segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fila da mae (ou trocadilhos a se evitar)


Todos os anos, eu - e outros milhares de estrangeiros - preciso renovar meu titre de sejour, o documento que permite que eu viva e trabalhe na França. E a cada ano que passa, esse procedimento se torna cada vez mais dificil de ser feito. Ano passado, incluiram como parte obrigatoria do processo a presença do marido/esposa francês na Prefeitura. E, ha alguns meses, um dos meus colocs, originario da Ilha Mauricio, disse que a Prefeitura decidiu limitar a quantidade de estrangeiros atendidos e passou a distribuir apenas duas centenas de senhas por dia. Isso fez com que as pessoas passassem a chegar cada vez mais cedo na fila. Resultado: à 1h da manha, ja tem gente fazendo fila na calçada da Prefeitura. Detalhe importante: o expediente começa às 9h da manha. 

Vocês podem imaginar o tamanho da minha felicidade quando ouvi isso. Sobretudo, porque meu titre expiraria dentro de algumas semanas. Quando a data se aproximou, preparamos a papelada e fomos super satisfeitos, às 4h da manha, fazer o que o ser humano mais gosta de fazer: fila. 

Peguei minha bicicleta (afinal, o metrô nao funciona a essa hora) e fui à Prefeitura. Pelas minhas toscas contas, ja havia umas sessenta pessoas na minha frente. Camilo, zumbi, chegou meia hora depois. A chuva começou. 

Personagens em volta: cinco homens arabes de jaqueta preta falando merda na minha frente. Uma jovem arabe, que tava sendo violentamente cantada por outro arabe que tava atras dela, e um velhinho caquético que eu nao sei bem onde estava. Mas ele parecia ta morrendo.

A noite foi indo embora, a chuva enfraqueceu, as pessoas foram chegando. A conversa entre os arabes era animada e de vez em quando alguém saia da fila pra comprar café. O arabe deu tanto em cima da menina que escutei num momento dela: "olha, você ta me constrangendo, eu tenho namorado". Ele dizia sorrindo: "mas eu nao me importo". Mas a menina era bem simpatica e nao se importou com as investidas, conversou com ele a manha inteira. Eu, morta de tédio, prestava atençao em tudo pra me distrair. Depois aconteceu o que todo mundo sabia que ia acontecer em alguma hora: uma briga. Minha gente, a fila da Prefeitura é mais tensa que roleta russa. Basta alguém dar um passo em falso, literalmente, que a confusao começa. 

O sol apareceu. Seis, sete da manha. O arabe deu um beijo no braço da menina. O velhinho pediu pra eu avançar. O casal atras de mim começou a falar espanhol. Oito horas da manha e varios palavroes na minha cabeça. 

Algum tempo depois, uma velha com seu filho adolescente, pediu pra que abrissem a grade de ferro que define a fila pra que ela entrasse. As pessoas costumam entrar e sair da fila  pra substituir algum parente que esteja cansado de ficar em pé, por isso, ainda que desconfiados, deixaram a velha entrar. O problema é que ela nao estava ali pra substituir ninguém, ela estava ali pra fazer o que NINGUEM, nem mesmo uma velhinha, poderia ousar fazer nessa situaçao: furar fila.

PAM RAM RAM RAAAAAAM!

E na frente de quem ela decidiu ficar? Na minha frente, pessoas. Na-mi-nha-fren-te! Ela entrou na fila e disse "é que eu tou esperando meu outro filho que ta la na frente", aih ela deu um xauzinho la pra frente pra alguém. Soh que esse alguém nao existia! Ela acenou pra nuca das pessoas, porque ninguém respondeu ao aceno. E o Oscar de melhor atriz vai para… 

Meus amigos, vejam bem. Eu sou uma pessoa otaria. Levo desaforo pra casa, nao sei dizer "nao", perco certas oportunidades de falar o que penso etc e tal, mas essa velha despertou meu lado Hulk e, quando eu me dei conta da situaçao, peguei ela pelos bigodes e a arremessei no chao eu perguntei a ela o que ela tava fazendo ali e chutei a cabeça dela quatro vezes pedi gentilmente pra ela ir encontrar o tal filho dela na fila. Como ela ficou enrolando, eu entrei na frente dela e comecei a dizer que eu nao tinha chegado ali às 4h da manha pra que alguém viesse pegar meu lugar e bla bla bla. Pra alguém banana, timida e travada no francês como eu, foi um grande feito. Eu merecia um biscoito.

A pilantra ainda tentou sustentar toda aquela farsa imunda mandando o filho dela procurar pelo suposto irmao, mas o menino era meio atrasado mentalmente porque nao captou bem o que a mae tava tentando fazer e voltou de uma breve procura na fila dizendo "maaaae, eu acho que ele ta em casa mesmo, viu". Game over, dona Maria! As pessoas atras de mim ja tavam com foices e tochas na mao, prontas pra caçar a véia. Ela acabou saindo da fila gritando "minha vingança sarah maligrina!"

Teve um momento em que um passarinho pousou no chao e os arabes enjaquetados gritaram "sai da fila!" hihihi (eu ri!). Quando finalmente deu 9h da manha, e todas as minhas varizes ja gritavam aflitas, a Prefeitura abriu. So que, a essa altura, nao existia mais uma fila definida. A arabe, o arabe, o velho, o casal e outras pessoas estavam ao meu lado, a fila tinha se compactado e ninguém sabia direito a ordem dela. Mesmo debaixo da desordem, conseguimos entrar e pegamos o ticket numero 100. 

Entrei no prédio e me deparei com uma luz muito forte vindo do final do corredor: eram duas cadeiras vazias. Cadeiras, minha gente, cadeiras! Vi que havia duas pessoas se aproximando delas, entao, rapidamente, fiz uso das minhas habilidades na arte do tae kwon do para neutraliza-las. Depois de conseguir os tickets e as cadeiras, a segunda metade do dia foi facil: soh precisamos esperar mais cinco horas até sermos atendidos. Em cinco minutos, a moça simpatica do guichê deu andamento no meu novo titre e disse "volte em três meses pra pegar o documento definitivo". Com prazer. 


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5 ml

Quando Camilo se demitiu do emprego, ele ganhou dos colegas, além de uma inutil maquina de fazer capuccino, um par de ingressos pra um famoso festival de Lyon, o Nuits de Fourvière. Ja falei dele aqui. Fiquei toda pimposa com o regalo, porque entre as atraçoes tinha uma banda que gostamos muito, o Dub Incorporation

Apesar de saber que iriamos viajar cedissimo no dia seguinte, ao meio-dia, estavamos afim de encher a cara, entao preparamos uma preciosa mistura de vodka e suquinho de laranja numa garrafa e rumamos pro show. "Eu sei que a gente nunca vai ficar bêbado com essa garrafinha, mas no show a gente continua a beber outra coisa", profecisei. 

Conselho: nunca subestime o poder do alcool.

Quando a garrafa terminou, eu ja tava sorridente. O festival se passa num dos lugares mais charmosos de Lyon, o teatro galo-romano. Como chegamos tarde, acabamos pegando um lugar péssimo pra quem tava afim de beber: longe do banheiro e do bar. Assim que o show começou, exatamente no horario indicado no ingresso, fui comprar vinho. Pra compensar a ida, comprei logo três copos. Como eles estavam muito cheios, dei umas bebericadinhas inocentes em cada copo pra que eles nao derramassem. Antes de eu voltar aos nossos lugares, três viraram dois. 

