segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Berlim - parte I - Mercado, pichaçao e museu

Finalmente voltamos de viagem. E, apesar da preguiça monstruosa de escrever sobre o que se passou, vou faze-lo pra evitar que certas lembranças se percam. Lembrando que eu nao sou guia de viagem e, apesar da minha intençao em dar informaçoes sobre as cidades visitadas, a escrita vai girar em torno do obvio: minhas impressoes sobre os lugares e pessoas. Afinal, informacao pratica sobre a cidade, você encontra na internet.

Berlim (12 a 20 de agosto):

Chegamos tarde da noite na cidade e fomos recepcionados por um amigo de Camilo, Nico, que iria hospedar a gente durante toda nossa estadia na cidade. Assim que colocamos as mochilas no chao da sala dele, veio o convite que eu adoro: vamos tomar uma cerveja?

Macaco gosta de banana?

Chegamos à calçada, entramos por uma porta que ficava justo ao lado do prédio, descemos uma escada, seguimos por um corredor e encontramos um bar, assim mesmo, bem escondido. O cara mais discreto do bar tinha uma cartola vermelha na cabeça. As pessoas estavam todas loucas e bêbadas. E cagou quem pensou que isso é obvio, ja que bar é lugar de bêbado: na França ninguém fica bêbado em bar, a nao ser que seja rico (250ml de cerveja a 2,50€, oi?). Portanto, ponto pra Berlim que tem cerveja barata.

A "decoraçao" do bar consistia em um guarda-chuva aberto em cima de uma geladeira, uma garrafa de Pitu (sério!) sobre uma mesa e uma luminaria brega no balcao. Com certo espanto, vi que o tabaco era liberado no pequeno espaço fechado, porque na França... nao é.

Com tanta gritaria, confesso que fiquei um pouco intimidada naquele lugar. Entao, quis logo saber o que Nico poderia dizer sobre Berlim e seu povo. Ele disse que la, as pessoas tem mais liberdade pra fazer o que querem. Se você quiser deixar o seu comércio aberto até as 5h da manha, você pode. Se quiser fumar em lugar fechado, você fuma (com excecao de alguns restaurantes). E que esses tipos de concessoes, ao contrario do que as pessoas pensam, sao utilizados com bastante consciência pelo povo. Na França, por exemplo, nao se pode beber no meio da rua. Em Berlim, apesar do alcool ser liberado, bom e barato, os niveis de violência nao sao grandes e Nico chegou mesmo a dizer que nao lembra de ter visto nenhuma briga durante os seus anos em Berlim. Disse que o povo era muito tranquilo, de paz. A tomar pela Historia, seria um pouco dificil crer nisso. Ainda bem que eu tive a oportunidade de ver com meus proprios olhos o quanto tudo isso é verdade. Duas vezes felizarda.

No dia seguinte, fomos a um mercado turco. Ele era gigante em comprimento, mas pequeno na largura, mas satisfez meu maior desejo de consumo até entao: a compra de um milho. Nao, eu nao sou tao humilde assim. Eh que vocês nao entendem: eu poderia passar o resto da vida me alimentando de frango, milho e batata. Entao, encontrar um milho amarelinho, quentinho e suculento, depois de um ano sem comer nenhum, por um misero euro, me fez muito feliz. Andamos todo o mercado impressionados por nao termos recebido nenhum empurrao ou ter visto gente bufando com a velocidade da marcha.

No final do mercado, uma movimentacao estranha: era o povo - adulto, velho e criança - que tinha parado pra ver uma banda de swing. Outra grande delicia desse dia. A banda era tao competente, apesar do jeito mambembe, que fomos ve-la outra vez na noite do mesmo dia num bar.




Alguns souvenirs da cidade, como camisas e canecas, tem o famoso "I ♥ NY" inscrito, onde o "NY" é coberto pelo nome "Berlim" pichado. A brincadeira tem explicaçao simples: a quantidade de pichaçao nos muros da cidade salta à vista. As paredes, as placas, as latas de lixo, o chao: quase tudo é recoberto de pichaçao, arte de rua. Em outro momento (nos tempo no Brasil), eu nem teria notado isso, mas em Lyon uma pichaçao nao dura muito tempo nas paredes. Outro dia, o grande NIQUE LES FLICS ("fodam-se os policiais") escrito numa esquina daqui durou uma semaninha, mas por la, parece que é estilo de vida:



Outra coisa que me impressionou na cidade foi a qualidade dos seus museus. O primeiro que visitamos foi o Museu da Historia de Berlim, super criativo, organizado e interativo. Dava pra sentir como era viver em cada época retratada, nada daquelas leituras maçantes tipicas dos museus. Otima atividade pras escolas fazerem com seus alunos e os pais, com seus filhos.

O museu começa retratando as três principais religioes existentes na cidade: judaismo, islamismo e cristianismo. Para isso, havia um armario com três colunas de gavetas (uma para cada religiao), que, ao serem abertas, mostravam objetos e simbolos referentes a cada tema ligados aos seus costumes - uma gaveta pro nascimento, outra pra morte, pros hinos, pros livros sagrados, pros lideres espirituais etc.

Pra representar a Primeira Guerra, nada mais eficaz que um cemitério e videos sobre o assunto. Nos anos 20, época de grande desenvolvimento econômico, réplicas gigantes de maquinas fotograficas, carros e um pequeno cinema instalado onde trechos de filmes alemaes eram exibidos. A sala que eu mais gostei foi uma que representava a louca vida industrial: sala escura com caixas de som reproduzindo o barulho das maquinas. Ao chegar perto das maquinas em exposiçao, o chao tremia, fazendo o visitante sentir como era o desconforto e a vida estafante dentro das industrias berlinenses.


Maquinas

A proposta inicial era imitar um trabalhador batendo ponto,
morto de sono. Mas saiu uma coisa meio... débil mental. Falhei.

Fotos de celebridades alemas. A medida em que iamos
descendo as escadas,onde as fotos estavam instaladas,
certas pessoas iam sumindo,tendo suas fotos substituidas por um
papel onde se lia "morto", "desaparecido" ou "preso".

Na época da Guerra Fria, a representaçao de uma tipica sala
de estar do ladooeste do Muro com sua TV à cores,
seu radio e seus moveis "modernos".

Do lado leste, o modesto

Ambas as salas divididas pela ameaça de uma guerra nuclear

E por falar nisso... O melhor foi realmente a visita a um abrigo nuclear que fica a alguns metros do Museu (cuja visita guiada é gratuita). O bunker foi construido em 1974 e tinha capacidade pra abrigar 3000 pessoas. Mas aih vem os problemas: o abrigo, na verdade, era um estacionamento e, caso houvesse um ataque nuclear, levaria-se pelo menos uma semana pra retirada completa dos carros e mais uma segunda semana pra organizar a provisao de comida. Algo me diz que, depois de duas semanas expostas aos efeitos de um ataque nuclear, as pessoas nao iam precisar de um abrigo. Mas acreditava-se que bastava um banho pra que a pessoa contaminada pudesse se juntar à gente saudavel que, por ventura, ja se encontraria no bunker.

Dormitorios

Cozinha

E os problemas continuam:

- Caso as camas estivessem armadas, nao haveria espaço pra caminhar dentro do abrigo;

- O gerador de eletricidade tinha capacidade pra funcionar apenas durante uma semana;

- O fim da eletricidade impossibilitaria o funcionamento do sistema de troca de ar com o exterior e, como a humidade no bunker chegava a 90%, as doenças se propagariam rapidamente;

- O unico espaço reservado pra que os doentes ficassem separados das pessoas saudaveis era na sala onde se planejou colocar os (provaveis) mortos.

