sábado, 30 de outubro de 2010

Arte culinaria = França

O show de Hindi Zahra foi otemo! Mas um pouco diferente do esperado. No album, as musicas sao tranquilas, toque de jazz, aquela coisa soft. No show, houve guitarra suficiente pra fazer o Metallica parecer Balao Magico. A moça devia ter dois palmos de altura, porque, mesmo usando salto alto, via-se que ela era bem nanica - o contrabaixo tinha sete vezes o tamanho dela (depois desse paragrafo, alguém mais duvida que eu sou uma pessoa exagerada?).

Ela entrou com seu vestido de oncinha, pouco falante. Mal se mexia. Depois, foi se empolgando e, la pra metade do show, incorporou a pomba-gira e ficou com ela até o final do espetaculo. De vez em quando, ela fazia umas dancinhas que deviam ter sido coreografadas por Scheila Carvalho em parceria com Regan MacNeil. Ora ela descia até o chao com as pernas abertas, ora ela se tremia toda ao mesmo tempo em que revirava os olhos. Essa mulher sabe mesmo o significado da palavra espetaculo. 

Adorei!

A estadia na casa dos pais de Camilo me fez bem, apesar de eu nao ter feito muita coisa por la. O meu momento mais produtivo foi uma mijada na cama. Por aih vocês tiram. Como o aniversario da mae de Camilo foi esse mês, resolvemos comemora-lo num almoço na casa da avoh assassina dele. Um ano e meio na França e eu sempre vou achar curiosa a forma de comer desse povo. Eh tanto protocolo que as vezes eu fico sem saber se posso me servir de algo sem agredir as regras.

No Brasil, a gente faz um prato de comida soh, com tudo o que tem direito, e é feliz. Aqui, pra ser feliz num jantar mais formal, temos que respeitar o demorado ritual do "aperitivo - entrada - prato principal - salada - queijo - sobremesa - digestivo". No Brasil, a gente mistura tudo e come qualquer coisa a qualquer hora. Aqui, ja me estranharam quando eu disse que comia presunto no café da manha - o café da manha do francês é doce: o mais perto que eles chegam do salgado é quando colocam manteiga no pao. Outro dia, fui comer queijo de cabra antes do almoço e meu roommate me olhou como se eu tivesse me servindo de um prato de vermes. "Você vai comer queijo de cabra ANTES do almoço?" Exatamente, observe.

No Brasil... Todo santo dia tinhamos, na hora do almoço, arroz, feijao, purê, macarrao e carne. Soh como feijao aqui quando eu faço (ou seja, nunca). E parece pecado comer macarrao com outra coisa. Pensei uma vez em fazer feijao e macarrao e escutei de outra roommate: "isso tudo?! Mas vai ficar muito pesado!" - frases que me fazem pensar que os franceses nao passaram pelo mesmo processo de evolucao do resto do pessoal do mundo no que diz respeito ao seu sistema digestivo. Porque eu acho que eu soh nao digiro cimento.

Chuchuzinho da mamae
Mas tivemos outras pequenas aventuras culinarias. Aprendi a fazer um cake de azeitona que é tao simples quanto gostoso! Fizemos também uma pequena bomba de gordura e calorias que, por aqui, se chama fondue. E ganhamos da mae de Camilo um "cuiseur vapeur" (a maquina pra cozer os alimentos). Olha, você sente as mudanças na sua vida através da sua satisfaçao em relaçao aos presentes que ganha. Quando eu era criança, eu gostava de ganhar brinquedos. Na adolescência, eu curtia ganhar CDS. Agora fiquei super feliz de ganhar... um eletrodoméstico. Eh o fim. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Write stories

Estava aqui filosofando, quer dizer, perdendo meu tempo, pensando numa forma de postar sem fazer muito esforço, quando, "opa! Tem quiz novo no Faceb... AH-MEO-DEOS-DO-CEO! EH UM QUIZ SOBRE BEATLES!". Entao fui la e, voila: um post pra enrolar vocês.





E o resultado lindo? Hey, Jude!

sábado, 23 de outubro de 2010

Vinte e cinco anos de sonho, sangue... e urina

(Post escrito no 22 de Outubro, também conhecido como "ontem").

Um dos irmaos de Camilo ta morando temporariamente na Polônia. Como a familia dele costuma passar os natais juntos, meus sogros ja garantiram as passagens pra congelarem a bunda na Polônia. Mas como eu sou uma pessoa pobre, nao vamos poder viajar com eles. E quando eu digo pobre, é isso: Camilo, ha cinco minutos: "coloquei grana na tua conta porque tu tava com - 15€". Hihi Portanto, resolvemos antecipar nosso encontro natalino passando esta semana na casa dos pais de Camilo, em Chateaubriant, que é de onde eu vos escrevo nesse exato momento. 

Tou toda contente porque, ha umas semanas, conheci uma cantora através de uma amiga. Ela se chama, a cantora, Hindi Zahra. Eh uma marroquina que mora na França e faz um som bem tranquilinho, perfeito pra uma pessoa que anda intranquilinha. Gostei tanto do album dela que fui no seu site oficial procurar por algum show em Lyon. Nem previsao. Mas eis que vejo que teria um show em Chateaubriant esse mês. "Seria muita sorte se fosse bem na semana em que estaremos la". E adivinhem... O show é hoje. Uh!


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(Narrador da Globo mode on) Tenho vivido aventuras muito loucas desde que saimos de Lyon. Por conta da greve, somente dois de cada três trens estao circulando. Como somos de sorte, nosso trem foi cancelado, mas a bagunça é tao grande, que poderiamos pegar qualquer trem pra qualquer lugar da França desde que, claro, houvesse vaga nele. 

Planejamos um Lyon - Paris e depois Paris - Rennes (que fica perto de Chateaubriant). Deu certo. Chegamos em Paris e pegamos um metrô (pra irmos à estaçao de onde partiria o segundo trem). No metrô, fui abordada por uma mulher com um mapa na mao: "da pra você me indicar aqui onde fica a linha 6?". Eu odeio dar informaçao. Nao porque nao goste de ajudar o proximo, ja que minha formaçao catolica nao permite tal pecado. Mas porque

eu-nao-consigo. 

Eu entro numa especie de minipânico e acabo sempre dando a informaçao errada, tipo: tou subindo no ônibus, indo pro centro. Nego chega junto: "vai pro centro?" e eu respondo "nao" e ainda sorrio. Nao é maldade, é abestalhamento mesmo. Entao, prefiro dizer que nao sei antes mesmo de ouvir a pergunta, ainda mais se a informaçao tem que ser passada em outra lingua, sobre uma cidade que eu nem conheço! Soh que a mulher perguntou a todas as pessoas do metrô onde diabos estava a linha 6. Finalmente, ela disse: "é porque tou escrevendo um romance e queria saber a reaçao das pessoas à minha pergunta". A reaçao de todas as pessoas foi a mesma. Se eu soubesse, teria feito uma mimica.

Uns minutos depois, o metrô foi parado devido a um pacote suspeito na estaçao em que desceriamos. Em Lyon aconteceu o mesmo essa semana. Olha, se eu fosse um terrorista, ficaria muito chateado com essa banalizaçao dos pacotes suspeitos. Um dia, ninguém mais vai dar crédito ao pacote abandonado no canto do metrô (e nesse dia, eu nao quero estar por perto, porque vai ser justamente esse que vai fazer catapum). 

