segunda-feira, 14 de março de 2011

Ao mestre com carinho

Professor piscante: bom sinal

Como eu disse aqui, hoje eu deveria apresentar um seminario sobre o Abbé Pierre. Na verdade, nao era bem sobre o cara, mas isso nao importa. O que também nao importa é que, como a sala é numerosa e nem todas as pessoas podem apresentar os seminarios, a professora divide os temas entre dois ou três alunos e, no dia da apresentaçao, ela faz um sorteio pra escolher quem deve apresentar. Aqueles que nao foram escolhidos pra fazer a apresentaçao devem entregar um trabalho escrito sobre o tema. Dessa forma, todo mundo se prepara pra o seminario. 

A professora dessa disciplina tem a fama de ser muito exigente. Exigente = grossa. Entao, eu que ja sou medrosa sem motivo, cheguei hoje na aula rezando forte pra nao ser a escolhida. A reza deu resultado. No meu lugar, uma coitada foi à frente da turma falar sobre Abbé Pierre e cia. No final da apresentaçao, a professora respirou fundo e começou:

"Vocês precisam deixar de lado essa mania de falar no futuro. Vocês sao historiadores, nao jornalistas. Como assim 'Abbé Pierre farah isso, farah aquilo'? Ele 'fez' isso, ele 'fez' aquilo. (...) Você fala demais 'personne'. E sua problematica? Nao tem nada a ver com uma problematica! (...)  Sua introduçao esta completamente confusa, você se perdeu entre dados e numeros. E sua conclusao nao corresponde ao que você disse durante o seminario"

Ela criticou ainda a menina por ela nao ter visto um filme que fala sobre o Abbé Pierre, disse que ela nao tinha se "doado pro trabalho". E ainda reclamou pelo fato da menina ter esquecido certas datas. Minha gente, vinte minutos seguidos de critica. Quando olhei pra menina, ela tava com cara de choro. Eu quase levantei da cadeira pra ir dar um abraço nela. Soh digo uma: me livrei de ter pago um micao chorando na frente de todo mundo. Foi duro. Inclusive, ela havia comentado comigo que mandou um email pra professora pedindo algumas dicas de livros pra fazer o trabalho e a resposta da professora foi simplesmente: "você nao tem capacidade de fazer uma pesquisa bibliografica?"

Meda.

Pra minha paz, essa nao é a unica professora que da coice. Mas da outra professora eu nao reclamo, porque a disciplina dela é feminismo puro, do começo ao fim, é lindo! Mas eu nao ouso abrir minha boca. Ela vive cortando os alunos, mas de uma forma grosseira mesmo. 

Outro dia, um desavisado foi inventar de dizer o que ele pensava sobre determinado assunto que estava sendo discutido. Infelizmente, a opiniao dele nao correspondia à opiniao da professora. Entao, ela olhou pra cara dele e disse:

- E o que você sabe sobre isso?!
- Eu nao sei, eu soh acho que...
- "Acha"? Acha o que? O que você sabe sobre isso?!
- O_o
- Você por acaso leu sobre isso?
- Nao... eu...
- Entao! 

Cri cri cri. 

O mesmo aluno, antes disso, tava comendo um sanduiche dentro da sala e ela disse "quando você vai terminar seu pic nic?". 

Uma aluna tava guardando o material dela quando a professora parou a aula e disse "mademoiselle, a aula ainda nao acabou, tenha respeito". E eu, louca, quando ainda nao havia testemunhado nada disso, fui perguntar a ela se eu poderia entregar um trabalho escrito no lugar de apresenta-lo como seminario.

- ...porque eu sou estrangeira, mimimi.
- E dai? Você pode fazê-lo mesmo assim! 
- Mimimi?
- Ok.

Eu devo ter feito cocô na calcinha depois que dei as costas a ela. Tenso! A de hoje foi ela escrachando os estrangeiros que entregam trabalhos com erro de ortografia. "Vocês tem o corretor! Coloquem no corretor!" Ela te corta se você fala, se você nao fala, se você come, se você respira, se você. 

Entao, é com muito orgulho que eu anuncio que eu ganhei uma piscadinha dela! Hihi Ela tinha falado de um mestrado lindo que eu queria muito fazer ano passado sobre trabalho e gênero, mas por haver a necessidade de um intercâmbio, eu desisti da idéia (desisti da idéia = nao passei :D). Mas o mestrado vai abrir na Lyon II e nao serao somente cinco vagas. Entao, achando que eu tinha alguma chance, fui falar com ela durante o intervalo da aula. Falamos durante uns dez minutos. Ela explicou o que eu precisava fazer. 

