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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Para sua saude, quatro frutas diarias


oi

Seria cu doce mentira dizer que eu passei um ano sem postar porque estava sem tempo. Gente, eu trabalho 12h por semana! (Beijos, capitalismo). O que me falta é vergonha na cara mesmo. Mas eis uma boa razao pra voltar à ativa: um post comemorativo pros meus seis anos na França. Com certeza, esses foram os anos mais intensos da minha vida, algumas das melhores e piores coisas que vivi aconteceram no decorrer deles. E que bom! Mas o que fica no coraçao (e que vai pro blog) é a cachorrada do quotidiano. Salve!

Final de semana passado, tava rolando o Nuits Sonores, um famoso festival de musica eletrônica de Lyon. Pra comprar o ingresso, você precisa vender seu irmao caçula. E se sua mae reclamar, venda a mae também, porque o festival dura quatro dias. Claro que eu nao fui nos shows mais caros (lembram que eu trabalho 12h por semana?). Mas os pobres também foram agraciados com noites mais baratas. Eu, por exemplo, comprei um passe de três reau e outro de dez. Pra mesma noite.

O objetivo era começar a noite bebendo uma cerveja de leve na casa dos amigos, ir pro primeiro show e, antes da meia-noite, chegar no segundo show, porque depois desse horario, cê nao entra mais, colega. Eu tinha a noite inteira pela frente e claro que eu iria chegar à tempo. O problema é que a noite começou errada e, ao inves de cerveja, comecei bebendo um tipo de alcool que o pai de uma amiga produz utilizando pêras. "Olha, Luci, bebe. Tem gostinho de pêra". Gostinho de mooorte, minha filha! O negocio era tao forte que era eu bebendo e a lagrima escorrendo. Mas a gente ficou la de bouas, falando da vida alheia, comendo amendoim, pêra, eu chorando… Quando, de repente, 21h!

Debaixo de chuva, pegamos um ônibus com um monte de gente estranha. Eu tava super comunicativa e, quando eu estou super comunicativa com gente que eu nao conheço, pode acreditar, o nome disso é alcool. Nunca na minha vida que eu vou falar com pessoas desconhecidas de forma expontânea. Credo. Mas la estava eu falando do meu guarda-chuva pra moça do lado. Dai que a gente chegou e a unica coisa que eu vi foi a fila do bar. A musica tava uma bosta e eu nao sei onde foram parar as dez da noite, mas ja eram 23h!

Eu iria pro segundo show, no Sucre, com um amigo, Adri, que ja estava comigo. O Sucre era do outro lado do planeta, ele iria de bicicleta e eu teria que pegar um ônibus + tramway. Eu nao sabia exatamente onde ir uma vez que descesse do tramway, mas encontrei mais gente esquisita la e pensei em segui-los ja que, com certeza, eles iriam pro mesmo lugar que eu.

Nao foram.

Eu desci do tramway, toda errada, seguindo a galera que ia pra uma festa num barco. "Meu deus, o Sucre virou um barco". Entendi que nao era la, dei meia-volta e nao vi mais nada. As pessoas tinham sumido. Todas. Tinha um posto de gasolina aberto, mas os postos daqui nao tem frentista, entao foi bem solitario ver tudo iluminado, sem ninguém, parecia uma cidade abandonada. Cruzei algumas pessoas que iam pro barco… maldito… que nao tinha a menor ideia de onde eu deveria ir. Entao, finalemente liguei pra Adri pra que ele viesse me buscar. Teria sido genial se ele tivesse atendido o telefone.

E eu andei, liguei, andei, religuei, a chuva aumentou, diminuiu e eu andando. Eu ligava par Adri, nada acontecia. Comecei a ter saudade dos meus amigos, da minha casa. Vento friiio… Silêncio. Vazio. Uma musica de Djavan na cabeça. Entao, bastante resignada, como soh esses momentos te ensinam a ser, escolhi um cantinho, tirei um vira-lata do bolso, um copinho vazio da starbucks do outro e comecei a pedir esmola. Pronto. Minha mae me educou tao direitinho pra eu terminar assim, meu deus. Anos de faculdade jogados no lixo. Meu tratamento odontologico, super caro, que viria me poupar anos de terapia. Uma carreira internacional no balé. Tudo jogado fora. Eu nunca fiz balé, mas eu poderia ter feito. Aquele momento é que nao iria permitir.