- A comida duraria em torno de uma semana;

- Caso houvesse mesmo uma bomba, ela nao poderia cair proximo ao abrigo e ainda deveria ter o impacto inferior ou igual ao de uma bomba antiga, como a de Hiroshima - o que eu duvido muito que seria o caso. Somente assim poderia-se esperar por sobreviventes

Viva a privacidade

`A parte de tudo isso, eu penso no terror psicologico pelo qual iam, inevitavelmente, sofrer essas pessoas. Provavelmente, elas iam surtar antes mesmo que as provisoes de comida e a eletricidade acabassem, afinal, imagine você ter que viver, cotidianamente, diante da ameaça constante de uma guerra nuclear e depois, ter que dividir um espaço abafado e escuro com 3000 desconhecidos, por sabe-se la quanto tempo, onde o maximo de atividade seria dormir (sem nenhum conforto ou tranquilidade) e ouvir o tempo todo sobre os medos alheios. Nao pude deixar de lembrar de "Ensaio sobre a cegueira".


Essas maletas penduradas sao a representacao de uma historia que as maes contavam pra acalmarem seus filhos. Na epoca, elas diziam que, caso houvesse um ataque nuclear, bastava que as crianças colocassem suas maletas sobre suas cabeças que elas estariam protegidas.

Ainda no Museu, o labirinto pelo qual vai seguindo o visitante, passa por reproduçoes de ruinas da cidade à época da Segunda Guerra e videos reais dos sobreviventes andando pelos escombros. Eh de passar mal. A visita segue mostrando a diferença entre as duas Berlins divididas pelo famigerado muro. E como a visita termina? Desembocando propositalmente numa superloja de souvenirs, onde soh ha espaço pra uma coisa: o consumo.

Endereço: Kurfürstendamm, 207-208
Horario: Aberto diariamente das 10-20h (ultima entrada às 18h)
Ingresso: 10€. 8€ estudante

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Update: quer ler bons posts sobre Berlim? Ela é americana: parte I e parte II

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

03. Do que é diferente - Kebab


Uma das comidas mais populares aqui na França é o Kebab (no Brasil, conhecido como churrasco grego. Quer dizer, em algumas partes do Brasil, ja que eu jamais ouvi falar em churrasco grego na minha vida). Curiosamente e, como o nome sugere, o Kebab nao é uma comida francesa, mas de origem arabe. E, como os arabes andam aos montes por aqui, a comida se tornou popular (existindo, inclusive, em muitos outros paises europeus). O prato, originalmente, era comida dos reis persas. Os iranianos soh consumiam uma vez ao ano. Na França atual virou fast-food e todo mundo consome, do francês do nariz mais arrebitado à brasileira mais faminta.

Grosseiramente falando, Kebab é um pao com carne, salada e molho que pode vir acompanhado de fritas. Notou alguma semelhança com o que você ja comeu no Brasil? O Kebab é um troço enorme, que mata a fome de qualquer elefante por preços que variam entre 4€ e 7€ o menu (kebab + fritas + refrigerante). A carne (de boi, cabra, carneiro, cordeiro ou frango) é preparada na vertical, num espeto que fica girando proximo a uma grelha. Depois, pequenos pedaços sao retirados com facas enormes - ou eletricas, que garantem fatias mais fininhas.


Os molhos sao o que me fazem notar a diferença entre um hamburguer brasileiro e um Kebab. Curry, tartare, picante, branco e por aih vai. Todos uma delicia! Peço sempre o branco, porque um dia pedi um picante (sem saber do que se tratava, claro) e passei 20 min com a sensaçao de estar mastigando um pedaço de brasa. Em cada esquina do Brasil tem um lugar onde se vende coxinha, pastel, hamburguer e pizza a preços acessiveis. Na França, se você esta fora de casa, tem fome e pouco dinheiro, o Kebab é a unica solucao. Os menus nos restaurantes nao custam menos de 8€. E se você tem pressa... O melhor sao os nomes que qualificam os diferentes tipos de Kebab e molhos. Senjeh, Bareh, Koobideh. Nao é a toa que eu sempre deixo Camilo fazer o pedido: pedir comida arabe com sotaque francês nem sempre é obvio.

sábado, 14 de agosto de 2010

Inutil, a gente somos

Esse é um post pra enrolar vocês enquanto viajo (espero que funcione). Chegamos em Berlim na quinta-feira, super cansados e ainda tivemos a noticia do nosso anfitriao de que nao poderemos nos hospedar durante a semana na casa dele como haviamos combinado, porque seu coloc (figura que divide apartamento) queria "ficar tranquilo". Precisariamos mais do que isso pra nos desanimar. O tempo tah horrivel, mas a cidade é linda! Comento sobre ela depois. Por enquanto, fiquem com um post programado. hihi

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Rita postou outro dia um desafio que viu num blog que consiste em pedir pro blogueiro responder a sete topicos:

1. Meu primeiro post;
2. O post que mais gostei de escrever;
3. Um post que deu origem a um excelente debate;
4. Um post publicado em outro blog (nao o meu) que eu gostaria de ter escrito;
5. O meu post mais util;
6. Um post com um titulo do qual eu estou orgulhosa;
7. Um post que eu gostaria que tivesse sido lido por mais pessoas;

Como eu ja disse nesse post, eu adoro questionarios, enquetes e qualquer coisa dessa natureza. Entao, claro, me empolguei com esse, apesar de nao ter sido facil responder às perguntas, visto que meus posts nao deram origem a "excelentes" debates ou que eu nao me sinto necessariamente "orgulhosa" por nada que escrevi, mas bora lah, o que importa é o amor. Quer dizer, a intençao. E o amor também.

1. Meu primeiro post: a parte mais complicada de se fazer numa redaçao, numa carta ou num trabalho acadêmico, pra mim, é sempre o começo. A primeira linha, a primeira idéia. Nao foi diferente com o primeiro post do blog. Mas é por causa dele que vocês estao aqui.

2. O post que mais gostei de escrever: deve ter sido este aqui, feito no Brasil ha alguns meses. Naquela época, eu estava me contorcendo de tristeza e saudade dos meus amigos, entao, a sensaçao de poder escrever pertinho deles foi de (extrema) felicidade.

3. Um post que deu origem a um excelente debate: lembrei automaticamente desse post que fiz ha poucas semanas sobre vaidade. Nele, eu dizia que me sinto menos pressionada pra estar sempre impecavel, ja que na França as pessoas se importam menos com a aparência alheia - sem contar o apoio do namorado que gosta de mim mesmo quando nao tenho as unhas pintadas, olha, que beleza! Nao soh todas as blogueiras preferidas participaram, como teve referência ao meu post em blog de gente que se incomodou com minha felicidade. Entao, posso dizer que esse post rendeu muito assunto.

4. Um post publicado em outro blog (nao o meu) que eu gostaria de ter escrito: faço das palavras da Rita as minhas: eu poderia citar muitos posts pra responder a essa questao, mas, finalmente, pensei num post da Helena (que, sorry, nao esta em português) e que me marcou nao soh pela beleza do que foi escrito, como por ter sido um dos primeiros textos em francês que li e entendi. Entao, se eu tivesse sido a autora de um post daquele porte, eu estaria muito feliz.

5. O meu post mais util: a minha primeira pergunta ao ler esse quesito foi: util pra quem? Porque se eu fizesse um super post sobre como funciona a burocracia francesa em relaçao aos papeis necessarios para se viver aqui, ele nao seria muito interessante pra maioria dos leitores. Mas como todo mundo nessa vida ja viajou, pelo menos uma vez, acredito que o post sobre o Couchsurfing tenha sido valido. Ao menos pra mim é uma forma brilhante de se viajar. Faremos uso do sistema, mais uma vez, na viagem à Praga e eu nem saberia dizer quantas centenas de euros eu e Camilo economizamos viajando atraves do Couchsurfing.

