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domingo, 4 de setembro de 2011

O mal estah de volta

Eu tenho noticias boas e noticias cu pra dar pra vocês. Qual vocês querem primeiro? 

Eu sabia. 

A primeira noticia cu do dia: nao passei em duas disciplinas na faculdade. Isso significa nada de mestrado pra Luci esse ano. Significa tooodo um ano escolar perdido pra mim por causa de duas disciplinas. Me disseram que faculdade nao dava futuro, mas eu nao acreditei. Duas disciplinas. Entao, vou refazer essas duas disciplinas no proximo semestre (que vai de setembro à janeiro). Se eu passar, terei meu diploma e uma entrada direta pro mestrado. Se eu nao passar, suidicio de brasileira frustrada em Lyon serah noticia nos jornais. 

Mas felizmente...

Como quem nao quer nada, mentira, pedi uma bolsa junto à um orgao do governo. Qualquer trocadinho estaria de bom tamanho, mentira. Entao, passei meus dados, revelei o quanto ganhei no ano passado e isso deve ter sensibilizado o pessoal que calcula o valor das bolsas, porque eu acabei sendo agraciada com a bolsa de maior valor. "Nossa, que pessoa pobre. Vou ajuda-la". E pimba. Agora promoverei festas milionarias no meu iate, regadas à alcool e dorgas. Estarao todos convidados. Menos os amigos pobres, beijos.  

Mas infelizmente...

Eu soh teria dois dias livres na semana pra escolha das disciplinas na faculdade (os dias em que os guris estao na creche). "Nao é possivel que as disciplinas nao caiam nesses dois dias". Mas, né, foi possivel. Vivi 24h de afliçao pensando no que eu deveria abandonar: faculdade ou emprego. 

Mas felizmente...

Os pais dos guris sugerem uma mudança no horario de trabalho deles ou no horario da creche. Muito amor.

Mas infelizzZZZZzzz...

"Te vejo em setembro, Luciana"
E essa é a pior noticia do mundo inteiro: vou ter aula com um mesmo CUZUDO do semestre passado. O Maligno que me fez passar pelo pior momento da faculdade. O Cruzeta que quase me fez chorar em sala de aula durante um seminario com perguntas gênero "MAH COMEH QUE VOCÊ NAO SABE DESSO, PELAMOR DE DELS?!" Pensei, "mas Luciana, veja pelo lado bom: nao tem". E eu nao refarei a disciplina por nao ter passado, eu passei! Mas como preciso absolutamente fazer alguma matéria em Geografia, e esta é a unica matéria de Geografia disponivel nesse semestre, eu tenho que refazê-la. Semestre passado, eu estava gargalhando e abrindo garrafas de champagne no meu quarto em comemoraçao ao fato de nao ter que ver mais nunca este homem na minha vida. Deus, você é um sadico


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte III

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui).
(Para ler a segunda parte da viagem clique aqui). 

Carnon Plage veio pra compensar Grau du Roi: foi o melhor momento da viagem! Eu nao sei quantos quilômetros rodamos (Camilo acha que foi em torno de 150km, nos cinco dias), mas a cada dia que passava, pedalavamos cada vez menos porque vimos que estavamos aproveitando pouco os lugares por onde passavamos. Acho que nem pretendiamos ficar na cidade, mas eu tava de saco cheio e queria pegar uma praiazinha. Entao, nos registramos no primeiro camping que encontramos. 

Camilo e eu tivemos algumas experiências com campings nas nossas ultimas viagens e agora eu posso confirmar o que bem falou Amanda: camping na França é mesmo uma instituiçao. Nao fui a muitos campings no Brasil, mas eu arriscaria dizer que essa parece mais ser uma saida pra estudante lascado. Aqui na França, os grandes frequentadores dos campings de lascados nao tem nada: sao compostos na sua maioria por aposentados franceses abastados ou por familias estrangeiras com bom orçamento. Pelo menos esse é o perfil que vi com mais frequência por onde fui.

E aqui, o tempo de estadia nao é para uma ou duas noites, eles passam semanas inteiras plantados no mesmo camping com as caravanas das mais modernas e com as barracas das mais caras. Eles montam com isso verdadeiras casas, super equipadas, que tem de mesinha de plastico à antena parabolica. A gente chegava no nosso espaço, montava a barraca, saia, voltava e eles continuavam la, naquela vida mansa, jogando baralho e fumando maconha tomando café.



Na boa, nao sei que lugar é esse

Soh sei que...

Quando chegamos em Carnon Plage, montamos nossa barraca e fomos à praia. Antes mesmo de nos instalarmos, vi ao menos quatro mulheres fazendo topless. Nao pensei duas vezes e entrei na onda. E qual foi a surpresa ao ver que... ninguém-ta-nem-aih. Nem mesmo o adolescente mais envenenado pelos hormônios te olha de esgueira. Em Joao Pessoa, eu teria sido estuprada três vezes.

O nosso camping em Carnon Plage: bicicletas ao fundo, barraca nas trevas, tênis e um lindo rolo de papel higiênico sobre a canga. Porque ir na casa do Pedrinho é preciso, viver nao é.

Camilo e eu, eu e Camilo.

Minha nada kicht campainha. Lovo. 

Entao! Daih que, depois da praia, eu precisava de um banho. Esperei Namorado voltar da ducha dele e ele avisou: "tem fila no banheiro dos homens". 

