Mostrando postagens com marcador chega de saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chega de saudade. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de abril de 2013

Cinco anos em cinco meses (ou do amor pelo lado de lah).

Nao querendo ser monotematica, mas ja sendo, queria colocar para fora um post que martela ha alguns meses minha cabeça  sobre a França e sobre essa coisa de evoluçao - e talvez ovulaçao, porque parte desse post é oferecimento da minha tpm. 

Quando eu cheguei aqui na França (2009), me sentia uma estranha em absoluto. Eu estava convencida de que soh estava aqui por Camilo - apesar da antiga vontade de ir embora do Brasil (Brasil = Joao Pessoa. Joao Pessoa = casa dos meus pais). Até hoje, eu nao sei se fui feliz ou nao nesses anos todos em que vivi aqui. Acho que Camilo era uma boa fonte de felicidade que mascarava a solidao sentida. Eu acordava respirando Camilo, mas começava a beber às 8h da manha nos finais de semana pra ver se aguentava o tranco de estar sozinha. E eu, que gosto tanto de falar (o blog veio da vontade de falar, nao de escrever), comecei a me fechar na minha conchinha. 

Ia pro trabalho/faculdade, voltava pra casa, entrava pelas escadas exteriores que davam acesso direto ao meu quarto (para nao ter a necessidade de entrar pela sala e cruzar com meus colocs) e soh descia quando o jantar estivesse pronto. Uma vez terminada a refeiçao, eu subia e me escondia novamente. Disso, surgiram inumeras brigas ferozes com Camilo que, sei la porque, gostava de perder tempo falando merda com o pessoal la na sala. O unico momento em que eu me permitia ser social, era com um, dois, três, vinte, copos de cerveja na mao. Nao gostava de falar francês porque coloquei na minha cabeça que, por nunca ter feito um curso decente, eu nao sabia falar francês. 

E dai, mesmo estando tao longe, eu tinha uns pesadelos estranhos com meu pai. E me pegava com o coraçao acelerado pelo pensamento de um dia ter de ve-lo novamente. Mas ao mesmo tempo, eu pensava em Fabio e meu coraçao se enchia da mais fina angustia, aquela coisa negra que ia me secando por dentro - alguns a conhecem como "saudade". Mas aih a angustia ia embora e dava lugar ao medo. Eu tinha medo de falar, de contactar as pessoas, de sair, de voltar, de ficar e de ser. E, como se nao bastasse, vinha sempre, uma vez ou outra, aquela sensaçao de nao pertencer a lugar nenhum, e alguns pensamentos sempre introspectivos e pseudo filosoficos sobre a necessidade de se pertencer a algum lugar. Eu pertencia a Camilo. E ele dizia que eu era a casa dele. E parecia um bom acordo, porque a gente parecia feliz. E eu amei tanto esse homem! Eu nem lembro mais como era, mas sei que amei porque eu preferi me abandonar à abandona-lo.

Acho que meu amor se confundiu com dependência. Eu nao conseguia fazer nada sozinha. No começo, mesmo quando eu conseguia me exprimir razoavelmente em francês, eu pedia pra que ele fosse comigo ao médico. Eu fazia uma drama pra ele ir comigo resolver algo na Prefeitura. Eu entrava em pânico e fazia birra de criança pra que ele fizesse algum telefonema de meu interesse. Uma vez, a gente pegou uma briga fenomenal nos metros parisienses, porque eu queria que ele me acompanhasse a um lugar que ele nao queria ir - tudo isso porque eu achava que eu era incapaz de voltar pra casa sozinha. Ele corrigia meus trabalhos da faculdade. Eu nunca viajava sem ele. Nunca saia sem ele! Cinema. Camilo. Teatro. Camilo. Show. Camilo. Bar. Camilo. Sim, eu tenho muita vergonha de dizer isso. Eu realmente fui muito fraca. Eu achava que tentava mudar isso, eu queria que as pessoas falassem comigo, mas quando elas falavam, eu rezava pra que elas se calassem. Eu soh queria que elas soubessem que eu era mais interessante do que aquilo, mas eu nao queria fazer esforço pra isso, porque "esforço" subtendia "falar" e, isso, eu nao era capaz de fazer.

E, apesar de toda essa dependência, eu acordei e finalmente percebi que eu tava tao vazia, tao pobre, que eu nao o amava mais, que eu estava com ele, nao mais por amor, mas por medo e, nesse dia, eu realmente me senti (ainda mais) sozinha. Tentei colocar a culpa na minha extrema e fatal instabilidade. Culpei meu signo. Culpei a lua. Culpei Lula - porque todo mundo culpa o Lula. Culpei a França, o Brasil. E lembrava de Artur da Tavola (desculpa atencipada, pois citaçoes soam sempre quase esnobes) quando ele dizia que "(música é vida interior, e) quem tem vida interior jamais padecerá de solidão". Eu achava que tinha e, portanto...

