quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meu lado viking

Esse é um daqueles posts que vão começar num ponto e terminar noutro, afinal, minha linha de raciocinio eh desalinhada.

Hoje, enquando eu estava indo pro metrô, vi uma figura sombria andando à minha frente. Era uma menina vestida de preto, com um vestido que deveria ter sido da tataravoh dela e que era tão bizarro que soh poderia ter sido comprado numa loja de fantasias. Deu um noh na minha cabeça ver uma camponesa do seculo XVIII pegando metrô. Essa é uma das coisas das quais eu adoro aqui. O fato de poder ser camponesa do século XVIII e pegar metrô? Não, querido leitor, é o fato de que você poder andar como quiser sem que ninguém se importe/olhe/aponte/ria. Impagavel.

Isso me fez refletir um pouco sobre a forma com a qual eu me visto na França. Em João Pessoa, nada passa despercebido aos olhos dos outros. Nada. Aqui, eu tenho mais liberdade pra ser quem eu quiser porque:

a) na França, ninguém me conhece;
b) Camilo não cobra que eu funcione no modo princesa;
c) as pessoas aqui não fazem alarde sobre a forma com a qual você se veste;

Por esses três motivos, eu me peguei indo pra padaria outro dia com o cabelo do jeitinho que ele estava quando acordei de manhã. E alias, vestida numas calças que eu uso pra dormir no inverno que, além de tudo, estavam manchadas. E, na verdade, noto que minha vaidade em geral tem arrefecido e isso, ao contrario do que possa parecer pra maioria, é muito bom.

Acho que eu tenho uma sorte muito grande de ter Camilo como namorado. Porque, sinceramente, não é todo namorado que briga com você por você ter se depilado cedo demais. "Deixa esses pelos crescerem! Cadê teu feminismo?", ele pergunta. E ninguém aqui pensa que sinônimo de feminismo é cultivar pêlo. Mas ninguém pode negar que gilete/cera é uma tortura, e é uma tortura pela qual os homens não passam - não esqueci de vocês, nadadores, beijos! - e que a gente passa... por que mesmo?

No meu caso, se eu não devo satisfação aos desconhecidos do metrô, se eu gostaria de aumentar o espaço entre uma depilação e outra e se meu proprio namorado ta pouco se fudendo pro caso, por que eu continuo me torturando? Resposta: eu continuo me torturando por causa do segundo tipo de pessoas que leem esse blog. O primeiro tipo vai pensar "é verdade, depilação, vaidade em excesso, pressão sobre a mulher estar sempre bela é uma merda". O segundo tipo vai dizer "sebosa. Casou e agora ficou desleixada. Pobre Camilo".

Graças aos anjos de Jesus Cristinho, tudo nessa vida tudo é questão de equilibrio.

Não, você não vai ver minhas axilas nesse estado. Jamais. Eu soh não uso brincos quando vou dormir. Eu uso creme hidratante todo dia. E, se pudesse, continuaria indo pro cabeleireiro a cada três meses, como fazia no Brasil. Por outro lado, não perco o sono quando vejo minhas celulites e estrias. E tampouco faço dietas agressivas pro meu corpo pra deixa-lo mais Gisele. Não suporto maquiagem (outra droga que Camilo me encorajou a largar de vez). Não uso salto. E, melhor de tudo: sei que eu poderia ser diferente em muitos sentidos em relação ao padrão de beleza e de comportamento imposto pras mulheres porque tenho o ambiente ideal pra trabalhar isso. Admito que é triste que eu não tenha me dado conta disso tudo sozinha e que precisei de ter um homem compreensivo ao meu lado pra me fazer enxergar estas coisas. Mas eu não lamento, eu comemoro.

Comemoro também o fato de eu poder, com ele, chamar palavrão pelos cotovelos e não escutar nenhuma frase do tipo "isso não é coisa pra mulher", sentença que me atinge ainda mais fundo quando é falada por mulheres, porque vejo isso como um tiro no pé. Uma francesa outro dia disse que eu falava demais "putain", mas nunca a vi censurar o namorado que faz a mesma coisa, e olha que ja morei com os dois. E ha umas semanas, foi uma brasileira no Orkut que disse que meu blog era de mal gosto, que tinha palavrão. Muito triste. Eu entendo que minha avoh pense parecido, mas meninas de 30 aninhos? Enfim, infelizmente, pega mal pra mulher ser agressiva. E no quesito comportamento, eu tou muito mais dentro daquele campo tido pelo senso comum como sendo o campo masculino: beber cerveja, sentar de perna aberta, falar palavrão, arrotar. Sou praticamente Hagar, o Horrivel! Grrrau!

Ok, voltando...

Seja como for, falta muito pra que eu me sinta realmente livre com meu corpo, minhas roupas e meu comportamento. O objetivo não é virar uma mendiga, é somente alcançar um nivel de esclarecimento sobre as coisas que me impeça de sofrer por causa da minha (falta de) feminilidade. Como também não julgar quem ainda não conseguiu enxergar essas coisas. Afinal, eu ainda não cheguei la e não quero ser julgada.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O o 0

Tem certas coisas na vida que fazem você ficar com cara de cu, rindo de si mesma. Ha umas cinco semanas, a internet caiu e não voltou de maneira automatica. Pedi pra uma das meninas que moram comigo pra me dar o numero-chave pra reconectar meu computador à internet. Sem sucesso. Somente hoje me dei conta de que o numero poderia estar errado. Troquei o zero pela letra "o" e deu certo. Tem certas coisas na vida que fazem você ficar com cara de cu, rindo de si mesma.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Do crescimento

O mês de maio acabou e a mãe do doidinho disse que eu iria receber meu primeiro pagamento no primeiro dia de junho. Foi no mesmo dia em que assinei o contrato: quase um mês depois de estar trabalhando como babah. Então, fiz as contas do numero de horas em que trabalhei, multipliquei por sete (euros), descontei algumas horas em que ela disse que eu não seria paga (ela me veio com uma historia que, enquanto o guri dorme, eu nao sou paga) e obtive o valor do meu salario. De cara, ja fiquei emocionada, porque era mais do que eu ganhava como faxineira. Mas quando o cheque chegou, surpresa: 834,03€ (pra trabalhar três dias por semana)! Gente do céu, estou rica! Vou comprar um barco e dar a volta ao mundo. Xau!

(Brincadeira. Eu ainda sou pobre, e sei que é deselegante falar de salario, mas eu sou uma pessoa deselegante e tou me fudendo pra aparência, como vocês podem ter notado).

Lembrei com satisfação de cada cuspida e mijada que recebi do guri e sorri. Fiz minha cara de "nem ligo", peguei o cheque com ar blasé e, quando cheguei na rua, comecei a sapatear. Fred Astaire ficou no chão. Diante de tamanha felicidade, vocês se questionam: minha filha ja viu dinheiro nessa vida? E agora, eu explico.