Seja como for, chegamos ao nosso destino. Tou muito satisfeita de ter uma semana de férias pela frente, mesmo se eu sei que devo estudar durante esse periodo. Aproveitei hoje pra dormir até tarde, descansar bastante. Mas acho que exagerei na relaxada: hoje eu fiz xixi na cama. 

(Pausa).

O meu tem funcionado
bem, obrigada
Tou falando sério, minha gente. Eu-fiz-xixi-na-cama. E pior: eu nao tenho dois anos de idade. Eu sonhei que eu queria fazer cocô, na verdade, mas como eu nao conseguia, fui consultar minha querida mae que me aconselhou: "quando você for a um banheiro, você vai conseguir" - até entao eu tava tentando cagar sei la onde. Entao, fui ao banheiro e... "Que porra é essa que eu tou fazen..? Ah, meu deus, mas o qu...?! Puta que pariu!". Acordei assim, divina. 


- Amor!
- zzZZZzzz... Hum...
- Eu fiz xixi na cama.
- E foi?
- Foi...
- Coisa linda!

O caba tem que ta mermo muito apaixonado pra chamar de linda uma pessoa que mija na calcinha aos 25 anos. Enfim. Ja vinha suspeitando de que eu nao estava numa boa fase da minha vida. Preciso de um psicologo. E de fraldas. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alguém tem que ceder


Pra quem nao sabe, a França esta em polvorosa por causa de um projeto do Petit Nicolas que pretende elevar a idade pra se aposentar de 60 pra 62 anos e de 65 a 67 pra se ter uma pensao completa. Ha dois anos, Camilo estava me explicando como funcionam as regalias sociais que os franceses tem como remédio de graça, consultas médicas a preços acessiveis, ajuda pra moradia etc. Perguntei como a França tinha tanto dinheiro pra dar conta disso tudo. "Nao tem. A França vai quebrar dentro de alguns anos". 

Agora o Governo ta tentando tapar o buraco em cima dos trabalhadores.  O desespero é grande. O incentivo governamental pros casais franceses terem filhos é enorme. O que mais se vê na rua é bebê e mulher gravida, porque o pais precisa de gente pra trabalhar pra manter os aposentados, mas por enquanto que esse povo nao cresce...

Dai que nos ultimos dias, o pais ta mergulhado em greve e Lyon no caos. Carros foram incendiados, nego foi preso, vitrines quebradas, depredaçao, roubo de lojas, bombas de gas lacrimogênio, enfim, aquela merda toda no meio da rua. Os transportes publicos funcionando uma hora sim, outra nao (levei mais de uma hora hoje pra voltar pra casa. Usei o metro, o tramway, a bicicleta e, finalmente, fiz o percurso final, à pé). Nao tive aula nem ontem, nem hoje (por isso as atualizaçoes no blog!): universidade fechada pra que os alunos possam participar da greve.

Aih você vê as fotos do pessoal responsavel pela destruiçao e nota que eles nao tem porra nenhuma a ver com a greve. Da uma pena do pessoal que tah se mobilizando a favor dela. Enfim, eu nao sei em que pais eu vou me aposentar, entao esse assunto nao me é tao caro quanto o é pros franceses, por isso nao meto meu bico. Mas ontem tava conversando com uma arabe na parada de ônibus sobre o assunto e ela estava revoltada dizendo que ela nao pode ver o marido trabalhando até quase os 70 anos como pedreiro (porque vocês sabem que trabalho de estrangeiro em pais rico é braçal), que "Sarkozy tah procurando merda e ele vai achar". Por enquanto, torçamos pra que esse homem se aposente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Conclusao: Luci é um ser humano


Eu acho lindo quando as pessoas tentam me ajudar. Cada um faz ao seu jeito.

[13:41:10] o sol ta massa dit:
je suppose (hypothèse), je pose (thèse), j'oppose (antithèse), je compose (synthèse)

[13:41:48] o sol ta massa dit:
entendi, soh nao sei como aplicar isso

[13:46:43] Fábio dit:
agora fica a dúvida.. essa hipótese já é sua ou é a do texto?

[13:47:44] Fábio dit:
pq pode ser a hipótese do texto (por exemplo: luci peida dormindo.)

[13:48:07] Fábio dit:
a tese defendida no texto (luci peida dormindo pq tem gazes e pq dorme de bunda pra cima)

[13:48:31] Fábio dit:
a antítese defendida por tu (luci não peida! nunca! nem cu ela tem...)

[13:49:00] Fábio dit:
e a síntese (luci é um ser humano, se ela peida ou não, não importa)

[13:49:30] Fábio dit:
aí assim.. faço a menor idéia de nada ehehe

[14:06:54] o sol ta massa dit:
huahuahuaauahuauha

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Algo me diz que eu preciso da ajuda de alguém mais capacitado.
Alguém conhece alguém?

Notei que é diferente

Post censurado :)

sábado, 16 de outubro de 2010

Valeu, Zoller. Batchi!

Quando Camilo fez o (feliz) intercâmbio dele na UFPB, ele disse que tinha um professor que havia feito sei-la-o-que na França e que adorava se dirigir a Camilo em sala de aula cada vez que falava sobre o pais. Camilo chamava ele de "professor-babao". Pois, atualmente, eu tenho um professor babao. Juro que, a cada aula (que dura 4h por semana), M. Zoller, fala do Brasil pelo menos umas duas vezes. Ja falou dos morros cariocas, dos Bandeirantes, do carnaval, de Olinda, do futebol, de Santos, de Braudel e a USP e etc etc. Na semana passada, ele me perguntou quantos estados o Brasil possuia. E, trinta segundos depois, falou sobre a lauhncheuntt (aparentemente, um lugar que existia no Brasil). Meio Didi Mocoh, eu perguntei cuma?, e ele repetiu a palavra. 

- Isso te diz alguma coisa?
- Ah, sim, claro, "lanchonete".

"No Brasil, existe essa especie de restaurante onde se vende petiscos pas très cher, onde as pessoas, ao final de cinco minutos, trocam três ou quatro cartoes de visita com alguém que eles nunca viram na vida. Aqui na França, as pessoas no metrô olham através de você. Você é transparente".

Lavei-minha-alma.

Tive vontade de subir em cima da carteira e gritar "EU ENTENDO". Mas nao acho que seria um ato inteligente. Mas, oh, saiu um "bah, ouais!" que fez com que, pelo menos a menina do lado, soubesse que lah, do outro lado, as pessoas costumam ser humanas. Ainda que demasiadamente humanas. Irresponsavelmente humanas. Profundamente. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Peum peum peum peum peum...

Um: primeiro, muito obrigada a tod*s aquel*s que me desejaram força, saude, paz, prosperidade e sexo selvagem nos ultimos posts. Lind*s!

Dois: Rita, eu nao faço mestrado. Esse fricote todo é somente por causa de uma graduaçaozinha. Hihihi. Espere até ver meu drama quando eu tiver no mestrado.

(Post censurado)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fugitivos

(uma fuga rapida!)

Estou conhecendo uma Luci que eu nao imaginava que existisse: a Luci que estuda nos fins de semana. Jardim de infância, Ginasio, Ensino Fundamental, Médio... Cinco anos de faculdade e nunca na historia desse pais eu abri um livro durante o fim de semana. Mas estudar é preciso, viver nao é.

