domingo, 27 de março de 2011

Menstru... açao! - o resultado

Indo direto ao ponto: o coletor menstrual foi um sucesso. Tentei seguir todos os conselhos que recebi e mantive em mente todos os problemas que eu poderia ter. Entao agora, irmaos, vou dar meu testemunho sobre o produto. 

Escaldei o coletor numa panela com muita agua (pra evitar que o troço grudasse e derretesse no fundo dela). Eh uma etapa chata, visto que a probabilidade de uma das 862875367963 pessoas que moram comigo se deparar com meu coletor menstrual boiando numa panela é grande. Mas eu nao sou pudica e isso nao é problema meu.

Tomei banho, tchururu, peguei meu coletor, tchururu, e deitei na cama. O fabricante recomenda o uso de lubrificante nas primeiras vezes, entao eu, gênia, peguei o KY e ("Para você, amigo telespectador, que acabou de sentar no sofah, estamos falando de coletores menstruais, nao de outra coisa") e peguei o KY e lambuzei a parada. Crianças, nao tentem isso em casa: o negocio ficou sambando na minha mao, mas tal qual Crocodilo Dundee com seus crocodilos, consegui dominar meu coletor e dobra-lo. 

Entao, viria a parte mais dificil: enfiar. Alguém disse que a coisa mais importante era relaxar. Entao, respirei fundo, procurei a paz do Senhor e, quando eu ja estava quase desmaiando de tao relaxada, coloquei o troço. Nao achei facil, na minha opiniao ele é meio grande e se você estiver travada, pode esquecer. E ainda estamos falando de coletores menstruais.

Tentei verificar com o dedo se o coletor continuava dobrado, mas nao consegui. Entao, apertei o coletor e saiu, junto com o ar, um barulho que teria me comprometido caso eu estivesse acompanhada. "Pronto, agora fixou".  

Nao senti nenhum incômodo, nao precisei aparar o toquinho e nao vazou nada. Iêi! Maaaas... à noite, na hora de tirar, o negocio nao quis sair. Eu puxei, puxei, girei e nada. Pensei "meu deus, esse negocio esta preso à mim, socorro" e lembrei do Dr. Octopus. Tive medo que o coletor ganhasse vida propria e me dominasse e passasse a lançar jatos de sangue nas pessoas e quisesse dominar o mundo. Nao sei, uma coisa assim. Mas eu vou tranquiliza-los: isso nao aconteceu.

O que aconteceu foi que, na segunda vez em que o coloquei, ele ficou dobrado. Eu usei o dedo pra desdobrar e deu certo. Ou seja, Amanda, se você diz que nunca consegue desdobrar o seu, é porque você tem uma micro-vagininha, beijos.

Agora que eu usei e aprovei, vou fazer uma peregrinaçao pelo Sertao, quer dizer, pelo interior da França, propagando os beneficios do coletor. A causa é boa, espero atrair multidoes. Amém. 

sábado, 19 de março de 2011

Menstru... açao!

Depois dos testemunhos (e da aprovaçao) de cinco mulheres que conheço sobre os beneficios do coletor menstrual, decidi economizar a porra do meu dinheiro optar por uma postura mais ecologica e garantir a compra do meu. Nao vou dar minha opiniao sobre o coletor porque ainda nao o utilizei (pois é, tou escrevendo so porque eu sou empolgada). Mas ja achei o troço o maximo! Ele é lindo, é azul, mas eu teria escolhido vermelho, assim a gente adianta logo o serviço. 

Eu sinto, bem dentro do meu ser, que eu vou rir muito manejando esse troço... dentro do meu ser. Pra começar, o negocio parece um balde. Me sinto segura pra ter uma hemorragia se eu quiser. A marca é Lunacopine - nunca ouvi falar - e so custou 22€. O coletor vem com um saquinho super brega pra que você possa conservar o copo em segurança. Brega, mas para a mulher que gosta de discriçao, a opçao é melhor que as embalagens do Always que anunciam aos quatro ventos, no momento em que você tenta sacar discretamente o absorvente da sua bolsa, que você estah menstruando loucamente.  