Aih um cara passa, me joga uma moedinha e eu vejo que é Adri! Iupiii! Ele parou a bicicleta, a gente se abraçou, pinotou no meio da rua e eu subi na bike dele. Posicionei minha querida bunda no guidao, ja que os franceses nao tem costume de levar as visitas no quadro. La estava eu, sao e salva, com meu grande amigo (literalmente). So que, enquanto eu estava mendigando, Adri estava enchendo a cara no primeiro show. Entao, ele estava bastante empolgado com a vida, por assim dizer. No curto caminho que nos levaria ao show, tinha uns bancos, umas arvores e o cérebro de Adri viu tudo isso como obstaculos legais à transpor. Ele ficava dando voltas e desviando dos bancos no ultimos segundo. E eu la, o copo de starbucks numa mao e o cu na outra.

Ele viu uma arvore cuja as folhas iam quase até o chao e disse "a gente vai atravessar essa, Lulu, se segura". Olha, eu nem tive tempo de dizer nao. Ele acelerou e se abaixou. Mas eu, que nao tinha muita opçao, levei uma lapada de galho na cara. Eu comi folha, joaninha, casulo, macaco e toda a fauna/flora existente naquele micro mundo ecologico. A bebedeira passou num segundo. Mas o pior estava por vir. Logo depois da arvore, tinha um banco. Tinha um banco no meio do caminho, no meio do caminho tinha um banco de pedra, redondo e grande como uma nave espacial. Eu soh tive tempo de gemer. A bicicleta bateu no banco e ficou onde estava. Eu fui embora. Enquanto eu voava, pensei nos momentos felizes em que era mendiga e desejei voltar no tempo, mas era tarde demais. Felizmente, eu aterrissei como uma flor no banco. Soh machuquei o pé. E a mao. E a consciência. Sangrou um pouco, mas eu ri mais do que outra coisa.

Cheguei feliz na noite, dançando e mancando, um pouco depois da meia-noite. A noite foi linda. Eu falei com todo mundo, eu apertei o mamilo de um cara, eu subi nos ombros de outro, eu tirei os sapatos, eu fiz amigos, eu dancei e, às 7h da manha, decidimos voltar pra casa. A gente queria ser responsavel entao decidimos colocar a bicicleta dentro do tramway e voltar assim. Mas o tramway estava meio longe, entao, subi na bicicleta dele (a gente nao aprende nunca) e traçamos nosso caminho. Quando viramos a esquina, vimos o tramway de longe chegando na estaçao. Adri bateu no peito e disse "a gente vai pegar aquele ali. Se segura, Lulu". Eu segurei no guidao com minhas nadegas, entreguei nas maos de deus e fomos.

Ele pedalou como um condenado e chegamos triunfalmente à tempo de pegar o bonde. As pessoas riam da palhaçada. Mas quando colocamos a bicicleta no tramway, o motorista abriu a portinha dele e mandou a bike descer. Voltei com outros amigos e, chegando em casa, encontrei Adri todo ensanguentado. Ele me contou que a roda da frente se soltou enquanto ele pedalava. Tive uma doh! Somente no dia seguinte foi que a gente se deu conta, juntos, que, no momento em que o motorista pediu pra ele descer, Adri tentou tirar a roda da bicicleta pra mostrar que… que a gente nao ia andar de bicicleta dentro bonde? Nao sei. Soh sei que ele esqueceu de fixar a roda depois e deu no que deu. Demos boas gargalhadas. Ele, nem tanto.

E o que fica como aprendizado, crianças? Pêras sao perigosas.

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Para aventuras menos complexas,

https://www.facebook.com/casomeesquecam


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte III

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui).
(Para ler a segunda parte da viagem clique aqui). 

Carnon Plage veio pra compensar Grau du Roi: foi o melhor momento da viagem! Eu nao sei quantos quilômetros rodamos (Camilo acha que foi em torno de 150km, nos cinco dias), mas a cada dia que passava, pedalavamos cada vez menos porque vimos que estavamos aproveitando pouco os lugares por onde passavamos. Acho que nem pretendiamos ficar na cidade, mas eu tava de saco cheio e queria pegar uma praiazinha. Entao, nos registramos no primeiro camping que encontramos. 

Camilo e eu tivemos algumas experiências com campings nas nossas ultimas viagens e agora eu posso confirmar o que bem falou Amanda: camping na França é mesmo uma instituiçao. Nao fui a muitos campings no Brasil, mas eu arriscaria dizer que essa parece mais ser uma saida pra estudante lascado. Aqui na França, os grandes frequentadores dos campings de lascados nao tem nada: sao compostos na sua maioria por aposentados franceses abastados ou por familias estrangeiras com bom orçamento. Pelo menos esse é o perfil que vi com mais frequência por onde fui.

E aqui, o tempo de estadia nao é para uma ou duas noites, eles passam semanas inteiras plantados no mesmo camping com as caravanas das mais modernas e com as barracas das mais caras. Eles montam com isso verdadeiras casas, super equipadas, que tem de mesinha de plastico à antena parabolica. A gente chegava no nosso espaço, montava a barraca, saia, voltava e eles continuavam la, naquela vida mansa, jogando baralho e fumando maconha tomando café.



