sexta-feira, 22 de maio de 2015

Para sua saude, quatro frutas diarias


oi

Seria cu doce mentira dizer que eu passei um ano sem postar porque estava sem tempo. Gente, eu trabalho 12h por semana! (Beijos, capitalismo). O que me falta é vergonha na cara mesmo. Mas eis uma boa razao pra voltar à ativa: um post comemorativo pros meus seis anos na França. Com certeza, esses foram os anos mais intensos da minha vida, algumas das melhores e piores coisas que vivi aconteceram no decorrer deles. E que bom! Mas o que fica no coraçao (e que vai pro blog) é a cachorrada do quotidiano. Salve!

Final de semana passado, tava rolando o Nuits Sonores, um famoso festival de musica eletrônica de Lyon. Pra comprar o ingresso, você precisa vender seu irmao caçula. E se sua mae reclamar, venda a mae também, porque o festival dura quatro dias. Claro que eu nao fui nos shows mais caros (lembram que eu trabalho 12h por semana?). Mas os pobres também foram agraciados com noites mais baratas. Eu, por exemplo, comprei um passe de três reau e outro de dez. Pra mesma noite.

O objetivo era começar a noite bebendo uma cerveja de leve na casa dos amigos, ir pro primeiro show e, antes da meia-noite, chegar no segundo show, porque depois desse horario, cê nao entra mais, colega. Eu tinha a noite inteira pela frente e claro que eu iria chegar à tempo. O problema é que a noite começou errada e, ao inves de cerveja, comecei bebendo um tipo de alcool que o pai de uma amiga produz utilizando pêras. "Olha, Luci, bebe. Tem gostinho de pêra". Gostinho de mooorte, minha filha! O negocio era tao forte que era eu bebendo e a lagrima escorrendo. Mas a gente ficou la de bouas, falando da vida alheia, comendo amendoim, pêra, eu chorando… Quando, de repente, 21h!

Debaixo de chuva, pegamos um ônibus com um monte de gente estranha. Eu tava super comunicativa e, quando eu estou super comunicativa com gente que eu nao conheço, pode acreditar, o nome disso é alcool. Nunca na minha vida que eu vou falar com pessoas desconhecidas de forma expontânea. Credo. Mas la estava eu falando do meu guarda-chuva pra moça do lado. Dai que a gente chegou e a unica coisa que eu vi foi a fila do bar. A musica tava uma bosta e eu nao sei onde foram parar as dez da noite, mas ja eram 23h!

Eu iria pro segundo show, no Sucre, com um amigo, Adri, que ja estava comigo. O Sucre era do outro lado do planeta, ele iria de bicicleta e eu teria que pegar um ônibus + tramway. Eu nao sabia exatamente onde ir uma vez que descesse do tramway, mas encontrei mais gente esquisita la e pensei em segui-los ja que, com certeza, eles iriam pro mesmo lugar que eu.

Nao foram.

Eu desci do tramway, toda errada, seguindo a galera que ia pra uma festa num barco. "Meu deus, o Sucre virou um barco". Entendi que nao era la, dei meia-volta e nao vi mais nada. As pessoas tinham sumido. Todas. Tinha um posto de gasolina aberto, mas os postos daqui nao tem frentista, entao foi bem solitario ver tudo iluminado, sem ninguém, parecia uma cidade abandonada. Cruzei algumas pessoas que iam pro barco… maldito… que nao tinha a menor ideia de onde eu deveria ir. Entao, finalemente liguei pra Adri pra que ele viesse me buscar. Teria sido genial se ele tivesse atendido o telefone.

E eu andei, liguei, andei, religuei, a chuva aumentou, diminuiu e eu andando. Eu ligava par Adri, nada acontecia. Comecei a ter saudade dos meus amigos, da minha casa. Vento friiio… Silêncio. Vazio. Uma musica de Djavan na cabeça. Entao, bastante resignada, como soh esses momentos te ensinam a ser, escolhi um cantinho, tirei um vira-lata do bolso, um copinho vazio da starbucks do outro e comecei a pedir esmola. Pronto. Minha mae me educou tao direitinho pra eu terminar assim, meu deus. Anos de faculdade jogados no lixo. Meu tratamento odontologico, super caro, que viria me poupar anos de terapia. Uma carreira internacional no balé. Tudo jogado fora. Eu nunca fiz balé, mas eu poderia ter feito. Aquele momento é que nao iria permitir.