O show tava lotado, eu nao achava mais nossos lugares. Parei no alto da escadaria pra procurar Camilo. Passei os olhos minuciosamente em cada fileira da platéia. Vi gente gorda, magra, branca, preta, anao, traveco, ET, criança, cachorro e zumbi. So nao vi Camilo. Beberiquei mais um tequinho, procurei mais, me impacientei, quis desistir, beberiquei, procurei, procurei mais, beberiquei, me impacientei, bebi, bebi e nada de Camilo. Quando dois ja tavam virando um, vi um homem desesperado sacudindo um cachecol vermelho. 

Continuei subindo as escadas, dei uma volta fenomenal por tras das fileiras pra evitar o mar de gente e, quando finalmente entreguei o copo a Camilo, tive vontade de fazer xixi. Tomei o que tinha restado do meu vinho e fui ao banheiro. Pra compensar a ida, comprei mais três copos de vinho e voltei pro show. 

Show nesse teatro é mesmo um espetaculo, coisa diferente de tudo que ja vi. Curto quem ta no palco, mas passo a maior parte do tempo admirando o publico. Milhares de maos levantadas numa coreografia harmoniosa, o eco das vozes amplificado pela arquitetura do lugar. E eu no meio disso tudo. E eu no meio disso tudo, morrendo de vontade de fazer xixi outra vez. "Vou la antes que piore". Vocês conhecem aqueles comentarios que as pessoas fazem quando vao falar do "defeito" fisico de alguém? Por exemplo, um narigudo: "eita, que essa pessoa passou três vezes na fila do nariz!"? Pois bem. Quando Deus foi distribuir as bexigas, ja nao havia mais nenhuma na minha vez mas, bondoso como Ele é, me disse

- Luciana, eu vou te dar essa bexiga de passarinho.
- Que historia é essa, Deus?
- Luciana, eu escrevo certo por linhas tortas.
- Parabéns. Mas eu quero uma bexiga hu-ma-na.
- Desce.

Aih eu nasci.

Vinte e seis anos depois, la estava eu indo ao banheiro. Comecei a andar bem rapido porque senti que o negocio ia piorar em alguns segundos. Quanto mais eu me aproximava do banheiro, mais eu sentia vontade de mijar. A cada passo, o xixi ia aumentado e a bexiga ia diminuindo. Comecei a correr. Nao foi boa idéia. Parei. Tentei andar de pernas cruzadas e nao vou nem descrever o quanto fiquei ridicula tentando fazer isso. Vi o banheiro. Esperança. Nao tinha fila. Corri, peguei na maçaneta da porta e… fiz xixi nas calças. 

Essa é minha vida, Brazeel. 

Nunca saberei quanto tempo passei sentada naquele vaso tentando secar uma calça jeans com papel higiênico, mas digamos que a primeira banda acabou assim que voltei pro meu lugar. Acho que nao comprei mais vinho quando voltei, mas ha controvérsias. A atraçao seguinte era Tiken Jah. Queria descrever o show dele, mas nao lembro bem o que aconteceu. Mas eu tava feliz, apesar de.

Camilo me lembrou no dia seguinte que eu derrubei cinza de cigarro na cabeça da mulher que tava sentada na minha frente (sem querer) e que eu ficava colocando chifre na cabeça dela com a mao. Pelo visto, nao passei nenhuma vez pela fila da maturidade. Logo em seguida, antes do show acabar, "tu levantasse de repente e falasse 'amor, tou muito bêbada, quero ir embora'". E a gente foi. Como vocês podem ver, o show foi muito bom! 



domingo, 24 de julho de 2011

Finalmente


Fujam para as montanhas! Amanda estah vindo! 

Nao pretendia mais postar sobre o fim de semana que passamos em Paris em razao do pic nic (alias, parecia que eu nao pretendia postar nunca mais), mas olhando as fotos, vi que queria dizer que foi muito bom! E coisas assim merecem ser registradas.

Chegamos em Paris na sexta de manha (08 de julho). Amandao foi pegar a gente na estaçao e depois fomos matar o tempo num jardim aih à beira do Seine. Sinto muito, eu nao guardo nomes. Nesse momento, fomos brutalmente atacados por passarinhos famintos que visavam os farelos do nosso pao. Paris estah cada vez mais perigosa. 

Algumas horas depois, pude realizar um desejinho antigo: conheci dona Maria Ritalice, o motivo que deu surgimento ao pic nic, na minha opiniao. Graças ao primeiro abraço, passei três horas com o perfume dela em mim, nao sei se pelo esfregamento grande ou pela potência do dito, mas Rita, nao mude de perfume. E, gente, sim!, ela é a pessoa bonita que parece ser no blog. Por isso, ainda sinto a vergonha de ter deixado passar a oportunidade de vê-la no domingo, mas ela ha de perdoar. 

No final da tarde, depois da Amanda mirim ter capotado de sono (de rosa, na foto abaixo), nos despedimos da familia Paschoalin. Ainda na foto abaixo, Rita recebendo explicaçoes duvidosas de Amanda. Atentem pro detalhe da banana. Descobri que esse ser de blusa roxa tem banana como base alimentar. Quando ela teve em Lyon da ultima vez, comprou uma penca de banana e soh comeu isso. Achei esquisito, mas respeitei. 


Em Paris, enquanto todo mundo queria croissant, Amanda foi de banana. O problema é que ela nao respeitou o aviso...


 


Amanda e todo seu charme banânico



- Luci, onde você escondeu minha ultima banana?
- Menina, nem tchi conto!

Mas como eu ia dizendo, fomos a um bar magavilhoso. Ele nao tinha nada de especial, mas um lugar onde se vende cerveja é sempre maravilhoso. Respeitemos. Foi aih que eu conheci Maitê. Agora eu entendo porque as duas se tornaram amigas de infância! Maitê é muito legal, minha gente, gente sem frescuras! Basta dizer que a noite começou assim:



Phinas



E foi ficando assim...



Benzina recebendo a pomba-gira



Alguns copos mais tarde... 
A postagem dessa foto é a prova de que eu nao prezo pela minha imagem, beijos. 



Benzina com cara de quem perdeu a mae e Camilo, O Revoltado

No aguardado sabado, fomos ao Parque sei la o quê - desculpem, eu nao guardo nomes - pro pic nic. Eh legal demais poder ver a cara dos autores dos blogs que eu leio ha anos. Conheci a Adélia do Pedalando em Paris, a Drixz do Café Velho e a Helena do Certain Regard. Foi lindo! Soh achei o tempo curto, Drixz foi embora muito cedo, conversei pouco com elas. Culpa minha que estava trabalhando no modo timida. Aline do Sao-Paulo-Paris-Dakar (que teve alguns problemas com crocodilos) e a Mari do Agora nem sei mais sao velhas de guerra e eu ja conheço de outros carnavais pic nics. Também teve a Alê e a Adriana que, até onde sei, nao tem blogs, nao? Faltou a Carol. 




Faltou ela



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Esse nao é um post sobre cocô


Povo de deus e povo que nao é de deus. Um post curto pra anunciar e convidar as pessoas de bem pro terceiro pic nic de blogueiros. Quer dizer, esse nome precisa de revisto, ja que todos estao convidados. Os outros dois pic nics foram, como diria Meneghel, um xuxexo, e esperamos que este siga a linha.