Na boa, nao sei que lugar é esse

Soh sei que...

Quando chegamos em Carnon Plage, montamos nossa barraca e fomos à praia. Antes mesmo de nos instalarmos, vi ao menos quatro mulheres fazendo topless. Nao pensei duas vezes e entrei na onda. E qual foi a surpresa ao ver que... ninguém-ta-nem-aih. Nem mesmo o adolescente mais envenenado pelos hormônios te olha de esgueira. Em Joao Pessoa, eu teria sido estuprada três vezes.

O nosso camping em Carnon Plage: bicicletas ao fundo, barraca nas trevas, tênis e um lindo rolo de papel higiênico sobre a canga. Porque ir na casa do Pedrinho é preciso, viver nao é.

Camilo e eu, eu e Camilo.

Minha nada kicht campainha. Lovo. 

Entao! Daih que, depois da praia, eu precisava de um banho. Esperei Namorado voltar da ducha dele e ele avisou: "tem fila no banheiro dos homens". 

Tensao. 

REFLITAMOS: se tem fila no banheiro dos homens, o que eu posso esperar do banheiro feminino? Respirei fundo e fui la. E o que encontro? Um zilhao de meninas de 15 anos +  chapinha, batom, prancha, absorvente, cera quente, cera fria, cera morna, cera, creme hidratante, rimel, lapis, touca, esmalte, sombra, contorno, blush, repador de pontas, pinça, tesoura, cola, spray, prego, martelo, cimento, cal, britadeira e todas aquelas coisas que se precisa pra se deixar alguém biito. Gente. Eu soh queria agua! Calor dos infernos, eu suava por todos os poros e tinha areia até no feh-oh-foh. 

Acho que passei meia hora na fila da ducha até que alguma iluminada desocupasse uma vaga. Eu tinha lagrima nos olhos quando entrei na cabine. Metodica, coloquei minha roupa limpa aqui, meus produtos de higiene ali e abri a torneira esperando um banho revigorante. 

Quando abri o chuveiro, me apareceu um jato d'agua tao forte, mas tao forte, que eu pensei que meu couro fosse ir embora ralo abaixo. Me virei de frente pra lavar o rosto e a ducha foi bem nos meus peitos. Dai eu tive que procurar meus mamilos no chao, porque, minha gente, que ducha era aquela? 80 toneladas de pressao sobre minha cabeça. Eu lavei o cabelo e sai da ducha pelo menos uns três centimetros menor. Você pode nao acreditar, mas isso aconteceu na Nova Zelândia. 

Depois, nohs fomos pro centro procurar algum restaurante. Escolhemos um que servia mexilhoes. Apesar de ter crescido no litoral, acho que eu nunca havia comido mexilhoes. Fiquei tentando lembrar, mas nao consegui. Quando comi o primeiro, tive certeza de que eu nunca havia comido antes: o gosto é inesquecivel e a maneira de comer, errr... é bem particular. Nao é à toa que, em francês, moule (mexilhao) é um nome usado pra se referir à vagina.

Na frente do restaurante que vendia vaginas

No dia seguinte, com muito aperto no coraçao de minha parte, deixamos Carnon Plage e fomos pra Vic. Pegamos esse caminho simpatico:


A unica coisa que conhecemos do lugar foi o camping, porque estavamos muito cansados e, no dia seguinte, partimos direto para Sète, onde iriamos pegar o trem de volta à Lyon.

Feio, feio, feio...

A gente passou menos de duas hora em Sète, o suficiente para comer uma pizza e testemunhar uma tradiçao local: uma terrivel batalha de barcos!

Uh la la, braços!

Os barcos se aproximavam um do outro...

...o suficiente para que os dois nobres cavalheiros, dispostos na ponta de cada embarcaçao...

...estivessem proximos o suficiente para se atacarem com um bastao. O objetivo era derrubar o oponente na agua.

Eh, eu sei. Emocionante.



Algumas horas depois, estavamos em Lyon para receber dona Amanda e seu chéri que chegariam de Paris no dia seguinte. Mas os posts de férias continuam. Proximo destino: Jonzac!


domingo, 14 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte II

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui). 

Depois de Tarascon, fomos parar em Saint Gilles. Nesses dois primeiros dias, nohs pegamos muitas estradas ruins por culpa de Camilo por falta de experiência. No segundo dia, por exemplo, tomamos uma estradinha simpatica que seguia o curso de um canal. Começamos contentes e felizes, mas de repente os buracos começaram a aparecer, a mata começou a se fechar e, quando nos demos conta, ja era impossivel pedalar. Entao, peguei minha foice de bolso e fui derrubando arvore por arvore e nem mesmo os ferozes hipopotamos e dragoes que encontramos pelo caminho ficaram vivos pra contar historia. 

