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sábado, 17 de julho de 2010

Minha casa é como coração de mãe. De mãe Joana.

Quando perguntam com quantas pessoas eu moro, eu sempre fico em duvida. Eu deveria responder que são nove (semana passada, eramos dez), mas existem os squatteurs. Originalmente, squatteur é aquele sem-teto que se apropria de um imovel vago. O termo foi ganhando outro significado e hoje é usado pra definir aquela pessoa que passa um tempo na sua casa na condição de "visita permanente". Ou pelo menos essa é a definição que melhor cabe à situação de mi casa. E adivinha quem é o mais novo squateur da casa? Pepe. Sim, aquele mesmo Pepe que vomitou meu quarto, gastou meu perfume e ensebou o meu chão de oleo. Ele vai morar o proximo mês com a gente. Semana passada, finalmente, ele veio aqui em casa pra visitar Diana. Eu tava ansiosa pra saber o que ele tinha pra dizer, mas tive que me contentar com um "não lembro de nada". Massa. Ja escondi todo o estoque de oleo da casa.

Como se não bastasse os squatteurs, ainda temos as visitas-curtas (que são chatas, mas nem tanto). Chegou em nossa casa, essa semana, uma doida, irmã do amigo de uma das meninas da casa (Sonia), que eu tou batizando de Rainha do Desconforto. A menina viu Camilo cozinhando pra oito pessoas e perguntou "você não acha que colocou tomate demais não?" Camilo disse que ia perguntar, "e você quer comer hoje?". Antes disso, eu tava imitando pra Sonia o meu andar torto depois de uma caminhada pesada nesse fim de semana. Aih a doida observa meu andar e pergunta: "você tah GRA-VI-DA?"

(...)

- Gravida do teu pai, porra.

Ok, eu não disse isso. Mas tive vontade de xingar. Sobretudo quando ela perguntou se no Brasil faz tanto calor quanto estava fazendo na França. Senhoras e senhores, essa frase pode parecer inocente pra vocês, mas por tras de toda carinha meiga e curiosa que me faz essa pergunta, se esconde um francês que acha que o sol daqui queima mais que o sol do meu pais. Não, minha senhora! Meu sol é mais bonito! Ele brilha mais! E da mais câncer de pele! Mas enfim, quando perguntam se o sol é mais forte aqui, eu respondo: "Pessoa, você ja foi à Palmas? Não? Então: dizem que o Diabo se inspirou naquilo pra criar o Inferno". Eu também não digo isso. Fica mais pro "lah eu suo tomando banho".

Depois do jantar atomatado, Camilo preparou as coisas dele pra viajar. Comentamos esses e outros atos bizarros da menina quando confessei: "assim que tu sair, eu vou fechar a porta pra doida não me alugar". Nem preciso dizer o que aconteceu, né? A menina apareceu à porta aberta com um "toc toc" rapido e ja foi entrando. Dai ficou parada no meio do quarto, olhando pra minha cara, sentou na minha cama e nem falou a que veio! Vou sair um pouco do assunto do post e explicar porque uma atitude dessas, que pra vocês pode ser muito comum/aceitavel, é mal vista aqui.

Quando dizem que francês é chato, eu entendo, mas prefiro descrever o francês como um ser discreto e reservado. Alias, muito discreto e reservado. Aqui, dificilmente (pra não dizer "nunca"), você vai ver um francês puxando assunto na fila do banco, fazendo perguntas pessoais (mesmo que ele conheça você), te tocando enquanto fala. Eles também não curtem abraços. No começo, estranhei tudo isso, mas agora ja aprendi que a forma de saudar alguém aqui não é abrindo os braços, é dando dois beijinhos.

- No aniversario de Camilo, somente eu e a mexicana o abraçamos. O melhor amigo dele apertou a mão do menino;

- Ha um mês, eu tava conversando com a namorada de um cara que mora com a gente e perguntei qual foi a ocasião em que eles se conheceram. Ela olhou pra mim espantada e disse "mas isso é uma pergunta muito pessoal!" e não-res-pon-deu. Pessoa doida, eu não perguntei como foi a primeira noite de amor de vocês. A menos que ela tivesse conhecido o cara numa orgia, eu entenderia tanto pudor (bom, uma pessoa que participa de orgias não iria se espantar com uma pergunta dessas);

- Toda vez que Sonia vem falar comigo, ela fica na porta do quarto, pergunta se esta me incomodando e soh depois entra. Não entendo tanta formalidade. Mas é assim mesmo nas conversas cotidianas: perguntas pessoais são geralmente evitadas. Por isso que eu gostei logo de cara de Diana: a primeira conversa que tivemos foi sobre nosso ciclo menstrual.

Então, entendam que quando essa menina critica a forma de Camilo cozinhar, quando ela entra no meu quarto sem permissão, isso me choca. Mas graças ao céus, existem franceses e franceses. Assunto do proximo post!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Musica francesa: Paris Combo

Primeiro, escutem essa musica:

http://www.youtube.com/watch?v=kZINNAg-WVs&feature=related

Quando a escutei pela primeira, foi ha muitos anos, no Brasil. Gostei ja nos primeiros cinco segundos. Entendia porra nenhuma. Mas curtia. Muitos anos depois, nohs sabemos como e porquê, saih do pais. E hoje escutei a musica rindo: eu tava entendendo. Dai ri mais ainda da ponte entre a Luci que tinha acabado de sair da escola, onde suas maiores preocupacoes eram naipe "com que roupa eu vou?", e a Luci de hoje. Mas gente, eu nem sei me definir hoje. Veja no que eu pensei.

Contei a Camilo, no começo dessa noite, que quando a gente era guri, chegava pro amigo da escola (tinhamos seis, sete anos) e dizia: "duvido tu terminar a charada:

- Pata, péta, pita, pota...?
- Puta!
- Eitaaaaa! Vou dizer a tiaaaa!"

E o "puta" se apavorava. Hahaha Então, quando terminei de contar essa merda a Camilo, comecei a gargalhar loucamente e ele me olhou com cara de "que débil mental eu namoro" (e isso me fazia rir mais).

- HAHAHAHAHAHA
- Mas puxa, que brincadeira mais engraçada, amor!
- HAHAHAHAHA! GAHHH!
- Que humor refinado! Pelo visto tu não progrediu muito nesse sentido depois da escolinha.
- COOOOF! COF!

Pronto, então! Eu ia dizer que a Luci da escola se contrapunha a Luci madura de hoje em dia. Mas uma figura que partilha uma historia babaca dessas pro namorado e pra toda a internet, não merece ser chamada de madura.

(Minha gente, se vocês soubessem do meu estado mental, fisico e espititual, entenderiam esse post com segurança. Eu vou soh rir).

