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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Praga

A viagem à Praga, pra mim, nao foi tao marcante quanto a de Berlim, mas posso dizer que Praga é a cidade mais bonita que ja vi. Pra onde se olha, ha alguma coisa bonita a ser vista, é impressionante. Os prédios, as pontes, os parques, os jardins... as tchecas - nunca vi tanta mulher gostosa! Mas o que você mais vai ver em Praga, amiguinho, é turista. Aos milhares. Por isso, se você for à Praga, muita atençao aos pick pockets. Uma coisa atrai a outra.

Achei o povo de Praga, em relaçao aos alemaes, igualmente tranquilo. Todas as vezes em que pedimos informaçao, percebemos um esforço por parte das pessoas em tirar nossa duvida. Mesmo aquelas que nao falavam inglês, gesticulavam e sorriam. Adorei ver os casais gays da cidade. Era comum ver homens e mulheres de maos dadas com seus parceiros. O mesmo pra Berlim. Em Lyon, essa exposiçao é bastante rara. 

A cerveja é ridiculamente barata. No supermercado, 20 centavos de euro por meio litro. Vou repetir. Vinte-cen-ta-vôs. Meio-li-trô. No Jardim da Cerveja, no topo de Praga, onde fica o Metrônomo (foto abaixo), e uma linda vista da cidade, compravamos meio litro de cerva por 1€. Esse parque (Jardim da Cerveja) é lindo, enorme e tem bares que vendem cerveja barata. Fomos duas vezes. 



Na segunda vez, à luz do dia, pudemos reparar nas crianças praguenses. O nosso anfitriao havia nos dito que as praguinhas comem desde cedo "comida de adulto", que a dieta deles é a mesma dos pais. E, como os pais se empanturram de comida ruim, os filhos seguem o caminho. Nessa tarde de cerveja, vimos varias maes acalmarem os guris com batatas fritas. Os bebês, que nem tinham idade pra andar, seguravam suas batatinhas. Outra criança, que deveria ter um ano e meio, com sua lata de Fanta na mao. Podem me condenar por eu estar criticando os pais que fazem isso, mas acho que ha coisa melhor a se oferecer a um bebê. Pior que, pela grossura dos braços das crianças, aquela nao parecia ser uma pratica rara, de final de semana. 

Outra coisa muito curiosa que vi, foi varias crianças vestidas iguais. As maes que tinham duas ou três filhas (vi isso somente com meninas) as vestiam com roupas idênticas, mesmo elas nao sendo gêmeas. Nunca tinha visto isso antes. E alias, ja acho bizarro vestir crianças gêmeas de maneira igual. 

Bom, como de costume, usamos o Couchsurfing pra nos hospedarmos. Ficamos na casa de um senhor de 65 anos que tinha acabado de fazer seu perfil no site e, no espaço de duas semana, ja havia recebido 16 pessoas. Quando chegamos na casa dele, ja havia quatro hospedes. O cara é uma figura: um inglês muito bem humorado, de piadas acidas, que bebia cerveja o dia todo. Um sonho! Assim que chegamos na casa dele, nos deparamos com nada menos que cinquenta relogios espalhados pelos cômodos (contei "somente" 55). No banheiro, tem quatro. Na cozinha, cinco. No quarto e sala, o restante. Ele também nunca contava o tempo usando as horas, mas sempre os minutos. "Vocês vao demorar 60 minutos pra chegar em tal lugar". E, cada vez que falava sobre o tempo entre sua casa e tal lugar, era de uma precisao incrivel. "Vocês vao levar 16 minutos pra chegarem". 



Ele nos deu um pequeno roteiro que ele havia feito para seus couchsurfers conhecerem melhor a cidade. Mas eu nao vou me estender muito sobre essa viagem. Vou postar as fotos e falar sobre algumas coisas rapidamente.



