quinta-feira, 8 de março de 2012

Um passo à frente

Pais dos guris programaram passar dez dias de férias no chalé da familia da mae que fica em Montgenèvre, perto da fronteira com a Italia. Gentis como sao, resolveram levar a babah deles na mala. E entre ficar em casa coçando o saco que eu nao tenho e viajar, bom, vocês sabem. Foi uma escolha dificil. E por falar em dificil, eu vou contar uma historia para vocês. 

Para chegar em Montgenèvre, eu tinha que pegar um trem em Lyon e ir pra Uma Cidade que Eu Esqueci o Nome. Numa Cidade que eu Esqueci o Nome, eu esperaria 40 min e pegaria em seguida um segundo trem pra Oulx, na Italia. La, finalmente, eu pegaria um ônibus para Montgenèvre onde meus patroes normalmente estariam me esperando. Mas dessa forma, tudo seria muito facil e a vida exige  emoçao.

As cinco pessoas que desceram comigo do trem desapareceram nos carros aquecidos de suas familias. Entrei na estaçao, pedi um bilhete para Montgenèvre mas, devido um pequeno atraso de 30 min do meu segundo trem, acabei perdendo o ônibus. O ultimo ônibus. Eram 20h e nevava como nos filmes de Natal. Perguntei que de outra forma eu poderia chegar à Montgenèvre e o cara do guichê deu de ombros, mas depois respondeu, grosseiramente, que, talvez, de taxi. E quanto custaria esse taxi? "30 euros". Eu teria resolvido meu problema se tivesse taxi na estaçao. E se eu tivesse dinheiro comigo. 

Saquei meu celular para ligar pros patroes, mas ele nao tinha sinal: eu estava na Italia. Pensei "gente, é agora que chega um estuprador pra comer meu pipiu?" Atravessei a rua e entrei no unico estabelecimento aberto da regiao, um bar. "Est-ce que vous parlez français?" Nao, eles nao parlavam français. Ok, Luciana, nao priemos cânico, veja isso como uma boa oportunidade de por em pratica seu  inglês. 

- Eu, I... I où est-ce que... I... There's un hotel par ici? 
- Sim. Você sai do bar e ha um à esquerda, à duas portas. 

Sai do bar, dobrei à esquerda e encontrei um hotel fechado. Neve, neve, neve. Apertei a campainha e uma mensagem automatica em italiano disse me disse que "piasccia netcha di vionglorio mercredile sue pitto!". 

Eh o quê, homi?!

A mensagem, como eu viria a saber depois, dizia que o hotel fechava nas terças. Era uma terça. Voltei pro bar disposta a vender meu corpo em troca de um lugar para dormir. Com a sorte que eu estava, acho que nem o estuprador da cidade aceitaria. Mas otimismo é tudo. "Moço, tem outro hotel por aqui?" Tem. "Você vai direto, chega até o final da rua, dobra à direita, dobra à esquerda, passa pela ponte, entra no beco escuro, depois desce, depois sobe, depois desce, depois dobra. E cuidado com o lobo". 

Sai do bar e uma figura malassombrada me perguntou se estava tudo bem, se eu queria um taxi. Olhei em volta e nao havia taxi nenhum. Recusei gentilmente o taxi inexistente e fui ao encontro do desconhecido. Subi, desci, subi, desci, subi, desci (minha gente, eu minto muito, o caminho era facil) e, finalmente, encontrei o tal hotel. Fechado. Respirei fundo, mas nao pra ficar calma, mas pra pegar fôlego pra gritar. Gritei em português, em francês, em italiano e em inglês. Mas gritei com tanta desespero fé que a dona do hotel apareceu. Meu nome: Luciana Alivio Aquino. Prazer. 

So me restava esperar o dia seguinte. Fiquei imaginando o quanto os pais estariam preocupados, afinal, nao se fazem mais babas como eu, e morta, eu nao sirvo pra muita coisa. Mas eu nao tinha muito o que fazer. O pior da noite foi ver que nao havia pasta de dente no banheiro. Gente, foi horrivel.

No dia seguinte, pedi o computador da dona do hotel e mandei mensagens desesperadas a quem conhecia para que alguém pudesse contactar Camilo, que contactaria os pais, que me contactariam. Deu certo, ja vivia emoçoes demais.

A primeira pergunta que os pais me fizeram quando me encontraram: e por que tu nao ligasse do bar pra gente? Errr... Nao sei.




