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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Exponha seu interior ao seu namorado

Esse post vai pra todos aqueles que não estão fazendo nenhuma refeição nesse momento.

Sexta-feira, 6:45h, o despertador me acorda. Abro os olhos, mas somente um responde ao comando. Com meu unico olho, noto um balde a dois palmos da minha cara. O balde olha pra mim, eu olho pro balde. Eu questiono a presença do balde. Pouco a pouco, a noite anterior vai se refazendo na minha cabeça. Haviamos enchidos nossas carinhas no maravilhoso México x França e Camilo achou por bem que eu dormisse com um balde de lado. "Tu tava fazendo uns barulhos esquisitos, tipo bllerrgg, erghhh... E eu tive medo pelo tapete" (felizmente, eu não posso reproduzir os barulhos que ele fez). Mas é formidavel a preocupação do meu querido com o tapete que ele trouxe do Brasil. "No chão, tudo bem, mas no tapete?" Ele tava lembrando da minha primeira vomitada como namorada dele. Foi lindo, gente.

A gente namorava ha poucas semanas, não tinhamos tanta intimidade, e haviamos chegados bêbados sei la de onde. Entrei cambaleante no quarto e, ja no fim das minhas forças, sentei no colchão, entreguei a Deus e dei aquela vomitada aos pés dele. Aos pés de Camilo, não de Deus. Lembro perfeitamente que o coitado teve o reflexo de frear meu vômito, mas como viu que isso era impossivel, se resignou, se encostou na parede e ficou me olhando vomitar, muito calmo. Eu ri muito no dia seguinte quando o bichinho contou que pensou "bom, sou eu quem vou limpar mesmo! Deixa agora ela vomitar!"

Acho que essa foi uma grande prova de que ele estava disposto a ficar comigo. Outro dia, acordei depois de uma festa em casa, vi um balde ao lado da nossa cama e deduzi brilhantemente "ah, coitado de Camilo, ele passou mal ontem". Quando o questionei, ele disse "Luci, foi tu mesma que pediu o balde". Viram como estou mais responsavel hoje em dia?

sábado, 27 de março de 2010

A re-volta

Como planejado, cheguei em Lyon ha quatro dias. A viagem foi cinquenta vezes menos cansativa que a da ida, mas como nem tudo é perfeito, peguei umas turbulências que me fizeram entender que ha, sim, formas de eu me sentir mais vulneravel do que me sentia na crescente violência de João Pessoa. Sabe aquelas descidas inesperadas do avião que fazem seu estômago parar nas suas amidalas? Pronto, senti três vezes. Foi otimo.

E como ja faz quatro dias que cheguei, muita das impressões da viagem se foram. O que ficou mesmo é que eu tenho amigos lindos e idiotas! Se eu não tivesse esse tempo no Brasil, acho que eu estatia babando agora, sem dizer coisa com coisa. Agora o rumo é outro. Mas antes, entendam.

Dizem que meu amor por ela é obssessivo e doentio.
Não acho



Minha moral baixa e minha barriga querendo
competir com meus peitos em tamanho


Nariz de Andressa, Fabio e Jeff, o doente


Andressa sobria


Jaque procurando a Biblia na bolsa e Elizinha.
Limpeza.

Foi bom, mas citando Paulo Francis: "Às vezes acho que aguentei tanto tempo viver no Brasil porque estava em estado etílico na maior parte do tempo". Gracias por isso, amigos!

terça-feira, 23 de março de 2010

Especial Brasil: minha primeira tattoo

Sim, finalmente um post. E, provavelmente, o último em terras brasileiras, já que me restam menos de 48h por aqui e, se eu não escrevi muito durante essas sete semanas, é pouco provável que eu o faça nessas horas que me restam no Brasil.

Gostaria de dizer que os dias aqui foram de sol, céu e sal, mas só fui à praia três vezes, e somente pra beber cerveja e enterrar os pés na areia - na realidade, eu não vejo muita utilidade na praia além destas. Apesar disso, desconfio de que eu nunca achei as praias de João Pessoa tão bonitas! Rolou até lagriminha - mas nesse mundo onde as coisas foram criadas com o único propósito de me fazer chorar, o mérito da praia, nesse sentido, se perde.