Torre de televisao Zizkov, também chamada de "Pênis de Praga". Falei: toda cidade tem alguma construçao falica. Lyon tem seu famoso Crayon. Recife, a pica de Brennand. Berlim, a Torre de TV. E assim vai. Se vocês repararem, tem uns bebezinhos subindo pela torre. Arte de David Cerny. Também vimos mais bebês de Cerny à beira de um rio de Praga:



Prefiro meu guri

O inglês me colocou numa cama de armar que fazia TREC! cada vez que eu me mexia. Bastava eu pensar em respirar que a cama fazia TREC! Aih, eu comecei a ficar incomodada por estar respirando, porque tinha outras quatro pessoas dormindo no mesmo cômodo. Foi uma noite e tanto! As molas que ficavam na altura das minhas costas ja estavam bem gastas, deixando um buraco nessa parte. O nivel dos meus pés e cabeça estava bem acima do nivel da coluna. Aquilo parecia mais uma rede, entao, eu nao poderia dormir de bruços (a unica posiçao que me permite dormir) com medo de quebrar minha coluna. Mas me mantive sossegada, tentando nao respirar muito. Mas do que adianta você tomar tanto cuidado quando você tem um namorado doido que tem o sono assombrado? No meio da noite, acordo com uma movimentaçao estranha. Quando olho pro lado, vejo Camilo se levantando e indo sentar no sofa onde dormia o inglês. 

PANICO.

Imagine o susto dessa criatura quando Camilo sentasse na cabeça dele? Dei um pulo, TREEC!, agarrei a mao de Camilo, TREEEC!, e fiquei puxando, TREEEEC!, ele pra perto de mim. O inglês acorda, se levanta e vai ao banheiro. Camilo desperta. 

- Menino, o que é que tu quer fazer, hein?!
- Sei la!

Eh tao tenso dormir com Camilo, meu deus. Noite sim, noite nao, ele apronta dessas. Outro dia, acordei com um pé na minha cara: era ele que tinha virado ao contrario enquanto dormia. Ha umas semanas, ele acordou, puxou meu cabelo (sabe criança puxando cabelo da amiguinha? Pronto) e dormiu. Eu acordo sendo maltratada, minha gente. Posso nem acionar a Lei Maria da Penha, porque o desgraçado faz dormindo. Ele da chute, beliscao, puxa o lençol, o cabelo, empurra, fala, grita, levanta, ri. Quando é comigo, tudo bem, mas quando a gente divide o quarto, eu durmo com um olho aberto e outro fechado. No dia seguinte, eu estava tao quebrada, que quando eu respirava, doia, juro!

Esquecendo a noite passada, pegamos um tramway, fomos até a parte mais turistica da cidade, ao norte, e descemos a pé, visitando os pontos mais famosos da regiao. A tarde, quando chegamos numa praça bonita, comecei a me sentir mal: lombrigas dando sinais de vida. Otimo, pensei. Comecei a suar levemente e minha pressao foi baixando. Fiquei em duvida se eu ia desmaiar ou cagar nas calças. Foi entao que vi um banheiro publico. Como a maioria das minhas disenterias sao psicologicas, respirei fundo e disse com firmeza a mim mesma que aquilo nao era nada. Três segundos e meio mais tarde, eu estava no banheiro.

Essa disenteria (e as três seguintes...) foram oferecimento da comida de Berlim. No ultimo dia na cidade, por exemplo, comemos pizza no café da manha, Kebab no almoço, uma porçao de batata frita + salsicha no lanche e mais pizza no jantar. Uma disenteria era o minimo que eu poderia esperar com uma dieta tao equilibrada. Fica o exemplo.

Jardim biito









Muro John Lennon. Fica em frente à Embaixada francesa. Famoso, até Yoko Ono ja deixou mensagem aih. 









Cristo feito de calçados



Dancing House - originalmente chamado de Fred e Ginger - tem um restaurante francês no teto e uma vista incrivel da cidade. 