Segundo esse esquema, o copo tem quatro furos pro ar. Pra quem quer a bacurinha ventilada, fica a dica. Na verdade, nao entendo a necessidade desses furos. Uma das vantagens do coletor nao é justamente a de nao permitir o contato do sangue com o ar (evitando assim o caracteristico e  desagradavel cheiro de sangue oxidado)? Bom.


Mas o que achei o maximo mesmo foi essa tabelinha que sugere o tamanho do coletor de acordo com o... tamanho do colo do utero? "Virgem, adolescente, mulheres jovens com/sem filhos, mulheres com mais de 30 anos com/sem filhos" etc etc e... "micro vagina: onde o colo do utero é facilmente alcançado com um dedo"*. Minha amiga dona de casa, se a senhora possui uma vagininha, melhor esquecer essa coisa de coletor menstrual. Seguinte: os fabricantes dizem que o coletor pode recuperar até 1/3 de todo o sangue vertido durante o ciclo. E vocês sabem por que? Porque o coletor é ga-ran-de-rê. Bucetinha nao tem vez! Fiz um esqueminha cientifico pra que vocês entendam:


Micro vagina (que parece uma folha - e que nem ta tao micro assim - desculpem, eu nao sei desenhar) + coletor-balde-menstrual = era uma vez uma micro vagina. 

Ok! Eu estou exagerando um pouco (eu ja disse que eu sou empolgada?). 

Bom, so sei que a encomenda veio numa boa hora. Terei minhas preciosas regras na semana que vem. Enquanto minha indisposiçao durar, revelarei aqui minha experiência com meu pequeno grande coletor, porque eu sei que vocês estao ansiosos pra saber como eu me viro com minha menstruçao. Eh, eu sei. 

Amigo que deixa Luci pagar mico com traduçoes toscas no blog, sem corrigir, nao é amigo.

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Elas também ja escreveram sobre:



segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quinta-feira, 10 de março de 2011

Emmaüs

Abbé Pierre nos anos 50 e muita atitude. Yo!
A Drixz do Café Velho acabou de se mudar pra Suécia e, tao logo chegou ao pais, partiu em busca dos utensilios domésticos - nao subestimemos a importância de um copo. Como ela também procurou lojas que vendem objetos de segunda mao, dei a sugestao do Emmaüs e agora vim aqui falar sobre ele, porque se trata de um projeto muito legal e muito conhecido na França.  

Emmaüs é uma instituiçao filantropica fundada por um sacerdote de Lyon, Abbé Pierre, ainda nos anos 50, que se espalhou pelo mundo todo, existindo hoje em quase 40 paises. O projeto atua em diversos campos: ajuda pessoas sem alojamento (o principal objetivo), os imigrantes, os famintos, os desempregados etc. Eh lindo, mas o que me interessa mesmo sao as lojas Emmaüs que vendem objetos e moveis de segunda mao. 

Irmaozinho, eu ainda estou no sol
Tem de tudo, minha gente, de abajur do século passado à geladeira. Eles vendem roupa, talher, bengala, sapato, novelo de la, muleta, livro e tudo o mais que possa ser vendido/doado. Apesar de se tratar de objetos usados, eles prezam por uma certa qualidade dos objetos à venda, claro, e os preços sao ridiculamente pequenos. Comprei uma carteira que eu amo pela bagatela de 50 centavos. Camilo, no ultimo final de semana, comprou uma mesa pro futuro escritorio dele por 25 euros e ela ta em excelente estado! E alias, varios moveis e objetos da nossa casa vieram do Emmaüs e vao voltar pra la quando nao precisarmos mais deles. 

Nao sei se essas lojas existem no Brasil porque, na minha opiniao, o funcionamento delas exige uma cultura bem particular e uma economia especifica. No Brasil, a gente nao tem o habito de se desfazer das coisas que estao velhas ou quebradas (muito menos das coisas que estao em bom estado, mas que nao utilizamos mais). A gente ou conserta, ou vende, ou da pros parentes/amigos, mas jogar fora? Jamais. Os franceses (e acho que muitos outros europeus) costumam jogar as coisas quebradas fora, ja que o conserto custa os olhos da cara aqui. E nao é raro ver objetos em otimo estado nas calçadas daqui (que ou vao pro lixo ou sao recuperados por alguém menos exigente). 