Apesar dos dias terem sido bem parecidos uns com os outros, aproveitei pra fazer coisas que nunca tinha feito antes como, por exemplo, uma tattoo. Ouais! Já era desejo antigo, mas sempre adiei por dois motivos: falta de grana e falta de imagem. O primeiro problema foi resolvido com o câmbio euro-real. E a idéia da imagem pareceu tão fácil de resolver quanto.

Há uns meses (setembro de 2009?), Camilo me presenteou com um livro de um ilustrador francês, muito conhecido por lá, que se chama Sempé. Foi ele o responsável pelas ilustrações do Petit Nicolas (primeira imagem do post). O nome do livro se chama Simple question d'équilibre e retrata a relação dos franceses com a bicicleta. Nunca vi um povo pra gostar tanto de bicicleta. Basta dizer que, assim que cheguei em Lyon, Camilo me surpreendeu com uma. Confesso que duvidei da utilidade dela no início, mas hoje, eu não me imagino sem minha bicicletinha verde-cocô. Na dedicatória, uma frase simples, entre tantas: "pra você se reconciliar com a bicicleta". E assim foi. O livro é lindo. Sempé é absurdamente simples, mas cada traço percebido aumenta o sorriso.

Apesar de ter folheado o livro de trás pra frente, e de frente pra trás, me deparei com um casal sobre a bicicleta andando de forma linda, em plena harmonia (bem diferente de quando eu ando). Daí, achei que pudesse ser eu e Camilo. Daí, lembrei daquela vez em que eu o carreguei na bike depois de uma calourada bizarra na UFPB, começo de namoro, regados à Ypióca. Belo futuro teríamos pela frente. Eu tentando pedalar com aquele ser esparramado no guidão e ele falando merda e rindo. (segurem firme, vai ser brega, mas) Foi nesse dia em que ele disse que me amava - acho que eu o impressionei com minhas habilidades bicicletísticas. E depois, teve aquela vez em que eu caí: três dias no hospital. E também aquela vez em que ele caiu: véspera do nosso casamento, nariz esmagado. E depois, veio outro livrão de Sempé no Natal. E daí, quando vi, tinha uma tatuagem nas minhas costas.

A única forma que encontrei de nos mantermos
firmes em cima de uma bicicleta.



O responsável pela arte:
Jeison Peixoto - http://www.flickr.com/photos/jeisonpeixoto/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: álcool histórico

Continua minha saga em busca dos amigos que preciso rever. Semana passada, foi a vez do pessoal do curso de História. Eu só faltei sambar na mesa de tanta empolgação! Povo bom, adoro! E adoro porque [modo piegas on] eles representam tudo aquilo que eu mais admiro num amigo: bondade, graça, inteligência, embriaguez... Como eu adoro esse povo! Aqui, alguns deles:

Nível alcoolico 1: todos ainda penteados e vestidos

Nível alcoolico 2: nesse estado, você sorri, faz uma gracinha...

Nível alcoolico 3: já começa a fazer careta, levanta da mesa, grita

Nível alcoolico 4: pega uma peruca, incorpora o satanás e esquece que tem uma vida social a zelar

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cevando a faxineira

Trabalhar pra madame tem la suas vantagens (soh vi essa até agora): quarta-feira passada, cheguei na casa de mme Trognon e vi uma super caixa de Ferrero em cima da mesa com um bilhetinho: "boas festas!" Meus olhos brilharam! Se ela tivesse deixado uma caixa de cerveja, eu teria feito a faxina de graça. Na quinta-feira, mme Forfait me deu outra caixa de chocolate, também uma de Ferrero (foi ai que eu lembrei que o chocolate tava em promoção no Carrefour, mas o que vale é a intenção e ela foi muito bem apreciada). Na sexta-feira, mme Blague uma velhinha super simpatica, que provavelmente não havia ido ao Carrefour naquela semana, me deu um singelo envelope com 40€! Gente, soh não sentei no colo dela e a chamei de vovoh porque o povo na França é formal demais. Mas eu mal pude passar pela porta tamanho o sorriso! Ah, e ela disse, com toda a sinceridade dela, que eu soh não recebi mais porque faz pouco tempo que eu trabalho la, mas que no proximo Natal... (huhuhu) Pensei até em trabalhar mais um ano de piniqueira, mas desisti porque ela tah tão velhinha que é possivel que ela morra antes do proximo Natal. Esperamos que não.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Oinc