Tensao. 

REFLITAMOS: se tem fila no banheiro dos homens, o que eu posso esperar do banheiro feminino? Respirei fundo e fui la. E o que encontro? Um zilhao de meninas de 15 anos +  chapinha, batom, prancha, absorvente, cera quente, cera fria, cera morna, cera, creme hidratante, rimel, lapis, touca, esmalte, sombra, contorno, blush, repador de pontas, pinça, tesoura, cola, spray, prego, martelo, cimento, cal, britadeira e todas aquelas coisas que se precisa pra se deixar alguém biito. Gente. Eu soh queria agua! Calor dos infernos, eu suava por todos os poros e tinha areia até no feh-oh-foh. 

Acho que passei meia hora na fila da ducha até que alguma iluminada desocupasse uma vaga. Eu tinha lagrima nos olhos quando entrei na cabine. Metodica, coloquei minha roupa limpa aqui, meus produtos de higiene ali e abri a torneira esperando um banho revigorante. 

Quando abri o chuveiro, me apareceu um jato d'agua tao forte, mas tao forte, que eu pensei que meu couro fosse ir embora ralo abaixo. Me virei de frente pra lavar o rosto e a ducha foi bem nos meus peitos. Dai eu tive que procurar meus mamilos no chao, porque, minha gente, que ducha era aquela? 80 toneladas de pressao sobre minha cabeça. Eu lavei o cabelo e sai da ducha pelo menos uns três centimetros menor. Você pode nao acreditar, mas isso aconteceu na Nova Zelândia. 

Depois, nohs fomos pro centro procurar algum restaurante. Escolhemos um que servia mexilhoes. Apesar de ter crescido no litoral, acho que eu nunca havia comido mexilhoes. Fiquei tentando lembrar, mas nao consegui. Quando comi o primeiro, tive certeza de que eu nunca havia comido antes: o gosto é inesquecivel e a maneira de comer, errr... é bem particular. Nao é à toa que, em francês, moule (mexilhao) é um nome usado pra se referir à vagina.

Na frente do restaurante que vendia vaginas

No dia seguinte, com muito aperto no coraçao de minha parte, deixamos Carnon Plage e fomos pra Vic. Pegamos esse caminho simpatico:


A unica coisa que conhecemos do lugar foi o camping, porque estavamos muito cansados e, no dia seguinte, partimos direto para Sète, onde iriamos pegar o trem de volta à Lyon.

Feio, feio, feio...

A gente passou menos de duas hora em Sète, o suficiente para comer uma pizza e testemunhar uma tradiçao local: uma terrivel batalha de barcos!

Uh la la, braços!

Os barcos se aproximavam um do outro...

...o suficiente para que os dois nobres cavalheiros, dispostos na ponta de cada embarcaçao...

...estivessem proximos o suficiente para se atacarem com um bastao. O objetivo era derrubar o oponente na agua.

Eh, eu sei. Emocionante.



Algumas horas depois, estavamos em Lyon para receber dona Amanda e seu chéri que chegariam de Paris no dia seguinte. Mas os posts de férias continuam. Proximo destino: Jonzac!


domingo, 14 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte II

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui). 

Depois de Tarascon, fomos parar em Saint Gilles. Nesses dois primeiros dias, nohs pegamos muitas estradas ruins por culpa de Camilo por falta de experiência. No segundo dia, por exemplo, tomamos uma estradinha simpatica que seguia o curso de um canal. Começamos contentes e felizes, mas de repente os buracos começaram a aparecer, a mata começou a se fechar e, quando nos demos conta, ja era impossivel pedalar. Entao, peguei minha foice de bolso e fui derrubando arvore por arvore e nem mesmo os ferozes hipopotamos e dragoes que encontramos pelo caminho ficaram vivos pra contar historia. 

Inclusive, aproveito esse momento para dizer àqueles que acham que eu exagero em certas historias que tudo o que eu falo aqui no blog é a mais pura verdade. No ultimo pic nic de blogs, Camilo, injustamente, disse que eu inventava as historias, minha gente. Absurdo! Foi um golpe duro, sobretudo por se tratar de alguém que me conhece bem e sabe que eu nao minto nun-ca. Portanto, hoje, quero apresentar a vocês o patrono do caso.me.esqueçam. O rei! O mestre! O inesquecivel Nelson!

 iêu?

Opa, Nelson errado. Agora vai: Nelson Rubens, meu povo!

Tchan ram!

Criador do bordao "eu aumento, mas nao invento", Nelson Rubens certamente me entenderia. Mas voltando...

Em uma outra estrada, encontramos um cercado cheio de touros. Touro foi o bicho do qual mais vi referência indo pro sul. Nao sei que tara é essa desse povo pelo bicho. Estatua de touro, exposiçao de touro, feira de touro, cartazes de touro. Touro.

 Os touros estavam desconfiados com a presença da maquina fotografica. Menos um. 


 Gente, pode ser pro Daily Press
Nao era. 


 Nao sei o que me encantou mais nesse touro. Se foram os mosquitos sambando nos olhos dele...

...ou se foi essa linguinha preta. 