Inclusive, aproveito esse momento para dizer àqueles que acham que eu exagero em certas historias que tudo o que eu falo aqui no blog é a mais pura verdade. No ultimo pic nic de blogs, Camilo, injustamente, disse que eu inventava as historias, minha gente. Absurdo! Foi um golpe duro, sobretudo por se tratar de alguém que me conhece bem e sabe que eu nao minto nun-ca. Portanto, hoje, quero apresentar a vocês o patrono do caso.me.esqueçam. O rei! O mestre! O inesquecivel Nelson!

 iêu?

Opa, Nelson errado. Agora vai: Nelson Rubens, meu povo!

Tchan ram!

Criador do bordao "eu aumento, mas nao invento", Nelson Rubens certamente me entenderia. Mas voltando...

Em uma outra estrada, encontramos um cercado cheio de touros. Touro foi o bicho do qual mais vi referência indo pro sul. Nao sei que tara é essa desse povo pelo bicho. Estatua de touro, exposiçao de touro, feira de touro, cartazes de touro. Touro.

 Os touros estavam desconfiados com a presença da maquina fotografica. Menos um. 


 Gente, pode ser pro Daily Press
Nao era. 


 Nao sei o que me encantou mais nesse touro. Se foram os mosquitos sambando nos olhos dele...

...ou se foi essa linguinha preta. 

Chegamos à Saint Gilles, nos instalamos no camping e fomos tomar uma cerveja. Foi pra compensar, estavamos saudaveis demais. No dia seguinte, fomos dar uma volta na cidade (o que deve ter nos tomado 2 min, dado o tamanho dela). A coisa mais bonita da cidade era essa igreja que faz parte do itinerario dos peregrinos que vao à Santiago de Compostela:





Tinha até uma "casa dos peregrinos" perto da igreja. E esse mendigo que ta na frente dela é meu marido. (Eh naaaao, amor! Eh mendigo nao, é lindo! Chuac!)

 A esquerda, uma bunda. A direita, uma placa que diz "compartilhemos a estrada" que, claro, era ignorada pelos carros que tentavam a todo custo nos matar. Eu, como cidada consciente, respeitei a placa e pedalei a menos de 70 km/h.

Trecho da viagem: vinhas

Vamos recapitular nossa viagem, amiguinhos?

1° dia: Lyon - Avignon (em trem) - Beaucaire - Tarascon
2° dia: Saint Gilles 
3° dia: Grau du Roi 

Grau du Roi foi o lugar mais cu da viagem, apesar da praia, do céu azul, do cheiro de mar, do sol, das gaivotas gaiteiras... (ai, que bom!). Quando chegamos, eu tava quase infartando de tanta felicidade (pelos motivos citados), mas a cidade tava atolada de turistas e tava dificil encontrar vaga nos campings. Nao tiramos nem foto, mas joga no Google e você vai entender porque a cidade fica lotada nessa época.

Ficamos rodando e a unica vaga que encontramos num camping custava 56€ pros dois (quando estavamos acostumados a pagar 15/20€)! Era um camping 4 estrelas, mas pra gente que so queria um chaozinho pra armar uma barraca, isso pouco interessava (momento classe média sofre). Mas Grau du Roi é uma cidada pra gente RYCA!, e se a gente ta na chuva é pra se molhar. Inclusive, havia chovido na noite anterior e a vaga que nos deram estava completamente enlamaçada. Tou dizendo, foi um cu. Tive vontade de deixar um cocô no terreno, mas isso nao seria muito sao. Picamos nossa mula e fomos pra Carnon Plage.

(Fim do segundo ato)


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte I

Luci e Camilo viajando. Yupiiii!

Os pais dos guris dos quais sou babah resolveram tirar férias nesse verao, o que significa, automaticamente, férias para Luci. Três longas e lindas semanas de férias. Entao, como ha muito tempo tinhamos vontade de fazer uma viagem de bicicleta, decidimos usar a oportunidade pra colocar o plano em pratica. 

Ha algumas semanas, cinco dos meus colocs e eu fizemos um passeio de bicicleta durante um fim de semana até um famoso lago que fica perto de Lyon, o Lac Aiguebelette. Eu ja tinha ido ao lago ano passado, entao achei a idéia genial. Achei a idéia genial até perceber que 70% do caminho era composto por ladeiras que subiam e ladeiras que sobem nao sao de Deus. 