Passei o ultimo domingo em frente ao computador curtindo uma insistente ressaca da bebedeira do dia anterior. No final do dia, comecei a sentir uma cansaço extremo, dores nas costas, na cabeça e uma sensação de febre. Pensei que ressaca tava indo longe demais. Fui dormir e acordei as 4:30h da madrugada com a cabeça estourando e uma febre alta. Depois de me dar remédio e procurar (em vão) o termômetro, Camilo foi pro Google pra saber o que eu tinha.

- Acho que tu ta com gripe.
- Mas eu não tou espirrando.
- E dai?

Sei la, pra mim gripe = espirro.

Como eu não queria esperar que meus pulmões se desfizessem em catarro pra procurar um médico, pedi pra Camilo marcar, na primeira hora util do dia, uma consulta pra mim. As 14h fomos visitar uma francesa de sobrenome arabe (Camilo escolheu ela pelo sobrenome. Preconceito?). Ela confirmou que eu tava com gripe. Não com a gripe, mas que, em todo caso, ia me tratar com o tal do Tamiflu. Bom, depois ela disse que eu tava com uma versão light da Gripe e eu não entendi mais nada. So que eu deveria ficar, obrigatoriamente, cinco dias em casa. Essa é a parte boa. Quer dizer, essa é a parte ruim. Não sei.

Fiquei pensando se a vacina ou o Tamiflu teriam efeitos colaterais complicados e acabei achando isso aqui na internet:

Existem preocupações de que o oseltamivir (Tamiflu) pode causar perigosos efeitos colaterais psicológicos, neuropsiquiátricos, incluindo automutilação em alguns usuários.

Lim-pe-za. Chegar pra Camilo com meia perna e dizer que foi culpa da gripe. Bom, de qualquer forma, liguei pra mme. Cler pra avisar que eu soh voltarei a trabalhar segunda e ela pareceu bem compreensiva. Mas agora é bom que todo mundo seja compreensivo comigo: agora eu sou uma pessoa perigosa. Então, se vocês tiveram algum amigo do qual não gostem, eu posso tossir na cara dele, sem problemas.

domingo, 8 de novembro de 2009

Queda pra inglês sofrer

Queda de bicicleta, infelizmente (para os outros), não é privilégio meu. Hoje de manhã, depois de trocar os freios da minha bicicleta, que se romperam com o ultimo acidente, dei de cara com a inglesa que mora a gente, Cecilia. Por um segundo, eu não pude acreditar: a coitada tava toda arrebentada. Os dedos, o queixo e as palmas das mãos cheias de curativos. O labio superior completamente inchado e meio aberto. E, finalmente, lhe faltava um dente. Não precisei pensar muito pra deduzir que aquilo tinha sido resultado de uma queda de bicicleta. E, quando ela entrou no banheiro e tentou induzir o proprio vômito, não foi dificil, tampouco, imaginar que a queda foi durante um porre. Coitada.

Segue dialogo entre mim e Camilo ao som do vômito de Cecilia:

- Nossa, quantas quedas de bicicleta esse ano!
- Pois é...
- Tu caisse, Camille, Cecilia...
- Sophie...
- Quem mais? Falta uma pessoa!
- Não sei.
- ...
- ...
- Ah, eu...

