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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




domingo, 10 de abril de 2011

Pra ficar social

Sei que vocês andam sentindo minha falta nos vossos blogs (NAO ANDAM?), mas minha explicaçao pra essa ausência é aquela de sempre: faculdade cuzuda e sem fim. Ontem passei parte do meu lindo e ensolarado sabado dentro de uma opressora biblioteca lendo sobre coisas das quais eu nao gosto e nao entendo. Mas a gente compensa: fui encontrrar Camilo e duas garrafas de vinho na beira de um dos rios de Lyon. Que emoçao! Centenas de cabeças sobre a grama e sob o sol. A França teve recordes de temperatura pra uma começo de primavera: Paris, 24°, Lyon, 26°, Outro Lugar que eu Esqueci o Nome, 30°! Ok, vocês no Brasil estao se lixando pro sol, mas é que depois de seis meses de frio, a emoçao desse lado é grande. O dia foi lindo, estavamos bêbados e felizes. Voltando pra casa, no metrô, sentei do lado de um homem e fiquei fazendo careta pra ele quando ele nao estava olhando. Maturidade: trabalhamos. Depois ele percebeu o movimento. Ai eu virei pra ele e perguntei "o que é que tu fizesse hoje? :D"

Gente bêbada é uma merda.

Camilo disse que eu fico muito sociavel quando bebo. Eh por isso que eu bebo, pô, pra ficar social.



O céu de hoje e as glissines do nosso pergolado

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculo sincero

Oi, meu nome é Luciana, tenho 25 anos e sou viciada em memes. 

Leia pra entender: Estrada Anil 

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Meu curriculo sincero

Idade: tou grandinha, ja passei da idade de beber até vomitar. Mas a gente vomita mesmo assim. 

Objetivos: ser professora de Historia e mudar o mundo. Ok, pelo menos o mundo de alguém. Vamos começar humildemente.

Disponibilidade para o trabalho: se o trabalho for muito trabalhoso, nenhuma.

Atuaçao: atriz, quando tenho que ler as historinhas de Tchoupi; Super-Homem, quando tenho que atravessar o parque voando pra aparar o menino da queda; escudo humano, quando o bebê resolve direcionar o jato de vômito pro chao (o estranho zelo pelo chao vem do fato do chao ser limpo por mim); faxineira, quando a atuaçao como escudo-humano falha.

Diferenciais: eu sou a unica pessoa pontual que eu conheço. Mas pontualidade nunca empregou ninguém. 

Experiências anteriores: oi?

Periodos: 1985 - 2008: papi pagava; 2008 - 2011: marido paga; 1989 - 2011: Luci estuda. 

Linguas estrangeiras: conheço uma muito bem e a amo! Na verdade, eu a amo tanto que casei com o dono dela. 

Conhecimentos: (resposta vazia por falta de criatividade da blogueira)

Capacidade de liderança: todos me obedecem. Afinal, so é respeitado quem tem o poder de intimidar. #bolsonarofeelings.   

Pos-graduaçao ou cursos complementares: para o céu e avante!

Ou nao.

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"O cargo é seu": Brabuleta 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quinta-feira, 10 de março de 2011

Emmaüs

Abbé Pierre nos anos 50 e muita atitude. Yo!
A Drixz do Café Velho acabou de se mudar pra Suécia e, tao logo chegou ao pais, partiu em busca dos utensilios domésticos - nao subestimemos a importância de um copo. Como ela também procurou lojas que vendem objetos de segunda mao, dei a sugestao do Emmaüs e agora vim aqui falar sobre ele, porque se trata de um projeto muito legal e muito conhecido na França.  

Emmaüs é uma instituiçao filantropica fundada por um sacerdote de Lyon, Abbé Pierre, ainda nos anos 50, que se espalhou pelo mundo todo, existindo hoje em quase 40 paises. O projeto atua em diversos campos: ajuda pessoas sem alojamento (o principal objetivo), os imigrantes, os famintos, os desempregados etc. Eh lindo, mas o que me interessa mesmo sao as lojas Emmaüs que vendem objetos e moveis de segunda mao. 

Irmaozinho, eu ainda estou no sol
Tem de tudo, minha gente, de abajur do século passado à geladeira. Eles vendem roupa, talher, bengala, sapato, novelo de la, muleta, livro e tudo o mais que possa ser vendido/doado. Apesar de se tratar de objetos usados, eles prezam por uma certa qualidade dos objetos à venda, claro, e os preços sao ridiculamente pequenos. Comprei uma carteira que eu amo pela bagatela de 50 centavos. Camilo, no ultimo final de semana, comprou uma mesa pro futuro escritorio dele por 25 euros e ela ta em excelente estado! E alias, varios moveis e objetos da nossa casa vieram do Emmaüs e vao voltar pra la quando nao precisarmos mais deles. 