Mas como eu ja vinha anunciando (na minha cabeça?) que eu precisava ficar bêbada pra nao "péter un câble", como dizem por aqui, fui encontrar Camilo depois do trabalho dele na sexta pra tomarmos um vinho no quai (à beira do rio) e irmos à nossa pizzaria preferida. 

No metrô, vi um cara passar por mim rapidamente com uma roupa de paciente de  hospital, sujo e descalço (eu disse hospital, mas pela cara dele, devia ser hospicio mesmo). Fiquei esperando o médico do cara aparecer e nada! O cara tava super inquieto. Percebi que ninguém parecia se importar com aquela figura maluca. Olhei pro cara da frente, meio gatinho e tal, e ele esboçou o que parecia ser um sorriso, mas faltava, pelo menos, uns cinco dentes naquela boca. Credo. Depois percebi que esse cara tinha uns trejeitos esquisitos, uns tiques, fazia uns movimentos bizarros com a boca. Finalmente o doido era normal e o normal era doido. Isso é Lyon, minha gente. 

Cumpri minha missao naquela sexta-feira. Bebi uma garrafa de vinho de barriga vazia e esqueci metade da noite. Camilo diz que eu bebo feito uma adolescente que nao conhece seus limites. Hihihi "Pelo menos tu fica docil". Docil, minha gente. Como um cavalinho. 

No sabado, teve o SUPER show de Cat Empire! Nada melhor que escutar ao vivo musicas que você adora! E foi aquele show lindo, sabe, onde todo mundo canta à plenos pulmoes e bate palminha junto com o vocalista. Andamos de uma ponta a outra do teatro à base de chutes e empurroes. Levei um murro que ficarah gravado pra sempre em nossos coraçoes. E no meu estômago. Que Deus o tenha. 


Mas quando o sol raia, eu vou pro computador me dedicar à Historia (insira aqui barulho de fogos de artificio e algum hino bonito)!

Eu tou tensa e sensivel até a alma. Chorando por tudo e por nada, es-tres-sa-da, sonhando com a faculdade, com bicho papao, com o guri cagando minha roupa, com as apresentaçoes etc. Nice. Mas minha mae deve rezar com muito afinco, e Deus deve gostar muito dela, porque hoje... Hoje.

Hoje era aula de Historia Moderna. Hoje eu teria que me meter em um grupo qualquer pra fazer uma apresentaçao oral a ser marcada. Dai, lembrei de uma menina que senta sempre sozinha nessa aula e que parecia ser legal. Estrategicamente, cheguei mais cedo e sentei ao lado da cadeira onde ela costuma sentar. Mas quando a aula começou, ela ainda nao havia chegado. Fiquei decepcionada, porque as pessoas nao costumam se atrasar e achei que ela nao viria mais. Mas eis que ela chegou (apos meia hora). Fiquei feliz de vê-la entrar na sala, mas vi que ela foi rumando pra um outro lado. Aih ela parou, voltou e sentou-se ao meu lado. O plano estava dando certo. Soh faltava eu tomar coragem em pedir a mao dela em casamento pra fazer o trabalho com ela. Mas eu sou uma cagona e nao aproveitei o intervalo pra fazer isso, fiquei enrolando. Quando o intervalo acabou, ela se virou pra mim e disse "olha, tu tem grupo pra esse trabalho? Porque eu queria saber se posso fazer contigo". Hahahaha Minha gente, eu nao me contive, dei um sorrisao e até chamei palavrao. "Putain! Ouais! Bien sûr!" Acho que a menina pensou, Ok, minha filha, é soh um trabalho. 

Agora todas as apresentaçoes estao marcadas pra novembro. Algumas com apenas três dias de intervalo entre elas. Claro que ja comecei a estudar, mas algumas coisas me desanimam. Por exemplo, se me perguntassem qual o tema da aula do professor de hoje, eu nao saberia responder. Nao é o maximo? Passar quatro horas se concentrando numa aula que nao faz o menor sentido pra você? Eu adoro! O foda é que ja faz um mês que ele fala e eu nao entendo nada!

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Saudades das minhas leituras bloguisticas diarias, mas continuarei off por tempo indeterminado dos vossos blogs queridos, queridas. Preciso garantir que nao serei vaiada durante novembro. 

À Historia!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aaaaall byyy myseeelf...

Sei que ainda nao estou à vontade com a faculdade porque ainda tenho pesadelos super bizarros. Essa semana sonhei que era sequestrada e, no dia seguinte, sonhei que estava sendo possuida por um ser diabolico: eu gritava, mas a voz nao saia, tentava tocar Diana (que estava a dois centimetros de mim), mas o braço nao a alcançava. Meus sonhos sao assim, simpaticos. Nada de bruxa ou jacaré. 

De qualquer forma, estou um tequinho menos nervosa, mesmo se o numero de trabalhos pra expor oralmente esta aumentando. Esses trabalhos me tiram o sono por duas coisas: primeiro pelo obvio: eu sou uma pessoa nervosa por natureza. Na UFPB, eu ja tinha ataques de pânico a cada apresentaçao e, com certeza, nao sera diferente agora - ainda mais eu tendo que apresentar os conteudos em uma lingua que eu nao domino. O segundo problema dessas exposiçoes, é que elas sao feitas em dupla/grupo. E, oi, eu nao conheço ninguém. Dos quatro trabalhos que foram marcados até agora, eu estou sozinha em todos, porque ninguém abre espaço. Outro dia, a professora pediu à turma pra que alguém fizesse o trabalho comigo (que era em dupla) e ninguém se candidatou.

- Gente, ela nao pode fazer sozinha.
- ...
- Gente, ela é estrangeira, nao vai conseguir fazer tal e tal coisa*.
- ...
- Ninguém quer ajuda-la? 
...
- Entao, ta bom...

Juro. Ela pediu umas quatro vezes e nenhuma das quarenta pessoas quis fazer trabalho comigo. Olhe, eu tentei, mas nao consegui nao me sentir idiota diante daquele silêncio. 

Tem uma disciplina na segunda-feira que é ministrada por um professor muito chato, maluco, cheio de complexo. Um DOIDO (falo dele depois). Ele também passou um trabalho em grupo, mas dessa vez eu tava disposta a chegar em alguém e me meter no grupo dela: nao posso me fuder assim, esperar que alguém caia do céu. Dai, eu tinha percebido novas caras na aula e decidi arriscar achando que eram novatos tao perdidos quanto eu. Eu tava errada, mas aconteceu algo melhor:

- Sera que eu poderia fazer trabalho com vocês duas?
- Er... Claro!
- Desculpa me oferecer assim, mas eu nao conheço ninguém aqui.
- Sem problema, mas tu é de onde?
- Do Brasil.
- Ah, eu também!

Hihihi

- Ah, err... ah! Hum! Er... Ah, é?! De onde?
- Récifi. 

Acho que eu nunca me senti tao feliz ao ver um brasileiro na minha frente. Alias, uma brasileira. De cara, ela ja foi dizendo que eu deveria sentar com elas na aula (a outra é francesa). Ela contou que morava ha alguns anos na França, mas que ja havia voltado ao Brasil por causa de uma depressao gerada aqui. Disse que havia perdido dois anos na faculdade porque nao conseguia seguir o curso e que se sentia a "burrinha" da turma. Disse ainda que ja saiu duas vezes da sala pra chorar nos corredores. Senti uma mistura de pena, alivio e preocupaçao. De qualquer forma, ela foi bem legal, disse que eu poderia ligar pra ela quando tivesse precisando de algo. Infelizmente, soh estou duas horas com ela (das 16h semanais), mas duas horas ja aliviam. E muito!