6. Um post com um titulo do qual eu estou orgulhosa: de novo: "orgulho" nao é bem o que sinto porque nao foi a coisa mais criativa do mundo, mas cito o titulo de um post em que falava do meu trabalho como faxineira: "Dignamente de quatro". Afinal, o emprego de faxineira nao é o mais cobiçado do mundo, mas foi justamente ele que me garantiu casa, comida e roupa lavada durante meses (alias, pra mim e pras pessoas pras quais eu trabalhei! Hihi)

7. Um post que eu gostaria que tivesse sido lido por mais pessoas: (ah, como eu nao poderia perder a oportunidade de sacanea-lo mais uma vez...) Gostaria que a sessao fotografica de um grande amigo fosse vista por muito mais gente. Afinal, foi um trabalho de arte que merece ser contemplado durante muito tempo. Disso aqui, nasceu a tag "nao se reprima". Merci!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Férias

Bom dia, passarinhos! Bom dia, sol! Bom dia, aranha do canto da parede!

Pois é, minha gente, hoje eu acordei no modo princesa da Disney. Porque os ultimos dias foram muito bons e os proximos prometem.

Quando fiz aniversario, os pais do guri me deram um cartao-presente no valor de 25€ de uma loja daqui que se chama Fnac. Eh uma loja que vende de computador à livro. O cartao pode ser utilizado em até um ano, entao fiquei esperando uma boa oportunidade pra usa-lo. Foi quando, no dia seguinte a esse post sobre Carmen Maria Vega, uma amiga disse que haveria um show dela em Lyon. Coincidência? Pouco importa. Na Fnac tinha ingresso (24€) e, na noite do 19 de novembro, estarei, espero, feliz da vida vendo o show dela!

Agora, vou contar meu drama. Segurem os coraçoes.

Quando Camilo foi contratado, a empresa deu a ele um computador, entao, pude usar o outro que ele tinha. Um dia, o pobrezinho morreu (o computador). Como seres humanos de classe media, nos dias de hoje, nao conseguem viver bem sem um computador, fui no fundo do guarda-roupa e desenterrei um antigo que um amigo tinha me dado. Ele pretendia joga-lo no lixo, mas resolveu perguntar se eu tinha interesse nele. Entao, da pra imaginar o naipe da maquina, né? Era ligar e deixa-la por longos minutos a fim de que ela começasse a esquentar e funcionar. A lentidao do negocio testou minha paciência por meses a fio. E acho que sou um ser humano melhor graças a todo sofrimento vivido nesses ultimos tempos em frente daquele computador que, como se nao bastasse, nao tinha saida de som. Ou seja, nada de musica, filme ou Youtube. Cansada dessa vida, peguei meu ultimo salario e torrei num computador. "Felicidade" é pouco pra descrever o que eu sinto nesse momento. Ganhei horas de vida.

Agora que ja fiz vocês se emocionarem, vou pro real motivo do post. O senhor meu marido e eu, partiremos de férias pra Berlim e Praga. Como a gente nao conhece nada de porra nenhuma, queria saber se vocês, leitores, poderiam dar dicas a gente ou indicar algum blog de quem ja foi. E aproveito pra avisar que talvez o blog fique meio abandonadinho por esses dias, mas contarei tudo da nossa viagem pra vocês. Beleuza?

Xau, passarinhos!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

02. Do que é diferente - Boulangerie


Boulangerie

Um pais que é mundialmente conhecido pela sua gastronomia, não faria feio dentro das suas padarias. Esqueçam as do Brasil, com suas moscas dentro dos mostruarios, onde se vende de loteria à agua sanitaria. E esqueçam também essa de "pão francês". Aqui não existe isso. O pão popular aqui é a baguette, que existe na forma tradicional (parecido com o pão francês do Brasil), mas que também é encontrada com nozes, milho ou frutas. Eh uma delicia. A baguette simples custa em torno de 1€ e é vendida enrolada num papel.

Mas nem soh de baguette vivem as padarias francesas. Uma boulangerie, geralmente, também é uma patisserie, ou confeitaria. Então, além daqueles pães lindos, polvilhadinhos de trigo, você encontra doces que te engordam soh de serem apreciados com os olhos. Da mesmo prazer entrar numa padaria aqui. Sao extremamente limpas e organizadas. Imagino que seja um dos negócios mais lucrativos a se ter, porque o pão aqui não é consumido somente no café da manha, mas em qualquer refeição, mesmo durante o almoço. E ja cansei de ver filas nas calçadas nas padarias mais concorridas daqui.

(E como padaria tem a ver com café da manha...) No Brasil, meu café da manha consistia, geralmente, em um prato de cuscuz, ou de inhame, ou de macaxeira. Pra beber, um suco ou achocolatado. Como vocês podem imaginar, encontrar inhame por aqui nao é a tarefa mais fácil, entao, fui sendo, aos poucos, introduzida ao café da manha francês que consiste, geralmente, em torradas com camadas de geleia e manteiga no mesmo pão, croissants, também com geléia e, pra beber, um chazinho. Cha, pra mim, era agua suja. Hoje em dia sinto falta do produto quando a caixinha de chá esta vazia.

Geralmente cada delicia dessa da foto custa em torno de 2€ (o que eu acho caro hihi). Então, como eu sou pobre, eu adoro seguir Camilo quando ele vai numa padaria soh pra ficar paquerando os doces. As vezes eu faço um olho bem grande pra ver se ele tem pena de mim e compra alguma coisa. Raramente funciona.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olhai meu guri!

Aqui na França, a graduação dura somente três anos, o que facilita muito a vida dessa gente. A inglesa que mora comigo, e que fez seus estudos na França, completou 24 anos em maio e ja esta no primeiro ano do doutorado. Eu, por outro lado, vou andar de marcha ré e voltar pra graduação. Fui aceita no terceiro ano do curso de Historia, na Lyon 2 - como se cinco anos não tivessem sido suficientes. Sei que pareço um pouco negativa dando essa noticia, mas tou satisfeita ja que agora vou ter a oportunidade de conhecer gente nova, melhorar meu francês, ter as vantagens de ser estudante, ganhar um diploma e, principalmente, estar em contato com as professoras do meu sonhado mestrado. Mas não é sobre nada disso que quero falar, na verdade. Dei essa noticia somente pra dizer que hoje foi, ao que tudo indica, meu ultimo dia de trabalho como baba do guri.

Primeiro, porque eu vou viajar com Camilo até o final de agosto. Depois, porque as aulas começam em setembro e, como ainda não conheço meus horarios na faculdade, fica dificil me comprometer com a familia do guri. Mas que aperto no coração! Na semana passada, quando decidi que ia me demitir, chorei no parque enquanto o pequeno corria pra la e pra ca. E, soh de pensar, ja tou com vontade de chorar de novo!

Foram somente três meses, mas esse cargo me fez refletir tanto sobre mim! E, claro, sobre os outros também. Gosto da forma com a qual os pais o educam e gostaria de praticar algumas coisas com meus filhos (caso eu decida ter algum). O guri jamais come sal, açucar ou manteiga; vai ao parque varias vezes ao dia; não assiste televisão; mesmo tendo somente um ano de idade, ele faz cocô no peniquinho pelo menos uma vez ao dia (gostaria de usar "cocô" no diminutivo também, mas merda de elefante perde em tamanho praquilo); tem milhões de livros (e prefere eles aos brinquedos); os pais falam com ele como se ele fosse um adulto - no sentido de explicar as coisas. Vejo no parque as crianças dos outros tomando coca-cola, quando ainda nem largaram a chupeta. Dai, tenho orgulho do "meu" filho.

Eh otimo vê-lo crescer. Lembrar que, quando eu cheguei, ele preferia engatinhar à andar e que hoje ele corre por aih. E a gente começou a fazer um monte de coisinhas juntos, coisinhas idiotas, mas que são nossas, como quando ele mostra os dentes: é pedindo pra que eu morda os dedos dele. Eh, é bizarro, mas ele faz isso todo dia. Todo dia eu mordo, todo dia ele sente dor e todo dia ele pede de novo. Eh lindo! Os pais disseram que esperam que eu tenha tempo entre as aulas pra continuar com eles. Eu também espero isso. Se não der, eu vou morrer de saudade!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Hay que faxinar, pero sin perder la coluna jamás!