Aih um cara passa, me joga uma moedinha e eu vejo que é Adri! Iupiii! Ele parou a bicicleta, a gente se abraçou, pinotou no meio da rua e eu subi na bike dele. Posicionei minha querida bunda no guidao, ja que os franceses nao tem costume de levar as visitas no quadro. La estava eu, sao e salva, com meu grande amigo (literalmente). So que, enquanto eu estava mendigando, Adri estava enchendo a cara no primeiro show. Entao, ele estava bastante empolgado com a vida, por assim dizer. No curto caminho que nos levaria ao show, tinha uns bancos, umas arvores e o cérebro de Adri viu tudo isso como obstaculos legais à transpor. Ele ficava dando voltas e desviando dos bancos no ultimos segundo. E eu la, o copo de starbucks numa mao e o cu na outra.

Ele viu uma arvore cuja as folhas iam quase até o chao e disse "a gente vai atravessar essa, Lulu, se segura". Olha, eu nem tive tempo de dizer nao. Ele acelerou e se abaixou. Mas eu, que nao tinha muita opçao, levei uma lapada de galho na cara. Eu comi folha, joaninha, casulo, macaco e toda a fauna/flora existente naquele micro mundo ecologico. A bebedeira passou num segundo. Mas o pior estava por vir. Logo depois da arvore, tinha um banco. Tinha um banco no meio do caminho, no meio do caminho tinha um banco de pedra, redondo e grande como uma nave espacial. Eu soh tive tempo de gemer. A bicicleta bateu no banco e ficou onde estava. Eu fui embora. Enquanto eu voava, pensei nos momentos felizes em que era mendiga e desejei voltar no tempo, mas era tarde demais. Felizmente, eu aterrissei como uma flor no banco. Soh machuquei o pé. E a mao. E a consciência. Sangrou um pouco, mas eu ri mais do que outra coisa.

Cheguei feliz na noite, dançando e mancando, um pouco depois da meia-noite. A noite foi linda. Eu falei com todo mundo, eu apertei o mamilo de um cara, eu subi nos ombros de outro, eu tirei os sapatos, eu fiz amigos, eu dancei e, às 7h da manha, decidimos voltar pra casa. A gente queria ser responsavel entao decidimos colocar a bicicleta dentro do tramway e voltar assim. Mas o tramway estava meio longe, entao, subi na bicicleta dele (a gente nao aprende nunca) e traçamos nosso caminho. Quando viramos a esquina, vimos o tramway de longe chegando na estaçao. Adri bateu no peito e disse "a gente vai pegar aquele ali. Se segura, Lulu". Eu segurei no guidao com minhas nadegas, entreguei nas maos de deus e fomos.

Ele pedalou como um condenado e chegamos triunfalmente à tempo de pegar o bonde. As pessoas riam da palhaçada. Mas quando colocamos a bicicleta no tramway, o motorista abriu a portinha dele e mandou a bike descer. Voltei com outros amigos e, chegando em casa, encontrei Adri todo ensanguentado. Ele me contou que a roda da frente se soltou enquanto ele pedalava. Tive uma doh! Somente no dia seguinte foi que a gente se deu conta, juntos, que, no momento em que o motorista pediu pra ele descer, Adri tentou tirar a roda da bicicleta pra mostrar que… que a gente nao ia andar de bicicleta dentro bonde? Nao sei. Soh sei que ele esqueceu de fixar a roda depois e deu no que deu. Demos boas gargalhadas. Ele, nem tanto.

E o que fica como aprendizado, crianças? Pêras sao perigosas.

::

Para aventuras menos complexas,

https://www.facebook.com/casomeesquecam


20 comentários:

Amanda disse...

Como nos velhos tempos <3

Maria Espinheira disse...