22 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Ahaha, morri com o piupiu.

Mariana disse...

Melhor post ever!!! depois conta como foi la no meio da neve!!

bjus piu piu!!!

Luana disse...

hahahahahahahah

Gente, onde fica o piu-piu? hahahahaha

E viva essa UE com seus hotéis que fecham de terça feira!!

Eliana disse...

hahaha Luci, vc consegue se aventurar hein...vender o corpo em troca de um lugar pra dormir, foi tudo hahaha e por que os seus chefes não foram te esperar? Eles não sabiam que vc chegada naquele dia? Bjs

S. W disse...

Luci nao se sinta mal, em momento nenhum durante a historia eu pensaria em ligar do bar tambem.

Eu lembrei que li essa semana uma historia de um casal Argentino: Leia isso e me diga se essas pessoas inocentes que acharam que existia um trem Fortaleza/Buenos Aires ou ate mesmo um onibus, nao sao as pessoas mais espertas que voce poderia vir a conhecer na existencia nessa terra?

http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/03/sem-dinheiro-casal-argentino-acampou-no-aeroporto-de-fortaleza.html

beijos

Helena disse...

Luci, tua vida é uma emoçã! Ainda bem que tu tira de letra, eu ia sentar e chorar um pouco antes de fazer qualquer coisa, hehehe.
A dona do hotel também não te poderia emprestar o telefone?

Cuida-te garota! Não coloque o pi-piu em risco :)

Beijos, aguardamos as cenas dos próximos capítulos.
Bacio

Mundo da Lu Roque disse...

Aguardo ansiosa pela continuação...
Ler teu blog é garantia de gargalhadas rs bjs

Rosa Lopes disse...

Estou agora balançando bem devagar a cabeça negativamente e pensando "meu Deus".

Não tenho certeza se lembraria do telefone do bar!!!!

O Diário da Engenheira disse...

hotel que fecha de terca???
meu que medo heim...
bjs

Wilqui Dias disse...

Mulher fotinha essa, parabéns!! Eu ja me perdi do meu marido dentro de um shopping com telefone no bolso, sentei e comecei a chorar, no desespero quem pensa em ligar??? rsss bjs Luci

Wilqui Dias disse...

haaaaaaa devo dizer, que estavamos no Brasil e chorei nao por mim, mas pelo maridao, vai que o badido da luz vermelha frenquenta shopping, eu tava viuva antes de casar!! bjs

Fatima Valeria disse...

Nevicava come a Natale, mi dispiace per te! Questa è stata la più commovente delle sue storie, abbandonato nel mezzo della bufera di neve ... poverella. Ora più che mai saranno presenti, collega la forza, l'inverno passerà. Abbracci

Milena Magalhães disse...

Eu vou te contar, leio o seu blog há muito tempo. desde a primeira postagem. mas sou ruim de deixar comentário. mas este não tenho como me conter::: preciso lhe dizer que você é uma narradora incrível. e que eu me divirto muito, muito aqui. um abraço bem abraço.

Renata Lins disse...

Hahahaha....

Geíza Bolognani disse...

Que doidera, hotel que fecha na terça?!?!
E, sendo chata... pq não ligou p seus patrões do bar? rs.
Adorei a pipiu em perigo!
Minha filha e eu somos fãns (choramos de tanto rir do seu blog, mas esse é o primeiro coment.
Bjks.

S. W disse...

Luci, por onde você anda? Estava eu te caçando no fb pra te perguntar se você chegou a terminar a dieta de Dunkan? to querendo arriscar ;)

beijos

Clara Gurgel disse...

Luciana, vc não está mais no FB mas levo com frequência seus textos pra lá. São hilários! Adoooro! Beijo!

Anônimo disse...

Luci, escreve um livro!!!!!

Baka disse...

se vc escrevesse um livro, eu com certeza compraria! ^^
to com saudade dos seus posts! T__T

Anônimo disse...

Luci, cadê voce??! Escreve pra gente, vai!

Nicole disse...

Volta Luciiii!!!

Glória Maria Vieira disse...

CHEFAAAAAAAAAAAA!

Perdoe o meu atraso. Mas estou aqui para dizer que estou feliz com a sua volta e que, inclusive, estou emocionada pelo fato de querer te dar um abraço agora.

KKKKKKKKKKKKKKK LOUCA? Só num sou pouco.
Enquanto ao relato do poste: Mirmã, a gente atrai. CERTEZA!

Talvez

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