Dai que minha intenção nesse post era soh a de dar dois links pra vocês. Mas eu sou tão fuderosamente matraquenta que escrevi até aqui. Bom! Segundo link:

Portedoree e "um-pouco-de-musica"

::

Depuis longtemps, je n'sais pas
Où me mène le vent
Voilà pourquoi je n'suis pas
Ceux qui marchent devant

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pinche pedo!

E como doido não é privilegio de Paris...

Na ultima segunda, acordamos às cinco da manhã pra voltar pra Lyon (como eu adoro acordar cedo!). Cheguei na cidade e tive que carregar a minha mochila e a de Camilo pra casa, ja que ele foi direto pro trabalho. Quando cheguei no meu lar, sujo, lar, entrei no meu quarto, supercansada e encontrei ele de uma forma diferente da qual eu havia deixado. Tinha um cheiro de incenso no ar, as janelas estavam abertas e havia um terço no chão. "Eu sou catolica?" me perguntei. Ainda encontrei uma toalha estendida em cima da cama. Tentei ligar os pontos pra saber quem esteve ali. A conclusão foi que um padre tomou banho, deixou a toalha em cima da cama e, quando viu que eu estava prestes a chegar, saiu voando pela janela. Fiquei tentando encaixar o incenso no meio disso tudo, mas não consegui. Foi aih que apareceu Diana, a mexicana, muito surpresa:

- Luci, o que é que tu ta fazendo aqui?!
- Eu moro aqui, Diana.

Perguntei se ela tinha visto algum padre por aih, mas ela respondeu que não e perguntou por Pepe. Pepe é um amigo mexicano dela que, pelo visto, tinha dormido no meu quarto. Além do terço, da toalha, da janela e do incenso, vi um frasco de oleo pra bicicleta no chão e as caixas de papelão que ficam dentro do guarda-roupa, completamente sujas de oleo, assim como o chão. Gente, é demais pro meu instinto Sherlock Holmes. Até meu perfume tava vazio! Diana e eu tentamos saber o que porra esse cara tinha feito no meu quarto. "Ele estava muito bêbado ontem quando chegou e fez muito barulho no teu quarto. Pedi pra ele abrir a porta, mas ele não abriu".

Cheirei o quarto inteiro e não senti nenhum cheiro de vômito. Fui até o lixeiro do banheiro e o saco estava fechado com um noh. Como minha casa é uma baguncinha e eu sou a unica que troca os sacos de lixo, sabia que tinha alguma coisa errada ali. Abri o saco e encontrei vômito dentro dele. Ja era alguma coisa. Como eu não tinha idéia de onde a figura tinha vomitado, troquei os lençois, as fronhas e coloquei a toalha pra lavar. Tirei até o tapete do chão. Foi nesse momento em que peguei no vômito do cara. O putinho fez o que Camilo não me deixa fazer: vomitar no tapete. Pelo visto, ele vomitou o quarto, tentou disfarçar o cheiro com o incenso e meu querido perfume. Não sei, mas eu preferia minha versão com o padre.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Paris (lugar de gente tranquila)

Continuando a narração sobre o fim de semana em Paris.

Paris seria Paris sem sua gente louca? Gente, que meda! Na sexta-feira, quando chegamos em Paris, fomos dormir na casa de um amigo, Benzina. Quando entramos no prédio, ele avisou que a fechadura dele (do prédio) estava quebrada e, assim, qualquer pessoa poderia ter acesso aos apartamentos - porque, não sei se vocês sabem, na França não existe essa historinha de porteiro. Então, pra minha felicidade, uma vizinha começa a gritar por socorro as cinco da manhã, acordando todo o prédio. Eu, que sou um poço de controle e tranquilidade, fiquei estatica na cama ouvindo a mulher gritar "vizinhos! vizinhos! tem um doido aqui, socorro!" Benzina tentou nos acalmar dizendo que ela era doida e sempre dava esses barracos. Por coincidência, era uma brasileira. A policia chegou e suspeita-se que o doido do qual ela falava era o namorado dela.

No sabado, vi um cara de muletas caido na calçada apanhando de dois seguranças de um bar. Enquanto ele levava chutes de um lado, a namorada gritava do outro "eu não aguento mais você!" Pelo visto era um perneta brigão. E eu, esse "poço de controle e tranquilidade", comecei a chorar e querer ajudar o cara. Por causa disso, ficou obvio que eu não era dali: à minha volta, as pessoas olhavam a cena com tranquilidade. Que a Virgem me proteja de algum dia olhar uma cena dessas sem revolta. No dia seguinte, como se não bastasse, vimos um cara bater duas vezes no rosto da namorada. "Você bebe demais!", ele dizia. Pedi a Camilo que, quando ele quisesse me dar um toque em relação ao meu consumo de alcool, o fizesse de maneira mais didatica.

O ultimo caso, infinitamente menos grave, aconteceu no show de Caetano. Esperamos um bom tempo pelo começo do show, pegamos um otimo lugar, a cinco metros do cara, mas como eu não conhecia nenhuma musica do ultimo album, na metade do show, fui sentar nessa grama. Então, comecei a discutir com Camilo e outro amigo sobre esse post em que a autora diz que, pra ela, a vida pessoal do artista não influencia no apreço que ela tem pela arte produzida por ele. Eu discordo e, naquele momento, eu disse que, por exemplo, não gostava da pessoa do Caetano e que... Uma mulher me interrompe:

- Você não gosta do Caetano?
- Eu gosto, eu gosto das musicas, mas não gosto dele porque...
- Ah, porque eu gosto.
- Você é brasileira?
- Não. Mas eu gosto do Caetano, então, por favor, fale baixo!

Gente, a mulher mandou eu falar baixo porque... eu não gosto do Caetano, mas ela sim. Que mundo é esse em que a gente não pode expressar pros amigos, num jardim publico, o que a gente pensa? E Camilo ainda disse "mas se tivessem falando mal de Chico Buarque do teu lado?" Brother, nem se tivessem falando mal dos Beatles. Ja pensou? "Não fale mal dos Beatles porque eu gosto deles"? Ridiculo. Bom, mas... O que seria de Paris sem essa gente?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paris (e seus gays)



Passamos o ultimo fim de semana em Paris aproveitando que Camilo deveria trabalhar na capitá na sexta-feira e a passagem, claro, é paga pela empresa. Por coincidência, tivemos a oportunidade de ver a Gay Pride e um show de Caetano Veloso. De qualquer forma, Paris sempre vale a pena. Eh o tipo do lugar inesgotavel, que sempre vai oferecer alguma coisa interessante, não tem como se cansar da cidade, simplesmente não tem como, mesmo com suas bizarrices (ja ja chego la).

