quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vida ferrada

Fim de semana do 10/11 de julho:

Nesse fim de semana, tanto Camilo quanto Diana iam viajar, por isso, aceitei o convite de Sonia que me chamou pra fazer a Via Ferrata com seus amigos. Pra quem não sabe do que se trata, a Via Ferrata é um caminho que se faz entre as montanhas com a ajuda de cabos, cordas e presas fixadas à montanha.




Como eu sou um poço de coragem, senti frio na barriga soh de ver as fotos do manual. O que também contribuiu pro desconforto, foi ver os niveis de dificuldade das vias que o pessoal iria fazer: Dificil, Super dificil, Extremamente dificil. Sérissimo, não havia nenhuma facil. Então, eu disse que topava acampar com eles, mas que deixaria pra fazer a Via quando eu virasse passarinho. E la fomos.

O plano era acampar, na sexta, à beira do Lac Aiguebelette (que fica aproximadamente a 1h30m de Lyon), fazer uma trilha no sabado e a Via no domingo. Partimos na sexta e armamos as barracas à beira do tal lago. No dia seguinte, acordei porque a natureza estava me chamando: hora de ir ao banheiro. Acampar é otimo, mas a hora de ir ao banheiro é sempre muito tensa. Aproveitei que todas as pessoas estavam dormindo, me enfiei dentro de uma floresta e procurei um lugar seguro. Mas o que é um lugar seguro quando você sai da vista dos seres humanos e vai de encontro às teias de aranha? A medida em que eu ia adentrando o terreno, as vozes iam ficando cada vez mais distantes e os zumbidos dos bichos iam ficando cada vez mais fortes. Cheguei a ver um mosquito do tamanho de uma galinha. Medo. Finalmente, encontrei um lugar e, toda desconfiada, fiz meu pobre cocô. Foi aih que uma abelha picou meu pescoço. Claro, ela não podia ter escolhido outro momento, esperado que eu finalizasse. Não. "Assim que essa otaria começar a cagar, eu vou pica-la". E assim foi feito. Numa situação normal, eu teria gritado, sambado ou corrido. Ou tudo ao mesmo tempo. Mas isso não seria uma boa ideia na minha situação. Então, estapeei a porra da abelha e ela caiu dentro da minha blusa. Vou repetir: dentro-da-minha-blusa. Que cena. Sinceramente, eu não sabia se me concentrava na merda ou na abelha. Apos o drama, voltei pra barraca respeitando ainda mais a natureza.

Apos o almoço, nos preparamos pra fazer uma caminhada de quatro horas dentro de uma floresta em que 90% do percurso era de subida. Na descrição da trilha no manual, havia a palavra "raide". Curiosa, perguntei:

- Sonia, o que é "raide"?
- Hum... "Raide" é "tranquilo", Luci. :)

Inocente, acreditei.

Raide passou longe de ser isso, minha gente. Soh vou dizer uma coisa: eu passei dois dias sem andar depois desse fim de semana. Eu parecia um pinguim sem articulação andando, a ponto de nego achar que eu tava gra-vi-da. Mas como eu não gosto de mimimi, subi sem reclamar as duas primeiras horas. Mas teve uma hora em que o caminho tava tão inclinado, que eu usava as mãos pra subir. E em muitos momentos, eu perguntei desolada:

- Senhor, o que eu estou fazendo aqui?

Os outros não chegaram a cantarolar durante a subida, mas não respiravam de forma ofegante, nem tinham a lingua na altura do umbigo, como eu. Na descida, perdi metade da cartilagem dos joelhos. Mas finalmente voltamos ao lago, tomamos banho, cerveja e comemos muito bem.

O domingo, pra mim, deveria ser tranquilo. Afinal, os quatro que estavam comigo iam partir pra fazer a Via e eu ia ficar quietinha, lendo meu livrinho à beira de um outro lago. Mas claro que não aconteceu nada disso. Fizemos mais uma hora de carro, paramos numa cidadezinha e pegamos um teleférico pra subir e chegarmos mais perto da Via.

Acompanhem no meu mapinha sem escala: deixamos o carro la embaixo, pegamos o teleférico e, na parte esfumaçada, nos separamos. Eh a parte mais alta do mapa também. Pra ir aos lagos ou voltar pro carro, so mesmo descendo. E muito! Até cogitei a idéia de ficar no teleférico, mas o pessoal disse que o teleférico fecharia as 17h e que nos encontrariamos OU nos três lagos OU no teleférico (e pegariamos um caminho alternativo pra descer) OU nos encontrariamos no carro.

Então, como eu sou uma pessoa muito esportista, resolvi ir a esse tal de Lago Achard sozinha, mesmo tendo as pernas muito doloridas da caminhada anterior. Foi lindo o caminho. Pinheiros, laguinhos, pedrinhas, bichinhos e todo tipo de gente indo e vindo com suas familias. Cheguei ao meu destino, tomei um revigorante banho de lago e deitei ao sol. Até aih, beleuza. O pessoal então me liga porque haviam terminado a Via. Eu aviso que estou voltando pro teleférico e que chego em uma hora.

Andei tranquila e, quando cheguei no teleférico, ele ja havia fechado e todas as pessoas tinham ido embora. Fiquei la sozinha, sentada numa sombrinha espantando as moscas com meu chapéu. Uma hora espantando as moscas com meu chapéu. Duas horas espantando as moscas com meu chapéu. E nada do pessoal. O celular deles não pegava. Do alto do teleférico, eu não conseguia enxergar ninguém nos Três Lagos e muito menos tinha forças pra descer até la (a caminhada até la daria em torno de 20min). Comecei, como é do meu feitio, a me desesperar e a cogitar a possibilidade de descer pelo tal caminho até a cidade, mas o pequeno detalhe é que eu não o conhecia.

Como ja havia se passado três horas desde o nosso ultimo contato e, como o pessoal ja tinha terminado a Via, imaginei que eles tinham descido e estavam me esperando no carro. Então, quando o desespero e o medo do sol ir embora aumentaram, decidi descer. O caminho era tão inclinado quanto o do dia anterior, a diferença é que este tinha pedras do tamanho de limões cuja a unica finalidade era me fazer escorregar. Pra minha sorte, ao longe, vi um homem: o unico ser que vi depois de varias horas. Gritei com as forças que me restavam por ele e nada. Quando o animal finalmente resolveu olhar pra tras e parou, corri feio uma louca ao encontro da unica pessoa que poderia me indicar o caminho. Eu queria muito ter a cena desse momento gravada pra mostrar a vocês: uma ladeira de pedras super inclinada, o sol queimando meu juizo e eu correndo, caindo e levantando; correndo, caindo e levantando; ad infinitum.

Enquanto eu pensava nas vantagens de ser um bode alpinista, eu ia definhando naquele sol, naquele cansaço. Nos ultimos metros, tirei os tênis e terminei a trilha somente de meias, com os dedos em chamas. Cheguei à porcaria da cidade exausta e, 20 min depois, vi o pessoal descendo a montanha. Alivio. Eu, que não consigo dormir sentada, apaguei completamente nas duas horas de viagem de volta à Lyon. Por que sera?

Eu aos 65 (quilos)

Aqui estou eu, depois de uma overdose de Buscopan, tentando escrever pra vocês. Tem qualquer coisa dentro dessa barriga que não ta muito satisfeita comigo. Espero que não seja um alien. Espero também que Buscopan resolva essa parada, porque eu não aguento mais parar minhas atividades na metade pra ficar sentada numa privada.Justificar

Desabafo feito, continuemos.

Como eu ia dizendo, eu soh entendi o que era verão depois que cheguei na Europa. Antes, as estações do ano eram tudo a mesmissima coisa. O nome desse blog foi retirado de um livro autobiografico de um homem que morou em Campina Grande - PB, e que compartilhou no livro uma frase que cai bem aqui: em Campina soh tem duas estações: o verão e a de trem. Então, sempre achei chato quando os livros situavam a época vivida com "naquele outono" ou "no inverno seguinte": não era mais facil dizer a porcaria do mês pros leitores ignorantes do hemisfério sul?

Mas essa época pra mim não esta somente ligada a churrascos no jardim, mas também a esportes (é meio dificil correr no parque a -2°). Na França, as academias de ginastica não são muito populares. Acho que devo ter visto duas ou três academias aqui em Lyon. Mas isso não esta relacionado ao fato do francês não fazer exercicio fisico. Pelo contrario, como as opções nesse sentido são variadas e o incentivo é grande, todo mundo tem um esporte preferido.

E em um ano de França, percebi que francês é um bicho saudavel. Juro que posso contar nos dedos de uma mão o numero de pessoas obesas (franceses) que vi em Lyon. As pessoas geralmente tem uma silhueta de dar inveja e eu nunca vi tanta gente gostosa! Sem falar da alimentação: apesar de eu ter engordado (brasileira louca que não resiste a um pedaço de queijo), eu como muito melhor aqui. A refeição é bastante variada e o consumo de fruta e verdura é grande. Então, como eu sou uma pessoa influenciavel, me deixei levar por essa vida e mudei alguns dos meus habitos. O proximo post mostra minhas tentativas de ser mais saudavel.

sábado, 24 de julho de 2010

Eu aos 35 (graus).

