terça-feira, 23 de novembro de 2010

Resultado do jogo (ou do quanto eu odeio a Carol)

Como prometido via tuite, publico as respostas do jogo lançado pela Amanda outro dia. Descobri que vocês acham que eu sou meio abestalhada (o que nao é de todo mentira), ja que a maioria dos chutes de vocês giraram em torno da minha falta de capacidade pra nadar e voar, de um possivel retardo em relaçao à fala e do meu famigerado medo de seminarios na faculdade. Erraram todos! Mwwhahaha! 

1. Eu nao sei nadar (5 votos):
Falso. Olha, eu demorei a aprender a andar (com um ano e dez meses!), a nadar (7 anos?), demorei a andar de bicicleta (8 anos?), a menstruar (15 anos), a dar o primeiro beijo (15, também), a dirigir (23 anos), maaaaas... Eu aprendi a fazer tudo isso. Quer dizer, menos a andar de bicicleta. 

2. Perdi a virgindade aos 16 anos (6 votos):
Falso. Eu sou virgem. 



3. Empurrei propositadamente uma amiga da escada (6 votos):
Super verdadeiro e ela mereceu! E se ela aparecer na minha frente, eu empurro de novo! Vou contar como foi o drama. Eu tinha meus sete anos e estudava numa escolinha do bairro. Um dia, as professoras disseram que um palhaço iria à nossa escola. Eu fiquei louca. Dormia e pensava no palhaço (minha gente, que frase). Eu era expectativa e ansiedade dos pés à cabeça. Na hora do intervalo do dia em que o palhaço iria à escola, eu corri pro portao de entrada e subi numas escadas estreitas que possibilitava à pessoa que estava dentro da escola de ver quem estava na calçada. Mas nada do palhaço. De repente, escuto varias risadas felizes de crianças vindo dos fundos da escola. Era o palhaço que tinha chegado pelos fundos (ui). Virei toda feliz pra descer as escadas, mas com quem eu dou de cara? Com a porra da Carol! Ela me prendeu à parede e ficou dizendo "nao vai ver o palha-çô! Tah pre-sa!" Eu pedi com toda a paciência (mentira) do mundo pra ela me deixar passar. "Nao dei-xô". Entao, delicamente, eu joguei ela escada abaixo. O problema é que ela foi rolando e caiu bem nos pés da nossa professora! Avaliei a situaçao e com muita serenidade, conclui: fudeu. Qual foi a da professora? "Luciana, você esta de castigo e nao vai ver o palhaço".

Morri. 

Olhe, eu ainda SINTO a dor da injustiça correndo em mim. Ou vocês acham que é à toa que eu lembro dessa historia depois de quase vinte anos? Eu fiquei doente de tanta tristeza, imploreeeeei pra nao ficar de castigo, pelo amor de deus, o palhaço, tia, deixa eu ver o palhaço! Nada. Aih fiquei de castigo na sala de aula vendo o palhaço pela janela divertir as pessoas. Inclusive, a otaria da Carol. 

Um PS nada a ver: no ultimo dia em que estive no Brasil (em março desse ano), minha mae me chega muito séria: 

- Luciana, você sabe quem esta viciada em drogas? 
- Quem, mainha?
- Aquela tua amiga Carol.
- Eh? Viciada em que?
- Em maconha, né? Deve ser...

Hahahaha Minha mae é otima. Pra ela a pior droga do mundo é a maconha. Ela mal desconfia que a vida dela teria sido mais tranquila se o marido dela fumasse maconha ao invés de beber... 

4. Marquei um encontro com um cara da internet no ginecologista (6 votos):
Verdade. Eu era uma menina bestinha. Bastava um cara ou uma menina ser legal na internet e eu ja marcava um encontro. Costumava marcar no shopping, mas o tal cara era irmao de um conhecido e a probabilidade dele me raptar, me estuprar e me jogar num poço sem fundo era minima. Entao, fomos no ginecologista. Era meu aniversario. Foi legal. 

5. Fazia aula de jazz (a dança) quando criança (8 votos):
Verdade. Foi na mesma escolinha ja citada. Inclusive, com Carol. A gente tinha uns 6 anos e estavamos ensaiando pra nos apresentarmos. Eu ainda lembro do começo da coreografia. Eu adorava as aulas e fiquei super empolgada com a possibilidade da apresentaçao. Mas... (sempre tem que ter um mas nessa vida) minha mae me enrolou e eu faltei o dia do espetaculo. Hmmm, suspeito: estou começando a fazer uma ligaçao entre os traumas da minha infância e Carol. 

Tai, acho que o problema
 foi que esqueci a capa
6. Pulei do telhado de casa quando pequena (11 votos):
Verdade. Criança abestalhada é assim, né? Fazer o quê. Eu nem posso dizer que foi porque eu vi no desenho animado, porque eu ja era grandinha o suficiente pra saber que seres humanos nao voam. Mas eu achava o maximo essas "traquinagens" de criança suicida. Meu irmao tinha varias e eu queria ter a minha também. Entao, eu pulei. E nao foi tao glamouroso quanto eu pensei que seria. Na verdade, doeu pra caralho. E se eu soubesse que essa historia soh ia me render cinco linhas num blog que eu faria vinte anos depois, eu nao teria pulado.

7. Tinha dificuldades pra pronunciar o R (7 votos):
Falso. Falar é a unica coisa que eu sempre fiz sem dificuldades. Tirei a idéia do caso do meu outro irmao, na verdade, que teve que ir ao fonoaudiologo durante à infância. Ainda lembro da minha mae fazendo ele falar com um lapis embaixo da lingua. Impagavel. 

8. Chorei durante um seminario na faculdade (no Brasil) (9 votos):
Falso. Hohoho Essa eu fiz na maldade. Eh tanto choramingo nesse blog por causa da faculdade que era mais que esperado que vocês achassem que eu chorei numa apresentaçao. Mas nao! Péééém!

09. Na adolescência, paguei pra tirarem o tarot pra mim (6 votos):
Falso. Pô, essa doeu. Seis infelizes acharam que eu gastei meu rico dinheirinho em... Tarot? Os adeptos que me perdoem, mas eu nunca fui tao preocupada com meu futuro à ponto de pagar pra um desconhecido adivinha-lo. 