Gente, ha uns dias eu tive o pior fight ever da minha vida com Camilo. Motivo: grana. Com a tal empresa que Camilo vai montar, ele ficou um pouco mais... errr... zeloso com seu dinheiro... e isso gerou certos atritos entre a gente. No final das contas, depois de 48h de discussao, decidimos que vamos compartilhar os amigos, os sonhos, o teto, os fluidos corporais, menos o dinheiro. A discussao foi um golpe duro no estômago do meu feminismo. Mas serviu pra que eu abrisse totalmente os meus olhinhos e entendesse, de uma vez por todas, que a pior coisa desse mundo é depender de macho. Desculpa aih aquelas que tem uma visão mais romantizada da vida, mas cresci vendo minha mãe ser constantemente humilhada pelo pai pelo simples fato dela não ter um salario. E isso não é legal. E, apesar de meu Camilinho estar anos-luz de ser meu bob pai, encarei nossa discussao como um estimulo à minha definitiva independência financeira. Ja era hora.

Não sei o que vai acontecer depois de setembro, caso eu consiga entrar na faculdade. Não sei quantas horas disponiveis terei pra trabalhar. E depois, a mãe do guri vai parir em setembro e o trabalho, com certeza, vai deixar de ser tão mole quanto é atualmente. Duas bundas cagando. Mas tudo bem, a gente se vira. Por enquanto, o importante é valorizar as conquistas. Aqui, meu primeiro cheque e um curioso comentario de Amanda me incentivando a ser babah.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Musica francesa: Babylon Circus


Ha alguns meses eu havia dito aqui que eu iria fazer alguns posts apresentando algumas coisas da musica francesa. Mas eu, como sou eu, esqueci. Agora, pretendo levar a sério minha promessa e trazer pra vocês, principalmente pros que moram fora da França, musicas que eu tanto adoro! Com a intenção de mostrar também que a musica francesa é mais que acordeão e Edith Piaf.

No post de hoje, trago Babylon Circus, banda formada em 1995 aqui mesmo, em Lyon. Admito soh conhecer o ultimo album deles, o La Belle Etoile, de 2009, que eu acho o maximo do começo ao fim. O Wikipedia descreve o som dele com sendo "reggae/ska mélé à une bonne dose de rock" (bom, vocês entenderam as palavras-chave). Mas eu dispensaria isso e simplesmente resumiria o som deles como viciante.

Sem maiores delongas: Babylon Circus, La belle etoile - 2009 (direto no site, sem download)

sábado, 29 de maio de 2010

Mais um aniversario II

A essa altura, ja espalhei aos quatro ventos: hoje é meu aniversario. Quer dizer, ontem foi o meu aniversario. Mas eu ainda tou feliz. O que é um pouco contraditorio, ja que eu não curto muito o fato de estar envelhecendo. No começo, achei que tivesse alguma coisa a ver com rugas e sindrome de Peter Pan, mas finalmente descobri que o caso é menos grave.

Eu sou um pouco neurotica em relação a idade vs. vida profissional. Meu pai nos colocou na cabeça que se você ja tem 18 anos e nenhum doutorado você não é exatamente alguém. Então, vocês podem imaginar que não foi exatamente um sonho passar o dia do meu aniversario trabalhando como babah. Ah, mas não pensei nesse post pra reclamar da vida (e alias, nem motivo pra reclamar dela). Não importa qual significado que esse dia tem pra mim, eu sempre me divirto com as mensagens de merda dos amigos.

~~Wilker:
Aniversário de Luciana?
Vou tomar uma cachaça ou fazer alguma putaria ae no meio da rua pra comemorar... ahahahaha

Andressa:
hoje era dia de sentar numa mesa de bar pra beber e conversar contigo. Comemora bem direitinho aí. hoje a minha comemoração vai ser em homenagem a tu.
um arrocho.

juju:
seja feliz, putinha!! =D =D =D
que tua felicidade pega todo mundo de jeito e faz feliz tbm.
pq ser feliz é a sua natureza, assim como ser puta.
e tu é linda e faz falta pra caralho!

Eles me conhecem. Obrigada, pessoas. Ainda bem que vocês estão logo ali. E obrigada também à minha maior e unica fã, Glorinha Sem-Noção Vieira e seu post de parabéns. Ri muito! Louca de pedra.

Agora ja posso cantar "à palo seco".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Com ou sem emoção?

O emprego de baba me proporciona ora extrema satisfação, ora o mais profundo cansaço mental (alias, como tudo na minha vida). Mas eu me divirto bem mais trabalhando com meu monstrinho do que como faxineira. Afinal, vassouras não são engraçadas. E o guri é realmente muito fofo! Acho que eu passo mais da metade do tempo falando com ele com os dentes trincados e o apertando e fazendo cocegas e querendo comer os dedos dele (são tão pequenininhos!). Acho que eu gostaria que a babah do meu filho tivesse um carinho tão grande por ele como eu tenho por Monstrinho. Mas ao mesmo tempo, fiquei seriamente assustada quando analisei minha forma de brincar com o guri. Eh tipo, modo violência: ON.

Assim que comecei a trabalhar, no começo desse mês, a gente brincava de esconde-esconde. Quer dizer, eu brincava, ja que não da pra explicar a um bebê de um ano as regras do jogo (eu bem que tentei, mas a unica resposta que eu tive foi um filete de baba descendo da boca dele). Dai, cada vez que eu aparecia pra ele, eu dava um sustinho. Tipo, "coucou"! E ele sempre se assustava, mas mesmo assim ria. Se assustava e ria. Aih, fudeu, né? Peguei a mania e agora eu adoro aparecer de suspresa. Eh dai que eu penso que eu daria um murro na minha baba se ela fosse como eu, porque eu odeio sustos. Mas ele gosta, eu não entendo! A mãe deu pra ele um livrinho que conta a historia de um lobo e, na penultima pagina (o livro tem cinco), aparece a boca do lobo aberta e a cor da pagina é laranja. A mãe disse que ele morre de medo dessa pagina e eu, eu morro de rir quando ele vê esse livro, porque ele procura a pagina, abre, toma um susto, fecha rapidamente e começa a rir. Depois, ele faz tudo de novo, pelo menos umas dez vezes por dia e toda vez o tamanho do susto é o mesmo.

Ele também tem um carrinho em que ele monta e eu empurro. No começo, eu empurrava delicadamente, mas era chato. Dai, eu comecei a correr com o carrinho. Acelerava de 0 à 30km/h em dois segundos. Uau. Eu reproduzia o barulho do motor e tudo mais. E o guri adorava! Daih, semana passada, eu tava empurrando o carrinho quando decidi fazer uma curva sem desacelerar. Pra que? O guri sobrou na curva e voou do carrinho. A queda não foi grande, mas o (meu) susto, foi. Fui buscar o guri e fiquei toda errada depois.

De toda forma, eu adoro brincar com ele assim. A mãe diz que eu não devo ensina-lo "des bêtises", mas eu adoro gritar, pular, sacudi-lo, dançar feito uma idiota, me esconder etc. Então, vocês devem imaginar o quanto eu fico à vontade quando a mãe trabalha em casa.

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um aniversario


Pra que não passe em branco. No ultimo dia 21, fez um ano que cheguei na França pra morar definitivamente. Normalmente, eu teria pensado, e pensei, em todas as coisas que conquistei até aqui. Teria feito uma balanço, e fiz, de tudo que ganhei e tudo o que perdi nesse ultimo ano. E tudo o que eu tenho pra dizer, é que tem dado certo. Tem dado tudo certo.