Infelizmente, ou não, eu tenho o humor extremamente influenciavel pelo meio em que me encontro. "Mas todo mundo é assim". Duvido. Eu posso estar feliz da vida, se escuto Interpol, a depressão bate instantaneamente e eu passo a repensar toda minha vida, a sentir um vazio sem tamanho. Se noto uma leve irritação em Camilo, seja la pelo que for, eu começo a ficar irritada também. Eh inconsciente, mas acontece. Mas isso tudo é pra dizer que tem uma coisa que me deixa radiante, mesmo numa dia triste ou irritante: o sol. O sol! Não ha mal humor que resista. E, aqui na França, essa paixão ganhou proporções ainda maiores, ja que as estações são bem definidas e o sol daqui não castiga as pessoas que resolvem aproveita-lo ao ar livre.

Verão aqui é uma festa. Todo mundo corre desesperado pra aproveita-lo da forma mais intensa possivel. Os parques estão simplesmente lotados. Os bares sem terraço fecham as portas, porque ninguém quer perder os bons momentos de ar fresco que soh essa época oferece. Aqui em casa, todas as pessoas tem (pequenas) viagens marcadas pra quase todos os fins de semana do verão. Nossas refeições são feitas no jardim. Os churrascos são quase semanais. Depois de passar seis meses no frio, ninguém quer perder esse momento do ano. Inclusive, uma das coisas que me fez ir ao Brasil no começo do ano, foi justamente isso: eu queria estar aqui no verão. Os amigos brasileiros que me desculpem, mas o verão aqui é um acontecimento imperdivel e insubstituivel. Dai, vocês imaginam o quanto eu tou feliz. Não ha Interpol capaz de estragar isso.

A Aline fez um post muito mais completo e interessante sobre essa estação aqui na França, deem uma olhada: surtos de verão. Eu vou é contar o que eu tenho feito por aqui nesses ultimos tempos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Musica frances: Carmen Maria Vega


Taih uma coisa que curti muito na França em termos de musica: Carmen Maria Vega. Descobri esse ano, através da Bel que falou, como quem não quer nada, dessa lionesa (que nasceu que Guatemala). Por coincidência, no dia seguinte, ouvi o seu album de estréia na sala da minha casa sem saber de quem se tratava. Adorei! Eu consigo ver as expressões que ela faz enquanto canta tamanha a habilidade que ela tem pra interpretar as musicas. Meu guru musical escavou essa internet e achou o album dela e, agora, eu repasso pra vocês. Espero que gostem!

Carmen Maria Vega - La menteuse - 2009 (novo link no 24 de janeiro)

Praqueles que estão em duvida, La Menteuse no Youtube.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu quero é blog!

Gente bonita (ou não), ganhei mais um selinho pro blog. Dessa vez veio do Borboleta nos Olhos. Fico sempre muito grata de ter meu blog lembrado pra receber mimos desse tipo (odeio essa palavra, mas cabe perfeito aqui). O Foi feito pra isso também me indicou pra um selo, mas o problema é que, apos o quarto selo, eu ja não tenho mais nenhum blog novo pra indicar (viu como minha vida é problematica?).

Então, eu gostaria de propor a vocês, queridos leitores, o contrario: de vocês me indicarem novos blogs. Pouco importa se é sobre musica, literatura, feminismo etc. Desde que vocês gostem do conteudo, ta valendo.

Ah, e claro, muito obrigada pela indicação, meninas!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abra sua mente, francês também é gente

Ha umas semanas, uma amiga de João Pessoa me escreveu dizendo que uma amiga sua viria estudar em Lyon em 2011 e que, portanto, ela passaria meu contato pra que eu pudesse tirar eventuais duvidas que sua amiga pudesse ter sobre Lyon. Uma das preocupações vistas nos emails da moça, foi em relação à ma fama do humor do francês. Entre outras coisas, ela disse que não vem com expectativas de fazer amizade com franceses e que vai tentar se controlar pois é uma pessoa que gosta muito de abraço. Diante de um desabafo desses, achei que eu poderia escrever diretamente no blog sobre o assunto afim de (tentar) apagar algumas lendas sobre o povo dessa terra.

(Meio que repetindo o que eu ja disse aqui).

Quando falam que o francês é frio, eu entendo, mas não concordo. Porque frieza pra mim tem algo a ver com "indiferença", com "falta de entusiasmo", com "desinteresse". E essas são palavras que eu não consigo relacionar às pessoas que conheci aqui. Palavras que pra mim são mais apropriadas pra descrever o francpes são reserva e discrição.

Eu tava conversando com Camilo sobre esse assunto na quinta-feira passada, porque acho que ele é a pessoa mais apropriada pra se falar sobre o assunto: morou no Brasil e na França. Eu comentei com ele que, quando você chega num bar num Brasil, você conversa com o desconhecido da sua mesa como se fosse seu melhor amigo. Pergunta sem travamentos sobre coisas pessoais da vida da criatura e essa pessoa te responde sem maior desconforto. Eu sinto que, no Brasil, a amiga da escola vai virar amiga de infância na primeira semana de amizade. E aqui, meus amigos, não é assim. Dai, chega o brasileiro, com sua referência cultural, esperando que as pessoas sejam tão festeiras quanto ele. Caso não caiba na formula, sentenciam logo: francês é frio.

Lembro de um professor que eu tive na universidade dizer que, quando ele chegou na Paraiba, vindo do Sul, ficou chocado quando um homem que ele não conhecia, se meteu na conversa que ele estava tendo com um amigo dentro do ônibus. Pra mim, isso era a coisa mais normal do mundo, até eu chegar na França e observar que as pessoas não fazem esse tipo de coisa. "O brasileiro é metido", Camilo disse. Pra mim, o brasileiro é tão metido quanto o francês é frio: é uma questão de ponto de vista. Cada um com sua referência.

Ano passado morei com uma figura da qual Camilo gostava muito, Pierre. Comemoramos o aniversario de Camilo uma noite e, no dia seguinte, la estava eu, ressacada, varrendo as tampinhas de garrafa que estavam pela casa. De repente, noto a presença de uma pessoa se balançando na minha frente. Quando levanto a vista do chão, vejo Pierre dançando. Detalhe: completamente nu. Comecei a gargalhar e dai ele correu em direção à cozinha e foi abraçar Camilo. Isso parece ser atitude de uma pessoa fria pra você?

Quando voltei de uma viagem ao Brasil, em março, uma das meninas que moram comigo me perguntou se eu havia gostado, se sentia ainda muita saudade. Eu disse que sentia, pelo contrario, que minha vida fazia mais sentido na França, que era aqui que eu me sentia mais confortavel. Ela disse que ficou muito feliz de ouvir isso, largou o que tava fazendo e veio me dar um abraço. Não sei, mas atitudes como essas não me fazem ter uma ma idéia do francês.

Outra: semana passada fomos a um restaurante que adoramos. Nas ultimas quatro vezes, fomos atendidos por uma garçonete que tinha acabado de ser contratada. Ela sempre foi muito simpatica. Quando viu que eu era estrangeira, explicou com detalhes como os pratos eram feitos. E ela vem sempre a nossa mesa perguntar como a comida estah. Na penultima vez, sentou na nossa mesa e começou a papear (velho, não lembro disse ter acontecido no Brasil, jamais). E, na ultima vez, ela me chamou pelo nome. Como ela sabe meu nome? Eu não sei, mas ela sabe. Depois comentei que tinha ido à Prefeitura pela manhã e ela, "desculpa, eu não quero ser indiscreta, mas o que você foi fazer la?". Simpatica e educada: me ganha.

Mas vamos la. Leitor, pense por um minuto:

- No Brasil, você ja foi mal entendido numa loja?
- Você conhece alguém mal humorado?
- Você tem uma vizinha prestativa?
- Seu medico é legal?

Tenho certeza que, pra todas essas perguntas, houve um "sim" e um "não". Aqui, acredite, o francês faz festa, da gargalhadas, tem mal humor, tem amigos proximos, chora quando estah triste, é educado, é ignorante e... Opa, tah notando alguma semelhança com o brasileiro? Pois é, francês não é bicho papão. Se fosse, eu não estaria casada com um.

sábado, 17 de julho de 2010

Minha casa é como coração de mãe. De mãe Joana.

Quando perguntam com quantas pessoas eu moro, eu sempre fico em duvida. Eu deveria responder que são nove (semana passada, eramos dez), mas existem os squatteurs. Originalmente, squatteur é aquele sem-teto que se apropria de um imovel vago. O termo foi ganhando outro significado e hoje é usado pra definir aquela pessoa que passa um tempo na sua casa na condição de "visita permanente". Ou pelo menos essa é a definição que melhor cabe à situação de mi casa. E adivinha quem é o mais novo squateur da casa? Pepe. Sim, aquele mesmo Pepe que vomitou meu quarto, gastou meu perfume e ensebou o meu chão de oleo. Ele vai morar o proximo mês com a gente. Semana passada, finalmente, ele veio aqui em casa pra visitar Diana. Eu tava ansiosa pra saber o que ele tinha pra dizer, mas tive que me contentar com um "não lembro de nada". Massa. Ja escondi todo o estoque de oleo da casa.

