Acordei na manhã do show como quem acorda pra ir à feira: era um dia qualquer. Apos dois minutos de reflexão sobre o que iria se passar no meu dia, as lagrimas chegaram rapidinho. Tudo o que eu vou (tentar) evitar falar seria brega demais praqueles que apenas simpatizam com a banda. Mas acreditem, nenhum show sera o mesmo depois deste. Morreram os covers, morreram os iniciantes, morreram os grandes concertos! Eu vi Paul McCartney!
Nada sera como antes.
Vi aquela pequena figura (eu tava meio longe) dar o ar de sua graça as 21h do dia 10 deste mês. À sua entrada, a iluminação se foi completamente, restando as pequenas luzes do celulares e câmeras de video, o que, ao meu ver, lembravam pequenas estrelas e davam a perfeita impressão (que durou quatro segundos) de que eu tinha o céu debaixo dos meus pés. Para minha maior emoção, ele é extremamente simpatico, daqueles que tira gracinha o tempo todo e faz rir. E, apesar dos seus quase 70 anos, pulou e enlouqueceu os milhares ao seu redor por incriveis três horas de show! Quem não enlouqueceria, meu deus?
Quando ele começou a tocar
Blackbird, sei la porquê, pensei em Fabinho, virei a câmera pra minha cara chorona e me deixei filmar. Sim, grande, grande amor meu, você esteve comigo numa das noites mais especiais e lindas dos meus curtos 24 anos. E chorei durante toda essa musica pensando em tu e pensando no quanto tu ficaria feliz ao saber da minha felicidade. Coincidentemente, a musica seguinte falava de amizade. E de uma amizade que mudou a historia da musica:
[tradução tosca por conta do meu inglês de colégio] "As vezes você não diz as pessoas o que você quer dizer. As vezes você quer dizer a uma pessoa que a ama e você pensa 'não, talvez uma outra hora'. E talvez você perca a oportunidade, deixe ela passar. E então você pensa 'eu gostaria de ter dito isso'. De qualquer forma, eu dedico essa proxima canção ao meu amigo John". Pois é, sabe aquele John? O John Lennon? Pronto. Agora você estah entendendo as proporções desse espetaculo: um tal de Paul McCartney dedicando, NA MINHA FRENTE, uma musica a um tal de John Lennon. Brother, é demais pro meu coração chorão. E então, ele toca
Here today. E eu? Eu choro!
Setlist - Paul McCartney live - Paris - Bercy:
01. Magical Mystery Tour
02. Drive my car
03. Jet
04. Only Mama Knows
05. Flaming Pie
06. Got to get you into my life
07. Let Me roll it
08. Foxy Lady
09. Highway
10. The Long and winding road
11. I want to Come Home
12. My Love
13. Blackbird
14. Here Today
15. Dance tonight
16. And I love Her
17. Mrs Vanderbilt
18. Eleanor Rigby
19. Band on the run
20. Ob-la-di, ob-la-da
21. Sing the changes
22. Back in the USSR
23. Something
24. I've got a feeling
25. I've got a feeling extended jam
26. Paperback Writer
27.Paperback Writer extended jam
28. A Day in the Life
29.Give Peace a chance
30. Let it Be
31. Live and let Die
32. Hey Jude
33. Day Tripper
34. Lady Madonna
35. Get back
36. Yesterday
37. Helter Skelter
38. Sgt Pepper's Reprise
39. The End
Os outros fãs estarão de acordo comigo: uma coisa é escutar
Hey Jude no seu sonzinho/mp3/computador. Outra coisa é ouvir
o autor da musica tocar
ao vivo e você poder cantar junto, desafinadamente, "na na na na na na na na, na na na, hey Jude!" E eu cantei e gritei alto! E descobri, pelo video, que minha voz não é nada sereia. E que se eu tivesse que incitar alguém a lutar pela paz mundial cantando
Give peace a chance, o mundo afundaria em fome e guerra. Em voz de gralha com tosse, eu cantava: "all we are saaaaying, is give peace a chaaaance. Gaaah!"
Depois, o pobre rapaz de 67 anos, nos chega com um pequeno violãozinho encarnado (duplo sentido), que a ignorância não me permite discernir se é pareia de banjo ou de cavaquinho, e diz que aquilo foi presente de, vocês sabem, George Harrison. "Ele sabia tocar muito bem isso". E, enquanto Paul tocava
Something no seu Ukulele (lê-se Iuculelê), imagens do finado apareciam ao fundo e, à frente do "pobre rapaz de 67 anos", eu chorava (alguma surpresa?).
Os franceses foram à loucura com
Michelle. Et moi aussi!
A day in life, na minha opinião, foi uma das mais bonitas! Toda aquela loucura psicodélica da musica afirmada pelos holofotes coloridos e gente doida gritando no ar. Lindo! Lindo!
Ah, uma coisa besta a se comentar. Se ha uma coisa que eu odeio é a tal da intereção publico-palco. Eh tipo quando o cantor diz "eueueueue" e você responde "eueueueue". Odeio. Mas em Bercy, ontem, eu fui além das minhas tolerâncias. Paul me fez latir! Quando gritou "rouf" e todo mundo respondeu "rouf", ele riu. Tão lindo!
Apos duas fingidas despedidas, Paul finalizou o show com
Yesterday (a musica mais regravada de todos os tempos),
Helter Skelter (Charles Manson teria curtido),
Sgt. Peppers e
The end! A esse momento, o torpor me tomava da cabeça aos pés. "Eu vi, eu vi!" E aquela alegria de estar ali, entre os três grandes homens da minha vida, não me deixara nunca ser triste outra vez. Eu me sinto completa e feliz.
Eu vi! Eu vi!