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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

03. Do que é diferente - Kebab


Uma das comidas mais populares aqui na França é o Kebab (no Brasil, conhecido como churrasco grego. Quer dizer, em algumas partes do Brasil, ja que eu jamais ouvi falar em churrasco grego na minha vida). Curiosamente e, como o nome sugere, o Kebab nao é uma comida francesa, mas de origem arabe. E, como os arabes andam aos montes por aqui, a comida se tornou popular (existindo, inclusive, em muitos outros paises europeus). O prato, originalmente, era comida dos reis persas. Os iranianos soh consumiam uma vez ao ano. Na França atual virou fast-food e todo mundo consome, do francês do nariz mais arrebitado à brasileira mais faminta.

Grosseiramente falando, Kebab é um pao com carne, salada e molho que pode vir acompanhado de fritas. Notou alguma semelhança com o que você ja comeu no Brasil? O Kebab é um troço enorme, que mata a fome de qualquer elefante por preços que variam entre 4€ e 7€ o menu (kebab + fritas + refrigerante). A carne (de boi, cabra, carneiro, cordeiro ou frango) é preparada na vertical, num espeto que fica girando proximo a uma grelha. Depois, pequenos pedaços sao retirados com facas enormes - ou eletricas, que garantem fatias mais fininhas.


Os molhos sao o que me fazem notar a diferença entre um hamburguer brasileiro e um Kebab. Curry, tartare, picante, branco e por aih vai. Todos uma delicia! Peço sempre o branco, porque um dia pedi um picante (sem saber do que se tratava, claro) e passei 20 min com a sensaçao de estar mastigando um pedaço de brasa. Em cada esquina do Brasil tem um lugar onde se vende coxinha, pastel, hamburguer e pizza a preços acessiveis. Na França, se você esta fora de casa, tem fome e pouco dinheiro, o Kebab é a unica solucao. Os menus nos restaurantes nao custam menos de 8€. E se você tem pressa... O melhor sao os nomes que qualificam os diferentes tipos de Kebab e molhos. Senjeh, Bareh, Koobideh. Nao é a toa que eu sempre deixo Camilo fazer o pedido: pedir comida arabe com sotaque francês nem sempre é obvio.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

02. Do que é diferente - Boulangerie


Boulangerie

Um pais que é mundialmente conhecido pela sua gastronomia, não faria feio dentro das suas padarias. Esqueçam as do Brasil, com suas moscas dentro dos mostruarios, onde se vende de loteria à agua sanitaria. E esqueçam também essa de "pão francês". Aqui não existe isso. O pão popular aqui é a baguette, que existe na forma tradicional (parecido com o pão francês do Brasil), mas que também é encontrada com nozes, milho ou frutas. Eh uma delicia. A baguette simples custa em torno de 1€ e é vendida enrolada num papel.

Mas nem soh de baguette vivem as padarias francesas. Uma boulangerie, geralmente, também é uma patisserie, ou confeitaria. Então, além daqueles pães lindos, polvilhadinhos de trigo, você encontra doces que te engordam soh de serem apreciados com os olhos. Da mesmo prazer entrar numa padaria aqui. Sao extremamente limpas e organizadas. Imagino que seja um dos negócios mais lucrativos a se ter, porque o pão aqui não é consumido somente no café da manha, mas em qualquer refeição, mesmo durante o almoço. E ja cansei de ver filas nas calçadas nas padarias mais concorridas daqui.

(E como padaria tem a ver com café da manha...) No Brasil, meu café da manha consistia, geralmente, em um prato de cuscuz, ou de inhame, ou de macaxeira. Pra beber, um suco ou achocolatado. Como vocês podem imaginar, encontrar inhame por aqui nao é a tarefa mais fácil, entao, fui sendo, aos poucos, introduzida ao café da manha francês que consiste, geralmente, em torradas com camadas de geleia e manteiga no mesmo pão, croissants, também com geléia e, pra beber, um chazinho. Cha, pra mim, era agua suja. Hoje em dia sinto falta do produto quando a caixinha de chá esta vazia.