Quando voltamos à aula, uma menina começou a apresentaçao de um seminario sobre a Barbie (pois é...) e comentou que algumas até falavam. "Tem uma Barbie que diz que blablabli e isso deixou algumas feministas furiosas". Como eu nao entendi a frase, me virei pra Lucie e perguntei baixinho o que ela havia dito. A professora percebeu, levantou da cadeira e foi ao quadro escrever pra mim o que ela tinha dito: "a matematica é muito dificil". Quando eu li o que ela escreveu, olhei pra ela e ela deu um sorriso e uma piscadinha pra mim. Um SORRISO e uma PISCADINHA. Foi muita emoçao, meu povo. Pensando agora, acho que ela ta afim de mim. No final, os professores so querem que a gente mostre esforço e interesse pelo curso - e que a gente nao coma, nao fale e nao respire. 


quinta-feira, 10 de março de 2011

Emmaüs

Abbé Pierre nos anos 50 e muita atitude. Yo!
A Drixz do Café Velho acabou de se mudar pra Suécia e, tao logo chegou ao pais, partiu em busca dos utensilios domésticos - nao subestimemos a importância de um copo. Como ela também procurou lojas que vendem objetos de segunda mao, dei a sugestao do Emmaüs e agora vim aqui falar sobre ele, porque se trata de um projeto muito legal e muito conhecido na França.  

Emmaüs é uma instituiçao filantropica fundada por um sacerdote de Lyon, Abbé Pierre, ainda nos anos 50, que se espalhou pelo mundo todo, existindo hoje em quase 40 paises. O projeto atua em diversos campos: ajuda pessoas sem alojamento (o principal objetivo), os imigrantes, os famintos, os desempregados etc. Eh lindo, mas o que me interessa mesmo sao as lojas Emmaüs que vendem objetos e moveis de segunda mao. 

Irmaozinho, eu ainda estou no sol
Tem de tudo, minha gente, de abajur do século passado à geladeira. Eles vendem roupa, talher, bengala, sapato, novelo de la, muleta, livro e tudo o mais que possa ser vendido/doado. Apesar de se tratar de objetos usados, eles prezam por uma certa qualidade dos objetos à venda, claro, e os preços sao ridiculamente pequenos. Comprei uma carteira que eu amo pela bagatela de 50 centavos. Camilo, no ultimo final de semana, comprou uma mesa pro futuro escritorio dele por 25 euros e ela ta em excelente estado! E alias, varios moveis e objetos da nossa casa vieram do Emmaüs e vao voltar pra la quando nao precisarmos mais deles. 

Nao sei se essas lojas existem no Brasil porque, na minha opiniao, o funcionamento delas exige uma cultura bem particular e uma economia especifica. No Brasil, a gente nao tem o habito de se desfazer das coisas que estao velhas ou quebradas (muito menos das coisas que estao em bom estado, mas que nao utilizamos mais). A gente ou conserta, ou vende, ou da pros parentes/amigos, mas jogar fora? Jamais. Os franceses (e acho que muitos outros europeus) costumam jogar as coisas quebradas fora, ja que o conserto custa os olhos da cara aqui. E nao é raro ver objetos em otimo estado nas calçadas daqui (que ou vao pro lixo ou sao recuperados por alguém menos exigente). 

Uma vez, indo pro trabalho, vi um amontoado de roupas jogadas na calçada com um papel em cima onde se lia "sirvam-se". Horas depois, quando passei de volta, nao havia uma meia pra contar historia. Na minha familia nao existe essa de se desfazer das roupas: se nao cabe em mim, vai pra caçula ou pra prima. Nem sei como se dah o fim de uma roupa na nossa casa. Acho que a gente usa até ela se desfarelar no corpo.

O dinheiro das vendas desses objetos vai pra Associaçao, mas acho que a maioria das pessoas que vao ao Emmaüs ja nem se lembram do lado caritativo dela. Parece que o Emmaüs aqui na França é mais importante como regulador dessa cultura do desperdício que outra coisa. Mas isso é soh um pitaco. 

Das coisas que nao nos interessam: (1) Emmaüs é o nome da cidade em que Cristo apareceu depois de ressuscitar. (2) Vou apresentar na segunda-feira um seminario sobre o assunto. Oremos. (3) Eu tenho dificuldade pra escrever "ressuscitar" (é uma palavra que eu soh utilizo quando vou falar de Jesus. Aih ja viu, né...) 

Comentario mais ou menos (nada) a ver com a historia: a familia de Camilo passou essa semana em Lyon. A mae dele resolveu me ensinar a tricotar. Foi no Emmaüs, comprou agulha e linha de tricô e, mais cheia de boa vontade que Abbé Pierre, me ensinou uns pontos. Minha gente, que troço dificil é aquele? Pensei em estimular o cérebro dos meus filhos, aqueles que eu nao terei, colocando-os em aulas de xadrez ou bateria, mas agora eu vou coloca-los pra tricotar! Uma sessao de tricô e seu QI sobe uns cinco pontos. Nao o meu, claro, que pelo visto nem devo ter, porque ainda nao consegui fazer nada que prestasse. O que era pra ser um cachecol ta parecendo um ninho de passarinho. No pior dos casos, usarei como chapeu. Ou doarei pro Emmaüs. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

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Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



segunda-feira, 7 de março de 2011

Crazy Creuza


Oi, eu sou uma farsa!


Lembram quando escrevi esse post falando sobre o quanto o guri tava mimado e dificil? Ok, vocês nao lembram. Mas eu escrevi. Pois bem, o guri mudou. Mudou e virou a coisinha mais fofa!, comportada! e inteligente! desse mundo. Ele ja começa a falar e entende tudo o que dizemos a ele (seja em português, seja em francês). Ele vai fazer dois anos e ja caga no sanitario, minha gente. Eh mesmo um prodigio. E ha tempos ja come de garfo! Claro que eu sempre fico esperando que um dia eu o encontre com o garfo enfiado no olho, mas se a mae libera, nao sou eu que vou castrar o garoto. Tou super orgulhosa e curiosa com o desenvolvimento dele. O trabalho de babah acabou se tornando a melhor atividade da semana. Mas...