O proprio se arrebentou no oitavo dia do ano, na vespera do nosso casamento. A presepada pode ser relida aqui. Camilo tava bêbado. Sophie caiu na mesma semana em que eu cai da primeira vez: bêbada. Camille caiu ha menos de um mês e também arrebentou o rosto: bêbada. Cecilia caiu ontem. Acabou de sair com Camilo pra procurar o pedaço do dente que lhe falta. Acho que ela não vai encontrar. Mas a boa noticia é que o ano ainda não acabou. Quem sera o proximo?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tarde de superlativos

Ha uma hora, quando liguei meu compuatdor, eu estava feliz e contente porque:

- meu computador ligou;
- eu tinha acesso à internet;
- eu tinha, finalmente, tempo pra atualizar meu blog;

Como essas três coisas se tornaram raras nos ultimos dias, o meu sorriso era enorme. Comecei um post no Bloco de Notas e falei nos detalhes como foi o encontro em Paris. De repente, o computador desliga e, quando retorna à vida, percebo que o post sumiu (sim, obviamente eu estava salvando o arquivo a cada frase feita). Agora tou puta da vida e não vou mais escrever sobre o encontro de Paris.

Mentira, eu vou. hihihi

Como metade da empolgação foi embora junto com o arquivo perdido, vou resumir minhas sensações sobre o encontro. Do começo, pra quem não pegou a historia: neste ultimo fim de semana, fomos à Paris para o I Pic Nic de Blogueiros Brasileiros Residentes na França (denominação tosca por minha conta). A idéia partiu de Amanda, que, percebendo que a interação via blogs era formidavel, resolver dar cara aos blogueiros e convidou a todos pra um pic nic.

Camilo ja estava em Paris à trabalho, então, se juntou a mim e, no final da tarde da sexta-feira, chegamos à casa de Amanda e Cheri. A noite foi tranquilissima. Quando li o blog de Amanda pela primeira vez, ficou claro que eu iria voltar com frequência, como de fato aconteceu, mas não imaginava que em poucos meses eu estaria passando uma noite na casa dela. O casal em si é massa, da pra entender porque eles se amam. Muita historia pra contar e um bom ouvido pra escutar.

No dia seguinte, fomos ao Parque Esqueci o Nome e nos sentamos à beira de um laguinho. Ok, não tão à beira. Nesse momento eramos:

Amanda e Cheri, Maira e Rafael, Rodrigo-Rafael, Margareth e François (por algum motivo desconhecido e infeliz, Margareth não tem blog), Aline, Mariana, Bel e duas amigas, Benzina e China (o casal mais bonito da tarde), eu e Camilo.

No post-frustrado, comentei sobre cada uma dessas pessoas, mas o que eu queria mesmo é falar do todo. Usando as palavras de Amanda, foi isso: "Nos temos muitas afinidades em comum, senão não perderiamos tempo lendo os blogs uns dos outros". Como você disse, esse não foi um encontro comum. Sempre vejo os Orkontros dos brasileiros em Lyon e morro de tédio soh de ver os topicos. Velho, pra eu ter gasto o dinheiro que eu não tinha (até ontem, estavamos com - 60€ na conta), ter pego um trem sozinha e ido encontrar gente que eu nunca vi na vida, é porque eu sabia que ia valer a pena. E valeu mesmo!

Além de me empanturrar minha tripinhas de comida (bonissima) e beber vinho até os dentes ficarem roxos, ri muito, ouvi muita historia, recebi conselho, fui bem recebida (Benza, Margareth e Amanda, nesse sentido, um obrigada em especial. Puta merda!) e sai muito contente do Parque. Impressionante: é o que eu tenho a dizer.

A Mariana teve a idéia de um amigo-secreto-geek em que trocaremos posts sobre o tema "Paris". Rah! Acho que essa vai ser a primeira experiência de amigo-secreto da qual eu não vou me arrepender de ter participado. No memoravel amigo-secreto de 1996, na escola, eu disse aos participantes "por favor, eu não gostaria de ganhar um colar dourado. TUDO, menos um colar dourado". Tava na moda dar essas porcarias como presente. E não é que a pessoa que me tirou (VANESSA MALDITA!) me deu um colar dourado com um dalmata amarelo pendurado e ainda disse "achei tua cara"? Fiquei... putissima. Inesquecivel, inesquecivel... Dessa vez, arrisco: me deem (escrevam) o que quiserem! Tenho apreciado bastante as sugestões desse povo.