Como se não bastasse os squatteurs, ainda temos as visitas-curtas (que são chatas, mas nem tanto). Chegou em nossa casa, essa semana, uma doida, irmã do amigo de uma das meninas da casa (Sonia), que eu tou batizando de Rainha do Desconforto. A menina viu Camilo cozinhando pra oito pessoas e perguntou "você não acha que colocou tomate demais não?" Camilo disse que ia perguntar, "e você quer comer hoje?". Antes disso, eu tava imitando pra Sonia o meu andar torto depois de uma caminhada pesada nesse fim de semana. Aih a doida observa meu andar e pergunta: "você tah GRA-VI-DA?"

(...)

- Gravida do teu pai, porra.

Ok, eu não disse isso. Mas tive vontade de xingar. Sobretudo quando ela perguntou se no Brasil faz tanto calor quanto estava fazendo na França. Senhoras e senhores, essa frase pode parecer inocente pra vocês, mas por tras de toda carinha meiga e curiosa que me faz essa pergunta, se esconde um francês que acha que o sol daqui queima mais que o sol do meu pais. Não, minha senhora! Meu sol é mais bonito! Ele brilha mais! E da mais câncer de pele! Mas enfim, quando perguntam se o sol é mais forte aqui, eu respondo: "Pessoa, você ja foi à Palmas? Não? Então: dizem que o Diabo se inspirou naquilo pra criar o Inferno". Eu também não digo isso. Fica mais pro "lah eu suo tomando banho".

Depois do jantar atomatado, Camilo preparou as coisas dele pra viajar. Comentamos esses e outros atos bizarros da menina quando confessei: "assim que tu sair, eu vou fechar a porta pra doida não me alugar". Nem preciso dizer o que aconteceu, né? A menina apareceu à porta aberta com um "toc toc" rapido e ja foi entrando. Dai ficou parada no meio do quarto, olhando pra minha cara, sentou na minha cama e nem falou a que veio! Vou sair um pouco do assunto do post e explicar porque uma atitude dessas, que pra vocês pode ser muito comum/aceitavel, é mal vista aqui.

Quando dizem que francês é chato, eu entendo, mas prefiro descrever o francês como um ser discreto e reservado. Alias, muito discreto e reservado. Aqui, dificilmente (pra não dizer "nunca"), você vai ver um francês puxando assunto na fila do banco, fazendo perguntas pessoais (mesmo que ele conheça você), te tocando enquanto fala. Eles também não curtem abraços. No começo, estranhei tudo isso, mas agora ja aprendi que a forma de saudar alguém aqui não é abrindo os braços, é dando dois beijinhos.

- No aniversario de Camilo, somente eu e a mexicana o abraçamos. O melhor amigo dele apertou a mão do menino;

- Ha um mês, eu tava conversando com a namorada de um cara que mora com a gente e perguntei qual foi a ocasião em que eles se conheceram. Ela olhou pra mim espantada e disse "mas isso é uma pergunta muito pessoal!" e não-res-pon-deu. Pessoa doida, eu não perguntei como foi a primeira noite de amor de vocês. A menos que ela tivesse conhecido o cara numa orgia, eu entenderia tanto pudor (bom, uma pessoa que participa de orgias não iria se espantar com uma pergunta dessas);

- Toda vez que Sonia vem falar comigo, ela fica na porta do quarto, pergunta se esta me incomodando e soh depois entra. Não entendo tanta formalidade. Mas é assim mesmo nas conversas cotidianas: perguntas pessoais são geralmente evitadas. Por isso que eu gostei logo de cara de Diana: a primeira conversa que tivemos foi sobre nosso ciclo menstrual.

Então, entendam que quando essa menina critica a forma de Camilo cozinhar, quando ela entra no meu quarto sem permissão, isso me choca. Mas graças ao céus, existem franceses e franceses. Assunto do proximo post!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Musica francesa: Paris Combo

Primeiro, escutem essa musica:

http://www.youtube.com/watch?v=kZINNAg-WVs&feature=related

Quando a escutei pela primeira, foi ha muitos anos, no Brasil. Gostei ja nos primeiros cinco segundos. Entendia porra nenhuma. Mas curtia. Muitos anos depois, nohs sabemos como e porquê, saih do pais. E hoje escutei a musica rindo: eu tava entendendo. Dai ri mais ainda da ponte entre a Luci que tinha acabado de sair da escola, onde suas maiores preocupacoes eram naipe "com que roupa eu vou?", e a Luci de hoje. Mas gente, eu nem sei me definir hoje. Veja no que eu pensei.

Contei a Camilo, no começo dessa noite, que quando a gente era guri, chegava pro amigo da escola (tinhamos seis, sete anos) e dizia: "duvido tu terminar a charada:

- Pata, péta, pita, pota...?
- Puta!
- Eitaaaaa! Vou dizer a tiaaaa!"

E o "puta" se apavorava. Hahaha Então, quando terminei de contar essa merda a Camilo, comecei a gargalhar loucamente e ele me olhou com cara de "que débil mental eu namoro" (e isso me fazia rir mais).

- HAHAHAHAHAHA
- Mas puxa, que brincadeira mais engraçada, amor!
- HAHAHAHAHA! GAHHH!
- Que humor refinado! Pelo visto tu não progrediu muito nesse sentido depois da escolinha.
- COOOOF! COF!

Pronto, então! Eu ia dizer que a Luci da escola se contrapunha a Luci madura de hoje em dia. Mas uma figura que partilha uma historia babaca dessas pro namorado e pra toda a internet, não merece ser chamada de madura.

(Minha gente, se vocês soubessem do meu estado mental, fisico e espititual, entenderiam esse post com segurança. Eu vou soh rir).

Dai que minha intenção nesse post era soh a de dar dois links pra vocês. Mas eu sou tão fuderosamente matraquenta que escrevi até aqui. Bom! Segundo link:

Portedoree e "um-pouco-de-musica"

::

Depuis longtemps, je n'sais pas
Où me mène le vent
Voilà pourquoi je n'suis pas
Ceux qui marchent devant

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ave 1664!

"Você sabe quando esta bebendo demais" quando seu namorado sai pra trabalhar as 8h da manhã e diz: "não beba de manhã não, viu, bostinha?"

"Você sabe quando esta bebendo demais II", quando, mesmo depois que seu namorado pede pra você não beber, você se encontra semi-bêbada, as 10h da manhã.

Gente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Seguidores fiéis

Recebi outro selo de uma blogueira. Dessa vez, veio da Rita, autora do Estrada Anil, minha conterranêa (impressionante como a internet torna o mundo pequeno). A tarefa é falar sobre o porquê d'eu ter começado o blog e também indicar cinco blogs de pessoas que estão sempre por aqui. Adorei o selo. E o motivo pelo qual eu o adorei ja responde o porquê de manter o blog: eu adoro falar/escrever. Tenho blog desde os 17 anos e, antes disso, mantinha diarios e agendas nos quais eu relatava diariamente o que fazia e o que deixava de fazer (vocês podem imaginar o quanto deve ser interessante o diario de uma adolescente virgem e melancolica). Dai eu li, semana passada, uma frase de um tal de Jules Renard que dizia que "escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido". Quando você precisa falar, tudo o que você não quer é ser interrompido. E eu preciso falar. Como a maioria dos blogueiros brasileiros no exterior, eu fiz esse blog pra estar em contato com os amigos. Faltou soh o feedback (mero detalhe). Em compensação, conheci um monte de gente legal cujo blog tinha que estar linkado aih do lado. Quanto aos seguidores que merecem ganhar o selo, soh vou indicar dois: a, claro, vice-dona do blog e fundadora do meu "fã-clube de uma pessoa soh", senhorita Gloria Maria Vieira de Alcantara Pedrosa e Docil, claro! Cujo blog não sera linkado, por motivos obvios, mas que por ter estado por aqui enchendo nosso querido saco, merece receber o selo dos que acompanham o blog. Parabéns!

domingo, 4 de julho de 2010

Convite à Terra

Como é bom ler um livro ou ver um filme em que ninguém depositou muitos elogios: do contrario, a expectativa se transforma, invariavelmente, em frustração. Não foi o caso do filme que vimos ontem, La belle verte.

O filme conta a historia de um povo extra-terrestre que vive em plena comunhão com a natureza e que, uma vez por ano, tem que visitar outros planetas. A Terra é o unico planeta do qual ninguém se voluntaria pra ir, dada a gritante diferença entre o modo de vida deles e o nosso. O ultimo visitante a ir a Terra, testemunha: "A hierarquia lah é um caso sério. Chefes se acham superiores a tudo: os homens às mulheres, as pessoas da cidade às do campo, os adultos às crianças, os humanos aos animais".

Finalmente, uma mulher e seus dois filhos vão a Terra: ela aterrissa em Paris e os dois filhos caem no meio de alguma tribo africana de caçadores e coletores que tem o modo de vida semelhante ao dos visitantes. Enquanto a mulher estranha o cimento e a fumaça dos carros na grande Paris, os filhos relatam à mãe a vida na tribo que os acolheram: "Eles estão aqui ha 40 mil anos e nunca estragaram suas terras. Têm a mesma medicina que nohs. Nohs comemos muito bem! E eles são fortes em telepatia. São tão avancados quanto nohs. Estamos bem, a Terra é bela!"