Mas.

Um professor anunciou, no começo do semestre, que os horarios da sua aula estavam errados e que passariam a ser na sexta-feira, o unico dia que eu tinha pra trabalhar. Ou seja, além de nao poder mais acompanhar o pequeno, eu fiquei desempregada. A rua da amargura me espera. E, como gostamos de situaçoes extremas, Camilo se demitiu também e daqui a alguns dias seremos um casal de desempregados. Nosso objetivo agora é mostrar ao mundo que um casal pode sim viver de amor. Vamos comer carinho no café da manha e amor no almoço. As cinco da tarde faremos um lanchinho de afeto e, à noite, comeremos ternura. Dinheiro pra que, nao é mesmo?

Mas antes do trabalho acabar, a mae do guri perguntou se eu poderia trabalhar como babysitter durante três segundas-feiras seguidas. Eu topei, apesar de ter durante a segunda  dez horas de aula seguidas (com apenas um intervalo de 15min a cada 1:45h de aula). Mas eu precisava de dinheiro e so tomaria conta do guri, a irma dele (de cinco meses) ficaria na casa de uma vizinha (porque eu nunca tomei conta de um bebê tao novinho antes). Soh que, no terceiro e ultimo dia de babysitter, a mae perguntou se eu me garantiria de tomar conta da bebê também. Eu disse que sim, mas somente porque, nessa noite, Camilo iria comigo pra conhecer os pais do guri e me fazer companhia (ja que eu trabalharia até meia-noite).

Tudo certo. 

A mae começa a dar as instruçoes e a explicar os habitos da guria. "Ela nao gosta de ficar no berço e provavelmente soh vai dormir nos seus braços. As vezes, quando a gente tenta coloca-la no berço, quando ela começa a dormir, ela acorda. E acorda cheia de energia". Em outras palavras: você vai segurar sete quilos das 20h à meia-noite, beijos. 

Posso adiantar logo? Foi a pior noite de trabalho da minha vida. Aquele bebê nao é de Deus, minha gente. Assim que a mae saiu, ela começou a chorar e nao-parou-mais. Eu e Camilo colocamos um desenho infantil, esperando que ela se distraisse e deu certo! Deu certo durante sete segundos e meio. Depois de meia hora chorando, ela começou a mastigar um brinquedo e se acalmou durante incriveis 20min. Mas o brinquedo deixou de exercer seu efeito magico sobre ela e o choro voltou. 

Como ela estava sempre nos meus braços, o choro era beeem dentro do meu ouvido. Eu fiz de tudo: falei, sorri, a sacudi, a coloquei no berço, mostrei a ela todos os brinquedos da casa, dancei mas... nada. Nada acalmava aquela menina. Era aquele choro constante e agudo. As 22:30h, quando a mae disse que, provavelmente, ela dormiria, eu a coloquei no berço. Minha nossa senhora. Essa menina começou a chorar de um jeito que... Olha, nem sei explicar. Ela gritou e chorou ainda mais. As veias do pescoço dela saltaram e ela ficou roxa. Os olhos, esbugalhados. Achei que os pulmoes dela fossem voar pela boca. Temendo que ela explodisse, peguei ela de volta, mas ela continuou a chorar. Corri pra Camilo e entreguei o pacote, porque tendências homicidas começaram a nascer em meu ser. 

Luci
As 23h, Camilo começou a assoviar e a dar tapinhas nas costas dela pra que ela arrotasse. A menina parecia um pedreiro arrotando. De repente, ela começou a se calar e eu comecei uma oraçao. Quando Camilo ja nao sentia mais os proprios braços, ela começou a dormir. Eu sentei no sofa completamente perturbada, ainda escutando o choro da menina. Trinta minutos depois, os pais chegaram e ela... acordou. Acordou sorrindo! E eu la, dura. 

A mae perguntou se ela tinha chorado muito e eu narrei a noite (deixando de lado a parte em que eu quis matar a filha dela). Ela pediu desculpa e explicou que Creuza tah acostumada com a mae e que costuma estranhar as pessoas que ela nao conhece. Depois, ela disse que, agora que Creuza me conhecia, seria mais facil nas proximas vezes. Minha senhora, agora que eu conheço a sua filha, nao havera mais proxima vez. Mentira, eu sorri nervoso. 

Depois ela disse "espero que vocês nao estejam traumatizados e ainda pensem em ter filhos he-he-he". Querida, no primeiro ataque de choro dela, eu tentei arrancar meu utero com as unhas! Sério, imaginem isso todo-santo-dia. Deus me livre! A menos que eu tenha certeza de que meu filho sera um bebê Anne Gueddes, nao parirei. E eu bato na primeira que deixar comentario dizendo que eu soh tive uma experiência ruim e que bebês sao fofos! 


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Felicidade de dois segundos

Ao contrario do semestre anterior, coloquei a metade dos meus seminarios nas primeiras semanas de aula (isso também explica meu sumiço dos meios sociais virtuais). Essa semana, pedi pra Camilo corrigir o texto de um dos seminarios.