Chegamos à Saint Gilles, nos instalamos no camping e fomos tomar uma cerveja. Foi pra compensar, estavamos saudaveis demais. No dia seguinte, fomos dar uma volta na cidade (o que deve ter nos tomado 2 min, dado o tamanho dela). A coisa mais bonita da cidade era essa igreja que faz parte do itinerario dos peregrinos que vao à Santiago de Compostela:





Tinha até uma "casa dos peregrinos" perto da igreja. E esse mendigo que ta na frente dela é meu marido. (Eh naaaao, amor! Eh mendigo nao, é lindo! Chuac!)

 A esquerda, uma bunda. A direita, uma placa que diz "compartilhemos a estrada" que, claro, era ignorada pelos carros que tentavam a todo custo nos matar. Eu, como cidada consciente, respeitei a placa e pedalei a menos de 70 km/h.

Trecho da viagem: vinhas

Vamos recapitular nossa viagem, amiguinhos?

1° dia: Lyon - Avignon (em trem) - Beaucaire - Tarascon
2° dia: Saint Gilles 
3° dia: Grau du Roi 

Grau du Roi foi o lugar mais cu da viagem, apesar da praia, do céu azul, do cheiro de mar, do sol, das gaivotas gaiteiras... (ai, que bom!). Quando chegamos, eu tava quase infartando de tanta felicidade (pelos motivos citados), mas a cidade tava atolada de turistas e tava dificil encontrar vaga nos campings. Nao tiramos nem foto, mas joga no Google e você vai entender porque a cidade fica lotada nessa época.

Ficamos rodando e a unica vaga que encontramos num camping custava 56€ pros dois (quando estavamos acostumados a pagar 15/20€)! Era um camping 4 estrelas, mas pra gente que so queria um chaozinho pra armar uma barraca, isso pouco interessava (momento classe média sofre). Mas Grau du Roi é uma cidada pra gente RYCA!, e se a gente ta na chuva é pra se molhar. Inclusive, havia chovido na noite anterior e a vaga que nos deram estava completamente enlamaçada. Tou dizendo, foi um cu. Tive vontade de deixar um cocô no terreno, mas isso nao seria muito sao. Picamos nossa mula e fomos pra Carnon Plage.

(Fim do segundo ato)


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte I

Luci e Camilo viajando. Yupiiii!

Os pais dos guris dos quais sou babah resolveram tirar férias nesse verao, o que significa, automaticamente, férias para Luci. Três longas e lindas semanas de férias. Entao, como ha muito tempo tinhamos vontade de fazer uma viagem de bicicleta, decidimos usar a oportunidade pra colocar o plano em pratica. 

Ha algumas semanas, cinco dos meus colocs e eu fizemos um passeio de bicicleta durante um fim de semana até um famoso lago que fica perto de Lyon, o Lac Aiguebelette. Eu ja tinha ido ao lago ano passado, entao achei a idéia genial. Achei a idéia genial até perceber que 70% do caminho era composto por ladeiras que subiam e ladeiras que sobem nao sao de Deus. 

Na ocasiao, eu estava usando minha bicicleta de princesa da Disney. Eh uma bicicleta de passeio, meio velhinha, de marcha manual e sela de couro. Linda, mas que nao estava correspondendo às minhas necessidades naquele momento (minhas necessidades = chegar com vida ao topo das ladeiras). Na verdade, a unica bicicleta que iria me ajudar a subir aquelas ladeiras seria uma bicicleta voadora, mas até onde sei, nao existe nenhuma no mercado. 

Eu era a pessoa que ficava sempre pra tras. A bicicleta de Camilo é muito boa, parece uma moto comparada à minha e ele tentou varias vezes que trocassemos de bicicleta, mas neguei porque sou uma pessoa orgulhosa. Mas até mesmo as pessoas orgulhosas tem seus limites: troquei de bicicleta com ele e vivi alguns minutos de felicidade, cheguei até mesmo a ultrapassar Camilo em certo ponto, mas descobri que a bicicleta de Camilo é boa, mas nao é magica: voltei a ficar por ultimo. 

Antes de chegar ao nosso destino, sentamos num bar e encontramos, por acaso, a menina que iria nos hospedar. Eu, que estava super entretida com minha cerveja, nao vi, mas Camilo disse que a menina olhou pro meu cabelo molhado e, inocente, perguntou "ah, mas vocês ja foram tomar banho no lago?". Eh, eu sou uma pessoa que transpira. 

E essa historia todinha é so pra dizer que… queriamos fazer uma viagem de bicicleta, nao sabiamos bem como e nem por onde, mas uma coisa era certa: o roteiro teria que ser desprovido de ladeiras. Apos consultar alguns amigos mais experientes, resolvemos ir pro sul, onde aparentemente as estradas eram planas e, bom, sul aqui significa praia e sol.

Como minha bicicleta de camponesa nao parecia ser muito apropriada pra viagem, Camilo pegou a antiga bicicleta dele, trocou uns cabos, colocou uma bagageira, um suporte pra garrafa d'agua, minha cestinha, campainha, ajeitou os freio e os pedais. Ficou otima!


