quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aaaaall byyy myseeelf...

Sei que ainda nao estou à vontade com a faculdade porque ainda tenho pesadelos super bizarros. Essa semana sonhei que era sequestrada e, no dia seguinte, sonhei que estava sendo possuida por um ser diabolico: eu gritava, mas a voz nao saia, tentava tocar Diana (que estava a dois centimetros de mim), mas o braço nao a alcançava. Meus sonhos sao assim, simpaticos. Nada de bruxa ou jacaré. 

De qualquer forma, estou um tequinho menos nervosa, mesmo se o numero de trabalhos pra expor oralmente esta aumentando. Esses trabalhos me tiram o sono por duas coisas: primeiro pelo obvio: eu sou uma pessoa nervosa por natureza. Na UFPB, eu ja tinha ataques de pânico a cada apresentaçao e, com certeza, nao sera diferente agora - ainda mais eu tendo que apresentar os conteudos em uma lingua que eu nao domino. O segundo problema dessas exposiçoes, é que elas sao feitas em dupla/grupo. E, oi, eu nao conheço ninguém. Dos quatro trabalhos que foram marcados até agora, eu estou sozinha em todos, porque ninguém abre espaço. Outro dia, a professora pediu à turma pra que alguém fizesse o trabalho comigo (que era em dupla) e ninguém se candidatou.

- Gente, ela nao pode fazer sozinha.
- ...
- Gente, ela é estrangeira, nao vai conseguir fazer tal e tal coisa*.
- ...
- Ninguém quer ajuda-la? 
...
- Entao, ta bom...

Juro. Ela pediu umas quatro vezes e nenhuma das quarenta pessoas quis fazer trabalho comigo. Olhe, eu tentei, mas nao consegui nao me sentir idiota diante daquele silêncio. 

Tem uma disciplina na segunda-feira que é ministrada por um professor muito chato, maluco, cheio de complexo. Um DOIDO (falo dele depois). Ele também passou um trabalho em grupo, mas dessa vez eu tava disposta a chegar em alguém e me meter no grupo dela: nao posso me fuder assim, esperar que alguém caia do céu. Dai, eu tinha percebido novas caras na aula e decidi arriscar achando que eram novatos tao perdidos quanto eu. Eu tava errada, mas aconteceu algo melhor:

- Sera que eu poderia fazer trabalho com vocês duas?
- Er... Claro!
- Desculpa me oferecer assim, mas eu nao conheço ninguém aqui.
- Sem problema, mas tu é de onde?
- Do Brasil.
- Ah, eu também!

Hihihi

- Ah, err... ah! Hum! Er... Ah, é?! De onde?
- Récifi. 

Acho que eu nunca me senti tao feliz ao ver um brasileiro na minha frente. Alias, uma brasileira. De cara, ela ja foi dizendo que eu deveria sentar com elas na aula (a outra é francesa). Ela contou que morava ha alguns anos na França, mas que ja havia voltado ao Brasil por causa de uma depressao gerada aqui. Disse que havia perdido dois anos na faculdade porque nao conseguia seguir o curso e que se sentia a "burrinha" da turma. Disse ainda que ja saiu duas vezes da sala pra chorar nos corredores. Senti uma mistura de pena, alivio e preocupaçao. De qualquer forma, ela foi bem legal, disse que eu poderia ligar pra ela quando tivesse precisando de algo. Infelizmente, soh estou duas horas com ela (das 16h semanais), mas duas horas ja aliviam. E muito!

Aproveito o post pra dizer que, infelizmente, vou ter que ficar um pouco distante do blog. Vou tentar postar e ler meus blogs queridos, mas os comentarios ficarao prejudicados, porque preciso de todo o tempo que puder pra deixar as leituras em dia. Nao tenho conseguido, entao... Paciência. Nao podemos ter tudo. 

*Aparentemente se tratava de algo cujo sistema eu nao conhecia. 

18 comentários:

Rita disse...

Ai, que alívio que essa ménina de Récifi tá aí contigo. Manda um beijo pra ela!

E, ei, força na peruca, que o início é isso mesmo! Depois, anota aí, você vai tirar de letra! Juro. Não desiste.

E pode ficar tranquila, leve o tempo que precisar, estaremos aqui esperando outros posts. First things first.

Beijos e boa sorte!
Rita

Amanda disse...

Ai Luci, que angustia!! Fico me sentindo tão impotente, sabe? Porque isso é uma coisa que vc vai precisar resolver sozinha, sem ajuda pratica dos seus amigos. E a gente fica aqui, sofrendo junto, sem ter muito o que fazer. So dando conselhos, hehehe.

Apresentaçoes orais sempre foram um terror pra mim. Mas a minha primeira na França foi um desastre tão grande, mas tão grande, que depois eu perdi a vergonha e pensei que nada do que eu fizesse poderia ser pior do que ja tinha feito e juro que isso ajudou. Então pensa assim: se vc fizer uma boa apresentaçao, otimo. Se vc se humilhar publicamente, vc vai perder definitivamente o medo. Entao acaba ganhando de qualquer jeito. Relaxa e tenta não ficar mt nervosa. Uma dica preciosa que ninguem me deu: na França a galera lê o texto inteiro na apresentaçao oral!!! Nem precisa decorar nada! Imagina eu com cara de pateta tentando lembrar cada palavra, sem conseguir, logico, e depois de mim todo mundo tirou o papelzinho do bolso e leu? Ai, nao gosto nem de lembrar!