Nao sei se essas lojas existem no Brasil porque, na minha opiniao, o funcionamento delas exige uma cultura bem particular e uma economia especifica. No Brasil, a gente nao tem o habito de se desfazer das coisas que estao velhas ou quebradas (muito menos das coisas que estao em bom estado, mas que nao utilizamos mais). A gente ou conserta, ou vende, ou da pros parentes/amigos, mas jogar fora? Jamais. Os franceses (e acho que muitos outros europeus) costumam jogar as coisas quebradas fora, ja que o conserto custa os olhos da cara aqui. E nao é raro ver objetos em otimo estado nas calçadas daqui (que ou vao pro lixo ou sao recuperados por alguém menos exigente). 

Uma vez, indo pro trabalho, vi um amontoado de roupas jogadas na calçada com um papel em cima onde se lia "sirvam-se". Horas depois, quando passei de volta, nao havia uma meia pra contar historia. Na minha familia nao existe essa de se desfazer das roupas: se nao cabe em mim, vai pra caçula ou pra prima. Nem sei como se dah o fim de uma roupa na nossa casa. Acho que a gente usa até ela se desfarelar no corpo.

O dinheiro das vendas desses objetos vai pra Associaçao, mas acho que a maioria das pessoas que vao ao Emmaüs ja nem se lembram do lado caritativo dela. Parece que o Emmaüs aqui na França é mais importante como regulador dessa cultura do desperdício que outra coisa. Mas isso é soh um pitaco. 

Das coisas que nao nos interessam: (1) Emmaüs é o nome da cidade em que Cristo apareceu depois de ressuscitar. (2) Vou apresentar na segunda-feira um seminario sobre o assunto. Oremos. (3) Eu tenho dificuldade pra escrever "ressuscitar" (é uma palavra que eu soh utilizo quando vou falar de Jesus. Aih ja viu, né...) 

Comentario mais ou menos (nada) a ver com a historia: a familia de Camilo passou essa semana em Lyon. A mae dele resolveu me ensinar a tricotar. Foi no Emmaüs, comprou agulha e linha de tricô e, mais cheia de boa vontade que Abbé Pierre, me ensinou uns pontos. Minha gente, que troço dificil é aquele? Pensei em estimular o cérebro dos meus filhos, aqueles que eu nao terei, colocando-os em aulas de xadrez ou bateria, mas agora eu vou coloca-los pra tricotar! Uma sessao de tricô e seu QI sobe uns cinco pontos. Nao o meu, claro, que pelo visto nem devo ter, porque ainda nao consegui fazer nada que prestasse. O que era pra ser um cachecol ta parecendo um ninho de passarinho. No pior dos casos, usarei como chapeu. Ou doarei pro Emmaüs. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

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Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



domingo, 30 de janeiro de 2011

Musica francesa: Mr. Roux




Mr. Roux é uma banda de chanson française da cidade de Rennes, norte da França. Otima dica pra quem esta aprendendo francês. As letras sao legais. Algumas sao cheias de sarcasmo e fazem pequenas criticas sobre alguns elementos da sociedade francesa. Mas nao é isso que me faz gostar da banda (até porque, pra mim, arte nao precisa ser engajada). Foi Camilo quem me apresentou à banda, em 2007, quando ele apareceu pelo Brasil. Por isso, esse album me traz otimas lembranças, me leva à época da inocência, quando a nossa maior preocupaçao era a escolha do bar de sabado à noite. Tempos dificeis. 


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Barcelona: uma bagunça organizada

No ultimo dia 22, fomos à Barcelona pra uma pequena semana de férias e, olha... eu moraria tranquilamente naquela cidade. Espetaculo! Sabe quando tudo agrada? Cidade limpa, quente, mercados a cada dois metros, comida boa, gente louca, bares aos montes, prédios bem conservados, lojas variadas etc etc. Por isso fico com a descriçao de Camilo sobre a cidade: uma bagunça organizada. 

De cara, coisas que me impressionaram: a semelhança do humor do povo catalao ao francês. Assim que saimos do aeroporto, pegamos um ônibus pra chegar à cidade. Por algum motivo desconhecido, a porta do ônibus estava sendo impedida de fechar. A culpa foi logo direcionada a Camilo que estava perto da porta. Um cara, de forma nada gentil, mandou ele mudar de lugar. Na mesma hora, o motorista se levanta, aponta pra um outro cara no fundo do ônibus e grita com ele pelo mesmo motivo e depois retoma a viagem. Tenso. Camilo, que morou um ano em Barcelona, disse que aquilo era normal, que o povo era meio impaciente. Mas depois da França, meu conceito de "mal humor" mudou bastante. Eh preciso fazer mais do que gritar pra que eu me espante. 