Digo isso porque esse blog nasceu por causa da minha vinda à França e, graças a ele, conheci um monte de gente legal. Queria agradecer a TODAS as pessoas que passaram por aqui com seus comentarios positivos e generosos. Obrigada mesmo. Tem dado certo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fala que eu te escuto. Ou nao.

(Antes de tudo, perdao: post escrito num teclado espanhol desconfigurado).

Quando Camilo anunciou, ano passado, que iriamos morar com mais nove pessoas, eu fiquei preocupada. Ainda mais porque, das nove pessoas, eu conhecia somente duas. E superficialmente. Sempre morei com muitas pessoas, afinal, eramos seis na minha familia, entao quatro a mais, quatro a menos, nao deveria ser problema pra mim. Mas dai a gente lembra que o espaco onde um grupo numeroso vive soh funciona quando tem um lider ou coisa parecida regendo a coisa. Mas tentemos.

O cotidiano na casa eh curioso. Nas compras, sacos de 25kg de arroz, 25 kg de farinha, dezenas de pacotes de papel higienico. Na feira de frutas e verduras do sabado, o s feirantes ja nos conhecem e oferecem os produtos em caixas feitas pra venda no atacado. Todo dia se vai um quilo de macarrao ou de arroz no jantar e jantamos todos juntos. Todo dia. Quase vinte escovas no banheiro dividindo um mesmo potinho. Tem o saco de lixo de cem litros que eh trocado constantemente. No minimo, onze casacos espalhados pelo sofa e onze pares de sapato dividindo o chao com a sujeira (porque quando onze sujam e dois limpam, voces sabem...) Pra acomodar o vidro que sera reciclado depois, um carrinho de supermercado. E pra coisa toda dar certo: dialogo, muito dialogo.

Ja falei aqui que o amado tah criando uma empresa com um dos caras que moram com a gente. Eu nao vou explicar do que se trata, mas o fator "comunicação" eh essencial no tipo de projeto que eles estao criando e, por conta disso, os dois tem lido muito sobre essa "arte". Isso trouxe, inevitavelmente, pro meu namoro com Camilo, varias discussoes (algumas ferrenhas) e, ironicamente, nos demos conta de que não somos um casal que se comunica bem (pelo menos nao da forma ideal).

Uma das coisas que contribuem pra isso, eh o fato de que eu sou agressiva na hora de expor minha opiniao e intolerante na hora de aceitar a opiniao alheia. E eu nem preciso ir muito longe pra saber o porque, afinal, nossos defeitos e qualidades estao ligados a forma com a qual fomos educados, concordam? E na minha casa, a primeira e ultima palavra sempre foi a do meu pai. Entre berros. Por isso, reproduzir esse tipo de comportamento durante minha vida nao foi algo muito dificil pra mim e experimentei varias vezes a sensacao de "perder" quando eu nao podia convencer alguem de que meu pensamento era o certo ou estava perto disso.

Coitadinho de Fabio. Eu sempre enlouquecia nas nossas discussoes, apesar de escutar todos os argumentos dele. Quando o odio no meu coracao aplacava, eu ia ate ele pra pedir desculpa e admitir que ele estava certo. Mas ate esse odio passar... Ah! Entao Camilo chegou e esse processo de "discordar - ter raiva - refletir - pedir desculpa" teve que ser otimizado: era isso, ou eu perdia o namorado.

E quando eu falo em comunicacao, eu estou falando de um sentido bem mais amplo do que esse de "ouvir o outro e saber aceitar a opiniao alheia". Entra aih a parte do saber falar. E querer falar. De vez em quando, fazemos uma reuniao com os moradores da casa pra que a gente discuta os problemas dela. No comeco, eu me limitava a ouvir e, quando tinha algo a dizer, o fazia atraves de Camilo. De uns tempos pra cah, aceitei que eu deveria comecar a dizer o que eu penso, mesmo se o idioma pode limitar a forma com a qual eu repasso minha opinioes. Sucesso. Diante de um grupo que esta nao soh disposto a ouvir como a aceitar o que voce tem a dizer, eu me senti muito estimulada a praticar esse tipo de comunicacao nao-violenta (interna: Camilo, se um dia voce ler esse post, nao ria de mim! hehehe)

Quando fui ao Brasil em fevereiro, Fabio disse que as vezes se sentia inclinado a concordar comigo, mas nao o fazia somente pela forma agressiva com a qual eu defendia meu ponto de vista. Pelo fato de eu ama-lo muito, dele me conhecer mais do que qualquer pessoa e tambem da opiniao dele ter peso mil sobre mim, decidi entrar nessa vibe da coloc de ser mais esforcada na hora de transmitir minhas opinioes. Nao, nao vou virar um anjo da compreensao. Sou muito enfezada e Camilo ja me preveniu que nao seria uma boa ideia me reprimir (hihi ele eh lindo). Mas ao menos quero que as praticas do patriarca da familia fiquem bem longe.

Finalmente eh engracado perceber que nao eh nenhum sacrificio jantar com as pessoas que moram com voce. Como eh engracado tambem perceber que, quando se tem bom senso, lideres sao inuteis. Se meu pai soubesse o quanto um pouco de dialogo o faria bem, e a sua familia, talvez ainda seriamos seis.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Nuits Sonores

Post super rapido (vou tentar) soh pra anunciar a maior das tragedias: estou sem internet. Estou fazendo terapia intensiva pra ver se atravesso esse momento complicado sem enlouquecer. Tem dado certo.

Bzzzz!

Babaquices a parte (e um teclado desconfigurado como parceiro), estou pensando seriamente em comprar um computador ja que agora eu sou uma mulher trabalhadora e vou enriquecer dentro de alguns meses, eh claro. Mais bon... Estou muito satisfeita de toda forma porque amanha vai comecar um festival SUPER esperado pela minha pessoa, o Nuits Sonores. Eh a oitava edicao do festival esse ano que vai ate domingo. Eh um festivalzinho de musica eletronica que me apetece mais por ser numa epoca do ano que eu amo (Primavera) do que propriamente por ser de musica eletronica.

Na primeira foto, jovens felizes e satisfesitos. E bebados. Na segunda foto, eu superfeliz com um chapeu pra proteger minhas perebas. Eh, eu tinha acabado de cair da bicicleta e, dentro de algumas horas, eu estaria indo pro hospital pelas complicacoes que os remedios me trariam. Espero que esse ano eu nao precise ir ao medico. Malgrado a falta de internet.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Chuva de cenoura

Essa eh a semana do finalmente.

- Finalmente Camilo voltou do Senegal (pedi pra ele escrever um post sobre a semana em que ele passou lah, vamos ver se ele lembra);

- Finalmente Diana voltou do Mexico (escrevo mais sobre nossa relaçao depois);

- Finalmente eu estou trabalhando!

Pra quem chegou agora no blog, arrumei um trabalho como babá de um bebe de um ano e, como o pai eh portugues, vou maneirar nas minhas impressoes sobre a crianca (oi, pai! Se o senhor estiver me lendo, eu amo seu filho, beijo!).

O guri realmente eh um fofo. No comeco, ele fazia aquela cara de desinteria quando eu aparecia. Agora ele já sorri. Ontem ele ateh gargalhou! Quando ele faz isso, dá vontade de espremer as tripinhas dele. Eh lindo demais! E depois de dois dias de trabalho, já estou ate pensando na possibilidade de ter um filho: adotar um que tenha 18 anos e já esteja pronto pra sair de casa.