Meu Deus, achei q vc não voltaria mais!!!!!! Q boooom q voltou!!

Obs.: q história é essa q seu tio matou um cara?? (não é do filme q estou falando, mas tem na descrição).

Te amo, beijos!!

Mari disse...

viva a diva das presepadas sobre duas rodas! :)

Mari disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Letícia M. disse...

Kkkkkkkk Que saudaaaaade do seu bom humor e dos textos! Volta a escrever pra nós... ��

disse...

"Uma carreira internacional no balé. Tudo jogado fora. Eu nunca fiz balé, mas eu poderia ter feito."

Ai Luci, só digo uma coisa: nunca pare de escrever. Delicia te ler de novo, como nos velhos tempos, como já disse a Amanda.

Aline Mariane disse...

Luci, como assim seis anos de Lyon e você não sabe onde é o Sucre? E que é longe do tramway?!! Pff!!

Tão bom te ler! Continua otima!! Não pare, você deixa a gente orfã...

Mariana Diamantino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariana Diamantino disse...

Luci, você não me conhece mas eu comecei a ler seu blog (nem me lembro como vim parar aqui) nos idos de 2013 quando tava pensando em vir parar aqui na França pra estudar. Idealista que sou, resolvi buscar blogs vida real, pra eu ver que não é fácil, que não seria la vie en rose 24h por dia.
E eu li seu blog inteiro na época, morrendo de rir.
E morri de rir com esse texto também!
A forma com que você conta as coisas me lembra uma expressão : realismo fantástico! Olha eu viajando, mas é a mesma impressão que eu tive lendo García Marquez, viagem, olha a viagem! Mas vc conta coisas absurdas com tanta naturalidade que eu acredito sem nem me dar conta.
Tipo no texto da festa que você deu na sua casa, quando vc fala que tinha gente saindo dos bueiros. Eu li, imaginei a cena, e demorei alguns segundos pra pensar "peraí, isso não é verdade" hahaha
Continua a escrever, não para não, você tem futuro, menina!!

Luciana Nepomuceno disse...

Estava com saudades dos posts, mas estou com mais saudade de você

Uouo Uo disse...



thank you

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Eliana disse...

Só tenho uma coisa a dizer: Meeeeeoooo Jesuis! hahahaha Não sei se a música toda, o show todo tava bom, mas realmente no caminho aconteceram coisas inimagináveis e um milagre: vc ainda vive! HAHHAHAHAHA Bjs

Ramira Leidy disse...

Ri demaisss! Saudades dos seus textos, escreve mais esse ano! Vc é hilária! kkkk

Lala disse...

Muito amor, Lucy! <3
Morri de rir!
E fiquei super feliz de vc ter nos presenteado com um dedo da sua prosa que é uma delícia!
Faça um livro, um e-book, prometo que compro! <3

Mari Bento disse...

Hahhaha! Continue a escrever Luci! Vc é foda! Beijocas

Fernanda disse...

Luci, não sei como o nome do blog saiu empoeirado da minha memória. Abri cheia de receio de ver a última história postada há décadas ee... Que surpresa! Post de
2015!!! Chorei de rir, literalmente.

José Fernando disse...

Que bom que você voltou a escrever, Lucy. Seus textos são ótimos. Na minha opinião, eles tem a virtude de misturar experiências muitas vezes doloridas ao humor. Você criou um estilo. Quem sabe a Amanda também se anima a voltar ao Peti Journal. Obrigado

Uouo Uo disse...





thx

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Anônimo disse...

Volta, Luci!!!!!!!
A gente faz uma vaquinha pra você fazer posts semanais pra gente! Já que free não tá rolando, a gente apela. Cê faz falta ! bjuss

Gisley Scott disse...

RI H-O-R-R-O-R-E-S!!!
Gente, amei o Adri!!! Vc me empresta ele? Tem como vc colocar ele num avião e exportar para Azamérica??? "se segura Lulu!!!"KKKKK!!! Num guentu seu miguxo!!!!

E viva as pêras e a vida de aventuras que elas proporcionam!
Beijo bonita!!!

Querido Deus,obg por me exportar!

Talvez

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