Na sexta-feira, depois da pelada do Brasil contra Portugal, corri pra estação pra pegar o trem. Ficamos no modo vinho barato, numa praça qualquer. No sabado, show de jazz no Parc Floral com os amigos brasileiros. Me dei conta que meus unicos amigos na França moram em Paris. Mas é melhor não reclamar, poderia ser pior: meus amigos poderiam morar no Brasil. Ai.

Parc Floral


Yo!


Dedo revoltado

A essa altura, o alcool ja estava cumprindo com sua obrigação. Eu estava tranquila na cerveja, feliz, sem problemas. Então, o dono do dedo revoltado, Benzina, me entrega uma garrafa de vinho. Agora, uma pausa: ainda em Lyon, enquanto eu estava fazendo minha mochila, duvidei em colocar meu vestido branco porque, claro, conheço bem minha coordenação motora quando estou bêbada. "Vou com uma roupa escura, porque sei que vou beber vinho e sei que vou derramar o vinho na roupa". Mas eu sou tão teimosa, que eu discordo até de mim mesma. E o que foi que aconteceu, meus amigos? Coloquei o vestido branco na mochila e, no sabado, derrubei vinho tinto nele, claro. Eu acho é pouco.

Felizes e saltitantes (e manchados de vinho), fomos à Place de la Bastille pra dar um oi à Gay Pride e um xau à Bel, que partiria no dia seguinte numa temporada em Portugal.



Os meninos com cara de desconfiados
(soh durou trinta segundos)


Eu, Lindinho e Benzina, embalado por Gloria Gaynor


Pra quem pensa que anjo não tem sexo



Nice!

Vocês não imaginam o quanto uma hetero pode ficar saltitante numa parada gay


Ou imaginam...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Exponha seu interior ao seu namorado

Esse post vai pra todos aqueles que não estão fazendo nenhuma refeição nesse momento.

Sexta-feira, 6:45h, o despertador me acorda. Abro os olhos, mas somente um responde ao comando. Com meu unico olho, noto um balde a dois palmos da minha cara. O balde olha pra mim, eu olho pro balde. Eu questiono a presença do balde. Pouco a pouco, a noite anterior vai se refazendo na minha cabeça. Haviamos enchidos nossas carinhas no maravilhoso México x França e Camilo achou por bem que eu dormisse com um balde de lado. "Tu tava fazendo uns barulhos esquisitos, tipo bllerrgg, erghhh... E eu tive medo pelo tapete" (felizmente, eu não posso reproduzir os barulhos que ele fez). Mas é formidavel a preocupação do meu querido com o tapete que ele trouxe do Brasil. "No chão, tudo bem, mas no tapete?" Ele tava lembrando da minha primeira vomitada como namorada dele. Foi lindo, gente.

A gente namorava ha poucas semanas, não tinhamos tanta intimidade, e haviamos chegados bêbados sei la de onde. Entrei cambaleante no quarto e, ja no fim das minhas forças, sentei no colchão, entreguei a Deus e dei aquela vomitada aos pés dele. Aos pés de Camilo, não de Deus. Lembro perfeitamente que o coitado teve o reflexo de frear meu vômito, mas como viu que isso era impossivel, se resignou, se encostou na parede e ficou me olhando vomitar, muito calmo. Eu ri muito no dia seguinte quando o bichinho contou que pensou "bom, sou eu quem vou limpar mesmo! Deixa agora ela vomitar!"

Acho que essa foi uma grande prova de que ele estava disposto a ficar comigo. Outro dia, acordei depois de uma festa em casa, vi um balde ao lado da nossa cama e deduzi brilhantemente "ah, coitado de Camilo, ele passou mal ontem". Quando o questionei, ele disse "Luci, foi tu mesma que pediu o balde". Viram como estou mais responsavel hoje em dia?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Com ou sem emoção?

O emprego de baba me proporciona ora extrema satisfação, ora o mais profundo cansaço mental (alias, como tudo na minha vida). Mas eu me divirto bem mais trabalhando com meu monstrinho do que como faxineira. Afinal, vassouras não são engraçadas. E o guri é realmente muito fofo! Acho que eu passo mais da metade do tempo falando com ele com os dentes trincados e o apertando e fazendo cocegas e querendo comer os dedos dele (são tão pequenininhos!). Acho que eu gostaria que a babah do meu filho tivesse um carinho tão grande por ele como eu tenho por Monstrinho. Mas ao mesmo tempo, fiquei seriamente assustada quando analisei minha forma de brincar com o guri. Eh tipo, modo violência: ON.

Assim que comecei a trabalhar, no começo desse mês, a gente brincava de esconde-esconde. Quer dizer, eu brincava, ja que não da pra explicar a um bebê de um ano as regras do jogo (eu bem que tentei, mas a unica resposta que eu tive foi um filete de baba descendo da boca dele). Dai, cada vez que eu aparecia pra ele, eu dava um sustinho. Tipo, "coucou"! E ele sempre se assustava, mas mesmo assim ria. Se assustava e ria. Aih, fudeu, né? Peguei a mania e agora eu adoro aparecer de suspresa. Eh dai que eu penso que eu daria um murro na minha baba se ela fosse como eu, porque eu odeio sustos. Mas ele gosta, eu não entendo! A mãe deu pra ele um livrinho que conta a historia de um lobo e, na penultima pagina (o livro tem cinco), aparece a boca do lobo aberta e a cor da pagina é laranja. A mãe disse que ele morre de medo dessa pagina e eu, eu morro de rir quando ele vê esse livro, porque ele procura a pagina, abre, toma um susto, fecha rapidamente e começa a rir. Depois, ele faz tudo de novo, pelo menos umas dez vezes por dia e toda vez o tamanho do susto é o mesmo.

Ele também tem um carrinho em que ele monta e eu empurro. No começo, eu empurrava delicadamente, mas era chato. Dai, eu comecei a correr com o carrinho. Acelerava de 0 à 30km/h em dois segundos. Uau. Eu reproduzia o barulho do motor e tudo mais. E o guri adorava! Daih, semana passada, eu tava empurrando o carrinho quando decidi fazer uma curva sem desacelerar. Pra que? O guri sobrou na curva e voou do carrinho. A queda não foi grande, mas o (meu) susto, foi. Fui buscar o guri e fiquei toda errada depois.

De toda forma, eu adoro brincar com ele assim. A mãe diz que eu não devo ensina-lo "des bêtises", mas eu adoro gritar, pular, sacudi-lo, dançar feito uma idiota, me esconder etc. Então, vocês devem imaginar o quanto eu fico à vontade quando a mãe trabalha em casa.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Chuva de cenoura

Essa eh a semana do finalmente.

- Finalmente Camilo voltou do Senegal (pedi pra ele escrever um post sobre a semana em que ele passou lah, vamos ver se ele lembra);

- Finalmente Diana voltou do Mexico (escrevo mais sobre nossa relaçao depois);

- Finalmente eu estou trabalhando!