10. Eu tenho TOC (3 votos): 
Verdadeiro. Hahahaha Tenho, minha gente, EU TENHO TOC! Mas é num nivel super leve. Nada de dar cinco voltas no hidrante da calçada três vezes antes de atravessar a rua. Mas eu nao consigo ficar bem se eu nao fecho até o fim o creme dental. Nao suporto girar a chave na porta pela metade. Na verdade, nao gosto de coisas inacabadas: quadro mal apagado, porta e gaveta mal fechada. Argh! Ah, e também nao piso em tampas na calçada. 

E agora? Quem sera a proxima blogueira a entrar no jogo?

domingo, 21 de novembro de 2010

Meio errados

Amanda fez um post com um joguinho legal. Bom, o post tem mais do que uma brincadeira, é todo um tratado sobre a visao que o leitor tem de um blogueiro e as consequencias dos julgamentos feitos por aqueles. Mas como eu nao tenho o tempo que gostaria  pra divagar sobre o assunto, vou me limitar a lançar o jogo aqui. 

Vamos ver o quanto vocês (acham que) me conhecem baseado naquilo que vocês (nao) leem aqui. 

Somente cinco das assertivas sao realmente verdadeiras: 

1. Eu nao sei nadar;
2. Perdi a virgindade aos 16 anos;
3. Empurrei propositadamente uma amiga de uma escada;
4. Marquei um encontro com um cara da internet no ginecologista;
5. Fazia aula de jazz (a dança) quando era criança;
6. Pulei do telhado de casa quando pequena;
7. Tinha dificuldades pra pronunciar o R - Cebolinha feelings;
8. Chorei durante um seminario na faculdade (no Brasil);
09. Na adolescencia, paguei pra tirarem o tarot pra mim;
10. Eu tenho TOC;

Quem acertar tudo ganha uma bolacha. Valendô!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tenso



A quantidade de coisas que eu tenho pra falar é inversamente proporcional ao tempo que eu tenho disponivel - as (quase) duas semanas sem post novo sao resultado disso. Apresentei meu primeiro exposé, a brasileira me chamou de novo pra ir pra igreja, arrumei um projeto de amiga na faculdade e gostaria de falar demoradamente sobre cada uma dessas coisas, MAS...

No intuito de pôr em pratica o "observa e faz", em relaçao aos trabalhos da faculdade, acabei deixando tudo pro ultimo momento - que novidade. E, como se nao bastasse todos os seminarios que tenho pra fazer, alguns professores anteciparam as provas pra este mês, entao, minha situaçao é a seguinte: eu levo horas pra ler cinco paginas e passo duas semanas pra preparar um seminario - saudade do tempo em que eu preparava um seminario cinco horas antes de apresenta-lo. 

Nas proximas quatro semanas, eu tenho quatro seminarios, um trabalho escrito e três provas sobre o assunto de todo um "semestre". Entao, olha, como chorar nao resolve e escrever no blog nao ajuda, vou deixa-los por tempo indeterminado e dizer que eu estou SOFRENDO por nao poder ler os blogs lindos e favoritos que se encontram na coluna lateral esquerda deste blog. Saudade de vocês. Espero voltar viva das trincheiras.

Luciana - Drama Queen

domingo, 14 de novembro de 2010

...

A gente vai contra a corrente 
Até nao poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

sábado, 6 de novembro de 2010

O jovem cavalo amarelo de cabelos terriveis esta embaixo

Eu sou como o francês: terrivel

A lingua francesa, pela proximidade que tem do Português, permite certas deduçoes que fazem com que ela se passe por um idioma de facil aprendizado. A primeira vista, claro. Porque tem aquelas palavras/expressoes safadas que soh existem pra me fazer falar feito idiota. 

Jeune, por exemplo, é "jovem". Mas se eu nao fizer o bico certo, e eu nunca faço, eu vou falar jaune ("amarelo"). Entao, frases do tipo "ela é uma menina bastante amarela" sao frequentes. 

Cheveux é "cabelos". Mas quando eu vou falar dos meus, sempre falo chevaux ("cavalos"). Entao, vocês imaginam o olhar do meu interlocutor quando digo que meus cavalos estao secos.

Terceiro termo que eu nunca pronunciarei decentemente: dessous ("embaixo") - com biquinho no e - e dessus ("em cima") com biquinho no e e no u. Na pressa da fala, eu faço biquinho até nas consoantes, que é pra nao ter perigo de errar - o que nao faz o menor sentido, claro.

Eteindre: apagar
Etendre: estender
Attendre: esperar

E qual o problema de, ao invés de dizer "eu vou apagar a luz e estender a roupa", falar "eu vou esperar a luz e desligar a roupa"? De repente é isso mesmo que eu quero. Esperar o Senhor e... desligar... a roupa. Normal.

Outro dia, eu tava lendo pra Camilo um texto que eu vou apresentar na proxima segunda-feira (meda!), quando surgiu a frase "il s'en branle". Eu li a frase errada. Ele deu uma risada.

- O que foi? 
- A pronuncia certa é il s'en branle ("ele nao ta nem aih"). 
- E eu li o que?
- Il se branle.
- E isso quer dizer o que?
- "Ele se masturba".
- ...

Pra garantir uma nota acima de zero, cortei a frase da minha apresentaçao.

Ha uns meses descobri o si jamais. Numa primeira vista, parece significar "se jamais...", dando uma idéia de negaçao. Mas, na verdade, quer dizer "se por acaso isso acontecer SIM... blablabla". Mas nao foi facil entender isso. A mae do guri me pedia pra fazer as coisas, mas colocava a porra do si jamais no meio da frase. Pelo contexto parecia que eu deveria fazer, mas o jamais me confundia e eu ficava "finalmente,  é pra fazer ou nao é?" Hihi

E nessa linha "afirmo e nego ao mesmo tempo", tem o pas terrible. Pas é um termo que exprime ideia de negacao em francês:

Le garçon est content (o menino esta feliz)
Le garçon est pas content (o menino nao esta feliz)

Logo, uma coisa pas terrible seria "nao terrivel", logo "boa". Mas nem sempre a logica é logica.  Pas terrible é "terrivel" mesmo. Mas terrible pode ser bom ou ruim, como no português. Depende da entonaçao dada. Mas eu adoro o francês. Eh uma lingua... terrible! 