Na ocasiao, eu estava usando minha bicicleta de princesa da Disney. Eh uma bicicleta de passeio, meio velhinha, de marcha manual e sela de couro. Linda, mas que nao estava correspondendo às minhas necessidades naquele momento (minhas necessidades = chegar com vida ao topo das ladeiras). Na verdade, a unica bicicleta que iria me ajudar a subir aquelas ladeiras seria uma bicicleta voadora, mas até onde sei, nao existe nenhuma no mercado. 

Eu era a pessoa que ficava sempre pra tras. A bicicleta de Camilo é muito boa, parece uma moto comparada à minha e ele tentou varias vezes que trocassemos de bicicleta, mas neguei porque sou uma pessoa orgulhosa. Mas até mesmo as pessoas orgulhosas tem seus limites: troquei de bicicleta com ele e vivi alguns minutos de felicidade, cheguei até mesmo a ultrapassar Camilo em certo ponto, mas descobri que a bicicleta de Camilo é boa, mas nao é magica: voltei a ficar por ultimo. 

Antes de chegar ao nosso destino, sentamos num bar e encontramos, por acaso, a menina que iria nos hospedar. Eu, que estava super entretida com minha cerveja, nao vi, mas Camilo disse que a menina olhou pro meu cabelo molhado e, inocente, perguntou "ah, mas vocês ja foram tomar banho no lago?". Eh, eu sou uma pessoa que transpira. 

E essa historia todinha é so pra dizer que… queriamos fazer uma viagem de bicicleta, nao sabiamos bem como e nem por onde, mas uma coisa era certa: o roteiro teria que ser desprovido de ladeiras. Apos consultar alguns amigos mais experientes, resolvemos ir pro sul, onde aparentemente as estradas eram planas e, bom, sul aqui significa praia e sol.

Como minha bicicleta de camponesa nao parecia ser muito apropriada pra viagem, Camilo pegou a antiga bicicleta dele, trocou uns cabos, colocou uma bagageira, um suporte pra garrafa d'agua, minha cestinha, campainha, ajeitou os freio e os pedais. Ficou otima!


Antes

Depois


Agora eu tenho duas bicicletas e soh uma bunda. Obrigada, amor! Mas Camilo e eu nao tinhamos planejado muita coisa. Por indicaçao de um amigo, escolhemos Avignon como ponto de partida (fomos de trem até la) e depois algumas outras cidades aleatorias que pareciam ser interessantes como destino. Mas nao sabiamos quais estradas tomariamos ou quanto tempo ficariamos nos lugares. E isso, claro, garantiu muitas surpresas. A primeira delas: 


Pegamos uma estradinha cheia de pedrinhas assassinas e logo meu pneu furou. Apesar de Camilo estar em açao na foto, quem trocou o pneu fui eu, pra acabar com essa historia de que mulher nao sabe trocar pneu. Na verdade, Camilo, assim como meu bob pai, nao costuma dar as coisas de mao beijada e tenta sempre me ensinar como elas funcionam. Acho otimo, mas as vezes Camilo exagera. Lembro que quando cheguei em Lyon pela primeira vez, fomos dar um românticuzinho passeio pelas ruas da cidade, quando ele me puxou e falou "vem ver como funciona o sistema de troca de trilhos do tramway". Hum, interessante. Anyway... Pneu trocado, Luci engraxada, partimos.

Depois de pegarmos uma auto-estrada estressante, chegamos à Tarascon. Gente, eu vou dizer uma coisa: a França é véia. A França é véia, entao, quando você ta fazendo turismo, você sai andando e tropeçando nos castelos. Você olha pro lado e "opa! Um castelo medieval", é um barato. 

Um castelo aqui...

Outro acolah... 
Luci, deixe-me ser seu perêncepe


Indo para o camping, encontramos essa praça e uma grande movimentaçao (reparem no homem de azul coçando suas sarnas).


Era um daqueles espetaculos com touros pros machos da cidade se exibirem e mostrarem o quanto sao... bravos e corajosos? Cada vez que algum deles conseguia tocar no touro, eram aplaudidos. Tocar é facil. Queria ver dar beijinho. 


Nosso camping ficava atras dessa belezura




A rua dos apaixonados - com um pequeno erro ortografico

(Fim do primeiro ato).

domingo, 10 de abril de 2011

Um exemplo de perspicacia

Aconteceu uma coisa tao ridicula hoje que vale a pena postar de novo. 

