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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fala que eu te escuto. Ou nao.

(Antes de tudo, perdao: post escrito num teclado espanhol desconfigurado).

Quando Camilo anunciou, ano passado, que iriamos morar com mais nove pessoas, eu fiquei preocupada. Ainda mais porque, das nove pessoas, eu conhecia somente duas. E superficialmente. Sempre morei com muitas pessoas, afinal, eramos seis na minha familia, entao quatro a mais, quatro a menos, nao deveria ser problema pra mim. Mas dai a gente lembra que o espaco onde um grupo numeroso vive soh funciona quando tem um lider ou coisa parecida regendo a coisa. Mas tentemos.

O cotidiano na casa eh curioso. Nas compras, sacos de 25kg de arroz, 25 kg de farinha, dezenas de pacotes de papel higienico. Na feira de frutas e verduras do sabado, o s feirantes ja nos conhecem e oferecem os produtos em caixas feitas pra venda no atacado. Todo dia se vai um quilo de macarrao ou de arroz no jantar e jantamos todos juntos. Todo dia. Quase vinte escovas no banheiro dividindo um mesmo potinho. Tem o saco de lixo de cem litros que eh trocado constantemente. No minimo, onze casacos espalhados pelo sofa e onze pares de sapato dividindo o chao com a sujeira (porque quando onze sujam e dois limpam, voces sabem...) Pra acomodar o vidro que sera reciclado depois, um carrinho de supermercado. E pra coisa toda dar certo: dialogo, muito dialogo.

Ja falei aqui que o amado tah criando uma empresa com um dos caras que moram com a gente. Eu nao vou explicar do que se trata, mas o fator "comunicação" eh essencial no tipo de projeto que eles estao criando e, por conta disso, os dois tem lido muito sobre essa "arte". Isso trouxe, inevitavelmente, pro meu namoro com Camilo, varias discussoes (algumas ferrenhas) e, ironicamente, nos demos conta de que não somos um casal que se comunica bem (pelo menos nao da forma ideal).

Uma das coisas que contribuem pra isso, eh o fato de que eu sou agressiva na hora de expor minha opiniao e intolerante na hora de aceitar a opiniao alheia. E eu nem preciso ir muito longe pra saber o porque, afinal, nossos defeitos e qualidades estao ligados a forma com a qual fomos educados, concordam? E na minha casa, a primeira e ultima palavra sempre foi a do meu pai. Entre berros. Por isso, reproduzir esse tipo de comportamento durante minha vida nao foi algo muito dificil pra mim e experimentei varias vezes a sensacao de "perder" quando eu nao podia convencer alguem de que meu pensamento era o certo ou estava perto disso.

Coitadinho de Fabio. Eu sempre enlouquecia nas nossas discussoes, apesar de escutar todos os argumentos dele. Quando o odio no meu coracao aplacava, eu ia ate ele pra pedir desculpa e admitir que ele estava certo. Mas ate esse odio passar... Ah! Entao Camilo chegou e esse processo de "discordar - ter raiva - refletir - pedir desculpa" teve que ser otimizado: era isso, ou eu perdia o namorado.

E quando eu falo em comunicacao, eu estou falando de um sentido bem mais amplo do que esse de "ouvir o outro e saber aceitar a opiniao alheia". Entra aih a parte do saber falar. E querer falar. De vez em quando, fazemos uma reuniao com os moradores da casa pra que a gente discuta os problemas dela. No comeco, eu me limitava a ouvir e, quando tinha algo a dizer, o fazia atraves de Camilo. De uns tempos pra cah, aceitei que eu deveria comecar a dizer o que eu penso, mesmo se o idioma pode limitar a forma com a qual eu repasso minha opinioes. Sucesso. Diante de um grupo que esta nao soh disposto a ouvir como a aceitar o que voce tem a dizer, eu me senti muito estimulada a praticar esse tipo de comunicacao nao-violenta (interna: Camilo, se um dia voce ler esse post, nao ria de mim! hehehe)

Quando fui ao Brasil em fevereiro, Fabio disse que as vezes se sentia inclinado a concordar comigo, mas nao o fazia somente pela forma agressiva com a qual eu defendia meu ponto de vista. Pelo fato de eu ama-lo muito, dele me conhecer mais do que qualquer pessoa e tambem da opiniao dele ter peso mil sobre mim, decidi entrar nessa vibe da coloc de ser mais esforcada na hora de transmitir minhas opinioes. Nao, nao vou virar um anjo da compreensao. Sou muito enfezada e Camilo ja me preveniu que nao seria uma boa ideia me reprimir (hihi ele eh lindo). Mas ao menos quero que as praticas do patriarca da familia fiquem bem longe.

Finalmente eh engracado perceber que nao eh nenhum sacrificio jantar com as pessoas que moram com voce. Como eh engracado tambem perceber que, quando se tem bom senso, lideres sao inuteis. Se meu pai soubesse o quanto um pouco de dialogo o faria bem, e a sua familia, talvez ainda seriamos seis.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre pão, rosas e pessoas

Camilo anda ha meses insatisfeito com os chefes. Ano passado, quando ele ainda era somente estagiario na empresa, ele ja vinha enfrentando dificuldades com os malas de lah. Um dos socios da empresa chegou a ser meio que expulso dela, pois era uma cretino de marca maior. Mas ainda restaram todos os outros. Eh o louco que grita, é o cara que é cinico, é o outro mal educado e assim por diante. Como eu trabalhei de faxineira na empresa, sei bem do que ele fala. O chefão, um tal de Olivier, aparecia na empresa de vez em quando. Eu, com minha pobre vassoura na mão, nunca escutei uma resposta dele ao meu bom dia. Tipo assim, nunca. Espero que vocês nunca tenham a chance de comprovar isso, mas quando seu trabalho não é bem assim, glamouroso, você corre o risco de desaparecer. Daih, um belo dia, acho que alguém contou pro senhor Olivier que aquela otaria que ele sempre ignorou é a esposa de um dos engenheiros da empresa. Então, ele veio trocar duas frases comigo na hora do almoço. Deve ter sido dificil. Engraçado que esse episodio se passou bem na época em que assisti Pão e Rosas (2000). O filme gira em torno de alguns casos da vida de uma faxineira mexicana que foi morar nos Estados Unidos. Opa! Faxineira? Estrangeira? Rolou uma identificação.

Nesse exato segundo, Camilo tah no Senegal, provavelmente reunido com alguns homens engravatados discutindo sobre projetos de carbono a serem lançados na Africa. Ele me mandou um email ontem, meio aflito, contando o quanto era sufocante estar com os dois chefes. Antes de embarcar, ele ligou pra mim e disse que um dos chefes tava falando sobre a esposa dele: "Bla bla bla... mas é bom mesmo que ela faça a feira, porque eu passo três horas pra achar um produto, fico perdido. Mulher não, mulher é mais cuidadosa". Pois é, meu bom homem, é porque além de estarmos biologicamente preparadas pra gerar um ser humano, nohs mulheres também trazemos conosco o gene da feira.