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E, pra finalizar, queria agradecer a uma borboleta de lindo nome por esse selinho. Ganhar selinho e cerveja faz muito meu dia! Uh! Obrigada!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O desabafo de uma nounou

Concentrei sabiamente todas as minhas aulas na faculdade entre a segunda e a quarta-feira pra poder trabalhar com o guri na quinta e na sexta: deu certo. Mas houve uma reviravolta na minha vida profissional (pia!): eu tou adorando a mae e detestando o guri!  

Ja faz um mês que eu voltei a trabalhar com ele e... quanta tristeza. Ele tem so 18 meses, mas a vida desse menino ja pode ser dividida em "antes da irma" e "depois da irma". Vou chamar a irma de Creuza, beleza? Pois bem, minha gente, Creuza é um ser humano de apenas um mês de vida e alguns centimetros de comprimento, mas transformou a vida do guri num inferninho. E, por tabela, a minha também.

Antes de Creuza: o guri era bem disposto e saudavel. Levava altas quedas (hihi) e levantava do chao sorrindo - meio torto, mas sorrindo. Ele obedecia. Almoçava sem problemas e dormia tranquilamente. Eu até arriscaria dizer que ele cagava cheiroso. 

Depois de Creuza: ele chora por tu-do. Se a gente nao faz o que ele quer, ele se joga no chao e bate os pés. Pede pra ir pro braço a toda hora, se recusa a comer. E olha, se tivesse um top 5 com "as coisas que eu mais odeio na vida", "criança mimada" soh perderia pra "gente machista". Nossa, como eu-nao-suporto! Quando vejo uma criança chorando por frescura e a mae* tentando controla-la, prometendo coisas e fazendo "mimimi, meu bebezinho", eu tenho vontade de voar no pescoço da mae e... mata-la. Lentamente. 

Meu nome é odio no coraçao. Beijos. 

Entao, imaginem quao duro foi o golpe de reencontrar meu gurizinho mimado. Quando ele cai, ele berra e diz "bobô, bobô", o que, na linguagem dele, quer dizer "puta que pariu, me fudi, vou perder a mao, me ajuda, tah gangrenando". Aih, olho bem séria pra cara dele, dou uma olhada na mao (ignorar é pior) e digo "Guri, vai brincar, vai...". Ele vê que nao deu certo, muda de expressao e continua a brincar. Antes, ainda, ele me dava a mao pra beijar (mesmo que ele tivesse machucado o joelho). A mae explicou que foi a sogra que o ensinou a fazer isso. Mas a raiz do problema nao é a sogra. Eh tu, Creuza!

Estavamos os dois no parque (lembrando que eu nao tomo conta da guria, somente dele) quando ele pediu pra ir pros meus braços. Me agachei, expliquei a ele que ele ja sabia andar, que ele estava grandinho e pesado, e somente Creuza poderia ficar no braço. Senti que fiz merda. Mesmo achando que ele nao entendeu bulhufas do que eu falei, colocar o nome da irma naquela situacao, soh poderia piorar tudo. Nao quero que ele relacione o fato de nao poder ir pro braço à irma. 

Uma semana depois, fomos todos juntos (mae, filha, filho e baba) à Prefeitura. Guri se recusou TERMINANTEMENTE à ficar no carrinho. Chorou, esperneou, gritou e ficou roxo. Foi preciso eu E a mae pra coloca-lo no carrinho. Credo, nunca vi aquilo. Mas sei que vou ver de novo. 

Em compensaçao, minha relaçao com a mae tem melhorado bastante. Parece que depois do segundo filho ela entendeu que nao precisa competir com a pobre da baba pela atençao dos filhos. Ela pergunta mais sobre minha vida e eu tenho muita vontade de falar, entao... Acho que isso ajudou a confiarmos um pouco mais na outra. Mas nao vou me estender muito nesse paragrafo pelo medo de quebrar a cara amanha. 

E se alguém tiver algum conselho melhor que "matar a mae lentamente", pra casos de crianças mimadas, sou toda ouvidos.

*Falei "mae", mas pode ser o pai, a irma, a tia, ou seja, quem for responsavel pela criatura.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aquele abraço!


Vi minhas blogueiras preferidas distribuindo abraços no Twitter nos ultimos momentos de apuraçao dos votos. Apesar de estar sufocada pela excitaçao do que estaria prestes a acontecer, prefiro mandar um abraço pro outro lado. Porque quem precisa de abraço, nesse momento, sao aqueles que foram na onda da bolinha de papel. Foram aqueles que tentaram demonizar o pobre mago na Paraiba. Meu abraço vai pros alma sebosa vestidos de vermelho no meu Estado. Meu abraço vai praqueles que se preocuparam com a roupa que a Dilma vestia nos debates. Meu abraço vai pro vampiro, coitado. Porque a gente... a gente nao precisa de abraço. A gente ja tem o que a gente precisa. 

Praqueles que nao acreditaram e ainda torcem contra:

CHUPA! 

sábado, 30 de outubro de 2010

Arte culinaria = França

O show de Hindi Zahra foi otemo! Mas um pouco diferente do esperado. No album, as musicas sao tranquilas, toque de jazz, aquela coisa soft. No show, houve guitarra suficiente pra fazer o Metallica parecer Balao Magico. A moça devia ter dois palmos de altura, porque, mesmo usando salto alto, via-se que ela era bem nanica - o contrabaixo tinha sete vezes o tamanho dela (depois desse paragrafo, alguém mais duvida que eu sou uma pessoa exagerada?).