Meiguinha na Praça Venceslau com o Museu Nacional ao fundo. Essa é uma das praças mais importantes da cidade. Foi nela em que Jan Palach, um estudante de Filosofia, ateou fogo ao proprio corpo em sinal de protesto contra a ocupaçao soviética, morrendo três dias depois. 






Achei os museus caros. Fomos somente a dois: Museu do Comunismo e o de Mucha (lê-se "murra"), onde havia uma linda exposiçao sobre ele. O trabalho do cara é sensacional. Compramos cartao postal, blusa, cartaz, isqueiro, tudo que eu tinha direito. Adoro! Grande parte da cidade esta construida no estilo Art Nouveau, estilo criado por Mucha. 

O Museu do Comunismo, na minha humilde opiniao, deveria se chamar Museu Anticomunista, porque apesar da historia de Praga parecer ter se tornado negra no momento da ocupaçao soviética, soh havia uma versao dos fatos nos painéis que contavam a historia do comunismo no pais. O comunismo matou mais, poluiu mais, fez mais infelizes, comeu crianças, bla bla bla. Olha, enchi o saco na metade da visita. Os souvenirs consistiam basicamente em reproduçoes de cartazes soviéticos com mensagens pouco elogiosas aos vermelhos. Em um cartaz em que se via, originalmente, meninas comunistas, havia uma frase que dizia "por que nos nao queimamos sutias como as americanas? Porque eles nao existem por aqui". Ou qualquer coisa do tipo. Havia um video com imagens dos anos 90 de revoltas realizadas na Praça Venceslau e duramente reprimidas pela policia. Chocante. De qualquer forma, achei o Museu um perigo praqueles que nao tem senso critico (alias, qualquer coisa pra alguém que nao tem senso critico é um perigo). Ironicamente, o Museu fica no prédio de um cassino, bem ao lado de um McDonalds. 



Quer dizer, ainda fomos num terceiro museu. Camilo viu esse cartaz e chamou minha atençao. Estavamos no final do penultimo dia de viagem, mas depois de ver esse cartaz, era obvio que eu tinha que reservar o ultimo dia de pra ver essa exposiçao. Valeu a pena. Vimos umas fotos raras, um casaco de John Lennon, uns rabiscos que ele fez num envelope e outras coisas idiotas que soh um fa da valor.





Por hoje é soh, pessoal!

sábado, 4 de setembro de 2010

Berlim - parte III - Campo de Concentraçao Sachsenhausen

Terceiro e ultimo post sobre a viagem à Berlim - para ver os dois outros posts, clique aqui e aqui


Uma pequena introduçao pra que a importância da visita pra mim a esse campo seja melhor compreendida por vocês. Teoricamente, eu tou apta a transmitir o ensino da Historia. Repito, teoricamente. Eh esse importante e prazeroso poder que meu diploma me permite. Pra que eu o obtivesse, eu tive que passar alguns preciosos anos da minha linda juventude dentro de uma universidade. Mas meu amor pela Historia, ao contrario do que se poderia esperar, tem muito menos ligaçao com a Academia do que qualquer um pode supor: é inato. Veio sei la de onde, cresceu sei la como. Sou eu mesma. Acho fenomenal como a Historia é misteriosa e inalcançavel, como nunca iremos conseguir nos apropriarmos totalmente dela, chegar ao fundo, desvenda-la. Acho lindo esse mistério.

E, de toda essa boniteza, o que consegue me tocar com extrema facilidade, sao essas tais historias que envolvem a Segunda Guerra Mundial. Eu sei esse é um tema que deixa muita gente comum* curiosa e intrigada (imagino que seja como a Ditadura brasileira ou a Inquisiçao). Mas em mim, isso ganha outras proporçoes. E quanto mais eu mergulho, mais eu me sinto completa. Entao, olha, foi um dia que eu nunca vou esquecer. Nao eram mais livros, nem relatos, nem fotos: era eu no espaço em que a palavra sofrimento perdeu significado por nao ter dado conta do tamanho da dor vivida.