Antes

Depois


Agora eu tenho duas bicicletas e soh uma bunda. Obrigada, amor! Mas Camilo e eu nao tinhamos planejado muita coisa. Por indicaçao de um amigo, escolhemos Avignon como ponto de partida (fomos de trem até la) e depois algumas outras cidades aleatorias que pareciam ser interessantes como destino. Mas nao sabiamos quais estradas tomariamos ou quanto tempo ficariamos nos lugares. E isso, claro, garantiu muitas surpresas. A primeira delas: 


Pegamos uma estradinha cheia de pedrinhas assassinas e logo meu pneu furou. Apesar de Camilo estar em açao na foto, quem trocou o pneu fui eu, pra acabar com essa historia de que mulher nao sabe trocar pneu. Na verdade, Camilo, assim como meu bob pai, nao costuma dar as coisas de mao beijada e tenta sempre me ensinar como elas funcionam. Acho otimo, mas as vezes Camilo exagera. Lembro que quando cheguei em Lyon pela primeira vez, fomos dar um românticuzinho passeio pelas ruas da cidade, quando ele me puxou e falou "vem ver como funciona o sistema de troca de trilhos do tramway". Hum, interessante. Anyway... Pneu trocado, Luci engraxada, partimos.

Depois de pegarmos uma auto-estrada estressante, chegamos à Tarascon. Gente, eu vou dizer uma coisa: a França é véia. A França é véia, entao, quando você ta fazendo turismo, você sai andando e tropeçando nos castelos. Você olha pro lado e "opa! Um castelo medieval", é um barato. 

Um castelo aqui...

Outro acolah... 
Luci, deixe-me ser seu perêncepe


Indo para o camping, encontramos essa praça e uma grande movimentaçao (reparem no homem de azul coçando suas sarnas).


Era um daqueles espetaculos com touros pros machos da cidade se exibirem e mostrarem o quanto sao... bravos e corajosos? Cada vez que algum deles conseguia tocar no touro, eram aplaudidos. Tocar é facil. Queria ver dar beijinho. 


Nosso camping ficava atras dessa belezura




A rua dos apaixonados - com um pequeno erro ortografico

(Fim do primeiro ato).

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fila da mae (ou trocadilhos a se evitar)


Todos os anos, eu - e outros milhares de estrangeiros - preciso renovar meu titre de sejour, o documento que permite que eu viva e trabalhe na França. E a cada ano que passa, esse procedimento se torna cada vez mais dificil de ser feito. Ano passado, incluiram como parte obrigatoria do processo a presença do marido/esposa francês na Prefeitura. E, ha alguns meses, um dos meus colocs, originario da Ilha Mauricio, disse que a Prefeitura decidiu limitar a quantidade de estrangeiros atendidos e passou a distribuir apenas duas centenas de senhas por dia. Isso fez com que as pessoas passassem a chegar cada vez mais cedo na fila. Resultado: à 1h da manha, ja tem gente fazendo fila na calçada da Prefeitura. Detalhe importante: o expediente começa às 9h da manha. 

Vocês podem imaginar o tamanho da minha felicidade quando ouvi isso. Sobretudo, porque meu titre expiraria dentro de algumas semanas. Quando a data se aproximou, preparamos a papelada e fomos super satisfeitos, às 4h da manha, fazer o que o ser humano mais gosta de fazer: fila. 

Peguei minha bicicleta (afinal, o metrô nao funciona a essa hora) e fui à Prefeitura. Pelas minhas toscas contas, ja havia umas sessenta pessoas na minha frente. Camilo, zumbi, chegou meia hora depois. A chuva começou. 

Personagens em volta: cinco homens arabes de jaqueta preta falando merda na minha frente. Uma jovem arabe, que tava sendo violentamente cantada por outro arabe que tava atras dela, e um velhinho caquético que eu nao sei bem onde estava. Mas ele parecia ta morrendo.

A noite foi indo embora, a chuva enfraqueceu, as pessoas foram chegando. A conversa entre os arabes era animada e de vez em quando alguém saia da fila pra comprar café. O arabe deu tanto em cima da menina que escutei num momento dela: "olha, você ta me constrangendo, eu tenho namorado". Ele dizia sorrindo: "mas eu nao me importo". Mas a menina era bem simpatica e nao se importou com as investidas, conversou com ele a manha inteira. Eu, morta de tédio, prestava atençao em tudo pra me distrair. Depois aconteceu o que todo mundo sabia que ia acontecer em alguma hora: uma briga. Minha gente, a fila da Prefeitura é mais tensa que roleta russa. Basta alguém dar um passo em falso, literalmente, que a confusao começa. 

O sol apareceu. Seis, sete da manha. O arabe deu um beijo no braço da menina. O velhinho pediu pra eu avançar. O casal atras de mim começou a falar espanhol. Oito horas da manha e varios palavroes na minha cabeça. 

Algum tempo depois, uma velha com seu filho adolescente, pediu pra que abrissem a grade de ferro que define a fila pra que ela entrasse. As pessoas costumam entrar e sair da fila  pra substituir algum parente que esteja cansado de ficar em pé, por isso, ainda que desconfiados, deixaram a velha entrar. O problema é que ela nao estava ali pra substituir ninguém, ela estava ali pra fazer o que NINGUEM, nem mesmo uma velhinha, poderia ousar fazer nessa situaçao: furar fila.

PAM RAM RAM RAAAAAAM!