Ela entrou com seu vestido de oncinha, pouco falante. Mal se mexia. Depois, foi se empolgando e, la pra metade do show, incorporou a pomba-gira e ficou com ela até o final do espetaculo. De vez em quando, ela fazia umas dancinhas que deviam ter sido coreografadas por Scheila Carvalho em parceria com Regan MacNeil. Ora ela descia até o chao com as pernas abertas, ora ela se tremia toda ao mesmo tempo em que revirava os olhos. Essa mulher sabe mesmo o significado da palavra espetaculo. 

Adorei!

A estadia na casa dos pais de Camilo me fez bem, apesar de eu nao ter feito muita coisa por la. O meu momento mais produtivo foi uma mijada na cama. Por aih vocês tiram. Como o aniversario da mae de Camilo foi esse mês, resolvemos comemora-lo num almoço na casa da avoh assassina dele. Um ano e meio na França e eu sempre vou achar curiosa a forma de comer desse povo. Eh tanto protocolo que as vezes eu fico sem saber se posso me servir de algo sem agredir as regras.

No Brasil, a gente faz um prato de comida soh, com tudo o que tem direito, e é feliz. Aqui, pra ser feliz num jantar mais formal, temos que respeitar o demorado ritual do "aperitivo - entrada - prato principal - salada - queijo - sobremesa - digestivo". No Brasil, a gente mistura tudo e come qualquer coisa a qualquer hora. Aqui, ja me estranharam quando eu disse que comia presunto no café da manha - o café da manha do francês é doce: o mais perto que eles chegam do salgado é quando colocam manteiga no pao. Outro dia, fui comer queijo de cabra antes do almoço e meu roommate me olhou como se eu tivesse me servindo de um prato de vermes. "Você vai comer queijo de cabra ANTES do almoço?" Exatamente, observe.

No Brasil... Todo santo dia tinhamos, na hora do almoço, arroz, feijao, purê, macarrao e carne. Soh como feijao aqui quando eu faço (ou seja, nunca). E parece pecado comer macarrao com outra coisa. Pensei uma vez em fazer feijao e macarrao e escutei de outra roommate: "isso tudo?! Mas vai ficar muito pesado!" - frases que me fazem pensar que os franceses nao passaram pelo mesmo processo de evolucao do resto do pessoal do mundo no que diz respeito ao seu sistema digestivo. Porque eu acho que eu soh nao digiro cimento.

Chuchuzinho da mamae
Mas tivemos outras pequenas aventuras culinarias. Aprendi a fazer um cake de azeitona que é tao simples quanto gostoso! Fizemos também uma pequena bomba de gordura e calorias que, por aqui, se chama fondue. E ganhamos da mae de Camilo um "cuiseur vapeur" (a maquina pra cozer os alimentos). Olha, você sente as mudanças na sua vida através da sua satisfaçao em relaçao aos presentes que ganha. Quando eu era criança, eu gostava de ganhar brinquedos. Na adolescência, eu curtia ganhar CDS. Agora fiquei super feliz de ganhar... um eletrodoméstico. Eh o fim. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Write stories

Estava aqui filosofando, quer dizer, perdendo meu tempo, pensando numa forma de postar sem fazer muito esforço, quando, "opa! Tem quiz novo no Faceb... AH-MEO-DEOS-DO-CEO! EH UM QUIZ SOBRE BEATLES!". Entao fui la e, voila: um post pra enrolar vocês.





E o resultado lindo? Hey, Jude!

sábado, 23 de outubro de 2010

Vinte e cinco anos de sonho, sangue... e urina

(Post escrito no 22 de Outubro, também conhecido como "ontem").

Um dos irmaos de Camilo ta morando temporariamente na Polônia. Como a familia dele costuma passar os natais juntos, meus sogros ja garantiram as passagens pra congelarem a bunda na Polônia. Mas como eu sou uma pessoa pobre, nao vamos poder viajar com eles. E quando eu digo pobre, é isso: Camilo, ha cinco minutos: "coloquei grana na tua conta porque tu tava com - 15€". Hihi Portanto, resolvemos antecipar nosso encontro natalino passando esta semana na casa dos pais de Camilo, em Chateaubriant, que é de onde eu vos escrevo nesse exato momento. 

Tou toda contente porque, ha umas semanas, conheci uma cantora através de uma amiga. Ela se chama, a cantora, Hindi Zahra. Eh uma marroquina que mora na França e faz um som bem tranquilinho, perfeito pra uma pessoa que anda intranquilinha. Gostei tanto do album dela que fui no seu site oficial procurar por algum show em Lyon. Nem previsao. Mas eis que vejo que teria um show em Chateaubriant esse mês. "Seria muita sorte se fosse bem na semana em que estaremos la". E adivinhem... O show é hoje. Uh!


::

(Narrador da Globo mode on) Tenho vivido aventuras muito loucas desde que saimos de Lyon. Por conta da greve, somente dois de cada três trens estao circulando. Como somos de sorte, nosso trem foi cancelado, mas a bagunça é tao grande, que poderiamos pegar qualquer trem pra qualquer lugar da França desde que, claro, houvesse vaga nele. 

Planejamos um Lyon - Paris e depois Paris - Rennes (que fica perto de Chateaubriant). Deu certo. Chegamos em Paris e pegamos um metrô (pra irmos à estaçao de onde partiria o segundo trem). No metrô, fui abordada por uma mulher com um mapa na mao: "da pra você me indicar aqui onde fica a linha 6?". Eu odeio dar informaçao. Nao porque nao goste de ajudar o proximo, ja que minha formaçao catolica nao permite tal pecado. Mas porque

eu-nao-consigo. 

Eu entro numa especie de minipânico e acabo sempre dando a informaçao errada, tipo: tou subindo no ônibus, indo pro centro. Nego chega junto: "vai pro centro?" e eu respondo "nao" e ainda sorrio. Nao é maldade, é abestalhamento mesmo. Entao, prefiro dizer que nao sei antes mesmo de ouvir a pergunta, ainda mais se a informaçao tem que ser passada em outra lingua, sobre uma cidade que eu nem conheço! Soh que a mulher perguntou a todas as pessoas do metrô onde diabos estava a linha 6. Finalmente, ela disse: "é porque tou escrevendo um romance e queria saber a reaçao das pessoas à minha pergunta". A reaçao de todas as pessoas foi a mesma. Se eu soubesse, teria feito uma mimica.