Obs: fico devendo as fotos e tenho uma otima desculpa: a câmera tah em alguma caixa desconhecida (processo de mudança de casa).
Obs2: pra quem se preocupou, Camilo recebeu seu esperado salario hoje. Tudo bem que cada centavo ja esta destinado e nao sobrara pn, mas o importante eh que saimos do vermelho. Merci!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Flash

No Brasil, os unicos amigos que moravam sozinhos (leia-se, sem parentes) eram aqueles que vinham de outras cidades para estudar. Aqui, graças aos céus, ou não, os jovens costumam sair de casa aos 18 anos. Isso estimula certos habitos, como festas e jantares frequentes na casa dos amigos. E eu adoro isso! Na nossa casa fazemos muitas festas e não ha nada melhor que beber sem preocupações (sem preocupações = muito), dar dois passos e cair na propria cama.

Sexta passada fizemos uma festa surpresa para Simone aqui em casa. Na ocasião, pude conhecer uma das meninas que vai morar com a gente na proxima casa. Eh uma marroquina que deve ter a minha idade e que mora na França ha cinco anos. Das pessoas que vão morar conosco (sem contar eu e Camilo, serão seis) ela foi a unica com a qual não simpatizei muito.

Meu inglês é uma porcaria, mas é com ele que eu me viro aqui na França. Então, toda vez que alguém me faz uma pergunta, respiro fundo e falo sempre fazendo caretas e perguntando "você entende?" ou "essa palavra tah certa?" e costumo sempre, sempre, ver as pessoas com um sorriso me aprovando com a cabeça, mesmo quando eu tou errada, afinal, o que vale é o esforço. Mas acho que essa não é o lema da marroquina. Cada vez que eu falava alguma coisa errada, ela mexia a sobrancelha de uma maneira quase imperceptivel, mas pelo fato de se repetir sem parar, eu acabei notando. E, porra, isso brocha qualquer interlocutor! Ela não era de todo chata, mas a conversa não estava sendo agradavel e tampouco ela se mostrou interessante, o que é uma pena, ja que ela vai MORAR comigo. E, no auge da conversa, eu:

- Meu pai trabalha num banco e minha mãe é dona de casa. Ela trabalha muito, é a primeira a acordar e a ultima a dormir.
- Mas por que?!
- Porque ela limpa, lava, cozinha, cuida de toda uma casa!
- Ela não tem maquina de lavar?
(Claro, porque uma maquina de lavar resolve todos os problemas domesticos. Inclusive, a roupa vai pro varal sozinha, é passada sozinha e vai pro guarda-roupa sozinha)

- Tem, mas existe outras coisas pra fazer.
- Ah, pois eu vou ser dona de casa! (se espreguiçando) Acordar tarde, não ter nada pra fazer, soh cuidar do bebê.

Adoro mulheres ambiciosas.

Depois de meia hora de sofrimento gratuito, nos livramos uma da outra e eu corri pra Camilo pra dizer que não tinha gostado dela. Foi ai que descobri que eu não sou a unica.

Ja ontem teve uma festa pra comemorar a mudança de Laure pro apartamento das amigas. Pedi e implorei a Camilo que, pelo amor de jesus cristinho, não me deixasse sozinha (principalmente com alguém chato). Beleza.

Chegamos na festa e, mais ou menos uma hora depois, um amigo liga pra Camilo dizendo que precisa urgentemente conversar com ele em tal lugar. O assunto é sério. Camilo me da essa noticia e eu fico me perguntando "o que porra eu vou fazer aqui sozinha?" Porque geralmente, depois de eu beber, não preciso mais ficar seguindo Camilo pra onde ele vai e acabo conversando por ai com qualquer pessoa. Mas não era o caso. Eu não tava bêbada, a festa tava estranha, tinha pouca gente conhecida. Então, la vai Luci com seu copo de vinho na mão se enfiando nesse grupo aqui, ou naquele ali...

O que aconteceu foi que, finalmente, não consegui achar nenhum grupo interessante pra me meter, e o melhor que consegui foi conversar com um cara com um sotaque francês fortissimo e não entender porra nenhuma.