E na frente de quem ela decidiu ficar? Na minha frente, pessoas. Na-mi-nha-fren-te! Ela entrou na fila e disse "é que eu tou esperando meu outro filho que ta la na frente", aih ela deu um xauzinho la pra frente pra alguém. Soh que esse alguém nao existia! Ela acenou pra nuca das pessoas, porque ninguém respondeu ao aceno. E o Oscar de melhor atriz vai para… 

Meus amigos, vejam bem. Eu sou uma pessoa otaria. Levo desaforo pra casa, nao sei dizer "nao", perco certas oportunidades de falar o que penso etc e tal, mas essa velha despertou meu lado Hulk e, quando eu me dei conta da situaçao, peguei ela pelos bigodes e a arremessei no chao eu perguntei a ela o que ela tava fazendo ali e chutei a cabeça dela quatro vezes pedi gentilmente pra ela ir encontrar o tal filho dela na fila. Como ela ficou enrolando, eu entrei na frente dela e comecei a dizer que eu nao tinha chegado ali às 4h da manha pra que alguém viesse pegar meu lugar e bla bla bla. Pra alguém banana, timida e travada no francês como eu, foi um grande feito. Eu merecia um biscoito.

A pilantra ainda tentou sustentar toda aquela farsa imunda mandando o filho dela procurar pelo suposto irmao, mas o menino era meio atrasado mentalmente porque nao captou bem o que a mae tava tentando fazer e voltou de uma breve procura na fila dizendo "maaaae, eu acho que ele ta em casa mesmo, viu". Game over, dona Maria! As pessoas atras de mim ja tavam com foices e tochas na mao, prontas pra caçar a véia. Ela acabou saindo da fila gritando "minha vingança sarah maligrina!"

Teve um momento em que um passarinho pousou no chao e os arabes enjaquetados gritaram "sai da fila!" hihihi (eu ri!). Quando finalmente deu 9h da manha, e todas as minhas varizes ja gritavam aflitas, a Prefeitura abriu. So que, a essa altura, nao existia mais uma fila definida. A arabe, o arabe, o velho, o casal e outras pessoas estavam ao meu lado, a fila tinha se compactado e ninguém sabia direito a ordem dela. Mesmo debaixo da desordem, conseguimos entrar e pegamos o ticket numero 100. 

Entrei no prédio e me deparei com uma luz muito forte vindo do final do corredor: eram duas cadeiras vazias. Cadeiras, minha gente, cadeiras! Vi que havia duas pessoas se aproximando delas, entao, rapidamente, fiz uso das minhas habilidades na arte do tae kwon do para neutraliza-las. Depois de conseguir os tickets e as cadeiras, a segunda metade do dia foi facil: soh precisamos esperar mais cinco horas até sermos atendidos. Em cinco minutos, a moça simpatica do guichê deu andamento no meu novo titre e disse "volte em três meses pra pegar o documento definitivo". Com prazer. 


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5 ml

Quando Camilo se demitiu do emprego, ele ganhou dos colegas, além de uma inutil maquina de fazer capuccino, um par de ingressos pra um famoso festival de Lyon, o Nuits de Fourvière. Ja falei dele aqui. Fiquei toda pimposa com o regalo, porque entre as atraçoes tinha uma banda que gostamos muito, o Dub Incorporation

Apesar de saber que iriamos viajar cedissimo no dia seguinte, ao meio-dia, estavamos afim de encher a cara, entao preparamos uma preciosa mistura de vodka e suquinho de laranja numa garrafa e rumamos pro show. "Eu sei que a gente nunca vai ficar bêbado com essa garrafinha, mas no show a gente continua a beber outra coisa", profecisei. 

Conselho: nunca subestime o poder do alcool.

Quando a garrafa terminou, eu ja tava sorridente. O festival se passa num dos lugares mais charmosos de Lyon, o teatro galo-romano. Como chegamos tarde, acabamos pegando um lugar péssimo pra quem tava afim de beber: longe do banheiro e do bar. Assim que o show começou, exatamente no horario indicado no ingresso, fui comprar vinho. Pra compensar a ida, comprei logo três copos. Como eles estavam muito cheios, dei umas bebericadinhas inocentes em cada copo pra que eles nao derramassem. Antes de eu voltar aos nossos lugares, três viraram dois. 

O show tava lotado, eu nao achava mais nossos lugares. Parei no alto da escadaria pra procurar Camilo. Passei os olhos minuciosamente em cada fileira da platéia. Vi gente gorda, magra, branca, preta, anao, traveco, ET, criança, cachorro e zumbi. So nao vi Camilo. Beberiquei mais um tequinho, procurei mais, me impacientei, quis desistir, beberiquei, procurei, procurei mais, beberiquei, me impacientei, bebi, bebi e nada de Camilo. Quando dois ja tavam virando um, vi um homem desesperado sacudindo um cachecol vermelho. 

Continuei subindo as escadas, dei uma volta fenomenal por tras das fileiras pra evitar o mar de gente e, quando finalmente entreguei o copo a Camilo, tive vontade de fazer xixi. Tomei o que tinha restado do meu vinho e fui ao banheiro. Pra compensar a ida, comprei mais três copos de vinho e voltei pro show. 