- Essa frase aqui ta muito bem construida! Foi tu quem fez?
(Eu, que duvido das minhas habilidades na escrita): 
- Nao sei, acho que nao...
- Nao, foi tu mesma! Da pra ver pelos erros de gramatica...

:(


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

#200

Post super rapido soh pra levar pra longe as lamentaçoes do post passado. Xô! E pra agradecer os comentarios de apoio. Tao lindos! Eu sempre fico emocionada com vocês, minha gente, sempre. Obrigada, de verdade.

Dentro das preocupaçoes, a universidade trouxe uma coisa boa: uma academia. Fiquei sabendo que havia um ginasio e que eu poderia me inscrever por miseros dez euros. Trarei mais informaçoes sobre esse evento fabuloso quando o ânimo chegar. 

Ah, chegamos aos 200 posts. Obrigada pela companhia!



Xau

As notas da faculdade sairam. Das cinco disciplinas que fiz, passei somente em três e com notas deprimentes. Como ja tava esperando ter ficado em recuperaçao nas outras duas, o golpe nao foi tao duro. Até que... até que vi um pequeno detalhe na lista das notas: uma sexta disciplina na qual eu nao sabia estar inscrita. Ou seja, eu, que nunca faltei uma aula, que sequer chego atrasada, perdi toda uma disciplina por nao saber que estava matriculada nela. Olha, é preciso ter muito talento pra conseguir isso. Isso foi o que eu precisava pra dar inicio a uma sessao de choro e auto-flagelaçao. Tou completamente desmotivada aqui, mergulhada num sentimento de fracasso nojento. Como posso pensar num mestrado se eu nao consigo nem mesmo fazer uma dissertaçao? 

Bom, as aulas começaram segunda e ja tenho a data de pelo menos três seminarios. Acho que ter ficado em recuperaçao nessas disciplinas me fez ver que meu desespero e todo o sofrimento que passei no semestre passado foram de graça. Agora o mote vai ser o "foda-se". Se chorar me fizesse tirar boas notas, eu seria doutora. Vou levar como eu posso esse semestre e deixar de visualizar o diploma pra ver se me livro dessa pressao. Ainda bem que nao sou chinesa. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Musica francesa: Mr. Roux




Mr. Roux é uma banda de chanson française da cidade de Rennes, norte da França. Otima dica pra quem esta aprendendo francês. As letras sao legais. Algumas sao cheias de sarcasmo e fazem pequenas criticas sobre alguns elementos da sociedade francesa. Mas nao é isso que me faz gostar da banda (até porque, pra mim, arte nao precisa ser engajada). Foi Camilo quem me apresentou à banda, em 2007, quando ele apareceu pelo Brasil. Por isso, esse album me traz otimas lembranças, me leva à época da inocência, quando a nossa maior preocupaçao era a escolha do bar de sabado à noite. Tempos dificeis. 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Maracugina


Fiapo no dente! Aaahhh!


Nao é preciso me conhecer muito bem pra saber que eu sou uma mulher bruta. Ja sofri e fiz sofrer muita gente por causa disso. Ultimamente, tou mais calminha (essa frase deve ter feito Camilo rir). Seja como for, a cavala que habita em mim é um verdadeiro ursinho de pelucia perto do meu roommate. 

Antes dele morar aqui em casa, perguntei a duas pessoas que o conheciam bem se ele era legal. O dialogo foi o mesmo com as duas:

- Ah, ele é otimo! Eh engraçado, é atencioso...
- Otimo, porque ele vai morar com a gente.
- Morar?! Ah, nao, pra morar nao!

Nao era o que eu queria ouvir. Também nao demorou muito tempo pra eu descobrir o porquê disso. O cara é um pouco esquentado. Uma vez, conversando com sua mae ao celular, uma chinesa, ele ficou muito puto e chutou um negocio de ferro que fez o pé dele abrir e dar um banho de sangue na casa. Na ocasiao, ele também quebrou o celular no chao. 

Outra vez, ele foi acordado por um pessoal que estava conversando perto da janela do quarto dele. Como resolver essa situaçao?

Pessoa normal: "por favor, vocês poderiam conversar em outro lugar, porque eu estou tentando dormir. Obrigado".

Ele: foi no quintal, mandou todo mundo tomar no cu, estirou dedo, depois quebrou uma cadeira e uma xicara. Outro dia, sei la pelo quê, quebrou uma mesa. O bom é que geralmente eu fico sozinha com ele em casa, entao, quando eu começo a me apavorar com as pancadas que ele faz enquanto destroi a casa, eu me lembro que pode ser ele nas suas atividades e deixo pra la. Até porque, ja falei do detalhe que ele é faixa preta no Kung Fu? Pois bem, ele é. 

So que essa semana, Pai Mei passou um pouquinho dos limites. Camilo, feliz e contente, mandou um email pra todos os seus contatos convidando o pessoal pra sua festa de aniversario. A gente sabe como é dificil manter controlado os convidados bêbados, principalmente aqueles que nao conhecem o dono da festa e usam o momento pra fazer merda (na ultima festa que houve aqui em casa, mijaram num colchao que fica no subsolo). Entao, Camilo, inocentemente, disse ao final do email que nohs tinhamos um chinês que fazia Kung Fu e que nao ia tolerar as pessoas que viessem quebrar a casa. 