- Minha namorada é de tal pais.
- Eh de onde, brother? Sei...
- Então, ela enfrenta o mesmo problema que você...
- Ela enfrenta o que? Que coisa, hein!

Acho que ele notou, as respostas não tavam encaixando muito bem. Uma hora depois, Camilo ainda não tinha voltado, e eu ja tava tão doida de vinho, que entrei em um dos quartos e me joguei numa cama. Ai vem o que eu lembro. Flash um: eu brigando com Camilo que tinha acabado de me acordar e, flash dois, eu no meio da rua chorando voltando pra casa a pé com ele.

Hoje de manhã acordei meio puta porque sabia que a gente tinha brigado, mas não lembrava exatamente porquê, então, toda desconfiada, liguei pra ele (no trabalho) e perguntei porque a gente brigou. Que pessoa idiota. Ele riu, disse que eu tava muito bêbada, que acordei histérica dizendo que ele tinha me esquecido, que fiquei batendo no braço dele, que tentei vomitar etc. Ele disse ao amigo do trabalho hoje: "tenho que voltar pra casa cedo pra me resolver com Luci. Ou ela vai tah muito puta e a gente vai brigar ou ela não vai lembrar de nada e vai rir da historia". Então, foi mesmo a segunda opção, mas eu não ri muito. A pior ressaca é a moral.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eis a questão

The Puppini Sisters

Ha dois meses, eu anunciei aqui meu belissimo presente de aniversario: ingressos pro show das Puppini Sisters. Agora chegou a hora em que eu descrevo o show. Em duas palavras? Absolutamente fantastico! Mas como eu não sou de falar pouco, ai vai:

O show estava marcado pras 20:30h, mas às 19h eu ja estava abortando de tanta ansiedade! Pulando toda a movimentação infeliz pré-show, entramos no teatro e procuramos uma vaguinha. Escolhemos um bom lugar, mas num anfiteatro ha maus lugares? O lugar em si é absolutamente fantastico. Meu lado historiadora estava batendo palminhas internas. Quantas centenas de pessoas ja não puseram a bunda exatamente naquele lugar em que eu estava sentada? Ok, sei que é uma coisa esquisita de se pensar, mas eu estava feliz também por isso. Pra mim, eram milhares de historias que se cruzavam sendo testemunhadas pelo mesmo local.

Com apenas cinco minutos de atraso, elas entraram. Eu nem percebi de imediato: quando escutei os gritos da multidão, voltei o olhar distraido em direção ao palco e vi aquelas três figuras prateadas sorrindo. Nossa! O queixo começou a tremer. "Se segura". Cantei pra disfarçar a cara de imbecil, mas na segunda musica comecei o berreiro e soh parei depois da terceira musica. Sim, Luis, elas são tão afinadas quanto no estudio. Elas tem presença de palco, elas soltam piadas engraçadinhas, dançam e tocam bem. A ruiva com um violino, a morena com um acordeão e a loira com uma escaleta (perdoem, não sei o nome delas e a falta de interesse não permite saber). Quando a ruiva entrou, Camilo disse "puta que pariu, que coxão da porra!". Pois é, tem ainda esse "agravante". Mas vamos voltar a esse assunto depois.

Indo para o Brasil...

Apesar de eu ja poder somar quase cinco meses de residência na França, ainda me surpreendo com muitas coisas que acontecem por aqui. Com um espetaculo como esse, não seria diferente. As três bandas que vimos (The Puppini Sisters, Java e Caravan Palace) são voltadas pro publico jovem. Mas isso não impediu que quase a metade das pessoas que viram ao show no ultimo dia 28, fossem compostas por pessoas acima dos 40 anos. No Brasil, pessoas de 40 anos saem de casa pra ver o show de Roberto Carlos. No Brasil, nunca vi um show começar com apenas cinco minutos de atraso. No Brasil, eu não deixaria minha mochila no banco enquanto pulo e balanço distraidamente. Monique me escreveu ha alguns dias dizendo que foi furtada no show do Festival de Inverno de Garanhus (PE). La você pode introduzir sua mochila na sua vagina e, acreditem, vão achar uma forma de tira-la dali, por bem ou por mal.