Vc tem uma boa desculpa para sumir da blogfera, mas ve se liga o gtalk de vez em quando, poxa! Ou o chat do facebook! Beijos e bon courage!

Nira disse...

Poxa, ainda bem que apareceu ao menos um brasileiro pra ficar com você e fazer a porra do trabalçho, mas vou te dizer: ô turminha enjoada, hein? não apareceu um filho de Deus pra fazer com você, vão ser isolados assim na casa do c....
espero que você fique lmelhor e que essa sua ansiedade passe. Acho que sei um pouco como é me sentir isolada e posso ter uma vaga idéia do que você passa. mas tenha força e persevere que tudo há de dar certo, viu? estarei sempre por aqui!

Aline Mariane disse...

ah, coisa boa!
Muito boa sorte com as apresentações - ainda vou escrever um post sobre a minha primeira exposé. Contando o final, todo mundo lê, descaradamente, como Amanda falou. Coisa que nunca vi no Brasil...
Bjss!

Renata I disse...

Ai ai ai, já vi o que me espera no próximo ano....Se vc puder continuar contando como é essa rotina, as apresentações, etc. ficaria muito "gradicida" hehehe

Sei que logo, logo, vc vai contar isso tudo dando muita risada e sem nervosismo...

Boa sorte aí!

Borboletas nos Olhos disse...

Minha querida (adorei ser chamada de xará, rsrsr),
Você concluiu brilhantemente: não se pode ter tudo. Nós, por exemplo, teremos a alegria de sabê-la estudando e realizada nisso, mas sentiremos uma saudadezinha meio dolorida. Eu, pelo menos sentirei. Vou aproveitar pra ler o "pratrasmente". Quanto à antipatia das turmas, vejo isso em todo começo de semestre, pessoas que não são de uma turma consolidada tentando se integrar. Sorte de encontrar uma recifense (ô terra de homem bonito é esse Pernambuco, affe). Muitos e muitos beijos

Claudia Serey Guerrero disse...

Oi, olha nao se sinta idiota nao, os idiotas sao eles.. que coisa! ... é nessas horas que eu uso uma frase bem francesa, "Merci, vous êtes très gentils" Me da uma raiva!!! Ops, nao me apresentei, faz tempo que te leio, e recomendo teu blog :) sou Claudia de Campina Grande, foi Rita que me recomendou teu blog, agora moro em Marseille, Beijinhos, et courage! :)

Glória Maria Vieira disse...

Ow minha Chefa preferida. Que maldade, ein?! BANDO DE DOENTES esses que não se disponibilizaram a fazer o trabalho com você. Digo mais: PAU'S NO CU! UAHSUHSUAHSUHAUSH ¬¬ MAS ainda bem que a menina de Recife, desde já considerada UAHAUHSUASHHAS, está com você nessa. Não se angustie, pelamadrugada! Lembre-se de que é muita coisa pra ler e fazer em qualquer faculdade. Tudo bem que em outra língua apela, né?! Mas isso não quer dizer que você vá se sair mal. Pelo contrário, você vai sair ganhando no final das contas. Vai aprender ainda mais Francês. Pense por esse lado!;)

E será uma super, hiper, mega, supra, tri, grande falta não tê-la por aqui sempre como estávamos todos acostumados, mas eu entendo perfeitamente, até porque estamos juntas no mesmo barco. Só que o seu lado fica do outro lado, né?! UAHSUAHUSHAUHSUAHUSHAUHSUHAS

Bonne chance forever, Chefa!\o/ UASHUAHSUAHSUHAUSHAUHSH

Aline disse...

Lu,

Muito chato esse tipo de exclusão, isso coisa de gente primitiva, de adolescente mesmo. Sabe aquilo, chega alguém diferente e eles se sentem ameaçados e por isso reagem assim?
Enfim, o que eu faria: tentaria ser a melhor, daria o melhor de mim. Como você é a estrangeira, a latino-americana-invasora, eles esperam o mínimo de você, mas surpreenda e dê o máximo. Eles engoliriam a seco e você ficaria com um cv impecável.

Boa sorte menina! Você consegue!

Helena disse...

Eu concordo com a Aline, isso é coisa de adolescente. Eu tive essa impressão quando estudei na França, os estudantes são bem menos maduros do que se vê em geral nas universidades brasileiras, pelo menos nas minhas experiências. Além do mais, eles não têm muita solidariedade com os estrangeiros... fora alguns mais abertos que aparecem para salvar a nossa vida, ou um brasileiro ou outro estrangeiro que cai do céu :D

Quando cheguei para estudar em Rennes, não falava quase nada, nem entendia as aulas. Fazia anotações em um misto de francês e português, sem nenhum nexo. Aí, pensei: vou pedir as anotações dos meus colegas para comparar com as minhas. Primeiro problema: a galera se encolhe até para te emprestar o caderno para tirar o xerox. Segundo: eles escrevem em códigos. Terceiro: cada um tem o seu próprio código, ou seja, tem que tentar decifrar e depois tirar as cópias sempre da mesma pessoa. Af, essa vida não é fácil, Lu, mas é assim mesmo, não desiste, depois tu vai dar muitas risadas dessa fase :)

Bel Boucher disse...