(Post escrito no 27/07/2010)

A gente vai crescendo e vai descobrindo cada coisa bizarra sobre si mesmo que da até medo. Hoje eu descobri: eu gosto de fazer faxina. E pior, quando a casa tah BEM podre. A casa dos meus pais sempre foi limpa graças à minha mãe, então, nunca me preocupei com esse quesito, ja que era minha mãe que regia tudo e dava as ordens de limpeza aos filhos. So que filhinha saiu da casinha de papai e mamãe e agora é que eu posso realmente avaliar minha capacidade de organização.

A cada dia que passa, fico mais obsessiva com a arrumação do quarto, mas de uma forma saudavel (alguma obsessão é saudavel?): deixo a bagunça rolar solta e depois arrumo tudo. Desde os tempos em que trabalhei de faxineira, vim notando um grande prazer em ver o resultado final da faxina. Detestava trabalhar nas casas em que não havia um traço de poeira: no final da faxina, a casa parecia estar na mesma. Claro que nem sempre foi assim e é justamente por isso que me surpreendo.

Antes, a idéia de fazer faxina me revoltava por eu ver que era um trabalho mais ligado às mulheres. Tem uma comunidade no Orkut que se chama, se não me engano, "eu não sou prendada", ou coisa que o valha. Não procurei, mas duvido que tenha uma comunidade "eu não sou prendado", porque, né, não é mesmo de se esperar que o homem seja dotado de qualidades domésticas.

Hoje fiz uma faxina na cozinha que durou exatamente cinco horas e meia. Você não leu errado. Essa longa duração nem se deve tanto ao fato de eu gostar de fazer faxina. Acredite, não chega a tanto, mas quem viu o estado da cozinha antes da limpeza entende porque eu levei horas pra limpar um espaço tão pequeno. Limpei todos os armarios, separei por tamanho os saquinhos de tempero, rearrumei o espaço das panelas, aspirei todos os cantinhos, limpei as paredes e o teto, lavei os três baldes de lixo (o do composto, o da reciclagem e o normal), limpei a geladeira, limpei o microondas e, finalmente, limpei toda a pia e chão (a parte mais nojenta): cinco horas e meia e quilos de lixo. Ao final, acho que levei o dobro do tempo contemplando a cozinha. Recebi os parabéns do pessoal que mora comigo umas cinquenta vezes.

Pro meu bem-estar, ja separei a idéia de arrumação/faxina à submissão feminina. Penso que essa mania de limpeza, nunca antes suspeitada por mim, vem do fato de eu ter morado numa casinha limpa durante a maior parte da minha vida. E agora, nesse chiqueirinho em que vivo, me vejo muitas vezes angustiada por não conseguir entender como as pessoas não se importam quando o banheiro começa a feder a xixi. Então, fico no dilema: se eu limpo, podem relacionar isso a uma obsessão feminina pelos serviços domésticos. Se eu não limpo, vocês ja sabem. Além disso, não quero que o pessoal relaxe achando que eu sou a faxineira oficial da casa. Mas quando o estado é critico, como o de hoje, me dou ao trabalho de faxinar e, depois, me dou ao direito de curtir o resultado sem nenhum tipo de peso na consciência de ordem ideologica. Mas diminuir a auto-vigilância? Nunca.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vida ferrada

Fim de semana do 10/11 de julho:

Nesse fim de semana, tanto Camilo quanto Diana iam viajar, por isso, aceitei o convite de Sonia que me chamou pra fazer a Via Ferrata com seus amigos. Pra quem não sabe do que se trata, a Via Ferrata é um caminho que se faz entre as montanhas com a ajuda de cabos, cordas e presas fixadas à montanha.




Como eu sou um poço de coragem, senti frio na barriga soh de ver as fotos do manual. O que também contribuiu pro desconforto, foi ver os niveis de dificuldade das vias que o pessoal iria fazer: Dificil, Super dificil, Extremamente dificil. Sérissimo, não havia nenhuma facil. Então, eu disse que topava acampar com eles, mas que deixaria pra fazer a Via quando eu virasse passarinho. E la fomos.

O plano era acampar, na sexta, à beira do Lac Aiguebelette (que fica aproximadamente a 1h30m de Lyon), fazer uma trilha no sabado e a Via no domingo. Partimos na sexta e armamos as barracas à beira do tal lago. No dia seguinte, acordei porque a natureza estava me chamando: hora de ir ao banheiro. Acampar é otimo, mas a hora de ir ao banheiro é sempre muito tensa. Aproveitei que todas as pessoas estavam dormindo, me enfiei dentro de uma floresta e procurei um lugar seguro. Mas o que é um lugar seguro quando você sai da vista dos seres humanos e vai de encontro às teias de aranha? A medida em que eu ia adentrando o terreno, as vozes iam ficando cada vez mais distantes e os zumbidos dos bichos iam ficando cada vez mais fortes. Cheguei a ver um mosquito do tamanho de uma galinha. Medo. Finalmente, encontrei um lugar e, toda desconfiada, fiz meu pobre cocô. Foi aih que uma abelha picou meu pescoço. Claro, ela não podia ter escolhido outro momento, esperado que eu finalizasse. Não. "Assim que essa otaria começar a cagar, eu vou pica-la". E assim foi feito. Numa situação normal, eu teria gritado, sambado ou corrido. Ou tudo ao mesmo tempo. Mas isso não seria uma boa ideia na minha situação. Então, estapeei a porra da abelha e ela caiu dentro da minha blusa. Vou repetir: dentro-da-minha-blusa. Que cena. Sinceramente, eu não sabia se me concentrava na merda ou na abelha. Apos o drama, voltei pra barraca respeitando ainda mais a natureza.

Apos o almoço, nos preparamos pra fazer uma caminhada de quatro horas dentro de uma floresta em que 90% do percurso era de subida. Na descrição da trilha no manual, havia a palavra "raide". Curiosa, perguntei:

- Sonia, o que é "raide"?
- Hum... "Raide" é "tranquilo", Luci. :)

Inocente, acreditei.

Raide passou longe de ser isso, minha gente. Soh vou dizer uma coisa: eu passei dois dias sem andar depois desse fim de semana. Eu parecia um pinguim sem articulação andando, a ponto de nego achar que eu tava gra-vi-da. Mas como eu não gosto de mimimi, subi sem reclamar as duas primeiras horas. Mas teve uma hora em que o caminho tava tão inclinado, que eu usava as mãos pra subir. E em muitos momentos, eu perguntei desolada:

- Senhor, o que eu estou fazendo aqui?

Os outros não chegaram a cantarolar durante a subida, mas não respiravam de forma ofegante, nem tinham a lingua na altura do umbigo, como eu. Na descida, perdi metade da cartilagem dos joelhos. Mas finalmente voltamos ao lago, tomamos banho, cerveja e comemos muito bem.

O domingo, pra mim, deveria ser tranquilo. Afinal, os quatro que estavam comigo iam partir pra fazer a Via e eu ia ficar quietinha, lendo meu livrinho à beira de um outro lago. Mas claro que não aconteceu nada disso. Fizemos mais uma hora de carro, paramos numa cidadezinha e pegamos um teleférico pra subir e chegarmos mais perto da Via.

Acompanhem no meu mapinha sem escala: deixamos o carro la embaixo, pegamos o teleférico e, na parte esfumaçada, nos separamos. Eh a parte mais alta do mapa também. Pra ir aos lagos ou voltar pro carro, so mesmo descendo. E muito! Até cogitei a idéia de ficar no teleférico, mas o pessoal disse que o teleférico fecharia as 17h e que nos encontrariamos OU nos três lagos OU no teleférico (e pegariamos um caminho alternativo pra descer) OU nos encontrariamos no carro.

Então, como eu sou uma pessoa muito esportista, resolvi ir a esse tal de Lago Achard sozinha, mesmo tendo as pernas muito doloridas da caminhada anterior. Foi lindo o caminho. Pinheiros, laguinhos, pedrinhas, bichinhos e todo tipo de gente indo e vindo com suas familias. Cheguei ao meu destino, tomei um revigorante banho de lago e deitei ao sol. Até aih, beleuza. O pessoal então me liga porque haviam terminado a Via. Eu aviso que estou voltando pro teleférico e que chego em uma hora.