Então, leitor, qual o seu conceito de avanço?

Um dos dialogos que eu mais gostei, foi quando a mulher-visitante pergunta, com curiosidade pueril, pelo conteudo da bolsa de uma terraquea:

- O que tem na sua bolsa?
- Um batom.
- Pra que serve?
- Coloca-se nos labios. Eh pra ficar bonita.
- Pra ficar bonita?
- Eh. Sexy. Eh pra agradar...
- A quem?
- Errr... a todo mundo.
- Isso deve ser dificil!

Apesar do filme ser de 1996, ele traz boas discussões sobre temas que estão em voga, como consumo de carne, machismo, desenvolvimento sustentavel, preconceito etc. O filme é bem obvio quanto ao(s) seu(s) objeto(s) de critica, mas me agradou por escancarar a mazela humana através da via cômica, sem aquela chata pretensão de ser um filme engajado. Boa reflexão sobre a sociedade contemporânea e aqueles que a criaram. Mas vou parar de falar do filme porque eu conheço bem o problema que a expectativa pode criar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pinche pedo!

E como doido não é privilegio de Paris...

Na ultima segunda, acordamos às cinco da manhã pra voltar pra Lyon (como eu adoro acordar cedo!). Cheguei na cidade e tive que carregar a minha mochila e a de Camilo pra casa, ja que ele foi direto pro trabalho. Quando cheguei no meu lar, sujo, lar, entrei no meu quarto, supercansada e encontrei ele de uma forma diferente da qual eu havia deixado. Tinha um cheiro de incenso no ar, as janelas estavam abertas e havia um terço no chão. "Eu sou catolica?" me perguntei. Ainda encontrei uma toalha estendida em cima da cama. Tentei ligar os pontos pra saber quem esteve ali. A conclusão foi que um padre tomou banho, deixou a toalha em cima da cama e, quando viu que eu estava prestes a chegar, saiu voando pela janela. Fiquei tentando encaixar o incenso no meio disso tudo, mas não consegui. Foi aih que apareceu Diana, a mexicana, muito surpresa:

- Luci, o que é que tu ta fazendo aqui?!
- Eu moro aqui, Diana.

Perguntei se ela tinha visto algum padre por aih, mas ela respondeu que não e perguntou por Pepe. Pepe é um amigo mexicano dela que, pelo visto, tinha dormido no meu quarto. Além do terço, da toalha, da janela e do incenso, vi um frasco de oleo pra bicicleta no chão e as caixas de papelão que ficam dentro do guarda-roupa, completamente sujas de oleo, assim como o chão. Gente, é demais pro meu instinto Sherlock Holmes. Até meu perfume tava vazio! Diana e eu tentamos saber o que porra esse cara tinha feito no meu quarto. "Ele estava muito bêbado ontem quando chegou e fez muito barulho no teu quarto. Pedi pra ele abrir a porta, mas ele não abriu".

Cheirei o quarto inteiro e não senti nenhum cheiro de vômito. Fui até o lixeiro do banheiro e o saco estava fechado com um noh. Como minha casa é uma baguncinha e eu sou a unica que troca os sacos de lixo, sabia que tinha alguma coisa errada ali. Abri o saco e encontrei vômito dentro dele. Ja era alguma coisa. Como eu não tinha idéia de onde a figura tinha vomitado, troquei os lençois, as fronhas e coloquei a toalha pra lavar. Tirei até o tapete do chão. Foi nesse momento em que peguei no vômito do cara. O putinho fez o que Camilo não me deixa fazer: vomitar no tapete. Pelo visto, ele vomitou o quarto, tentou disfarçar o cheiro com o incenso e meu querido perfume. Não sei, mas eu preferia minha versão com o padre.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Paris (lugar de gente tranquila)

Continuando a narração sobre o fim de semana em Paris.

Paris seria Paris sem sua gente louca? Gente, que meda! Na sexta-feira, quando chegamos em Paris, fomos dormir na casa de um amigo, Benzina. Quando entramos no prédio, ele avisou que a fechadura dele (do prédio) estava quebrada e, assim, qualquer pessoa poderia ter acesso aos apartamentos - porque, não sei se vocês sabem, na França não existe essa historinha de porteiro. Então, pra minha felicidade, uma vizinha começa a gritar por socorro as cinco da manhã, acordando todo o prédio. Eu, que sou um poço de controle e tranquilidade, fiquei estatica na cama ouvindo a mulher gritar "vizinhos! vizinhos! tem um doido aqui, socorro!" Benzina tentou nos acalmar dizendo que ela era doida e sempre dava esses barracos. Por coincidência, era uma brasileira. A policia chegou e suspeita-se que o doido do qual ela falava era o namorado dela.

No sabado, vi um cara de muletas caido na calçada apanhando de dois seguranças de um bar. Enquanto ele levava chutes de um lado, a namorada gritava do outro "eu não aguento mais você!" Pelo visto era um perneta brigão. E eu, esse "poço de controle e tranquilidade", comecei a chorar e querer ajudar o cara. Por causa disso, ficou obvio que eu não era dali: à minha volta, as pessoas olhavam a cena com tranquilidade. Que a Virgem me proteja de algum dia olhar uma cena dessas sem revolta. No dia seguinte, como se não bastasse, vimos um cara bater duas vezes no rosto da namorada. "Você bebe demais!", ele dizia. Pedi a Camilo que, quando ele quisesse me dar um toque em relação ao meu consumo de alcool, o fizesse de maneira mais didatica.

O ultimo caso, infinitamente menos grave, aconteceu no show de Caetano. Esperamos um bom tempo pelo começo do show, pegamos um otimo lugar, a cinco metros do cara, mas como eu não conhecia nenhuma musica do ultimo album, na metade do show, fui sentar nessa grama. Então, comecei a discutir com Camilo e outro amigo sobre esse post em que a autora diz que, pra ela, a vida pessoal do artista não influencia no apreço que ela tem pela arte produzida por ele. Eu discordo e, naquele momento, eu disse que, por exemplo, não gostava da pessoa do Caetano e que... Uma mulher me interrompe:

- Você não gosta do Caetano?
- Eu gosto, eu gosto das musicas, mas não gosto dele porque...
- Ah, porque eu gosto.
- Você é brasileira?
- Não. Mas eu gosto do Caetano, então, por favor, fale baixo!

Gente, a mulher mandou eu falar baixo porque... eu não gosto do Caetano, mas ela sim. Que mundo é esse em que a gente não pode expressar pros amigos, num jardim publico, o que a gente pensa? E Camilo ainda disse "mas se tivessem falando mal de Chico Buarque do teu lado?" Brother, nem se tivessem falando mal dos Beatles. Ja pensou? "Não fale mal dos Beatles porque eu gosto deles"? Ridiculo. Bom, mas... O que seria de Paris sem essa gente?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paris (e seus gays)



Passamos o ultimo fim de semana em Paris aproveitando que Camilo deveria trabalhar na capitá na sexta-feira e a passagem, claro, é paga pela empresa. Por coincidência, tivemos a oportunidade de ver a Gay Pride e um show de Caetano Veloso. De qualquer forma, Paris sempre vale a pena. Eh o tipo do lugar inesgotavel, que sempre vai oferecer alguma coisa interessante, não tem como se cansar da cidade, simplesmente não tem como, mesmo com suas bizarrices (ja ja chego la).

Na sexta-feira, depois da pelada do Brasil contra Portugal, corri pra estação pra pegar o trem. Ficamos no modo vinho barato, numa praça qualquer. No sabado, show de jazz no Parc Floral com os amigos brasileiros. Me dei conta que meus unicos amigos na França moram em Paris. Mas é melhor não reclamar, poderia ser pior: meus amigos poderiam morar no Brasil. Ai.

Parc Floral


Yo!


Dedo revoltado

A essa altura, o alcool ja estava cumprindo com sua obrigação. Eu estava tranquila na cerveja, feliz, sem problemas. Então, o dono do dedo revoltado, Benzina, me entrega uma garrafa de vinho. Agora, uma pausa: ainda em Lyon, enquanto eu estava fazendo minha mochila, duvidei em colocar meu vestido branco porque, claro, conheço bem minha coordenação motora quando estou bêbada. "Vou com uma roupa escura, porque sei que vou beber vinho e sei que vou derramar o vinho na roupa". Mas eu sou tão teimosa, que eu discordo até de mim mesma. E o que foi que aconteceu, meus amigos? Coloquei o vestido branco na mochila e, no sabado, derrubei vinho tinto nele, claro. Eu acho é pouco.

Felizes e saltitantes (e manchados de vinho), fomos à Place de la Bastille pra dar um oi à Gay Pride e um xau à Bel, que partiria no dia seguinte numa temporada em Portugal.



Os meninos com cara de desconfiados
(soh durou trinta segundos)


Eu, Lindinho e Benzina, embalado por Gloria Gaynor


Pra quem pensa que anjo não tem sexo



Nice!

Vocês não imaginam o quanto uma hetero pode ficar saltitante numa parada gay


Ou imaginam...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Terremoto, guerra e festa

Quando comecei a escrever o meu ultimo post, eu não pretendia falar somente sobre vômito. Eu ia explicar que, no meio daquela ressaca toda, eu tive que enfrentar um dia torturante de trabalho e finaliza-lo numa viagem de 7h de trem + 1h de carro rumo à casa dos pais de Camilo, no norte da França.