E Camilo foi totalmente verdadeiro quando me disse, semana passada, que tudo depende das pessoas com as quais nos rodeamos. O trabalho é chato, mas o chefe é legal? Passa. A disciplina na faculdade é interessante, mas o professor é um cretino? Não passa. Não dah, pô. E ontem eu fui pra mais uma entrevista de emprego da qual eu gostei muito. Não soh porque era pra cuidar somente de um bebê, mas também porque o perfil dos pais me agradou muito. "Quero que você ensine coisas ao meu filho, ele é muito curioso. E nada de TV. E nada de passeios no shopping". E, quando a mãe soube que eu morava numa casa, ela perguntou se eu tinha jardim. "Eu tenho um jardim. E a gente vai plantar tomate nele". E ela sorriu. E agorinha, quando esse post ainda soh estava na minha cabeça, minha ex-patroa me ligou e disse que uma mulher havia ligado pra ela ontem perguntando pelas minhas referências, se eu era confiavel. E daih minha patroa disse que sim. E explicou que eu era séria e responsavel e meu sorriso do outro lado foi enorme e o rubor foi violento. Merci! Merci! E ela disse "mas você fez um trabalho excelente, Luciana". E eu nunca tinha comentado aqui o quanto essa mulher foi importante na minha adaptação na França e o quanto me senti bem trabalhando pra ela. E ja faz uma semana que cogito a possibilidade de voltar e trabalhar uma parte da semana como baba e a outra parte como faxineira. Porque quando a gente tah com as pessoas certas, passa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A gravata do meu namorado

Não é de hoje que eu sei que Camilo tem um sono esquisito. No começo do nosso namoro, ele acordou um dia, no meio da noite e, de joelhos em cima do colchão, começou a gritar apontando pro meio do quarto:

- O que é que esse carro tah fazendo aqui?! Olha esse carro!
- Que carro, Camilo?
- Esse carro! Esse!

O menino tava tão seguro de si que eu realmente fiquei com medo de encontrar um carro no meio do quarto. Mal sabia eu que minhas noites deixariam de ser tranquilas a partir dali. Eu ja perdi as contas de quantas vezes ele fez isso. Geralmente ele senta ou fica de joelho - nessas ocasiões, eu tenho que dar um ippon pra ele voltar pra cama. E existem as fases.

Fase amorosa:

Aconteceu quando moravamos no Brasil. Ele costuma passar a mão em volta da minha cintura quando dormimos. O problema é que quando dormiamos com amigos, ele fazia a mesma coisa. Deu um beijo uma vez no cotovelo de um amigo e passou a mão na bunda de uma amiga - por isso, esse disturbio também é chamado por mim de sono conveniente.

Fase intelectual:

Eh quando ele acorda a fim de conversar. Eh a que eu mais gosto, porque eu não acordo assustada com os gritos dele. Nessa, ele começa a falar sobre qualquer coisa. As vezes ele ri, é lindo! Ele:

- Tu viu o que aconteceu?
- Hmm, vi. Legal, né, amor? (Hihihi)
- (ruidos estranhos) Eh mesmo. Eu acho até que zzZZzz...
- (...) Lindo?

Fase protecionista

Eh quando eu acordo com ele abraçando meu crânio e dizendo "corre", "não vai pra aih", com uma voz muito desesperada. Quando acorda, ele explica que teve um pesadelo e que tava tentando me proteger de alguém. Acho bonitinho... quando eu posso respirar. Ele tem esses sonhos geralmente quando tah estressado com o trabalho.

Infelizmente, acho que a fase protecionista esta com seus dias contados. Temo que venha por aih a fase homicida. Porque ontem Camilo tentou me matar. Sério. Eu ja tava tendo um dos meus famosos pesadelos quando fui acordada pelas mãos de Camilo: uma no ombro, outra no pescoço, me apertando. E ele começou a gritar e eu, claro, também! "Para, tah doendo! Acorda!" Aih ele acordou, pediu desculpa três vezes, se virou e dormiu. Eu verifiquei se minha traquéia ainda tava onde eu gostaria que tivesse e tentei dormir, mas foi dificil.

Lembrei de uma matéria que li ha umas semanas de um cara que tinha matado sua mulher dessa forma. Ele era sonâmbulo e, um dia, quando acordou, encontrou a esposa morta do lado dele, estrangulada. Chamou a ambulância, mas não teve jeito. O marido disse que tinha sonhado que um ladrão tinha entrado na casa e aih deu no que deu. Eles eram casados ha trinta anos.

- Camilo, tu lembra que tu tentou me matar ontem?
- Foi?
- Foi.
- Eita, foi mal.

Algo me diz que eu prefiro Camilo consciente.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Escalada + medo de altura: combinação explosiva


Em janeiro, Camilo se inscreveu numa sala de escalada e tem praticado o esporte uma vez por semana. Quando cheguei da viagem ao Brasil, encontrei um Camilo mais magro. O vi sem blusa e perguntei com toda minha espontaneidade paraibana "oxe, cadê teu bucho, menino?!" Não é que ele esteja slim, exibindo uma cintura de Barbie, mas ja pôde diminuir um ponto no cinto e, domingo, ele vestiu uma calça que não cabia nele havia meses!

Se eu ainda precisava de algum motivo pra me inscrever na escalada, achei um. Ainda relutei, mesmo com os convites de Camilo, porque acho importante pra saude da nossa relação que cada um tenha suas atividades particulares. Mas foda-se. Quem deve ter ficado triste foi Corentin, figura que mora com a gente e que tinha como parceiro pra escalada (que se faz em dupla) Camilo. Alias, Co ja morou dois anos com Camilo (esse é o terceiro ano), estudou com ele na universidade, estagiou com ele na mesma empresa, trabalha com ele atualmente e juntos tão criando uma empresa. Alias, eu sempre digo que a verdadeira namorada de Camilo é Co, que eu sou apenas a amante.

Seja como for, fui com Camilo pra uma aula de teste. Meo-deos-do-céo. Me deparei com aquela parede enorme, cheia de pontinhos minusculos dos quais eu teria que me equilibrar pra subir, contanto somente com a segurança de uma corda em caso de queda.

Vamos ao ja conhecido esqueminha do Paint (ja conhecido pelos leitores do finado Circo) pra saber como a coisa funciona:

Camilo (suspenso, na figura) faz um noh especial e o envolve no seu cinto de segurança (vide foto em que ele exibe feliz seu presente de aniversario). A corda vai até o topo da parede e desce até o meu cinto. A medida em que Camilo sobe, eu tenho que ir recuperando a corda dispensada por ele num movimento um pouco complicado, mas de extrema importância em caso de queda. As vezes ele cai de repente e, como ele é mais pesado do que eu, ele me suspende o bastante pra que eu tire os pés do chão, mas não o suficiente pra que eu suba e ele caia. Seria engraçado se não fosse tenso.

Ele sobe agarragando somente um tipo de presa indicada por uma cor especifica. E, quando chega em cima, eu vou dando corda pra que ele desça vagarosamente. O problema, meus amigos, é que eu não sou assim, uma pessoa que fica à vontade com os pés longe do chão. Na primeira vez em que tentei escalar, fiquei feito uma macaca a sete metros de altura, petrificada la em cima. Pra descer, você tem que confiar na pessoa que estah la embaixo e simplesmente se jogar, enquanto ela te desce. Acredite, não é facil.

Na primeira vez, quando cheguei la em cima, toda feliz porque tinha conseguido controlar meu medo, ele disse:

- Vai, agora se joga!
- Errr... tah bom! (segurando a corda)
- Vai, Luci, se joga!
- Tah bom, tah bom! (segurando a parede)
- Luciiii! Vamos la, vai, eu tou aqui!
- Eh, porra, e eu tou aqui!

Aih, eu solto a corda e vejo que continuo no ar, esperando que ele me desça. Beleza.

