terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quem tem culpa, digo, consciência, ajuda

Ha uns meses, através do Twitter, acabei chegando a um site onde havia uma lista de associaçoes filantropicas de todos os tipos e as informaçoes necessarias praqueles que quisessem contribuir financeiramente com qualquer uma delas. Nunca tive a iniciativa de apoiar nenhum projeto do gênero. Nao porque eu seja lisa, egoista ou muquirana - nada disso, eu sou linda. Mas em todo caso, devo ter um pouco de cada por ter deixado passar tanto tempo antes de decidir contribuir. Acho que o problema estava mais no fato de eu ser preguiçosa acomodada mesmo. Faltava isso: uma eventualidade que colocasse debaixo do meu nariz o quanto é ridiculamente facil fazer uma doaçao. 

Decidi contribuir com os Médicos sem Fronteiras (o site mostrava quantas vacinas para tal doença eles poderiam comprar com o valor da minha doaçao. Fiquei empolgada). Queria poder dizer que contribui porque sou um anjo onde nas veias corre o sangue de Madre Teresa de Calcuta, mas acho que a origem da minha decisao deve ser relacionada à uma culpa crista mesmo. Nao me julguem. Alias, me julguem. 

Quando aconteceu o terremoto no Haiti, em 2010, eu li uma matéria que descrevia a vida das pessoas apos a tragédia. Fiquei com dor no peito lendo sobre as mulheres que eram estupradas. Queria tanto que aquilo acabasse bem! Entao, sabe o que eu fiz? Nada. Meses depois, li matéria parecida e, de novo, fiquei chocada. "Esse povo ainda ta nessa situaçao?! Coitados!". Dessa vez, sabe o que eu fiz? Nada. Nao fiz nada e nunca vou fazer nada. Porque eu sou isso, aih: preguiçosa, acomodada... Fato é que eu percebi, que minha conta bancaria nunca foi tocada pelo MSF. Algum problema aconteceu e eu nunca fui atras para resolvê-lo. 

Ha uns dias recebi uma ligaçao da Unadev (Associaçao Nacional dos cegos e deficientes visuais). A mulher começou a explicar quem eles eram, o que faziam e se eu poderia contribuir com sete euros mensais. Veja bem, sete euros.

- Olha, eu nao posso ajuda-los porque... Err... 
- Senhora, você nao se preocupa com a condiçao dos cegos?
- Nao, assim... Eu até me preocupo, sabe, mas... Err... Eu vou deixar o emprego e (gente, mentira, eu nao vou deixar o emprego porra nenhuma, eu soh queria desligar aquele telefone o mais rapido possivel)... E...
- Você acha que sete euros vao fazer diferença no seu orçamento?
- Nao, mas é que... é que... Nao. Nao acho.
- Entao, você estah disposta a contribuir com a Unadev?
- Tou...


Pronto, soh assim mesmo. Depois da mulher ter sugerido que eu era egoista e murrinha, eu aceitei contribuir com os cegos da França. E eu nao estou com vergonha de estar admitindo que eu sou podrinha, porque sei que 90% das pessoas que me leem agora nao tem atitude muito diferente da minha. Estou certa? Mas eu estou aqui para ajuda-lo, irmao-amigo. Ajudar a ajudar. Vocês ja tem aih o site dos MSF. Você nao gosta de ajudar gente? Tchudjo bem: temos a WWF. Muito clichê? Entao, aqui tem uma lista com outras opçoes que vao dos autistas à moças cristas, passando pelos alcoolicos anônimos. 

Pronto, agora posso dormir melhor essa noite. Ufa. 

(Antes de dar adeus, curiosidades que vao mudar a vida de vocês: um cao-guia leva 10 meses para ser treinado e dez anos para ser aposentado. O custo do treinamento? 20 mil euros. Meus sete euros nao devem nem pagar o potinho da agua). 