O motivo dessa viagem foi a festa de aniversario do pai de Camilo, esse senhor simpatico da foto, que fez 70 anos. "OHMEODEOSDOCEO, o pai de Camilo tem 70 anos?! MANAOEHPOSSIVEO". Pois é, minha gente, é possivel. E o melhor é que o irmão mais novo de Camilo tem somente 15 anos. Ou seja, o véi tah em forma. E, não, ele não tinge o cabelo. Espero que Camilo esteja esbanjando essa saude aos 70 - calma, amor, isso não é pressão, é soh uma prece.

Acho que eu nunca contei aqui o quanto eu adoro o ambiente que envolve os pais de Camilo. A cidade, a casa deles, as historias. Vou tentar* contar a historinha dos pais dele, que eu acho muito legal.

O pai de Camilo é salvadorenho e a mãe, francesa. Aos 20 aninhos, a mãe de Camilo, que é enfermeira, foi embora da França rumo a El Salvador através dos Médicos sem Fronteiras porque o pais passava por uma guerra civil (1980 - 1992). O pai de Camilo, por seu lado, atuou numa radio clandestina, ao lado dos revolucionarios, claro - do contrario eu não o admiraria.

O curioso é que eles não se conheceram em El Salvador, mas sim em Paris, algum tempo depois. Dai, nasceu meu futuro marido, que foi com seus pais pra El Salvador. No pais, nasce um dos irmãos de Camilo. Fugindo da Guerra, que ainda tava rolando, a familia vai pra Nicaragua, onde nasce o terceiro e ultimo irmão de Camilo (pois é, minha sogra também não tinha fronteiras pra parir). Depois, eles voltam pra El Salvador, mas precisam deixar o pais novamente por causa dos terremotos. Então, é simples: França - El Salvador - Nicaragua - El Salvador - França. Voila!

Trinta anos depois:

Agora eles moram na pequena Chateaubriand, numa casa lindamente decorada com artesanatos recolhidos nas viagens que eles fizeram e nos lugares em que eles moraram na América. Soh recentemente me dei conta que esse pequeno detalhe contribuiu enormemente pra que eu me sentisse em casa nessa terra fria.

Mas voltando à festa...

Quanta diferença! Nas festas da familia materna de Camilo, à la francesa, eles servem sonifero na bebida dos convidados. Pelo menos essa é a unica explicação que eu tenho pra justificar uma festa sem ruido. E, uma vez à mesa, as pessoas não se levantam mais: se empanturram até a morte. Isso não é necessariamente ruim, claro, porque os pratos são de fazer chorar de alegria. E o mais impressionante é que não são pratos esdruxulos, com perninha de sapo ou melequinha de caracol. São somente combinações diferentes daquilo que você (eu) come no dia-a-dia arranjadas de uma forma ousada. E apos o aperitivo, a entrada, o prato principal, a salada, o queijo e a sobremesa, as pessoas tomam o digestivo (dose de algum alcool forte e ruim), também conhecido como vomitivo (ok, essa eu escutei na festa, deve ter sido uma piada).

Imaginei que uma festa dada pelo pai de Camilo fosse diferente e acertei. Os pais de Camilo tem amigos muito fiéis: vieram pessoas de Paris, da Bélgica e mesmo de El Salvador pra essa festa. Como foi o caso do violeiro ao lado. Quando ele soube que eu era brasileira, ele tirou um objeto esquisito do bolso e me fez cheirar. O cheiro da cachaça bateu fundo na emoção.

- Porra, isso é cachaça!
- Eh, você é brasileira mesmo.

Craru que sou. Perguntei porque ele andava com cachaça no bolso. Ele parou e, apos alguns momento de reflexão, disse bem sério "é que as vezes minha garganta arranha". Depois dessa razoavel explicação, fomos aos mojitos:

Lindinho, eu e o mojito que eu deixei do lado, afinal...


...meu negocio é cerveja, mano

Camilo se ocupou, bem ocupadamente, como vocês podem ver, do churrasco. Dei graças aos céus, apesar de não ter recebido atenção durante o momento em que ele geria a carne. Mas quem conhece a maneira francesa de tratar a carne vai entender do que eu tou falando. No Brasil, a carne é ou "bem passada" ou "mal passada". Ponto. Mas francês inventa, então, aqui tem quatro tipos: bleu, saignant, a point e bien cuit. Mas o que isso quer dizer, Luci? Bom, pro francês isso quer dizer:



- Bien cuit = bem cozida
- A point = ao ponto
- Saignant = sangrento
- Bleu (azul) = crua

Mas pra mim, brasileira, isso quer dizer:

- Bien cuit = crua
- A point = crua
- Saignant = crua
- Bleu = crua

Camilo ja tinha me prevenido, porque eu tenho verdadeiro horror à carne (semi) crua, mas aqui é quase impossivel fugir dela. Bastou Camilo entrar na casa pra pegar mais carne pra assar, que um francês (de branco na foto) correu pra grelha e saiu resgatando os pedaços de carne na brasa. Malandrinho.


Aqui, o dia seguinte à festa.
Camilot, moi (com meu supersorvete delicioso de sei-la-o-que),
o irmão caçula de Camilo, pessoa e Papi.

*Lindo, me corrija se eu tiver me equivocado

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Exponha seu interior ao seu namorado

Esse post vai pra todos aqueles que não estão fazendo nenhuma refeição nesse momento.

Sexta-feira, 6:45h, o despertador me acorda. Abro os olhos, mas somente um responde ao comando. Com meu unico olho, noto um balde a dois palmos da minha cara. O balde olha pra mim, eu olho pro balde. Eu questiono a presença do balde. Pouco a pouco, a noite anterior vai se refazendo na minha cabeça. Haviamos enchidos nossas carinhas no maravilhoso México x França e Camilo achou por bem que eu dormisse com um balde de lado. "Tu tava fazendo uns barulhos esquisitos, tipo bllerrgg, erghhh... E eu tive medo pelo tapete" (felizmente, eu não posso reproduzir os barulhos que ele fez). Mas é formidavel a preocupação do meu querido com o tapete que ele trouxe do Brasil. "No chão, tudo bem, mas no tapete?" Ele tava lembrando da minha primeira vomitada como namorada dele. Foi lindo, gente.

A gente namorava ha poucas semanas, não tinhamos tanta intimidade, e haviamos chegados bêbados sei la de onde. Entrei cambaleante no quarto e, ja no fim das minhas forças, sentei no colchão, entreguei a Deus e dei aquela vomitada aos pés dele. Aos pés de Camilo, não de Deus. Lembro perfeitamente que o coitado teve o reflexo de frear meu vômito, mas como viu que isso era impossivel, se resignou, se encostou na parede e ficou me olhando vomitar, muito calmo. Eu ri muito no dia seguinte quando o bichinho contou que pensou "bom, sou eu quem vou limpar mesmo! Deixa agora ela vomitar!"

Acho que essa foi uma grande prova de que ele estava disposto a ficar comigo. Outro dia, acordei depois de uma festa em casa, vi um balde ao lado da nossa cama e deduzi brilhantemente "ah, coitado de Camilo, ele passou mal ontem". Quando o questionei, ele disse "Luci, foi tu mesma que pediu o balde". Viram como estou mais responsavel hoje em dia?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

01. Do que é diferente - Tabac

Tabac (tabá)

Pra comprar uma carteira de cigarro no Brasil, você pode ir numa banca de revista, na barraquinha de pirulito do ponto de ônibus, no posto de gasolina, na padaria, no café do shopping e por aih vai. Aqui, você compra em um soh lugar: no Tabac. "Se você vir esse losango vermelho piscando, pode entrar". Foi o que Camilo me disse quando cheguei na França - tou aqui me perguntando como eu não maldei essa frase na época. O Tabac aqui deve ser o equivalente às bancas de revista no Brasil: vende tabaco, doces, revistas e também selos. Ah, e uma curiosidade sobre os fumantes daqui: como a carteira de cigarro aqui é muito cara (minimo 5€), graças a deus, as pessoas costumam comprar um pacote de tabaco solto + filtros + seda. O pacote custa em torno de 7€, mas rende muitas horas de fumo. Eh por isso que pedir um cigarro a alguém aqui é meio indelicado. Ninguém deixa a carteira exposta, como se costuma ver nas mesas de bar do Brasil. E, pensando agora, acho que nunca vi alguém oferecer espontaneamente um cigarro a outra pessoa. C'est bien!

Argonauta da Europa Ocidental

Ainda lembro de ter ouvido em uma das aulas de Antropologia na universidade, la pelos idos de 2004, que um bom antropologo tira notas do seu objeto de estudo tão logo da de cara com ele: dessa forma, as primeiras impressões sobre o diferente ficam registradas. Como eu não sou uma boa antropologa (alias, eu não sou antropologa), não fiz o exercicio de registrar minhas impressões sobre o modo de vida francês e agora percebo que ja absorvi as diferenças culturais a ponto de não me impressionar mais com muita coisa. Mas apos meditar durante três dias e três noites, algumas sensações de outrora voltaram. Então, não é com orgulho que vos apresento a série: Do que é diferente.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meu lado viking

Esse é um daqueles posts que vão começar num ponto e terminar noutro, afinal, minha linha de raciocinio eh desalinhada.