Uma vez, indo pro trabalho, vi um amontoado de roupas jogadas na calçada com um papel em cima onde se lia "sirvam-se". Horas depois, quando passei de volta, nao havia uma meia pra contar historia. Na minha familia nao existe essa de se desfazer das roupas: se nao cabe em mim, vai pra caçula ou pra prima. Nem sei como se dah o fim de uma roupa na nossa casa. Acho que a gente usa até ela se desfarelar no corpo.

O dinheiro das vendas desses objetos vai pra Associaçao, mas acho que a maioria das pessoas que vao ao Emmaüs ja nem se lembram do lado caritativo dela. Parece que o Emmaüs aqui na França é mais importante como regulador dessa cultura do desperdício que outra coisa. Mas isso é soh um pitaco. 

Das coisas que nao nos interessam: (1) Emmaüs é o nome da cidade em que Cristo apareceu depois de ressuscitar. (2) Vou apresentar na segunda-feira um seminario sobre o assunto. Oremos. (3) Eu tenho dificuldade pra escrever "ressuscitar" (é uma palavra que eu soh utilizo quando vou falar de Jesus. Aih ja viu, né...) 

Comentario mais ou menos (nada) a ver com a historia: a familia de Camilo passou essa semana em Lyon. A mae dele resolveu me ensinar a tricotar. Foi no Emmaüs, comprou agulha e linha de tricô e, mais cheia de boa vontade que Abbé Pierre, me ensinou uns pontos. Minha gente, que troço dificil é aquele? Pensei em estimular o cérebro dos meus filhos, aqueles que eu nao terei, colocando-os em aulas de xadrez ou bateria, mas agora eu vou coloca-los pra tricotar! Uma sessao de tricô e seu QI sobe uns cinco pontos. Nao o meu, claro, que pelo visto nem devo ter, porque ainda nao consegui fazer nada que prestasse. O que era pra ser um cachecol ta parecendo um ninho de passarinho. No pior dos casos, usarei como chapeu. Ou doarei pro Emmaüs. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

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Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



segunda-feira, 7 de março de 2011

Crazy Creuza


Oi, eu sou uma farsa!


Lembram quando escrevi esse post falando sobre o quanto o guri tava mimado e dificil? Ok, vocês nao lembram. Mas eu escrevi. Pois bem, o guri mudou. Mudou e virou a coisinha mais fofa!, comportada! e inteligente! desse mundo. Ele ja começa a falar e entende tudo o que dizemos a ele (seja em português, seja em francês). Ele vai fazer dois anos e ja caga no sanitario, minha gente. Eh mesmo um prodigio. E ha tempos ja come de garfo! Claro que eu sempre fico esperando que um dia eu o encontre com o garfo enfiado no olho, mas se a mae libera, nao sou eu que vou castrar o garoto. Tou super orgulhosa e curiosa com o desenvolvimento dele. O trabalho de babah acabou se tornando a melhor atividade da semana. Mas...

Mas.

Um professor anunciou, no começo do semestre, que os horarios da sua aula estavam errados e que passariam a ser na sexta-feira, o unico dia que eu tinha pra trabalhar. Ou seja, além de nao poder mais acompanhar o pequeno, eu fiquei desempregada. A rua da amargura me espera. E, como gostamos de situaçoes extremas, Camilo se demitiu também e daqui a alguns dias seremos um casal de desempregados. Nosso objetivo agora é mostrar ao mundo que um casal pode sim viver de amor. Vamos comer carinho no café da manha e amor no almoço. As cinco da tarde faremos um lanchinho de afeto e, à noite, comeremos ternura. Dinheiro pra que, nao é mesmo?

