sexta-feira, 31 de maio de 2013

E que dia é hoje, amiguinhos?

Poderia ter sido apenas mais uma sexta-feira, como qualquer outra, onde saio com meus amigos e encho a cara. Mas essa, era uma sexta-feira especial. A sua "especialidade" começou pelo fato de que eu tive que trabalhar - nao trabalho nas sextas, tenho mais tempo para diversao e nenhum dinheiro para isso. Sai do trabalho e, antes de pegar o caminho que leva ao meu quarto, telefonei para um amigo (M.) que me chamou pra sair. 

"AAEE, LULUU! BORA SAIIRR! AAAEdeHHHhhhWOOW!"

Apos a sequencia de barulhos extravagantes - que mais diziam sobre o seu estado alcoolico* que propriamente sobre sua felicidade em falar comigo - subi na minha bicicleta envenenada e me juntei a M. e seu amiguinho na casa de terceiros. Eram 22h e minha barriga nao via comida desde às 13h. Pretendia voltar pra casa cedo, entao, quis ser rapida e eficaz na bebedeira: tomei meio litro de cerveja a quase 9% e ja cheguei no barco (era uma boate-barco) vendo estrela. Segundo o quadro que se encontra abaixo, eu estava "euforica" e minha diminuiçao de julgamento iria se manifestar numa aposta com M. Eu:

- Aposto que teu xixi nao chega até a rua.
- Ele chega sim.
- Que nada, ele tem ainda a metade da calçada pra percorrer e ta perdendo força.
- Chega!
- Se ele chegar até a rua, te pago uma caipirinha.

E foi assim que eu perdi 8 €.

Etanol no sangue (gramas/litro)EstágioSintomas
0,1 a 0,5SobriedadeNenhuma influência aparente.
0,3 a 1,2EuforiaPerda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle
0,9 a 2,5ExcitaçãoInstabilidade das emoções, incoordenação muscular. Menor inibição. Perda do julgamento crítico
1,8 a 3,0ConfusãoVertigens, desequilíbrio, dificuldade na fala e distúrbios da sensação.
2,7 a 4,0EstuporApatia e inércia geral. Vômitos, incontinência urinária e fezes.
3,5 a 5,0ComaInconsciência, anestesia. Morte
Acima de 5MorteParada respiratória

Entramos na boate, fomos até o bar e no final do copo, eu ja tinha passado pra terceira etapa do nosso quadro: excitaçao. Puxei papo com duas mulheres que estavam ao lado como se tivessemos feito  faculdade juntas. Mas elas eram tao legais! Acho que eu devo ter dito isso pra elas. Quis outra caipirinha, mas os meninos ainda nao tinham terminado a deles. Comecei a saltitar, a achar a vida linda. A vida era linda. A musica acariciava meus ouvidos e eu soh pensava em dançar. Fui beber.


No segundo copo, fomos pra o terraço do barco (exatamente este que estah ao lado) e continuamos a conversar divertidamente. Eu ja nao queria mais dançar. Eu queria voar. Eu queria voar, mas meus pés estavam estranhamente pesados. A partir desse momento, eu nao lembro de muita coisa, so de ver um novo copo na minha mao. No final dele, nao tive duvidas: foi o dito que me levou a dizer, segundo testemunhas, "vou ali vomitar". Estupor. 

Eu sai chutando os pés e me locomovendo como um polvo, por propulsao. Me jogava pra frente, dava dois passos e ia pra direita. Me jogava pra frente, dava três passos e ia pra esquerda. Foi assim que cheguei no exterior do barco, sentei sei la onde, abri as pernas e, sem fazer nenhum esforço, vomitei. Nao sei direito o que vomitei, nao averiguei, mas vomitei tanto que desceram lagrimas. Quando pensei que ja tinha acabado, vomitei mais. 

Celular toca. Eh M. Olho, ignoro, vomito. Tentei escrever uma mensagem mas os dedos nao correspondiam ao comando do cérebro. Foi uma luta de Titas. Meu cerebro aos frangalhos e meus dedos aflitos. Consegui escrever "Es dtour". Deve ser algum pedido de socorro em alguma lingua alienigena, mas seja como for, desisti de me comunicar com M. Tentar aprender a escrever levou menos tempo e foi mais facil que aquilo. 

Luzes... sons ao longe... e um "Lulu" familiar. M. e seu amigo me encontram e  avaliam a situaçao:

- O que é que a gente faz?
- Nao sei, acho que ela nao pode pegar a bicicleta.
(vomito soh de me imaginar fazendo algum esforço que seja)
- Eh. 
- Bora chamar um taxi.