Pra que?

Eu, que no momento em que lia o email, estava em casa, comecei a ouvir umas pancadas fortes vindo do quarto dele, algo como batidas de porta, mas de maneira muito mais alta e intensa. Fiquei apavorada, apesar de saber do que se tratava (e talvez por isso). Finalmente, um outro morador da casa chegou e perguntou a Pai Mei o que porra ele tava fazendo. Nao escutei a explicaçao, mas quando chegou à noite, entendi o motivo: encontrei Camilo num restaurante e ele disse que o estressado havia respondido ao email quatro vezes. As mensagens sao bem carinhosas: ele manda Camilo tomar no cu, diz que vai bater nos amigos dele, que vai bater em Camilo, inclusive, que vai matar Camilo e que vai fazer realmente isso pra Camilo ver que ele nao ta brincando. Dai vocês me perguntam: por qual motivo ele vai fazer isso? E quem sabe! Eu fiquei tao assustada que disse que Camilo nao ia ficar sozinho com ele quando voltasse pra casa pra conversar com ele.

No final das contas, aconteceu o que a gente sabia que aconteceria: ainda por telefone, ele pediu desculpas a Camilo e depois teve uma conversa muito sincera sobre o quanto ele estava errado e sobre o quanto ele deveria mudar. Nohs, os estressados, violentos, temos consciência absoluta da nossa ignorância e do quanto isso afeta nossos relacionamentos. E o pior: justamente aqueles que sao os mais proximos e, consequentemente, os mais queridos. Eh uma maldiçao. Mas tudo acabou bem e Pai Mei ta pensando em deixar a casa em fevereiro.

PS. nao estranhem se eu deletar esse post dentro dos proximos dias. Seguro de vida: nao temos. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte II

Luci vai ao parque

Nunca fui alguém que se preocupa com o peso. Achei que fosse porque eu seria uma pessoa livre, que nao liga pra aparência e esses padroes de beleza impostos pela nossa feliz sociedade. Mas nao, eu nao era uma pessoa despreocupada, eu era uma pessoa magra. Como isso mudou, senti que eu deveria mudar de habito e começar a praticar algum exercicio. Pensei que, ainda que eu nao conseguisse emagrecer ou que nao tivesse disciplina pra me exercitar todos os dias, mal nao me faria correr no parque. Pois eu pensei errado. 

Da escalada eu ja me livrei ha muito tempo, afinal, nao faz sentido praticar um exercicio a dez metros do chao quando você tem medo de altura. Além disso, escalada é um esporte caro e a realidade é que eu sou pobre. 

vejam que absurdo essa
mulher correndo
Correr ao ar livre nao foi uma decisao facil, afinal, meus amigos, la fora beira os 2° graus. Mas o pior mesmo da corrida é que você tem que... correr. Eh uma pratica terrivel! Mas la fui eu: me vesti pra ocasiao, caminhei até o parque e passei os 30min seguintes imaginando sob o pé de qual arvore eu seria estuprada, porque, né, nesse frio miseravel, as unicas criaturas que estao no parque sao os esquilos e eu, e eu nao acredito que algum esquilo me ajudaria caso eu fosse abordada por alguém. 

Corri bravamente no primeiro dia. Cheguei em casa me sentindo a saudavel. No dia seguinte, senti mais que isso: senti uma dor malandra em todos os musculos que se encontravam da cintura pra baixo, mas fui correr. Cheguei em casa tao exausta que eu nao sabia se me sentava ou se me jogava logo no chao. No terceiro dia, contrariando todas as probabilidades que de que eu continuaria com o martirio, fui correr. Acho que eu tava sob efeito de algum desequilibrio quimico provocado pelo exercicio, algo com o qual meu corpo nao estava acostumado, porque a cada passada, eu sofria mais, mas continuava. Comecei a pedir ao arcanjo que cuida dos esportistas que me desse forças pra pelo menos chegar em casa com meus proprios pés. Descobri que, pra fazer exercicio, nao basta estar gorda, ser pobre e nao ter noçao: é preciso ter coragem. E adivinha quem nao tem.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diario de férias - parte I


...mas podem me chamar de Rai 

Sim, férias! Mas nao férias safadas como as de dezembro, em que eu tive que estudar pras provas de janeiro. Nao, sao férias sinceras: o semestre finalmente acabou. Mas os ultimos momentos, claro, foram tensos, senao a vida fica sem graça. 

Eu tinha duas provas escritas pras disciplinas de Historia da Africa e Historia Antiga. O conteudo de Africa era uma abordagem politica e social de alguns paises do continente africano colonizados pela Europa, até os dias atuais. O professor de Africa nao é nada exigente. 

- Professor, eu sou obrigada a apresentar o trabalho?
- Que nada! Você é estrangeira, pode entregar por escrito.
- :D

Claro que eu poderia dizer "o senhor por acaso esta sugerindo que eu, na condiçao de estrangeira, nao tenho capacidade de seguir o curso tal qual o faz um aluno francês? Pois saiba o senhor que eu..."

Que eu vou entregar o trabalho por escrito. Obrigada.