Geralmente cada delicia dessa da foto custa em torno de 2€ (o que eu acho caro hihi). Então, como eu sou pobre, eu adoro seguir Camilo quando ele vai numa padaria soh pra ficar paquerando os doces. As vezes eu faço um olho bem grande pra ver se ele tem pena de mim e compra alguma coisa. Raramente funciona.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Terremoto, guerra e festa

Quando comecei a escrever o meu ultimo post, eu não pretendia falar somente sobre vômito. Eu ia explicar que, no meio daquela ressaca toda, eu tive que enfrentar um dia torturante de trabalho e finaliza-lo numa viagem de 7h de trem + 1h de carro rumo à casa dos pais de Camilo, no norte da França.

O motivo dessa viagem foi a festa de aniversario do pai de Camilo, esse senhor simpatico da foto, que fez 70 anos. "OHMEODEOSDOCEO, o pai de Camilo tem 70 anos?! MANAOEHPOSSIVEO". Pois é, minha gente, é possivel. E o melhor é que o irmão mais novo de Camilo tem somente 15 anos. Ou seja, o véi tah em forma. E, não, ele não tinge o cabelo. Espero que Camilo esteja esbanjando essa saude aos 70 - calma, amor, isso não é pressão, é soh uma prece.

Acho que eu nunca contei aqui o quanto eu adoro o ambiente que envolve os pais de Camilo. A cidade, a casa deles, as historias. Vou tentar* contar a historinha dos pais dele, que eu acho muito legal.

O pai de Camilo é salvadorenho e a mãe, francesa. Aos 20 aninhos, a mãe de Camilo, que é enfermeira, foi embora da França rumo a El Salvador através dos Médicos sem Fronteiras porque o pais passava por uma guerra civil (1980 - 1992). O pai de Camilo, por seu lado, atuou numa radio clandestina, ao lado dos revolucionarios, claro - do contrario eu não o admiraria.

O curioso é que eles não se conheceram em El Salvador, mas sim em Paris, algum tempo depois. Dai, nasceu meu futuro marido, que foi com seus pais pra El Salvador. No pais, nasce um dos irmãos de Camilo. Fugindo da Guerra, que ainda tava rolando, a familia vai pra Nicaragua, onde nasce o terceiro e ultimo irmão de Camilo (pois é, minha sogra também não tinha fronteiras pra parir). Depois, eles voltam pra El Salvador, mas precisam deixar o pais novamente por causa dos terremotos. Então, é simples: França - El Salvador - Nicaragua - El Salvador - França. Voila!

Trinta anos depois:

Agora eles moram na pequena Chateaubriand, numa casa lindamente decorada com artesanatos recolhidos nas viagens que eles fizeram e nos lugares em que eles moraram na América. Soh recentemente me dei conta que esse pequeno detalhe contribuiu enormemente pra que eu me sentisse em casa nessa terra fria.

Mas voltando à festa...

Quanta diferença! Nas festas da familia materna de Camilo, à la francesa, eles servem sonifero na bebida dos convidados. Pelo menos essa é a unica explicação que eu tenho pra justificar uma festa sem ruido. E, uma vez à mesa, as pessoas não se levantam mais: se empanturram até a morte. Isso não é necessariamente ruim, claro, porque os pratos são de fazer chorar de alegria. E o mais impressionante é que não são pratos esdruxulos, com perninha de sapo ou melequinha de caracol. São somente combinações diferentes daquilo que você (eu) come no dia-a-dia arranjadas de uma forma ousada. E apos o aperitivo, a entrada, o prato principal, a salada, o queijo e a sobremesa, as pessoas tomam o digestivo (dose de algum alcool forte e ruim), também conhecido como vomitivo (ok, essa eu escutei na festa, deve ter sido uma piada).

Imaginei que uma festa dada pelo pai de Camilo fosse diferente e acertei. Os pais de Camilo tem amigos muito fiéis: vieram pessoas de Paris, da Bélgica e mesmo de El Salvador pra essa festa. Como foi o caso do violeiro ao lado. Quando ele soube que eu era brasileira, ele tirou um objeto esquisito do bolso e me fez cheirar. O cheiro da cachaça bateu fundo na emoção.

- Porra, isso é cachaça!
- Eh, você é brasileira mesmo.