- Luci, agora você tem que colocar suas pernas retas, senão, quando você descer, você vai ralar o joelhos na parede.

Olhe, eu ja tinha feito o esforço sobrehumano de soltar minha mãos da parede, mas deixar as pernas retas significaria ficar ainda mais longe dela. Por esse motivo, eu cheguei la embaixo com apenas metade de cada joelho, porque eu fui quicando de cima à baixo.

No final da sessão, eu tava incapaz de levantar meus braços acima dos ombros. A coisa é muito cansativa. Ainda bem! Se eu não morrer (de medo) daqui pra setembro (quando termina minha inscrição), eu espero estar slim. Nem que pra isso eu tenha que sacrificar meus joelhos.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A lingua francesa

Camilo sempre gostou de cozinhar, por isso, no começo do namoro era ele quem cozinhava - alias, é ele quem cozinha ainda hoje, hihi. Então, num desses almoços de comecinho de namoro, ele fez um frango com abacaxi que me faz lamber os beiços até hoje. Quando ele terminou seu almoço, ele levantou o prato e o lambeu de cima à baixo. Ao ver aquela cena, fiquei me perguntando estupefata se ele ainda tava com fome. Pensei em oferecer o resto do meu frango, mas me limitei a observa-lo lamber o prato. E lamber e lamber e lamber...

"Meu deus, começa assim, daqui a pouco ele vai ta peidando na minha cara", refleti. "Ah, mas vai ver que era soh porque o frango tava muito gosto", ponderei. E, não, não era soh por isso. Almoço apos almoço, Camilo tentava engolir o prato no final da refeição. Pensei que eu fosse realmente muito fresca, mas um dia, um dos caras que morava com ele passou pela cozinha e perguntou sorrindo "e ai, Camilo, vai comer o prato?" Quando percebi que não era somente eu que me chocava com aquilo, resolvi falar com ele.

Disse que achava esquisito que ele fizesse aquilo, que eu realmente não me sentia à vontade. Ele disse que era besteira, que ele tava na casa dele e que ele jamais faria isso em um restaurante, por exemplo. Fiquei meio chateada, mas ele diminuiu consideravelmente a pratica.

Um ano depois, cheguei na França. E depois de tantos jantares, posso dizer que eu teria perdido as contas se resolvesse enumerar a quantidade de vezes em vi o pessoal lambendo o prato (em casa). Até o pai de uma amiga, mês passado, no final do jantar, perguntou educadamente "posso lamber o prato?" Haha Geralmente o francês tem à mesa uma cestinha de pães fatiados. A finalidade é, além de ter o pão como acompanhamento, limpar o prato no final das refeições. Na falta do pão, para alguns, vai a lingua. Mas no começo do namoro, eu não sabia disso.

Obs 1. Longe de mim dizer que isso é regra aqui
Obs 2. Sim, eu ja lambi pratos na minha vida, mas geralmente eu tava sozinha e era sobremesa!
Obs 3. Hoje Camilo arrota, peida e vomita na minha frente: mudei um pouco minha concepção sobre o que é educado ou não e eu faço o mesmo

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E aproveitando que estamos falando de modos à mesa e comida...

Aqui é realmente dificil começar uma refeição na presença de alguém sem escutar "bon appétit!". Nessa viagem ao Brasil, me peguei surpresa por as pessoas não dizerem isso. E também se costuma agradecer àquele que preparou a refeição. Adoro o ritual da comida na França! Meus cinco quilos a mais podem falar por mim.

terça-feira, 23 de março de 2010

Especial Brasil: minha primeira tattoo

Sim, finalmente um post. E, provavelmente, o último em terras brasileiras, já que me restam menos de 48h por aqui e, se eu não escrevi muito durante essas sete semanas, é pouco provável que eu o faça nessas horas que me restam no Brasil.

Gostaria de dizer que os dias aqui foram de sol, céu e sal, mas só fui à praia três vezes, e somente pra beber cerveja e enterrar os pés na areia - na realidade, eu não vejo muita utilidade na praia além destas. Apesar disso, desconfio de que eu nunca achei as praias de João Pessoa tão bonitas! Rolou até lagriminha - mas nesse mundo onde as coisas foram criadas com o único propósito de me fazer chorar, o mérito da praia, nesse sentido, se perde.

Apesar dos dias terem sido bem parecidos uns com os outros, aproveitei pra fazer coisas que nunca tinha feito antes como, por exemplo, uma tattoo. Ouais! Já era desejo antigo, mas sempre adiei por dois motivos: falta de grana e falta de imagem. O primeiro problema foi resolvido com o câmbio euro-real. E a idéia da imagem pareceu tão fácil de resolver quanto.

Há uns meses (setembro de 2009?), Camilo me presenteou com um livro de um ilustrador francês, muito conhecido por lá, que se chama Sempé. Foi ele o responsável pelas ilustrações do Petit Nicolas (primeira imagem do post). O nome do livro se chama Simple question d'équilibre e retrata a relação dos franceses com a bicicleta. Nunca vi um povo pra gostar tanto de bicicleta. Basta dizer que, assim que cheguei em Lyon, Camilo me surpreendeu com uma. Confesso que duvidei da utilidade dela no início, mas hoje, eu não me imagino sem minha bicicletinha verde-cocô. Na dedicatória, uma frase simples, entre tantas: "pra você se reconciliar com a bicicleta". E assim foi. O livro é lindo. Sempé é absurdamente simples, mas cada traço percebido aumenta o sorriso.

Apesar de ter folheado o livro de trás pra frente, e de frente pra trás, me deparei com um casal sobre a bicicleta andando de forma linda, em plena harmonia (bem diferente de quando eu ando). Daí, achei que pudesse ser eu e Camilo. Daí, lembrei daquela vez em que eu o carreguei na bike depois de uma calourada bizarra na UFPB, começo de namoro, regados à Ypióca. Belo futuro teríamos pela frente. Eu tentando pedalar com aquele ser esparramado no guidão e ele falando merda e rindo. (segurem firme, vai ser brega, mas) Foi nesse dia em que ele disse que me amava - acho que eu o impressionei com minhas habilidades bicicletísticas. E depois, teve aquela vez em que eu caí: três dias no hospital. E também aquela vez em que ele caiu: véspera do nosso casamento, nariz esmagado. E depois, veio outro livrão de Sempé no Natal. E daí, quando vi, tinha uma tatuagem nas minhas costas.

A única forma que encontrei de nos mantermos
firmes em cima de uma bicicleta.



O responsável pela arte:
Jeison Peixoto - http://www.flickr.com/photos/jeisonpeixoto/

domingo, 24 de janeiro de 2010

#100

No ultimo fim de semana (16-17) fomos à Villard de Lans, uma pequena commune nas montanhas, perto de Lyon, para andar de raquete. Raquetes são essas pranchas da foto ao lado, utilizadas pra caminhadas na neve espessa, mas o nome vem mesmo das nossas raquetes de tênis que foram adaptadas pra andar na neve (e, felizmente, remodeladas).

A primeira vez que fiz raquetes (andei, fiz, pratiquei?) foi no inverno passado, numa caminhada de poucas horas, com dois colocs nossos e, pelo que lembro, foi bonito, mas não totalmente agradavel. Apesar do sol, o frio era infernal. Alias, glacial, e eu não via a hora de voltar pra minha cama quente. Mas nesse ultimo fim de semana, não havia sol e não havia raquete!, porque a neve ja tava muito compactada em boa parte do trajeto. E outra diferença é que, dessa vez, iriamos dormir em um abrigo que ficava no topo da montanha.