O pic nic serah no dia 09, proximo sabado, em algum parque de Paris (porque informaçao precisa é tudo). Levem birita, comida é pros fracos.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Glub glub - parte II


C. Creuza

A avoh dos guris disse que, nos dois meses em que ela cuidou deles, emagreceu seis quilos. Estou esperando bater esse recorde e, baseado nesses três dias de trabalho, acho que vou conseguir. Essas crianças vao me deixar magra. E louca. Antes de trabalhar como babah, meu maior sonho era ser mae. Eh, era parir. Era povoar o planeta. Hoje em dia eu nao quero me ocupar de nada que nao tenha o tempo de vida de uma borboleta. 

No segundo dia de trabalho, na hora do banho, fui tirar a fralda de Creuza. Sabe quando a criança caga e você encontra cocô até nas costas dela? Pronto, foi o caso. Alias, quase sempre em que vou trocar a fralda dela (quase sempre = três vezes), encontro cocô nas costas da menina, porque ela tem o talento de cagar sentada. Ela nem fica de banda pra dar vazao ao cocô. Nao. Ela caga sentada mesmo, dai o cocô fica sem saida e vai parar quase no pescoço. Mas pensei "bom, ao menos ela nao vai fazer cocô na banheira, como ontem". Eu, inocente.

Mais uma vez, joguei os guris dentro d'agua, ensaboei todo mundo e deixei eles brincando. De repente, vejo uma tripinha marrom e fina saindo da bunda da menina. Olha, essa menina é uma maquina de cocô, so pode. Como eu disse no twitter, acho que o unico orgao que ela possui é um intestino: um graaande e imeeenso intestino que vai da guela ao reto. Mas nao havia tempo nem de chamar palavrao. Gritei "guri, sai da agua! Creuza ta fazendo cocô!". O menino nao costuma  me obedecer, mas quando ele ouviu a palavra "cocô", ele olhou pra irma e, no segundo seguinte, ja estava nos meus braços. Se eu tivesse gritado TUBARAO, ele nao teria saido tao rapido. 

Quando o pai chegou em casa, eu disse que os brinquedos precisam ser lavados porque tinham estado numa soluçao de xixi e cocô. Ele pensou em voz alta "o que sera que eu coloco aqui pra lavar esses brinquedos? Hummm... vou colocar amaciante de roupa". Cara, nao sei, a menos que você queira brinquedos macios, va la, mas eu escaldaria eles. Mas, né, eu que nao vou me meter nas resoluçoes do patrao.  

Soh sei que eu tenho suado. Suado muito. Vou buscar o guri na creche quando o sol ainda estah a todo gaz aqui (17h). Em seguida, tem a hora do banho num banheiro minusculo e abafado. Essa é a hora mais tensa: um caga na agua, outro chora pedindo sopa, os dois tentam ficar em pé, eu mando sentar, o menino chora com sabao nos olhos, a menina engole agua, o guri tenta sair da banheira, eu grito, a guria grunhe e o suor desce. No final, eu nao sei qual dos três ta mais molhado. 

Mas o pior mesmo... O PIOR, MEU POVO, é quando os dois gritam ao mesmo tempo (80% das vezes). A menina, coitada, soh pode gritar. E o desenho no começo do post é o retrato fiel dela. Ja o guri, consegue se expressar usando algumas palavras, mas como o vocabulario dele nao é muito variado, o que se mais vê é:

- Soupe (sopa)! Soupe, soupe. Soupe, soupe, soupe!
- Ja ouvi, Guri.
- Soupe, soupe, soupe, soupe. Soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe!
- Guri, eu-ja-ouvi!
- Soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe, soupe!
- Menino, eu vou te dar sopa! (cacete, puta que pariu!)
- SOUPEEEEE! SOUPE, SOUPE!
- Senhor, me ajude a nao mata-lo.

E ele repete isso ad-in-fi-ni-tum. As vezes eu tenho vontade de amarra-los numa pipa e soltar os dois pela janela, e soh puxar a corda na hora deles dormirem. Mas vai que dah processo... 

Sugestoes? 



segunda-feira, 27 de junho de 2011

Glub Glub


Peixe um: "nossa, tive uma ideia genial"
Peixe dois: "nossa, deixa eu sair da banheira antes"

Tenho tanta besteira pra dizer que nao sei nem por onde começar. Mas como eu sei que meus leitores nao sao nada exigentes, do contrario, nao seriam meus leitores (viu como eu consigo diminuir todo mundo numa sentença soh?), eu vou começar pelo dia de hoje. 

Nos dois ultimos meses, praticamente parei de trabalhar pra ver se conseguia dar conta dos periodos de provas e recuperaçoes da faculdade. Mas isso coincidiu com o periodo em que a mae do guri do qual eu sou babah saiu da licença-maternidade. Entao, entrou em campo a avoh dos guris que deixou momentaneamente a sua casa em Paris e se instalou em Lyon durante os ultimos dois meses pra cuidar dos netos. Mas a faculdade acabou (pelo menos por enquanto) semana passada e, apos nove lindos dias de férias, esta babah que vos escreve estah de volta à ativa. Pro azar dela.

O esquema agora nao inclui somente cuidar do guri, agora eu tomo conta da monstrinha também. Pois é, Brazeel, o mundo da voltas. Eu havia jurado que nunca mais chegaria perto de Crazy Creuza, mas o que a gente nao faz por dinheiro amor? A pobrezinha, pro azar dos pais e pra minha sorte, nao tem vaga na creche, entao agora eu serei a babah dela. Das 8h da manha às 19h. 

Ai.

Antes de começar a trabalhar com ela, tive dois dias de... treinamento... dados pela experiente avoh. O objetivo era conhecer os habitos da guria antes de me ocupar dela. Foi uma experiência bem interessante. Mas com a avoh. A familia paterna da gurizada é portuguesa (por isso contrataram uma babah que fala português), o que nao impede que a lingua seja motivo de piada, pra mim. Acho curioso, por exemplo, quando ela fala "calcinhas" se referindo à calça. 

- Luciana, hoje faz calor, entao pode pôr uma calcinha no guri.
- Err... Ok... A senhora é que é a avoh.

Na primeira vez em que fui trocar a fralda da bebê, ela disse "ah, limpa bem o cuzinho dela, viu". Limpa o que, fera? Essa mulher pensa que soh porque ela colocou a palavra no diminutivo o peso dela se perdeu, foi? Cu é cu, pô. Seria como "ai, limpa o furiquinho dela, viu". Soa estranho. Mas beleza. O negocio é que hoje eu escutei ela dizendo à guria, que estava elétrica, com um super sorriso no rosto: "ai, mas você é uma pica russa mesmo, hein". Aih, eu choquei, né. Pensei, porra, essa mulher tem pego pesado com essa criança. Cu ainda vai, mas pica é foda! 

Cheguei em casa, corri pro dicionario e me impressionei com a quantidade de significados pra pica. Eu so conhecia um, pra vocês verem como eu sou inocente. Entao, com rigor cientifico, analisei cada expressao esperando por aquela que seria a mais adequada de ser dita por uma avoh à sua neta de oito meses. 

Pica: Camisola de lã. "Ai, mas você é mesmo uma camisola de lã russa!" Hmm... Nao serve.

Pica 2: Cada uma das peças delgadas que entram na construção da proa e da popa. Acho que nao.

Pica 3: Cigarro de haxixe. Como a véia é doida, eu nao me supreenderia que ela chamasse a neta de baseado. Mas nao.