Craru que sou. Perguntei porque ele andava com cachaça no bolso. Ele parou e, apos alguns momento de reflexão, disse bem sério "é que as vezes minha garganta arranha". Depois dessa razoavel explicação, fomos aos mojitos:

Lindinho, eu e o mojito que eu deixei do lado, afinal...


...meu negocio é cerveja, mano

Camilo se ocupou, bem ocupadamente, como vocês podem ver, do churrasco. Dei graças aos céus, apesar de não ter recebido atenção durante o momento em que ele geria a carne. Mas quem conhece a maneira francesa de tratar a carne vai entender do que eu tou falando. No Brasil, a carne é ou "bem passada" ou "mal passada". Ponto. Mas francês inventa, então, aqui tem quatro tipos: bleu, saignant, a point e bien cuit. Mas o que isso quer dizer, Luci? Bom, pro francês isso quer dizer:



- Bien cuit = bem cozida
- A point = ao ponto
- Saignant = sangrento
- Bleu (azul) = crua

Mas pra mim, brasileira, isso quer dizer:

- Bien cuit = crua
- A point = crua
- Saignant = crua
- Bleu = crua

Camilo ja tinha me prevenido, porque eu tenho verdadeiro horror à carne (semi) crua, mas aqui é quase impossivel fugir dela. Bastou Camilo entrar na casa pra pegar mais carne pra assar, que um francês (de branco na foto) correu pra grelha e saiu resgatando os pedaços de carne na brasa. Malandrinho.


Aqui, o dia seguinte à festa.
Camilot, moi (com meu supersorvete delicioso de sei-la-o-que),
o irmão caçula de Camilo, pessoa e Papi.

*Lindo, me corrija se eu tiver me equivocado

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A lingua francesa

Camilo sempre gostou de cozinhar, por isso, no começo do namoro era ele quem cozinhava - alias, é ele quem cozinha ainda hoje, hihi. Então, num desses almoços de comecinho de namoro, ele fez um frango com abacaxi que me faz lamber os beiços até hoje. Quando ele terminou seu almoço, ele levantou o prato e o lambeu de cima à baixo. Ao ver aquela cena, fiquei me perguntando estupefata se ele ainda tava com fome. Pensei em oferecer o resto do meu frango, mas me limitei a observa-lo lamber o prato. E lamber e lamber e lamber...

"Meu deus, começa assim, daqui a pouco ele vai ta peidando na minha cara", refleti. "Ah, mas vai ver que era soh porque o frango tava muito gosto", ponderei. E, não, não era soh por isso. Almoço apos almoço, Camilo tentava engolir o prato no final da refeição. Pensei que eu fosse realmente muito fresca, mas um dia, um dos caras que morava com ele passou pela cozinha e perguntou sorrindo "e ai, Camilo, vai comer o prato?" Quando percebi que não era somente eu que me chocava com aquilo, resolvi falar com ele.

Disse que achava esquisito que ele fizesse aquilo, que eu realmente não me sentia à vontade. Ele disse que era besteira, que ele tava na casa dele e que ele jamais faria isso em um restaurante, por exemplo. Fiquei meio chateada, mas ele diminuiu consideravelmente a pratica.

Um ano depois, cheguei na França. E depois de tantos jantares, posso dizer que eu teria perdido as contas se resolvesse enumerar a quantidade de vezes em vi o pessoal lambendo o prato (em casa). Até o pai de uma amiga, mês passado, no final do jantar, perguntou educadamente "posso lamber o prato?" Haha Geralmente o francês tem à mesa uma cestinha de pães fatiados. A finalidade é, além de ter o pão como acompanhamento, limpar o prato no final das refeições. Na falta do pão, para alguns, vai a lingua. Mas no começo do namoro, eu não sabia disso.

Obs 1. Longe de mim dizer que isso é regra aqui
Obs 2. Sim, eu ja lambi pratos na minha vida, mas geralmente eu tava sozinha e era sobremesa!
Obs 3. Hoje Camilo arrota, peida e vomita na minha frente: mudei um pouco minha concepção sobre o que é educado ou não e eu faço o mesmo

::

E aproveitando que estamos falando de modos à mesa e comida...