Apesar da faxina-nossa-de-cada-dia, eu não sou o que se possa chamar de uma pessoa em forma. Desde que cheguei na França, engordei mais de três quilos e me sinto pesada o suficiente pra levar, morro acima, uma grande mochila e eu. Eu parecia uma lesma se arrastando e soh estava moralmente confiante porque Diana parecia, pela reclamações, mais cansada do que eu. Quando finalmente chegamos no abrigo, uma hora e meia depois da partida, encontramos um casal que estava de passagem e que disse que havia lobos de noite por la e, que se a gente fosse fazer xixi, que tomasse cuidado. Eu fiquei desconfiada, porque ele disse que também havia o Pé Grande, então, eu não sabia muito bem no que acreditar.

O abrigo era um espaço de 4x5m, com uma pequena lareira e uma enorme beliche de madeira. Um verdadeiro palacio. Acendemos o fogo, mas ele não era forte o suficiente nem pra esquentar, nem pra iluminar. Calculamos que fora do abrigo devia fazer -5° e, dentro, 2°. A fumaça não demorou em tomar conta de todo ambiente. Acendemos algumas velas que encontramos por la pra conseguir enxergar alguma coisa sobre a mesa. Do momento em que chegamos (15h), até o momento em que fomos nos deitar (21h), soh fizemos comer. Comer e comer e comer, afinal, não havia muito a se fazer no escuro.

La pelas 3h da manhã, num sono embalado pela fumaça e pelo frio, despertei com uma louca vontade de fazer xixi. Posso garantir que não é facil segurar o xixi quando seus pés estão gelados e ha neve por todo lado. Mas eu fiz o que pude pra retardar meu encontro com o Pé Grande. Aguentei dois minutos.

- Lindooooô... Lindo, acorda...
- [Grunido]
- Tu quer fazer xixi?
- Não.
- :(
- Mas eu posso te acompanhar...
- :D

Isso é que é amigo! Saimos do abrigo, olhei pros lados e tirei a três calças numa velocidade incrivel. Mal minha bunda sentiu o frio, eu ja tinha terminado o xixi. Tudo o que eu não queria era encontrar um lobo com as calças arriadas (sem trocadilhos). Ao voltar pro meu saco de dormir, passei duas horas pra voltar a "dormir". O ronco de Diana foi a trilha sonora da noite.

Acordamos, comemos mais um pouco e dai veio a vontade de fazer cocô. Por que sera que meu corpo não entendeu que eu tava numa situação completamente desfavoravel à resolução de minhas atividades fisiologicas? Dessa vez, eu não quis a ajuda de Camilo. Procurei o lugar mais afastado do abrigo e, enfrentando a neve que chegava ao joelho, deixei um presente pros lobos. Antes, escutei uma historia de Diana que disse que, uma vez, um amigo foi pras montanhas e teve vontade de fazer cocô. Dai ele subiu um pouco a montanha, fez cocô, e qual foi sua surpresa quando viu, ao chegar embaixo, que seu cocô tinha descido a montanha, deslizando pela neve, junto com ele. O detalhe é que toda a turma que estava com ele viu isso. Cruzes. Pior que historia de lobo.

Bom, o resto do domingo se passou tranquilo. Descemos a montanha por outro caminho, tomamos um chocolate quente na cidade e depois voltamos pra casa. Apesar do frio, da cama dura, da fumaça, do Pé Grande, do cansaço, do lobo, do ronco, do xixi e do cocô, foi um fim de semana muito legal!

Camilo e seus 82kg afundando na neve


Essa foto é pra vocês terem idéia do quanto era potente nossa lareira. Se Sonia precisou colocar seus pés DENTRO da lareira, imaginem o poder desta em esquentar o resto do recinto...


Diana e eu no caminho de volta


Cachoeira congelada

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A culpa é do sistema, mano

Nas terças, eu trabalho na casa de mme Goujat. Nas quintas, na casa de mme Forfait. O que essas mulheres tem em comum, alem das suas faxineiras, é que elas acabaram de ter filhos. Goujat teve gêmeas, suas primeiras filhas. Forfait, teve seu terceiro filho (os outros dois tem quatro e dois anos apenas).

Como tou ha quase três meses trabalhando semanalmente na casa delas, é impossivel que o modo de vida de cada uma nao me provoque uma reflexao sobre o fato de ser mae. De ser mae e mulher. De ser mae, mulher e casada. De ser mae, mulher, casada e dona de casa. Tudo ao mesmo tempo e em tempo integral.

Mme Forfait conversa com seus dois pequenos como se eles fossem adultos. Eu gosto muito dela, gostei desde o primeiro dia. Acho que ela tem uma cabeça aberta, é total relax e conversa comigo sem me julgar, sem fazer caras e bocas. Na ultima faxina, o bebê dela chorou muito, mamou e dormiu. E dormiu justamente no quarto em que eu deveria fazer faxina com o aspirador. Timidamente, perguntei à mae se eu poderia ligar mesmo assim o trambolho. Ela disse sem pestanejar: "sim, ele tem que se acostumar". Detalhe, o pirralho tem um mês de vida. Quando liguei o troço, o guri deu um pulo no berço tamanho foi o susto, coitado! Quando ela tem que sair de casa, nao conta historia: mesmo com o inverno chegando, ela mete o recem-nascido na bolsa-canguru (sei la como se chama aquela porra) e vai embora com ele. A casa, pro meu desespero, é repleta de brinquedo, de lapis, de papel colorido, quebra-cabeça, bola, casinha. Tem até uma pia e um aspirador de po de brinquedo. Acho o maximo ela nao se limitar aos "brinquedos de homem". Ah, e nenhuma televisao à vista!

Mme Goujat é o extremo oposto. A palavra que define bem ela é "neurotica". Creio fortemente que o nome dela deveria estar como sinônimo pra esse adjetivo no dicionario. Ela tem uma risada nervosa e mania de limpeza. Quando tava gravida, passava o dia todo feito um parasita dentro de casa. A ordem é a de sempre: mulher embucha, marido trabalha. Agora que ela pariu, esta pior: ela nao sai de casa de forma alguma. Eu vou ao correio pra ela, vou à lavanderia, vou pegar as suas cartas "porque os bebês nao podem sair! Elas nao podem sair! A gripe! O frio! O inverno, Luciana!" E agora a coitada tah com uma cara cada vez mais de louca. Quando as bebês choram ao mesmo tempo, eu a vejo correr pra todo lado e dizer "que maratona!". Ela me mandou, excepcionalmente, na ultima faxina, passar as camisas do marido porque "nao aguento mais! Ja disse ao meu marido que ele nao vai usar camisa de botao no fim de semana!" Eh, minha senhora, coloque o seu marido pra passar as camisas dele e ele vai entender que seria melhor evitar as camisas dificeis de se passar.

E, na ultima faxina, mme Louca me perguntou se eu conhecia alguém que tem bebê. Pensei em mme Forfait e disse que sim. Entao, ela veio a mim com uma sacola repleta de roupas e brinquedos pra bebês e disse: "ta tudo novo, tou dando porque as coisas sao laranja e o tema do quarto das meninas é rosa" (ui). E os brinquedos? "Ah, eles fazem barulho e criança nao gosta de brinquedo que faz barulho" (ai).