*Comum no sentido de nao haver relaçao profissional com a Historia


::

O Campo de Concentraçao Sachsenhausen foi o primeiro campo nazista e, entre os anos em que os alemaes estiveram no seu comando, entre 1936 e 1945, foram mortas 200.000 mil pessoas, a sua maioria homossexuais, judeus, ciganos, pobres e deficientes fisicos. Fica a 35km ao norte de Berlim, na cidade de Oranienburg.

A entrada é gratuita, mas o audio guia custa 3€ e eu aconselho fortemente que o visitante o adquira. O audio ta muito bem feito, contem informaçao referente a cada ponto do campo e outras informacoes "secundarias" (como o testemunho dos presos ou discursos politicos). Agora, paciência pra absorver a grande quantidade de informaçao que o guia traz: passamos varias horas no campo e eu sai sem ver tudo, a visita é longa e minha orelhinha, que ja tava vermelha, nao caiu no chao por pouco.


O ponto de partida leva a esse caminho por onde os presos chegavam ao Campo. Era o ultimo momento de liberdade deles. As fotos nas paredes contam um pouco a historia do Campo e dos que passaram por ali.


Essa casa era destinada à formaçao, alojamento e diversao das tropas da SS. Os homens contratados pra se ocupar dos serviços no Campo eram sobretudo formado por jovens por estes terem a vantagem de serem pessoas que nao tinham muito a perder (esposa, filhos etc). Dignidade nao conta.


Esse era o patio principal. Os presos recebiam as boas vindas aqui. Um dos sobreviventes testemunha que ja ali começavam as humilhaçoes: eram frequentemente colocados nus. Os gays levavam chutes na bunda e tapas. Tinham o ânus revistado à procura de objetos de valor.




Portao do campo onde se lê "o trabalho liberta o homem".


Passando pelo portao, do lado de dentro do Campo, a torre em forma semi circular que garante uma visao ampla do lugar. O guia dizia que, dessa torre, podia-se atirar em qualquer um que estivesse no Campo.




Essas sao replicas dos barracoes dos prisioneiros construidas a partir de peças originais. Comportavam 400 pessoas. Tinham dormitorio, refeitorio, lavatorio e sanitarios (fotos seguintes).


Os presos tinham um espaço médio de 70cm pra dormir e, caso precisassem ir ao banheiro durante a noite, corriam o risco de nao encontrar mais espaço ao voltar.






Os presos tinham trinta minutos pra acordarem, comerem, usarem o banheiro e se lavarem. Cada fonte desta se destinava a dez pessoas. A agua, gelada, jorrava de um buraco central.


Esse era o local (patio em frente à torre principal) das marchas. Os presos deveriam correr com botas destinadas ao exército alemao com a intençao de testa-las. Eles corriam de manha até a noite, sem parar. Vocês podem imaginar o resultado dessas marchas.


Entrada de uma câmera de gas. Ao lado ficam ainda os crematorios e outras salas onde eram fuzilados os presos. As estes, era dito que eles iriam passar por uma consulta médica. Eles tomavam banho, trocavam de roupa e se sentavam de costas diante de um pequeno furo na parede. Os que tinham dente de ouro eram marcados com um X no braço. Ao sinal do "médico", o prisioneiro recebia uma bala na nuca através do buraco. Os que haviam sido marcados, eram selecionados e tinham o dente de ouro arrancado. Havia musica para abafar o barulho das mortes.


Crematorio




Balcoes pra autopsia


Os triângulos indicavam o motivo de cada detençao: vermelho pros presos politicos, amarelo pros judeus, roxo pros religiosos, rosa pros homossexuais e preto pros marginais.