Show nesse teatro é mesmo um espetaculo, coisa diferente de tudo que ja vi. Curto quem ta no palco, mas passo a maior parte do tempo admirando o publico. Milhares de maos levantadas numa coreografia harmoniosa, o eco das vozes amplificado pela arquitetura do lugar. E eu no meio disso tudo. E eu no meio disso tudo, morrendo de vontade de fazer xixi outra vez. "Vou la antes que piore". Vocês conhecem aqueles comentarios que as pessoas fazem quando vao falar do "defeito" fisico de alguém? Por exemplo, um narigudo: "eita, que essa pessoa passou três vezes na fila do nariz!"? Pois bem. Quando Deus foi distribuir as bexigas, ja nao havia mais nenhuma na minha vez mas, bondoso como Ele é, me disse

- Luciana, eu vou te dar essa bexiga de passarinho.
- Que historia é essa, Deus?
- Luciana, eu escrevo certo por linhas tortas.
- Parabéns. Mas eu quero uma bexiga hu-ma-na.
- Desce.

Aih eu nasci.

Vinte e seis anos depois, la estava eu indo ao banheiro. Comecei a andar bem rapido porque senti que o negocio ia piorar em alguns segundos. Quanto mais eu me aproximava do banheiro, mais eu sentia vontade de mijar. A cada passo, o xixi ia aumentado e a bexiga ia diminuindo. Comecei a correr. Nao foi boa idéia. Parei. Tentei andar de pernas cruzadas e nao vou nem descrever o quanto fiquei ridicula tentando fazer isso. Vi o banheiro. Esperança. Nao tinha fila. Corri, peguei na maçaneta da porta e… fiz xixi nas calças. 

Essa é minha vida, Brazeel. 

Nunca saberei quanto tempo passei sentada naquele vaso tentando secar uma calça jeans com papel higiênico, mas digamos que a primeira banda acabou assim que voltei pro meu lugar. Acho que nao comprei mais vinho quando voltei, mas ha controvérsias. A atraçao seguinte era Tiken Jah. Queria descrever o show dele, mas nao lembro bem o que aconteceu. Mas eu tava feliz, apesar de.

Camilo me lembrou no dia seguinte que eu derrubei cinza de cigarro na cabeça da mulher que tava sentada na minha frente (sem querer) e que eu ficava colocando chifre na cabeça dela com a mao. Pelo visto, nao passei nenhuma vez pela fila da maturidade. Logo em seguida, antes do show acabar, "tu levantasse de repente e falasse 'amor, tou muito bêbada, quero ir embora'". E a gente foi. Como vocês podem ver, o show foi muito bom! 



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Glub glub - parte II


C. Creuza

A avoh dos guris disse que, nos dois meses em que ela cuidou deles, emagreceu seis quilos. Estou esperando bater esse recorde e, baseado nesses três dias de trabalho, acho que vou conseguir. Essas crianças vao me deixar magra. E louca. Antes de trabalhar como babah, meu maior sonho era ser mae. Eh, era parir. Era povoar o planeta. Hoje em dia eu nao quero me ocupar de nada que nao tenha o tempo de vida de uma borboleta. 

No segundo dia de trabalho, na hora do banho, fui tirar a fralda de Creuza. Sabe quando a criança caga e você encontra cocô até nas costas dela? Pronto, foi o caso. Alias, quase sempre em que vou trocar a fralda dela (quase sempre = três vezes), encontro cocô nas costas da menina, porque ela tem o talento de cagar sentada. Ela nem fica de banda pra dar vazao ao cocô. Nao. Ela caga sentada mesmo, dai o cocô fica sem saida e vai parar quase no pescoço. Mas pensei "bom, ao menos ela nao vai fazer cocô na banheira, como ontem". Eu, inocente.

Mais uma vez, joguei os guris dentro d'agua, ensaboei todo mundo e deixei eles brincando. De repente, vejo uma tripinha marrom e fina saindo da bunda da menina. Olha, essa menina é uma maquina de cocô, so pode. Como eu disse no twitter, acho que o unico orgao que ela possui é um intestino: um graaande e imeeenso intestino que vai da guela ao reto. Mas nao havia tempo nem de chamar palavrao. Gritei "guri, sai da agua! Creuza ta fazendo cocô!". O menino nao costuma  me obedecer, mas quando ele ouviu a palavra "cocô", ele olhou pra irma e, no segundo seguinte, ja estava nos meus braços. Se eu tivesse gritado TUBARAO, ele nao teria saido tao rapido. 

Quando o pai chegou em casa, eu disse que os brinquedos precisam ser lavados porque tinham estado numa soluçao de xixi e cocô. Ele pensou em voz alta "o que sera que eu coloco aqui pra lavar esses brinquedos? Hummm... vou colocar amaciante de roupa". Cara, nao sei, a menos que você queira brinquedos macios, va la, mas eu escaldaria eles. Mas, né, eu que nao vou me meter nas resoluçoes do patrao.  

Soh sei que eu tenho suado. Suado muito. Vou buscar o guri na creche quando o sol ainda estah a todo gaz aqui (17h). Em seguida, tem a hora do banho num banheiro minusculo e abafado. Essa é a hora mais tensa: um caga na agua, outro chora pedindo sopa, os dois tentam ficar em pé, eu mando sentar, o menino chora com sabao nos olhos, a menina engole agua, o guri tenta sair da banheira, eu grito, a guria grunhe e o suor desce. No final, eu nao sei qual dos três ta mais molhado. 