Aproveito o post pra dizer que, infelizmente, vou ter que ficar um pouco distante do blog. Vou tentar postar e ler meus blogs queridos, mas os comentarios ficarao prejudicados, porque preciso de todo o tempo que puder pra deixar as leituras em dia. Nao tenho conseguido, entao... Paciência. Nao podemos ter tudo. 

*Aparentemente se tratava de algo cujo sistema eu nao conhecia. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Canil doce canil

1. Essa semana, um amigo de um roommate foi dormir no subsolo (onde dormem todas as visitas) e acordou com pulgas. Pulgas, minha gente! Eh inacreditavel, ainda mais pelo fato de que, até ontem, nao tinhamos cachorro. Mas enquanto escrevia esse paragrafo, lembrei que Diana, antes de ir embora pro México, fez uma viagem com seus pais pela Europa. Quando voltou, ela disse que pegou pulgas na Grécia na casa de um couchsurfer que tinha dois cachorros. Diana dormiu no subsolo durante alguns dias antes de partir. Voila! Mistério resolvido. Agora temos pulguinhas gregas no subsolo. 

2. Mainha sempre foi a responsavel pelo nosso corte de cabelo desde que éramos pequenos. Nada muito elaborado, mas era a unica pessoa que nao me fazia chorar quando colocava uma tesoura no meu cabelo. Hoje, longe dela, decidi com grande falta de juizo confiança em Camilo, passar a tesoura para ele me livrar das minhas pontas quadruplas. Um comentario dele define o resultado: "mas é claro que ficou torto: eu me baseei na parte da frente que, quando jogada pra tras..." Eu parei de escutar no "torto". 

3. Ontem, voltamos a ser dez moradores nessa casa: chegaram mais dois casais que nao conheciamos. Um deles tem o supracitado cachorro, coisa mais fofinha do mundo, sobretudo porque ele soh tem quatro meses de vida. Vocês nao imaginam o quanto eu tou feliz!  Esse ano foi o unico em que nao tive um cachorro. O nome dele é Sashak (ou é ela?). Vou abraça-lo e ama-lo e pegar muitas pulguinhas (gregas e francesas) com ele. Ou passar as minhas, o que vier primeiro.

4. Pra coordenar a comida pra essa legiao, temos uma folha com os dias da semana afixada no armario da cozinha onde cada pessoa se inscreve pra cozinhar - afinal, todo mundo quer comer, mas ninguém quer fazer a comida. Desde que moro aqui, tive estado à sombra de Camilo e Diana no preparo da comida, me limitando apenas a cortar e picar as verduras. Motivo: medo de decepcionar as pessoas com meu tempero. Afinal, eu nao sou bem como Camilo, que cozinha pas mal. Ele é uma mistura de MacGyver com Jesus Cristo: se você der meia beringela a ele e uma cebola, ele serve comida pra um batalhao. Mas desde que eu me lancei na cozinha (duas vezes), tenho recebido elogios (dois). E, como elogios sao bastante estimulantes, amanha vou fazer um strogonoff de carne que minha mae fazia. Flambado e tudo mais. Espero que saiamos ilesos dessa experiência. 

domingo, 3 de outubro de 2010

Musica francesa: Cat Empire



No verao do ano passado, conheci uma banda chamada Cat Empire: amor à primeira vista. A banda é da Australia e é uma mistura de jazz, funk, ska, rock e sons latinos - tudo que eu adoro! Escutei o album Cat Empire durante exatamente um ano, até a exaustao, e ele é a cara da minha chegada na França. Lembrei finalmente de vir aqui apresenta-los à banda porque Camilo comprou ingressos pra um show dela no proximo sabado e eu tou hiper feliz! Recomendo fortemente, sobretudo o primeiro link:

Cat Empire - Cat Empire - 2003
Cat Empire - Cinema - 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cabaret

Se ha uma coisa que nohs estrangeiros aqui na França adoramos fazer é buscar nosso titre de séjour na Prefeitura. Nossa, adoramos! Afinal, nada mais gostoso do que passar um dia inteiro numa fila cheia de gente tensa e mal humorada na esperança de obter um documento que pode simplesmente nao existir ainda. 

Meu tipo de visto é o Vie Privée et Familiale, o que significa, basicamente, que eu tou pegando um francês e que, por isso, eu tenho direito de morar na França. Entao, a cada ano, durante três, quatro ou cem anos (depende do bom humor do funcionario que analisa os papéis), eu tenho que ir na Prefeitura pra renovar meu titre. Mas como eu ja falei aqui, essa nao é uma tarefa facil. O governo francês faz de tudo pra você desistir de morar aqui. Quando nao te expulsam descaradamente (caso dos Roms), eles criam leis hipocritas pra dificultar a sua vida (caso da proibiçao das burcas). Como eu nao tenho origem cigana, nem uso véu, o governo tenta me vencer pelo cansaço. O titre me da direito a trabalhar aqui, e eu soh posso sair do pais por até três meses. Depois de cinco anos, recebo, teoricamente, um titre de validade de dez anos e posso dar entrada no processo de obtençao de cidadania.


A troca do titre é anual, mas isso nao significa que eu vou somente uma vez ao ano na Prefeitura. Você vai uma primeira vez, munida de todos os papéis que você conseguir carregar: certidao de casamento, de nascimento, conta conjunta, passaporte, foto 3x4, comprovante de residência, cartao telefônico, bilhete de cinema, papel higiênico cagado, tu-do. Aih, você acorda as 6h da manha, corre pra fila e encontra um acampamento montado na calçada da Prefeitura. Somente as 9h da manha as portas da Casa se abrem, mas isso nao quer dizer que você vai entrar. A policia fica por perto. La pro meio-dia, você bota os pés no prédio e recebe uma senha. Numero um bilhao. Você tem medo de olhar pra tela das senhas. Você hesita. Mas você olha. Numero 08.

Obvio que os assentos nao sao suficientes pra todos - se um dia eu tiver varizes, vou saber o motivo. Dai, quando a tarde ja vai alta e você começa a babar de cansaço, seu numero é chamado. No guichê, a moça te diz "desculpe, mas esse papel nao esta cagado o suficiente. Volte outro dia com a documentaçao completa". Derrotado, você volta pra casa, assim, de maos vazias, pra refazer todo o processo num outro dia.

Da penultima vez que fui à Prefeitura, eu estava com todos os documentos em maos. Camilo verificou tudo comigo. Estava tudo nos conformes. Acordei cedo, fui pra fila e, quando ja estava plantada la ha pelo menos uma hora, um policial avisa à mulher que estava na minha frente que ela nao poderia resolver nada pois seu marido nao estava com ela - meu caso. Como eu nao posso pedir pra que Camilo perca um dia de trabalho, ele costuma me encontrar quando ha somente dez pessoas na minha frente. Mas pra complicar, a Prefeitura inventou que o marido faz parte dos documentos e, se ele nao esta com você na fila (que é fechada com grades de ferro pela policia as 9h), você nao pode renovar o titulo -  mesmo que ele chegue as 9:05h e você esteja la ainda, do lado de fora da prefeitura, NA FILA, com TODOS os documentos na maos.