Socorro.

Lá estava eu, linda e cheirosa, dando papinha pra ele, tendo que entrete-lo entre uma colherada e outra, porque quando a brincadeira para, ele para de comer tambem. De repente, ele dá um espirro. De repente, uma chuva de papa de cenoura e baba de crianca sobre mim. Eu petrifiquei. Olhei minha roupa laranja, sorri nervoso. "Ossos do oficio. Foi soh uma papa".

Terminado o almoço, ele comeca a soltar uns peidos bizarros. "Eh agora". Comecei a me preparar emocionalmente pra trocar a primeira fralda de coco dele. Deitei o guri em cima do trocador e, pelo peso da fralda, ele devia ter cagado o equivalente ao peso dele. O bom da historia, eh que ele nao aceita ficar deitado e eu realmente nao sei como trocar um bebe que esperneia em peh. Quando ele ficou em peh, senti minha barriga ficar quente. Eh, ele tava mijando em mim. Pensei em arremessa-lo na pia, mas ja era tarde demais. "Ossos do oficio. Foi soh xixi".

Distrair essa crianca eh uma das coisas mais trabalhosas que existem. Ele nao se contenta quando cantamos, pulamos, falamos, sorrimos, corremos, fazemos caretas ou nos escondemos. Nao. Ele quer todas essas coisas ao mesmo tempo e muito mais. Por isso, sai do primeiro dia de trabalho sentindo todos os musculos da minha bunda doendo (nao me perguntem porque). E apesar de tentar usar toda minha criatividade pra entrete-lo com coisas realmente interessantes e construtivas, ele gargalhou quando eu dei uns tapinhas no vidro da cozinha. Eu fiquei com medo dele se engasgar tamanha a risada. E cada vez que eu batia no vidro, ele ria mais alto. Mas tem um detalhe. Nao era em qualquer parte do vidro, era somente quando eu batia na altura da minha cabeca: mais pra baixo nao tinha graça.

Agora vou busca-lo na creche. Talvez hoje seja o dia em que Camilo de uma passada por la pra conhecer os pais do guri, que sao uns amores, super gente fina (pais, se voces tiverem me lendo, amo voces, beijos)!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Parabéns pros blogs

Hoje meu blog faz um ano. Não que eu veja alguma coisa de especial nessa informação, mas ao menos vi esse fato como uma oportunidade pra falar sobre algo do qual eu gosto muito: de blog.

O blog Europrosa deu um selo pro Caso me Esqueçam. Eu não sei bem o que isso significa, mas sei que é uma coisa boa, um tipo de reconhecimento pelo blog. A regra diz que a imagem deve ser afixada no meu blog, mas como eu não sei fazer isso, fica por aqui mesmo, como post. Também tenho que citar quinze blogs que eu gosto (com certeza a melhor parte desse selo). Mas vou além, vou dizer resumidamente porque eu gosto dos blogs indicados, assim talvez vocês se sintam mais motivados a conhecê-los.

Ashen Lady's Blog - Blog que conheci, por acaso, essa semana. A autora faz umas reflexões sobre o cotidiano, a forma com a qual as pessoas se relacionam. A escrita é simples e fluida.

Café Velho - Eh um dos unicos blogs que fala de uma forma realmente séria sobre politica. Por coincidência ou não, ela mora em Brasilia e tem mesmo muito o que falar.

C'est pas vrai - Blog da Bel, brasileira que mora em Paris, que fala sobre tudo e sobre nada de uma forma que eu adoro: cheia de humor e ironias. C'est vrai!

Dentro do Coletivo - Apesar de ser suspeita pra falar, por se tratar de um blog do meu personal guru musical, é impossivel deixar de elogiar esse blog. Excelente quando faz criticas de albuns ou quando escreve contos. Completo.

Documentarios Verdade - Blog onde estão disponiveis documentarios obrigatorios pra quem vive nesse planeta.

Escreva, Lola, escreva - Um dos blogs mais completos pra mim: feminista bem-humorada que adora filmes. Dez feministas entre dez tem o blog dela no seu bloghall.

Foi feito pra isso - Uma boa descoberta dos ultimos tempos. Eh sempre bom ler alguém com senso de justiça e que tem talento pra escrever.

La Dolce Vita - A-do-ro! Blog sensacional que fala sobre arte (filmes, quadrinhos, desenhos animados, atores etc). Vai do classico ao tosco. Além de ter o dominio sobre o assunto que escreve, o Miguel é um gentleman de humor fino. Adoro as impressões dele.

Nunca disse que faria sentido - Também outra descoberta recente. Blog de uma criatura que fala coisas aleatorias sobre sua vida, mas que consegue prender totalmente minha atenção.

Pergunte ao Pixel - Blog da Tina, mãe da Nina, e suas aventuras. Ponto forte: um humor sarcastico. Impossivel ler um post soh.

Porte Doree - Blog da Amanda, brasileira residente em Paris. Leitura obrigatoria pra todos aqueles que decidem morar na França e também praqueles que querem conhecer a verdadeira cara da terra que o Sarkozy governa. Escrita simples pra temas complexos. E o que eu mais adoro: no clichê. Ouais!

São Paulo - Paris - Dakar - Blog da Aline que mostra de uma forma superinteressante as curiosidades no day by day nessas três capitais.

Viva Mulher - Escrito por uma jornalista feminista, me deprime as vezes por certas matérias e artigos analisados sobre a vida de mulher. Eh, a realidade deprime, mas o blog é muito bem escrito.

Não foram quinze, apesar de eu ter outros blogs como favoritos. Escolhi esses por serem menos pessoais. Espero que algum agrade a vocês. Ah, a Mirelle Siqueira também, gentilmente, me indicou pro selo. Muito obrigada, meninas!

Agora, hora de soprar a velinha!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A hora do pesadelo

Eram 21h quando a familia na qual eu tava interessada me mandou uma mensagem dizendo que me queria como babah. Massa, porque eu não aguento mais ficar em casa coçando o saco. E hoje, eu deveria passar (e passei) o dia na casa do guri, juntamente com avoh dele, pra que ele comece a se adaptar à minha presença, afinal, ja que eu vou ser a babah dele, o minimo que os pais esperam é que a gente se suporte.

O dia ja começou bem: minha ansiedade me acordou às 4:30h da manhã. Fiz xixi, voltei pra cama, deitei de bruços, deitei pra cima, de lado, de frente, de banda e nada. Pensei em todas as coisas boas e ruins que poderia naquele momento e, quando vi, me dei conta de que tinha perdido minha bolsa na UFPB. Quando achei a bendita, vi que tinham furtado minha carteira e meu celular. E pensei logo no meu titre de sejour! "Merda!" Daih comecei a gritar muito e fui acordada pelo despertador. 6:45h.

Sabe quando Freddy Krueger chega na casa da pessoa pra mata-la? Pronto, o menino teve uma reação parecida à minha chegada. Soh fazia correr e gritar. A diferença é que Freddy Krueger pegava ele nos braços e fazia biquinho. Respirei profundamente fingindo que eu sou uma pessoa paciente e continuei a sacudir todos os brinquedos que estavam dispostos sobre o tapete da sala, mas o guri soh queria a avoh. E a avoh tentava me acalmar dizendo que era normal, que depois ele melhoraria.