Escolhi Moçambique como tema. Semanas depois, antes de entregar o trabalho ao professor, mostrei à minha nova coleguinha francesa (eu tenho uma coleguinha francesa, iupi!) meu trabalho e ela perguntou, "Luciana, tu nao ia fazer sobre Moçambique? Por que fizesse sobre Madagascar?" 

Taih uma pergunta pertinente.

Sei la. Porque era tudo com "M"? Porque eles estao proximos? Ok, nao foi por isso. Acho que eu tou sofrendo algum tipo de demência leve nesses ultimos tempos.  Peguei um livro na estante pra ler no metrô. Quando cheguei nele, percebi, ao abrir o livro, que eu ja o tinha lido. Derrotada, guardei o livro na bolsa e continuei o trajeto. Desci do metrô, olhei em volta e me perguntei pra onde eu estava indo: tinha que ir pra universidade e fui pro trabalho! Era o dia da prova de Antiga. Sai bem cedo de casa pra nao chegar atrasada e me atrasei 15min. Dois dias antes, peguei o metrô, fui pra direçao certa e ia esquecendo de descer na estaçao. Quando as portas estavam dando o sinal sonoro de que se fechariam, eu dei um salto sobre a cabeça das pessoas e consegui descer. Abestalhamento: trabalhamos. 

Finalmente, nao sei nada sobre a colonizaçao de Moçambique, mas imagino que teria sido mais interessante que a de Madagascar. Moramos com um malgaxe que se chama Toky Rakotomalala, mas respirei fundo quando me deparei com nomes como o do Primeiro Ministro da Ilha: Rainivoninahitriniony. E o que dizer de Andrianampoinimerina? Como eu disse no twitter, fico imaginando o apelido carinhoso desse povo. "Andrianampoinimerinazinho, venha comer, meu filho!" A namorada dele precisava de uma sequoia e 45min pra talhar o nome dos dois.


Enfim, divago. O importante é que decorar nomes nao esta entre minhas habilidades (que sao respirar e dormir), entao, num voo até meus tempos de escola, peguei meu dicionario francês-português e sai escrevendo nas paginas todos os nomes, conceitos e datas que eu poderia precisar na hora do exame (Professor, se o senhor estiver lendo isso, por favor, nao me reprove, eu sou estrangeira). 

Como o sistema deu certo (ninguém me pegou em flagrante), repeti a dose na prova de Antiga. Mas essa mereceu. Essa professora tocou o terror na minha vida nesses ultimos quatro meses. O conteudo da disciplina trata do Alto Império Romano (no Oriente, de - 31 até 235). Entao, ela passou meses falando do que aconteceu em cada provincia romana nesse periodo, sob o governo de cada imperador, deu o dia, mês e ano dos acontecimentos, a arvore genealogica das personagens envolvidas e... Meu deus. 

"Em 22, em 17 e em 13: grande revolta dos Besses sob direçao do seu rei Vologese. Os Besses vao tirar  Rhoimetalkes I do poder e fazer sumir o filho de Cotys V, Rhescuporis II. Os romanos intervem durante três anos e, em 11, ha a pacificaçao da Tracia. Rhoimetalkes I é nomeado rei de toda a Tracia". 

"No Egito, sob reino de Tibério: ha somente duas legioes estacionadas em Nicopolis. Sob o reino de Trajano: uma terceira legiao é adicionada: a II Traiana. Entre 106 e 123, a III Cyrenaique é enviada à Bostra e em 135, a XXIII Deitoriana é desfeita, ficando somente uma legiao no Egito, a II Traiana". 

Agora vocês entendem porque eu chorava tanto? Esses sao dois pequenos exemplos que eu peguei ao acaso nos resumos, mas eu tive que estudar quarenta paginas disso. Quarenta paginas falando do que fez cada imperador, de quem atacou quem, em tal ano, quem morreu, quem se matou, quem deu tal ordem, bla bla bla. Perguntei desesperada à brasileira se a professora exigia esses detalhes na prova e ela disse que sim. Fiz quase 30 paginas de resumo desenhando mapas, fazendo os caminhos das legioes com setinhas, usando canetinhas coloridas e letras diferentes que pudessem me fazer rememorar meus resumos pra que, no final das contas, a professora desse como tema "as elites municipais nas provincias romanas". Fiz a prova com ajuda do meu super dicionario, mas nao tenho a minima idéia de como me sai, afinal, eu sabia falar sobre o papel das elites municipais, mas nao sei se o fiz em forma de dissertaçao. E aqui nao adianta saber do conteudo, tem que saber a forma e, essa aih, eu nao sei. Oremos. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Introduçao



Diante dos inumeros pedidos (um) pra que eu atualizasse o blog, começo o primeiro post oficial do ano de 2011 com grande empolgaçao. Depois de duas semanas, ainda vale falar do Reveillon? 

Vale.

Gente, meu Reveillon foi lindo. Simplesmente recebi as visitas ilustres de Amanda e Aline e passamos uma romântica noite falando besteira e bebendo cerveja. Quem teve o privilégio de passar as festas de fim de ano com os amigos e familiares, nao vai entender o quanto foi importante pra mim estar finalmente com gente "minha". Amanda e eu começamos a conversar quando a recebemos (junto a seu cheri) na estaçao de Lyon até o momento em que nos despedimos (nao parei de falar nem enquanto dormia: meses sem amigos dao nisso). 