Pra ir à universidade, eu pego um metrô no sentido contrario à ela pra depois pegar o tramway que me levara a faculdade. Esse percurso é feito em uma boa meia hora (com o plus do tramway estar sempre lotado). Mas eu sempre soube que havia um outro caminho pra universidade que passava por dentro do parque Parilly, que fica a cinco minutos da minha casa, onde eu gastaria somente 15 minutos indo de bicicleta, mas eu estava sem bicicleta desde setembro, entao, ignorei essa opçao. Soh que um dos caras que mora comigo, me disponibilizou uma bicicleta (que provavelmente eu comprarei, pois esta à venda) entao hoje, como eu fui correr no parque, resolvi dar uma olhada no novo caminho pra ir à universidade. Camilo me explicou qual caminho eu deveria pegar pra atravessar o parque, mas ele nao sabia me indicar a segunda parte do caminho, uma vez que eu estivesse fora do parque.



Fiz o percurso de sempre na corrida e cheguei no limite do Parque. Pensei "ok, soh falta conhecer agora o resto do caminho" (que eu faria no dia seguinte, com a bicicleta). Eu ja estava me virando pra voltar pra casa quando me deparei com uma placa indicando "Université Lyon 2" e uma setinha pra direita. Minha gente, de repente, a universidade brotou do chao e apareceu na minha frente! Ela estava ALI o tempo todo! Eu morava a 15 min da porra da universidade e nao sabia. Eu passei seis meses pegando dois transportes, um deles lotado, todo-santo-dia, quando bastava eu atravessar o parque! Olha, eu ri. Mas nao é modo de falar. Eu ri muito na calçada. Porque agora, ao invés de passar pelo tormento descrito, eu vou de bicicleta pra universidade, nesse tempo lindo que ta fazendo, vou ver o parque todo dia e ainda ganhar preciosos minutos de sono. Mas que foi ridiculo, foi.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Casal Midas da destruiçao

Pro Priberam, "desastrado" significa "desajeitado, desgracioso, funesto, infeliz". Pra mim, significa tao somente "Camilo". Nem o Katrina causou tanta destruiçao por onde passou. 

(Nesse momento, ele deve estar lendo e pensando: "o que foi que eu fiz pra merecer esse post, meu deus?"). Calma, meu bem, vai doer pouco.

Ha alguns meses, Audrey chegou toda contente em casa com um litro de um oleo fino que havia sido produzido na casa dos seus pais. Proibiu terminantemente de que utilizassem o oleo pra cozinhar. O oleo deveria ser usado somente nas saladas, pois era especial demais pra que fosse desperdiçado em frituras. Dois dias depois, Camilo explodiu a garrafa de oleo no chao da cozinha, sem querer. 

Cecilia, desde o começo do verao, começou a se ocupar da plantacao de flores. Quando viajava, pedia pra que alguém da casa nao esquecesse de regar suas pequenas maravilhas. A sua preferida era um girassol, que ainda nao havia florescido. Com frequencia, ela dava o relatorio do crescimento ao pessoal da casa, orgulhosa da plantinha. Um belo dia, arrancando as ervas daninhas, Camilo matou o girassol sem saber do que se tratava. Cecilia chorou e passou um dia sem falar com ele. 

Quando cheguei na França, ganhei um dos presentes mais legais que poderia ganhar: uma bicicleta. Com ela, eu ia pra todo lugar: pro centro, pro trabalho, pras aulas, eu caia, enfim, eu era feliz. Foi um ano e meio de puro amor pela minha bicicletinha. Até que um dia... apareceu o monstro das maos tortas, pediu minha bicicleta emprestada e... vocês ja sabem. Destruiu, sei la como, o sistema de marchas. Conserto: 100€. Nova: 150€. Agora me perguntem se eu tenho dinheiro. 

Eu nao posso criticar muito. Apesar de eu nao me considerar desastrada, tenho algo que eu poderia chamar de "nervosismo demolidor". Eh que quando eu fico nervosa, as coisas ao meu redor se quebram, explodem, racham, caem, morrem etc. Tou cortando batata, chega alguém que me deixa envergonhada: corto um dedo. Tou andando na calçada, a vizinha pergunta algo que eu nao entendo: eu tropeço. E assim vai. Eh por isso que eu sou um perigo na bicicleta, minha gente, porque eu estou sempre nervosa. O meu historico de quedas nao me deixara nunca repousar na tranquilidade de um passeio. 

Ontem, voltando feliz de uma pizzaria de bicicleta, perguntei a Camilo se nao poderiamos voltar pra casa por outro caminho que nao aquele da pista de tramway que sempre pegamos. Minha gente, é tenso passar por essa pista. Além de eu ter que ficar ligada no tramway que vem de frente, tenho que ficar ligada naquele que vem de tras. Mas meu olho de tras é cego. Fora isso, tem os carros que podem dobrar a qualquer momento na sua frente. Mas Camilo insistiu e eu fui. 