Pra quem chegou agora no blog, arrumei um trabalho como babá de um bebe de um ano e, como o pai eh portugues, vou maneirar nas minhas impressoes sobre a crianca (oi, pai! Se o senhor estiver me lendo, eu amo seu filho, beijo!).

O guri realmente eh um fofo. No comeco, ele fazia aquela cara de desinteria quando eu aparecia. Agora ele já sorri. Ontem ele ateh gargalhou! Quando ele faz isso, dá vontade de espremer as tripinhas dele. Eh lindo demais! E depois de dois dias de trabalho, já estou ate pensando na possibilidade de ter um filho: adotar um que tenha 18 anos e já esteja pronto pra sair de casa.

Socorro.

Lá estava eu, linda e cheirosa, dando papinha pra ele, tendo que entrete-lo entre uma colherada e outra, porque quando a brincadeira para, ele para de comer tambem. De repente, ele dá um espirro. De repente, uma chuva de papa de cenoura e baba de crianca sobre mim. Eu petrifiquei. Olhei minha roupa laranja, sorri nervoso. "Ossos do oficio. Foi soh uma papa".

Terminado o almoço, ele comeca a soltar uns peidos bizarros. "Eh agora". Comecei a me preparar emocionalmente pra trocar a primeira fralda de coco dele. Deitei o guri em cima do trocador e, pelo peso da fralda, ele devia ter cagado o equivalente ao peso dele. O bom da historia, eh que ele nao aceita ficar deitado e eu realmente nao sei como trocar um bebe que esperneia em peh. Quando ele ficou em peh, senti minha barriga ficar quente. Eh, ele tava mijando em mim. Pensei em arremessa-lo na pia, mas ja era tarde demais. "Ossos do oficio. Foi soh xixi".

Distrair essa crianca eh uma das coisas mais trabalhosas que existem. Ele nao se contenta quando cantamos, pulamos, falamos, sorrimos, corremos, fazemos caretas ou nos escondemos. Nao. Ele quer todas essas coisas ao mesmo tempo e muito mais. Por isso, sai do primeiro dia de trabalho sentindo todos os musculos da minha bunda doendo (nao me perguntem porque). E apesar de tentar usar toda minha criatividade pra entrete-lo com coisas realmente interessantes e construtivas, ele gargalhou quando eu dei uns tapinhas no vidro da cozinha. Eu fiquei com medo dele se engasgar tamanha a risada. E cada vez que eu batia no vidro, ele ria mais alto. Mas tem um detalhe. Nao era em qualquer parte do vidro, era somente quando eu batia na altura da minha cabeca: mais pra baixo nao tinha graça.

Agora vou busca-lo na creche. Talvez hoje seja o dia em que Camilo de uma passada por la pra conhecer os pais do guri, que sao uns amores, super gente fina (pais, se voces tiverem me lendo, amo voces, beijos)!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A hora do pesadelo

Eram 21h quando a familia na qual eu tava interessada me mandou uma mensagem dizendo que me queria como babah. Massa, porque eu não aguento mais ficar em casa coçando o saco. E hoje, eu deveria passar (e passei) o dia na casa do guri, juntamente com avoh dele, pra que ele comece a se adaptar à minha presença, afinal, ja que eu vou ser a babah dele, o minimo que os pais esperam é que a gente se suporte.

O dia ja começou bem: minha ansiedade me acordou às 4:30h da manhã. Fiz xixi, voltei pra cama, deitei de bruços, deitei pra cima, de lado, de frente, de banda e nada. Pensei em todas as coisas boas e ruins que poderia naquele momento e, quando vi, me dei conta de que tinha perdido minha bolsa na UFPB. Quando achei a bendita, vi que tinham furtado minha carteira e meu celular. E pensei logo no meu titre de sejour! "Merda!" Daih comecei a gritar muito e fui acordada pelo despertador. 6:45h.

Sabe quando Freddy Krueger chega na casa da pessoa pra mata-la? Pronto, o menino teve uma reação parecida à minha chegada. Soh fazia correr e gritar. A diferença é que Freddy Krueger pegava ele nos braços e fazia biquinho. Respirei profundamente fingindo que eu sou uma pessoa paciente e continuei a sacudir todos os brinquedos que estavam dispostos sobre o tapete da sala, mas o guri soh queria a avoh. E a avoh tentava me acalmar dizendo que era normal, que depois ele melhoraria.

Por coincidência, era o primeiro dia do menino na creche e aqui na França se costuma fazer uma adaptação entre bebê e creche, nesse momento: no primeiro dia, os responsaveis deixam a criança por somente 30min na creche. No segundo dia, deixam por uma hora e assim por diante. Quando fui deixa-lo na sala da creche, ele me agarrou com tanta força, que duvidei que ele soh tivesse um ano de idade. Meia hora depois, quando voltei, o guri ainda tava soluçando e me abraçou lindo! Nada pior do que o pior, deve ter concluido ele.

A avoh foi perfeita comigo! Me deu todas as dicas, me acalmou, me ensinou um monte de coisa, conversamos bastante. O que eu vi durante o dia foi uma avoh superapaixonada, que de cinco em cinco minutos beijava o menino e tudo o que este fazia era rir largamente com os apertos da avoh.

A mae me disse, "Eu não quero que você o trate como se ele fosse sua maritonete. Ele não sabe falar ainda, então, quando ele disser 'dadada', eu não quero que você repita isso (em tom de brincadeira), quero que você sugira a ele o que ele esta tentando dizer". Tipo assim, o menino em questão tem um ano de idade. Dialogo possivel:

- Gaaah! Dadadiiidiii!
- Ah, você acha que Freud estava certo quanto à questão do inconsciente?
- Bubububu! Gagagah!
- Eu discordo plenamente do seu ponto de vista, garoto.
- Tatatiiiiii!

Claro que entendi o que a mãe quis dizer (quando ele gritou qualquer coisa desconexa hoje à tarde, perguntei "ah, você quer sua mãe, ela tah bem ali, vamos lah?"), mas é foda escutar coisas do tipo "não trate ele como se fosse sua marionete". Soh faltou ela dizer que o pirralho podia discutir fisica quantica e que eu deveria trata-lo "à altura". Isso tudo me deixou meio desconfortavel, ainda mais porque ela disse que queria conhecer Camilo! Algum patrão de vocês ja disse que gostaria de conhecer seus respectivos namorados/maridos/companheiros? Pois é, também achei estranho.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O curioso caso dos bebês-geléia

Um trabalho para o Doutor Octopus

Finalmente me deixei influenciar por Amanda e comecei a procurar empregos como babah - aqui, chamada de nounou (nunú). Me inscrevi num famoso site da area e deixei meu humilde recadinho falando sobre minha grande experiência no ramo. Não, eu não a tenho, mas ninguém precisa saber disso.