Por coincidência, era o primeiro dia do menino na creche e aqui na França se costuma fazer uma adaptação entre bebê e creche, nesse momento: no primeiro dia, os responsaveis deixam a criança por somente 30min na creche. No segundo dia, deixam por uma hora e assim por diante. Quando fui deixa-lo na sala da creche, ele me agarrou com tanta força, que duvidei que ele soh tivesse um ano de idade. Meia hora depois, quando voltei, o guri ainda tava soluçando e me abraçou lindo! Nada pior do que o pior, deve ter concluido ele.

A avoh foi perfeita comigo! Me deu todas as dicas, me acalmou, me ensinou um monte de coisa, conversamos bastante. O que eu vi durante o dia foi uma avoh superapaixonada, que de cinco em cinco minutos beijava o menino e tudo o que este fazia era rir largamente com os apertos da avoh.

A mae me disse, "Eu não quero que você o trate como se ele fosse sua maritonete. Ele não sabe falar ainda, então, quando ele disser 'dadada', eu não quero que você repita isso (em tom de brincadeira), quero que você sugira a ele o que ele esta tentando dizer". Tipo assim, o menino em questão tem um ano de idade. Dialogo possivel:

- Gaaah! Dadadiiidiii!
- Ah, você acha que Freud estava certo quanto à questão do inconsciente?
- Bubububu! Gagagah!
- Eu discordo plenamente do seu ponto de vista, garoto.
- Tatatiiiiii!

Claro que entendi o que a mãe quis dizer (quando ele gritou qualquer coisa desconexa hoje à tarde, perguntei "ah, você quer sua mãe, ela tah bem ali, vamos lah?"), mas é foda escutar coisas do tipo "não trate ele como se fosse sua marionete". Soh faltou ela dizer que o pirralho podia discutir fisica quantica e que eu deveria trata-lo "à altura". Isso tudo me deixou meio desconfortavel, ainda mais porque ela disse que queria conhecer Camilo! Algum patrão de vocês ja disse que gostaria de conhecer seus respectivos namorados/maridos/companheiros? Pois é, também achei estranho.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre pão, rosas e pessoas

Camilo anda ha meses insatisfeito com os chefes. Ano passado, quando ele ainda era somente estagiario na empresa, ele ja vinha enfrentando dificuldades com os malas de lah. Um dos socios da empresa chegou a ser meio que expulso dela, pois era uma cretino de marca maior. Mas ainda restaram todos os outros. Eh o louco que grita, é o cara que é cinico, é o outro mal educado e assim por diante. Como eu trabalhei de faxineira na empresa, sei bem do que ele fala. O chefão, um tal de Olivier, aparecia na empresa de vez em quando. Eu, com minha pobre vassoura na mão, nunca escutei uma resposta dele ao meu bom dia. Tipo assim, nunca. Espero que vocês nunca tenham a chance de comprovar isso, mas quando seu trabalho não é bem assim, glamouroso, você corre o risco de desaparecer. Daih, um belo dia, acho que alguém contou pro senhor Olivier que aquela otaria que ele sempre ignorou é a esposa de um dos engenheiros da empresa. Então, ele veio trocar duas frases comigo na hora do almoço. Deve ter sido dificil. Engraçado que esse episodio se passou bem na época em que assisti Pão e Rosas (2000). O filme gira em torno de alguns casos da vida de uma faxineira mexicana que foi morar nos Estados Unidos. Opa! Faxineira? Estrangeira? Rolou uma identificação.

Nesse exato segundo, Camilo tah no Senegal, provavelmente reunido com alguns homens engravatados discutindo sobre projetos de carbono a serem lançados na Africa. Ele me mandou um email ontem, meio aflito, contando o quanto era sufocante estar com os dois chefes. Antes de embarcar, ele ligou pra mim e disse que um dos chefes tava falando sobre a esposa dele: "Bla bla bla... mas é bom mesmo que ela faça a feira, porque eu passo três horas pra achar um produto, fico perdido. Mulher não, mulher é mais cuidadosa". Pois é, meu bom homem, é porque além de estarmos biologicamente preparadas pra gerar um ser humano, nohs mulheres também trazemos conosco o gene da feira.

E Camilo foi totalmente verdadeiro quando me disse, semana passada, que tudo depende das pessoas com as quais nos rodeamos. O trabalho é chato, mas o chefe é legal? Passa. A disciplina na faculdade é interessante, mas o professor é um cretino? Não passa. Não dah, pô. E ontem eu fui pra mais uma entrevista de emprego da qual eu gostei muito. Não soh porque era pra cuidar somente de um bebê, mas também porque o perfil dos pais me agradou muito. "Quero que você ensine coisas ao meu filho, ele é muito curioso. E nada de TV. E nada de passeios no shopping". E, quando a mãe soube que eu morava numa casa, ela perguntou se eu tinha jardim. "Eu tenho um jardim. E a gente vai plantar tomate nele". E ela sorriu. E agorinha, quando esse post ainda soh estava na minha cabeça, minha ex-patroa me ligou e disse que uma mulher havia ligado pra ela ontem perguntando pelas minhas referências, se eu era confiavel. E daih minha patroa disse que sim. E explicou que eu era séria e responsavel e meu sorriso do outro lado foi enorme e o rubor foi violento. Merci! Merci! E ela disse "mas você fez um trabalho excelente, Luciana". E eu nunca tinha comentado aqui o quanto essa mulher foi importante na minha adaptação na França e o quanto me senti bem trabalhando pra ela. E ja faz uma semana que cogito a possibilidade de voltar e trabalhar uma parte da semana como baba e a outra parte como faxineira. Porque quando a gente tah com as pessoas certas, passa.

Não vou de taxi - parte II

BICICLETA

Outra idéia que os governadores brasileiros tentam recuperar da França é a da implantação de estações de bicicletas alugaveis (aqui em Lyon, essas bicicletas são chamadas de Vélo'V). Bom, a idéia não é francesa, ja que o sistema ja existe em outros paises, mas Lyon foi a primeira cidade da França a implantar o projeto. Ele existe aqui desde 2005 e ta sendo cada vez mais ampliado. Ja existem mais de 300 estações, como essa da foto, espalhadas pela cidade toda. O sucesso vem de uma mistura simples: bicicletas de graça nos primeiros 30min de uso numa cidade quase totalmente plana. Pelo cartão de 24h você paga 1€, pelo de sete dias, você paga 3€ e pelo cartão anual você paga irrisorios 15€.

Em 2008, Sérgio Cabral foi à Paris e anunciou o lançamento do mesmo sistema no Rio. Depois de um ano funcionando, o sistema foi suspenso por alguns meses devido à quantidade de furtos das bicicletas. O projeto foi reiniciado mas, três dias depois, a policia encontrou um moleque com uma bicicleta furtada. "Dei um jeitinho". Infelizmente, por aqui a realidade não é muito diferente.

A quem deseja morar em Lyon por mais de seis meses, eu dou uma dica: compre sua propria bicicleta, mesmo que usada. Porque nem sempre você vai voltar pra casa e se deparar com uma vaguinha pra você depositar sua bicicleta naquela estação que fica perto da sua casa. E, caso você não a devolva, 150€ serão debitados da sua conta. E a multa é pequena: a manutenção de cada estação de Vélo'V custa aos cofres publicos 2000€ mensais.