Aqui é realmente dificil começar uma refeição na presença de alguém sem escutar "bon appétit!". Nessa viagem ao Brasil, me peguei surpresa por as pessoas não dizerem isso. E também se costuma agradecer àquele que preparou a refeição. Adoro o ritual da comida na França! Meus cinco quilos a mais podem falar por mim.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Juliana vai à Chateaubriant

Pela primeira vez na vida, eu entendi o real sentido da palavra férias. No Brasil, férias somente era a prolongação da vida cretina que eu ja levava normalmente (casa - mesa de bar - faculdade - mesa de bar - casa)*. Nossas férias duraram apenas 11 dias, mas foi o suficiente pra um pequeno tour na França (vide mapa).

Passamos o Natal na casa dos pais de Camilo, em Loire-Atlantique (norte), na pequena commune de Chateaubriant. Eu queria não fazer a cretinice de comparar a pequena Chateau de 12 mil habitantes a qualquer pequena cidade brasileira, mas é impossivel não se surpreender. Ou fazer comentarios matutosos. Por exemplo, não importa onde você va, que rua ou estrada pegue, por qual vale ou montanha ande, ou o quão pequena seja a cidade, todas as ruas francesas são asfaltadas. Não "calçadas", asfaltadas. E se ela não for asfaltada, é na intenção de conservar o pavimento historico sob nossos pés. Louvavel.

Quando Camilo me falava sobre a cidade, eu imaginava que iria encontrar as casas separadas por quilômetros, uma pequena venda perdida em alguma rua e as cabras pastando entre as casas. Mas a pequena Chateaubriant tem, além de um castelo (chateau = castelo), ruas asfaltadas, ladeadas de flores. Tem um cinema de porte médio (dez filmes por semana), um teatro abrigado por um prédio de vidro, conservatorio de musica, dança e arte dramatica, mediateca, biblioteca, boliche, piscina olimpica etc. Os bares tampouco aparentam fazer parte da estrutura de uma pequena cidade: estilo pub inglês, com decoração estilosa e barman tatuado dos pés a cabeça. Eh, não lembra muito Cajazeiras...

Chegamos exaustos e ja nos sentamos à mesa pra Ceia de Natal. Comer na França é uma coisa quase cansativa. Uma refeição festiva aqui pode durar facilmente cinco horas. Francês é um povo que come muito e come bem. As porções de passarinho no prato tem uma explicação: você começa pelos aperitivos, passa pra entrada, vai ao prato principal (pode ter um, dois...), depois vem a salada, os queijos e, por fim, a sobremesa. Ao final, meu amigo, você estara seguramente farto. Quer dizer, satisfeito.

No dia 27, fomos ao almoço de familia organizado pela voh assassina de Camilo. O troço começou depois do meio-dia e terminou no começo da noite. Eu começo a entender porque Camilo tem me chamado de gordinha. Antes do almoço, passei duas horas tentando relembrar o nome de todas as tias e primos e maridos de sei la quem pra que, ao final, eu fosse chamada de Juliana pela tia de Camilo. So não a sacrifiquei porque minha ira foi aplacada por uma caixa de chocolate que ela nos ofertou. Humana!

*"Mesa de bar" pode ser trocado por "cinema" e "casa" pode ser trocado por "casa dos outros"

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cevando a faxineira

Trabalhar pra madame tem la suas vantagens (soh vi essa até agora): quarta-feira passada, cheguei na casa de mme Trognon e vi uma super caixa de Ferrero em cima da mesa com um bilhetinho: "boas festas!" Meus olhos brilharam! Se ela tivesse deixado uma caixa de cerveja, eu teria feito a faxina de graça. Na quinta-feira, mme Forfait me deu outra caixa de chocolate, também uma de Ferrero (foi ai que eu lembrei que o chocolate tava em promoção no Carrefour, mas o que vale é a intenção e ela foi muito bem apreciada). Na sexta-feira, mme Blague uma velhinha super simpatica, que provavelmente não havia ido ao Carrefour naquela semana, me deu um singelo envelope com 40€! Gente, soh não sentei no colo dela e a chamei de vovoh porque o povo na França é formal demais. Mas eu mal pude passar pela porta tamanho o sorriso! Ah, e ela disse, com toda a sinceridade dela, que eu soh não recebi mais porque faz pouco tempo que eu trabalho la, mas que no proximo Natal... (huhuhu) Pensei até em trabalhar mais um ano de piniqueira, mas desisti porque ela tah tão velhinha que é possivel que ela morra antes do proximo Natal. Esperamos que não.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu nunca digo nunca?