Pica 4: Peixe teleósteo da família dos ciprinídeos, de água doce, muito comum em Portugal. Opa! Portugal! Pode ser isso, vamos tentar? "Netinha, você é um peixe teleosteo russo. Que, inclusive, é muito comum em Portugal". Viram? Ficou mais adequado chamar a menina de peixinho. Mas aih vem a quinta pica:

Pica 5Entusiasmo, vigor, vontade (ex.: estão cheios de pica para treinar). Voila! Mistério resolvido.  "Netinha você tem muito vigor... russo" Se for isso, eu concordo com a avoh, porque essa guria nao para quieta. Tipo assim, nenhum segundo. Inclusive, Amanda disse que era um barato cuidar de bebês porque eles dormiam o dia todo. Mas é claro que o bebê que eu cuido nao podia ser normal: a avoh ja disse que ela nao gosta de dormir. Hoje mesmo ela dormiu vinte minutos de manha (deu nem tempo d'eu sorrir) e, à tarde, uma hora, quando o irmao, bem mais velho, dorme três horas por dia.  

Hoje a avoh voltou pra Paris no meio da tarde e eu assumi sozinha o trabalho com as crianças. Fui pegar o moleque na creche, mas nao fomos ao parque porque o calor estava infernal e eu notei uma certa afliçao na cara da bebê. Me debrucei sobre o carrinho, olhei bem nos olhos dela e perguntei, meu amor, o que esses olhos querem me dizer? "Me tira daqui, vaca". 

Voltei pra casa com os dois e preparei o banho deles na banheira. Aguinha morna, brinquedinhos boiando... Joguei os dois la dentro e sai passando sabao em tudo que se mexia. Eu suava BICAS. O guri pediu pra sair. Enxuguei ele, pus sua fralda e, quando olhei pra banheira pra ver se a guria ainda tava viva, vi que a agua estava preta: quilos de cocô boiando junto com a menina e os brinquedos. Véi, eu fechei os olhos, respirei profundamente e cantei uma cançao. Era isso ou ia fazer aquele menina tomar aquela agua. Aih, né, pesquei a guria do meio da bosta toda, dei um banho de ducha na pica russa e vim pra casa. Mas amanha tem mais. E depois e depois e depois.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Toninho do Diabo feelings

Durante essa madrugada, estava eu, linda e maravilhosa, mentira, sonhando pela milésima vez com Xarah e Camilo, quando escutei um barulho. Parecia o barulho de um tambor e ele foi ficando cada vez mais forte, até que eu acordei e me dei conta de que o barulho era real. Acordei Camilo e tentamos identificar a origem do barulho. Pra mim, so havia uma explicaçao racional: tinhamos uma tribo apache no jardim. Entao, abrimos a janela, mas estranhamente, nao encontramos nada. 

Quando levei em conta que os barulhos poderiam ser tiros, comecei a entrar em pânico e pedi pra Camilo chamar a policia. Foi quando vimos nossos vizinhos nas janelas das suas casas e alguém gritando "fogo!". Na janela de um dos vizinhos, pudemos ver refletidas as chamas que vinham... da nossa rua. Corremos pra janela da frente e vimos um carro sendo incendiado. Ligamos pra emergência e fomos pra calçada ver o espetaculo. 

Os bombeiros chegaram em menos de um minuto, o que me faz pensar que sao os proprios bombeiros que tocam fogo nos carros e aparecem rapidamente pra mostrar à populaçao o quanto eles sao eficientes. No Brasil, o carro pega fogo, o sertao vira mar, o mar vira sertao e os bombeiros nao chegam*. 

Logo em seguida, a policia chegou. Eles falaram com os bombeiros e depois vieram até a gente pra confirmar nossa ligaçao. O policial olhou pro meu cabelo e disse "minha filha, você esta presa". Eu devia ta muito linda. Bom, o policial disse que haviam ligado antes da gente e dito que os incendiarios ja tinham fugido do local. Mas é claro. Se eu morasse num pais em que os bombeiros chegam antes do incêndio começar, eu também nao ficaria muito tempo no local do crime. Eh a segunda vez que tocam fogo num carro aqui. Também costumam incendiar as latas de lixo. Em 2009, um menino de 12 anos foi metralhado por causa de uma briga de gangues do bairro. Ja tocaram fogo numa moto na nossa esquina. Mermoz: um bairro tranquilo.

*Ainda em tempo: deve ser porque eles estao na cadeia.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nota sobre as notas

Amiguinhas, amiguinhos e gente do mal. Estou vivendo um dia lindo e fantastico. Possivelmente, o melhor do ano, até aqui. Explico sem mais delongas: recebi minhas notas ontem e, gente, eu passei de semestre!

Ooohhh!

Eu tou anunciando isso, mas ainda nao tou acreditando. Entendam. Minhas notas em pelos menos duas disciplinas estavam muito ruins (um oito e um seis quando a média exigida é dez). Eu precisava me sair muito bem nos exames escritos pra compensar essas notas. O problema é que essas notas ruins foram de trabalhos que eu havia feito no aconchego do meu lar, tendo sido revisados por um francês (ou seja la o que Camilo seja). Entao, a probabilidade de eu fazer uma prova escrita e obter uma boa nota que pudesse compensar as ruins era bem pequena e, como eu viria a saber, isso seria mesmo impossivel: tirei notas tao ruins quanto as anteriores. Hihi

Mas Luci, como entao você passou? 

A Amanda disse que foi porque ela orou bastante nos momentos em que eu fazia as provas.  E, mesmo que eu ache essa explicaçao muito razoavel, eu acho que o fato de eu ter obtido boas notas nas outras disciplinas fez com que eu pudesse compensar as notas ruins. Sistema francês, seu lindo! Eu ja tava conformada em ter que repetir essas disciplinas, em ver as detestaveis caras dos meus professores no proximo semestre, mas aconteceu algo grandioso: a matéria em que tirei sete, por exemplo, foi compensada pelo 14 de outra disciplina. Nao é lindo? 

Mas vou parar por aqui, até porque essa boa noticia nao significa muito: ainda tenho as recuperaçoes do semestre passado (onde precisarei mesmo fazer uma prova de uma disciplina que eu jamais vi), e nenhuma garantia de diploma, mas soh de pensar que eu nao precisarei mais ver a cara dos seis professores que tocaram o terror na minha vida nos ultimos três meses, ja me sinto feliz. Muito. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A fuga das galinhas

Agora, somos uma grande coloc de onze. Como eu disse no post passado, o presente de aniversario de uma coloc foram três galinhas. Ela adora fazer bolos e doces e acho que ter ovos frescos deve significar muito pra ela - mas essa é minha explicaçao sobre o fato. Entao, quando as galinhas chegaram, sabado passado, improvisamos um galinheiro entre o forno à lenha e a estufa. Eu nunca vi pessoas tao empolgadas com galinhas, pareciam crianças. "Olha, ela abriu as asas!", "olha, ela ta ciscando!", "olha, ela ta comendo o milho". Eh, caralho, olha, ela ta agindo feito uma galinha! Puta merda. O pessoal observava as galinhas e eu observava o pessoal. 