A bicicleta aqui é o transporte mais rapido na cidade. Camilo demora os mesmos 20min pra chegar no trabalho dele seja de metrô ou seja de bicicleta e ja sabemos que somos mais rapidos em cima de uma bicicleta que dentro de um carro - aqui o trânsito é lento e vagas pra estacionamento são dificeis de encontrar. Por isso, você vê de empresario engravatado a "velhinha de respeito" andando de bike pela cidade. E pra coisa funcionar, leis rigidas são aplicadas (ou não) aos ciclistas. O pedestre tem sempre prioridade em relação à bicicleta e a bicicleta tem sempre prioridade em relação ao carro. O ciclista tem que respeitar todo e qualquer sinal de trânsito, inclusive as placas de contramão, correndo o risco de pagar multa. Um amigo quase foi multado em 90€ por andar de bicicleta sobre a linha exclusiva pra ônibus. E um policial tentou me tirar 135€ depois que eu atravessei o sinal vermelho. Numa mudança de via, o ciclista tem que estender o braço no sentido em que deseja seguir. Ele também ta proibido de usar celular enquanto pedala e de ter uma taxa de alcool superior a 0,5g/litro de sangue.

TCL (Transport en Commun Lyonnais)

Apesar de eficiente, o transporte lionês tem um terrivel problema que assombra a população: as greves. As famosas greves da TCL (empresa responsavel pelos quatro primeiros meios de transporte citados) são terrivelmente odiadas pela população. São tantas greves que as pessoas as vezes nem sabem mais o que a TCL quer. No site não informação. O recorde de locações de Vélo'V aconteceu em setembro do ano passado, no dia de uma greve da TCL: 44.843 locações. A TCL também fez greve no dia em que a delegação européia, que ia escolher a capital européia da cultura 2013, estava na cidade. Também fez greve no dia do vestibular. Como se pode imaginar, apesar de tudo, a TCL não é muito popular por aqui. Viva as Vélo'V!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O curioso caso dos bebês-geléia

Um trabalho para o Doutor Octopus

Finalmente me deixei influenciar por Amanda e comecei a procurar empregos como babah - aqui, chamada de nounou (nunú). Me inscrevi num famoso site da area e deixei meu humilde recadinho falando sobre minha grande experiência no ramo. Não, eu não a tenho, mas ninguém precisa saber disso.

Vi muitas propostas de emprego, mas a maioria era pro começo de setembro, quando eu pretendo estar estudando (se Deus existir e se Ele gostar de mim, é claro). Respondi às mensagens dos pais que mais me agradaram, mas essas mensagens provavelmente foram respondidas por outras duzentas nounous mais rapidas do que eu. Dois dias depois de cadastrada no site, finalmente recebo a mensagem de um pai que estah interessado numa entrevista comigo.

Vou poupa-los da narração da cruel conversa pelo telefone com o pai pra marcar a entrevista, mas posso garantir que, depois que isso foi feito, eu senti que poderia ir pra qualquer entrevista cara a cara sem correr perigo de desmaiar de nervosismo no meio da conversa.

Liguei pra Amanda e ela me deu informações valiosissimas como "se mostre motivada e disponivel. E sobretudo, não tussa em cima do bebê". Anotado! Fingindo calma, cheguei até o apartamento dos pais. Detalhe charmoso dessa proposta de emprego: eu teria que cuidar de dois bebês de seis meses e uma criança de dois anos, ao mesmo tempo, dez horas por dia (geralmente duas familias se juntam pra pagar uma soh baba). Pela minha quantidade de braços, achei que seria uma tarefa dificil. Mas dificil mesmo é o desemprego, meus amigos, então eu fui.

Fingindo segurança, levei meus dados pessoais e copia de identidade numa pasta e, quando toquei a campainha, escutei a voz do pai do outro lado da porta dizendo a alguém "vamos ligar pra você depois". Ou seja, tinha outra nounou terminando uma entrevista! Rezei pra que ela fedesse e não tivesse os dentes da frente. Quando a porta se abriu, vi uma mulher e eu fiquei sem saber se era a mãe ou a nounou entrevistada. Apertei a mão dela e, pela cara de espanto que ela fez, era mesmo minha concorrente. Hihi.

Na sala, a mãe de um bebê e os pais do outro bebê e da criança. O pai era um espetaculo de homem. Entendi porque a mãe tinha aquele sorriso. Alias, a mãe sorria tanto que achei que eu ja tava contratada. Mas infelizmente eu não sou assim tão falante em francês como sou em português. E foram muitos os momentos durante a entrevista que senti que eu deveria falar mais. Mas o pior mesmo, a coisa que acho que contribuiu pra uma imagem negativa minha, foi minha obvia falta de aptidão com as crianças.

Em certo momento, a mãe deixou seu bebê no sofa (ao meu lado) e foi se ocupar da criança que tava chorando. De repente, a outra mãe diz "opa, cuidado": era o bebê do meu lado que tava despencando pra frente. Ao invés de eu pegar a guria nos braços e ja fazer o H na frente da familia, eu soh fiz empurra-la carinhosamente de volta ao encosto do sofa usando somente três dedos. Véi, mas que agonia! Parecia que a menina era feita de gelatina. Quando encostei meus dedos nela, eles afundaram naquele monte de banha de bebê. Foi aih que pensei "o que porra eu tou fazendo aqui?!"

Quando a mãe chegou, pro meu alivio, ela pegou nos braços o bebê invertebrado e começou a dizer as coisas que eu deveria fazer. Entre o esperado, como leva-los pra passear e ajeitar a bagunça deles, estava dar banho nos três e passar as roupas deles. Olha, se eu tava com medo da historia toda, sorri interiormente pensando "quem tiver coragem, que seja contratado". Antes de me despedir, perguntei ao pai se ele precisava de alguém pra dar banho nele, mas ele negou.

[Em tempo: enquanto escrevia esse post, uma mãe do site me ligou falando sobre uma proposta de emprego de... três crianças. Ela disse que ia falar com outros pais sobre mim, mas espero que ela não ligue de volta. Medo].

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A gravata do meu namorado

Não é de hoje que eu sei que Camilo tem um sono esquisito. No começo do nosso namoro, ele acordou um dia, no meio da noite e, de joelhos em cima do colchão, começou a gritar apontando pro meio do quarto:

- O que é que esse carro tah fazendo aqui?! Olha esse carro!
- Que carro, Camilo?
- Esse carro! Esse!

O menino tava tão seguro de si que eu realmente fiquei com medo de encontrar um carro no meio do quarto. Mal sabia eu que minhas noites deixariam de ser tranquilas a partir dali. Eu ja perdi as contas de quantas vezes ele fez isso. Geralmente ele senta ou fica de joelho - nessas ocasiões, eu tenho que dar um ippon pra ele voltar pra cama. E existem as fases.

Fase amorosa:

Aconteceu quando moravamos no Brasil. Ele costuma passar a mão em volta da minha cintura quando dormimos. O problema é que quando dormiamos com amigos, ele fazia a mesma coisa. Deu um beijo uma vez no cotovelo de um amigo e passou a mão na bunda de uma amiga - por isso, esse disturbio também é chamado por mim de sono conveniente.