Ao andar pelos arquivos do supremo blog Sindrome de Estocolmo, achei esse post e fiquei super empolgada pra fazer igual. Eh a segunda vez que vejo esse tipo de lista em que você diz quais são as coisas que você nunca vai fazer antes de morrer. Eu sou completamente viciada em questionarios ou listas desse tipo. Mesmo que seja uma ficha médica com meus dados pessoais a ser preenchida pra dar entrada no hospital, tah valendo! Se Camilo me visse escrevendo esse post, ele iria rir. Eu odeio e adoro coisas com grande convicção. O problema é que minhas grandes convicções duram trinta segundos.

- ODEIO cebola.
- Prova essa aqui.
- Não!
- Soh um pouco...
- (nhac)
- E ai?
- ADOREI! Meu deus, eu adoro cebola! :D

Tipo isso. Portanto, que fique bem claro que essa é a lista do 13 de outubro de 2009. Então, vamos à mais uma inutilidade publica:

O que eu acho que não vou fazer antes de morrer:

- deixar de ser dramatica;
- parar de gostar de escrever (em blogs ou diarios ou emails ou cartas);
- deixar a Historia de lado;
- parar de ser chorona;
- gostar de comédia romântica;
- abrandar a vontade de ser mãe;
- ser paciente;
- parar de roer unha;
- ter orgulho da minha irmã;
- deixar de me emocionar ao pensar em Camilo;
- ficar tranquila diante de um exemplo de machismo;
- fazer bronzeamento artificial;
- deixar de beber cerveja;
- ir aos EUA à turismo;
- ouvir Zeca Baleiro;
- entender Drummond;
- gostar de biscoito recheado de morango;
- deixar de comer chocolate;
- poupar palavrões, seja qual for o motivo;
- não ter medo de espirito;
- deixar de me questionar sobre minha auto-estima;
- deixar de amar Fabio;
- ser fresca;
- parar de achar que os Beatles são os melhores e sempre serão;
- gostar de flores;
- achar que religião e Estado combinam;
- confundir cavalheirismo brega com educação;
- deixar de falar de sexo escancaradamente;
- gostar mais das amizades femininas que das masculinas;
- usar aliança;
- deixar de odiar e adorar coisas com grande convicção;

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tarde de superlativos

Ha uma hora, quando liguei meu compuatdor, eu estava feliz e contente porque:

- meu computador ligou;
- eu tinha acesso à internet;
- eu tinha, finalmente, tempo pra atualizar meu blog;

Como essas três coisas se tornaram raras nos ultimos dias, o meu sorriso era enorme. Comecei um post no Bloco de Notas e falei nos detalhes como foi o encontro em Paris. De repente, o computador desliga e, quando retorna à vida, percebo que o post sumiu (sim, obviamente eu estava salvando o arquivo a cada frase feita). Agora tou puta da vida e não vou mais escrever sobre o encontro de Paris.

Mentira, eu vou. hihihi

Como metade da empolgação foi embora junto com o arquivo perdido, vou resumir minhas sensações sobre o encontro. Do começo, pra quem não pegou a historia: neste ultimo fim de semana, fomos à Paris para o I Pic Nic de Blogueiros Brasileiros Residentes na França (denominação tosca por minha conta). A idéia partiu de Amanda, que, percebendo que a interação via blogs era formidavel, resolver dar cara aos blogueiros e convidou a todos pra um pic nic.

Camilo ja estava em Paris à trabalho, então, se juntou a mim e, no final da tarde da sexta-feira, chegamos à casa de Amanda e Cheri. A noite foi tranquilissima. Quando li o blog de Amanda pela primeira vez, ficou claro que eu iria voltar com frequência, como de fato aconteceu, mas não imaginava que em poucos meses eu estaria passando uma noite na casa dela. O casal em si é massa, da pra entender porque eles se amam. Muita historia pra contar e um bom ouvido pra escutar.