Quando acabamos, eu entrei em depressao. Alias, aquilo deveria ter outro nome, porque depressao eu ja tinha sentido, mas "aquilo" era mais intenso e "aquilo" me transformou. Eu achava insuportavel viver, mas vivia porque eu sabia que fazer alguma besteira iria provocar uma tristeza semelhante na minha mae e esse pensamento me apavorava (desculpa o drama, mas foi assim que aconteceu e, apesar de eu nao entender mais aquela tristeza, eu sei que ela existiu e que foi dessa forma que ela fez parte de mim). Até que um médico me disse que aquilo tudo era, em parte, decorrência de um tumor. Fui pro Brasil desejando estar com meus pais. Sim, pai e mae. Fiz a cirurgia e, quando voltei, meus amiguinhos...

Quando eu voltei, decidi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer. Me libertei daquela vida vulgar que eu levava estando junto a você. Parei de me trancar no quarto. Decidi que meu francês nao é bom para um francês, mas que é bom para uma estrangeira. Perdi quase todo o peso ganho durante a doença. Entrei no mestrado, mesmo sabendo que nao haveria ninguém pra corrigir meus trabalhos. Fui descobrindo simplesmente o que era ser eu de verdade - quando comecei minha vida sexual/amorosa, engatei nove anos no stop de namoro e era a primeira vez em que eu estava vivendo sem um cara pra me dizer o que fazer (sou feminista, mas...). Fiquei meio perdida no começo porque sou o tipico clichê de menina que nao teve a figura do pai presente e que demanda muita atençao dos namorados. Agora, gasto meu dinheiro da forma que quero - agora nao gasto mais porque, se somos livres, "nohs gatos ja nascemos pobres", nao esqueçamos. 

Aprendi a viajar sozinha - na primeira vez que viajei sem Camilo, foi pra fazer um trajeto de pouco mais de uma hora. Compro uma quiche, entro no trem, me deparo com uma cadeira vazia ao meu lado. Aguento firme, mas ao ver que nao tinha ninguém pra dividir a porra da quiche, começo a chorar. E fico assim, comendo a quiche e chorando, tendo pena de mim. Deprimente. Hoje, eu prefiro viajar sozinha, isso me da a oportunidade de passar o tempo olhando pela janela, de observar as vaquinhas no pasto ou, em dias feios, de ver macro espermatozoides de chuva se formarem na janela do trem. Aprendi a planejar coisas sozinha. Viajo e, quando volto pra Lyon, vem quase sempre uma lagriminha emocionada me socorrer quando me dou conta de que aqui é minha casa. 

Eu cortei meus cabelos! Dei um pulo dificil para fora dos padroes e agora nao sou mais a menina de cabelos longos e lisos. Sou uma mocinha de cabelos curtos e cacheados (e crespos!). Decidi usa-los como eles sao e, porra, vocês nao imaginam a liberdade que é poder ser você mesma. Fiz o primeiro Amigo francês. E o segundo e o terceiro. E agora, quando eu chego em casa, as pessoas sorriem ao me ver. Quando estou estudando no quarto, elas batem na minha porta e me mandam descer. E eu ainda nao me acostumei com isso. Porque essas eram as pessoas que eu admirava em silêncio ha uns anos e, agora, elas me dizem "eu te amo". Eu amo meus colocs. Eu aprendo com eles. Sao dez ao todo. A gente fala tudo sobre tudo e sobretudo sobre nada. E acho que, finalmente, o que me salvou foram as pessoas. Eu ja tinha falado aqui, num post antigo, que o importante nao é o lugar, mas quem te rodeia. Pra mim, vida interior, Artur, sao pessoas. Eu preciso disso. Eu preciso falar, preciso ser ouvida, mas também tenho necessidade de ouvir, de conhecer o outro. 

Nesses meses em que passei longe do blog, recebi alguns emails de leitores desconhecidos que dizam "olha, desculpa, você nao me conhece, mas eu leio seu blog e sinto como se te conhecesse", e dai, elas me perguntavam se eu ia bem e contavam um pouco a historia de vida delas. Gente, eu amo! Eu acho isso genial! Gosto de gente dada (ui), aberta (ui), que nao faz pose, que nao faz tipo. No começo de 2008, um amigo me escreveu um email depois de ler um post antigo meu num blog antigo.