Eu soh queria morrer. Sentia que minha alma tinha ido embora passear. Fiquei la, dobrada em dois, olhando pros meus pés. Um taxi brotou do chao, mas eu nao tinha forças pra me levantar. Entao, eles me levaram, me jogaram no carro e tudo o que eu fazia era grunhir. Entrei no carro e dormi. Abri os olhos e, com uma emoçao nunca antes vivida, me deparei com minha casa. Fechei os olhos, abri e estava na sala. Fechei os olhos, abri e tava no banheiro vomitando. Fechei os olhos, abri e  tava na minha cama. Era 1h da manha.

No dia seguinte, acordei como uma flor. Desconfiada, vi uma garrafa de agua intocada ao lado do colchao. Me sentia bem. Minha alma tinha voltado. Sentei. Tentei lembrar da minha noite e senti uma coisa estranha. Vergonha. Cinco anos sem vomitar para acabar sendo derrotada por meio litro de cerva e três caipirinhas. Fui humilhada! Logo eu que raramente tenho ressaca. Logo eu. Mas vômitos sao uma liçao de vida. Um ensinamento. Uma das ultimas vezes que vomitei (senao a ultima), foi quando morava no Brasil. Depois de uma festa na casa de Camilo, acordo e, ao lado dele, vejo uma bacia cheia de vômito. Olho pro coitadinho e pergunto:

- Amor, você vomitou?
- Eu nao. Foi tu.

Mas agora, vendo essa tabela, acho que tive sorte com essa coisa de incontinência urinaria e fezes. 

Quatro dias depois, fui buscar minha bicicleta. Meu maior medo era de encontra-la sem a sela. Mas a sela estava la, assim como o guidao e os pneus. A unica coisa que faltava era o conteudo esperado da câmera de ar: alguém excitado, confuso ou euforico, secou meus pneus. Entao, tive que levar minha bicicleta pra passear, debaixo de chuva até a casa dos meus patroes e depois pegar dois metrôs lotados (com a bicicleta) até a minha casa. "Valeu a pena, Luciana?", indaguei-me. Valeu, pois vocês tem um poste no blog e eu tenho uma liçao: nunca mais vou beber caipirinha. De barriga vazia. 




* minha dislexia bêbada me fez escrever "alcoolitro".  Gente.


18 comentários:

Eliana disse...

Luci, Luci, Luci, não faça mais isso! Este post não foi engraçado. Bjs

Luciana Nepomuceno disse...

Nunca antes na história desse país uma frase me fez rir tanto: "Tentar aprender a escrever levou menos tempo e foi mais facil que aquilo."

nosnervos disse...

eu cheguei nas fases da incontinência. não foi bonito.
casei com quem me limpou, porque só o amor faz alguém continuar namorando alguém que faz coco na calça em plena garagem do prédio.

cafecommaquiagem disse...

Luci, o que é esse seu jeito de escrever? Consigo imaginar as cenas e "cuspo a sopa na tela do computador" de tanto rir!!!

Beijos da sua fã!

Inaie disse...

Adoreiiiii!
Que bom que vc se lembra da bebedeira...vc poderia ter acordado numa banheira cheia de gelo, sem os rins.

Não, pera, ando lendo spam demais.

Rosa de Paiva Lopes disse...

Eu ri com essa sacada: A unica coisa que faltava era o conteudo esperado da câmera de ar: alguém excitado, confuso ou euforico, secou meus pneus.

Dei um suspiro de alivio por vc não ter pulado do barco quando quis voar. Outro por M ter mais resistência ao alcool e pensar num taxi. Outro por vc não ter encontrado um/uma fdp pra se aproveitar do estado estupor de alguma maneira...enfim a risada foi insuficiente pra superar os suspiros.

Ai menina, toma cuidado!
Bj
Ps será que só eu acho esse rôbo uma roubada?!!

Antonia disse...

HOLA Luciana, eu vivi com voce toda sua enfermidade , sua cirurgia, sua separaçao, nao tem graça esse post, nao tem graça nenhuma graça essas saidas de tom, começo a me dar conta de porque voce perde tantas coisas tao importantes pra voce, claro que nao è nada mas a partir de hoje nao penso ler mais seu blog, voce tem um problema, voce è alcolatra, e um problema maior ainda nao ve problema nisso. Um beijo adeus Luciana.
Antonia.

Amanda disse...

Engraçado como o post gerou revolta ou "preocupações". Fiquei aqui pensando que a Luci já contou histórias de bebedeira antes, até mais sérias que incluíam acidentes de bicicleta e xixi nas calças acidental, mas nada disso gerou acusações de alcoolismo etc.