Uns minutos depois, o metrô foi parado devido a um pacote suspeito na estaçao em que desceriamos. Em Lyon aconteceu o mesmo essa semana. Olha, se eu fosse um terrorista, ficaria muito chateado com essa banalizaçao dos pacotes suspeitos. Um dia, ninguém mais vai dar crédito ao pacote abandonado no canto do metrô (e nesse dia, eu nao quero estar por perto, porque vai ser justamente esse que vai fazer catapum). 

Seja como for, chegamos ao nosso destino. Tou muito satisfeita de ter uma semana de férias pela frente, mesmo se eu sei que devo estudar durante esse periodo. Aproveitei hoje pra dormir até tarde, descansar bastante. Mas acho que exagerei na relaxada: hoje eu fiz xixi na cama. 

(Pausa).

O meu tem funcionado
bem, obrigada
Tou falando sério, minha gente. Eu-fiz-xixi-na-cama. E pior: eu nao tenho dois anos de idade. Eu sonhei que eu queria fazer cocô, na verdade, mas como eu nao conseguia, fui consultar minha querida mae que me aconselhou: "quando você for a um banheiro, você vai conseguir" - até entao eu tava tentando cagar sei la onde. Entao, fui ao banheiro e... "Que porra é essa que eu tou fazen..? Ah, meu deus, mas o qu...?! Puta que pariu!". Acordei assim, divina. 


- Amor!
- zzZZZzzz... Hum...
- Eu fiz xixi na cama.
- E foi?
- Foi...
- Coisa linda!

O caba tem que ta mermo muito apaixonado pra chamar de linda uma pessoa que mija na calcinha aos 25 anos. Enfim. Ja vinha suspeitando de que eu nao estava numa boa fase da minha vida. Preciso de um psicologo. E de fraldas. 

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alguém tem que ceder


Pra quem nao sabe, a França esta em polvorosa por causa de um projeto do Petit Nicolas que pretende elevar a idade pra se aposentar de 60 pra 62 anos e de 65 a 67 pra se ter uma pensao completa. Ha dois anos, Camilo estava me explicando como funcionam as regalias sociais que os franceses tem como remédio de graça, consultas médicas a preços acessiveis, ajuda pra moradia etc. Perguntei como a França tinha tanto dinheiro pra dar conta disso tudo. "Nao tem. A França vai quebrar dentro de alguns anos". 

Agora o Governo ta tentando tapar o buraco em cima dos trabalhadores.  O desespero é grande. O incentivo governamental pros casais franceses terem filhos é enorme. O que mais se vê na rua é bebê e mulher gravida, porque o pais precisa de gente pra trabalhar pra manter os aposentados, mas por enquanto que esse povo nao cresce...

Dai que nos ultimos dias, o pais ta mergulhado em greve e Lyon no caos. Carros foram incendiados, nego foi preso, vitrines quebradas, depredaçao, roubo de lojas, bombas de gas lacrimogênio, enfim, aquela merda toda no meio da rua. Os transportes publicos funcionando uma hora sim, outra nao (levei mais de uma hora hoje pra voltar pra casa. Usei o metro, o tramway, a bicicleta e, finalmente, fiz o percurso final, à pé). Nao tive aula nem ontem, nem hoje (por isso as atualizaçoes no blog!): universidade fechada pra que os alunos possam participar da greve.

Aih você vê as fotos do pessoal responsavel pela destruiçao e nota que eles nao tem porra nenhuma a ver com a greve. Da uma pena do pessoal que tah se mobilizando a favor dela. Enfim, eu nao sei em que pais eu vou me aposentar, entao esse assunto nao me é tao caro quanto o é pros franceses, por isso nao meto meu bico. Mas ontem tava conversando com uma arabe na parada de ônibus sobre o assunto e ela estava revoltada dizendo que ela nao pode ver o marido trabalhando até quase os 70 anos como pedreiro (porque vocês sabem que trabalho de estrangeiro em pais rico é braçal), que "Sarkozy tah procurando merda e ele vai achar". Por enquanto, torçamos pra que esse homem se aposente.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Conclusao: Luci é um ser humano


Eu acho lindo quando as pessoas tentam me ajudar. Cada um faz ao seu jeito.

[13:41:10] o sol ta massa dit:
je suppose (hypothèse), je pose (thèse), j'oppose (antithèse), je compose (synthèse)

[13:41:48] o sol ta massa dit:
entendi, soh nao sei como aplicar isso

[13:46:43] Fábio dit:
agora fica a dúvida.. essa hipótese já é sua ou é a do texto?

[13:47:44] Fábio dit:
pq pode ser a hipótese do texto (por exemplo: luci peida dormindo.)

[13:48:07] Fábio dit:
a tese defendida no texto (luci peida dormindo pq tem gazes e pq dorme de bunda pra cima)

[13:48:31] Fábio dit:
a antítese defendida por tu (luci não peida! nunca! nem cu ela tem...)

[13:49:00] Fábio dit:
e a síntese (luci é um ser humano, se ela peida ou não, não importa)

[13:49:30] Fábio dit:
aí assim.. faço a menor idéia de nada ehehe

[14:06:54] o sol ta massa dit:
huahuahuaauahuauha

::

Algo me diz que eu preciso da ajuda de alguém mais capacitado.
Alguém conhece alguém?

Notei que é diferente

Post censurado :)

sábado, 16 de outubro de 2010

Valeu, Zoller. Batchi!

Quando Camilo fez o (feliz) intercâmbio dele na UFPB, ele disse que tinha um professor que havia feito sei-la-o-que na França e que adorava se dirigir a Camilo em sala de aula cada vez que falava sobre o pais. Camilo chamava ele de "professor-babao". Pois, atualmente, eu tenho um professor babao. Juro que, a cada aula (que dura 4h por semana), M. Zoller, fala do Brasil pelo menos umas duas vezes. Ja falou dos morros cariocas, dos Bandeirantes, do carnaval, de Olinda, do futebol, de Santos, de Braudel e a USP e etc etc. Na semana passada, ele me perguntou quantos estados o Brasil possuia. E, trinta segundos depois, falou sobre a lauhncheuntt (aparentemente, um lugar que existia no Brasil). Meio Didi Mocoh, eu perguntei cuma?, e ele repetiu a palavra. 