Fase intelectual:

Eh quando ele acorda a fim de conversar. Eh a que eu mais gosto, porque eu não acordo assustada com os gritos dele. Nessa, ele começa a falar sobre qualquer coisa. As vezes ele ri, é lindo! Ele:

- Tu viu o que aconteceu?
- Hmm, vi. Legal, né, amor? (Hihihi)
- (ruidos estranhos) Eh mesmo. Eu acho até que zzZZzz...
- (...) Lindo?

Fase protecionista

Eh quando eu acordo com ele abraçando meu crânio e dizendo "corre", "não vai pra aih", com uma voz muito desesperada. Quando acorda, ele explica que teve um pesadelo e que tava tentando me proteger de alguém. Acho bonitinho... quando eu posso respirar. Ele tem esses sonhos geralmente quando tah estressado com o trabalho.

Infelizmente, acho que a fase protecionista esta com seus dias contados. Temo que venha por aih a fase homicida. Porque ontem Camilo tentou me matar. Sério. Eu ja tava tendo um dos meus famosos pesadelos quando fui acordada pelas mãos de Camilo: uma no ombro, outra no pescoço, me apertando. E ele começou a gritar e eu, claro, também! "Para, tah doendo! Acorda!" Aih ele acordou, pediu desculpa três vezes, se virou e dormiu. Eu verifiquei se minha traquéia ainda tava onde eu gostaria que tivesse e tentei dormir, mas foi dificil.

Lembrei de uma matéria que li ha umas semanas de um cara que tinha matado sua mulher dessa forma. Ele era sonâmbulo e, um dia, quando acordou, encontrou a esposa morta do lado dele, estrangulada. Chamou a ambulância, mas não teve jeito. O marido disse que tinha sonhado que um ladrão tinha entrado na casa e aih deu no que deu. Eles eram casados ha trinta anos.

- Camilo, tu lembra que tu tentou me matar ontem?
- Foi?
- Foi.
- Eita, foi mal.

Algo me diz que eu prefiro Camilo consciente.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Escalada + medo de altura: combinação explosiva


Em janeiro, Camilo se inscreveu numa sala de escalada e tem praticado o esporte uma vez por semana. Quando cheguei da viagem ao Brasil, encontrei um Camilo mais magro. O vi sem blusa e perguntei com toda minha espontaneidade paraibana "oxe, cadê teu bucho, menino?!" Não é que ele esteja slim, exibindo uma cintura de Barbie, mas ja pôde diminuir um ponto no cinto e, domingo, ele vestiu uma calça que não cabia nele havia meses!

Se eu ainda precisava de algum motivo pra me inscrever na escalada, achei um. Ainda relutei, mesmo com os convites de Camilo, porque acho importante pra saude da nossa relação que cada um tenha suas atividades particulares. Mas foda-se. Quem deve ter ficado triste foi Corentin, figura que mora com a gente e que tinha como parceiro pra escalada (que se faz em dupla) Camilo. Alias, Co ja morou dois anos com Camilo (esse é o terceiro ano), estudou com ele na universidade, estagiou com ele na mesma empresa, trabalha com ele atualmente e juntos tão criando uma empresa. Alias, eu sempre digo que a verdadeira namorada de Camilo é Co, que eu sou apenas a amante.

Seja como for, fui com Camilo pra uma aula de teste. Meo-deos-do-céo. Me deparei com aquela parede enorme, cheia de pontinhos minusculos dos quais eu teria que me equilibrar pra subir, contanto somente com a segurança de uma corda em caso de queda.

Vamos ao ja conhecido esqueminha do Paint (ja conhecido pelos leitores do finado Circo) pra saber como a coisa funciona:

Camilo (suspenso, na figura) faz um noh especial e o envolve no seu cinto de segurança (vide foto em que ele exibe feliz seu presente de aniversario). A corda vai até o topo da parede e desce até o meu cinto. A medida em que Camilo sobe, eu tenho que ir recuperando a corda dispensada por ele num movimento um pouco complicado, mas de extrema importância em caso de queda. As vezes ele cai de repente e, como ele é mais pesado do que eu, ele me suspende o bastante pra que eu tire os pés do chão, mas não o suficiente pra que eu suba e ele caia. Seria engraçado se não fosse tenso.

Ele sobe agarragando somente um tipo de presa indicada por uma cor especifica. E, quando chega em cima, eu vou dando corda pra que ele desça vagarosamente. O problema, meus amigos, é que eu não sou assim, uma pessoa que fica à vontade com os pés longe do chão. Na primeira vez em que tentei escalar, fiquei feito uma macaca a sete metros de altura, petrificada la em cima. Pra descer, você tem que confiar na pessoa que estah la embaixo e simplesmente se jogar, enquanto ela te desce. Acredite, não é facil.

Na primeira vez, quando cheguei la em cima, toda feliz porque tinha conseguido controlar meu medo, ele disse:

- Vai, agora se joga!
- Errr... tah bom! (segurando a corda)
- Vai, Luci, se joga!
- Tah bom, tah bom! (segurando a parede)
- Luciiii! Vamos la, vai, eu tou aqui!
- Eh, porra, e eu tou aqui!

Aih, eu solto a corda e vejo que continuo no ar, esperando que ele me desça. Beleza.

- Luci, agora você tem que colocar suas pernas retas, senão, quando você descer, você vai ralar o joelhos na parede.

Olhe, eu ja tinha feito o esforço sobrehumano de soltar minha mãos da parede, mas deixar as pernas retas significaria ficar ainda mais longe dela. Por esse motivo, eu cheguei la embaixo com apenas metade de cada joelho, porque eu fui quicando de cima à baixo.

No final da sessão, eu tava incapaz de levantar meus braços acima dos ombros. A coisa é muito cansativa. Ainda bem! Se eu não morrer (de medo) daqui pra setembro (quando termina minha inscrição), eu espero estar slim. Nem que pra isso eu tenha que sacrificar meus joelhos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Desempregos de verão

Agora que tou desempregada, me pergunto se eu não me demiti cedo demais. Apesar de ser um trabalho nada edificante, a faxina me dava duas coisas que eu aprecio muito nessa vida: independência e sono tranquilo.

Mas aih vem as aventuras!

No ultimo dia 07, teve um forum em Lyon pros jovens que estão à procura de empregos de verão. Na França, o sistema de férias escolares é bem diferente do sistema do Brasil. Aqui, você não soh tem somente um mês de férias no fim do ano e outro no meio dele. Você tem varias semanas de aulas e férias intercaladas durante o ano e, no verão, você tem os três meses livres. Eh por isso que os estudante usam esses meses pra trabalhar e depois curtir as férias. E chove empregos (de merda) nessa época!

No forum, tinha emprego pra motorista de trenzinho, pra animador de colônia de férias, caixa de supermercado etc. Camilo aproveitou bem essas oportunidades durante a sua vida de estudante universitario. Ja trabalhou num matadouro de porcos, foi salva-vidas numa colônia de férias, vendedor de peixe, pedreiro e entregador de lista telefônica. Em 2005, ele trabalhou um mês, pegou os mil euros e passou as férias no México, nesse lugar feio aih da foto.