Uma entre milhoes de historias: essa é a familia Nussbaum. O marido era um médico respeitado que trabalhava dando assistência a crianças e alcoolatras. Foi denunciado por dois colegas. Antes que pudesse ser julgado, foi sentenciado a três anos de prisao. Quando sua pena acabou, ele foi preso pela Gestapo e levado pra Sachsenhausen. A esposa havia tomado conta da casa desde entao e as despesas da familia foram gastas com os advogados. Quando ela recebeu a carta avisando sobre a morte do marido, comentou com a vizinha que a perseguiçao aos judeus era uma mancha no Reich Alemao. A vizinha a denunciou. A mulher foi condenada a um ano de prisao e morreu cinco meses depois.

Ninguém conseguiu escapar do Campo. Os que tentavam, eram fuzilados. No entanto, quando os guardas percebiam que a intençao dos fugitivos era a de serem mortos, eles se limitavam a dar tiros nas pernas ou braços dos presos. Alguns destes se jogavam de proposito contra as cercas elétricas.

Dezoito mil soviéticos foram mortos em Sachsenhausen nesse periodo. Ao fim da guerra, os soviéticos tomaram posse do Campo até 1950 onde mantiveram seus prisioneiros politicos. Nos anos 90, valas comuns foram descobertas e estima-se que 12 mil pessoas tenham morrido nas maos dos soviéticos. Ironias :)

A quantidade de relatos e informaçoes sobre as brutalidades praticadas em Sachsenhausen é enorme. As paredes e os audio guias estao repletos de testemunhos. Sinceramente, chegou um momento em que eu comecei a ter um inutil sentimento de vergonha. Vergonha de quê, nao sei exatamente. Talvez vergonha de incluir no meu passeio turistico um local de exterminio. Talvez vergonha por fazer parte da raça que praticou esses crimes. Talvez vergonha pelos momentos em que reclamei da minha vida perfeita. Vergonha. Inutil. Teve uma hora em que sentei numas escadas e fiquei, calada, cansada daquilo tudo, tentando entender. Uma pessoa que é castigada, que tem os cabelos cortados, as roupas retiradas, que é marcada como gado, que é privada de sua liberdade, que perdeu quem amava, que mal se alimenta, cujo o corpo nao mais o pertence, que é humilhada diariamente e que diariamente vê a morte passar ao lado... Que admiraçao eu sinto pelas pessoas que passaram por tudo isso sem perder a humanidade!

Tem uma frase de um dos sobreviventes em que ele diz que simplesmente nao sabe o que fazer com a liberdade dele. Essa frase foi uma das coisas que mais me marcou. Vocês podem imaginar o que significa? Aquela situaçao entrou tao fundo na pele dele, foi a realidade dele por tanto tempo, que ele ja nem sabe mais viver de outra forma. Eh ganhar a liberdade e continuar preso.

Endereço:
Gedenkstätte und Museum Sachsenhausen
Strass der Nationen 22
D-16515 Oranienburg
Horarios:
15 de março a 14 de outubro: todos os dias, das 8:30h às 18h
15 de outubro a 14 de março: todos os dias, das 8:30h às 16:30h
Algumas areas do museu sao fechadas às segundas.
Ingresso:
Gratuito. Folheto: 0,50 centavos Audio Guia: 3€
Como chegar:
Trem regional RE 5: desde a estaçao de Berlin-Hauptbahnhof até a estaçao de Oranienburg (25 min de trajeto) ou trem regional RE 12: desde a estaçao de Berlin-Lichtenberg até a estaçao de Oranienburg (30 min de trajeto)

Algumas informaçoes sobre essa viagem foram retiradas deste blog: Viajando pelo Mundo

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Berlim - parte II - lingua, bicicletas e amores

Mais sobre a nossa viagem à capital alema. 

