedade contemporânea e aqueles que a criaram. Mas vou parar de falar do filme porque eu conheço bem o problema que a expectativa pode criar.

7 comentários:

Mariana disse...

Eu vi esse filme no Brasil e me diverti horrores!!!

S. disse...

deu uma vontade!!! criou expectativa, tá vendo? rs
realmente é dificil agradar a todos. Beijinhos de batom.

Helena disse...

A tua pergunta "Então, leitor, qual o seu conceito de avanço?" me lembrou de dois casos lá em Porto Alegre: 1) a destruição de uma casa antiga e a construção de um mega-prédio no local. 2) a ideia de transformar uma área verde próxima ao estuário da cidade em um "complexo" de prédios e uma praça. Nos comentários do jornal local, se lia milhares de pessoas defendendo os dois empreendimentos pois isso era o desenvolvimento, o avanço, o progresso. Aí que me dei conta de que minha visão de "avanço" era muito diferente da visão dessas pessoas. Avanço para mim é as pessoas terem bem-estar, poderem viver bem, em harmonia com a natureza, em paz com os demais, em que todos tenham os mesmos direitos e sem tantas desigualdades sociais. Vou procurar o filme, fiquei curiosa agora :)
Beijos

Caso me esqueçam disse...

mariana: bom, neh? eu tava com vontade de ver alguma besteira pra rir: deu certo :)

s: pois saiba que esse filme eh uma merda, presta pra nada... nem vale a pena! (viu minha supertatica pra diminuir a expectativa alheia?)

helena: compartilho da sua visao sobre o que eh avanço. parece que bem-estar nesse mundo significa se afastar infinitamente de um modo de vida mais natural. da-lhe concreto.

Glória Maria Vieira disse...

Chefa! Antes de mais nada: Uau! Que postagem, ein? Falou como uma crítica das mais observadoras, rapaz!
E enquanto ao conceito de avanço, eu acho que regredimos de certa forma. Antes tínhamos "tudo/básico/essencial" sem desmatar, sem subtrair. E hoje? Não temos "tudo", porque nunca estamos satisfeitos, e subtraímos cada vez mais. =/ #tenso

Caso me esqueçam disse...

glorinha: exacto! falasse tudo: antes tinhamos tudo sem precisar de muito. e agora a gente nunca tah satisfeito. nao basta mais bater palma pra desligar as luzes, agora temos que arrumar uma forma de fazer isso com a força do pensamento. gente, isso vai parar onde? Oo

Rita disse...

Tarde demais. Estou cheia de expectativas.

Talvez

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