Outra coisa que me chamou a atençao foi a questao drogas/alcool/tabaco. As pessoas tem direito a fumar dentro dos bares. Nao quero ser careta, mas acho uma maldade com os funcionarios. Ao contrario da França, se pode beber com certa tranquilidade no meio da rua. Tem uns paquistaneses vendendo latinhas de cerveja de forma mais ou menos livre, coisa que na França seria impossivel: beber na rua é proibido e, depois das 22h, vender alcool também. Também sentimos varias vezes o cheiro de maconha/haxixe enquanto caminhavamos pelas ruas, fosse de noite ou de dia. E olha que a policia é quase onipresente naquele lugar. 

Apesar disso, Barcelona é conhecida pelos seus picket pockets. Em um parque, fiquei ouvindo a conversa entre um espanhol e um turista francês onde o turista contou que foi furtado no dia anterior. O comentario do espanhol: "minha esposa também, essa semana". Horas depois, quando estavamos saindo do parque, Camilo foi parado por uma mulher que estava, aparentemente, recolhendo assinaturas pra ajudar sei la que instituiçao. Camilo tentou se livrar dela depois de ter assinado o tal papel, mas ela insistiu muito pra ver algum documento dele. Ele abriu a carteira e a mulher pegou nela e, quando vimos, a mocinha estava fazendo um movimento suspeito em que escondia a parte onde estavam as cedulas de Camilo de modo que ela pudesse pegar as notas sem que ele percebesse (enquanto isso, ela fazia perguntas a ele). Nesse momento ele puxou a carteira, muito puto, e fomos embora. Eh incrivel a sagacidade desse povo. 

Como tou morta de preguiça de escrever, vamos aos fatos com fotos.


As ruas de Barcelona sao lindinhas. A gente ficou na casa de uma amiga dos pais de Camilo que morava bem no centro de Barcelona onde as ruas sao estreitas, verdadeiros labirintos e as varandas cheias de plantas e... burros azuis.



Arco do Triunfo



As bicicletas alugaveis sao iniciativa da Prefeitura. Quase nao se vê ciciclista pelas ruas, em compensação, a quantidade de motos é impressionante. 



Parque Ciudadela 
Piadas engraçadinhas sobre o mamute e meu peso estao proibidas.



Porto Olimpico



Praia mais sem graça do mundo. Mas valeu pelo cheiro de peixe agulha frito que trouxe a infância de volta...



Praça Real e um turista fotografando um traveco.



Na Rambla de Barcelona, a gente pode encontrar esses seres que, na falta de emprego, tem que apelar pra criatividade. E, sim, eles chamam muita atençao. Esse aih peidava quando davam dinheiro a ele. 



A concorrência no mercado leva alguns a desenvolver o poder da levitaçao (eu ainda tou intrigada com esse cara).





Piadas sobre peso liberadas 



Na fonte do traveco, outra lady.



Ninguém duvida



 Rambla



Parque Güell 



Parque Güell 



Parque Güell 



Barcelona vista do Parque Güell 



Uma foto para seduzi-los



Parque Güell 



Muitos caes, caes por toda parte. Flagramos alguns donos recolhendo o cocô dos seus cachorros. Em Lyon, essa pratica nao é muito comum. A pratica de recolher, claro, porque a de cagar...






Castelo de Montjuïc. A noite, ha um espetaculo com luzes e musica na fonte do Castelo. Dura em torno de 20min e vale muito a pena!






Bairro popular. Aih vimos um velhinho mijando no meio da rua, como se estivesse em casa, e uma mendiga doida que tirou o cinto e deu uma surra no chao.



Forte de Montjuïc e Camilo competindo comigo na arte da seduçao. Um dia você chega la.



Basilica da Sagrada Familia. Provavelmente, a construçao mais fantastica de Barcelona, apesar de estar inacabada. Assim como o Parque Guell, a Basilica tem o dedo de um dos maiores artitas da Catalunha, Gaudi. Quando tiver pronta, a Basilica vai ter 170m de altura, mas ja atualmente é impressionante:



O teto da Basilica






Aconselho visitar a Basilica num dia de sol pra aproveitar o efeito que os vitrais produzem.












As entradas (de estudante) + audioguia + acesso aos elevadores nos custaram 30€. Foi o passeio mais caro que fizemos, mas valeu a pena. A vista da Basilica é linda. Da pra ver a construçao falica da cidade (porque, como eu ja disse no post sobre Praga, toda cidade que se preze, tem que ter a sua). Bravo.