Comentario 1: que feio! Se desfazer de presentes alheios!
Comentario 2: vocês também acham que se as filhas dela usassem a cor laranja elas iriam provocar o fim do mundo?
Comentario 3: ao oito de dezembro de 2009 foi decretado: criança nao gosta de brinquedo que faz barulho.

Sinceramente, até agora, o estilo de educaçao que eu venho apreciando é o pânico do aspirador. Depois de me dizer que criança nao gosta de brinquedo que parece brinquedo, Goujat me mostrou uma casinha feita de feltro, totalmente bizarra e sem graça e disse que era aquilo que era legal. Espero que ela nao seja o tipo da mae que da roupa de presente no Natal. Cruzes. E quanto ao marido, o Y da questao, eu ainda tou preferindo o meu.

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E por falar em maternidade, divulgo aqui o Terceiro Concurso de Blogueiras. Otima oportunidade pra conhecer novos blogs. No meu caso, foi uma otima oportunidade pra repensar se eu quero mesmo ter filhos...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Meu quartinho

Não sei, talvez vocês não entendam. Pode ser um pouco complicado. Mas eu, por exemplo, me impressionei quando Camilo perguntou qual era o Beatle que havia morrido. Ou sera que ele apontou pra John e perguntou quem era esse? Enfim... Eu sei que eu sou uma pessoa extremamente dramatica e tudo que eu descrevo é pessimo ou otimo, é maravilhoso ou é terrivel. E, ou eu choro, ou eu tou rindo abestalhadamente. Mas eu não poderia descrever minha relação com os Beatles de maneira branda. Eu tou à anos-luz de ser uma super fã dos Beatles. Anos-luz. Mas o problema é que eu sou completamente apaixonada por eles. Completamente.

Faz somente uma década que comecei a emprestar meus ouvidos a eles e, até hoje, apesar do esforço, nunca encontrei um album como a força hipnotizadora do Abbey Road. Centenas de vezes ouvindo e centenas de vezes enlouquecendo. A verdade é que ha muito tempo eles despertam minha curiosidade. Quando eu era bem guria, ia na despensa de casa pra revirar os baus velhos dos meus pais e meu pai tinha um album de figurinha (dos anos 70) de temas variados e, em meio à dinossauros, jogadores de futebol e comidas tipicas do Brasil, havia uma pagina dedicada aos Beatles. Faltava John Lennon. A coisa se desenrolou nos anos seguidos, de tal modo, que me flagrei varias vezes chorando ridiculamente depois de examinar uma sequência de fotos dos Beatles, desconsolada por ter nascido tarde e longe demais.

Seja como for, foi depositado no meu colo a oportunidade de ver 1/4 do meu sonho. A possibilidade era real: Paul Mccartney iria tocar no dia 10 de dezembro, as 20h, na capital francesa. Tudo que eu precisaria fazer era estar as 10h do dia 06 de novembro na frente do computador com um cartão de crédito na mão. O meu medo de não conseguir comprar o ingresso era real: eu sabia que Paul Mccartney estava no Guinness pela vendagem de ingressos mais rapida, mas não sabia que o recorde era esse. E meu medo se mostrou razoavel quando eu soube que os ingressos se esgotaram antes das 11h. Bom, recorde é com ele mesmo.

Camilo tentou me manter calma durante os dias que antecederam a venda e foi bastante firme quando disse "você vai pra esse show, tenha calma". Isso evitou que eu tivesse um derrame. Mas la estah de novo minha negatividade preocupada com o horario do trem pra Paris (a gente parte de Lyon três horas antes do show), com medo das greves doidas que acontecem aqui nos transportes. Com medo de uma queda de bicicleta, de uma ida ao hospital, com medo de mau olhado, com medo de que o homem, nos seus 67 anos, morra. Com medo. Com medo, mas ABSURDAMENTE FELIZ!

*agradecimentos especiais à Aline (que também vai ao show, uh ruh!) que foi quem me avisou do show e suportou meus emails aflitos. E ao meu amado, salve salve, que foi quem comprou os ingressos. Ele confessou que suou nao na frente do computador. "Se eu perder esses ingressos, Luci me mata". Matava. Agora Luci é soh beijinho e ansiedade. De qualquer forma, obrigada!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Deixa que digam, que pensem, que falem...

Uma vez, um conhecido de João Pessoa me perguntou, abismado, o porquê de eu ter um blog onde eu expunha toda minha vida (ele falava do Circo sem Futuro ainda). Eu não soube responder. João Pessoa é uma cidade ridiculamente pequena, mas eu sempre me surpreendia quando eu ficava sabendo que alguém, que eu jamais falei na minha vida, lia meu blog sempre. Tem uma fofoqueira em João Pessoa que espalhava historias alheias, falsas ou verdadeiras, aos quatros ventos. A Fofoqueira chegou uma vez a dizer que eu pegava Camilo e meu ex (nunca soube se ela quis dizer que os três faziam suruba ou se eu "somente" traia Camilo com o ex, mas... pouco importa) e que me conhecia. "Ah, conheço demais, eu leio o blog dela". Eu nunca disse um oi à figura, mas ela me conhece: ela lê meu blog.

São pessoas como essa que me mostram que eu não devo me importar com o que eu penso, falo ou escrevo. Porque, primeiro: a divulgação do que eu falo e escrevo não sera feita à semelhança do que eu disse. Segundo, serão espalhadas coisas que eu nunca disse, que eu sequer fiz, independente da minha escolha, dos meus registros. Então, do que adianta ficar se preocupando? Eh obvio que se eu escrevo, eu dou material pra fofoca, mas o pior que pode acontecer é as pessoas falarem sobre minha vida.

Bom, uma vez eu escrevi no Circo que a chefe do meu estagio era assustadora e que tinha olhos de tubarão (entre outros). Meses depois, enquanto eu trabalhava, vi, em tempo real, ela lendo meu blog. Pelo contador, soube depois que a maldita tinha procurado o proprio nome no Google e encontrado meu blog (o nome dela é tão bizarro que ela soh precisou digitar o nome). Eu fiquei gelada, mas não aconteceu absolutamente nada.

Eu sempre gostei de escrever, mas o Blog em si é uma espécie de terapia onde eu, bizarramente, me liberto, graças aos olhos de desconhecidos, dos problemas que me afligem. Eu escrevo cartas, emails, mas eu sinto que preciso falar aqui. Quando acontece alguma coisa no meu dia, mesmo que ela não seja especial, é muito normal que eu pense em relatar no blog. E, atualmente, duas coisas fazem com que eu me sinta mais ansiosa por escrever: a solidão e as descobertas francesas.

Esse post inteirinho, na realidade, não pretendia tratar de fofoca ou do alcance dela. Tinha a unica intenção de dizer que é provavel que eu escreva posts sem sentido daqui pra frente. "Sem sentido", no meu dicionario, é "sem um objetivo especifico". As vezes eu sinto somente vontade de dizer como eu me sinto, das sensações que o mundo me provoca e não quero me privar disso, ainda mais aqui, no meu espaço. Bom, acho que esse post é um começo de qualquer coisa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu nunca digo nunca?