- Isso te diz alguma coisa?
- Ah, sim, claro, "lanchonete".

"No Brasil, existe essa especie de restaurante onde se vende petiscos pas très cher, onde as pessoas, ao final de cinco minutos, trocam três ou quatro cartoes de visita com alguém que eles nunca viram na vida. Aqui na França, as pessoas no metrô olham através de você. Você é transparente".

Lavei-minha-alma.

Tive vontade de subir em cima da carteira e gritar "EU ENTENDO". Mas nao acho que seria um ato inteligente. Mas, oh, saiu um "bah, ouais!" que fez com que, pelo menos a menina do lado, soubesse que lah, do outro lado, as pessoas costumam ser humanas. Ainda que demasiadamente humanas. Irresponsavelmente humanas. Profundamente. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Peum peum peum peum peum...

Um: primeiro, muito obrigada a tod*s aquel*s que me desejaram força, saude, paz, prosperidade e sexo selvagem nos ultimos posts. Lind*s!

Dois: Rita, eu nao faço mestrado. Esse fricote todo é somente por causa de uma graduaçaozinha. Hihihi. Espere até ver meu drama quando eu tiver no mestrado.

(Post censurado)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fugitivos

(uma fuga rapida!)

Estou conhecendo uma Luci que eu nao imaginava que existisse: a Luci que estuda nos fins de semana. Jardim de infância, Ginasio, Ensino Fundamental, Médio... Cinco anos de faculdade e nunca na historia desse pais eu abri um livro durante o fim de semana. Mas estudar é preciso, viver nao é.

Mas como eu ja vinha anunciando (na minha cabeça?) que eu precisava ficar bêbada pra nao "péter un câble", como dizem por aqui, fui encontrar Camilo depois do trabalho dele na sexta pra tomarmos um vinho no quai (à beira do rio) e irmos à nossa pizzaria preferida. 

No metrô, vi um cara passar por mim rapidamente com uma roupa de paciente de  hospital, sujo e descalço (eu disse hospital, mas pela cara dele, devia ser hospicio mesmo). Fiquei esperando o médico do cara aparecer e nada! O cara tava super inquieto. Percebi que ninguém parecia se importar com aquela figura maluca. Olhei pro cara da frente, meio gatinho e tal, e ele esboçou o que parecia ser um sorriso, mas faltava, pelo menos, uns cinco dentes naquela boca. Credo. Depois percebi que esse cara tinha uns trejeitos esquisitos, uns tiques, fazia uns movimentos bizarros com a boca. Finalmente o doido era normal e o normal era doido. Isso é Lyon, minha gente. 

Cumpri minha missao naquela sexta-feira. Bebi uma garrafa de vinho de barriga vazia e esqueci metade da noite. Camilo diz que eu bebo feito uma adolescente que nao conhece seus limites. Hihihi "Pelo menos tu fica docil". Docil, minha gente. Como um cavalinho. 

No sabado, teve o SUPER show de Cat Empire! Nada melhor que escutar ao vivo musicas que você adora! E foi aquele show lindo, sabe, onde todo mundo canta à plenos pulmoes e bate palminha junto com o vocalista. Andamos de uma ponta a outra do teatro à base de chutes e empurroes. Levei um murro que ficarah gravado pra sempre em nossos coraçoes. E no meu estômago. Que Deus o tenha. 


Mas quando o sol raia, eu vou pro computador me dedicar à Historia (insira aqui barulho de fogos de artificio e algum hino bonito)!

Eu tou tensa e sensivel até a alma. Chorando por tudo e por nada, es-tres-sa-da, sonhando com a faculdade, com bicho papao, com o guri cagando minha roupa, com as apresentaçoes etc. Nice. Mas minha mae deve rezar com muito afinco, e Deus deve gostar muito dela, porque hoje... Hoje.

Hoje era aula de Historia Moderna. Hoje eu teria que me meter em um grupo qualquer pra fazer uma apresentaçao oral a ser marcada. Dai, lembrei de uma menina que senta sempre sozinha nessa aula e que parecia ser legal. Estrategicamente, cheguei mais cedo e sentei ao lado da cadeira onde ela costuma sentar. Mas quando a aula começou, ela ainda nao havia chegado. Fiquei decepcionada, porque as pessoas nao costumam se atrasar e achei que ela nao viria mais. Mas eis que ela chegou (apos meia hora). Fiquei feliz de vê-la entrar na sala, mas vi que ela foi rumando pra um outro lado. Aih ela parou, voltou e sentou-se ao meu lado. O plano estava dando certo. Soh faltava eu tomar coragem em pedir a mao dela em casamento pra fazer o trabalho com ela. Mas eu sou uma cagona e nao aproveitei o intervalo pra fazer isso, fiquei enrolando. Quando o intervalo acabou, ela se virou pra mim e disse "olha, tu tem grupo pra esse trabalho? Porque eu queria saber se posso fazer contigo". Hahahaha Minha gente, eu nao me contive, dei um sorrisao e até chamei palavrao. "Putain! Ouais! Bien sûr!" Acho que a menina pensou, Ok, minha filha, é soh um trabalho. 

Agora todas as apresentaçoes estao marcadas pra novembro. Algumas com apenas três dias de intervalo entre elas. Claro que ja comecei a estudar, mas algumas coisas me desanimam. Por exemplo, se me perguntassem qual o tema da aula do professor de hoje, eu nao saberia responder. Nao é o maximo? Passar quatro horas se concentrando numa aula que nao faz o menor sentido pra você? Eu adoro! O foda é que ja faz um mês que ele fala e eu nao entendo nada!

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Saudades das minhas leituras bloguisticas diarias, mas continuarei off por tempo indeterminado dos vossos blogs queridos, queridas. Preciso garantir que nao serei vaiada durante novembro. 

À Historia!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aaaaall byyy myseeelf...