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Detalhe: dias depois, fiz um cartao num cinema daqui onde tenho entrada ilimitada. Preço da adesao: 20€ mensais. E a vida segue.





13 comentários:

Helena disse...

Luci, passei por algo parecido recentemente. Eu sempre chorava com tudo que é tragédia do outro lado do mundo, tinha aquela vontade de pegar minhas trouxas e ir lá ser voluntária, mas nunca mexi a bunda para nada. Um dia, lendo uma matéria sobre a fome no Chifre da África, pensei que já que não fazia nada de prático, pelo menos poderia ajudar financeiramente. Fiz uma doação para a região através da Unicef. Na mesma semana, não resisti aos apelos de um carinha da wikipedia e fiz uma doação para eles. Logo depois, encontrei uns carinhas da Fundação Abrinq e autorizei eles a fazerem um débito mensal de R$ 20 na minha conta (mas eles até hoje não debitaram!). Enfim, marido começou a ficar preocupado que eu doaria todo nossos salários, mas o ímpeto passou e depois não fiz mais nada. Me dei conta de uma coisa: porque quero tanto ajudar o pessoal do outro lado do mundo, sem tem tanta coisa para fazer aqui? Já me informei de uma ONG aqui em SP que dá aulas de comunicação, jornal, TV, para crianças carentes. Agora só falta mexer a bunda e ir até lá fazer algo de verdade. Mas o money sempre é bem-vindo também, né?

Beso!

S. W disse...

Luci esses dias eu lembrei que a uns anos atras eu fiz uma merda tao grande, e ai fiquei la rezando, fazendo promessa, e prometi que se saisse daquela iria doar todos os meses para uma associacao que encontrei na internet. Ajudei uns meses e depois parei. Que vergonha.

Estava tentando ajudar daqui, porque sabe como eh eu queria ajudar no Brasil, mas a maioria nao tem como transferir internacional. Agora estou esperando ir ao Brasil em Abril e ajudar os meus amados do Club dos vira latas, nada mais do que animais que nao falam me toca.

Achei lindo seu post Luci.

beijos

Anônimo disse...

me dá esse ticket pro cinema? To aceitando doacao...
Brincadeira, aqui nao tem cineworld: la na Irlanda tb pagávamos 20 euros por mes e eu ia ao cinema: 3,4 até 5 vezes por semana (era aupair meio periodo e tinha tempo de sobra pra cinemar) por esse trocadinho mensal! Nunca fui tao ryca! Mas aqui nao tem esse plano nao.
Bjo

Ana Flavia

Aline Mariane disse...

pessoas economicamente responsáveis e controladas têm uma linha do orçamento para doação. Faz bem pra todos os envolvidos!
Boa sorte! Bjss!

Eliana disse...

Olha Luci, é bom pra alma e faz bem ao coração. No entanto, eu fico pé atrás com o destino do dinheiro. Por aqui já ouvi e vi reportagens de que o dinheiro muitas vezes demora meses, ano pra chegar a quem realmente interessa, isso quando chega. Eu já fiz trabalho voluntário, de dedicar um dia da minha vida mesmo e ir lá e dar a cara pra algo. Ajudava uma instituição mensalmente com um dinheirinho. E sempre me ligavam outras...E pode crer, quando alguém me perguntava se 15 reais, 5 reais iriam me fazer falta, eu dizia que sim. Afinal logo estaria trabalhando pra ajudar as todas instituições que me ligavam. Acho que não é egoísmo, não. É apenas bom senso. Aqui não faço nenhum trabalho voluntário e tampouco doo dinheiro...meu coraçãozinho tá meio endurecido, eu sei.Bjs e boa sorte com a sua iniciativa

Glória Maria Vieira disse...

Chefinha.
Eu não doo nada, porque já num tenho. Tá. É até pecado eu dizer isso ,mas em relação a outras pessoas, né?! Tenho só um litro de juízo pra tomar e olhe lá, mas acho a causa muito, mas muito bacana e digna. Um dia, eu pretendo doar mesmo. De verdade. Quando eu, realmente, puder.