La pela metade do caminho, vejo que um tramway vem atras e, na minha frente, um pedestre e um ciclista. Pronto, foi demais pra mim. Fiquei louca, tentei passar pra pista do lado, prendi o pneu da bicicleta na linha do tramway QUE ESTAVA VINDO. Ai meu deus, ai meu deus, a bicicleta ficou desgovernada! Ai meu deus, o tramway! Eu vou morrer, eu vou morrer, socorro e... Potof. A bicicleta caiu. Mas como eu tenho PhD em queda de bicicleta*, dessa vez, consegui pular e cair em pé. Da proxima vez, vou apromirar o show e tentar dar uma pirueta no ar antes de tocar o solo. Apesar de nao ter quebrado a cabeça, torei a minha sandalia preferida. Aquela que eu usava pouco como forma de prolongar sua vida. C'est fini: torou em duas partes. 

Agora, vou ser malvada com aqueles que me amam e que achavam que tinham motivo pra se preocupar comigo: ha duas semanas recebi minha carteira de motorista francesa. Sim, estou apta a conduzir veiculos pelas ruas lionesas! Mas eu tenho um otimo historico no volante: soh fiz uma baliza certa (no dia do teste) e estava ha 16 meses sem dirigir (onde a ultima vez... foi no teste). Alguém mais ta tenso?

*Duas das quatro quedas: post 1, post 2, post 3 e post 4 (fotos) - nao abrir o ultimo link caso esteja fazendo uma refeiçao.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Berlim - parte II - lingua, bicicletas e amores

Mais sobre a nossa viagem à capital alema. 

Da (des)orientaçao:

Senti o peso (de novo!) de estar num pais cujo idioma eu nao domino ja nos primeiros minutos em solo alemao. Precisavamos pegar um ônibus, mas as placas me eram indecifraveis. Minha sorte é que eu tenho um namorado orientado, desenrolado e sabido todo ao meu lado. Sério, minha gente, deixa eu babar um pouquinho o amado agora. Acho impressionante o senso de direçao de Camilo. E nao é so porque eu sou uma toupeira nesse assunto. A gente mal chegava nos lugares e ele ja sabia qual o metrô certo, quanto custava o bilhete, a direçao das estaçoes, as ruas, os bairros etc. Eu perguntava aflita se ele sabia pra onde a gente tava indo e ele respondia malandro: "relaxa, meu bem, eu tou em casa". Hahaha Lindo!

E o inglês? Antes de chegar na França, eu nunca tinha ousado falar uma frase em inglês (ok, também nunca tinha precisado). Mas o que é a necessidade, nao é mesmo, meus amigos? Cheguei na França e comecei a usar um inglês que eu nem sabia que tinha! Mas bastou me concentrar no francês e agora eu sou incapaz de ter êxito numa frase em inglês. Sempre sai uma coisa cagada tipo "I would like to parler avec vous". A minha sorte (é, eu sou uma garota de sorte) é que ficamos na casa de uma francês em Berlim e, em Praga, na casa de um senhor que entendia francês, do contrario, eu passaria duas semanas muda.

Feuerwehrzufahrt. Ou seja, "oi".

Do lazer:

Os berlinenses parecem nao se importar com o fato de nao terem praia. Pelo menos tem saidas bem interessantes pra contornar a falta de mar. Nas beiras dos rios, essas cadeiras de praias sao postas e o povo fica ali, na maior tranquilidade pegando um solzinho. No momento da foto abaixo, um nubladinho.



Essa foto acima foi tirada perto do Checkpoint Charlie (explicaçoes mais adiante). Era um cercado com areia e cadeiras de praia no meio de uma avenida movimentada, um pequeno refugio no meio da cidade. O achamos bem por acaso. E alias, achamos outros lugares assim, por acaso, dando uma olhadinha aqui e ali. Adorei os bares de Berlim! Contei mais de dez bares visitados e posso dizer que amei a todos, todos criativos, a maioria com grande espaço a céu aberto, com decoraçao em madeira, super arborizado. Eh uma pena que eu nao tenha tirado mais fotos pra mostrar a vocês.


Esse é um bar à beira do rio Spree, perto do Muro. Em Berlim tah rolando uma polêmica que ja dura alguns anos sobre a ocupaçao dessa area da foto acima. Ha uma infinidade de bares parecidos com esse na beira desse rio que esta prestes a desaparecer graças a um projeto do governo, o Media Spree, que visa a construçao de varias empresas de grande porte nessa area. A area é do governo, mas é inegavel a importância desses bares, nao soh pros seus donos, mas pra vida cultural da cidade. Achei uma pena, espero que dê tudo errado :D


Da comida:

Como eu ja disse, francês é um povo muito saudavel e, depois de visitar Berlim, essa impressao soh aumentou. Eu tava completamente desacostumada a ver gente acima do peso. Mas também, pudera!, a cada dois metros tem alguém vendendo comida gordurosa. E barata. Minha gente, o Kebab em Berlim custa DOIS euros. E o melhor de tudo: tem cara de comida, nao é como o Kebab francês: é barato, o molho é uma delicia e a salada vem em quantidade generosa. Foram os melhores Kebabs provados. Mas quem quiser comer o hamburguer perfeito, vai no Burgermaister. Juro que foi o melhor hamburguer que ja comi na vida. Você come meio triste porque sabe que uma hora ele vai acabar.