Sei que ainda nao estou à vontade com a faculdade porque ainda tenho pesadelos super bizarros. Essa semana sonhei que era sequestrada e, no dia seguinte, sonhei que estava sendo possuida por um ser diabolico: eu gritava, mas a voz nao saia, tentava tocar Diana (que estava a dois centimetros de mim), mas o braço nao a alcançava. Meus sonhos sao assim, simpaticos. Nada de bruxa ou jacaré. 

De qualquer forma, estou um tequinho menos nervosa, mesmo se o numero de trabalhos pra expor oralmente esta aumentando. Esses trabalhos me tiram o sono por duas coisas: primeiro pelo obvio: eu sou uma pessoa nervosa por natureza. Na UFPB, eu ja tinha ataques de pânico a cada apresentaçao e, com certeza, nao sera diferente agora - ainda mais eu tendo que apresentar os conteudos em uma lingua que eu nao domino. O segundo problema dessas exposiçoes, é que elas sao feitas em dupla/grupo. E, oi, eu nao conheço ninguém. Dos quatro trabalhos que foram marcados até agora, eu estou sozinha em todos, porque ninguém abre espaço. Outro dia, a professora pediu à turma pra que alguém fizesse o trabalho comigo (que era em dupla) e ninguém se candidatou.

- Gente, ela nao pode fazer sozinha.
- ...
- Gente, ela é estrangeira, nao vai conseguir fazer tal e tal coisa*.
- ...
- Ninguém quer ajuda-la? 
...
- Entao, ta bom...

Juro. Ela pediu umas quatro vezes e nenhuma das quarenta pessoas quis fazer trabalho comigo. Olhe, eu tentei, mas nao consegui nao me sentir idiota diante daquele silêncio. 

Tem uma disciplina na segunda-feira que é ministrada por um professor muito chato, maluco, cheio de complexo. Um DOIDO (falo dele depois). Ele também passou um trabalho em grupo, mas dessa vez eu tava disposta a chegar em alguém e me meter no grupo dela: nao posso me fuder assim, esperar que alguém caia do céu. Dai, eu tinha percebido novas caras na aula e decidi arriscar achando que eram novatos tao perdidos quanto eu. Eu tava errada, mas aconteceu algo melhor:

- Sera que eu poderia fazer trabalho com vocês duas?
- Er... Claro!
- Desculpa me oferecer assim, mas eu nao conheço ninguém aqui.
- Sem problema, mas tu é de onde?
- Do Brasil.
- Ah, eu também!

Hihihi

- Ah, err... ah! Hum! Er... Ah, é?! De onde?
- Récifi. 

Acho que eu nunca me senti tao feliz ao ver um brasileiro na minha frente. Alias, uma brasileira. De cara, ela ja foi dizendo que eu deveria sentar com elas na aula (a outra é francesa). Ela contou que morava ha alguns anos na França, mas que ja havia voltado ao Brasil por causa de uma depressao gerada aqui. Disse que havia perdido dois anos na faculdade porque nao conseguia seguir o curso e que se sentia a "burrinha" da turma. Disse ainda que ja saiu duas vezes da sala pra chorar nos corredores. Senti uma mistura de pena, alivio e preocupaçao. De qualquer forma, ela foi bem legal, disse que eu poderia ligar pra ela quando tivesse precisando de algo. Infelizmente, soh estou duas horas com ela (das 16h semanais), mas duas horas ja aliviam. E muito!

Aproveito o post pra dizer que, infelizmente, vou ter que ficar um pouco distante do blog. Vou tentar postar e ler meus blogs queridos, mas os comentarios ficarao prejudicados, porque preciso de todo o tempo que puder pra deixar as leituras em dia. Nao tenho conseguido, entao... Paciência. Nao podemos ter tudo. 

*Aparentemente se tratava de algo cujo sistema eu nao conhecia. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Canil doce canil

1. Essa semana, um amigo de um roommate foi dormir no subsolo (onde dormem todas as visitas) e acordou com pulgas. Pulgas, minha gente! Eh inacreditavel, ainda mais pelo fato de que, até ontem, nao tinhamos cachorro. Mas enquanto escrevia esse paragrafo, lembrei que Diana, antes de ir embora pro México, fez uma viagem com seus pais pela Europa. Quando voltou, ela disse que pegou pulgas na Grécia na casa de um couchsurfer que tinha dois cachorros. Diana dormiu no subsolo durante alguns dias antes de partir. Voila! Mistério resolvido. Agora temos pulguinhas gregas no subsolo. 

2. Mainha sempre foi a responsavel pelo nosso corte de cabelo desde que éramos pequenos. Nada muito elaborado, mas era a unica pessoa que nao me fazia chorar quando colocava uma tesoura no meu cabelo. Hoje, longe dela, decidi com grande falta de juizo confiança em Camilo, passar a tesoura para ele me livrar das minhas pontas quadruplas. Um comentario dele define o resultado: "mas é claro que ficou torto: eu me baseei na parte da frente que, quando jogada pra tras..." Eu parei de escutar no "torto". 

3. Ontem, voltamos a ser dez moradores nessa casa: chegaram mais dois casais que nao conheciamos. Um deles tem o supracitado cachorro, coisa mais fofinha do mundo, sobretudo porque ele soh tem quatro meses de vida. Vocês nao imaginam o quanto eu tou feliz!  Esse ano foi o unico em que nao tive um cachorro. O nome dele é Sashak (ou é ela?). Vou abraça-lo e ama-lo e pegar muitas pulguinhas (gregas e francesas) com ele. Ou passar as minhas, o que vier primeiro.