Vi muitas propostas de emprego, mas a maioria era pro começo de setembro, quando eu pretendo estar estudando (se Deus existir e se Ele gostar de mim, é claro). Respondi às mensagens dos pais que mais me agradaram, mas essas mensagens provavelmente foram respondidas por outras duzentas nounous mais rapidas do que eu. Dois dias depois de cadastrada no site, finalmente recebo a mensagem de um pai que estah interessado numa entrevista comigo.

Vou poupa-los da narração da cruel conversa pelo telefone com o pai pra marcar a entrevista, mas posso garantir que, depois que isso foi feito, eu senti que poderia ir pra qualquer entrevista cara a cara sem correr perigo de desmaiar de nervosismo no meio da conversa.

Liguei pra Amanda e ela me deu informações valiosissimas como "se mostre motivada e disponivel. E sobretudo, não tussa em cima do bebê". Anotado! Fingindo calma, cheguei até o apartamento dos pais. Detalhe charmoso dessa proposta de emprego: eu teria que cuidar de dois bebês de seis meses e uma criança de dois anos, ao mesmo tempo, dez horas por dia (geralmente duas familias se juntam pra pagar uma soh baba). Pela minha quantidade de braços, achei que seria uma tarefa dificil. Mas dificil mesmo é o desemprego, meus amigos, então eu fui.

Fingindo segurança, levei meus dados pessoais e copia de identidade numa pasta e, quando toquei a campainha, escutei a voz do pai do outro lado da porta dizendo a alguém "vamos ligar pra você depois". Ou seja, tinha outra nounou terminando uma entrevista! Rezei pra que ela fedesse e não tivesse os dentes da frente. Quando a porta se abriu, vi uma mulher e eu fiquei sem saber se era a mãe ou a nounou entrevistada. Apertei a mão dela e, pela cara de espanto que ela fez, era mesmo minha concorrente. Hihi.

Na sala, a mãe de um bebê e os pais do outro bebê e da criança. O pai era um espetaculo de homem. Entendi porque a mãe tinha aquele sorriso. Alias, a mãe sorria tanto que achei que eu ja tava contratada. Mas infelizmente eu não sou assim tão falante em francês como sou em português. E foram muitos os momentos durante a entrevista que senti que eu deveria falar mais. Mas o pior mesmo, a coisa que acho que contribuiu pra uma imagem negativa minha, foi minha obvia falta de aptidão com as crianças.

Em certo momento, a mãe deixou seu bebê no sofa (ao meu lado) e foi se ocupar da criança que tava chorando. De repente, a outra mãe diz "opa, cuidado": era o bebê do meu lado que tava despencando pra frente. Ao invés de eu pegar a guria nos braços e ja fazer o H na frente da familia, eu soh fiz empurra-la carinhosamente de volta ao encosto do sofa usando somente três dedos. Véi, mas que agonia! Parecia que a menina era feita de gelatina. Quando encostei meus dedos nela, eles afundaram naquele monte de banha de bebê. Foi aih que pensei "o que porra eu tou fazendo aqui?!"

Quando a mãe chegou, pro meu alivio, ela pegou nos braços o bebê invertebrado e começou a dizer as coisas que eu deveria fazer. Entre o esperado, como leva-los pra passear e ajeitar a bagunça deles, estava dar banho nos três e passar as roupas deles. Olha, se eu tava com medo da historia toda, sorri interiormente pensando "quem tiver coragem, que seja contratado". Antes de me despedir, perguntei ao pai se ele precisava de alguém pra dar banho nele, mas ele negou.

[Em tempo: enquanto escrevia esse post, uma mãe do site me ligou falando sobre uma proposta de emprego de... três crianças. Ela disse que ia falar com outros pais sobre mim, mas espero que ela não ligue de volta. Medo].

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A gravata do meu namorado

Não é de hoje que eu sei que Camilo tem um sono esquisito. No começo do nosso namoro, ele acordou um dia, no meio da noite e, de joelhos em cima do colchão, começou a gritar apontando pro meio do quarto:

- O que é que esse carro tah fazendo aqui?! Olha esse carro!
- Que carro, Camilo?
- Esse carro! Esse!

O menino tava tão seguro de si que eu realmente fiquei com medo de encontrar um carro no meio do quarto. Mal sabia eu que minhas noites deixariam de ser tranquilas a partir dali. Eu ja perdi as contas de quantas vezes ele fez isso. Geralmente ele senta ou fica de joelho - nessas ocasiões, eu tenho que dar um ippon pra ele voltar pra cama. E existem as fases.

Fase amorosa:

Aconteceu quando moravamos no Brasil. Ele costuma passar a mão em volta da minha cintura quando dormimos. O problema é que quando dormiamos com amigos, ele fazia a mesma coisa. Deu um beijo uma vez no cotovelo de um amigo e passou a mão na bunda de uma amiga - por isso, esse disturbio também é chamado por mim de sono conveniente.

Fase intelectual:

Eh quando ele acorda a fim de conversar. Eh a que eu mais gosto, porque eu não acordo assustada com os gritos dele. Nessa, ele começa a falar sobre qualquer coisa. As vezes ele ri, é lindo! Ele:

- Tu viu o que aconteceu?
- Hmm, vi. Legal, né, amor? (Hihihi)
- (ruidos estranhos) Eh mesmo. Eu acho até que zzZZzz...
- (...) Lindo?

Fase protecionista

Eh quando eu acordo com ele abraçando meu crânio e dizendo "corre", "não vai pra aih", com uma voz muito desesperada. Quando acorda, ele explica que teve um pesadelo e que tava tentando me proteger de alguém. Acho bonitinho... quando eu posso respirar. Ele tem esses sonhos geralmente quando tah estressado com o trabalho.

Infelizmente, acho que a fase protecionista esta com seus dias contados. Temo que venha por aih a fase homicida. Porque ontem Camilo tentou me matar. Sério. Eu ja tava tendo um dos meus famosos pesadelos quando fui acordada pelas mãos de Camilo: uma no ombro, outra no pescoço, me apertando. E ele começou a gritar e eu, claro, também! "Para, tah doendo! Acorda!" Aih ele acordou, pediu desculpa três vezes, se virou e dormiu. Eu verifiquei se minha traquéia ainda tava onde eu gostaria que tivesse e tentei dormir, mas foi dificil.

Lembrei de uma matéria que li ha umas semanas de um cara que tinha matado sua mulher dessa forma. Ele era sonâmbulo e, um dia, quando acordou, encontrou a esposa morta do lado dele, estrangulada. Chamou a ambulância, mas não teve jeito. O marido disse que tinha sonhado que um ladrão tinha entrado na casa e aih deu no que deu. Eles eram casados ha trinta anos.