Andei tranquila e, quando cheguei no teleférico, ele ja havia fechado e todas as pessoas tinham ido embora. Fiquei la sozinha, sentada numa sombrinha espantando as moscas com meu chapéu. Uma hora espantando as moscas com meu chapéu. Duas horas espantando as moscas com meu chapéu. E nada do pessoal. O celular deles não pegava. Do alto do teleférico, eu não conseguia enxergar ninguém nos Três Lagos e muito menos tinha forças pra descer até la (a caminhada até la daria em torno de 20min). Comecei, como é do meu feitio, a me desesperar e a cogitar a possibilidade de descer pelo tal caminho até a cidade, mas o pequeno detalhe é que eu não o conhecia.

Como ja havia se passado três horas desde o nosso ultimo contato e, como o pessoal ja tinha terminado a Via, imaginei que eles tinham descido e estavam me esperando no carro. Então, quando o desespero e o medo do sol ir embora aumentaram, decidi descer. O caminho era tão inclinado quanto o do dia anterior, a diferença é que este tinha pedras do tamanho de limões cuja a unica finalidade era me fazer escorregar. Pra minha sorte, ao longe, vi um homem: o unico ser que vi depois de varias horas. Gritei com as forças que me restavam por ele e nada. Quando o animal finalmente resolveu olhar pra tras e parou, corri feio uma louca ao encontro da unica pessoa que poderia me indicar o caminho. Eu queria muito ter a cena desse momento gravada pra mostrar a vocês: uma ladeira de pedras super inclinada, o sol queimando meu juizo e eu correndo, caindo e levantando; correndo, caindo e levantando; ad infinitum.

Enquanto eu pensava nas vantagens de ser um bode alpinista, eu ia definhando naquele sol, naquele cansaço. Nos ultimos metros, tirei os tênis e terminei a trilha somente de meias, com os dedos em chamas. Cheguei à porcaria da cidade exausta e, 20 min depois, vi o pessoal descendo a montanha. Alivio. Eu, que não consigo dormir sentada, apaguei completamente nas duas horas de viagem de volta à Lyon. Por que sera?

Eu aos 65 (quilos)

Aqui estou eu, depois de uma overdose de Buscopan, tentando escrever pra vocês. Tem qualquer coisa dentro dessa barriga que não ta muito satisfeita comigo. Espero que não seja um alien. Espero também que Buscopan resolva essa parada, porque eu não aguento mais parar minhas atividades na metade pra ficar sentada numa privada.Justificar

Desabafo feito, continuemos.

Como eu ia dizendo, eu soh entendi o que era verão depois que cheguei na Europa. Antes, as estações do ano eram tudo a mesmissima coisa. O nome desse blog foi retirado de um livro autobiografico de um homem que morou em Campina Grande - PB, e que compartilhou no livro uma frase que cai bem aqui: em Campina soh tem duas estações: o verão e a de trem. Então, sempre achei chato quando os livros situavam a época vivida com "naquele outono" ou "no inverno seguinte": não era mais facil dizer a porcaria do mês pros leitores ignorantes do hemisfério sul?

Mas essa época pra mim não esta somente ligada a churrascos no jardim, mas também a esportes (é meio dificil correr no parque a -2°). Na França, as academias de ginastica não são muito populares. Acho que devo ter visto duas ou três academias aqui em Lyon. Mas isso não esta relacionado ao fato do francês não fazer exercicio fisico. Pelo contrario, como as opções nesse sentido são variadas e o incentivo é grande, todo mundo tem um esporte preferido.

E em um ano de França, percebi que francês é um bicho saudavel. Juro que posso contar nos dedos de uma mão o numero de pessoas obesas (franceses) que vi em Lyon. As pessoas geralmente tem uma silhueta de dar inveja e eu nunca vi tanta gente gostosa! Sem falar da alimentação: apesar de eu ter engordado (brasileira louca que não resiste a um pedaço de queijo), eu como muito melhor aqui. A refeição é bastante variada e o consumo de fruta e verdura é grande. Então, como eu sou uma pessoa influenciavel, me deixei levar por essa vida e mudei alguns dos meus habitos. O proximo post mostra minhas tentativas de ser mais saudavel.

sábado, 24 de julho de 2010

Eu aos 35 (graus).

Infelizmente, ou não, eu tenho o humor extremamente influenciavel pelo meio em que me encontro. "Mas todo mundo é assim". Duvido. Eu posso estar feliz da vida, se escuto Interpol, a depressão bate instantaneamente e eu passo a repensar toda minha vida, a sentir um vazio sem tamanho. Se noto uma leve irritação em Camilo, seja la pelo que for, eu começo a ficar irritada também. Eh inconsciente, mas acontece. Mas isso tudo é pra dizer que tem uma coisa que me deixa radiante, mesmo numa dia triste ou irritante: o sol. O sol! Não ha mal humor que resista. E, aqui na França, essa paixão ganhou proporções ainda maiores, ja que as estações são bem definidas e o sol daqui não castiga as pessoas que resolvem aproveita-lo ao ar livre.

Verão aqui é uma festa. Todo mundo corre desesperado pra aproveita-lo da forma mais intensa possivel. Os parques estão simplesmente lotados. Os bares sem terraço fecham as portas, porque ninguém quer perder os bons momentos de ar fresco que soh essa época oferece. Aqui em casa, todas as pessoas tem (pequenas) viagens marcadas pra quase todos os fins de semana do verão. Nossas refeições são feitas no jardim. Os churrascos são quase semanais. Depois de passar seis meses no frio, ninguém quer perder esse momento do ano. Inclusive, uma das coisas que me fez ir ao Brasil no começo do ano, foi justamente isso: eu queria estar aqui no verão. Os amigos brasileiros que me desculpem, mas o verão aqui é um acontecimento imperdivel e insubstituivel. Dai, vocês imaginam o quanto eu tou feliz. Não ha Interpol capaz de estragar isso.

A Aline fez um post muito mais completo e interessante sobre essa estação aqui na França, deem uma olhada: surtos de verão. Eu vou é contar o que eu tenho feito por aqui nesses ultimos tempos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Musica frances: Carmen Maria Vega


Taih uma coisa que curti muito na França em termos de musica: Carmen Maria Vega. Descobri esse ano, através da Bel que falou, como quem não quer nada, dessa lionesa (que nasceu que Guatemala). Por coincidência, no dia seguinte, ouvi o seu album de estréia na sala da minha casa sem saber de quem se tratava. Adorei! Eu consigo ver as expressões que ela faz enquanto canta tamanha a habilidade que ela tem pra interpretar as musicas. Meu guru musical escavou essa internet e achou o album dela e, agora, eu repasso pra vocês. Espero que gostem!

Carmen Maria Vega - La menteuse - 2009 (novo link no 24 de janeiro)

Praqueles que estão em duvida, La Menteuse no Youtube.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu quero é blog!

Gente bonita (ou não), ganhei mais um selinho pro blog. Dessa vez veio do Borboleta nos Olhos. Fico sempre muito grata de ter meu blog lembrado pra receber mimos desse tipo (odeio essa palavra, mas cabe perfeito aqui). O Foi feito pra isso também me indicou pra um selo, mas o problema é que, apos o quarto selo, eu ja não tenho mais nenhum blog novo pra indicar (viu como minha vida é problematica?).

Então, eu gostaria de propor a vocês, queridos leitores, o contrario: de vocês me indicarem novos blogs. Pouco importa se é sobre musica, literatura, feminismo etc. Desde que vocês gostem do conteudo, ta valendo.