A gente foi dar uma voltinha por Lyon e Amanda e Aurelian começaram um joguinho cujo objetivo parecia ser pisar no maior numero de cocôs possiveis. Esqueci de avisa-los que aqui tem que ser ninja pra nao derrapar nos toletinhos que enfeitam as ruas lionesas. O casal levou pra casa um quilo de cocô na sola das botas (tendo Amanda ganho o jogo depois de quase pisar na segunda merda tentando limpar a primeira). Parabéns! Aline nos deu uma avacalhada linda caixa de chocolate Lindt de um quilo. Obrigada, minhas lombrigas apreciaram muito o gesto. 

Mas nao era exatamente sobre a festa do Reveillon que eu gostaria de falar. Eh sobre gente. De volta à Paris, Amanda me mandou um email muito massa falando que se sentiu muito bem aqui em casa, à vontade e que gargalhou às alturas. Me digam: nao é lindo isso? Fiquei, além de muito lisonjeada, claro, feliz de encontrar pessoas por essas bandas que pensam da forma que eu penso, que sabem viver (de acordo com a definiçao que eu tenho do que seja "vida", é claro). 

Conheci as meninas em 2009 e era mais do que esperado que as coisas rumassem pra uma amizade. E, em 2010, sai conhecendo um outro monte de gente interessante, que talvez eu nunca va conhecer pessoalmente, mas que eu adoro e que me faz muito bem (Xara, Gloria e Rita, soh pra ficar na introduçao). Dai vi que eu precisava, além de investir nessas pessoas, cortar o mal estar que outras me proporcionavam. As férias de Barcelona e uma internet limitada, fizeram com que eu deixasse de visitar alguns sites que, olha, nao fizeram falta. Quando voltei a Lyon, sai evitando, bloqueando, deletando e dando unfollow em tudo e todos que nao me traziam nada de positivo e... que idéia brilhante! Entao, minhas resoluçoes pra 2011 nao tem nada a ver com trocar de emprego ou emagrecer (apesar de...). Vou investir em gente boa e dar um conselho: façam o mesmo. 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Feeling Good

Nao encontrei melhor maneira de expressar a felicidade das minhas primeiras horas de 2011. Deixo que fale quem soube: 

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean

And this old world is a new world
And a bold world
For me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel



Pássaros voando alto, você sabe como me sinto
Sol no céu,você sabe como me sinto
Briza passando,você sabe como me sinto

É um novo amanhecer
É um novo dia
É uma nova vida
Pra mim
E estou me sentindo bem

Peixe no mar, você sabe como me sinto
Rio correndo livre, você sabe como me sinto
Florescer na árvore,você sabe como me sinto

Libélula ao Sol,você sabe o que eu quero dizer, não sabe?
Borboletas se divertindo, você sabe o que eu quero dizer
Adormecer em paz ao fim do dia
Isso que eu quero dizer!

E este velho mundo é um novo mundo
E um corajoso mundo
Pra mim

Estrelas quando brilham, você sabe como me sinto
Aroma do pinheiro, você sabe como me sinto
Oh a liberdade é minha
E eu sei como me sinto

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Barcelona: uma bagunça organizada

No ultimo dia 22, fomos à Barcelona pra uma pequena semana de férias e, olha... eu moraria tranquilamente naquela cidade. Espetaculo! Sabe quando tudo agrada? Cidade limpa, quente, mercados a cada dois metros, comida boa, gente louca, bares aos montes, prédios bem conservados, lojas variadas etc etc. Por isso fico com a descriçao de Camilo sobre a cidade: uma bagunça organizada. 

De cara, coisas que me impressionaram: a semelhança do humor do povo catalao ao francês. Assim que saimos do aeroporto, pegamos um ônibus pra chegar à cidade. Por algum motivo desconhecido, a porta do ônibus estava sendo impedida de fechar. A culpa foi logo direcionada a Camilo que estava perto da porta. Um cara, de forma nada gentil, mandou ele mudar de lugar. Na mesma hora, o motorista se levanta, aponta pra um outro cara no fundo do ônibus e grita com ele pelo mesmo motivo e depois retoma a viagem. Tenso. Camilo, que morou um ano em Barcelona, disse que aquilo era normal, que o povo era meio impaciente. Mas depois da França, meu conceito de "mal humor" mudou bastante. Eh preciso fazer mais do que gritar pra que eu me espante. 

Outra coisa que me chamou a atençao foi a questao drogas/alcool/tabaco. As pessoas tem direito a fumar dentro dos bares. Nao quero ser careta, mas acho uma maldade com os funcionarios. Ao contrario da França, se pode beber com certa tranquilidade no meio da rua. Tem uns paquistaneses vendendo latinhas de cerveja de forma mais ou menos livre, coisa que na França seria impossivel: beber na rua é proibido e, depois das 22h, vender alcool também. Também sentimos varias vezes o cheiro de maconha/haxixe enquanto caminhavamos pelas ruas, fosse de noite ou de dia. E olha que a policia é quase onipresente naquele lugar. 