- Camilo, tu lembra que tu tentou me matar ontem?
- Foi?
- Foi.
- Eita, foi mal.

Algo me diz que eu prefiro Camilo consciente.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Escalada + medo de altura: combinação explosiva


Em janeiro, Camilo se inscreveu numa sala de escalada e tem praticado o esporte uma vez por semana. Quando cheguei da viagem ao Brasil, encontrei um Camilo mais magro. O vi sem blusa e perguntei com toda minha espontaneidade paraibana "oxe, cadê teu bucho, menino?!" Não é que ele esteja slim, exibindo uma cintura de Barbie, mas ja pôde diminuir um ponto no cinto e, domingo, ele vestiu uma calça que não cabia nele havia meses!

Se eu ainda precisava de algum motivo pra me inscrever na escalada, achei um. Ainda relutei, mesmo com os convites de Camilo, porque acho importante pra saude da nossa relação que cada um tenha suas atividades particulares. Mas foda-se. Quem deve ter ficado triste foi Corentin, figura que mora com a gente e que tinha como parceiro pra escalada (que se faz em dupla) Camilo. Alias, Co ja morou dois anos com Camilo (esse é o terceiro ano), estudou com ele na universidade, estagiou com ele na mesma empresa, trabalha com ele atualmente e juntos tão criando uma empresa. Alias, eu sempre digo que a verdadeira namorada de Camilo é Co, que eu sou apenas a amante.

Seja como for, fui com Camilo pra uma aula de teste. Meo-deos-do-céo. Me deparei com aquela parede enorme, cheia de pontinhos minusculos dos quais eu teria que me equilibrar pra subir, contanto somente com a segurança de uma corda em caso de queda.

Vamos ao ja conhecido esqueminha do Paint (ja conhecido pelos leitores do finado Circo) pra saber como a coisa funciona:

Camilo (suspenso, na figura) faz um noh especial e o envolve no seu cinto de segurança (vide foto em que ele exibe feliz seu presente de aniversario). A corda vai até o topo da parede e desce até o meu cinto. A medida em que Camilo sobe, eu tenho que ir recuperando a corda dispensada por ele num movimento um pouco complicado, mas de extrema importância em caso de queda. As vezes ele cai de repente e, como ele é mais pesado do que eu, ele me suspende o bastante pra que eu tire os pés do chão, mas não o suficiente pra que eu suba e ele caia. Seria engraçado se não fosse tenso.

Ele sobe agarragando somente um tipo de presa indicada por uma cor especifica. E, quando chega em cima, eu vou dando corda pra que ele desça vagarosamente. O problema, meus amigos, é que eu não sou assim, uma pessoa que fica à vontade com os pés longe do chão. Na primeira vez em que tentei escalar, fiquei feito uma macaca a sete metros de altura, petrificada la em cima. Pra descer, você tem que confiar na pessoa que estah la embaixo e simplesmente se jogar, enquanto ela te desce. Acredite, não é facil.

Na primeira vez, quando cheguei la em cima, toda feliz porque tinha conseguido controlar meu medo, ele disse:

- Vai, agora se joga!
- Errr... tah bom! (segurando a corda)
- Vai, Luci, se joga!
- Tah bom, tah bom! (segurando a parede)
- Luciiii! Vamos la, vai, eu tou aqui!
- Eh, porra, e eu tou aqui!

Aih, eu solto a corda e vejo que continuo no ar, esperando que ele me desça. Beleza.

- Luci, agora você tem que colocar suas pernas retas, senão, quando você descer, você vai ralar o joelhos na parede.

Olhe, eu ja tinha feito o esforço sobrehumano de soltar minha mãos da parede, mas deixar as pernas retas significaria ficar ainda mais longe dela. Por esse motivo, eu cheguei la embaixo com apenas metade de cada joelho, porque eu fui quicando de cima à baixo.

No final da sessão, eu tava incapaz de levantar meus braços acima dos ombros. A coisa é muito cansativa. Ainda bem! Se eu não morrer (de medo) daqui pra setembro (quando termina minha inscrição), eu espero estar slim. Nem que pra isso eu tenha que sacrificar meus joelhos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pascoa suiça

Na quinta-feira passada, resolvemos sair de Lyon nesse feriado de Pascoa. Todos nossos colocs iam viajar, então pensamos no mesmo e decidimos ir pra Suiça. Essa é uma das vantagens de se morar na Europa: em uma hora e meia, estavamos em solo estrangeiro. No Brasil, em uma hora e meia, eu não teria nem saido da Paraiba.

Entendo todos os suicidas finlandeses: chegamos no sabado chuvoso e o nosso humor se manteve nessa linha infeliz. Eu seria incapaz de viver num lugar sem sol, mas a previsão pra todo o fim de semana era somente uma: chuva. Felizmente, consultamos as previsões de meteorologistas incompetentes. A noite, seguimos pra casa do nosso anfitrião, o couchsurfer Bafou, um maliano muuuito gente fina! Couchsurfers com destino à Genebra: eu aconselho!

Como todos os preços estão obviamente em francos suiços, é normal que você se assuste a cada parada num café. Mas assustada mesmo eu fiquei com uma coisa: não existem supermercados em Genebra. Sério. Tentamos achar algum pra compramos umas cervejas, paramos meia duzia de pessoas pra pedir alguma informação, mas soh fomos encontrar uma loja na estação de trem. E se vocês quiserem comprar alcool, é bom que comprem antes das 21h, depois desse horario, é proibido vender alcool. Esses paises responsaveis, humpf!

Apesar de termos alguns pontos que gostariamos de visitar, andamos meio que sem rumo na cidade. Mas passamos pelo menos uma vez, nos três dias, no Lago Léman, onde fica o famoso Jet d'Eau. Não ir ao Lago ver o Jato, é como ir a Paris e não ver a bendita Torre. Mas minha necessidade foi além da turistica. O lago é lindo. Repleto de patinhos e cisnes. Eles soh não são tão bonitos jogando jatos de cocô na agua. Eu vi. Além de cocô de cisne, o lago tah repleto de veleiros branquinhos que passam rasgando levemente a superficie da agua. Fantastico!

Outras coisas que me deixaram curiosa: não vi muitas lojas arabes, mesmo as de Kebab; a cidade deve ser tão misturada etnicamente quanto Paris: tem gente de toda cor, tipo e tamanho - encontrei um milhão de italianos, um bilhão de portugueses e um zilhão de... brasileiros; não vi nenhuma estação de bicicleta (assunto pra um proximo post); sim: ha uma loja de relogio a cada dois metros e os parques são quase indecentes de tão bonitos. Achei graça quando vi um galo no Jardim Botânico.