Eu desconheço a relaçao dos meus leitores com galinhas, mas pra mim estas nao representam um bicho estranho. Minha avoh paterna, quando sabia que iamos visita-la, sempre comprava uma ou duas galinhas pro almoço. Mas vovoh era roots. Ela poderia muito bem comprar um frango congelado no supermercado. Mas nao, vamos ser diferentes: ela comprava uma galinha viva na feira, a degolava (um parênteses: ver uma galinha semi-degolada cacarejando é uma das cenas mais bizarras que eu tenho da minha infância), depois a escaldava, a depenava e a esquartejava. E a gente comia esse negocio. 


Josette, Lucette e Bernadette. Nao necessariamente nessa ordem.

Nao tenho pena no pescoço. So linda?

Depois de cinquenta minutos de admiraçao, o pessoal da casa finalmente se dispersou pra curtir a festa que tava começando a rolar. A festa foi otima! Foi a primeira que fizemos no jardim, com direito à pizza no forno e churrasco. Como sempre acontece, misturei todas as bebidas que encontrei pela frente e, apesar de nao ter ficado muito bêbada, tive uma feliz ressaca que me fez pensar que eu ia ter dor de cabeça até o aniversario do proximo ano.

Daih, acordo no dia seguinte com aquela cara de quem morreu e esqueceram de enterrar e desço com Camilo pra dar uma primeira geral na casa. O chao da casa pregava, tinha garrafa de alcool por todo lado, piola de cigarro pelo chao, caixa de som estourada, salgadinho pra todo lado, enfim, a visao do caos. Eh quando a campainha toca anunciando a visita surpresa de quem? Dos meus patroes.

Gente.

Eu estava decrépita. Eu era uma mistura de mendiga com zumbi. Cabelo despenteado, cara amassada e halito de alcool. A casa tava mais apresentavel. Obviamente que evitei que eles entrassem nela, entao conduzi os pais pelo jardim. Lembram? O jardim bonito que eu descrevi aqui? De repente, como se nao bastasse, passa uma galinha correndo pela gente. Sim, uma das dettes tinha fugido. Eu nao sabia se eu fingia que nao tinha uma galinha preta correndo pelo meu jardim ou se eu procurava identifica-la e apresenta-la formalmente à mae do guri. 

Antes que eu pudesse me decidir, a avoh do guri, que também veio, abriu as pernas, os braços, se posicionou como goleiro e ficou esperando a galinha. Todas as atençoes se voltaram pra ela. A galinha entao parou, refletiu e deve ter concluido que conseguiria romper a barreira humana da voh, porque ela recomeçou a correr loucamente. Felizmente, a mulher conseguiu segurar a galinha e o fez com tamanha segurança, que eu conclui que ela foi goleira fazendeira em outra vida. Ela disse que deveriamos cortar as penas das asas das galinhas pra que elas nao voltassem a fugir. Anotado.

As galinhas sao da inglesa, mas a pessoa mais empolgada é o socio de Camilo. Camilo diz que ele vai na varanda umas quatro vezes por dia dar uma olhada nas galinhas, depois verifica se elas ja puseram ovos. Eu nao me surpreenderia se o encontrasse um dia dormindo no galinheiro. Hoje, ele entrou pela sala super empolgado anunciando que umas das dettes tinha colocado dois ovos. "Oitenta gramas!" Ah, eu me divirto! 




sábado, 28 de maio de 2011

04. Do que é diferente - Fête des voisins

Na ultima semana de cada mês de maio, a França comemora a Festa dos vizinhos. A idéia surgiu em 1999 com o proposito de estimular as relacoes entre os moradores dos bairros. Eu nunca tinha ouvido falar na festa até um dos meus colocs resolver organizar uma aqui em casa, ontem. Pro caso francês, isso é fantastico, porque as pessoas aqui nao moram, se escondem. No Brasil, eu pensaria mais numa campanha pra que os vizinhos nao participassem tanto da vida alheia.

"Bom dia, eu sou o babaca do quinto andar!"
"Oi, eu sou a puta do terceiro!"
Apesar de existir ha pouco tempo, a festa parece ser bem popular. Meu coloc foi na sub-prefeitura e pegou o material que ela disponibiliza pra festa: cartazes, baloes, convites, camisas e adesivos pra colar na blusa onde os vizinhos escrevem seus nomes pra facilitar o reconhecimento durante a festa. 

Eu moro ha quase dois anos aqui e o unico rosto de vizinho que eu conheço é o da vizinha da frente, e somente porque ela sai de casa pra fazer feira no mesmo momento em que saimos. Mas desconheço os moradores de toda a rua - que consistem basicamente em velhos solitarios e ranzinzas. A vizinha do lado, um amor de pessoa, ameaça denunciar a gente por uma construçao que fizemos sem permissao da prefeitura. Nao, a construçao nao foi no jardim dela, foi no nosso, mas ela nao gostou e pronto. 

A perdiçao das crianças. E a minha
Pra festa, pensei em fazer um prato brasileiro, algo bem elaborado. Entao, fiz brigadeiro. Foi dificil. Mas dificil mesmo foi explicar às pessoas que aquela sobremesa nao tinha nada além de leite condensado como ingrediente. Eh que francês nao curte muito doce. O leite condensado daqui, por exemplo, é diferente, é menos doce! 

Mas o primeiro desafio da festa foi o de convencer as pessoas a participarem dela. Depositamos convites nas caixas de correspondência, mas como a vizinha da frente é especial, uma coloc foi falar com ela pessoalmente na vespera da festa e a convidou pra conhecer nosso jardim. Minha gente, que desgraça. Nosso jardim é a ultima coisa apresentavel desse mundo. Temos um bom espaço na area externa da casa onde cada coloc poe em pratica seus projetos: temos uma estufa onde plantamos tomate; a construçao da discordia, ja citada, em madeira, pra guardar nossas bicicletas; temos um forno à lenha; um grande espaço pro composto e, em breve, teremos um... galinheiro.


Pessoas de boca cheia 


Da esquerda pra direita, vos apresento: torta de chocolate, quiche, brigadeiros, cerejas,  purê de lentilhas, mais torta, paes e pessoas sem importância ao fundo


Vizinho faminto e eu 

 Mas tudo isso é assunto pra um outro post. O que importa neste é que, pra fazer o fogo do forno à lenha, precisamos de que, amiguinhos? De leeenha. Entao, o pessoal passou a juntar todos os restos de madeira e pau que viam pela frente e o resultado é que parece que toda a madeira do universo se encontra no nosso jardim: resto de cadeira, tabua de mesa, galho de arvore, bau, sequoia etc. O monte de galho fica bem na entrada do bêco que da acesso aos fundos da casa, e sempre que eu passo por la, eu prendo meu vestido, minha saia... Eh perigoso se aproximar, ja perdemos dois gatos, uma criança e um vizinho que tentaram passar por essa area. Eles tao la até hoje se debatendo.

Eh sério.

A vizinha, quando viu nosso jardim, ficou impressionada com nossas plantaçoes, mas quando viu o tanto de madeira amontoada disse chocada "mais ça fait un peu de bordel quand même!" que em traduçao livre (livre de certeza) quer dizer "puta que pariu, que bagunça do carai". Inclusive, acho que ela nao veio pra festa com medo de ficar engalhada.