Nesse dia, liguei pra Camilo desesperada, ele chegou 20min depois. Quando o policial deu as costas, ele pulou a grade e fingiu que estava comigo desde o começo. O curioso é que o policial deu uma dica a mulher de como o marido dela poderia entrar na fila sem ser notado (se passando por alguém que ia resolver outro assunto, mas a idéia nao funcionou). Nesse dia, entramos no prédio as 12h. E saimos as 16h. Isso tudo somente pra pegar o récépissé, o papel que substitui provisoriamente o titre.

(três meses depois)

Fui pegar meu titre hoje e, depois de passar somente duas horas na fila, a moça me disse que ele nao estava pronto, que eu devo voltar dentro de dez dias. Acho digno.

- Você pode vir busca-lo em dez dias?
- Na verdade, eu trabalho e estudo todo dia.
- Ah, mas você nao tem escolha.
- Ah, desculpa, mas quando você me perguntou parecia que eu tinha.

Adoro essas questoes, sabe. Quanto custam as vacas? Depende. Depende do que? A vaca preta vale cem. E a branca? Também.

- Ok, volto aqui dia 10.

Nesse dia em que passei nove horas na fila, a policia expulsou uma japonesa que ficou histérica depois de receber um nao. Ela começou a gritar em inglês explicando a situaçao dela. O policial chegou, pegou ela pelo braço e disse "se todo mundo aqui começar a gritar assim, isso aqui vai se tornar uma 'feira'" (foi assim que eu aprendi o que era foiré). Também expulsaram um cara. Mas Sarkozy vai ter que se esforçar mais pra me fazer ficar histérica. E eu sei que ele vai.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mainha é brother!

(...) Outra coisa, nunca deixe de mandar notícias apenas pelo fato delas não serem boas. Por razões obvias, é claro que eu gosto de receber boas notícias, mas que mãe seria eu se não ouvisse também os seus dissabores? Saiba que, apesar da distância, o meu cabeção tá sempre aí com vocês dois.Tá ligada? kkk

Espero que esteja melhor do catarro (é, minha gente, eu tive catarro).Tome vitamina C, pois o inverno se aproxima e o que você menos precisa agora é de ficar dodoi. Filhos não deveriam se afastar tanto assim da mãe. Dá um espécie de "impotência materna" nessas horas. Procura se recuperar e procurar um médico, se necessário. Eu também tive gripada por esses dias, mas já tô bem de novo. Seu papai tá de licença por quinze dias, pois se machucou em Fortaleza nos jogos da Caixa. Como se não bastasse, os bancos vão entrar em greve nessa próxima quarta-feira. Coitadinha de mim! Tá vendo minha filha, como tem coisas piores do que assistir aulas em francês sem entender? kkkkk

Ficar longe de você é uma delas.

domingo, 26 de setembro de 2010

Figo de uma figa!

Camilo mostrou toda sua indignaçao pra mim, outro dia, apos ter lido esse post. "Mimimi, eu nao sou desastrado, mimimi, eu sou azarado". Aih, me chega hoje com cara de bezerro desmamado.

Eu: - O que foi, amor?
BD: - Caramba, eu soh faço merda.
Eu: - La vem...
BD: - Quebrei o pote com a geléia de figo que Cecilia havia feito.

Mas quando eu falo que é desastrado...*

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Diana partiu, mas no lugar dela, restou outra mexicana, Victoria. Eh o quarto mexicano que passa pela casa. Em todos os quatro pude notar uma certa semelhança que vai além da fisica: mexicanos sabem fazer barulho. Hoje, Victoria preparou uma pequena festa aqui em casa com seus amigos da faculdade. Passei a tarde toda escutando "shot! shot! shot! shot!" e musica de mariachi. No começo da noite, a menina começa a gritar debaixo da minha janela. Fiquei emocionada, achei que fosse uma serenata em minha homenagem. Camilo foi verificar do que se tratava e a viu no chao, deitada, aos prantos, gritando "pinche figo!" O causo: escorregou num figo e arrombou o joelho que ja tinha passado por duas cirurgias nos ligamentos. As frutas de hoje estao cada vez mais perigosas.  O Samu foi chamado, ela foi pro hospital e passa bem.

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Ainda em tempo:

1. Camilo leu o post e tah aqui dando chilique, exigindo justiça: tu distorce tudo! Eu cheguei pra tu e disse 'acho que tu tem razao, eu sou mesmo desastrado' justamente pra nao ouvir 'eu nao avisei?'. Justiça seja feita, amor!

2. Enquanto eu escrevia o paragrafo anterior, Camilo vira pra mim, meio indignado, meio desconfiado e pergunta: e o que é um bezerro?

Coisa linda!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pondé, você conseguiu: eu me depilei!

Tudo começou quando vi esse post da Maira: e se eu nao quiser me depilar, algum problema?

E terminou quando vi uma mensagem no Twitter do @iavelar sobre o neopelucias.   

Imagino que tenha sido somente uma idéia provocadora, jogada ao acaso. Mas eu sou uma menina que leva as coisas muito a sério, e, como eu precisava ir aos correios amanha, nao resisti. 

Beijos.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As exploraçoes começa

O dia de ontem soh nao foi mais estressante porque soh durou 24h. Acordei de madrugada (6:40h) e, cheia de preguiça, fui pro meu primeiro dia de aula na faculdade. Desde que soube que fui aprovada, em julho, ignorei o fato de eu nao saber falar francês direito, fingi que esse seria mais um dos tantos momentos tranquilos da minha vida na França, que tudo daria certo.

Nao deu.

Eu era toda nervosismo. Tomei meu café da manha, tomei meu banho e tentei controlar meus pensamentos pra nao deixar um rastro de cocô de casa até a sala de aula. A unica coisa que me deixava tranquila, era o fato de que eu entendo francês. Mas até isso tiraram de mim!

A primeira aula de ontem foi de Historia Moderna I. As pessoas sacaram seus computadores e cadernos e começaram a escrever loucamente tudo o que o professor dizia. Eu, claro, quis fazer o mesmo: eu escrevia tudo o que eu entendia (ou seja, metade das coisas) mas como nao era rapida o suficiente mesmo pra escrever o que eu entendia, metade das frases que eu entendi ficou pela metade. Tcharam! Sinceramente, achei que eu tivesse arrasando, porque eu tinha quase uma folha completa escrita, mas quando fui lê-la, me deparei com coisas desse tipo:

"A cirurgia progressa. As descobertas e exploraçoes começa. As religioes sao conservadores. Tudo é vontade de Deus. Isso justifica todas as inegalidades sociais, mas no 19o ha o desenvolvimento do pensamento. (...) Os judeus se integram a essa pratica. (...) O pensamento é legal".

Gente.

Isso é anotaçao de quem ja fez faculdade? Traduçoes ao pé da letra, falta de concordância, falta de sentido (os judeus se integram a essa pratica. Que pratica, meu deus?!). O pensamento é legal. Realmente. Mais legal ainda é escrever certo. Mas tudo bem, continuei fingindo que tudo estava correndo bem (até quando o professor fazia piada e eu soh entendia que era piada quando as pessoas riam).

O cara citou o Brasil umas quatro vezes durante a aula. Falou de uma faculdade, dos bandeirantes, do futebol, de Copacabana e depois, que ja tinha dado aula la "em francês". No intervalo, levantei e fui choramingar junto a ele, tirar minhas duvidas e explicar que eu era brasileira e que...