Dai pensei: qual a diferença entre essa e as outras vezes? O marido. Quando Luci tinha um macho pra cuidar dela ninguém parecia preocupado em dar palpites sobre seu modo de vida, mas agora que ela está sozinha todo mundo acha que tem o direito de interferir. Como se ela tivesse pedido algum conselho. Onde já se viu sair com dois amigos e encher a cara? É alcoólatra e está pedindo para ser estuprada. "Que sorte vc teve ~dessa vez~. Estou avisando só pq quero o seu bem".

É Luci, se eu fosse vc eu pararia tudo pra ouvir como os desconhecidos acham que vc deve viver sua vida. E com certeza vai ter que parar de beber, senão essa anônima aí não vai mais voltar a ler o seu blog (que vc escreve sem ganhar um tostão)! Que tragédia!

Iara disse...

Eu tava lendo a parte divertida e pensando "tá aí, tá faltando álcool na minha vida!". Aí chegou a parte do vômito e eu pensei "ok, talvez nem tanto álcool". ;)

Em 2011, 31 anos de idade, eu tive 3 ou 4 episódios de bebedeira até vomitar em um intervalo de 6 meses. Nada de errado acontecendo, só diversão demais e apreço pelo meu fígado de menos. Eu eu meu fígado estamos em uma fase boa agora.

disse...

Parece que tem gente nos comentarios que bebe mais que vc hein Luci? Pra começo de conversa, não se diagnostica alguém pelo que a pessoa escreve em seu blog, ainda mais sem conhecer a pessoa direito.

E outra, se fosse alguém realmente preocupada com o teu bem-estar, que tem um minimo de carinho (ainda que virtual), pela pessoa que acompanhou por tantos posts, ela devia ao menos tentar falar algo que presta e não sair julgando sem conhecimento de causa e decidindo "nao ser mais sua leitora" no melhor estilo de briguinha de crianças da 3° série.

Alias, vai ver é isso. Talvez seja uma leitora mirim, de uns 8 anos, e eu aqui julgando a menina por sua imaturidade. Shame on me.

Marissa Rangel-Biddle disse...

Luci, vc tinha um recorde de 5 anis sem vomitar? Que inveja!! Inveja do fígado, cara. O meu não presta mais para nada. Eu posso beber assim, muito, mas a recuperação leva uns 3 dias. Não é vida, amigues, não é vida com um fígado safado desses que eu tenho.

Quem é essa bêuba aí nos coments? Gente! Balde para o comentário dela!

piscar de ohos disse...

Antonia se foi, mas eu fico e sou doida pra tomar uma breja contigo, dona Luci!
Só acho que não tenho esômarus pra beber em um barco, amigues.
Prefiro algo mais estático e plano, que eu não tenho mais idade pra ondulações e marejamentos.
Bora?
Beja!
Roberta

Andrea disse...

Nossa! Eu achei que o post da Antonia era uma piada...
Kkkk se foi de verdade fui enganada!
Era mesmo sério??

Bjs Lú!

Helena disse...

Gente, juro que achei que ia ser uma história do pulo da Luci no rio!! :)
Agora me explica, como tu conseguiu ficar 5 anos sem vomitar??? E ainda acordar bem no outro dia? Te admiro, Luci, tu é das fortes! Acho que estômago é meu fraco, porque eu bebo duas cervejas e vomito, hehehe. Tá, tô exagerando... mas é bom colocar tudo pra fora de vez em quando :P

Peninha da tal da Antonia que nunca deve ter tomado um tragoléu e não sabe o que tá falando.

Beijo na bunda!

Anônimo disse...

Saudades de viver...
Marina

disse...

hahahahahahahahahahaahhahaahahahah, "agora que vc não tem mais problemas, não está doente, deprimida e vivendo em função do marido, nada mais me interessa. adeus. antonia"

pqp, gente esse povo nunca deu um PTzinho na vida??? que vida sem graça a desse povo!

beijos luci, continue a se divertir sempre que te der vontade, com alcool ou sem, vomitando ou não.

Anônimo disse...

Luci, adoreiii! Gritando! Sempre desconfiei de quem não bebe! Continue assim E muita saúde! Lia

Bastian Silva disse...

Lindo relato, só quem já teve um pt entende hahaha sorte que você se lembra, eu tive um em janeiro e não me lembro de nada. Pelo que me contam não foi tão desastroso assim, só vômito e uma pequena perda de consciência. Eu supero. Melhor do que quando eu bebo, pego caras desconhecidos e acordo em lugares estranhos (já acordei no Tucuruvi, acredita? Só sei que é a última parada da linha azul, um lugar quase mítico), oh god why. E aos que não bebem, vão se catar! Erros divertidos, todos temos. É um prazer ler seu blog, menina! Adoro ele <3 Beijocas minhas e do meu fígado na bunda e até mais!

Talvez

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