Da (des)orientaçao:

Senti o peso (de novo!) de estar num pais cujo idioma eu nao domino ja nos primeiros minutos em solo alemao. Precisavamos pegar um ônibus, mas as placas me eram indecifraveis. Minha sorte é que eu tenho um namorado orientado, desenrolado e sabido todo ao meu lado. Sério, minha gente, deixa eu babar um pouquinho o amado agora. Acho impressionante o senso de direçao de Camilo. E nao é so porque eu sou uma toupeira nesse assunto. A gente mal chegava nos lugares e ele ja sabia qual o metrô certo, quanto custava o bilhete, a direçao das estaçoes, as ruas, os bairros etc. Eu perguntava aflita se ele sabia pra onde a gente tava indo e ele respondia malandro: "relaxa, meu bem, eu tou em casa". Hahaha Lindo!

E o inglês? Antes de chegar na França, eu nunca tinha ousado falar uma frase em inglês (ok, também nunca tinha precisado). Mas o que é a necessidade, nao é mesmo, meus amigos? Cheguei na França e comecei a usar um inglês que eu nem sabia que tinha! Mas bastou me concentrar no francês e agora eu sou incapaz de ter êxito numa frase em inglês. Sempre sai uma coisa cagada tipo "I would like to parler avec vous". A minha sorte (é, eu sou uma garota de sorte) é que ficamos na casa de uma francês em Berlim e, em Praga, na casa de um senhor que entendia francês, do contrario, eu passaria duas semanas muda.

Feuerwehrzufahrt. Ou seja, "oi".

Do lazer:

Os berlinenses parecem nao se importar com o fato de nao terem praia. Pelo menos tem saidas bem interessantes pra contornar a falta de mar. Nas beiras dos rios, essas cadeiras de praias sao postas e o povo fica ali, na maior tranquilidade pegando um solzinho. No momento da foto abaixo, um nubladinho.



Essa foto acima foi tirada perto do Checkpoint Charlie (explicaçoes mais adiante). Era um cercado com areia e cadeiras de praia no meio de uma avenida movimentada, um pequeno refugio no meio da cidade. O achamos bem por acaso. E alias, achamos outros lugares assim, por acaso, dando uma olhadinha aqui e ali. Adorei os bares de Berlim! Contei mais de dez bares visitados e posso dizer que amei a todos, todos criativos, a maioria com grande espaço a céu aberto, com decoraçao em madeira, super arborizado. Eh uma pena que eu nao tenha tirado mais fotos pra mostrar a vocês.


Esse é um bar à beira do rio Spree, perto do Muro. Em Berlim tah rolando uma polêmica que ja dura alguns anos sobre a ocupaçao dessa area da foto acima. Ha uma infinidade de bares parecidos com esse na beira desse rio que esta prestes a desaparecer graças a um projeto do governo, o Media Spree, que visa a construçao de varias empresas de grande porte nessa area. A area é do governo, mas é inegavel a importância desses bares, nao soh pros seus donos, mas pra vida cultural da cidade. Achei uma pena, espero que dê tudo errado :D


Da comida:

Como eu ja disse, francês é um povo muito saudavel e, depois de visitar Berlim, essa impressao soh aumentou. Eu tava completamente desacostumada a ver gente acima do peso. Mas também, pudera!, a cada dois metros tem alguém vendendo comida gordurosa. E barata. Minha gente, o Kebab em Berlim custa DOIS euros. E o melhor de tudo: tem cara de comida, nao é como o Kebab francês: é barato, o molho é uma delicia e a salada vem em quantidade generosa. Foram os melhores Kebabs provados. Mas quem quiser comer o hamburguer perfeito, vai no Burgermaister. Juro que foi o melhor hamburguer que ja comi na vida. Você come meio triste porque sabe que uma hora ele vai acabar.

Do meio ambiente:

Quem vai a Berlim pode também se impressionar com duas coisas: a quantidade de arvores e de bicicletas. Mesmo dentro da cidade, em meio à loucura dos carros, tudo é arborizado, lindo. E ha bicicletas por todos os lados, numa quantidade muito maior que em Lyon (e olhe que em Lyon a tradiçao de usar a bicicleta é grande).