Como nao recebemos confirmaçao de nenhum vizinho, ficou aquela tensao no ar se teriamos uma festa de vizinhos sem vizinhos. Pouco a pouco, as pessoas foram chegando. A primeira, foi uma vizinha ja conhecida que é freguesa da nossa lojinha - temos uma micro-loja na garagem de produtos bio em processo de desenvolvimento: igualmente assunto pra outro post. Ela veio com a familia. Depois chegou um velhinho solitario que encheu a cara e contou a historia da nossa rua. Finalmente, chegaram mais duas familias. Uma delas era composta por um guri que tocava violao e uma menina que tocava flauta. O guri conseguia dedilhar alguma coisa sem fazer o ouvido doer, mas a menina... Aplaudi por educaçao, mas a vontade mesmo era arremessa-la no monte de galhos. A flauta dela e meus pensamentos:

- Fi-foooom fiii-foooom!
- Eu podia ta roubando. Eu podia ta matando.
- FI-FOOM FI-FOMM...
- Mas nao... Estou aqui escutando essa...
- Fiiiiiiiii... Fooooooommm...
- ...pessoa. 

Quando ela acabou, eu fui a primeira a aplaudir: aplaudi o silêncio.

Mas a festa foi otima! Nao serviu muito pra mim no proposito de conhecê-los, ja que eu sigo sem saber o nome das pessoas ou a casa onde eles moram. Mas é bom guardar boas relaçoes com os vizinhos, dificilmente estes vao chamar a policia quando das nossas festinhas barulhentas.

Por falar nisso... hoje é o meu aniversario! *dancinha

Taih, nao curto envelhecer, mas esse é o unico dia em que eu sou babada e mimada ao extremo, entao, aproveito! O dia nem acabou e ja foi lindo! Fomos a um restaurante indiano na parte antiga da cidade (Vieux Lyon). Depois compramos uma cerveja e fomos dar uma voltinha. Vieux Lyon é a parte mais turistica da cidade e hoje tava tendo uma feira onde as pessoas da organizacao estavam vestidas em trajes medievais. Louco! Tinha uma tenda com tiro ao alvo onde a arma era uma besta. Lembrando que a besta da qual eu tou falando é mais parecido com isso,


do que com isso:

    
E por falar em animais (tou parecendo o wikipedia e seus hyperlinks), as galinhas acabaram de chegar! Acreditem ou nao, elas sao presente de aniversario de uma das colocs. Ela faz aniversario amanha, entao, faremos uma festinha hoje aqui em casa. Por conta disso, vou me recolher aos meus aposentos e descansar um pouco pra estar disposta hoje à noite.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

Livres (com update)

A Brabuleta recebeu um meme, repassou pra Rita, que repassou pra mim. Meme sobre livros que lemos e que deixamos de ler. A quantidade de livros que estas nobres pessoas leram me constrange, porque meu curriculo literario nao é tao extenso quanto eu gostaria que fosse, mas a gente se mete mesmo assim a falar de livro. Emperiquitando o comentario que deixei na Borboleta:


1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Li e reli varias vezes O diario de Anne Frank. Eh absurdo dizer isso, mas foi identificaçao profunda e a cada leitura eu vejo algo diferente. Lembro perfeitamente do dia em que ouvi falar dela pela primeira vez: eu tinha uns doze anos, tava na rodoviaria de Joao Pessoa com minha mae, numa fila sem fim, quando ela comentou sobre essa menina que ficou escondida durante a Segunda Guerra "num quarto". Fiquei louca de curiosidade. Ela me comprou o livro algumas semanas depois num sebo (update: nesse post, eu digo que implorei por dois anos pelo livro à minha mae. Memoria, essa safada). Paginas amareladas, cheirando estranho. Muito amor. 

2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

O morro dos ventos uivantezzzZZZzzz. Cheguei três vezes na metade, trouxe ele pra França, mas acho que é caso perdido. Mas Kate Bush cantando (e dançando!) Wuthering Heights é tudo o que ha. 

3 — Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Sem duvida alguma, Cem anos de solidao. Chorei feito uma desgraçada quando o livro acabou. Fiquei assim, em estado de choque. Orfa. 

4 — Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

O segundo sexo, porque procrastinar, prazer, é meu nome. 

5– Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

Ah, o final de Eramos seis. Afinal, quase minha familia, né...


6– Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Nao chamaria de "habito" hehehe Digamos que eu lia mais que as outras crianças, o que nao significa nada, ja que brasileiro nao tem habito de leitura e ler uma caixa de fosforo ja te faz ficar acima da média nacional. Mas eu lia o que a escola pedia e outras coisas que ficavam na despensa de casa: livros didaticos sobre sexo (foi quando aprendi quantos buraquinhos eu tinha), Turma da Mônica forever, a revista Seleçoes dos anos 50 do meu avô (vocês nao tem idéia do quanto uma revista pode ser machista), As anedotas do Pasquim, contribuiçao inestimavel e imensuravel pra formaçao da minha escrotagem do meu carater. 

Meu tio (o tal que matou um cara e foi assassinado, que eu comento no perfil do blog), deixou uns manuais da Disney que minha mae, por motivos obvios, tinha o maior ciume, guardava à sete chaves. E a gente sabe que o que é proibido é mais interessante... Entao, quando ela saia de casa, eu destrancava as sete trancas. Fui procurar agora as imagens dos manuais e... quanta emoçao! O que eu mais gostava era esse dos escoteiros mirins: eles ensinavam a fazer uma fogueira. Eu nunca aprendi. O falecido também tinha uns gibis do Mortadelo e Salaminho que eu AMAVA, morria de rir, e que minha tia jogou fora quando de uma mudança. Gosto nem de lembrar. Ele também tinha uns livros de contos de terror que eu adorava! Mas depois eu tinha pesadelo à noite e nao podia dizer a minha mae o por que. Jênia.

7. Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?

Madame Bovary foi tortura chinesa. Li até o fim porque ja havia tempos que eu queria ler o livro e porque nao gosto de deixar livro pela metade, mas ô coisa dificil!

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

A insustentavel leveza do ser (presente de uma girafa); O iluminado e O exorcista (pelas imagens terriveis que me proporcionaram. Obrigada); Lolita (por conseguir me fazer torcer pelo pedofilo).

9. Que livro estás a ler neste momento?

Ulysse from Bagdad. Livro bobinho cuja importância esta mais ligada ao fato de me ensinar a conjugar os verbos no imperfeito que à historia em si.  


terça-feira, 24 de maio de 2011

De como um anel (nao) legitima relaçoes amorosas

Ontem tava rolando uma discussao no twitter sobre o uso de alianças. Alianças, aquelas coisas que as pessoas costumam colocar no dedo quando se casam. @AmandaLourenco disse que nao reparava nas pessoas que a usavam e que nao sabia nem mesmo qual era a serventia de uma aliança. Eu desconfio que tem algo a ver com dominio. Eu juro que posso entender que algumas pessoas se sintam bem usando alianças sem que isso tenha alguma coisa a ver com minha explicaçao. 

@adelialund disse que usava aliança, mas que seu marido nao usa e que ela nao se importa com isso. Tenho um casal de amigos que, nem sei se usam aliança, mas fizeram cada uma tatuagem igual. Taih, acho uma forma muito mais criativa (e até mais séria) de mostrar uniao e comprometimento com o outro. Mas a grande maioria costuma usar aliança pra mostrar à sociedade que nao esta disponivel ou exige do parceiro o uso da aliança pra esse fim. E é isso que eu acho muito tosco. Acharia muito tosco se Camilo me pedisse pra usar aliança. Sinal claro de que ele nao confia em mim. Mas essa é minha opiniao, claro. 