Hoje, enquando eu estava indo pro metrô, vi uma figura sombria andando à minha frente. Era uma menina vestida de preto, com um vestido que deveria ter sido da tataravoh dela e que era tão bizarro que soh poderia ter sido comprado numa loja de fantasias. Deu um noh na minha cabeça ver uma camponesa do seculo XVIII pegando metrô. Essa é uma das coisas das quais eu adoro aqui. O fato de poder ser camponesa do século XVIII e pegar metrô? Não, querido leitor, é o fato de que você poder andar como quiser sem que ninguém se importe/olhe/aponte/ria. Impagavel.

Isso me fez refletir um pouco sobre a forma com a qual eu me visto na França. Em João Pessoa, nada passa despercebido aos olhos dos outros. Nada. Aqui, eu tenho mais liberdade pra ser quem eu quiser porque:

a) na França, ninguém me conhece;
b) Camilo não cobra que eu funcione no modo princesa;
c) as pessoas aqui não fazem alarde sobre a forma com a qual você se veste;

Por esses três motivos, eu me peguei indo pra padaria outro dia com o cabelo do jeitinho que ele estava quando acordei de manhã. E alias, vestida numas calças que eu uso pra dormir no inverno que, além de tudo, estavam manchadas. E, na verdade, noto que minha vaidade em geral tem arrefecido e isso, ao contrario do que possa parecer pra maioria, é muito bom.

Acho que eu tenho uma sorte muito grande de ter Camilo como namorado. Porque, sinceramente, não é todo namorado que briga com você por você ter se depilado cedo demais. "Deixa esses pelos crescerem! Cadê teu feminismo?", ele pergunta. E ninguém aqui pensa que sinônimo de feminismo é cultivar pêlo. Mas ninguém pode negar que gilete/cera é uma tortura, e é uma tortura pela qual os homens não passam - não esqueci de vocês, nadadores, beijos! - e que a gente passa... por que mesmo?

No meu caso, se eu não devo satisfação aos desconhecidos do metrô, se eu gostaria de aumentar o espaço entre uma depilação e outra e se meu proprio namorado ta pouco se fudendo pro caso, por que eu continuo me torturando? Resposta: eu continuo me torturando por causa do segundo tipo de pessoas que leem esse blog. O primeiro tipo vai pensar "é verdade, depilação, vaidade em excesso, pressão sobre a mulher estar sempre bela é uma merda". O segundo tipo vai dizer "sebosa. Casou e agora ficou desleixada. Pobre Camilo".

Graças aos anjos de Jesus Cristinho, tudo nessa vida tudo é questão de equilibrio.

Não, você não vai ver minhas axilas nesse estado. Jamais. Eu soh não uso brincos quando vou dormir. Eu uso creme hidratante todo dia. E, se pudesse, continuaria indo pro cabeleireiro a cada três meses, como fazia no Brasil. Por outro lado, não perco o sono quando vejo minhas celulites e estrias. E tampouco faço dietas agressivas pro meu corpo pra deixa-lo mais Gisele. Não suporto maquiagem (outra droga que Camilo me encorajou a largar de vez). Não uso salto. E, melhor de tudo: sei que eu poderia ser diferente em muitos sentidos em relação ao padrão de beleza e de comportamento imposto pras mulheres porque tenho o ambiente ideal pra trabalhar isso. Admito que é triste que eu não tenha me dado conta disso tudo sozinha e que precisei de ter um homem compreensivo ao meu lado pra me fazer enxergar estas coisas. Mas eu não lamento, eu comemoro.

Comemoro também o fato de eu poder, com ele, chamar palavrão pelos cotovelos e não escutar nenhuma frase do tipo "isso não é coisa pra mulher", sentença que me atinge ainda mais fundo quando é falada por mulheres, porque vejo isso como um tiro no pé. Uma francesa outro dia disse que eu falava demais "putain", mas nunca a vi censurar o namorado que faz a mesma coisa, e olha que ja morei com os dois. E ha umas semanas, foi uma brasileira no Orkut que disse que meu blog era de mal gosto, que tinha palavrão. Muito triste. Eu entendo que minha avoh pense parecido, mas meninas de 30 aninhos? Enfim, infelizmente, pega mal pra mulher ser agressiva. E no quesito comportamento, eu tou muito mais dentro daquele campo tido pelo senso comum como sendo o campo masculino: beber cerveja, sentar de perna aberta, falar palavrão, arrotar. Sou praticamente Hagar, o Horrivel! Grrrau!

Ok, voltando...

Seja como for, falta muito pra que eu me sinta realmente livre com meu corpo, minhas roupas e meu comportamento. O objetivo não é virar uma mendiga, é somente alcançar um nivel de esclarecimento sobre as coisas que me impeça de sofrer por causa da minha (falta de) feminilidade. Como também não julgar quem ainda não conseguiu enxergar essas coisas. Afinal, eu ainda não cheguei la e não quero ser julgada.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O o 0

Tem certas coisas na vida que fazem você ficar com cara de cu, rindo de si mesma. Ha umas cinco semanas, a internet caiu e não voltou de maneira automatica. Pedi pra uma das meninas que moram comigo pra me dar o numero-chave pra reconectar meu computador à internet. Sem sucesso. Somente hoje me dei conta de que o numero poderia estar errado. Troquei o zero pela letra "o" e deu certo. Tem certas coisas na vida que fazem você ficar com cara de cu, rindo de si mesma.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Do crescimento

O mês de maio acabou e a mãe do doidinho disse que eu iria receber meu primeiro pagamento no primeiro dia de junho. Foi no mesmo dia em que assinei o contrato: quase um mês depois de estar trabalhando como babah. Então, fiz as contas do numero de horas em que trabalhei, multipliquei por sete (euros), descontei algumas horas em que ela disse que eu não seria paga (ela me veio com uma historia que, enquanto o guri dorme, eu nao sou paga) e obtive o valor do meu salario. De cara, ja fiquei emocionada, porque era mais do que eu ganhava como faxineira. Mas quando o cheque chegou, surpresa: 834,03€ (pra trabalhar três dias por semana)! Gente do céu, estou rica! Vou comprar um barco e dar a volta ao mundo. Xau!

(Brincadeira. Eu ainda sou pobre, e sei que é deselegante falar de salario, mas eu sou uma pessoa deselegante e tou me fudendo pra aparência, como vocês podem ter notado).

Lembrei com satisfação de cada cuspida e mijada que recebi do guri e sorri. Fiz minha cara de "nem ligo", peguei o cheque com ar blasé e, quando cheguei na rua, comecei a sapatear. Fred Astaire ficou no chão. Diante de tamanha felicidade, vocês se questionam: minha filha ja viu dinheiro nessa vida? E agora, eu explico.

Gente, ha uns dias eu tive o pior fight ever da minha vida com Camilo. Motivo: grana. Com a tal empresa que Camilo vai montar, ele ficou um pouco mais... errr... zeloso com seu dinheiro... e isso gerou certos atritos entre a gente. No final das contas, depois de 48h de discussao, decidimos que vamos compartilhar os amigos, os sonhos, o teto, os fluidos corporais, menos o dinheiro. A discussao foi um golpe duro no estômago do meu feminismo. Mas serviu pra que eu abrisse totalmente os meus olhinhos e entendesse, de uma vez por todas, que a pior coisa desse mundo é depender de macho. Desculpa aih aquelas que tem uma visão mais romantizada da vida, mas cresci vendo minha mãe ser constantemente humilhada pelo pai pelo simples fato dela não ter um salario. E isso não é legal. E, apesar de meu Camilinho estar anos-luz de ser meu bob pai, encarei nossa discussao como um estimulo à minha definitiva independência financeira. Ja era hora.

Não sei o que vai acontecer depois de setembro, caso eu consiga entrar na faculdade. Não sei quantas horas disponiveis terei pra trabalhar. E depois, a mãe do guri vai parir em setembro e o trabalho, com certeza, vai deixar de ser tão mole quanto é atualmente. Duas bundas cagando. Mas tudo bem, a gente se vira. Por enquanto, o importante é valorizar as conquistas. Aqui, meu primeiro cheque e um curioso comentario de Amanda me incentivando a ser babah.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Musica francesa: Babylon Circus


Ha alguns meses eu havia dito aqui que eu iria fazer alguns posts apresentando algumas coisas da musica francesa. Mas eu, como sou eu, esqueci. Agora, pretendo levar a sério minha promessa e trazer pra vocês, principalmente pros que moram fora da França, musicas que eu tanto adoro! Com a intenção de mostrar também que a musica francesa é mais que acordeão e Edith Piaf.

No post de hoje, trago Babylon Circus, banda formada em 1995 aqui mesmo, em Lyon. Admito soh conhecer o ultimo album deles, o La Belle Etoile, de 2009, que eu acho o maximo do começo ao fim. O Wikipedia descreve o som dele com sendo "reggae/ska mélé à une bonne dose de rock" (bom, vocês entenderam as palavras-chave). Mas eu dispensaria isso e simplesmente resumiria o som deles como viciante.