Mas antes do trabalho acabar, a mae do guri perguntou se eu poderia trabalhar como babysitter durante três segundas-feiras seguidas. Eu topei, apesar de ter durante a segunda  dez horas de aula seguidas (com apenas um intervalo de 15min a cada 1:45h de aula). Mas eu precisava de dinheiro e so tomaria conta do guri, a irma dele (de cinco meses) ficaria na casa de uma vizinha (porque eu nunca tomei conta de um bebê tao novinho antes). Soh que, no terceiro e ultimo dia de babysitter, a mae perguntou se eu me garantiria de tomar conta da bebê também. Eu disse que sim, mas somente porque, nessa noite, Camilo iria comigo pra conhecer os pais do guri e me fazer companhia (ja que eu trabalharia até meia-noite).

Tudo certo. 

A mae começa a dar as instruçoes e a explicar os habitos da guria. "Ela nao gosta de ficar no berço e provavelmente soh vai dormir nos seus braços. As vezes, quando a gente tenta coloca-la no berço, quando ela começa a dormir, ela acorda. E acorda cheia de energia". Em outras palavras: você vai segurar sete quilos das 20h à meia-noite, beijos. 

Posso adiantar logo? Foi a pior noite de trabalho da minha vida. Aquele bebê nao é de Deus, minha gente. Assim que a mae saiu, ela começou a chorar e nao-parou-mais. Eu e Camilo colocamos um desenho infantil, esperando que ela se distraisse e deu certo! Deu certo durante sete segundos e meio. Depois de meia hora chorando, ela começou a mastigar um brinquedo e se acalmou durante incriveis 20min. Mas o brinquedo deixou de exercer seu efeito magico sobre ela e o choro voltou. 

Como ela estava sempre nos meus braços, o choro era beeem dentro do meu ouvido. Eu fiz de tudo: falei, sorri, a sacudi, a coloquei no berço, mostrei a ela todos os brinquedos da casa, dancei mas... nada. Nada acalmava aquela menina. Era aquele choro constante e agudo. As 22:30h, quando a mae disse que, provavelmente, ela dormiria, eu a coloquei no berço. Minha nossa senhora. Essa menina começou a chorar de um jeito que... Olha, nem sei explicar. Ela gritou e chorou ainda mais. As veias do pescoço dela saltaram e ela ficou roxa. Os olhos, esbugalhados. Achei que os pulmoes dela fossem voar pela boca. Temendo que ela explodisse, peguei ela de volta, mas ela continuou a chorar. Corri pra Camilo e entreguei o pacote, porque tendências homicidas começaram a nascer em meu ser. 

Luci
As 23h, Camilo começou a assoviar e a dar tapinhas nas costas dela pra que ela arrotasse. A menina parecia um pedreiro arrotando. De repente, ela começou a se calar e eu comecei uma oraçao. Quando Camilo ja nao sentia mais os proprios braços, ela começou a dormir. Eu sentei no sofa completamente perturbada, ainda escutando o choro da menina. Trinta minutos depois, os pais chegaram e ela... acordou. Acordou sorrindo! E eu la, dura. 

A mae perguntou se ela tinha chorado muito e eu narrei a noite (deixando de lado a parte em que eu quis matar a filha dela). Ela pediu desculpa e explicou que Creuza tah acostumada com a mae e que costuma estranhar as pessoas que ela nao conhece. Depois, ela disse que, agora que Creuza me conhecia, seria mais facil nas proximas vezes. Minha senhora, agora que eu conheço a sua filha, nao havera mais proxima vez. Mentira, eu sorri nervoso. 

Depois ela disse "espero que vocês nao estejam traumatizados e ainda pensem em ter filhos he-he-he". Querida, no primeiro ataque de choro dela, eu tentei arrancar meu utero com as unhas! Sério, imaginem isso todo-santo-dia. Deus me livre! A menos que eu tenha certeza de que meu filho sera um bebê Anne Gueddes, nao parirei. E eu bato na primeira que deixar comentario dizendo que eu soh tive uma experiência ruim e que bebês sao fofos! 


Talvez

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