Do meio ambiente:

Quem vai a Berlim pode também se impressionar com duas coisas: a quantidade de arvores e de bicicletas. Mesmo dentro da cidade, em meio à loucura dos carros, tudo é arborizado, lindo. E ha bicicletas por todos os lados, numa quantidade muito maior que em Lyon (e olhe que em Lyon a tradiçao de usar a bicicleta é grande).


Do transporte:

Nico, nosso anfitriao, nos aconselhou a alugarmos duas bicicletas, mas o preço era meio salgado: uma semana de locaçao por 40€ por pessoa. Como eu sou uma pessoa meio... desempregada, preferi pegar o bilhete de metrô que custa 25€ (por pessoa) pelo mesmo periodo. O bilhete de metrô custa 2,60€. Nao que isso devesse interessar, mas nas estaçoes de metrô nao existem catracas, no entanto, os controladores estao por aih pra manter a ordem e a lei, amém, através de suas multas (40€).

Dos pontos turisticos:

Como é impossivel falar de todos os lugares dos quais visitamos (impossivel = estou com preguiça) vou postar algumas fotos de alguns lugares visitados com comentarios superficiais. O Wikipedia esta do seu lado.

Igreja Kaiser-Wilhelm Gedächniskirche. Foi bombardeada e permanece assim desde 1943. Nao foi reconstruida pra que servisse de lembrança da Guerra. No entanto, uma nova igreja, super moderna, onde os padres rezam de sunga preta (brincadeira), foi erguida ao lado. Mais sobre a igreja aqui.


Toda cidade que se preze, tem uma construçao falica. Aqui, a Torre de TV e seus 368m. Enooorme.


A maior catedral de Berlim: Berliner Dome (inicio do século XX).


Altes Museum. Segundo o Wikipedia, "o maior e mais importante museu do mundo no campo da arte antiga da Grécia, Roma e Etruria". Agora, uma bala na testa por soh estar sabendo dessa informaçao agora.

Altes Museum ontem


O Checkpoint Charlie era um dos pontos de passagem do Muro entre os setores americano e soviético. Controlado, é claro. Parada obrigatoria pra quem vai a Berlim. O Museu do Muro fica logo ao lado e, claro, temos o McDonalds ao fundo.


Outro museu fantastico: Topografia do Terror, logo ao ladinho do Muro, no terreno em que ficava o escritorio principal da Gestapo. Tem uns paineis incriveis com fotos, documentos e textos sobre as barbaridades nazistas. Entrada gratuita.


Memorial do Holocausto, homenagem aos judeus mortos.


Portao de Brandemburgo, visita indispensavel, palco das manisfestaçoes quando da queda do Muro.


E, claro, o MuroAh, e fiquei chocada quando vi numa lojinha de souvenirs pedaços do Muro à venda. Um pedaço que media um palmo por uma bagatela de... 40€. Depois entendi que aqueles troços que vinham pregados nos cartoes postais eram, na verdade, pequenos pedaços do Muro. Quem garante a originalidade? Prefiro investir meu dinheiro de outra forma.


Seguindo a dica de uma leitora, a Lu, saimos de Berlim e fomos a Potsdam, uma cidadezinha a 30min da capital. Pegamos emprestado duas bicicletas do cara que também nos cedeu o quarto na casa de Nico e seguimos de trem pra cidade. Tivemos que pagar um bilhete de trem pras bicicletas também, mas nao lembro quanto custou. A cidade é cheia de pracinhas e parques lindos. Na foto, o palacio de verao de Frederico, o Grande, Rei da Prussia. O nome do palacio é Sanssouci ("sem problema").


Fomos ainda no Museu Anne Frank. A entrada custa 5€, mas Camilo dizia que éramos estudantes, entao pagamos meia entrada em uns três museus. Depois dizem que brasileiro é que é malandro. Pobi de nois. Esse museu é minusculo, mas satisfez minha curiosidade. Ja falei o quanto amo a moça aqui


Amei Berlim, sobretudo o Klaus. Querido, se você estiver me lendo, saiba que jamais o esquecerei. Beijos. 

Talvez

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