Amanda disse...

Eu tbm desconfio muito pra onde vai o dinheiro. Lembro que a minha mãe colaborava mensalmente com a LBV e daí teve um escândalo de que o dono tinha não sei quantas mansões. Ela cancelou as doações.

Acho super válido essa coisa de voluntariado, mas temos que tomar cuidado de não chegar achando que somos OS SALVADORES, naquela arrogância disfarçada de "olha como sou nobre". Tem gente que acha que vai ser recebido com chuva de flores por ser uma alma tão caridosa.

Eu tbm quero fazer alguma coisa, mas ainda não achei minha praia.

Anônimo disse...

Eu estava na mesma situação, com vontade de ajudar, querendo ser voluntário ou doar dinheiro. Me cadastrei no portal do voluntário e outros sites mas não aparecia nada. O pessoal insistia que precisavam mais de dinheiro do que de ajuda braçal. Doar dinheiro sempre fiquei receoso pois ficava em dúvida se a instituição era mesmo séria.
Alguns meses atrás conheci o trabalho da MSF (Médicos Sem Fronteiras), li a respeito e achei que é respeitável e que fazem um belo trabalho.Me inscrevi como doador e agora eles debitam R$30,00 todo mês da minha conta. Me senti um pouco melhor de tar ajudando, mesmo sendo um valor irrisório. Ainda gostaria de ajudar mais, algo que eu pudesse por a mão na massa e não só com dinheiro.
Alessandro

Michele disse...

Tb fico com pe, alias os dois pes e o corpo inteiro atras, do destino desse dinheiro da doaçao, assim nao doo e nem fico com a consciencia pesada (ta, fico sim, mas so um pouquinhho). Tenho vontade de ser voluntaria mas aquela velha historia da falta de tempo. Verdade que uma doaçao assim podera ajudar, e gastamos essa mesma quantinha com outra coisa sem muita importancia. Depois de ler e escrever to pensando num muito de coisa a respeito. Muito boa iniciativa Luci!

Luana disse...

Eu tambem sempre acabo achando alguma desculpa... acho que o dinheiro vai ser desviado, dai prometo que vou ser voluntaria em algum lugar, mas nunca da "tempo" - tempo pra ver bobeira na internet eu tenho, ne? Ou pra dormir ate mais tarde de final de semana...

Sou acomodada... e me sinto muuuuuuito mal... mas sera q isso muda?

Fatima Valeria disse...

Devo confessar que me senti exatamente igual a vc sobre o terremoto do Haiti, e gostaria tb de contribuir p o MSF. Não se importe se o cão vai demorar p ser treinado e se aposentar em 10 anos, o importante é q isso vai acontecer. Hj trabalho com problemas sociais, ai,hummm a gente vê de tudo, além da imaginação, tem muito demagogo sabe...O que achei mais importante é a sua absoluta franqueza, é isso ai, vivendo a nossas contrariedades fazemos muito mais, pode estar certa...é do bem. Abraços
www.expressaempalavrasearte.blogspot.com

Mari Biddle disse...

Tinha medinho de doar para certas organizações e, eles roubarem as doações - igual alguns casos que a gente lê por ai, mas, por aqui doamos para instituições que pesquisam a cura do cancer de mama.

Uma coisa mara nos EUA é o fato de tanta gente fazer trabalho voluntário - seja na library, limpando uma praça, lendo para velhinhos etc.

Amo e participo,

parabéns, nêga.

Ju Minelli disse...

É engraçado como a maioria passa pelo mesmo ritual de iniciação: Quer doar, não é muquirana mas tem preguiça de procurar uma instituição séria.
Eu também passei por isso e por acaso também contribuo para o Médico sem fronteiras. E digo mais, para não correr o risco de esquecer ou sofrer de preguicite aguda, coloquei o valor da doação mensal em débito automático.

Adorei os seus textos!

beijokas

Talvez

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