terça-feira, 30 de março de 2010

Lyon: mestrado (ou de quando me tornei um problema para Sarkozy)

Eu não sabia que a historia dos chocolates ia impressiono-las tanto quanto a mim. Nessa altura do campeonato, ja defequei 4/5 do bau. Ah, vocês não queriam saber disso? Desculpem.

Aline ficou surpresa por eu ter encontrado os chocolates intactos. O segredo é que Camilo, graças aos anjos, não é muito chegado em chocolate. Mas ele chegou a ameaçar minha felicidade dizendo que ia comer todos antes da minha chegada. Eu, do alto da minha ira, devo ter dito algo a ele que o fez desistir de me contrariar. Muito bem, marido.

O motivo de eu ter devorado a caixa de chocolate em dois dias é que agora eu virei vagaba profissa: pedi demissão na segunda. Sim! Ajudei no aumento do numero de desempregados na França. Como diria Guanambi, me tornei um problema social.

Antes de sair da França, tentei pedir demissão. Disse a mme. Cler (minha chefa) que eu iria pro Brasil e, mesmo quando voltasse, iria procurar outro emprego. Ela tentou me convencer a ficar e, no final, pediu pra que eu soh me demitisse quando arranjasse algum outro emprego. Ela disse que esperaria essas sete semanas. Eu, sinceramente, não sabia se ficava feliz ou não, mas topei. O problema é que, apos sete semanas de férias, tudo o que minha mente e minhas mãos (que jah tinham se livrado completamente dos quatro calos de estimação) não queriam eram voltar a me ver faxinando. Mas mme. Cler (minha ex-chefa) foi super legal, aceitou numa boa, mas disse que era uma pena, que ela sentia muito. Eu também sinto muito. Sinto muita alegria.

Agora soh volto lah na sexta ou na segunda pra pegar uns ultimos papeis e um cheque de 120€ que meu francês otimista entendeu que pertencia a mim. Mas nem tudo são chocolates. Faz alguns dias que ando pesquisando sobre possiveis mestrados na França. Com a ajuda de Aline, Amanda e Livia (valeu, meninas!), recebi informações valiosissimas e também frustrantes. Vou explicar.

O mestrado aqui na França, diferentemente do mestrado no Brasil, é dividido em duas partes. O M1 e o M2. Enquanto que no Brasil você soh tem um ano de aula e no seguinte faz um trabalho final, aqui, na França, os dois anos são independentes, dando o direito ao aluno de estudar um tema completamente diferente em cada um desses dois periodos. Mas um detalhe: ter mérito no M1 não da automaticamente passe-livre pro M2. E no final de cada ano, o aluno deve fazer um memoire de cerca de 100 paginas (por favor, mestrandas en France, me corrijam se eu estiver errada, porque não ha nada pior do que gente falando o que não sabe).

O mestrado dos meus sonhos soh tem um problema: tem um intercâmbio obrigatorio em pelo menos um dos quatro semestres. E eu digo "problema" porque escrevi a uma das responsaveis e ela disse que as bolsas que ajudarão os alunos nesse deslocamento são prioritariamente dos alunos idiotas europeus. Cocô. Mas tudo bem, vou tentar de tudo, pesquisar bastante, se rolar, rolou, babe. Afinal, quem diabos quer um mestrado quando se pode limpar mesas e lavar pratos?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Historia de superação: o dia em que superei meu peso

Agora, vou contar a vocês uma bonita historia de fé e luta, a historia de uma mulher (eu) que acreditou e conseguiu o que queria: chocolates.

Minha historia de luta e superação pessoal começa em alguma tarde perdida do mês de novembro, quando eu ainda era estudante na ACFAL. Nos dez miseraveis minutos de intervalo que tinhamos, eu saia do prédio, atravessava a rua e ia até um supermercado comprar porcaria pra comer (chocolate, jujuba, biscoito recheado etc). Um dia, eu comprei uma caixinha de chocolates da Ferrero e a levei pra casa. La, ao dar fim ao troço, joguei a caixinha fora. Foi então que observei um numero gravado na embalagem. "Entre no site da Ferrero, digite o codigo e concorra a cinquenta baus de chocolate por dia".

Meus olhinhos brilharam. Minhas banhas se agitaram. Minha gula me levou até o computador e eu digitei o bendito codigo. E, ainda que eu não soubesse ler patavinas de francês, eu soube que eu tinha ganho a porra do bau. Dei uns risinhos desconfiados. Ao mesmo tempo em que estava feliz com o prêmio, me arrependi de ter gasto minha sorte com chocolates. Nesse momento, aquela nota de cinquenta euros que eu ia achar na rua, foi esgoto abaixo.

