Tou com tempo livre no computador e nem sei o que fazer. Eh emoção demais para uma soh pessoa. Ultimamente, não tenho tido tempo de fazer o que eu mais gosto nessa vida: perder meu tempo. Além das minhas amadas faxinas, agora ocupo meu dia com as aulas de francês. Sim! Porque agora eu tenho aulas de francês (novamente)!
Acho que não cheguei a comentar por aqui, mas a Madame Marti, como a França insiste em me tratar (mesmo eu dizendo que mantenho meu nome de jeune fille), precisa passar por um teste de francês (o DILF), precisa assistir à duas palestras sobre a cultura francesa (ou qualquer coisa que o valha), passar por um teste médico e ainda assinar o Contrato de Integração. Na convocação primeira, eles fazem um pequeno teste pra verificar o seu nivel de francês e, dependendo do resultado, a Prefeitura encaminha a pessoa pra uma escola onde ela tera aulas de francês de graça.
Ouvi falar que, quem não sabe de nada da lingua, recebe 400h de aula.
Eu recebi "somente" 200h (no teste o cara mostrou varias imagens, entre elas a de uma garrafa de Coca-cola e disse "onde esta a Coca-cola?". Teste de francês ou de conhecimentos gerais?). Fiquei extremamente feliz por, finalmente, não ter que desembolsar nada nesse pais! Eh um acontecimento unico que eu vou aproveitar bastante. Ou não.Esperei mais de um mês pelo começo das aulas. Tava super empolgada, mas quando cheguei na sala, percebi que minha turma tinha o nivel inferior ao dos japoneses da Universidade Catolica (onde fiz meu primeiro curso de francês). Antes que vocês me perguntem, eu também não sei como isso é possivel. Em cinco minutos de aula, algum arabe perguntou se é preciso colocar, obrigatoriamente, o ponto de interrogação no final de cada pergunta. Não sei, é preciso? Eu sei que a logica da lingua francesa não tem a mesma obviedade pra eles como a tem pra mim, mas isso não quer dizer que eu tenha que ter paciência com o processo de aprendizagem deles.
A turma era bem variada: tinha uma velha com dentes de ouro; outra mulher (uma versão envelhecida de Salma Hayek) sem braço; uma semi-surda; um velho barbudo de muletas; e uma senhora com uma mancha rosa que tomava todo o seu rosto. A unica semelhança entre todos eles é que nenhum sabia dar uma palavra em francês. A sorte é que a professora notou que eu era "sabida" e disse que "na proxima semana, você pode mudar de turma". Até essa semana chegar, eu sofri quatro dias com uma senhora que, ciente da minha sabidice, sentou ao meu lado todos os dias e copiou todos os meus exercicios. Isso não seria problema nenhum se ela não tivesse mal halito.
A turma de agora ainda deixa a desejar, mas as aulas vão acabar em dezembro ou janeiro (o negocio é tão organizado que ninguém sabe...) e, depois disso, se eu passar no teste do DILF, poderei deixar as aulas antes de completar as 200h de aula. Um sonho!