Ao andar pelos arquivos do supremo blog Sindrome de Estocolmo, achei esse post e fiquei super empolgada pra fazer igual. Eh a segunda vez que vejo esse tipo de lista em que você diz quais são as coisas que você nunca vai fazer antes de morrer. Eu sou completamente viciada em questionarios ou listas desse tipo. Mesmo que seja uma ficha médica com meus dados pessoais a ser preenchida pra dar entrada no hospital, tah valendo! Se Camilo me visse escrevendo esse post, ele iria rir. Eu odeio e adoro coisas com grande convicção. O problema é que minhas grandes convicções duram trinta segundos.

- ODEIO cebola.
- Prova essa aqui.
- Não!
- Soh um pouco...
- (nhac)
- E ai?
- ADOREI! Meu deus, eu adoro cebola! :D

Tipo isso. Portanto, que fique bem claro que essa é a lista do 13 de outubro de 2009. Então, vamos à mais uma inutilidade publica:

O que eu acho que não vou fazer antes de morrer:

- deixar de ser dramatica;
- parar de gostar de escrever (em blogs ou diarios ou emails ou cartas);
- deixar a Historia de lado;
- parar de ser chorona;
- gostar de comédia romântica;
- abrandar a vontade de ser mãe;
- ser paciente;
- parar de roer unha;
- ter orgulho da minha irmã;
- deixar de me emocionar ao pensar em Camilo;
- ficar tranquila diante de um exemplo de machismo;
- fazer bronzeamento artificial;
- deixar de beber cerveja;
- ir aos EUA à turismo;
- ouvir Zeca Baleiro;
- entender Drummond;
- gostar de biscoito recheado de morango;
- deixar de comer chocolate;
- poupar palavrões, seja qual for o motivo;
- não ter medo de espirito;
- deixar de me questionar sobre minha auto-estima;
- deixar de amar Fabio;
- ser fresca;
- parar de achar que os Beatles são os melhores e sempre serão;
- gostar de flores;
- achar que religião e Estado combinam;
- confundir cavalheirismo brega com educação;
- deixar de falar de sexo escancaradamente;
- gostar mais das amizades femininas que das masculinas;
- usar aliança;
- deixar de odiar e adorar coisas com grande convicção;

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Felicidade tem forma e nome de homem

Quando é ruim, eu escrevo. Quando é bom, também. E, apesar de eu sempre estar te falando e fazendo coisas pra que tu entenda que eu gosto de tu, desconfio seriamente que a gente não deva ser o casal mais bonito da face da terra, e que talvez estejamos longe de ser o que mais se ama. A sorte é que eu não tenho ambição de fazer parte do casal mais bonito da face da terra e não me importo também que não sejamos eleitos os namorados que mais se amam. Porque, no final das contas, tu cuida tanto de mim que minha felicidade às vezes passa da conta e eu costumo, como agora, chorar so de pensar o que seria da minha vida sem tu. Entro em pânico quando penso que um dia tu não vai mais existir. Mas tu ri dessas minhas preocupações e eu acabo rindo junto. E fico assim, tristemente feliz do teu lado. "Quanto mais se ama mais fraco se é". E se por inveja ou por preocupação dizem que é feio ou perigoso precisar tanto assim de um homem, ignoro. Tudo o que tu me provoca é orgulho, é amor, é felicidade. Felicidade daquela boa, carimbada pelos santos e aprovada pelos céus.

Sabe, e aqui entre nos, o que faz com que eu saiba que eu te amo, não são essas coisas. Eh que, misteriosamente, toda vez que eu penso tu, meus olhos se fecham devagar... Eh massa, gordo!

O mundo pega fogo. Enquanto isso...

terça-feira, 7 de julho de 2009

"Apesar de você"

Como eu estou completamente fudida no prazo de entrega dessa infindavel monografia e não ando com tempo nem de me coçar, vou enrolar descaradamente vocês, meus queridos leitores, com um post feito em um oooutro blog que mantenho oculto.

O tema é o meu preferido: Camilo. O contexto: Luci depois do fim de um namoro longo resolve sair no sabado. Afinal, sabado à noite tudo pode mudar. Ou não?

Eh um. Eh dois. Eh um, dois, três e...

Como foi? Foi assim... Anh? Certo, em detalhes. Pra você se lembrar no futuro exatamente como foi, Luci. Caso a tua fraca memória resolva, você sabe... te abandonar de vez. Ela tem ameaçado, não?

A horrível sexta-feira 13 tinha passado. Eu queria morrer e os meus pensamentos insistiam nisso. É noite. Eu enxugo as lágrimas e começo a me arrumar - depois de uns amigos terem me adotado. Me sinto como uma personagem gorda, feia e loser de um filme americano e recomeço o choro. Olho pra roupa e choro, olho pro rosto e choro, sento na cama e choro, enxugo as lágrimas e saio.

Lá, sento numa mesa com Toni. Ansiosa e estranha, converso. Eliza já vem e trará dois amigos: Osvaldo e Camila. Quando chegam, descubro que Camila é homem e que é aquele francês, aquele que Monique tanto falava, do Hospitality Club... Sei sei. Porra de francês!

Eu bebo, falo, rio e faço rir. Conversamos a noite inteira. Camilo me observa mudo, com um sorrisinho indecifrável. Eu amuo. Ele vai conversar com o que parece ser uma nova amiga. Ele chupa o que parece ser a língua dela. Oh... Eu amuo. Nem sei porque. Acho que é o costume...

- Quer dormir lá em casa?
- Quero...

Em 20 minutos estamos na casa de Eliza. O francês, que estava se hospedando na casa dela, chegaria mais tarde. A noite deve ter sido boa. Mas eu não pensei sobre, eu estava egoistamente infeliz naquela noite pra perceber isso.

Acordei ainda mais feia, mas menos triste. Procuro e acho Eliza na cozinha. E, ao me voltar, me deparo com o francês que começa a ter nome. "Oi, Camilo". E me impressiono com minha impressão sobre ele. Esse menino fica mais bonito de manhã! Interessante...

O constrangimento confina a nós dois naquela minúscula sala, mas só eu percebo isso. Procuro um CD mágico que possa quebrar o clima e acho um de Django. (...) Django é como uma vida nova dentro de mim, mesmo quando eu estou menstruadíssima. Django é não sentir a menor vergonha dessa minha última frase. Django me leva à vida que eu queria ter. E aquele Django, oh, meu deus, era do fr... Camilo. Ponto pra ele!

Eu sento no sofá verde, ele senta na mesinha azul, assim, desavergonhadamente de frente pra mim. Eu costumo me surpreender quando percebo que há pessoas que simplesmente não se importam. Eu falo de timidez. Elas não são! É estranho... Porque pra mim parece óbvio, mas... deixa pra lá.

De alguma forma ele já estava tentando me convencer de que estávamos no fim do bairro, quando eu nunca havia dado importância a isso. Ele pega o mapa e senta do meu lado. Eu suo levemente. Ah, eu também disse que, quando o inverno chegasse... "Mas é inverno". Ah, claro, eu sei. É verdade. Meu nervosismo fazia as estações mudarem. Fantástico!

E ali ficamos. Ele, com aquele sotaque inspirador de masturbações, e eu, com aquela angústia que paria lágrimas. Antes do almoço, Eliza comenta em particular que notou tudo, hein! No sofá, sua safada! E eu rio mais de nervoso do que de vergonha. E acho engraçado como um comentário poderia exercer tanto poder sobre mim, porque, a partir dali, tive certeza de que queria aquele maldito menino. E adivinha só!

Tá bom, pode ir fazer xixi (...)