Do transporte:

Nico, nosso anfitriao, nos aconselhou a alugarmos duas bicicletas, mas o preço era meio salgado: uma semana de locaçao por 40€ por pessoa. Como eu sou uma pessoa meio... desempregada, preferi pegar o bilhete de metrô que custa 25€ (por pessoa) pelo mesmo periodo. O bilhete de metrô custa 2,60€. Nao que isso devesse interessar, mas nas estaçoes de metrô nao existem catracas, no entanto, os controladores estao por aih pra manter a ordem e a lei, amém, através de suas multas (40€).

Dos pontos turisticos:

Como é impossivel falar de todos os lugares dos quais visitamos (impossivel = estou com preguiça) vou postar algumas fotos de alguns lugares visitados com comentarios superficiais. O Wikipedia esta do seu lado.

Igreja Kaiser-Wilhelm Gedächniskirche. Foi bombardeada e permanece assim desde 1943. Nao foi reconstruida pra que servisse de lembrança da Guerra. No entanto, uma nova igreja, super moderna, onde os padres rezam de sunga preta (brincadeira), foi erguida ao lado. Mais sobre a igreja aqui.


Toda cidade que se preze, tem uma construçao falica. Aqui, a Torre de TV e seus 368m. Enooorme.


A maior catedral de Berlim: Berliner Dome (inicio do século XX).


Altes Museum. Segundo o Wikipedia, "o maior e mais importante museu do mundo no campo da arte antiga da Grécia, Roma e Etruria". Agora, uma bala na testa por soh estar sabendo dessa informaçao agora.

Altes Museum ontem


O Checkpoint Charlie era um dos pontos de passagem do Muro entre os setores americano e soviético. Controlado, é claro. Parada obrigatoria pra quem vai a Berlim. O Museu do Muro fica logo ao lado e, claro, temos o McDonalds ao fundo.


Outro museu fantastico: Topografia do Terror, logo ao ladinho do Muro, no terreno em que ficava o escritorio principal da Gestapo. Tem uns paineis incriveis com fotos, documentos e textos sobre as barbaridades nazistas. Entrada gratuita.


Memorial do Holocausto, homenagem aos judeus mortos.


Portao de Brandemburgo, visita indispensavel, palco das manisfestaçoes quando da queda do Muro.


E, claro, o MuroAh, e fiquei chocada quando vi numa lojinha de souvenirs pedaços do Muro à venda. Um pedaço que media um palmo por uma bagatela de... 40€. Depois entendi que aqueles troços que vinham pregados nos cartoes postais eram, na verdade, pequenos pedaços do Muro. Quem garante a originalidade? Prefiro investir meu dinheiro de outra forma.


Seguindo a dica de uma leitora, a Lu, saimos de Berlim e fomos a Potsdam, uma cidadezinha a 30min da capital. Pegamos emprestado duas bicicletas do cara que também nos cedeu o quarto na casa de Nico e seguimos de trem pra cidade. Tivemos que pagar um bilhete de trem pras bicicletas também, mas nao lembro quanto custou. A cidade é cheia de pracinhas e parques lindos. Na foto, o palacio de verao de Frederico, o Grande, Rei da Prussia. O nome do palacio é Sanssouci ("sem problema").


Fomos ainda no Museu Anne Frank. A entrada custa 5€, mas Camilo dizia que éramos estudantes, entao pagamos meia entrada em uns três museus. Depois dizem que brasileiro é que é malandro. Pobi de nois. Esse museu é minusculo, mas satisfez minha curiosidade. Ja falei o quanto amo a moça aqui


Amei Berlim, sobretudo o Klaus. Querido, se você estiver me lendo, saiba que jamais o esquecerei. Beijos. 

Talvez

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