Sem maiores delongas: Babylon Circus, La belle etoile - 2009 (direto no site, sem download)

sábado, 29 de maio de 2010

Mais um aniversario II

A essa altura, ja espalhei aos quatro ventos: hoje é meu aniversario. Quer dizer, ontem foi o meu aniversario. Mas eu ainda tou feliz. O que é um pouco contraditorio, ja que eu não curto muito o fato de estar envelhecendo. No começo, achei que tivesse alguma coisa a ver com rugas e sindrome de Peter Pan, mas finalmente descobri que o caso é menos grave.

Eu sou um pouco neurotica em relação a idade vs. vida profissional. Meu pai nos colocou na cabeça que se você ja tem 18 anos e nenhum doutorado você não é exatamente alguém. Então, vocês podem imaginar que não foi exatamente um sonho passar o dia do meu aniversario trabalhando como babah. Ah, mas não pensei nesse post pra reclamar da vida (e alias, nem motivo pra reclamar dela). Não importa qual significado que esse dia tem pra mim, eu sempre me divirto com as mensagens de merda dos amigos.

~~Wilker:
Aniversário de Luciana?
Vou tomar uma cachaça ou fazer alguma putaria ae no meio da rua pra comemorar... ahahahaha

Andressa:
hoje era dia de sentar numa mesa de bar pra beber e conversar contigo. Comemora bem direitinho aí. hoje a minha comemoração vai ser em homenagem a tu.
um arrocho.

juju:
seja feliz, putinha!! =D =D =D
que tua felicidade pega todo mundo de jeito e faz feliz tbm.
pq ser feliz é a sua natureza, assim como ser puta.
e tu é linda e faz falta pra caralho!

Eles me conhecem. Obrigada, pessoas. Ainda bem que vocês estão logo ali. E obrigada também à minha maior e unica fã, Glorinha Sem-Noção Vieira e seu post de parabéns. Ri muito! Louca de pedra.

Agora ja posso cantar "à palo seco".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Com ou sem emoção?

O emprego de baba me proporciona ora extrema satisfação, ora o mais profundo cansaço mental (alias, como tudo na minha vida). Mas eu me divirto bem mais trabalhando com meu monstrinho do que como faxineira. Afinal, vassouras não são engraçadas. E o guri é realmente muito fofo! Acho que eu passo mais da metade do tempo falando com ele com os dentes trincados e o apertando e fazendo cocegas e querendo comer os dedos dele (são tão pequenininhos!). Acho que eu gostaria que a babah do meu filho tivesse um carinho tão grande por ele como eu tenho por Monstrinho. Mas ao mesmo tempo, fiquei seriamente assustada quando analisei minha forma de brincar com o guri. Eh tipo, modo violência: ON.

Assim que comecei a trabalhar, no começo desse mês, a gente brincava de esconde-esconde. Quer dizer, eu brincava, ja que não da pra explicar a um bebê de um ano as regras do jogo (eu bem que tentei, mas a unica resposta que eu tive foi um filete de baba descendo da boca dele). Dai, cada vez que eu aparecia pra ele, eu dava um sustinho. Tipo, "coucou"! E ele sempre se assustava, mas mesmo assim ria. Se assustava e ria. Aih, fudeu, né? Peguei a mania e agora eu adoro aparecer de suspresa. Eh dai que eu penso que eu daria um murro na minha baba se ela fosse como eu, porque eu odeio sustos. Mas ele gosta, eu não entendo! A mãe deu pra ele um livrinho que conta a historia de um lobo e, na penultima pagina (o livro tem cinco), aparece a boca do lobo aberta e a cor da pagina é laranja. A mãe disse que ele morre de medo dessa pagina e eu, eu morro de rir quando ele vê esse livro, porque ele procura a pagina, abre, toma um susto, fecha rapidamente e começa a rir. Depois, ele faz tudo de novo, pelo menos umas dez vezes por dia e toda vez o tamanho do susto é o mesmo.

Ele também tem um carrinho em que ele monta e eu empurro. No começo, eu empurrava delicadamente, mas era chato. Dai, eu comecei a correr com o carrinho. Acelerava de 0 à 30km/h em dois segundos. Uau. Eu reproduzia o barulho do motor e tudo mais. E o guri adorava! Daih, semana passada, eu tava empurrando o carrinho quando decidi fazer uma curva sem desacelerar. Pra que? O guri sobrou na curva e voou do carrinho. A queda não foi grande, mas o (meu) susto, foi. Fui buscar o guri e fiquei toda errada depois.

De toda forma, eu adoro brincar com ele assim. A mãe diz que eu não devo ensina-lo "des bêtises", mas eu adoro gritar, pular, sacudi-lo, dançar feito uma idiota, me esconder etc. Então, vocês devem imaginar o quanto eu fico à vontade quando a mãe trabalha em casa.

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um aniversario


Pra que não passe em branco. No ultimo dia 21, fez um ano que cheguei na França pra morar definitivamente. Normalmente, eu teria pensado, e pensei, em todas as coisas que conquistei até aqui. Teria feito uma balanço, e fiz, de tudo que ganhei e tudo o que perdi nesse ultimo ano. E tudo o que eu tenho pra dizer, é que tem dado certo. Tem dado tudo certo.

Digo isso porque esse blog nasceu por causa da minha vinda à França e, graças a ele, conheci um monte de gente legal. Queria agradecer a TODAS as pessoas que passaram por aqui com seus comentarios positivos e generosos. Obrigada mesmo. Tem dado certo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fala que eu te escuto. Ou nao.

(Antes de tudo, perdao: post escrito num teclado espanhol desconfigurado).

Quando Camilo anunciou, ano passado, que iriamos morar com mais nove pessoas, eu fiquei preocupada. Ainda mais porque, das nove pessoas, eu conhecia somente duas. E superficialmente. Sempre morei com muitas pessoas, afinal, eramos seis na minha familia, entao quatro a mais, quatro a menos, nao deveria ser problema pra mim. Mas dai a gente lembra que o espaco onde um grupo numeroso vive soh funciona quando tem um lider ou coisa parecida regendo a coisa. Mas tentemos.

O cotidiano na casa eh curioso. Nas compras, sacos de 25kg de arroz, 25 kg de farinha, dezenas de pacotes de papel higienico. Na feira de frutas e verduras do sabado, o s feirantes ja nos conhecem e oferecem os produtos em caixas feitas pra venda no atacado. Todo dia se vai um quilo de macarrao ou de arroz no jantar e jantamos todos juntos. Todo dia. Quase vinte escovas no banheiro dividindo um mesmo potinho. Tem o saco de lixo de cem litros que eh trocado constantemente. No minimo, onze casacos espalhados pelo sofa e onze pares de sapato dividindo o chao com a sujeira (porque quando onze sujam e dois limpam, voces sabem...) Pra acomodar o vidro que sera reciclado depois, um carrinho de supermercado. E pra coisa toda dar certo: dialogo, muito dialogo.

Ja falei aqui que o amado tah criando uma empresa com um dos caras que moram com a gente. Eu nao vou explicar do que se trata, mas o fator "comunicação" eh essencial no tipo de projeto que eles estao criando e, por conta disso, os dois tem lido muito sobre essa "arte". Isso trouxe, inevitavelmente, pro meu namoro com Camilo, varias discussoes (algumas ferrenhas) e, ironicamente, nos demos conta de que não somos um casal que se comunica bem (pelo menos nao da forma ideal).

Uma das coisas que contribuem pra isso, eh o fato de que eu sou agressiva na hora de expor minha opiniao e intolerante na hora de aceitar a opiniao alheia. E eu nem preciso ir muito longe pra saber o porque, afinal, nossos defeitos e qualidades estao ligados a forma com a qual fomos educados, concordam? E na minha casa, a primeira e ultima palavra sempre foi a do meu pai. Entre berros. Por isso, reproduzir esse tipo de comportamento durante minha vida nao foi algo muito dificil pra mim e experimentei varias vezes a sensacao de "perder" quando eu nao podia convencer alguem de que meu pensamento era o certo ou estava perto disso.

Coitadinho de Fabio. Eu sempre enlouquecia nas nossas discussoes, apesar de escutar todos os argumentos dele. Quando o odio no meu coracao aplacava, eu ia ate ele pra pedir desculpa e admitir que ele estava certo. Mas ate esse odio passar... Ah! Entao Camilo chegou e esse processo de "discordar - ter raiva - refletir - pedir desculpa" teve que ser otimizado: era isso, ou eu perdia o namorado.