No dia seguinte, fomos ao Parque Esqueci o Nome e nos sentamos à beira de um laguinho. Ok, não tão à beira. Nesse momento eramos:

Amanda e Cheri, Maira e Rafael, Rodrigo-Rafael, Margareth e François (por algum motivo desconhecido e infeliz, Margareth não tem blog), Aline, Mariana, Bel e duas amigas, Benzina e China (o casal mais bonito da tarde), eu e Camilo.

No post-frustrado, comentei sobre cada uma dessas pessoas, mas o que eu queria mesmo é falar do todo. Usando as palavras de Amanda, foi isso: "Nos temos muitas afinidades em comum, senão não perderiamos tempo lendo os blogs uns dos outros". Como você disse, esse não foi um encontro comum. Sempre vejo os Orkontros dos brasileiros em Lyon e morro de tédio soh de ver os topicos. Velho, pra eu ter gasto o dinheiro que eu não tinha (até ontem, estavamos com - 60€ na conta), ter pego um trem sozinha e ido encontrar gente que eu nunca vi na vida, é porque eu sabia que ia valer a pena. E valeu mesmo!

Além de me empanturrar minha tripinhas de comida (bonissima) e beber vinho até os dentes ficarem roxos, ri muito, ouvi muita historia, recebi conselho, fui bem recebida (Benza, Margareth e Amanda, nesse sentido, um obrigada em especial. Puta merda!) e sai muito contente do Parque. Impressionante: é o que eu tenho a dizer.

A Mariana teve a idéia de um amigo-secreto-geek em que trocaremos posts sobre o tema "Paris". Rah! Acho que essa vai ser a primeira experiência de amigo-secreto da qual eu não vou me arrepender de ter participado. No memoravel amigo-secreto de 1996, na escola, eu disse aos participantes "por favor, eu não gostaria de ganhar um colar dourado. TUDO, menos um colar dourado". Tava na moda dar essas porcarias como presente. E não é que a pessoa que me tirou (VANESSA MALDITA!) me deu um colar dourado com um dalmata amarelo pendurado e ainda disse "achei tua cara"? Fiquei... putissima. Inesquecivel, inesquecivel... Dessa vez, arrisco: me deem (escrevam) o que quiserem! Tenho apreciado bastante as sugestões desse povo.

Obs: fico devendo as fotos e tenho uma otima desculpa: a câmera tah em alguma caixa desconhecida (processo de mudança de casa).
Obs2: pra quem se preocupou, Camilo recebeu seu esperado salario hoje. Tudo bem que cada centavo ja esta destinado e nao sobrara pn, mas o importante eh que saimos do vermelho. Merci!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O mistério do queijo que não era queijo

Gente, eu estou passada. Eu nem uso essa expressão, mas deve ser a mais apropriada pro momento. Nos comentarios do post passado, me perguntaram se "cabeça de galo" não era a marca do produto, se não poderia ser um azeitezinho inofensivo. Foi quando me dei conta de que eu sequer havia lido a embalagem do produto, e que quem havia dito que aquilo era cabeça de galo tinha sido Camilo e Simone. Então, fui catar uma das latas pra analisa-la.

Primeiro: o que tava escrito na embalagem era fromage de tête. Fromage: queijo. Tête: cabeça. "Mas que puxa, como eu sou tola! E não é que o que tem aqui dentro é somente queijo! Puxa vida!" E fiquei saltitante e feliz... até ler os ingredientes: molho, tempero, açucares, gelatina e langues de porc. Não, não era cabeça de galo, era bem pior: pedaço de porco.

Depois de me recuperar do enjoo (do nojo) causado pela imagem de linguas de porco decepadas e enlatadas, fui consultar o Mestre Google e achei as seguintes referências pro que poderia ser o tal do queijo que era galo e que agora é porco.

Primeiro resultado:Ninguém é obrigado a saber que fromage de tête não é queijo e sim um patê heavy metal. (Fonte) Engoli a saliva secamente: "patê heavy metal" não pode ser coisa boa.

Segundo resultado: ...uma charcutaria da qual gosto muito, mais conhecida em Portugal por 'pasta de cabeça'. O nome diz tudo: a pasta de cabeça, que se apresenta como um paté, é obtida à partir de cabeça de porco, cozida longamente em caldo de legumes e especiarias, e depois envolta em geleia. Pode não parecer, mas fica uma delícia...! (Fonte). Mas por que sera que não parece uma delicia? Oh, deus! Cabeça de porco cozida envolta numa geleia! Não consigo pensar em nada mais apetitoso do que isso! Gah! E fica pior...