Voltando...

O publico era, pra mim, um espetaculo à parte. Quando a banda pedia palmas, batia-se palmas até o fim da musica. E não era raro ver a onda de braços balanço pra ca e pra la. Velho, foi um show bonito, pra onde se olhava (pro publico, pros assentos, pro palco) se via um espetaculo. Entre um show e outro eu corria pra me embebedar, o que tornou as coisas ainda mais fantasticas! Ou não.

Eh o seguinte... O figurino das Puppini era uma roupa prateada, bem bonitinha: a ruiva gostosona vestia uma roupa micro que deivaxa 99% das pernas de fora; a morena baixinha tinha pano até metade da coxa; ja a loira, usava um modelo até os joelhos. Na hora, eu dei pouco importância àquilo. A vocalista do Caravan Palace, no entanto, entrou com uma roupa que deixava a ruiva puppini parecendo uma freira. E cada vez que ela entrava no palco, a multidão gritava com mais energia. E quando ela descia até o chão (à la Sheila Carvalho)? Então eu comecei a achar aquilo meio idiota. A voz da mulher era uma massagem no ouvido (e o show foi do caralho!), mas eu me perguntava "pra que vir pelada?". Eh logico que vão dizer que eu estou sendo puritana ou neurotica, (ou pior, invejosa. credo!) mas a questão é que acho uma pena elas, todas elas, terem que aparecer peladas pra agradar. Então, acabei vendo o show de Caravan Palace com a mão no queixo, parecendo aquelas velhas ranzinzas. Porque cada vez que eu olhava pro palco e via aquela mulher pinotando pelada, eu tinha vontade de correr la, sacudir os ombros dela e dizer pra ela não se sujeitar àquilo.

No final do show, discuti sobre o assunto com Camilo e passamos quase uma hora (estimulados pelo alcool) falando sobre machismo, sobre os direitos da mulher sobre seu corpo etc. Disse que era desnecessario que elas usassem aquelas roupas pra representar um determinado estilo musical. Camilo rebateu dizendo que elas poderiam soh querer ser sexy. E depois de mais meia hora discutindo, ele me perguntou se tinha alguma forma das mulheres usarem pouca roupa, querendo ser bonita/sexy, e não serem chamadas de vitimas (ou não) da sociedade machista. Velho, eu não sei. Não é que uma mulher não possa usar roupa curta, decote. Quem sou eu pra dizer isso, não é? Eu sou a primeira a usar. Mas o apelo erotico usado pra dar audência à banda é que me deixa nervosa. Camilo, aos cinco minutos do primeiro tempo soltou "que coxão da porra". Talvez ele tenha percebido que a voz da moça era bonita, mas o comentario foi sobre a coxa. Tou de acordo com ele. Que coxão da porra! Mas é uma peninha que o coxão da porra não possa ser poupado da exibição. E é uma peninha pensar que a idéia daquela roupa minima, provavelmente, não foi idéia de uma mulher. Ou melhor, da mulher que usou o traje.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

De queixo caído

Sim, finalmente! O post do reencontro!

Lembro que quando faltava 62 dias pro meu reencontro com Camilo, eu o escrevi eufórica por conta disso. Meu deus, 62 dias! Era fantástico! De repente, me dei conta de que somente duas horas nos separavam.

Desci do avião com um sorriso, peguei as malas na esteira com dois sorrisos e, quando estava saindo da sala pra ver o menino que mudou o rumo da minha vida, fui parada por um policial idiota e francês. Ele falou qualquer coisa e eu, sem entendimento e educação, disse "quoi?!" quando a polidez exigia um refinado "pardon?" Mas a essa altura alguém acha que eu me importei com isso? Falei num inglês primitivo que iria morar na França com o senhor meu marido e fui liberada. A frase me deixou pensativa.

Voltei a sorrir e sai de lá. A surpresa grande foi ter que esperar trinta minutos pelo namorado atrasado. Mas quando o vi chegar... Rá! Quando eu o vi chegar... Hahahahahahahaha! Titititititi! Laaaaaaaaaaaa laaaaaalaaaaaaaaa! Viva o mundo!