A tarde era o tempo reservado para uma reunião entre amigos universitários que iriam discutir... assuntos universitários. Fomos todos juntos e felizes à casa de um tal de Bigode. Juntos e felizes começamos uma bebedeira que terminou em três mortos e uma ferida. A minha, no caso. No meio da noite, a amiga de língua grande que mostrou a Camilo no outro dia o quanto somos hospitaleiros, o chamou pra outro lugar e, como bom cavalheiro, ele foi. Filho da puta.

Horas entediantes se passaram até a hora de voltar pra casa (de Eliza). Encontramos o francês de cueca no meio da casa se preparando pra dormir. Era quase meia-noite, mas ainda jogamos uma partidinha chata de cartas. Eliza vai dormir, um amigo que viera praquela noite, também. Eu decido fumar um cigarro no sofá verde, sabendo que aquela era a chance de ver um possível interesse de Camilo em... fumar.

Fumamos. E conversamos sobre nossos cachorros e sobre a política educacional do Brasil. Que chatice. E chegamos a uma hora da manhã. E depois passamos das duas. E fumávamos e conversávamos, mas às três horas o sono queria ser mais forte.

Camilo encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos. Não! Eu fui encostando minha cabeça, mas tirei e... voltei a tentar encostar, mas... tirei e, mesmo com a garganta querendo expulsar o coração, eu consegui encostar a minha cabeça no ombro dele. E experimentei os séculos silenciosos que se passaram naqueles segundos e, mesmo sabendo que o estômago era frágil, acariciei o braço dele. E já não sabia o que fazer, quando ele se voltou pra mim decidido e... adivinha só! No domingo fazemos oito meses de namoro. Com direito a planos pro futuro e tudo mais. Tá bonito.

Não imaginava onde iriam dar esses "planos pro futuro". Mas agora, atualizando: em dez dias, dois anos. So não continua bonito... agora é lindo! Lindo!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Happy hour!

Nesses dois anos em que estou com Camilo, foi impossível ter um dia agradável nos nossos aniversários. Principalmente nos MEUS aniversários. No meu aniversário de 2008, a gente brigou no dia 27, não se viu na minha festa, no dia 28, e ele acabou o namoro no dia 29. Palmas pra gente. No aniversário de 2009, eu fiquei hospitalizada parte do dia e ainda tivemos tempo de ter um atrito por conta de uma besteira, que foi tão besteira!, que nem ficou na memória. De qualquer forma, lá estávamos nós, dispostos a fazer com o que o último dia 28 fosse lembrado por qualquer outra coisa que não tivesse cheiro de éter.

Quando queríamos comemorar algo em João Pessoa, sabíamos aonde ir: Dona Branca. E sabíamos a hora de ir: no happy hour! hohoho Mas aqui na França nem o happy hour é feliz. Custa caro comer fora. No entanto, Camilo foi apresentado à pizzaria do careca: pizza a cinco euros, um verdadeiro achado!

Chegando lá, depois do pedido, Camilo tirou da bolsa um par de ingressos praquele que vai ser um dos melhores shows da minha, até então, curta vida: show de The Puppini Sisters!

Show de quem?!

Puppini Sisters!



Esse não é o estilo em que qualquer um dá conta do recado. Não. E essas três se garantem. Tive uma crise de abestalhamento na hora e segurei as lágrimas, porque nunca imaginei que um dia fosse ver o show delas! O curioso é que no ingresso o nome delas aparece depois de outras duas bandas, numa fonte pequena, porque elas são a coisa menos importante da noite. Oh! As outras duas atrações são bandas francesas que eu não conhecia e Camilo disse que são muito boas.

Caravan Palace é nada mais, nada menos, do que jazz manouche. Mais um motivo para ter orgamos múltiplos na hora do show. Quando Camilo me mostrou uma música da banda, eu morri de rir, porque era a banda que eu estava ouvindo no hospital, mas não sabia o nome. Perfeito! Aqui vai uma musiquinha:



A outra banda se chama Java, é acordeon com hip hop. Não dá pra imaginar como seja, ainda não a ouvi, mas ele disse que essas duas últimas bandas estão em todos os festivais franceses.

Que bom, então! No final das contas, eu tive um aniversário decente. Ah, e ainda ganhei meu lindo chip de celular! Lindinho disse que esse era o primeiro passo pra minha nova vida na França, e é mesmo. Agora tenho um número de celular. Ok, não tenho ainda quem possa me ligar hehehe Pior, não tenho ainda alguém que eu possa ligar, mas uma coisa de cada vez. É ou não é, ou não é? É!

O show vai rolar no dia 28... de julho! Paciência não é meu forte, mas... Quem se importa? Posso seguir o conselho de Priscila e fingir que meu aniversário é em outro dia.

Ah! E tem mais! O show vai ser nessa beleza aqui:


História e música! Nada mal, hein...

Para mais: Nuit de Fourviere

sábado, 2 de maio de 2009

Bubamara

Quarta descoberta: casar é bom (mas há que se levar em conta que...)

No dia seguinte houve aquela comoção na casa, todos queriam saber se o "noivo" estava vivo. O interessante é que ele nem teve ressaca e já acordou lindo. Olhou o sol, que não aparecia há dias e disse "olha, amor, eu encomendei o sol pra tu!" e eu me desfiz num sorriso. Hihihi

Bateram a porta e já entraram rindo. Preparamos o almoço, pegamos nossa bicicleta e fomos à prefeitura. Casar. Os amigos de Camilo foram chegando. Meus amigos, só na lembrança. Todos nos seus lugares. Daí, uma mulher muito loira e muito vesga começou a falar. Ela tinha uma faixa com as cores da França. Que legal! E a tradutora era portuguesa. Até aí, só motivo pra rir.

- Lucciana Milená Aqüino
- do jeito que minha mãe quis que fosse pronunciado...
- ...aceita se casar com Camilô Errrnestô Martí Salguerro?
- Sim.

Mas antes falaram de amor. E de filhos. E de futuro. E aquilo tudo foi me tomando, me fazendo ficar pensantiva. Eu ia casar, aquilo era sério. Apesar da mulher vesga.

Quando tudo terminou, ficamos conversando besteira por ali e os amigos de Camilo foram pra entrada. Ao sair da prefeitura, uma chuva de arroz e um batalhão de bolhas de sabão tomaram o ar e dançaram a música que começou a sair do violão. As pessoas gritaram e aplaudiram e gritaram mais. E então começaram a cantarolar o refrão de Bubamara. Não conhecia a música, mas aquele coro me fez chorar. Eu queria bater em todas aquelas pessoas, foi lindo.

Como temos convivido diariamente desde a primeira semana de namoro, aquelas descobertas infelizes já foram descobertas. E aceitas. Não sei, não sei até quando a gente vai dormir de mãos dadas, nem até quando vai tentar resolver as brigas em menos de três minutos, mas eu tenho certeza de que não vai durar depois de terminar.

Casar é bom, mas há que se levar em conta que o marido é Camilo! :D

Abor


Terceira descoberta: despedida de solteiro é ruim

Repito como uma reza que tenho (tinha) dois bons motivos para não casar: meu pai e minha mãe. Quem cresce numa casa tendo como referência um casal que, definitivamente, não deu certo, não espera nada de uma troca de alianças. E "não dar certo" pra mim não significa divórcio. Significa somente continuar junto diante do caixão do matrimônio. O caso dos meus pais. No entanto, como a vida é safadjinha, ela me colocou diante de uma situação inusitada. Ou muda o estado civil, minha filha, ou passa o resto da vida repetindo "e se..." com um filete de baba caindo no canto da boca. Aprontamos os papéis, mas combinamos que nunca nos trataríamos por "marido" e "mulher", que não haveria troca de aliança e nem contração do sobrenome dele. Piada. E assim, fomos.