Ah, e claro, muito obrigada pela indicação, meninas!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abra sua mente, francês também é gente

Ha umas semanas, uma amiga de João Pessoa me escreveu dizendo que uma amiga sua viria estudar em Lyon em 2011 e que, portanto, ela passaria meu contato pra que eu pudesse tirar eventuais duvidas que sua amiga pudesse ter sobre Lyon. Uma das preocupações vistas nos emails da moça, foi em relação à ma fama do humor do francês. Entre outras coisas, ela disse que não vem com expectativas de fazer amizade com franceses e que vai tentar se controlar pois é uma pessoa que gosta muito de abraço. Diante de um desabafo desses, achei que eu poderia escrever diretamente no blog sobre o assunto afim de (tentar) apagar algumas lendas sobre o povo dessa terra.

(Meio que repetindo o que eu ja disse aqui).

Quando falam que o francês é frio, eu entendo, mas não concordo. Porque frieza pra mim tem algo a ver com "indiferença", com "falta de entusiasmo", com "desinteresse". E essas são palavras que eu não consigo relacionar às pessoas que conheci aqui. Palavras que pra mim são mais apropriadas pra descrever o francpes são reserva e discrição.

Eu tava conversando com Camilo sobre esse assunto na quinta-feira passada, porque acho que ele é a pessoa mais apropriada pra se falar sobre o assunto: morou no Brasil e na França. Eu comentei com ele que, quando você chega num bar num Brasil, você conversa com o desconhecido da sua mesa como se fosse seu melhor amigo. Pergunta sem travamentos sobre coisas pessoais da vida da criatura e essa pessoa te responde sem maior desconforto. Eu sinto que, no Brasil, a amiga da escola vai virar amiga de infância na primeira semana de amizade. E aqui, meus amigos, não é assim. Dai, chega o brasileiro, com sua referência cultural, esperando que as pessoas sejam tão festeiras quanto ele. Caso não caiba na formula, sentenciam logo: francês é frio.

Lembro de um professor que eu tive na universidade dizer que, quando ele chegou na Paraiba, vindo do Sul, ficou chocado quando um homem que ele não conhecia, se meteu na conversa que ele estava tendo com um amigo dentro do ônibus. Pra mim, isso era a coisa mais normal do mundo, até eu chegar na França e observar que as pessoas não fazem esse tipo de coisa. "O brasileiro é metido", Camilo disse. Pra mim, o brasileiro é tão metido quanto o francês é frio: é uma questão de ponto de vista. Cada um com sua referência.

Ano passado morei com uma figura da qual Camilo gostava muito, Pierre. Comemoramos o aniversario de Camilo uma noite e, no dia seguinte, la estava eu, ressacada, varrendo as tampinhas de garrafa que estavam pela casa. De repente, noto a presença de uma pessoa se balançando na minha frente. Quando levanto a vista do chão, vejo Pierre dançando. Detalhe: completamente nu. Comecei a gargalhar e dai ele correu em direção à cozinha e foi abraçar Camilo. Isso parece ser atitude de uma pessoa fria pra você?

Quando voltei de uma viagem ao Brasil, em março, uma das meninas que moram comigo me perguntou se eu havia gostado, se sentia ainda muita saudade. Eu disse que sentia, pelo contrario, que minha vida fazia mais sentido na França, que era aqui que eu me sentia mais confortavel. Ela disse que ficou muito feliz de ouvir isso, largou o que tava fazendo e veio me dar um abraço. Não sei, mas atitudes como essas não me fazem ter uma ma idéia do francês.

Outra: semana passada fomos a um restaurante que adoramos. Nas ultimas quatro vezes, fomos atendidos por uma garçonete que tinha acabado de ser contratada. Ela sempre foi muito simpatica. Quando viu que eu era estrangeira, explicou com detalhes como os pratos eram feitos. E ela vem sempre a nossa mesa perguntar como a comida estah. Na penultima vez, sentou na nossa mesa e começou a papear (velho, não lembro disse ter acontecido no Brasil, jamais). E, na ultima vez, ela me chamou pelo nome. Como ela sabe meu nome? Eu não sei, mas ela sabe. Depois comentei que tinha ido à Prefeitura pela manhã e ela, "desculpa, eu não quero ser indiscreta, mas o que você foi fazer la?". Simpatica e educada: me ganha.

Mas vamos la. Leitor, pense por um minuto:

- No Brasil, você ja foi mal entendido numa loja?
- Você conhece alguém mal humorado?
- Você tem uma vizinha prestativa?
- Seu medico é legal?

Tenho certeza que, pra todas essas perguntas, houve um "sim" e um "não". Aqui, acredite, o francês faz festa, da gargalhadas, tem mal humor, tem amigos proximos, chora quando estah triste, é educado, é ignorante e... Opa, tah notando alguma semelhança com o brasileiro? Pois é, francês não é bicho papão. Se fosse, eu não estaria casada com um.

sábado, 17 de julho de 2010

Minha casa é como coração de mãe. De mãe Joana.

Quando perguntam com quantas pessoas eu moro, eu sempre fico em duvida. Eu deveria responder que são nove (semana passada, eramos dez), mas existem os squatteurs. Originalmente, squatteur é aquele sem-teto que se apropria de um imovel vago. O termo foi ganhando outro significado e hoje é usado pra definir aquela pessoa que passa um tempo na sua casa na condição de "visita permanente". Ou pelo menos essa é a definição que melhor cabe à situação de mi casa. E adivinha quem é o mais novo squateur da casa? Pepe. Sim, aquele mesmo Pepe que vomitou meu quarto, gastou meu perfume e ensebou o meu chão de oleo. Ele vai morar o proximo mês com a gente. Semana passada, finalmente, ele veio aqui em casa pra visitar Diana. Eu tava ansiosa pra saber o que ele tinha pra dizer, mas tive que me contentar com um "não lembro de nada". Massa. Ja escondi todo o estoque de oleo da casa.

Como se não bastasse os squatteurs, ainda temos as visitas-curtas (que são chatas, mas nem tanto). Chegou em nossa casa, essa semana, uma doida, irmã do amigo de uma das meninas da casa (Sonia), que eu tou batizando de Rainha do Desconforto. A menina viu Camilo cozinhando pra oito pessoas e perguntou "você não acha que colocou tomate demais não?" Camilo disse que ia perguntar, "e você quer comer hoje?". Antes disso, eu tava imitando pra Sonia o meu andar torto depois de uma caminhada pesada nesse fim de semana. Aih a doida observa meu andar e pergunta: "você tah GRA-VI-DA?"

(...)

- Gravida do teu pai, porra.

Ok, eu não disse isso. Mas tive vontade de xingar. Sobretudo quando ela perguntou se no Brasil faz tanto calor quanto estava fazendo na França. Senhoras e senhores, essa frase pode parecer inocente pra vocês, mas por tras de toda carinha meiga e curiosa que me faz essa pergunta, se esconde um francês que acha que o sol daqui queima mais que o sol do meu pais. Não, minha senhora! Meu sol é mais bonito! Ele brilha mais! E da mais câncer de pele! Mas enfim, quando perguntam se o sol é mais forte aqui, eu respondo: "Pessoa, você ja foi à Palmas? Não? Então: dizem que o Diabo se inspirou naquilo pra criar o Inferno". Eu também não digo isso. Fica mais pro "lah eu suo tomando banho".

Depois do jantar atomatado, Camilo preparou as coisas dele pra viajar. Comentamos esses e outros atos bizarros da menina quando confessei: "assim que tu sair, eu vou fechar a porta pra doida não me alugar". Nem preciso dizer o que aconteceu, né? A menina apareceu à porta aberta com um "toc toc" rapido e ja foi entrando. Dai ficou parada no meio do quarto, olhando pra minha cara, sentou na minha cama e nem falou a que veio! Vou sair um pouco do assunto do post e explicar porque uma atitude dessas, que pra vocês pode ser muito comum/aceitavel, é mal vista aqui.

Quando dizem que francês é chato, eu entendo, mas prefiro descrever o francês como um ser discreto e reservado. Alias, muito discreto e reservado. Aqui, dificilmente (pra não dizer "nunca"), você vai ver um francês puxando assunto na fila do banco, fazendo perguntas pessoais (mesmo que ele conheça você), te tocando enquanto fala. Eles também não curtem abraços. No começo, estranhei tudo isso, mas agora ja aprendi que a forma de saudar alguém aqui não é abrindo os braços, é dando dois beijinhos.