E quando eu falo em comunicacao, eu estou falando de um sentido bem mais amplo do que esse de "ouvir o outro e saber aceitar a opiniao alheia". Entra aih a parte do saber falar. E querer falar. De vez em quando, fazemos uma reuniao com os moradores da casa pra que a gente discuta os problemas dela. No comeco, eu me limitava a ouvir e, quando tinha algo a dizer, o fazia atraves de Camilo. De uns tempos pra cah, aceitei que eu deveria comecar a dizer o que eu penso, mesmo se o idioma pode limitar a forma com a qual eu repasso minha opinioes. Sucesso. Diante de um grupo que esta nao soh disposto a ouvir como a aceitar o que voce tem a dizer, eu me senti muito estimulada a praticar esse tipo de comunicacao nao-violenta (interna: Camilo, se um dia voce ler esse post, nao ria de mim! hehehe)

Quando fui ao Brasil em fevereiro, Fabio disse que as vezes se sentia inclinado a concordar comigo, mas nao o fazia somente pela forma agressiva com a qual eu defendia meu ponto de vista. Pelo fato de eu ama-lo muito, dele me conhecer mais do que qualquer pessoa e tambem da opiniao dele ter peso mil sobre mim, decidi entrar nessa vibe da coloc de ser mais esforcada na hora de transmitir minhas opinioes. Nao, nao vou virar um anjo da compreensao. Sou muito enfezada e Camilo ja me preveniu que nao seria uma boa ideia me reprimir (hihi ele eh lindo). Mas ao menos quero que as praticas do patriarca da familia fiquem bem longe.

Finalmente eh engracado perceber que nao eh nenhum sacrificio jantar com as pessoas que moram com voce. Como eh engracado tambem perceber que, quando se tem bom senso, lideres sao inuteis. Se meu pai soubesse o quanto um pouco de dialogo o faria bem, e a sua familia, talvez ainda seriamos seis.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Nuits Sonores

Post super rapido (vou tentar) soh pra anunciar a maior das tragedias: estou sem internet. Estou fazendo terapia intensiva pra ver se atravesso esse momento complicado sem enlouquecer. Tem dado certo.

Bzzzz!

Babaquices a parte (e um teclado desconfigurado como parceiro), estou pensando seriamente em comprar um computador ja que agora eu sou uma mulher trabalhadora e vou enriquecer dentro de alguns meses, eh claro. Mais bon... Estou muito satisfeita de toda forma porque amanha vai comecar um festival SUPER esperado pela minha pessoa, o Nuits Sonores. Eh a oitava edicao do festival esse ano que vai ate domingo. Eh um festivalzinho de musica eletronica que me apetece mais por ser numa epoca do ano que eu amo (Primavera) do que propriamente por ser de musica eletronica.

Na primeira foto, jovens felizes e satisfesitos. E bebados. Na segunda foto, eu superfeliz com um chapeu pra proteger minhas perebas. Eh, eu tinha acabado de cair da bicicleta e, dentro de algumas horas, eu estaria indo pro hospital pelas complicacoes que os remedios me trariam. Espero que esse ano eu nao precise ir ao medico. Malgrado a falta de internet.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Chuva de cenoura

Essa eh a semana do finalmente.

- Finalmente Camilo voltou do Senegal (pedi pra ele escrever um post sobre a semana em que ele passou lah, vamos ver se ele lembra);

- Finalmente Diana voltou do Mexico (escrevo mais sobre nossa relaçao depois);

- Finalmente eu estou trabalhando!

Pra quem chegou agora no blog, arrumei um trabalho como babá de um bebe de um ano e, como o pai eh portugues, vou maneirar nas minhas impressoes sobre a crianca (oi, pai! Se o senhor estiver me lendo, eu amo seu filho, beijo!).

O guri realmente eh um fofo. No comeco, ele fazia aquela cara de desinteria quando eu aparecia. Agora ele já sorri. Ontem ele ateh gargalhou! Quando ele faz isso, dá vontade de espremer as tripinhas dele. Eh lindo demais! E depois de dois dias de trabalho, já estou ate pensando na possibilidade de ter um filho: adotar um que tenha 18 anos e já esteja pronto pra sair de casa.

Socorro.

Lá estava eu, linda e cheirosa, dando papinha pra ele, tendo que entrete-lo entre uma colherada e outra, porque quando a brincadeira para, ele para de comer tambem. De repente, ele dá um espirro. De repente, uma chuva de papa de cenoura e baba de crianca sobre mim. Eu petrifiquei. Olhei minha roupa laranja, sorri nervoso. "Ossos do oficio. Foi soh uma papa".

Terminado o almoço, ele comeca a soltar uns peidos bizarros. "Eh agora". Comecei a me preparar emocionalmente pra trocar a primeira fralda de coco dele. Deitei o guri em cima do trocador e, pelo peso da fralda, ele devia ter cagado o equivalente ao peso dele. O bom da historia, eh que ele nao aceita ficar deitado e eu realmente nao sei como trocar um bebe que esperneia em peh. Quando ele ficou em peh, senti minha barriga ficar quente. Eh, ele tava mijando em mim. Pensei em arremessa-lo na pia, mas ja era tarde demais. "Ossos do oficio. Foi soh xixi".

Distrair essa crianca eh uma das coisas mais trabalhosas que existem. Ele nao se contenta quando cantamos, pulamos, falamos, sorrimos, corremos, fazemos caretas ou nos escondemos. Nao. Ele quer todas essas coisas ao mesmo tempo e muito mais. Por isso, sai do primeiro dia de trabalho sentindo todos os musculos da minha bunda doendo (nao me perguntem porque). E apesar de tentar usar toda minha criatividade pra entrete-lo com coisas realmente interessantes e construtivas, ele gargalhou quando eu dei uns tapinhas no vidro da cozinha. Eu fiquei com medo dele se engasgar tamanha a risada. E cada vez que eu batia no vidro, ele ria mais alto. Mas tem um detalhe. Nao era em qualquer parte do vidro, era somente quando eu batia na altura da minha cabeca: mais pra baixo nao tinha graça.

Agora vou busca-lo na creche. Talvez hoje seja o dia em que Camilo de uma passada por la pra conhecer os pais do guri, que sao uns amores, super gente fina (pais, se voces tiverem me lendo, amo voces, beijos)!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Parabéns pros blogs

Hoje meu blog faz um ano. Não que eu veja alguma coisa de especial nessa informação, mas ao menos vi esse fato como uma oportunidade pra falar sobre algo do qual eu gosto muito: de blog.

O blog Europrosa deu um selo pro Caso me Esqueçam. Eu não sei bem o que isso significa, mas sei que é uma coisa boa, um tipo de reconhecimento pelo blog. A regra diz que a imagem deve ser afixada no meu blog, mas como eu não sei fazer isso, fica por aqui mesmo, como post. Também tenho que citar quinze blogs que eu gosto (com certeza a melhor parte desse selo). Mas vou além, vou dizer resumidamente porque eu gosto dos blogs indicados, assim talvez vocês se sintam mais motivados a conhecê-los.

Ashen Lady's Blog - Blog que conheci, por acaso, essa semana. A autora faz umas reflexões sobre o cotidiano, a forma com a qual as pessoas se relacionam. A escrita é simples e fluida.

Café Velho - Eh um dos unicos blogs que fala de uma forma realmente séria sobre politica. Por coincidência ou não, ela mora em Brasilia e tem mesmo muito o que falar.

C'est pas vrai - Blog da Bel, brasileira que mora em Paris, que fala sobre tudo e sobre nada de uma forma que eu adoro: cheia de humor e ironias. C'est vrai!

Dentro do Coletivo - Apesar de ser suspeita pra falar, por se tratar de um blog do meu personal guru musical, é impossivel deixar de elogiar esse blog. Excelente quando faz criticas de albuns ou quando escreve contos. Completo.

Documentarios Verdade - Blog onde estão disponiveis documentarios obrigatorios pra quem vive nesse planeta.

Escreva, Lola, escreva - Um dos blogs mais completos pra mim: feminista bem-humorada que adora filmes. Dez feministas entre dez tem o blog dela no seu bloghall.

Foi feito pra isso - Uma boa descoberta dos ultimos tempos. Eh sempre bom ler alguém com senso de justiça e que tem talento pra escrever.

La Dolce Vita - A-do-ro! Blog sensacional que fala sobre arte (filmes, quadrinhos, desenhos animados, atores etc). Vai do classico ao tosco. Além de ter o dominio sobre o assunto que escreve, o Miguel é um gentleman de humor fino. Adoro as impressões dele.

Nunca disse que faria sentido - Também outra descoberta recente. Blog de uma criatura que fala coisas aleatorias sobre sua vida, mas que consegue prender totalmente minha atenção.

Pergunte ao Pixel - Blog da Tina, mãe da Nina, e suas aventuras. Ponto forte: um humor sarcastico. Impossivel ler um post soh.

Porte Doree - Blog da Amanda, brasileira residente em Paris. Leitura obrigatoria pra todos aqueles que decidem morar na França e também praqueles que querem conhecer a verdadeira cara da terra que o Sarkozy governa. Escrita simples pra temas complexos. E o que eu mais adoro: no clichê. Ouais!

São Paulo - Paris - Dakar - Blog da Aline que mostra de uma forma superinteressante as curiosidades no day by day nessas três capitais.

Viva Mulher - Escrito por uma jornalista feminista, me deprime as vezes por certas matérias e artigos analisados sobre a vida de mulher. Eh, a realidade deprime, mas o blog é muito bem escrito.

Não foram quinze, apesar de eu ter outros blogs como favoritos. Escolhi esses por serem menos pessoais. Espero que algum agrade a vocês. Ah, a Mirelle Siqueira também, gentilmente, me indicou pro selo. Muito obrigada, meninas!

Agora, hora de soprar a velinha!

Talvez

Related Posts with Thumbnails