Na véspera, o pobre "noivo" teve uma despedida de solteiro. Ia tudo nos conformes: bebida, amigos, comida (eu sei no que vocês estão pensando), amigos, bebida, amigos, amigos e bebida. Ah, e também tinha bebida. Quando terminou a minha festa de despedida que teve tapioca, samba, mulher, mulher, mulher (eu sei no que vocês estão pensando), música e, laaaaaaá no final, bebida, duas convidadas me chamaram pra encontrarmos nossos respectivos em um bar em que estavam. Aceitei.

Fomos de bicicleta, atravessamos os bairros e, por fim, chegamos a um antro, quer dizer, a um bar, que devia ter o triplo da capacidade de pessoas. Encontrei meu futuro esposo ensopado de álcool, com a língua enrolada e com os olhos ligeiramente trocados. "Amor, tu tá aqui!" e veio tropeçando na minha direção. Sustentei desde o princípio! e o levei pra fora. Ele tinha que tomar ar e eu tinha que encher os pulmões de fumaça.

- Abor, eu te amo!
- Eu sei...
- É sério, abor... abooorr! Eu só quero tu... (cuspindo)
- É, meu lindo?
- É!
- Eu sei...

Eu já sabia. Sabia também que eu deveria aproveitar aquelas frases porque ele não costuma dizê-las. Sabia também que ele não lembraria de nada no dia seguinte. E sabia, mais que tudo, que ele me abava e que só queria a mim.

Não ficamos muito tempo, eu sentia, pelo peso da língua dele (durante a fala), que ele não ia durar muito e aqueles 80kg seriam levados no meu lombo. Não imaginava que eu tinha acertado tanto na suposição. Fomos procurar as bicicletas. Questão de matemática: quatro indivíduos, três bicicletas. Disposição um: eu em uma, o australiano morgado não antes citado em outra e Pierre levando Camilo no guidão. Não, não no quadro, como defende o bom e velho sistema brasileiro. Estávamos na França, o sistema era francês: o passageiro ia no guidão, de frente, com as costas repousando no peito do ciclista e as perninhas balançando. É, é meio sexual. Mas enfim, o que importa é que eles não conseguiram andar nem 30cm e caíram juntos por cima de um arbusto. Eu fiz aquela cara "¬¬" e fui acudir. Segunda tentativa: eu numa bicicleta, Camilo na segunda e o australiano morgado sendo levado por Pierre na terceira.

Começamos a pedalar. Camilo ia na minha frente e eu o seguia gritando "esquerda! esquerda, esquerda, menino! agora direita! direita! direita! isso, continue". Saímos da rua esquisita, entramos na rua movimentada, atravessamos a avenida e eu pedi pra ele parar. Ele parou, parou até demais. Parou tanto que desmaiou, sei lá o que foi aquilo. Só sei que ele foi caindo, caindo e meteu a testa no chão e por lá mesmo ficou. Eu tentava levantá-lo, mas não conseguia. Quando finalmente tive sucesso, o vi levantar a cabeça e um fio de sangue escorria da boca dele e tocava a calçada. Carros e pessoa paravam e começavam a falar em francês: "bonjour? a bientôt? salut?" e eu sem entender porra nenhuma xingava em português e me desesperava como boa Luci que sou. "Fudeu, fudeu!"

Finalmente a figura levanta e começa a choramingar. Minutos depois, quando já estávamos andando, Pierre chega bêbado e preocupado. "Oh, putain!". Putain o caralho, porra, me ajuda aqui! Camilo não se sustentava em pé e não estava sendo fácil carregá-lo e equilibrar duas bicicletas ao mesmo tempo. Voltamos a pé pra casa. Vale dizer que foi uma longa caminhada de 45min com direito a neve, embalada pelo choro de Camilo que saía a cada 10min.

Na metade do caminho, a terceira queda: Pierre cai por cima de Camilo e este começa a chorar de novo. Tanto agora, como na hora, eu comecei a rir, que noite ridícula! Na calçada de casa, mais choro. Deixei as bicicletas no prédio e voltei correndo pra ajudar Pierre com Camilo. Pierre disse "dê um beijo nela" e ele me deu um beijo babado e lindo.

- Abor, foda-se!
- Humm...
- Foda-se o mundo!
- Ah... sim, o mundo. Foda-se o mundo!
- Foda-se!

Ele repetiu isso até entrar no elevador. Quando foi sair, a porta do elevador fechou com os dedinhos dele presos na entrada. Pelas marcas roxas instantâneas que ficaram nas unhas, suponho que ali deveria ter uns 50kg de pressão. Mas eu não tenho noção de distância, profundidade ou tempo, então, me ignorem. Ele soltou aquele grito mudo. Segurou os dedos e abriu o bocão. Eu arregalei os olhos vendo tanto sofrimento, mas não podia fazer nada, aquele era o dia dele.

O carregamos pra cama e tiramos a roupa dele. Quando nos demos conta da situação toda, caímos na gargalhada. Lá estava Camilo: semi-desmaiado, nariz esmagado, lábios abertos e dedos espremidos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Mil facas

Primeira descoberta: o frio é frio.

Quando desci do avião em Lisboa, era de madrugada e todas as pessoas inteligente E prevenidas encontravam-se perfeitamente agasalhadas. Eu fingi algo parecido. Mesmo estando com duas blusas de manga comprida e uma calça jeans, não cruzei os braços e, dignamente, senti meus ovários congelarem enquanto uma "fumacinha" esquisita saía pelas minhas fuças. Ao chegar em Lyon, qual foi minha surpresa ao lembrar do filme Titanic. É, Jack, Rose, come back, come back... aquele mermo. Quando a mulé vai se matar, o desocupado adianta à moça que cair naquelas águas congelantes seria como ter o corpo espetado por mil agulhas. Ou eram mil facas? Ou era a puta que pariu? Não me lembro, só sei que, no meu caso, todas as coisas que tem o poder de cortar, perfurar e rasgar a pele humana pareciam estar dançando no meu rosto descoberto. "Ah, então, isso é frio..."

Cheguei ao apartamento. Os dias foram se passando e todas as pessoas que Camilo me apresentou eram supreendemente legais. E agora vamos para a

Segunda descoberta: os franceses são pessoas legais.

Claro que eu não cumprimentei todos os franceses da nação, mas aqueles que me dirigiram a atenção sempre foram muito gentis. E olhe que eu não estou me referindo somente aos amigos de Camilo. As atendentes do metrô, os garis, a mulher que vendia o pão, o cara que nos explicou como chegar na estação etc. Não vou comparar o mau humor daqui com o de lá, afinal, nesses 24 anos morando no Brasil, eu já tive vontade de matar muita gente, mas numa análise rápida, sim, os franceses têm uma má fama infundada. Ah, claro, se você espera que na fila do banco alguém vá puxar assunto com você ou mesmo continuar aquela reclamação lançada no ar para ninguém, esqueça. Franceses não abraçam com emoção, não tocam em você enquanto falam e não abrem a boca além do necessário. Ou seja, é o paraíso! (Espero continuar achando isso quando bater a carência afetiva).

Talvez

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