Usar uma aliança como soluçao pra manter possiveis paqueras longe é a saida mais inocente do mundo pra mim. Porque, primeiro, existem as pessoas como Amanda, que sequer percebem esse detalhe na mao do cidadao. Segundo, porque existem pessoas que nao estao muito preocupadas no status amoroso de alguém que elas estejam afim. E, terceiro, se você estiver disposto a trair, nao vai ser um anel que vai te impedir de fazer isso, certo? Ja trai e ja fui traida suficientemente pra saber que essa questao nao se resolve através do uso de um anel. 

Tenho um amigo que namora ha dez anos uma menina e que estava sendo paquerado no trabalho por uma amiga. Perguntei se essa menina sabia que ele tinha namorada e ele respondeu "ela deve saber, eu uso um anel prateado de 1cm". Oh, meu deus! Se eu visse um anel prateado de 1cm na mao de um homem, eu ia pensar que se trata de... um anel prateado de 1cm na mao de um homem, e nao que ele namora sei la quem ha uma década. 

No começo de 2010, eu tava no Brasil e fui curtir meu carnaval em Olinda (Camilo ficou na França porque tava trabalhando). Fomos (uma amiga, um amigo e eu) pra Olinda de carona com um cara que conhecia as pessoas da casa em que iamos nos hospedar - ele ficaria igualmente hospedado lah. Na viagem de ida, notei que o cara ficava me sacando de uma forma esquisita, mas ignorei. Quando chegamos em Olinda, nao sei como, a conversa que vinhamos tendo acabou tendo como tema meu casamento e o cara sugeriu que eu tava ali pra trair Camilo. Eu disse que nao, que nao era porque eu tava em Olinda que eu nao respeitava (ou nao poderia respeitar) meu marido. Entao, todo indignado, ele lembrou que eu estava sem aliança e sem marido. Porque é isso: a gente so respeita o macho se ele tiver colado do lado. Nesse caso, eu soh poderia ser respeitada se tivesse uma aliança. A noite, o cara continuou investindo e chegou ao ponto de sentar ao meu lado e roçar as pernas cabeludas dele nas minhas pernoquinhas lindas de meu deus. Tomah-no-cu! Fiquei muito puta!* O cara sabia que eu era casada, mas continuou dando em cima. Agora pergunto: se eu tivesse uma aliança ele teria me respeitado? Algo me diz que nao. O pior dessa palhaçada é que fiquei com sentimento de culpa. Alias, como ficamos sempre, é de praxe. 

Chegando em Joao Pessoa, comentei o caso com minha mae que, contrariadissima com a historia, perguntou por que diabos eu nao usava uma aliança. (suspiro) Nem preciso dizer que Camilo, ao saber da historia, nao exigiu que eu começasse a usar uma coleira aliança, nao é? De vez em quando, minha mae chegava pra mim "ô, minha filha, por que você nao usa uma aliançazinha, hein? Pode ser uma bem discretazinha". Naozinho, maezinha, obrigadinha. Soh usaria uma aliança se ela viesse com um raio-laser capaz de abrir no meio gente sem noçao. Aih valeria a pena. 

- Como é você quer que eu respeite você, se você vem sem aliança e...
- ZEEEEEUUM! 

Cabou-se. 

* Antes que eu alguém pense que eu tou me fazendo passar de ultimo bastiao da honra em pleno carnaval, adianto que eu nao tenho problemas em ser paquerada. A minha indignaçao nesse caso foi (também) a de ter que aguentar as investidas de um babaca machista que achava que poderia dar em cima de mim pelo fato de eu nao usar aliança em pleno carnaval. Contexto é tudo nessa vida, nao é mesmo?


domingo, 22 de maio de 2011

Quem gosta de ménage?

A semana de provas aconteceu semana passada. Cinco exaustivos dias onde o esquema era acordar às 8h, revisar a prova do dia, fazer a prova, voltar pra casa e revisar a prova do dia seguinte até a hora de ir dormir. Quando tudo acabou, eu soh pensava em fazer uma coisa: faxina. Nao é que eu curta fazer faxina (mentira, eu curto), mas se vocês vissem o estado da minha casa, entenderiam. O problema é que aqui em casa existem dez pessoas pra sujar e duas ou três pra limpar - sem contar os que sujam por cinco. 

Eh comum encontrar casca de cebola no chao da cozinha, o lixo do banheiro transbordando, roupas pelo sofa etc. A bagunça que eu mais admiro sao os copos espalhados, eu os encontro até no banheiro. Morando em dez, "a gente" costuma fazer uma baguncinha aqui e ali esperando que alguma outra pessoa va arrumar ("alguma outra pessoa" = eu). Eles deixam copos em cima do centro da sala e acho que esperam que eles ganhem vida durante a madrugada e caminhem todos juntos de maos dadas até a pia. Infelizmente, isso nunca aconteceu. 

o balde da faxina
Entao, ontem, aproveitando que todos os moradores da casa viajaram, eu comecei uma pequena faxininha ao meio-dia que se desenrolou até as 19h. Eu toquei o terror no mundo das aranhas. Eu apontava o aspirador e elas começavam a gritar e a correr, mas eu VLUPT! à todas! Claro que depois do processo eu perdi todas as minhas capacidades de movimento e fui me arrastando feito uma ameba até a cama onde fiquei durante 30 min pensando no sentido da vida. A amebice, a cama e a questao filosofica foram um oferecimento da minha embriaguez porque, né, a gente tem que compensar com algo. Foi um dia util. 

::

Pra celebrar os dois anos oficiais de França feitos ontem (iêi!), fiz algumas mudanças no blog. Espero que tenham aprovado!


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os passaros

Semana passada, Camilo me perguntou se eu gostaria de passar o fim de semana em Côte d'Azur. Apesar de se tratar do meu ultimo fim de semana de estudo antes das provas (que estao rolando essa semana), nao levei muito tempo pra me decidir. 
Do alto do meu pescoço, pensei "por que nao?", afinal, Côte d'Azur = mar. E Luci gosta de mar. Luci nao via mar ha mais de um ano. Luci gosta de falar na terceira pessoa. Mas Luci vai parar. 

A casa em que ficamos é de uma colega de trabalho de uma menina que mora com a gente. Uma coisa assim, impressionante. Perguntei à Camilo e a uma colega dele o quanto ela, a casa, valeria. Chutei dois, três milhoes, mas eles disseram que era bem mais que isso, que nao tinha nem como calcular. Enfim, casa de um povo que nao passa aperto. 

Em uma das disciplinas de geografia da faculdade, a gente estuda as regioes francesas e a distribuiçao de riqueza entre elas (é bem interessazzZZZzzz). Professor disse que o sul era o lugar dos velhinhos, que os franceses aposentados iam pra la gastar suas aposentadorias. Pois bem, pude confirmar isso. A gente ficou na cidade de Saint Raphael. Minha gente, parecia um mundo paralelo dominado por velhos. Velho, velho, velho. Se eu fosse investir nesse lugar, com certeza apostaria em farmacias, hospitais e cemitérios. 

Fomos comprar pao pro café da manha e vimos no caminho dezenas de velhinhos fazendo ciclismo. Aqui na França, é muuuuito comum ver equipes de ciclistas, com uniforme e tudo, fazendo... ciclismo. Quando chegamos na padaria, tinha um velhinho ciclista comprando pao. A caixa perguntou "oh, você anda com uma nota desse valor enquanto faz esporte?" Era uma singela notinha de 100$. Esperei que ele fosse dizer a ela "fique com o troco", mas nao rolou. Pois é, pessoas que compram pao com notas de 100€. 