A gente se abraçou, se beijou, se cheirou, se lambeu, se cheirou mais (reconhecimento, né, galera) e foi embora. Chegamos em casa na seguinte situação: três meses e meio sem nos vermos, cama grande e apartamento vazio. Então, como esse não é (ainda) um blog pornô e meus amigos são muito imaginativos, eu pulo a cena seguinte.

Combinamos depois de ir ao cinema ver um filme de Almodovar com Penelope Cruz. Almodovar, meu filho, existe outras atrizes no mundo, eu juro. Não curto muito Penelope Cruz, ela tem cara de fuinha, mas como francês não é meu forte, a opção era um filme em espanhol.

O dia ainda estava claro e a sessão era às 22h. Quando Camilo disse que faltava duas horas pro filme começar, deu um tilt em mim. Piorou quando ele disse que eram 20h. "Como assim oito?! Claro assim?!" Sim, claro assim. Uma coisa é saber que nessa época os dias são mais longos na Europa. Outra coisa é viver esse dia longo.

Eu saí toda contente e feliz de casa e a noite só chegou perto das 22h. Até essa hora, ficamos bebendo na beira do rio. Centenas de pessoas faziam o mesmo. E as figuras ilustres foram se proliferando. Chegou um grupo de meninos nos chamando pra uma festa. Depois chegou um cara, pegou a bicicleta de Camilo e fez um movimento como se fosse roubá-la, depois deixou a bicicleta, sorriu e saiu. "Oxe, que doideira, tu conhece esse cara?" Não, Camilo não o conhecia. Brincadeira muito saudável pra se fazer com um estranho, fingir que vai roubar sua bicicleta.

Bebemos uma garrafa de cerveja e outra de vinho. Foi então que percebi que eu preferia beber a ir ao cinema. Na verdade, eu sei que eu prefiro beber a fazer muita coisa, mas é que aquele momento estava sendo muito legal. A gente estava conversando tranquilamente na grama, levemente bêbados e eu estava "abobalhada" percebendo o quanto amo esse menino. Eu sei que a excitação do reencontro deixa a pessoa idiota, mas naquele momento eu tava TÃO FELIZ vendo Camilo falar sobre as coisas da vida dele! E não queria trocar aquele momento por nada, só para comprar outra garrafa de vinho.

Uma hora depois eu já estava bêbada o suficiente para fazer xixi tranquilamente perto da multidão, dividindo o espaço com outros bêbados (um muro). Nessa hora decidimos voltar pra casa. E foi nessa hora que aconteceu.

Camilo foi na sua bicicleta na frente e eu segui atrás. Em certo momento, eu o ultrapassei e comecei a pedalar muito rápido. Tão sentindo onde isso vai parar, não é? Luci bêbada e uma bicicleta em mãos. Pedalei mais rápido e fiquei chamando ele de cagão. Ele pedindo pra eu ter cuidado e eu levantando as pernas e deslizando pela pista.

O resultado foi o esperado: levei uma queda e caí de cara no chão. A queda foi tão foda que eu ralei até o pescoço. Eu ralei o pescoço, a cara, os dois ombros, mão, joelho... Eu achei que meu queixo tivesse descolado tamanha a dor que senti quando ainda estava no chão. Camilo acudiu. Na hora, ele não descreveu como estava meu rosto, só quando eu cheguei em casa foi que vi o tamanho da merda. Ele me deu um banho e eu só fazia choramingar. Bem feito. "Cagão, cagão".

No dia seguinte, ele foi na padaria e me mimou com uns pães fuderosíssimos. Foi difícil mastigar, o queixo estava doendo muito. Depois fui tomar banho e, quando me vi no espelho, fiquei horrorizada. O negócio estava horrível, meu queixo tem o dobro do tamanho e as feridas pelo corpo estão em carne viva. As fotos estão aí, mas não são fiéis à realidade.

Camilo tem me chamado carinhosamente de "monstrinho".

Talvez

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