Minha turma de Paris 8 era bem fechadinha, mas talvez nem tanto quanto a sua aí. A vantagem é que éramos poucos e, entre os bacanas, tinha uma menina de taiwan, um rapaz da colômbia - que falava português -, dois argelinos simpáticos e revoltadinhos e mais uma francesa muito gente boa. A minha primeira apresentação oral foi até razoável, perto da segunda. Nossa, um horror de marca maior. Eu via as pessoas rindo, pra vocês terem uma idéia. É muito sofrido, mas o professor ficou com dó e reconheceu o meu esforço. Eu ODEIO qualquer tipo de apresentação. Não poderia NUNCA na minha vida ser professora. Estar diante de duas pessoas desconhecidas já é o início do fim pra mim. Morte na certa. Então, imagina a minha vontade de ficar diante daquela galera.

A turma do novo mestrado foi muito, mil, zil vezes mais simpática. Mesmo eles, no início sendo um pouco reservados. Mas tudo bem, francês é reservado mesmo. Hoje tenho uma boa amiga de lá - francesa! - e ainda guardei contatos freqüentes com a menina de taiwan e com o colombiano.
No fim, até que o saldo foi positivo.

Ah, mais uma coisa: o problema é que aqui não é os estados unidos, mas eles são competitivos para ca&^%$#@. Por tanto, você (e eu e qualquer outro estrangeiro) é visto como menos 1 para eles. Menos um para se preocupar.

Amanda disse...

Hum... Como dizer que eu entendo sua turma sem parecer uma escrota? Entendo que eles não queiram fazer trabalho com uma pessoa que ainda não entende como funciona o esquema da faculdade e não vai ser util. Eles sabem que quem ficar com a aluna nova estrangeira, vai ter trabalho dobrado. Eles sabem pq ja deve ter acontecido com eles varias vezes, tem muito estrangeiro perdido na França. Uma hora enjoa. No Brasil se aparecer um estrangeiro todo mundo vai querer ser do grupo dele, pq é coisa rara.

Mas eu disse que entendo, não que concordo. Poxa, muita falta de empatia não se oferecer pra ajudar. Mas tenho certeza que algumas pessoas ficaram inibidas na hora de se oferecer na frente de todos.

Na minha turma tive muita sorte, o pessoal era muito bacana e incluia todos os estrangeiros no grupo. Mesmo pq alguns de nos (não eu, of course) eram os melhores alunos da turma, mesmo com sotaques carregados e erros de gramatica basicos.

Myria Cabanach disse...

Pow, sei muito bem o que é isso... se sentir meio a débil mental da sala... inclusive proxima semana tenho um exposé pra apresentar sozinha em francês na frente de 100 famigerados dentro de um amphi IMENSO e ja tow me cagando toda... porque era pra eu ter feito o babadinho semana passada, so que quando vi o serio da coisa pedi pra professora deixar eu passar na semana seguinte e ela aceitou na boa. Mas bom, so adiei o probrema!

Minha dica pra descolar um grupo é ficar de olho nos estrangeiros e nas pessoas estranhas, eles também têm problemas para encontrar parceiros pros exposés. :p

Enfim... coragem e boa sorte!!

asnalfa disse...

Ja parou pra pensar que talvez vc tenha mau-hálito?? Talvez vc nao saiba disso, mas as pessoas podem estar te evitando por causa de certos odores.

Bjos.

Ana disse...

que legal que vc conseguiu entrar na facul. e que povo bosta esse que não quer fazer trabalho com vc! bando de corno hein?
liga nao, logo logo vc se enturma com a tchurma. e que bom que surgiu essa amiga de Récifi, rs
beijos

Yuska disse...

Eh foda mesmo... eu to quase na mesma, com dificuldade c a lingua e tento que cuidar da timidez....mas a turma de M2 eh menor e com pessoas que espera-se que sejam mais maduras... o pessoal tem sido receptivo comigo e ja me senti adotada por duas garotas que ja tivera a experiencia de morar fora e ter as mesmas dificuldades que estou tendo agora.... mas continue firme e forte! bjao

Ana Pe disse...

Luci,

Tô torcendo pra você!!!!!
Vai lá e arrebenta com essa galerinha!!!!
Vou ficar com saudades das suas postagens, mas estarei sempre por aqui esperando suas novidades.

Beijos mil

Caso me esqueçam disse...

me salvaram a vida dizendo que as pessoas aqui apresentam lendo. percebi isso somente depois, quando começaram os trabalhos. bom, nem por isso ficarei menos nervosa, hohoho, mas ao menos sei que poderei ler sem maiores problemas.

renata: beleza! vou tentar fazer um post sobre o assunto ;)

claudia: seja bem-vinda! :D

Talvez

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