O museu da Cruz Vermelha quebrou minhas pernas com uma exposição com fotos das guerras dos ultimos 150 anos. Tive uma subita e incontrolavel crise de choro na saida do museu porque realmente nada me parte mais o coração que ver criança sofrendo. E eu vi muita. Mas logo a gente voltou a nossa realidade feliz de gente bem nutrida e sem problemas e aproveitamos dela.

sábado, 27 de março de 2010

A re-volta

Como planejado, cheguei em Lyon ha quatro dias. A viagem foi cinquenta vezes menos cansativa que a da ida, mas como nem tudo é perfeito, peguei umas turbulências que me fizeram entender que ha, sim, formas de eu me sentir mais vulneravel do que me sentia na crescente violência de João Pessoa. Sabe aquelas descidas inesperadas do avião que fazem seu estômago parar nas suas amidalas? Pronto, senti três vezes. Foi otimo.

E como ja faz quatro dias que cheguei, muita das impressões da viagem se foram. O que ficou mesmo é que eu tenho amigos lindos e idiotas! Se eu não tivesse esse tempo no Brasil, acho que eu estatia babando agora, sem dizer coisa com coisa. Agora o rumo é outro. Mas antes, entendam.

Dizem que meu amor por ela é obssessivo e doentio.
Não acho



Minha moral baixa e minha barriga querendo
competir com meus peitos em tamanho


Nariz de Andressa, Fabio e Jeff, o doente


Andressa sobria


Jaque procurando a Biblia na bolsa e Elizinha.
Limpeza.

Foi bom, mas citando Paulo Francis: "Às vezes acho que aguentei tanto tempo viver no Brasil porque estava em estado etílico na maior parte do tempo". Gracias por isso, amigos!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: paredão de fuzilamento

Apesar de saber que a Rede Globo é a maior emissora de TV do país, sempre fico abismada pelo desespero dos brasileiros na França à procura de um pacote de TV que exiba a Globo. Gente, é saudade do quê? Da má educação do Faustão? Da homofobia do Pedro Bial? Da Ana Maria Braga e suas mensagens de "yes, you can"?

O post de hoje foi parido graças a cinco minutos e meio de novela que assisti. Ontem, por volta das 19h, liguei a tv e me deparei com a Cama de Gato. "Vejamos o que seja isso".

Cena 1: Vilã entra afobada na casa do mocinho-banana interpretado pelo Marcos Palmeira. Segue diálogo:

- Pelo amor de Deus, Pedro Henrique (ou qualquer coisa que o valha), você não pode se casar com a Raquel! Eu vim aqui impedí-lo!
- Não seja louca, Maria Cristina! Você não pode mais me separar da Raquel!
- Tá massa, doido, tu vai ver!

Aí a louca sai da casa dele vinte segundos depois de ter entrado- aliás, eu nunca vi uma pessoa tão decidida. Então, Pedro Henrique recebe os parabéns do seu empregado que, pasmem, é negro. Pedro Henrique sai de casa e, no jardim, ouve, sem ser percebido, uma conversa de Maria Cristina com o "capanga" dela:

- Seu idiota! Se você tivesse matado o Pedro Henrique como eu mandei, nada disso estaria acontecendo!

De repente, eis que Pedro sai do seu esconderijo:

- O quê?! Quer dizer que foi você quem tentou me matar?!
- Ohhh! Nã-não, Pedro! Você está entendendo tudo errado!
- O Tobias tinha razão sobre você!
- Não, Pedro! Não é nada disso do que você está pensando!

Haha! Sério? "Não é nada disso do que você está pensando"? Não tinha uma frase mais batida não, minha senhora? Mas o melhor vem depois, pessoal: sabem o que o Pedro Henrique faz? Ele diz que vai entregar os dois, vira as costas e tenta entrar no carro dele. Ô, Marcos Palmeira! Sério, cara: você descobre que duas pessoas tentaram te matar e você dá as costas pra elas depois de tê-las ameaçado?

Suspiro.

Bom, depois os três em questão dão início a uma perseguição de carro que, provavelmente, vai deixar Pedro Henrique em coma até o fim da novela, quando ele acordará e entregará Maria Cristina à polícia. Pfff...

Depois muda a cena: uma adolescente de cabelo vermelho anuncia ao seu namoradinho sem pêlo que está grávida dele. Mas antecipa: "se você não quiser assumir, tudo bem, eu cuido dele sozinha". Daí o guri diz extasiado, como quem cheirou uma carreira, que vai assumir o guri e que a ama e que:

- Eu vou ser pai! Que emocionante! Nós vamos ser felizes! Eu vou sustentar você com minha mesada. Tudo vai dar certo!
- Que legal, como a vida de novela é fácil!

Desde a época em que eu assistia Malhação é que é assim. Só agora, me veio à cabeça três casos de amor sem barreiras em Malhação: no primeiro, a menina engravida e o maior conflito do casal é sobre a escolha do nome do bebê. No segundo caso, o carinha descobre que tem AIDS e a namorada casa com ele. No terceiro, a menina fica paraplégica e o seu final amoroso também é feliz.

Antes que me joguem pedras: não tou dizendo que essas personagens deveriam ter um final infeliz somente porque tem problemas (doença, gravidez indesejada etc), mas o que me dá nojo é a forma com a qual a Globo romantiza tudo. O que uma telespectadora de 14 anos pode entender da última cena? Mesmo diante da seriedade de uma gravidez na adolescência, o meu príncipe me salvará: vamos casar e ser felizes. Mas enfim, aposto no progresso televisivo desse país. Ontem, por exemplo, soube que o BBB recebeu 60 milhões de votos pro último paredão. Bial, O Homofóbico, comemorou o recorde.

Em tempo: BBB 10 na Lola

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: álcool histórico

Continua minha saga em busca dos amigos que preciso rever. Semana passada, foi a vez do pessoal do curso de História. Eu só faltei sambar na mesa de tanta empolgação! Povo bom, adoro! E adoro porque [modo piegas on] eles representam tudo aquilo que eu mais admiro num amigo: bondade, graça, inteligência, embriaguez... Como eu adoro esse povo! Aqui, alguns deles:

Nível alcoolico 1: todos ainda penteados e vestidos

Nível alcoolico 2: nesse estado, você sorri, faz uma gracinha...

Nível alcoolico 3: já começa a fazer careta, levanta da mesa, grita

Nível alcoolico 4: pega uma peruca, incorpora o satanás e esquece que tem uma vida social a zelar

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: Pesados

Uma vez, minha mãe disse que eu tinha pesadelos porque eu não rezava de noite. Decidi rezar e, por um tempo, deu certo. Deu certo até eu descobrir que meus pesadelos estavam diretamente relacionados com minha ansiedade. A certeza é matemática: entrevista de emprego? Pesadelo. Conhecer alguém novo? Pesadelo. Uma grande viagem? Pe-sa-de-lo.