- BRASILEIRA! Ah! Que maravilha! "Ftscdoe glsrpei"? :D
- Eh o que, homi?! Hum rum! (Interpretei essa frase bizarra como sendo "tudo bem?" e confirmei com um sorriso amarelo).
- Ah, mas você fala muito bem!
- Obrigada, professor, mas ta sendo dificil, é justamente sobre isso que eu queria fal...
- Ah, mas você é de onde?
- Joao Pessoa.
- Onde?
- Perto de Recife. Eu g...
- Aaaaaahhh! Que legal!
- Entao, professor, eu gostaria de...
- Ah, entao você mora perto de Olinda!
- Mizera, deixa eu falar.

Minha gente, eu soh queria perguntar onde eu poderia encontrar os textos. Acabei falando sobre o Brasil e sai sem nenhuma resposta! Ele soh disse que eu teria que me juntar com algum grupo pra fazer um trabalho oral (mais uma da série "Frases que nao podem ser retiradas de contexto"). Eh fogo! Eu ODEIO trabalho em grupo. Odeio! De todo o meu coraçao! Ainda mais nessa situaçao, em que vou ter que pedir pra ser aceita em algum grupo, porque, claro, depois de dois anos de curso*, todo mundo ja tem seus amiguinhos e seus grupinhos.

*Pra quem nao entendeu: eu ja sou formada em Historia pela UFPB, entao, por possuir esse diploma, fui diretamente pro terceiro e ultimo ano do curso de Historia na Lyon 2.

Eu ja tinha ha tempos desistido de fazer anotaçoes quando a aula acabou. Proximo round: Iniciaçao à Pesquisa em Historia Moderna, ministrada por um professor com voz de adolescente. Sabe quando os guri de 12 anos começam a trocar a voz E A FALAR assim, meio alTO E MEIO BAixo e totalMENTE TOsco? Pronto. Vi uma aula de Historia em diferentes frequências. Fantastico. La pela metade da aula (depois dele ter passado um trabalho em dupla, pro meu sofrimento), ele nos deu um papel com a reproduçao de um documento, como o da foto, escrito no século XVIII. "Agora, decifrem": era aula de Paleografia. Eu ri, né. Ri porque, vejam bem: eu passo quatro horas tomando no meu cu pelo fato de eu nao entender o que esta sendo dito pelos professores. Daih, chega um cara com um documento ilegivel do século XVIII e diz que eu devo transcrevê-lo. Eu nem sei ler o francês contemporâneo! Mas tudo bem, fingi que sabia tudo e, pra minha surpresa, o documento tinha muito mais sentido que minhas anotaçoes da outra aula.

Novamente, fui choramingar dizendo que eu era estrangeira e que precisava de ajuda. Ele disse que eu falava muito bem francês e o professor de hoje disse o mesmo. Foi aih que notei uma coisa: quando eu chego pra alguém mostrando dificuldade (por causa da lingua), as pessoas automaticamente elogiam meu francês tentando levantar minha moral. Quando eu me apresento como brasileira, sem comentar nada além disso, ninguém se manifesta. Utilizando isso como tatica, ja consegui ser liberada de duas apresentaçoes orais. Hihi (e nao quero saber de quem vai dizer que isso nao é bom pra mim. Se eu soubesse que nao corro o risco de ter um ataque cardiaco durante uma apresentaçao pra 40 pessoas, eu a faria).  

Finalmente, sai meio que em estado de choque da universidade. Fui encontrar Diana: era o ultimo dia dela na França. Resumindo lindamente essa segunda parte do dia: fomos deixa-la na estaçao, segurei o choro e, na volta pra casa, fui andando devagar pra nao balançar demais e explodir em lagrimas (coisa que soh fiz quando cheguei em casa). Agora, acabou. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um parênteses

Eu poderia até dizer que esse post é fruto da minha TPM, mas eu nao tou com TPM. O post é de graça e ja faz um tempo que eu venho pensando em escreve-lo. 

Sei que cada pessoa que decide morar fora do seu pais tem uma experiência unica em relaçao a isso. Ha os que vao pra nunca mais voltar pela saudade da terra natal ser muito menor que as vantagens em se morar longe dela. Ha aqueles que sonham com a cidade em que cresceram todos os dias, num banzo sofrivel. Eu, eu ja nem sei mais o que sentir. 

Quando cheguei pra morar definitivamente aqui, eu chorava horrores e ficava entre a delicia de estar com Camilo e o sofrimento de nao poder ver o rosto dos meus amigos. Aqui, descobri que eu iria enfrentar mais despedidas do que se tivesse me fixado no Brasil. Porque aqui, todo mundo vai embora. A Europa te da essa oportunidade de estudar sei la onde, de trabalhar do outro lado, e eu ja venho me preparando pra, de novo, me despedir da minha atual "melhor unica amiga", aquela que foi, no ultimo ano, a peça fundamental pra que eu me sentisse viva e nao murchasse nessa terra fria. E ela disse que eu ia sofrer. Nao é por maldade, ela sabe: "todo mundo vai embora daqui, Luci, e eu nao sei como tu aguenta tanta despedida". E depois continuou dizendo que nao teria minha coragem de abandonar tudo assim. Aih eu tive que incorporar Bob Dylan e explicar. 

Me encontrei formada, sem emprego, sem perspectiva de nada, com o cara que eu amava puxando minha mao, me convidando gentilmente a dividir teto e problema com ele. Quem nao iria? E hoje, eu olho pra Camilo em silêncio, e até o dentinho discretamente rachado que ele tem, me encanta. Mas eu tenho um buraco que nao pode ser preenchido por ele (por favor, nao tirem essa frase de contexto): necessidade de amigos. Nao tou falando de qualquer tipo. Falo do perfil dos meus amigos que francês nenhum, nem de longe, pode parecer alcançar. 

E isso tudo era pra dizer que o blog e tudo o que ele me traz, direta e indiretamente, tem me feito bem. Ele passou de uma simples ferramenta de contato entre mim e meus amigos à uma poderosa forma de escape nos dias de furia (e de tristeza, e de saudade, e de alegria) e vocês sao as grandes responsaveis por isso, por aliviarem essa necessidade de contato humano. Claro que minhas relaçoes virtuais nao irao nunca substituir o contato real. Claro. Mas fico super satisfeita de conhecer um pouco mais da vida daquelas que estao no meu blog hall, de poder compartilhar momentos da minha vida aqui e de perceber que pessoas interessantes se interessam por eles. 

Talvez esse post tenha saido hoje porque, essa manha, eu acordei e me deparei com um recado no Orkut muito carinhoso, inesquecivel, deixado pela maluca da Glorinha (lindo, viu? Vocês nem imaginam como ela foi fofa. Ou imaginam. Fiquei toda besta!). Eu sou sensivel demais pra deixar essas "demonstraçoes publicas de afeto" passarem sem serem reconhecidas. Fico realmente muito feliz com as mensagens que vocês deixam aqui: quando dizem que torcem por mim, quando ficam preocupadas, ou quando simplesmente riem da minha cara por algum post mais avacalhado. Como igualmente é adoravel lê-las, questiona-las e conhecê-las um pouco mais. Escolho a dedo os blog que leio e adiciono, e sinto muito orgulho das visitas que recebo. 

Quero agradecer, mas nao vou citar nomes. Quem vem aqui com frequência deve saber que me sinto agradecida pela sua presença e os outros, devem saber que sao sempre bem-vindos. Esse post é pra isso, pra um grande obrigada.  

Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal

How does it feel?
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

::

Va para ele agora, ele te chama, você nao pode recusar
Quando você nao tem nada, você nao tem nada a perder
Você esta invisivel agora, você nao tem mais segredos a ocultar

Como se sente?
Por estar por sua conta
Sem direçao alguma pra casa
Como uma completa estranha
Como uma pedra a rolar?

(Dylan)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Praga

A viagem à Praga, pra mim, nao foi tao marcante quanto a de Berlim, mas posso dizer que Praga é a cidade mais bonita que ja vi. Pra onde se olha, ha alguma coisa bonita a ser vista, é impressionante. Os prédios, as pontes, os parques, os jardins... as tchecas - nunca vi tanta mulher gostosa! Mas o que você mais vai ver em Praga, amiguinho, é turista. Aos milhares. Por isso, se você for à Praga, muita atençao aos pick pockets. Uma coisa atrai a outra.

Achei o povo de Praga, em relaçao aos alemaes, igualmente tranquilo. Todas as vezes em que pedimos informaçao, percebemos um esforço por parte das pessoas em tirar nossa duvida. Mesmo aquelas que nao falavam inglês, gesticulavam e sorriam. Adorei ver os casais gays da cidade. Era comum ver homens e mulheres de maos dadas com seus parceiros. O mesmo pra Berlim. Em Lyon, essa exposiçao é bastante rara. 

A cerveja é ridiculamente barata. No supermercado, 20 centavos de euro por meio litro. Vou repetir. Vinte-cen-ta-vôs. Meio-li-trô. No Jardim da Cerveja, no topo de Praga, onde fica o Metrônomo (foto abaixo), e uma linda vista da cidade, compravamos meio litro de cerva por 1€. Esse parque (Jardim da Cerveja) é lindo, enorme e tem bares que vendem cerveja barata. Fomos duas vezes. 



Na segunda vez, à luz do dia, pudemos reparar nas crianças praguenses. O nosso anfitriao havia nos dito que as praguinhas comem desde cedo "comida de adulto", que a dieta deles é a mesma dos pais. E, como os pais se empanturram de comida ruim, os filhos seguem o caminho. Nessa tarde de cerveja, vimos varias maes acalmarem os guris com batatas fritas. Os bebês, que nem tinham idade pra andar, seguravam suas batatinhas. Outra criança, que deveria ter um ano e meio, com sua lata de Fanta na mao. Podem me condenar por eu estar criticando os pais que fazem isso, mas acho que ha coisa melhor a se oferecer a um bebê. Pior que, pela grossura dos braços das crianças, aquela nao parecia ser uma pratica rara, de final de semana. 

Outra coisa muito curiosa que vi, foi varias crianças vestidas iguais. As maes que tinham duas ou três filhas (vi isso somente com meninas) as vestiam com roupas idênticas, mesmo elas nao sendo gêmeas. Nunca tinha visto isso antes. E alias, ja acho bizarro vestir crianças gêmeas de maneira igual. 

Bom, como de costume, usamos o Couchsurfing pra nos hospedarmos. Ficamos na casa de um senhor de 65 anos que tinha acabado de fazer seu perfil no site e, no espaço de duas semana, ja havia recebido 16 pessoas. Quando chegamos na casa dele, ja havia quatro hospedes. O cara é uma figura: um inglês muito bem humorado, de piadas acidas, que bebia cerveja o dia todo. Um sonho! Assim que chegamos na casa dele, nos deparamos com nada menos que cinquenta relogios espalhados pelos cômodos (contei "somente" 55). No banheiro, tem quatro. Na cozinha, cinco. No quarto e sala, o restante. Ele também nunca contava o tempo usando as horas, mas sempre os minutos. "Vocês vao demorar 60 minutos pra chegar em tal lugar". E, cada vez que falava sobre o tempo entre sua casa e tal lugar, era de uma precisao incrivel. "Vocês vao levar 16 minutos pra chegarem". 



Ele nos deu um pequeno roteiro que ele havia feito para seus couchsurfers conhecerem melhor a cidade. Mas eu nao vou me estender muito sobre essa viagem. Vou postar as fotos e falar sobre algumas coisas rapidamente.



Torre de televisao Zizkov, também chamada de "Pênis de Praga". Falei: toda cidade tem alguma construçao falica. Lyon tem seu famoso Crayon. Recife, a pica de Brennand. Berlim, a Torre de TV. E assim vai. Se vocês repararem, tem uns bebezinhos subindo pela torre. Arte de David Cerny. Também vimos mais bebês de Cerny à beira de um rio de Praga:



Prefiro meu guri

O inglês me colocou numa cama de armar que fazia TREC! cada vez que eu me mexia. Bastava eu pensar em respirar que a cama fazia TREC! Aih, eu comecei a ficar incomodada por estar respirando, porque tinha outras quatro pessoas dormindo no mesmo cômodo. Foi uma noite e tanto! As molas que ficavam na altura das minhas costas ja estavam bem gastas, deixando um buraco nessa parte. O nivel dos meus pés e cabeça estava bem acima do nivel da coluna. Aquilo parecia mais uma rede, entao, eu nao poderia dormir de bruços (a unica posiçao que me permite dormir) com medo de quebrar minha coluna. Mas me mantive sossegada, tentando nao respirar muito. Mas do que adianta você tomar tanto cuidado quando você tem um namorado doido que tem o sono assombrado? No meio da noite, acordo com uma movimentaçao estranha. Quando olho pro lado, vejo Camilo se levantando e indo sentar no sofa onde dormia o inglês. 

PANICO.

Imagine o susto dessa criatura quando Camilo sentasse na cabeça dele? Dei um pulo, TREEC!, agarrei a mao de Camilo, TREEEC!, e fiquei puxando, TREEEEC!, ele pra perto de mim. O inglês acorda, se levanta e vai ao banheiro. Camilo desperta. 

- Menino, o que é que tu quer fazer, hein?!
- Sei la!

Eh tao tenso dormir com Camilo, meu deus. Noite sim, noite nao, ele apronta dessas. Outro dia, acordei com um pé na minha cara: era ele que tinha virado ao contrario enquanto dormia. Ha umas semanas, ele acordou, puxou meu cabelo (sabe criança puxando cabelo da amiguinha? Pronto) e dormiu. Eu acordo sendo maltratada, minha gente. Posso nem acionar a Lei Maria da Penha, porque o desgraçado faz dormindo. Ele da chute, beliscao, puxa o lençol, o cabelo, empurra, fala, grita, levanta, ri. Quando é comigo, tudo bem, mas quando a gente divide o quarto, eu durmo com um olho aberto e outro fechado. No dia seguinte, eu estava tao quebrada, que quando eu respirava, doia, juro!

Esquecendo a noite passada, pegamos um tramway, fomos até a parte mais turistica da cidade, ao norte, e descemos a pé, visitando os pontos mais famosos da regiao. A tarde, quando chegamos numa praça bonita, comecei a me sentir mal: lombrigas dando sinais de vida. Otimo, pensei. Comecei a suar levemente e minha pressao foi baixando. Fiquei em duvida se eu ia desmaiar ou cagar nas calças. Foi entao que vi um banheiro publico. Como a maioria das minhas disenterias sao psicologicas, respirei fundo e disse com firmeza a mim mesma que aquilo nao era nada. Três segundos e meio mais tarde, eu estava no banheiro.