Apesar disso, Barcelona é conhecida pelos seus picket pockets. Em um parque, fiquei ouvindo a conversa entre um espanhol e um turista francês onde o turista contou que foi furtado no dia anterior. O comentario do espanhol: "minha esposa também, essa semana". Horas depois, quando estavamos saindo do parque, Camilo foi parado por uma mulher que estava, aparentemente, recolhendo assinaturas pra ajudar sei la que instituiçao. Camilo tentou se livrar dela depois de ter assinado o tal papel, mas ela insistiu muito pra ver algum documento dele. Ele abriu a carteira e a mulher pegou nela e, quando vimos, a mocinha estava fazendo um movimento suspeito em que escondia a parte onde estavam as cedulas de Camilo de modo que ela pudesse pegar as notas sem que ele percebesse (enquanto isso, ela fazia perguntas a ele). Nesse momento ele puxou a carteira, muito puto, e fomos embora. Eh incrivel a sagacidade desse povo. 

Como tou morta de preguiça de escrever, vamos aos fatos com fotos.


As ruas de Barcelona sao lindinhas. A gente ficou na casa de uma amiga dos pais de Camilo que morava bem no centro de Barcelona onde as ruas sao estreitas, verdadeiros labirintos e as varandas cheias de plantas e... burros azuis.



Arco do Triunfo



As bicicletas alugaveis sao iniciativa da Prefeitura. Quase nao se vê ciciclista pelas ruas, em compensação, a quantidade de motos é impressionante. 



Parque Ciudadela 
Piadas engraçadinhas sobre o mamute e meu peso estao proibidas.



Porto Olimpico



Praia mais sem graça do mundo. Mas valeu pelo cheiro de peixe agulha frito que trouxe a infância de volta...



Praça Real e um turista fotografando um traveco.



Na Rambla de Barcelona, a gente pode encontrar esses seres que, na falta de emprego, tem que apelar pra criatividade. E, sim, eles chamam muita atençao. Esse aih peidava quando davam dinheiro a ele. 



A concorrência no mercado leva alguns a desenvolver o poder da levitaçao (eu ainda tou intrigada com esse cara).





Piadas sobre peso liberadas 



Na fonte do traveco, outra lady.



Ninguém duvida



 Rambla



Parque Güell 



Parque Güell 



Parque Güell 



Barcelona vista do Parque Güell 



Uma foto para seduzi-los



Parque Güell 



Muitos caes, caes por toda parte. Flagramos alguns donos recolhendo o cocô dos seus cachorros. Em Lyon, essa pratica nao é muito comum. A pratica de recolher, claro, porque a de cagar...






Castelo de Montjuïc. A noite, ha um espetaculo com luzes e musica na fonte do Castelo. Dura em torno de 20min e vale muito a pena!






Bairro popular. Aih vimos um velhinho mijando no meio da rua, como se estivesse em casa, e uma mendiga doida que tirou o cinto e deu uma surra no chao.



Forte de Montjuïc e Camilo competindo comigo na arte da seduçao. Um dia você chega la.



Basilica da Sagrada Familia. Provavelmente, a construçao mais fantastica de Barcelona, apesar de estar inacabada. Assim como o Parque Guell, a Basilica tem o dedo de um dos maiores artitas da Catalunha, Gaudi. Quando tiver pronta, a Basilica vai ter 170m de altura, mas ja atualmente é impressionante:



O teto da Basilica






Aconselho visitar a Basilica num dia de sol pra aproveitar o efeito que os vitrais produzem.












As entradas (de estudante) + audioguia + acesso aos elevadores nos custaram 30€. Foi o passeio mais caro que fizemos, mas valeu a pena. A vista da Basilica é linda. Da pra ver a construçao falica da cidade (porque, como eu ja disse no post sobre Praga, toda cidade que se preze, tem que ter a sua). Bravo.



Enquanto tudo pra mim era novidade, essa viagem foi um momento de redescoberta pra Camilo. Ele estava super empolgado pra me levar nos lugares que fizeram parte do cotidiano dele ha sete anos, quando ele saiu da casa dos pais e foi morar em Barcelona. Entre esses lugares, esta a famosa Xampanyeria, um lugar onde se vende tapas (comida tipica espanhola). Quando cheguei no lugar, fiquei intimidada pela quantidade de gente num espaço tao pequeno. Pelo visto é um lugar meio obrigatorio pra maiorias das pessoas ali. Pedimos umas tapas (frases estranhas...) e tomamos a famosa cava, um champanhe local que me deixou feliz a noite toda. Recomendo.



Cava



Depois das tapas, fomos pra esse bar tomar o famoso...



Olha, confesso que fiquei temerosa, ainda mais porque o cara nao vendia doses do negocio: uma garrafa, dez euros. Quando bebi o primeiro copo, fiquei ainda mais desconfiada, porque o negocio tinha um gosto muito bom e o alcool passava totalmente despercebido. Perguntei a Camilo se aquilo era alcoolico ou nao. Alguns minutos depois, estavamos dançando lambada no bar. Recomendo (2).



Leite de pantera: um perigo.


E assim, termina o ultimo post do ano. Ano bom de Brasil, tatuagem, Guri, Berlim, Praga, faculdade e Dilma. Que venha o proximo! 

Talvez

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