Mas o pior mesmo... O PIOR, MEU POVO, é quando os dois gritam ao mesmo tempo (80% das vezes). A menina, coitada, soh pode gritar. E o desenho no começo do post é o retrato fiel dela. Ja o guri, consegue se expressar usando algumas palavras, mas como o vocabulario dele nao é muito variado, o que se mais vê é:

- Soupe (sopa)! Soupe, soupe. Soupe, soupe, soupe!
- Ja ouvi, Guri.
- Soupe, soupe, soupe, soupe. Soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe!
- Guri, eu-ja-ouvi!
- Soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe!
- Menino, eu vou te dar sopa! (cacete, puta que pariu!)
- SOUPEEEEE! SOUPE, SOUPE!
- Senhor, me ajude a nao mata-lo.

E ele repete isso ad-in-fi-ni-tum. As vezes eu tenho vontade de amarra-los numa pipa e soltar os dois pela janela, e soh puxar a corda na hora deles dormirem. Mas vai que dah processo... 

Sugestoes? 



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Glub Glub


Peixe um: "nossa, tive uma ideia genial"
Peixe dois: "nossa, deixa eu sair da banheira antes"

Tenho tanta besteira pra dizer que nao sei nem por onde começar. Mas como eu sei que meus leitores nao sao nada exigentes, do contrario, nao seriam meus leitores (viu como eu consigo diminuir todo mundo numa sentença soh?), eu vou começar pelo dia de hoje. 

Nos dois ultimos meses, praticamente parei de trabalhar pra ver se conseguia dar conta dos periodos de provas e recuperaçoes da faculdade. Mas isso coincidiu com o periodo em que a mae do guri do qual eu sou babah saiu da licença-maternidade. Entao, entrou em campo a avoh dos guris que deixou momentaneamente a sua casa em Paris e se instalou em Lyon durante os ultimos dois meses pra cuidar dos netos. Mas a faculdade acabou (pelo menos por enquanto) semana passada e, apos nove lindos dias de férias, esta babah que vos escreve estah de volta à ativa. Pro azar dela.

O esquema agora nao inclui somente cuidar do guri, agora eu tomo conta da monstrinha também. Pois é, Brazeel, o mundo da voltas. Eu havia jurado que nunca mais chegaria perto de Crazy Creuza, mas o que a gente nao faz por dinheiro amor? A pobrezinha, pro azar dos pais e pra minha sorte, nao tem vaga na creche, entao agora eu serei a babah dela. Das 8h da manha às 19h. 

Ai.

Antes de começar a trabalhar com ela, tive dois dias de... treinamento... dados pela experiente avoh. O objetivo era conhecer os habitos da guria antes de me ocupar dela. Foi uma experiência bem interessante. Mas com a avoh. A familia paterna da gurizada é portuguesa (por isso contrataram uma babah que fala português), o que nao impede que a lingua seja motivo de piada, pra mim. Acho curioso, por exemplo, quando ela fala "calcinhas" se referindo à calça. 

- Luciana, hoje faz calor, entao pode pôr uma calcinha no guri.
- Err... Ok... A senhora é que é a avoh.

Na primeira vez em que fui trocar a fralda da bebê, ela disse "ah, limpa bem o cuzinho dela, viu". Limpa o que, fera? Essa mulher pensa que soh porque ela colocou a palavra no diminutivo o peso dela se perdeu, foi? Cu é cu, pô. Seria como "ai, limpa o furiquinho dela, viu". Soa estranho. Mas beleza. O negocio é que hoje eu escutei ela dizendo à guria, que estava elétrica, com um super sorriso no rosto: "ai, mas você é uma pica russa mesmo, hein". Aih, eu choquei, né. Pensei, porra, essa mulher tem pego pesado com essa criança. Cu ainda vai, mas pica é foda! 

Cheguei em casa, corri pro dicionario e me impressionei com a quantidade de significados pra pica. Eu so conhecia um, pra vocês verem como eu sou inocente. Entao, com rigor cientifico, analisei cada expressao esperando por aquela que seria a mais adequada de ser dita por uma avoh à sua neta de oito meses. 

Pica: Camisola de lã. "Ai, mas você é mesmo uma camisola de lã russa!" Hmm... Nao serve.

Pica 2: Cada uma das peças delgadas que entram na construção da proa e da popa. Acho que nao.

Pica 3: Cigarro de haxixe. Como a véia é doida, eu nao me supreenderia que ela chamasse a neta de baseado. Mas nao.

Pica 4: Peixe teleósteo da família dos ciprinídeos, de água doce, muito comum em Portugal. Opa! Portugal! Pode ser isso, vamos tentar? "Netinha, você é um peixe teleosteo russo. Que, inclusive, é muito comum em Portugal". Viram? Ficou mais adequado chamar a menina de peixinho. Mas aih vem a quinta pica:

Pica 5Entusiasmo, vigor, vontade (ex.: estão cheios de pica para treinar). Voila! Mistério resolvido.  "Netinha você tem muito vigor... russo" Se for isso, eu concordo com a avoh, porque essa guria nao para quieta. Tipo assim, nenhum segundo. Inclusive, Amanda disse que era um barato cuidar de bebês porque eles dormiam o dia todo. Mas é claro que o bebê que eu cuido nao podia ser normal: a avoh ja disse que ela nao gosta de dormir. Hoje mesmo ela dormiu vinte minutos de manha (deu nem tempo d'eu sorrir) e, à tarde, uma hora, quando o irmao, bem mais velho, dorme três horas por dia.  