- No aniversario de Camilo, somente eu e a mexicana o abraçamos. O melhor amigo dele apertou a mão do menino;

- Ha um mês, eu tava conversando com a namorada de um cara que mora com a gente e perguntei qual foi a ocasião em que eles se conheceram. Ela olhou pra mim espantada e disse "mas isso é uma pergunta muito pessoal!" e não-res-pon-deu. Pessoa doida, eu não perguntei como foi a primeira noite de amor de vocês. A menos que ela tivesse conhecido o cara numa orgia, eu entenderia tanto pudor (bom, uma pessoa que participa de orgias não iria se espantar com uma pergunta dessas);

- Toda vez que Sonia vem falar comigo, ela fica na porta do quarto, pergunta se esta me incomodando e soh depois entra. Não entendo tanta formalidade. Mas é assim mesmo nas conversas cotidianas: perguntas pessoais são geralmente evitadas. Por isso que eu gostei logo de cara de Diana: a primeira conversa que tivemos foi sobre nosso ciclo menstrual.

Então, entendam que quando essa menina critica a forma de Camilo cozinhar, quando ela entra no meu quarto sem permissão, isso me choca. Mas graças ao céus, existem franceses e franceses. Assunto do proximo post!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Musica francesa: Paris Combo

Primeiro, escutem essa musica:

http://www.youtube.com/watch?v=kZINNAg-WVs&feature=related

Quando a escutei pela primeira, foi ha muitos anos, no Brasil. Gostei ja nos primeiros cinco segundos. Entendia porra nenhuma. Mas curtia. Muitos anos depois, nohs sabemos como e porquê, saih do pais. E hoje escutei a musica rindo: eu tava entendendo. Dai ri mais ainda da ponte entre a Luci que tinha acabado de sair da escola, onde suas maiores preocupacoes eram naipe "com que roupa eu vou?", e a Luci de hoje. Mas gente, eu nem sei me definir hoje. Veja no que eu pensei.

Contei a Camilo, no começo dessa noite, que quando a gente era guri, chegava pro amigo da escola (tinhamos seis, sete anos) e dizia: "duvido tu terminar a charada:

- Pata, péta, pita, pota...?
- Puta!
- Eitaaaaa! Vou dizer a tiaaaa!"

E o "puta" se apavorava. Hahaha Então, quando terminei de contar essa merda a Camilo, comecei a gargalhar loucamente e ele me olhou com cara de "que débil mental eu namoro" (e isso me fazia rir mais).

- HAHAHAHAHAHA
- Mas puxa, que brincadeira mais engraçada, amor!
- HAHAHAHAHA! GAHHH!
- Que humor refinado! Pelo visto tu não progrediu muito nesse sentido depois da escolinha.
- COOOOF! COF!

Pronto, então! Eu ia dizer que a Luci da escola se contrapunha a Luci madura de hoje em dia. Mas uma figura que partilha uma historia babaca dessas pro namorado e pra toda a internet, não merece ser chamada de madura.

(Minha gente, se vocês soubessem do meu estado mental, fisico e espititual, entenderiam esse post com segurança. Eu vou soh rir).

Dai que minha intenção nesse post era soh a de dar dois links pra vocês. Mas eu sou tão fuderosamente matraquenta que escrevi até aqui. Bom! Segundo link:

Portedoree e "um-pouco-de-musica"

::

Depuis longtemps, je n'sais pas
Où me mène le vent
Voilà pourquoi je n'suis pas
Ceux qui marchent devant

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ave 1664!

"Você sabe quando esta bebendo demais" quando seu namorado sai pra trabalhar as 8h da manhã e diz: "não beba de manhã não, viu, bostinha?"

"Você sabe quando esta bebendo demais II", quando, mesmo depois que seu namorado pede pra você não beber, você se encontra semi-bêbada, as 10h da manhã.

Gente.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Seguidores fiéis

Recebi outro selo de uma blogueira. Dessa vez, veio da Rita, autora do Estrada Anil, minha conterranêa (impressionante como a internet torna o mundo pequeno). A tarefa é falar sobre o porquê d'eu ter começado o blog e também indicar cinco blogs de pessoas que estão sempre por aqui. Adorei o selo. E o motivo pelo qual eu o adorei ja responde o porquê de manter o blog: eu adoro falar/escrever. Tenho blog desde os 17 anos e, antes disso, mantinha diarios e agendas nos quais eu relatava diariamente o que fazia e o que deixava de fazer (vocês podem imaginar o quanto deve ser interessante o diario de uma adolescente virgem e melancolica). Dai eu li, semana passada, uma frase de um tal de Jules Renard que dizia que "escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido". Quando você precisa falar, tudo o que você não quer é ser interrompido. E eu preciso falar. Como a maioria dos blogueiros brasileiros no exterior, eu fiz esse blog pra estar em contato com os amigos. Faltou soh o feedback (mero detalhe). Em compensação, conheci um monte de gente legal cujo blog tinha que estar linkado aih do lado. Quanto aos seguidores que merecem ganhar o selo, soh vou indicar dois: a, claro, vice-dona do blog e fundadora do meu "fã-clube de uma pessoa soh", senhorita Gloria Maria Vieira de Alcantara Pedrosa e Docil, claro! Cujo blog não sera linkado, por motivos obvios, mas que por ter estado por aqui enchendo nosso querido saco, merece receber o selo dos que acompanham o blog. Parabéns!

domingo, 4 de julho de 2010

Convite à Terra

Como é bom ler um livro ou ver um filme em que ninguém depositou muitos elogios: do contrario, a expectativa se transforma, invariavelmente, em frustração. Não foi o caso do filme que vimos ontem, La belle verte.

O filme conta a historia de um povo extra-terrestre que vive em plena comunhão com a natureza e que, uma vez por ano, tem que visitar outros planetas. A Terra é o unico planeta do qual ninguém se voluntaria pra ir, dada a gritante diferença entre o modo de vida deles e o nosso. O ultimo visitante a ir a Terra, testemunha: "A hierarquia lah é um caso sério. Chefes se acham superiores a tudo: os homens às mulheres, as pessoas da cidade às do campo, os adultos às crianças, os humanos aos animais".

Finalmente, uma mulher e seus dois filhos vão a Terra: ela aterrissa em Paris e os dois filhos caem no meio de alguma tribo africana de caçadores e coletores que tem o modo de vida semelhante ao dos visitantes. Enquanto a mulher estranha o cimento e a fumaça dos carros na grande Paris, os filhos relatam à mãe a vida na tribo que os acolheram: "Eles estão aqui ha 40 mil anos e nunca estragaram suas terras. Têm a mesma medicina que nohs. Nohs comemos muito bem! E eles são fortes em telepatia. São tão avancados quanto nohs. Estamos bem, a Terra é bela!"

Então, leitor, qual o seu conceito de avanço?

Um dos dialogos que eu mais gostei, foi quando a mulher-visitante pergunta, com curiosidade pueril, pelo conteudo da bolsa de uma terraquea:

- O que tem na sua bolsa?
- Um batom.
- Pra que serve?
- Coloca-se nos labios. Eh pra ficar bonita.
- Pra ficar bonita?
- Eh. Sexy. Eh pra agradar...
- A quem?
- Errr... a todo mundo.
- Isso deve ser dificil!

Apesar do filme ser de 1996, ele traz boas discussões sobre temas que estão em voga, como consumo de carne, machismo, desenvolvimento sustentavel, preconceito etc. O filme é bem obvio quanto ao(s) seu(s) objeto(s) de critica, mas me agradou por escancarar a mazela humana através da via cômica, sem aquela chata pretensão de ser um filme engajado. Boa reflexão sobre a sociedade contemporânea e aqueles que a criaram. Mas vou parar de falar do filme porque eu conheço bem o problema que a expectativa pode criar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pinche pedo!