Enquanto tudo pra mim era novidade, essa viagem foi um momento de redescoberta pra Camilo. Ele estava super empolgado pra me levar nos lugares que fizeram parte do cotidiano dele ha sete anos, quando ele saiu da casa dos pais e foi morar em Barcelona. Entre esses lugares, esta a famosa Xampanyeria, um lugar onde se vende tapas (comida tipica espanhola). Quando cheguei no lugar, fiquei intimidada pela quantidade de gente num espaço tao pequeno. Pelo visto é um lugar meio obrigatorio pra maiorias das pessoas ali. Pedimos umas tapas (frases estranhas...) e tomamos a famosa cava, um champanhe local que me deixou feliz a noite toda. Recomendo.



Cava



Depois das tapas, fomos pra esse bar tomar o famoso...



Olha, confesso que fiquei temerosa, ainda mais porque o cara nao vendia doses do negocio: uma garrafa, dez euros. Quando bebi o primeiro copo, fiquei ainda mais desconfiada, porque o negocio tinha um gosto muito bom e o alcool passava totalmente despercebido. Perguntei a Camilo se aquilo era alcoolico ou nao. Alguns minutos depois, estavamos dançando lambada no bar. Recomendo (2).



Leite de pantera: um perigo.


E assim, termina o ultimo post do ano. Ano bom de Brasil, tatuagem, Guri, Berlim, Praga, faculdade e Dilma. Que venha o proximo! 

sábado, 18 de dezembro de 2010

O que você nao aprende na escola (update)



 Esse nao é um post para os castos.


Eu tava namorando Camilo ha poucos meses quando ele foi à uma consulta no urologista, no Brasil. Ele chegou em casa e começou a me contar como havia sido a consulta. Entre um comentario e outro, ele disse:

- ...e dai eu contei que tinha uma nova namorada e ele me perguntou se eu tinha tirado teu cabaço e...
- O QUE?!
- ?
- Ele perguntou se tu tirasse meu "cabaço"?! Ele usou essa palavra?!
- Sim, por que?

Inocência.

Quem me conhece (e quem nao me conhece também) sabe que eu tou longe de ser uma pessoa pudica. Mas acho um pouco inapropriado um profissional usar termos chulos com seus pacientes. Além disso, é evidente que esse sujeito so usou esse termo depois de perceber a condiçao de estrangeiro de Camilo e sua provavel inocência em relaçao à certas expressoes brasileiras. Fiquei puta, mas tampouco ia pegar na mao de Camilo e tomar satisfaçao com o tal médico doente. Nao sei vocês, mas eu temeria levar meu filho pra uma consulta com uma figura dessas. 

Entao, foi pensando em situaçoes como essa que surgiu a idéia desse post. Eh um post de utilidade publica que vai ensinar você, estrangeiro mané inocente, alguns termos em francês para que você possa se defender, se for o caso, ao ser xingado. 

Pau: bite 

Buceta: chatte ("gata"), moule ("mexilhao")

Xoxota: minou ("gatinha")

Trepar: baiser, tirer

Gozar: jouir

Punheta: se branler, se taper une queue, s'astiquer le bout

Viado: pédé, tapette, pédale, tarlouze, tantouze  

Sapatao: gouine 

Puta: salope, pétasse, trainé, morue

Puto: salop

Pinto: zizi

Vai tomar no cu: va te faire enculer

Vai te fuder: va te faire foutre

Idiota: conne e connasse (mulher), con e connard (homem)  

Chata/chato: chiante, chiant

Chupar (buceta): brouter le minou (brouter é "pastar"), cunnilingus (faire un cunni),  
  
Chupar (pau): sucer, tailler une pipe ("fazer um cachimbo")

Palavroes gerais:

Putain!

(Ça me) fait chier! ("isso me faz cagar")

Ça me caisse les couilles! ("isso me quebra os ovos")

Ça me caisse les burnes!

Racaille: forma pejorativa de tratar pequenos delinquentes ou gente que se encontra à margem da sociedade. Aqui, é geralmente usado pra falar dos jovens arabes. Entao, ainda no intento de fazer vocês nao falarem besteira quando estiverem na França, evitem esse termo perto desse pessoal.

Bom, e por aih vai. Infelizmente, eu acho que preciso dizer que esse post nao tem a intençao de contribuir com preconceitos: eu nao me responsabilizo pela babaquice alheia, soh pela minha.

Estejam à vontade pra aumentar essa lista nos comentarios com qualquer termo que vocês julgarem util à vida em sociedade na França. Hoho.

Talvez

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