Essa disenteria (e as três seguintes...) foram oferecimento da comida de Berlim. No ultimo dia na cidade, por exemplo, comemos pizza no café da manha, Kebab no almoço, uma porçao de batata frita + salsicha no lanche e mais pizza no jantar. Uma disenteria era o minimo que eu poderia esperar com uma dieta tao equilibrada. Fica o exemplo.

Jardim biito









Muro John Lennon. Fica em frente à Embaixada francesa. Famoso, até Yoko Ono ja deixou mensagem aih. 









Cristo feito de calçados



Dancing House - originalmente chamado de Fred e Ginger - tem um restaurante francês no teto e uma vista incrivel da cidade. 









Meiguinha na Praça Venceslau com o Museu Nacional ao fundo. Essa é uma das praças mais importantes da cidade. Foi nela em que Jan Palach, um estudante de Filosofia, ateou fogo ao proprio corpo em sinal de protesto contra a ocupaçao soviética, morrendo três dias depois. 






Achei os museus caros. Fomos somente a dois: Museu do Comunismo e o de Mucha (lê-se "murra"), onde havia uma linda exposiçao sobre ele. O trabalho do cara é sensacional. Compramos cartao postal, blusa, cartaz, isqueiro, tudo que eu tinha direito. Adoro! Grande parte da cidade esta construida no estilo Art Nouveau, estilo criado por Mucha. 

O Museu do Comunismo, na minha humilde opiniao, deveria se chamar Museu Anticomunista, porque apesar da historia de Praga parecer ter se tornado negra no momento da ocupaçao soviética, soh havia uma versao dos fatos nos painéis que contavam a historia do comunismo no pais. O comunismo matou mais, poluiu mais, fez mais infelizes, comeu crianças, bla bla bla. Olha, enchi o saco na metade da visita. Os souvenirs consistiam basicamente em reproduçoes de cartazes soviéticos com mensagens pouco elogiosas aos vermelhos. Em um cartaz em que se via, originalmente, meninas comunistas, havia uma frase que dizia "por que nos nao queimamos sutias como as americanas? Porque eles nao existem por aqui". Ou qualquer coisa do tipo. Havia um video com imagens dos anos 90 de revoltas realizadas na Praça Venceslau e duramente reprimidas pela policia. Chocante. De qualquer forma, achei o Museu um perigo praqueles que nao tem senso critico (alias, qualquer coisa pra alguém que nao tem senso critico é um perigo). Ironicamente, o Museu fica no prédio de um cassino, bem ao lado de um McDonalds. 



Quer dizer, ainda fomos num terceiro museu. Camilo viu esse cartaz e chamou minha atençao. Estavamos no final do penultimo dia de viagem, mas depois de ver esse cartaz, era obvio que eu tinha que reservar o ultimo dia de pra ver essa exposiçao. Valeu a pena. Vimos umas fotos raras, um casaco de John Lennon, uns rabiscos que ele fez num envelope e outras coisas idiotas que soh um fa da valor.





Por hoje é soh, pessoal!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Casal Midas da destruiçao

Pro Priberam, "desastrado" significa "desajeitado, desgracioso, funesto, infeliz". Pra mim, significa tao somente "Camilo". Nem o Katrina causou tanta destruiçao por onde passou. 

(Nesse momento, ele deve estar lendo e pensando: "o que foi que eu fiz pra merecer esse post, meu deus?"). Calma, meu bem, vai doer pouco.

Ha alguns meses, Audrey chegou toda contente em casa com um litro de um oleo fino que havia sido produzido na casa dos seus pais. Proibiu terminantemente de que utilizassem o oleo pra cozinhar. O oleo deveria ser usado somente nas saladas, pois era especial demais pra que fosse desperdiçado em frituras. Dois dias depois, Camilo explodiu a garrafa de oleo no chao da cozinha, sem querer. 

Cecilia, desde o começo do verao, começou a se ocupar da plantacao de flores. Quando viajava, pedia pra que alguém da casa nao esquecesse de regar suas pequenas maravilhas. A sua preferida era um girassol, que ainda nao havia florescido. Com frequencia, ela dava o relatorio do crescimento ao pessoal da casa, orgulhosa da plantinha. Um belo dia, arrancando as ervas daninhas, Camilo matou o girassol sem saber do que se tratava. Cecilia chorou e passou um dia sem falar com ele. 

Quando cheguei na França, ganhei um dos presentes mais legais que poderia ganhar: uma bicicleta. Com ela, eu ia pra todo lugar: pro centro, pro trabalho, pras aulas, eu caia, enfim, eu era feliz. Foi um ano e meio de puro amor pela minha bicicletinha. Até que um dia... apareceu o monstro das maos tortas, pediu minha bicicleta emprestada e... vocês ja sabem. Destruiu, sei la como, o sistema de marchas. Conserto: 100€. Nova: 150€. Agora me perguntem se eu tenho dinheiro. 

Eu nao posso criticar muito. Apesar de eu nao me considerar desastrada, tenho algo que eu poderia chamar de "nervosismo demolidor". Eh que quando eu fico nervosa, as coisas ao meu redor se quebram, explodem, racham, caem, morrem etc. Tou cortando batata, chega alguém que me deixa envergonhada: corto um dedo. Tou andando na calçada, a vizinha pergunta algo que eu nao entendo: eu tropeço. E assim vai. Eh por isso que eu sou um perigo na bicicleta, minha gente, porque eu estou sempre nervosa. O meu historico de quedas nao me deixara nunca repousar na tranquilidade de um passeio. 

Ontem, voltando feliz de uma pizzaria de bicicleta, perguntei a Camilo se nao poderiamos voltar pra casa por outro caminho que nao aquele da pista de tramway que sempre pegamos. Minha gente, é tenso passar por essa pista. Além de eu ter que ficar ligada no tramway que vem de frente, tenho que ficar ligada naquele que vem de tras. Mas meu olho de tras é cego. Fora isso, tem os carros que podem dobrar a qualquer momento na sua frente. Mas Camilo insistiu e eu fui. 

La pela metade do caminho, vejo que um tramway vem atras e, na minha frente, um pedestre e um ciclista. Pronto, foi demais pra mim. Fiquei louca, tentei passar pra pista do lado, prendi o pneu da bicicleta na linha do tramway QUE ESTAVA VINDO. Ai meu deus, ai meu deus, a bicicleta ficou desgovernada! Ai meu deus, o tramway! Eu vou morrer, eu vou morrer, socorro e... Potof. A bicicleta caiu. Mas como eu tenho PhD em queda de bicicleta*, dessa vez, consegui pular e cair em pé. Da proxima vez, vou apromirar o show e tentar dar uma pirueta no ar antes de tocar o solo. Apesar de nao ter quebrado a cabeça, torei a minha sandalia preferida. Aquela que eu usava pouco como forma de prolongar sua vida. C'est fini: torou em duas partes. 

Agora, vou ser malvada com aqueles que me amam e que achavam que tinham motivo pra se preocupar comigo: ha duas semanas recebi minha carteira de motorista francesa. Sim, estou apta a conduzir veiculos pelas ruas lionesas! Mas eu tenho um otimo historico no volante: soh fiz uma baliza certa (no dia do teste) e estava ha 16 meses sem dirigir (onde a ultima vez... foi no teste). Alguém mais ta tenso?

*Duas das quatro quedas: post 1, post 2, post 3 e post 4 (fotos) - nao abrir o ultimo link caso esteja fazendo uma refeiçao.

Talvez

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