E como doido não é privilegio de Paris...

Na ultima segunda, acordamos às cinco da manhã pra voltar pra Lyon (como eu adoro acordar cedo!). Cheguei na cidade e tive que carregar a minha mochila e a de Camilo pra casa, ja que ele foi direto pro trabalho. Quando cheguei no meu lar, sujo, lar, entrei no meu quarto, supercansada e encontrei ele de uma forma diferente da qual eu havia deixado. Tinha um cheiro de incenso no ar, as janelas estavam abertas e havia um terço no chão. "Eu sou catolica?" me perguntei. Ainda encontrei uma toalha estendida em cima da cama. Tentei ligar os pontos pra saber quem esteve ali. A conclusão foi que um padre tomou banho, deixou a toalha em cima da cama e, quando viu que eu estava prestes a chegar, saiu voando pela janela. Fiquei tentando encaixar o incenso no meio disso tudo, mas não consegui. Foi aih que apareceu Diana, a mexicana, muito surpresa:

- Luci, o que é que tu ta fazendo aqui?!
- Eu moro aqui, Diana.

Perguntei se ela tinha visto algum padre por aih, mas ela respondeu que não e perguntou por Pepe. Pepe é um amigo mexicano dela que, pelo visto, tinha dormido no meu quarto. Além do terço, da toalha, da janela e do incenso, vi um frasco de oleo pra bicicleta no chão e as caixas de papelão que ficam dentro do guarda-roupa, completamente sujas de oleo, assim como o chão. Gente, é demais pro meu instinto Sherlock Holmes. Até meu perfume tava vazio! Diana e eu tentamos saber o que porra esse cara tinha feito no meu quarto. "Ele estava muito bêbado ontem quando chegou e fez muito barulho no teu quarto. Pedi pra ele abrir a porta, mas ele não abriu".

Cheirei o quarto inteiro e não senti nenhum cheiro de vômito. Fui até o lixeiro do banheiro e o saco estava fechado com um noh. Como minha casa é uma baguncinha e eu sou a unica que troca os sacos de lixo, sabia que tinha alguma coisa errada ali. Abri o saco e encontrei vômito dentro dele. Ja era alguma coisa. Como eu não tinha idéia de onde a figura tinha vomitado, troquei os lençois, as fronhas e coloquei a toalha pra lavar. Tirei até o tapete do chão. Foi nesse momento em que peguei no vômito do cara. O putinho fez o que Camilo não me deixa fazer: vomitar no tapete. Pelo visto, ele vomitou o quarto, tentou disfarçar o cheiro com o incenso e meu querido perfume. Não sei, mas eu preferia minha versão com o padre.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Paris (lugar de gente tranquila)

Continuando a narração sobre o fim de semana em Paris.

Paris seria Paris sem sua gente louca? Gente, que meda! Na sexta-feira, quando chegamos em Paris, fomos dormir na casa de um amigo, Benzina. Quando entramos no prédio, ele avisou que a fechadura dele (do prédio) estava quebrada e, assim, qualquer pessoa poderia ter acesso aos apartamentos - porque, não sei se vocês sabem, na França não existe essa historinha de porteiro. Então, pra minha felicidade, uma vizinha começa a gritar por socorro as cinco da manhã, acordando todo o prédio. Eu, que sou um poço de controle e tranquilidade, fiquei estatica na cama ouvindo a mulher gritar "vizinhos! vizinhos! tem um doido aqui, socorro!" Benzina tentou nos acalmar dizendo que ela era doida e sempre dava esses barracos. Por coincidência, era uma brasileira. A policia chegou e suspeita-se que o doido do qual ela falava era o namorado dela.

No sabado, vi um cara de muletas caido na calçada apanhando de dois seguranças de um bar. Enquanto ele levava chutes de um lado, a namorada gritava do outro "eu não aguento mais você!" Pelo visto era um perneta brigão. E eu, esse "poço de controle e tranquilidade", comecei a chorar e querer ajudar o cara. Por causa disso, ficou obvio que eu não era dali: à minha volta, as pessoas olhavam a cena com tranquilidade. Que a Virgem me proteja de algum dia olhar uma cena dessas sem revolta. No dia seguinte, como se não bastasse, vimos um cara bater duas vezes no rosto da namorada. "Você bebe demais!", ele dizia. Pedi a Camilo que, quando ele quisesse me dar um toque em relação ao meu consumo de alcool, o fizesse de maneira mais didatica.

O ultimo caso, infinitamente menos grave, aconteceu no show de Caetano. Esperamos um bom tempo pelo começo do show, pegamos um otimo lugar, a cinco metros do cara, mas como eu não conhecia nenhuma musica do ultimo album, na metade do show, fui sentar nessa grama. Então, comecei a discutir com Camilo e outro amigo sobre esse post em que a autora diz que, pra ela, a vida pessoal do artista não influencia no apreço que ela tem pela arte produzida por ele. Eu discordo e, naquele momento, eu disse que, por exemplo, não gostava da pessoa do Caetano e que... Uma mulher me interrompe:

- Você não gosta do Caetano?
- Eu gosto, eu gosto das musicas, mas não gosto dele porque...
- Ah, porque eu gosto.
- Você é brasileira?
- Não. Mas eu gosto do Caetano, então, por favor, fale baixo!

Gente, a mulher mandou eu falar baixo porque... eu não gosto do Caetano, mas ela sim. Que mundo é esse em que a gente não pode expressar pros amigos, num jardim publico, o que a gente pensa? E Camilo ainda disse "mas se tivessem falando mal de Chico Buarque do teu lado?" Brother, nem se tivessem falando mal dos Beatles. Ja pensou? "Não fale mal dos Beatles porque eu gosto deles"? Ridiculo. Bom, mas... O que seria de Paris sem essa gente?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paris (e seus gays)



Passamos o ultimo fim de semana em Paris aproveitando que Camilo deveria trabalhar na capitá na sexta-feira e a passagem, claro, é paga pela empresa. Por coincidência, tivemos a oportunidade de ver a Gay Pride e um show de Caetano Veloso. De qualquer forma, Paris sempre vale a pena. Eh o tipo do lugar inesgotavel, que sempre vai oferecer alguma coisa interessante, não tem como se cansar da cidade, simplesmente não tem como, mesmo com suas bizarrices (ja ja chego la).

Na sexta-feira, depois da pelada do Brasil contra Portugal, corri pra estação pra pegar o trem. Ficamos no modo vinho barato, numa praça qualquer. No sabado, show de jazz no Parc Floral com os amigos brasileiros. Me dei conta que meus unicos amigos na França moram em Paris. Mas é melhor não reclamar, poderia ser pior: meus amigos poderiam morar no Brasil. Ai.

Parc Floral


Yo!


Dedo revoltado

A essa altura, o alcool ja estava cumprindo com sua obrigação. Eu estava tranquila na cerveja, feliz, sem problemas. Então, o dono do dedo revoltado, Benzina, me entrega uma garrafa de vinho. Agora, uma pausa: ainda em Lyon, enquanto eu estava fazendo minha mochila, duvidei em colocar meu vestido branco porque, claro, conheço bem minha coordenação motora quando estou bêbada. "Vou com uma roupa escura, porque sei que vou beber vinho e sei que vou derramar o vinho na roupa". Mas eu sou tão teimosa, que eu discordo até de mim mesma. E o que foi que aconteceu, meus amigos? Coloquei o vestido branco na mochila e, no sabado, derrubei vinho tinto nele, claro. Eu acho é pouco.

Felizes e saltitantes (e manchados de vinho), fomos à Place de la Bastille pra dar um oi à Gay Pride e um xau à Bel, que partiria no dia seguinte numa temporada em Portugal.



Os meninos com cara de desconfiados
(soh durou trinta segundos)


Eu, Lindinho e Benzina, embalado por Gloria Gaynor


Pra quem pensa que anjo não tem sexo



Nice!

Vocês não imaginam o quanto uma hetero pode ficar saltitante numa parada gay


Ou imaginam...

Talvez

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