4. Pra coordenar a comida pra essa legiao, temos uma folha com os dias da semana afixada no armario da cozinha onde cada pessoa se inscreve pra cozinhar - afinal, todo mundo quer comer, mas ninguém quer fazer a comida. Desde que moro aqui, tive estado à sombra de Camilo e Diana no preparo da comida, me limitando apenas a cortar e picar as verduras. Motivo: medo de decepcionar as pessoas com meu tempero. Afinal, eu nao sou bem como Camilo, que cozinha pas mal. Ele é uma mistura de MacGyver com Jesus Cristo: se você der meia beringela a ele e uma cebola, ele serve comida pra um batalhao. Mas desde que eu me lancei na cozinha (duas vezes), tenho recebido elogios (dois). E, como elogios sao bastante estimulantes, amanha vou fazer um strogonoff de carne que minha mae fazia. Flambado e tudo mais. Espero que saiamos ilesos dessa experiência. 

domingo, 3 de outubro de 2010

Musica francesa: Cat Empire



No verao do ano passado, conheci uma banda chamada Cat Empire: amor à primeira vista. A banda é da Australia e é uma mistura de jazz, funk, ska, rock e sons latinos - tudo que eu adoro! Escutei o album Cat Empire durante exatamente um ano, até a exaustao, e ele é a cara da minha chegada na França. Lembrei finalmente de vir aqui apresenta-los à banda porque Camilo comprou ingressos pra um show dela no proximo sabado e eu tou hiper feliz! Recomendo fortemente, sobretudo o primeiro link:

Cat Empire - Cat Empire - 2003
Cat Empire - Cinema - 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cabaret

Se ha uma coisa que nohs estrangeiros aqui na França adoramos fazer é buscar nosso titre de séjour na Prefeitura. Nossa, adoramos! Afinal, nada mais gostoso do que passar um dia inteiro numa fila cheia de gente tensa e mal humorada na esperança de obter um documento que pode simplesmente nao existir ainda. 

Meu tipo de visto é o Vie Privée et Familiale, o que significa, basicamente, que eu tou pegando um francês e que, por isso, eu tenho direito de morar na França. Entao, a cada ano, durante três, quatro ou cem anos (depende do bom humor do funcionario que analisa os papéis), eu tenho que ir na Prefeitura pra renovar meu titre. Mas como eu ja falei aqui, essa nao é uma tarefa facil. O governo francês faz de tudo pra você desistir de morar aqui. Quando nao te expulsam descaradamente (caso dos Roms), eles criam leis hipocritas pra dificultar a sua vida (caso da proibiçao das burcas). Como eu nao tenho origem cigana, nem uso véu, o governo tenta me vencer pelo cansaço. O titre me da direito a trabalhar aqui, e eu soh posso sair do pais por até três meses. Depois de cinco anos, recebo, teoricamente, um titre de validade de dez anos e posso dar entrada no processo de obtençao de cidadania.


A troca do titre é anual, mas isso nao significa que eu vou somente uma vez ao ano na Prefeitura. Você vai uma primeira vez, munida de todos os papéis que você conseguir carregar: certidao de casamento, de nascimento, conta conjunta, passaporte, foto 3x4, comprovante de residência, cartao telefônico, bilhete de cinema, papel higiênico cagado, tu-do. Aih, você acorda as 6h da manha, corre pra fila e encontra um acampamento montado na calçada da Prefeitura. Somente as 9h da manha as portas da Casa se abrem, mas isso nao quer dizer que você vai entrar. A policia fica por perto. La pro meio-dia, você bota os pés no prédio e recebe uma senha. Numero um bilhao. Você tem medo de olhar pra tela das senhas. Você hesita. Mas você olha. Numero 08.

Obvio que os assentos nao sao suficientes pra todos - se um dia eu tiver varizes, vou saber o motivo. Dai, quando a tarde ja vai alta e você começa a babar de cansaço, seu numero é chamado. No guichê, a moça te diz "desculpe, mas esse papel nao esta cagado o suficiente. Volte outro dia com a documentaçao completa". Derrotado, você volta pra casa, assim, de maos vazias, pra refazer todo o processo num outro dia.

Da penultima vez que fui à Prefeitura, eu estava com todos os documentos em maos. Camilo verificou tudo comigo. Estava tudo nos conformes. Acordei cedo, fui pra fila e, quando ja estava plantada la ha pelo menos uma hora, um policial avisa à mulher que estava na minha frente que ela nao poderia resolver nada pois seu marido nao estava com ela - meu caso. Como eu nao posso pedir pra que Camilo perca um dia de trabalho, ele costuma me encontrar quando ha somente dez pessoas na minha frente. Mas pra complicar, a Prefeitura inventou que o marido faz parte dos documentos e, se ele nao esta com você na fila (que é fechada com grades de ferro pela policia as 9h), você nao pode renovar o titulo -  mesmo que ele chegue as 9:05h e você esteja la ainda, do lado de fora da prefeitura, NA FILA, com TODOS os documentos na maos.

Nesse dia, liguei pra Camilo desesperada, ele chegou 20min depois. Quando o policial deu as costas, ele pulou a grade e fingiu que estava comigo desde o começo. O curioso é que o policial deu uma dica a mulher de como o marido dela poderia entrar na fila sem ser notado (se passando por alguém que ia resolver outro assunto, mas a idéia nao funcionou). Nesse dia, entramos no prédio as 12h. E saimos as 16h. Isso tudo somente pra pegar o récépissé, o papel que substitui provisoriamente o titre.

(três meses depois)

Fui pegar meu titre hoje e, depois de passar somente duas horas na fila, a moça me disse que ele nao estava pronto, que eu devo voltar dentro de dez dias. Acho digno.

- Você pode vir busca-lo em dez dias?
- Na verdade, eu trabalho e estudo todo dia.
- Ah, mas você nao tem escolha.
- Ah, desculpa, mas quando você me perguntou parecia que eu tinha.

Adoro essas questoes, sabe. Quanto custam as vacas? Depende. Depende do que? A vaca preta vale cem. E a branca? Também.

- Ok, volto aqui dia 10.

Nesse dia em que passei nove horas na fila, a policia expulsou uma japonesa que ficou histérica depois de receber um nao. Ela começou a gritar em inglês explicando a situaçao dela. O policial chegou, pegou ela pelo braço e disse "se todo mundo aqui começar a gritar assim, isso aqui vai se tornar uma 'feira'" (foi assim que eu aprendi o que era foiré). Também expulsaram um cara. Mas Sarkozy vai ter que se esforçar mais pra me fazer ficar histérica. E eu sei que ele vai.

Talvez

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