Terceiro resultado: Uma das especialidades (...) é o fromage de tête, que não sei se vocês conhecem, mas já passei a maior saia-justo com esse tipo de "fromage". Pedi de entrada num bistrô parisiense o tal fromage, para acompanhar com vinho. Fromage é fromage, certo? E quando se pensa em queijo francês (...), não se tem a menor dúvida de que vem coisa bacana... pois bem, o tal fromage não era fromage e sim um patê. Superado o susto (e mico) visual, veio o susto olfativo (não esqueço o cheiro), seguido da legenda: é um patê de miolos, tudo que vc possa imaginar. E chega aos pedaços. ou seja, vc vai sentindo no boca cada miolinho e outras coisas mais. Come-se com pepino. Eles comem, eu não consegui... (Fonte) Patê + miolo + porco = vômito.

Quarto resultado: Dicionario Lendemain: fromage de tête (n.): gelatina de porco.

Voila! Quinze latas de gelatina de miolo de porco estragado. Acho que quero meu galo de volta.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A cabeça do mormon

O mundo ta cheio de gente bonita, que vai pro céu. Por exemplo, ha algumas semanas, aconteceu uma fato que me deixou deveras emocionada. Camilo comentou, na empresa em que estagiava, que não poderia tirar férias naquele momento porque a gente tava com problema de grana. No dia seguinte, o contador da empresa apareceu com uma cesta basica e deu de presente pra Camilo. Achei legal da parte dele, apesar de que "problema de grana", pra gente, não significava necessariamente "estamos passando fome", e sim, "não podemos gastar agora com uma viagem pra/pro... [coloque aqui o nome de algum pais do mundo]". Era isso. Mas achei legal o cara ter se preocupado com a gente. Achei lindo.

De qualquer forma, Camilo pareceu um pouco chateado quando chegou em casa. Dai explicou que o cara pediu a Camilo o numero do celular dele. Em troca, o contador deu o seu cartão pessoal e Camilo pode ver que o cara era mormon. Aaaah, agora tah explicado o motivo de tanta bondade.

Pra quem não entendeu, ver isso aqui:



Mais tarde, fomos analisar o presente da figura. Acho que o cara levou muito a sério o termo "basica", porque a cesta era composta por apenas quatro produtos. E praqueles que vão dizer que "cavalo dado não se olha os dentes", preciso adiantar que não foi falta de educação da nossa parte analisar a cesta, foi instinto de preservação mesmo. Explico. O cara deu seis quilos de arroz (massa), três pacotes de macarrão (massa) e algo em torno de 20 latas de sardinha e pelo menos umas 15 latas de cabeça de galo. Eh, gente, cabeça de galo. Eu nem abri a lata porque eu tive medo de ver uma cabeça cocoricando pela cozinha. Credo! Mas o fantastico não foi isso, afinal, o cara realmente pode ter pensado que nohs eramos fãs de sardinha e de... cabeça de galo. O problema foi constatar que todos os produtos que o cara nos ofereceu estavam fora do prazo de validade ha anos.

Aqui em Lyon (e/ou na França, na Europa, sei la) tem umas lojas que vendem comida fora do prazo de validade por preços modicos. Gente, assim eu também quero fazer caridade. Compro comida fora do prazo de validade, alimento dois famintos e mostro a eles outras maravilhas que Jesus Cristo pode fazer por eles. Camilo ficou com medo que o Helder Contador tentasse converter ele. Deus me livre, ja basta os caras da Testemunha de Jeova que toda semana aparecem aqui e sempre quebram a cara porque quem abre a porta é a brasileira muda. Tai, nessas horas eu fico feliz em não saber falar francês (e soh nessas mesmo). Porque é melhor engolir as cabeças de galo, com lata e tudo, do que engolir papo de missionario.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O terrivel destino dos coelhos

Ha um mês Camilo e eu fomos à Chateaubriant, cidade onde moram os pais dele, no norte da França, para provindeciarmos junto à mãe dele os detalhes de uma festa tripla: comemoração do nosso casamento, dos 50 anos da mãe e dos 20 anos do irmão do meio. Aqui na França se costuma antecipar ou retardar esse tipo de comemoração de maneira que aconteça nas estações quentes. Acho que eu e Camilo somos o unico casal de Lyon que casou perto dos 0°.