Então, la fui eu pro forum. Entrei toda esperançosa, mas trinta minutos depois, eu ja tava fora do prédio, chutando pedrinhas. A primeira dificuldade: chegar até a coluna de anuncios. Encontrei gente mais desesperada por emprego que eu, tive que rastejar entre as pernas da galera, socar alguns, subornar. Segunda dificuldade: entender quais eram os cargos que estavam sendo oferecidos. Anotei um monte de anuncio sem saber se era pra trabalhar como pedreiro ou prostituta. Mas la estava eu: caneta a todo vapor. Muitas vagas exigiam formação ou eram chances fora de Lyon. Por isso anotei somente cinco ofertas.

Fui almoçar com Camilo logo depois. Amor, o que é plongeuse? Lavadora de prato. Foi assim que aprendi mais uma palavra em francês. Mas no Dicionario Lendemain, plongeuse pode também ser homem-rã. Eh que tinha uma vaga pra lavadora de prato numa sorveteria. Conversei mais um pouco com Camilo sobre as outras possibilidades, mas todas apresentaram alguma retrição (eram longe ou eu não tinha disponibilidade pro cargo).

Então, depois do almoço, me enchi de coragem, peguei a fantasia de rã que eu trago sempre comigo, pro caso de eventuais emergências, e cheguei na sorveteria um tanto assim, balbuciante. A mulher mal olhou meu CV e ja foi perguntando quando eu poderia começar. Mas aih veio o meu porém: eu não quero trabalhar nos finais de semana, nem durante a noite. Por isso a dona da sorveteria falou que não ia dar. Eu quero muito trabalhar, mas soh quem mora aqui pode entender o quanto pode ser sagrado o verão e eu, definitivamente, não quero perder os melhores momentos do ano dentro de uma sorveteria! Vestida de rã!

Mas vou colocar meu plano B em pratica: amanhã tenho um encontro com um cara de uma agência de empregos e acho que ele pode me ajudar. Vamos ver. Ainda tenho o plano C, o D, o E e o F de fudida. Espero não precisar recorrer a este ultimo: voltar a ser faxineira.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Não vou de taxi - parte I

Uma amiga me escreveu ha algumas semanas dizendo que tinha repassado o endereço do meu blog a irmã que viria estudar em Lyon pra ela começasse a se acostumar com a vida aqui. Como mal escrevo sobre a vida em Lyon, vou fazer um esforço maior pra isso.

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Quando me perguntam sobre as coisas que gosto na França, "os transportes" é quase sempre a primeira resposta. Pra quem tava acostumada a esperar mais de uma hora por um misero ônibus, ter cinco opções de transporte publico é realmente incrivel.

FUNICULAR

O primeiro no mundo a transportar passageiros, foi inaugurado em Lyon em 1862. Atualmente existem duas linhas de funicular na cidade: Saint-Jean - Saint-Just e Saint-Jean - Fourvière. Eh um dos meios de transporte mais frequentados pelos turistas, ja que a Fourvière é parada obrigatoria pra quem vai a Lyon - e também, como essa é a unica parte não plana da cidade, é muito cansativo chegar até la sem ajuda do funicular, mas soh pra pessoas como eu, assim, atléticas.


METRO


Existem quatro linhas de metrô apenas (comparado com Paris, ridiculo), mas ao menos eles passam com grande frequência. A linha de metrô D (foto), que tem um ponto pertinho daqui de casa, no horario de pico, passa a cada dois minutos. Eh a unica das quatro linhas que roda automaticamente, pro meu desespero. Ha umas semanas, Camilo e eu conseguimos pegar o ultimo metrô pra voltarmos pra casa. Pra nossa sorte, no vagão à frente, tinha meia duzia de idiotas querendo aparecer. Como se macacar e falar alto não fosse o bastante, eles desatarraxaram todas as lâmpadas do vagão deixando ele completamente no breu. Depois disso, eles conseguiram parar o metrô apos terem lançado uma chama altissima com um isqueiro. Como diriam na Paraiba, coisa de menino buchudo.

TROLEBUS

Lyon tem a maior rede de trolebus da França. Atualmente são somente duas linhas, mas ha o projeto de uma terceira que sera aberta no ano que vem.

TRAMWAY

As quatro linhas de tramway cobrem as areas em que não ha metrô. Em algumas cidades do Brasil ja existe o projeto pra ser lançado o VTL (Veiculo Leve sobre Trilhos), como Recife, Natal e João Pessoa (o que uma Copa não faz). Li que o querido Arruda foi até Sarkozy pra construção do primeiro VTL da América Latina la em Brasilia.

(continua...)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A lingua francesa

Camilo sempre gostou de cozinhar, por isso, no começo do namoro era ele quem cozinhava - alias, é ele quem cozinha ainda hoje, hihi. Então, num desses almoços de comecinho de namoro, ele fez um frango com abacaxi que me faz lamber os beiços até hoje. Quando ele terminou seu almoço, ele levantou o prato e o lambeu de cima à baixo. Ao ver aquela cena, fiquei me perguntando estupefata se ele ainda tava com fome. Pensei em oferecer o resto do meu frango, mas me limitei a observa-lo lamber o prato. E lamber e lamber e lamber...

"Meu deus, começa assim, daqui a pouco ele vai ta peidando na minha cara", refleti. "Ah, mas vai ver que era soh porque o frango tava muito gosto", ponderei. E, não, não era soh por isso. Almoço apos almoço, Camilo tentava engolir o prato no final da refeição. Pensei que eu fosse realmente muito fresca, mas um dia, um dos caras que morava com ele passou pela cozinha e perguntou sorrindo "e ai, Camilo, vai comer o prato?" Quando percebi que não era somente eu que me chocava com aquilo, resolvi falar com ele.

Disse que achava esquisito que ele fizesse aquilo, que eu realmente não me sentia à vontade. Ele disse que era besteira, que ele tava na casa dele e que ele jamais faria isso em um restaurante, por exemplo. Fiquei meio chateada, mas ele diminuiu consideravelmente a pratica.

Um ano depois, cheguei na França. E depois de tantos jantares, posso dizer que eu teria perdido as contas se resolvesse enumerar a quantidade de vezes em vi o pessoal lambendo o prato (em casa). Até o pai de uma amiga, mês passado, no final do jantar, perguntou educadamente "posso lamber o prato?" Haha Geralmente o francês tem à mesa uma cestinha de pães fatiados. A finalidade é, além de ter o pão como acompanhamento, limpar o prato no final das refeições. Na falta do pão, para alguns, vai a lingua. Mas no começo do namoro, eu não sabia disso.

Obs 1. Longe de mim dizer que isso é regra aqui
Obs 2. Sim, eu ja lambi pratos na minha vida, mas geralmente eu tava sozinha e era sobremesa!
Obs 3. Hoje Camilo arrota, peida e vomita na minha frente: mudei um pouco minha concepção sobre o que é educado ou não e eu faço o mesmo

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E aproveitando que estamos falando de modos à mesa e comida...

Aqui é realmente dificil começar uma refeição na presença de alguém sem escutar "bon appétit!". Nessa viagem ao Brasil, me peguei surpresa por as pessoas não dizerem isso. E também se costuma agradecer àquele que preparou a refeição. Adoro o ritual da comida na França! Meus cinco quilos a mais podem falar por mim.

Talvez

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