Teve um em que eu era perseguida por um bando de assassinos. Eu chegava na casa de uma família que havia sido perseguida pelos mesmos homens, corria pra cozinha e abria os armários: encontrava pai, mãe e filho mortos, dispostos em cada armário em ângulos impossíveis. Dentro de uma das gavetas, eu encontrava os olhos, os narizes, as orelhas e os dedos dos três. Suave.

Já faz um tempo, cochilei com Fábio na cama da mãe dele. Enquanto ele sonhava, eu dormia com o Demônio e tentava acordar Fábio com gritos que não saíam. A cena era a mesma que na vida real: a gente naquela cama, ele dormindo ao meu lado. Mas em sonho, quando tentei tocá-lo, "ele" se virou e o que eu vi foi meu próprio rosto gritando com os olhos esbugalhados. Quando eu acordei, eu chorei. E à noite, chorei mais um pouco lembrando do sonho. E ontem, eu sonhei que abriam o peito de um amigo por minha culpa.

- Mainha, tive outro pesadelo.
- É incrível como tu tem sonho ruim.
- Acho que tou acostumada...
- No dia em que tu sonhar com um coelhinho, tu chora.

Pois é, férias me causam pesadelos e ansiedade.

Especial Brasil: Pailhaço

Estou enfrentando, nesse exato segundo, o único ponto negativo da minha vinda ao Brasil.

Algumas doses.

- Quanto é um laptop na França?
- Sei lá...
- Como é que tu não sabe uma coisas dessas?!
- Err... Deve ser porque eu não me interesso pelo preço dos laptops na França.
- Tem um monte de coisa que não me interessa e que eu sei! Esse meu jeito é foda! Por que vocês não são assim?
- Pois é...

- Luciana, tu é como eu, sabia?
- (é, eu sei, e isso é uma pena) Hum.
- Eu sou assim... com esse espírito desbravador! Que viaja! Que conhece!
- ...
- Tu num é como tua mãe, que é lesa, que se perde! (imitando um idiota) "Onde é que eu tou? Eu num sei!"
- Hum.

domingo, 24 de janeiro de 2010

#100

No ultimo fim de semana (16-17) fomos à Villard de Lans, uma pequena commune nas montanhas, perto de Lyon, para andar de raquete. Raquetes são essas pranchas da foto ao lado, utilizadas pra caminhadas na neve espessa, mas o nome vem mesmo das nossas raquetes de tênis que foram adaptadas pra andar na neve (e, felizmente, remodeladas).

A primeira vez que fiz raquetes (andei, fiz, pratiquei?) foi no inverno passado, numa caminhada de poucas horas, com dois colocs nossos e, pelo que lembro, foi bonito, mas não totalmente agradavel. Apesar do sol, o frio era infernal. Alias, glacial, e eu não via a hora de voltar pra minha cama quente. Mas nesse ultimo fim de semana, não havia sol e não havia raquete!, porque a neve ja tava muito compactada em boa parte do trajeto. E outra diferença é que, dessa vez, iriamos dormir em um abrigo que ficava no topo da montanha.

Apesar da faxina-nossa-de-cada-dia, eu não sou o que se possa chamar de uma pessoa em forma. Desde que cheguei na França, engordei mais de três quilos e me sinto pesada o suficiente pra levar, morro acima, uma grande mochila e eu. Eu parecia uma lesma se arrastando e soh estava moralmente confiante porque Diana parecia, pela reclamações, mais cansada do que eu. Quando finalmente chegamos no abrigo, uma hora e meia depois da partida, encontramos um casal que estava de passagem e que disse que havia lobos de noite por la e, que se a gente fosse fazer xixi, que tomasse cuidado. Eu fiquei desconfiada, porque ele disse que também havia o Pé Grande, então, eu não sabia muito bem no que acreditar.

O abrigo era um espaço de 4x5m, com uma pequena lareira e uma enorme beliche de madeira. Um verdadeiro palacio. Acendemos o fogo, mas ele não era forte o suficiente nem pra esquentar, nem pra iluminar. Calculamos que fora do abrigo devia fazer -5° e, dentro, 2°. A fumaça não demorou em tomar conta de todo ambiente. Acendemos algumas velas que encontramos por la pra conseguir enxergar alguma coisa sobre a mesa. Do momento em que chegamos (15h), até o momento em que fomos nos deitar (21h), soh fizemos comer. Comer e comer e comer, afinal, não havia muito a se fazer no escuro.

La pelas 3h da manhã, num sono embalado pela fumaça e pelo frio, despertei com uma louca vontade de fazer xixi. Posso garantir que não é facil segurar o xixi quando seus pés estão gelados e ha neve por todo lado. Mas eu fiz o que pude pra retardar meu encontro com o Pé Grande. Aguentei dois minutos.

- Lindooooô... Lindo, acorda...
- [Grunido]
- Tu quer fazer xixi?
- Não.
- :(
- Mas eu posso te acompanhar...
- :D

Isso é que é amigo! Saimos do abrigo, olhei pros lados e tirei a três calças numa velocidade incrivel. Mal minha bunda sentiu o frio, eu ja tinha terminado o xixi. Tudo o que eu não queria era encontrar um lobo com as calças arriadas (sem trocadilhos). Ao voltar pro meu saco de dormir, passei duas horas pra voltar a "dormir". O ronco de Diana foi a trilha sonora da noite.

Acordamos, comemos mais um pouco e dai veio a vontade de fazer cocô. Por que sera que meu corpo não entendeu que eu tava numa situação completamente desfavoravel à resolução de minhas atividades fisiologicas? Dessa vez, eu não quis a ajuda de Camilo. Procurei o lugar mais afastado do abrigo e, enfrentando a neve que chegava ao joelho, deixei um presente pros lobos. Antes, escutei uma historia de Diana que disse que, uma vez, um amigo foi pras montanhas e teve vontade de fazer cocô. Dai ele subiu um pouco a montanha, fez cocô, e qual foi sua surpresa quando viu, ao chegar embaixo, que seu cocô tinha descido a montanha, deslizando pela neve, junto com ele. O detalhe é que toda a turma que estava com ele viu isso. Cruzes. Pior que historia de lobo.

Bom, o resto do domingo se passou tranquilo. Descemos a montanha por outro caminho, tomamos um chocolate quente na cidade e depois voltamos pra casa. Apesar do frio, da cama dura, da fumaça, do Pé Grande, do cansaço, do lobo, do ronco, do xixi e do cocô, foi um fim de semana muito legal!

Camilo e seus 82kg afundando na neve


Essa foto é pra vocês terem idéia do quanto era potente nossa lareira. Se Sonia precisou colocar seus pés DENTRO da lareira, imaginem o poder desta em esquentar o resto do recinto...


Diana e eu no caminho de volta


Cachoeira congelada

Talvez

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