Na ocasião dessa visita à Chateau, conheci a casa dos avos de Camilo. Os avos dele, juntos, tem (têm) mais de 180 anos. A avoh é aquela mulher-maravilha que faz tudo (ela propria se auto-intitula une femme a tout faire). Apesar de estar perto dos 90, corta lenha com um machado maior que ela, é impressionante. Na propriedade dela, tem pé de uns 15 tipos frutas. Tem galinha, pato, coelho (pra consumo pessoal) e umas plantações que eu esqueci de que eram.

Com essa idade, acredite, ela sabe muito sobre as coisas que cuida. Quando ela era pequena, enquanto cuidava das vacas da familia, ela transplantava galhos de uma planta para outra e o resultado era uma planta melhorada. Ela pega um galho de um tipo de maçã, por exemplo, junta com outro tipo e dai sai uma maçã mais bonita (ou uma rosa mais bonita, o que seja). Camilo diz que ela não é a pessoa mais humilde que existe, que ela vive se elogiando, mas isso não me incomoda. Primeiro porque, com essa idade e com as coisas que ela sabe, eu acho mesmo que ela merece elogio. Depois porque eu não entendo porra nenhuma do que ela diz, então, tanto faz.

Mas, na ocasião dessa visita à Chateau, além de eu ter conhecido a casa dos avos dele, eu quase conheci uma Luci vegetariana. A mãe de Camilo disse que iriamos até a casa dos pais dela pra comermos coelho. Beleza, eu nunca tinha comido coelho na minha vida. Alias, acho que se eu algum dia na vida comi alguma carne que não fosse de vaca ou de frango, foi porque me enganaram e me cozeram um gato, porque eu não sou muito fã dessas iguarias.

Chegamos na casa dos velhinhos e, assim que eu entrei na cozinha, me deparei com minha proxima refeição morta em cima de um prato, banhada de sangue, com os olhos negros esbugalhados e os dentes de fora. Não dava nem pra entender como um coelhinho fofo e saltitante tinha se transformado naquela coisa bizarra. Eu tive aquele choque instantâneo e fiquei parada observando o coelho me observar. Ali, parada. Luciana - pensei - não crie caso, querida, você vai ter que comer essa porra de coelho, então, pare de olhar pra ele.

Então, fomos dar uma volta e Camilo me chamou pra vermos os outros coelhos (vivos). Quando eu tava entrando no galpão, vi uma das patas do coelho-jantar decepada no chão. Ai soltei um gritinho de nojo pra mãe de Camilo. Foi quando eu vi a outra pata pendurada bem perto da minha cara. Foi foda. A mãe de Camilo riu e contou que, quando o irmão de Camilo era pequeno, a avoh matou um coelho e disse pra Manuel "olha como eu tiro o pijama dele" e puxou a pele do bicho de uma vez. Show de sensibilidade.


Quando voltamos à casa, o coelho estava virando churrasco. Quando foi posto no meu prato, o coelho estava virando minha barriga. A avoh pôs a cabeça do bicho no prato - que ja não estava tão assustadora, visto que agora os olhos estavam fritos, e os dentes, quase imperceptiveis. Eu peguei uma pata. Ou o resto dela. A avoh deu a ordem de comer usando as mãos. Ou seja, o cenario estava feito: mata o coelho, tira a pele, sangra, joga no fogo, pega com as mãos, como verdadeiros selvagens, e mastiga a carne do bicho.

Sai do ritual achando que eu nunca mais comeria carne na vida. Na verdade, eu nunca mais quero ver o que acontece com o bicho antes de ele estar no meu prato. Não, não é (somente) falta de consciência, é questão de praticidade mesmo: ainda não cheguei ao ponto de achar que posso manter uma dieta rigida que exclue a carne. Por questões ambientais, temos comido menos carne, mas nada além disso.

De qualquer forma, acho que essa familia não gosta muito de coelho (vivo). Ontem mesmo Camilo atropelou um. "Pô, esse foi o segundo". Tsc.

Talvez

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