Semana passada, Camilo me perguntou se eu gostaria de passar o fim de semana em Côte d'Azur. Apesar de se tratar do meu ultimo fim de semana de estudo antes das provas (que estao rolando essa semana), nao levei muito tempo pra me decidir.
Do alto do meu pescoço, pensei "por que nao?", afinal, Côte d'Azur = mar. E Luci gosta de mar. Luci nao via mar ha mais de um ano. Luci gosta de falar na terceira pessoa. Mas Luci vai parar.
A casa em que ficamos é de uma colega de trabalho de uma menina que mora com a gente. Uma coisa assim, impressionante. Perguntei à Camilo e a uma colega dele o quanto ela, a casa, valeria. Chutei dois, três milhoes, mas eles disseram que era bem mais que isso, que nao tinha nem como calcular. Enfim, casa de um povo que nao passa aperto.
Em uma das disciplinas de geografia da faculdade, a gente estuda as regioes francesas e a distribuiçao de riqueza entre elas (é bem interessazzZZZzzz). Professor disse que o sul era o lugar dos velhinhos, que os franceses aposentados iam pra la gastar suas aposentadorias. Pois bem, pude confirmar isso. A gente ficou na cidade de Saint Raphael. Minha gente, parecia um mundo paralelo dominado por velhos. Velho, velho, velho. Se eu fosse investir nesse lugar, com certeza apostaria em farmacias, hospitais e cemitérios.
Fomos comprar pao pro café da manha e vimos no caminho dezenas de velhinhos fazendo ciclismo. Aqui na França, é muuuuito comum ver equipes de ciclistas, com uniforme e tudo, fazendo... ciclismo. Quando chegamos na padaria, tinha um velhinho ciclista comprando pao. A caixa perguntou "oh, você anda com uma nota desse valor enquanto faz esporte?" Era uma singela notinha de 100$. Esperei que ele fosse dizer a ela "fique com o troco", mas nao rolou. Pois é, pessoas que compram pao com notas de 100€.
Pra minha sorte, choveu durante todo o sabado, entao nao foi realmente um sacrificio ficar dentro do quarto estudando. Mas no domingo...
Aqui os caranguejos sao felizes
Gordo lindo bocejando
A outra perna ta debaixo do chapéu
:(
No sabado, um amigo foi pegar ouriço. Que coisinha nojentinha e fedorenta! Mas essa nao era a opiniao da gaivota que apareceu por la. A gaivota tava completamente enlouquecida atras dos ouriços deixados na varanda. Ela dava uns voos rasantes e tinha um olhar maligno. A gente espantou ela, mas a marvada voltou no dia seguinte, determinada. Colocamos a mesa na varanda e, à mesa, um delicioso prato de quiche. Em dois minutos, tinhamos um passaro comendo nosso almoço. Enquanto a gaivota se fartava, uma das meninas gritava. Fiquei sem saber se eu espantava o passaro ou se eu batia na menina pelo escândalo.
Depois de compartilharmos o que sobrou da comida, tive a excelente idéia de tomar banho de mar. O que poderia ter sido um maravilhoso mergulho em aguas mediterrâneas, se revelou uma sessao de tortura. Tirei o biquini da mala. Peguei minha toalha. Lambuzei a cara de protetor solar e desci toda serelepe pra praia. Quando coloquei minhas patinhas na agua, descobri que a vida nao é tao bonita assim. A agua tava gelada e, 15 min depois, eu ainda estava na mesma posiçao tentando arrumar coragem, enquanto Camilo ja devia ter feito Saint Raphael - Malta à nado. Quando finalmente entrei no mar, fiquei me debatendo, engoli agua... e sai cinco minutos depois. Phino.



