"Em até oito semanas você recebera seu prêmio em casa. Guarde a embalagem". Guardei. Contei nos dedos cada semana. Passaram-se uma, duas, três, oito. Fiquei triste. Era Natal. Haviam me enganado. O Reveillon não me fez esquecer a frustração, mas na viagem ao Brasil, quatro meses depois, eu havia esquecido e ja recomeçava uma vida nova. Foi quando Camilo ligou dizendo que havia chegado um pacote pra mim. Nem desconfiei do que era, até escutar o barulhinho do pacote pelo telefone. "Adivinha o que chegou pra tu". Meus olhinhos brilharam. Minhas banhas se agitaram.

sábado, 27 de março de 2010

A re-volta

Como planejado, cheguei em Lyon ha quatro dias. A viagem foi cinquenta vezes menos cansativa que a da ida, mas como nem tudo é perfeito, peguei umas turbulências que me fizeram entender que ha, sim, formas de eu me sentir mais vulneravel do que me sentia na crescente violência de João Pessoa. Sabe aquelas descidas inesperadas do avião que fazem seu estômago parar nas suas amidalas? Pronto, senti três vezes. Foi otimo.

E como ja faz quatro dias que cheguei, muita das impressões da viagem se foram. O que ficou mesmo é que eu tenho amigos lindos e idiotas! Se eu não tivesse esse tempo no Brasil, acho que eu estatia babando agora, sem dizer coisa com coisa. Agora o rumo é outro. Mas antes, entendam.

Dizem que meu amor por ela é obssessivo e doentio.
Não acho



Minha moral baixa e minha barriga querendo
competir com meus peitos em tamanho


Nariz de Andressa, Fabio e Jeff, o doente


Andressa sobria


Jaque procurando a Biblia na bolsa e Elizinha.
Limpeza.

Foi bom, mas citando Paulo Francis: "Às vezes acho que aguentei tanto tempo viver no Brasil porque estava em estado etílico na maior parte do tempo". Gracias por isso, amigos!

terça-feira, 23 de março de 2010

Especial Brasil: minha primeira tattoo

Sim, finalmente um post. E, provavelmente, o último em terras brasileiras, já que me restam menos de 48h por aqui e, se eu não escrevi muito durante essas sete semanas, é pouco provável que eu o faça nessas horas que me restam no Brasil.

Gostaria de dizer que os dias aqui foram de sol, céu e sal, mas só fui à praia três vezes, e somente pra beber cerveja e enterrar os pés na areia - na realidade, eu não vejo muita utilidade na praia além destas. Apesar disso, desconfio de que eu nunca achei as praias de João Pessoa tão bonitas! Rolou até lagriminha - mas nesse mundo onde as coisas foram criadas com o único propósito de me fazer chorar, o mérito da praia, nesse sentido, se perde.

Apesar dos dias terem sido bem parecidos uns com os outros, aproveitei pra fazer coisas que nunca tinha feito antes como, por exemplo, uma tattoo. Ouais! Já era desejo antigo, mas sempre adiei por dois motivos: falta de grana e falta de imagem. O primeiro problema foi resolvido com o câmbio euro-real. E a idéia da imagem pareceu tão fácil de resolver quanto.

Há uns meses (setembro de 2009?), Camilo me presenteou com um livro de um ilustrador francês, muito conhecido por lá, que se chama Sempé. Foi ele o responsável pelas ilustrações do Petit Nicolas (primeira imagem do post). O nome do livro se chama Simple question d'équilibre e retrata a relação dos franceses com a bicicleta. Nunca vi um povo pra gostar tanto de bicicleta. Basta dizer que, assim que cheguei em Lyon, Camilo me surpreendeu com uma. Confesso que duvidei da utilidade dela no início, mas hoje, eu não me imagino sem minha bicicletinha verde-cocô. Na dedicatória, uma frase simples, entre tantas: "pra você se reconciliar com a bicicleta". E assim foi. O livro é lindo. Sempé é absurdamente simples, mas cada traço percebido aumenta o sorriso.

Apesar de ter folheado o livro de trás pra frente, e de frente pra trás, me deparei com um casal sobre a bicicleta andando de forma linda, em plena harmonia (bem diferente de quando eu ando). Daí, achei que pudesse ser eu e Camilo. Daí, lembrei daquela vez em que eu o carreguei na bike depois de uma calourada bizarra na UFPB, começo de namoro, regados à Ypióca. Belo futuro teríamos pela frente. Eu tentando pedalar com aquele ser esparramado no guidão e ele falando merda e rindo. (segurem firme, vai ser brega, mas) Foi nesse dia em que ele disse que me amava - acho que eu o impressionei com minhas habilidades bicicletísticas. E depois, teve aquela vez em que eu caí: três dias no hospital. E também aquela vez em que ele caiu: véspera do nosso casamento, nariz esmagado. E depois, veio outro livrão de Sempé no Natal. E daí, quando vi, tinha uma tatuagem nas minhas costas.

A única forma que encontrei de nos mantermos
firmes em cima de uma bicicleta.



O responsável pela arte:
Jeison Peixoto - http://www.flickr.com/photos/jeisonpeixoto/

Talvez

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