Pra minha sorte, choveu durante todo o sabado, entao nao foi realmente um sacrificio ficar dentro do quarto estudando. Mas no domingo...

Aqui os caranguejos sao felizes


Gordo lindo bocejando


A outra perna ta debaixo do chapéu


:(

No sabado, um amigo foi pegar ouriço. Que coisinha nojentinha e fedorenta! Mas essa nao era a opiniao da gaivota que apareceu por la. A gaivota tava completamente enlouquecida atras dos ouriços deixados na varanda. Ela dava uns voos rasantes e tinha um olhar maligno. A gente espantou ela, mas a marvada voltou no dia seguinte, determinada. Colocamos a mesa na varanda e, à mesa, um delicioso prato de quiche. Em dois minutos, tinhamos um passaro comendo nosso almoço. Enquanto a gaivota se fartava, uma das meninas gritava. Fiquei sem saber se eu espantava o passaro ou se eu batia na menina pelo escândalo. 

Depois de compartilharmos o que sobrou da comida, tive a excelente idéia de tomar banho de mar. O que poderia ter sido um maravilhoso mergulho em aguas mediterrâneas, se revelou uma sessao de tortura. Tirei o biquini da mala. Peguei minha toalha. Lambuzei a cara de protetor solar e desci toda serelepe pra praia. Quando coloquei minhas patinhas na agua, descobri que a vida nao é tao bonita assim. A agua tava gelada e, 15 min depois, eu ainda estava na mesma posiçao tentando arrumar coragem, enquanto Camilo ja devia ter feito Saint Raphael - Malta à nado. Quando finalmente entrei no mar, fiquei me debatendo, engoli agua... e sai cinco minutos depois. Phino. 


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




terça-feira, 26 de abril de 2011

Futuro mais-que-perfeito

Semana passada, uma das minhas professoras decidiu arruinar minha vida: a monstra desse post. Sabe aquele trabalho sobre Abbé Pierre/Emmaus? Pronto, eu tirei oito. Isso seria uma noticia maravilhosa se a média das notas escolares francesas nao fosse dez (a nota maxima é vinte). Mas o problema nao foi a nota, foram os comentarios super motivadores. 

Ela disse que eu nao dominava o francês (o que de maneira alguma representou uma surpresa pra mim. Oi, eu estou na França ha quase dois anos e nao sei conjugar os verbos no subjuntivo) e ficou me questionando sobre o que eu pretendia fazer depois da graduaçao. Ela me chamou atençao e me questionou sobre coisas absolutamente normais, mas enquanto ela ia falando, as pessoas à minha volta foram se calando e as observacoes dela sobre minha habilidade com a lingua foram sendo ouvidas pouco a pouco pelos outros alunos até o momento em que eu me encontrei completamente constrangida, sobretudo quando eu tive que responder que o que eu gostaria de fazer em seguida era um mestrado. Foi chato. Foi chato escutar tudo aquilo e foi chato ver que o que ela disse me atingiu tanto que, assim que ela deu as costas, eu comecei a chorar. E se fosse so isso! Comecei a avaliar todas as dificuldades que eu teria num possivel mestrado com esse meu francês capenga e mimimi, o choro foi aumentando, mimimi, o que é que eu tou fazendo nessa faculdade, mimimi, ela tah certa, mimimi, eu nao vou tentar o mestrado. Olha, nem queria descrever meu estado de espirito naquele momento. TPM, baixa auto-estima, complexo de inferioridade e cansaço se deram as maos e massacraram este pobre coraçao durante as horas que se seguiram.

Entao, pra minha extrema surpresa, a Luci forte foi convocada e disse pra Luci patética  "a unica pessoa que tem o direito de sabota-la é você mesma, amiga, nao uma professora que ta com a vida ganha e que ta pouco se fudendo com você". Entao, a nuvem de medo se dissipou e eu voltei a sorrir e a reconsiderar todos os meus planos. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda. "Como matar seu eu patético". Vendera milhoes. E sera escrito em francês. Sem o uso do subjuntivo, é claro. 

domingo, 10 de abril de 2011

Um exemplo de perspicacia

Aconteceu uma coisa tao ridicula hoje que vale a pena postar de novo. 

Pra ir à universidade, eu pego um metrô no sentido contrario à ela pra depois pegar o tramway que me levara a faculdade. Esse percurso é feito em uma boa meia hora (com o plus do tramway estar sempre lotado). Mas eu sempre soube que havia um outro caminho pra universidade que passava por dentro do parque Parilly, que fica a cinco minutos da minha casa, onde eu gastaria somente 15 minutos indo de bicicleta, mas eu estava sem bicicleta desde setembro, entao, ignorei essa opçao. Soh que um dos caras que mora comigo, me disponibilizou uma bicicleta (que provavelmente eu comprarei, pois esta à venda) entao hoje, como eu fui correr no parque, resolvi dar uma olhada no novo caminho pra ir à universidade. Camilo me explicou qual caminho eu deveria pegar pra atravessar o parque, mas ele nao sabia me indicar a segunda parte do caminho, uma vez que eu estivesse fora do parque.



Fiz o percurso de sempre na corrida e cheguei no limite do Parque. Pensei "ok, soh falta conhecer agora o resto do caminho" (que eu faria no dia seguinte, com a bicicleta). Eu ja estava me virando pra voltar pra casa quando me deparei com uma placa indicando "Université Lyon 2" e uma setinha pra direita. Minha gente, de repente, a universidade brotou do chao e apareceu na minha frente! Ela estava ALI o tempo todo! Eu morava a 15 min da porra da universidade e nao sabia. Eu passei seis meses pegando dois transportes, um deles lotado, todo-santo-dia, quando bastava eu atravessar o parque! Olha, eu ri. Mas nao é modo de falar. Eu ri muito na calçada. Porque agora, ao invés de passar pelo tormento descrito, eu vou de bicicleta pra universidade, nesse tempo lindo que ta fazendo, vou ver o parque todo dia e ainda ganhar preciosos minutos de sono. Mas que foi ridiculo, foi.


Pra ficar social

Sei que vocês andam sentindo minha falta nos vossos blogs (NAO ANDAM?), mas minha explicaçao pra essa ausência é aquela de sempre: faculdade cuzuda e sem fim. Ontem passei parte do meu lindo e ensolarado sabado dentro de uma opressora biblioteca lendo sobre coisas das quais eu nao gosto e nao entendo. Mas a gente compensa: fui encontrrar Camilo e duas garrafas de vinho na beira de um dos rios de Lyon. Que emoçao! Centenas de cabeças sobre a grama e sob o sol. A França teve recordes de temperatura pra uma começo de primavera: Paris, 24°, Lyon, 26°, Outro Lugar que eu Esqueci o Nome, 30°! Ok, vocês no Brasil estao se lixando pro sol, mas é que depois de seis meses de frio, a emoçao desse lado é grande. O dia foi lindo, estavamos bêbados e felizes. Voltando pra casa, no metrô, sentei do lado de um homem e fiquei fazendo careta pra ele quando ele nao estava olhando. Maturidade: trabalhamos. Depois ele percebeu o movimento. Ai eu virei pra ele e perguntei "o que é que tu fizesse hoje? :D"

Gente bêbada é uma merda.

Camilo disse que eu fico muito sociavel quando bebo. Eh por isso que eu bebo, pô, pra ficar social.



O céu de hoje e as glissines do nosso pergolado

Talvez

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