Hoje a avoh voltou pra Paris no meio da tarde e eu assumi sozinha o trabalho com as crianças. Fui pegar o moleque na creche, mas nao fomos ao parque porque o calor estava infernal e eu notei uma certa afliçao na cara da bebê. Me debrucei sobre o carrinho, olhei bem nos olhos dela e perguntei, meu amor, o que esses olhos querem me dizer? "Me tira daqui, vaca". 

Voltei pra casa com os dois e preparei o banho deles na banheira. Aguinha morna, brinquedinhos boiando... Joguei os dois la dentro e sai passando sabao em tudo que se mexia. Eu suava BICAS. O guri pediu pra sair. Enxuguei ele, pus sua fralda e, quando olhei pra banheira pra ver se a guria ainda tava viva, vi que a agua estava preta: quilos de cocô boiando junto com a menina e os brinquedos. Véi, eu fechei os olhos, respirei profundamente e cantei uma cançao. Era isso ou ia fazer aquele menina tomar aquela agua. Aih, né, pesquei a guria do meio da bosta toda, dei um banho de ducha na pica russa e vim pra casa. Mas amanha tem mais. E depois e depois e depois.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A fuga das galinhas

Agora, somos uma grande coloc de onze. Como eu disse no post passado, o presente de aniversario de uma coloc foram três galinhas. Ela adora fazer bolos e doces e acho que ter ovos frescos deve significar muito pra ela - mas essa é minha explicaçao sobre o fato. Entao, quando as galinhas chegaram, sabado passado, improvisamos um galinheiro entre o forno à lenha e a estufa. Eu nunca vi pessoas tao empolgadas com galinhas, pareciam crianças. "Olha, ela abriu as asas!", "olha, ela ta ciscando!", "olha, ela ta comendo o milho". Eh, caralho, olha, ela ta agindo feito uma galinha! Puta merda. O pessoal observava as galinhas e eu observava o pessoal. 

Eu desconheço a relaçao dos meus leitores com galinhas, mas pra mim estas nao representam um bicho estranho. Minha avoh paterna, quando sabia que iamos visita-la, sempre comprava uma ou duas galinhas pro almoço. Mas vovoh era roots. Ela poderia muito bem comprar um frango congelado no supermercado. Mas nao, vamos ser diferentes: ela comprava uma galinha viva na feira, a degolava (um parênteses: ver uma galinha semi-degolada cacarejando é uma das cenas mais bizarras que eu tenho da minha infância), depois a escaldava, a depenava e a esquartejava. E a gente comia esse negocio. 


Josette, Lucette e Bernadette. Nao necessariamente nessa ordem.

Nao tenho pena no pescoço. So linda?

Depois de cinquenta minutos de admiraçao, o pessoal da casa finalmente se dispersou pra curtir a festa que tava começando a rolar. A festa foi otima! Foi a primeira que fizemos no jardim, com direito à pizza no forno e churrasco. Como sempre acontece, misturei todas as bebidas que encontrei pela frente e, apesar de nao ter ficado muito bêbada, tive uma feliz ressaca que me fez pensar que eu ia ter dor de cabeça até o aniversario do proximo ano.

Daih, acordo no dia seguinte com aquela cara de quem morreu e esqueceram de enterrar e desço com Camilo pra dar uma primeira geral na casa. O chao da casa pregava, tinha garrafa de alcool por todo lado, piola de cigarro pelo chao, caixa de som estourada, salgadinho pra todo lado, enfim, a visao do caos. Eh quando a campainha toca anunciando a visita surpresa de quem? Dos meus patroes.

Gente.

Eu estava decrépita. Eu era uma mistura de mendiga com zumbi. Cabelo despenteado, cara amassada e halito de alcool. A casa tava mais apresentavel. Obviamente que evitei que eles entrassem nela, entao conduzi os pais pelo jardim. Lembram? O jardim bonito que eu descrevi aqui? De repente, como se nao bastasse, passa uma galinha correndo pela gente. Sim, uma das dettes tinha fugido. Eu nao sabia se eu fingia que nao tinha uma galinha preta correndo pelo meu jardim ou se eu procurava identifica-la e apresenta-la formalmente à mae do guri. 

Antes que eu pudesse me decidir, a avoh do guri, que também veio, abriu as pernas, os braços, se posicionou como goleiro e ficou esperando a galinha. Todas as atençoes se voltaram pra ela. A galinha entao parou, refletiu e deve ter concluido que conseguiria romper a barreira humana da voh, porque ela recomeçou a correr loucamente. Felizmente, a mulher conseguiu segurar a galinha e o fez com tamanha segurança, que eu conclui que ela foi goleira fazendeira em outra vida. Ela disse que deveriamos cortar as penas das asas das galinhas pra que elas nao voltassem a fugir. Anotado.

As galinhas sao da inglesa, mas a pessoa mais empolgada é o socio de Camilo. Camilo diz que ele vai na varanda umas quatro vezes por dia dar uma olhada nas galinhas, depois verifica se elas ja puseram ovos. Eu nao me surpreenderia se o encontrasse um dia dormindo no galinheiro. Hoje, ele entrou pela sala super empolgado anunciando que umas das dettes tinha colocado dois ovos. "Oitenta gramas!" Ah, eu me divirto! 




Talvez

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