(...) Desculpe o texto pseudo-sério, mas seu post realmente mexeu comigo, de alguma forma... acho que fiquei meio emocionado, de alegria e tristeza por me sentir em sua pele. Ainda assim, quero que você guarde pra sempre a forma como te admiro; bem como a forma verdadeira como você ama esse negócio de viver - que faz parecer que você não tem medo de nada, parece que nada é realmente tão grande que não possa ser alcançado.

Pois é, eu tive medo de muita coisa, mas parece que continuei conquistando-as  - pelo menos era isso que Camilo me fazia tentar enxergar. Acho que aqui, na França, eu tive a oportunidade de crescer. Sim, poderia ter sido em qualquer outro pais, mas nao foi. Foi longe de casa, longe do meu perimetro de segurança. Me fudi muito sozinha, mas percebi que tudo isso fui eu quem provocou. E, apesar de achar que fosse enlouquecer em certos momentos por nao ter ideia do que fazer com minha vida, olho pra tras e sorrio com toda a ironia que me acompanhou. A vida é irônica. E soh. Sinto como se tivessem me dado uma injeçao de vida. Decidi parar de me vitimizar, de achar que eu sou fraca. Ninguém sabe que você é fraco até que você o diga - gente, baixou o satanas da auto-ajuda? E, finalmente, acho que estou onde eu queria estar. A França me emociona ♥. Aqui é casa e vai ser casa pelos proximos nove anos - a nao ser que eu queira partir de novo, porque eu tenho a escolha. Mas tenho amado esse pais. Adorei fazer o post anterior, adorei perceber que eu faço parte disso. Nao foi pela beleza do pais que eu vim, mas foi pela beleza que eu fiquei. E, sim, pelo povo. Nao escutem os clichês que rolam por aih sobre os franceses. Os franceses sao sim um povo amavel. E quem diz o contrario, nao conhece os franceses. 

Sei que a vida vai continuar nao sendo facil. Mas eu tou bem acompanhada. Eu tenho eu. :)



quinta-feira, 7 de março de 2013

Meu filhote de leao, meu raio da manha

Acho que eu passei tanto tempo sem postar, porque nao queria contar tudo o que me aconteceu nesse ultimo ano, relembrar e cutucar a ferida, mas tambem nao queria atropelar o que eu vivi e o que eu morri (e fiz mais isto que aquilo) e continuar a postar aqui como se nada tivesse acontecido. Entao, sem enrolar e puxando o band-aid de uma vez soh pra nao doer muito, eu vos anuncio que Camilo e eu terminamos. E terminamos ha tanto tempo, que ja nem doi dizer isso. Nao disse antes porque doia, porque eu posso brincar com um tumor raro, com o fato de ter um coracao que nao funciona bem, mas finalmente achei uma coisa da qual nao poderia brincar. Acho que nao preciso enfeitar esse post e tornar essas linhas especiais pra mostrar o quanto foi linda essa relacao, nao eh? Porque, se eu precisasse fazer isso, eu diria que, apesar dos motivos que nos levaram a terminar o namoro, eu nao me arrependo. Eu nao me arrependo de nada. Eu diria ainda, que parece que passou uma vida desde que ele me provocou o ultimo sorriso, mas enquanto eu me lembrar do primeiro, eu vou saber que a gente tinha que passar uma parte da nossa vida juntos. Camilo me colocou num pedestal, cuidou de mim, funcionou no modo "injecao de auto-estima de Luci" durante cinco anos. Se esforcou pra me convencer de que eu era linda. Nao me deixou desistir da faculdade. Ele me deu tanto amor que quase me consertou... 

Mas eu nasci quebrada, amor, e cirurgia nenhuma e amor nenhum vai conseguir me consertar. Eu agradeco a devocao, o esforco e o pedestal. Espero que tu saiba que nao foi o excesso disso tudo que me fez ser fraca nesses anos todos. E eu espero que tu nao se arrependa tambem. Tu fez minha vida mudar (muito antes de eu pensar em por os pes na Franca). Tu me ensinou a nao usar saquinho plastico e a nao ter orgulho. Essa eh uma das melhores coisas que ha em mim e foi tu quem me deu, tu me libertasse de uma prisao. Espero que eu tenha te deixado alguma coisa boa, alem das lembrancas. E agora, vou parar por aqui, porque chorei demais pra quem disse que ja nao doia. 

Senhoooor, por que me fizeste de seda? 

Pelo visto, o jeito eh me fumar...

(Senhoras e senhores, eu voltei).   

sábado, 21 de abril de 2012

Tem o Giba uma giba?

Você conhece este homem?


OHMEODEOSDOCEONAOEHPOSSIVEO!

Sim, post novo no caso.me.esqueçam. Antes que Cissa Guimaraes aparecesse aqui em casa com o quadro "Por onde anda...", resolvi mostrar que estou viva e explicar (parte) do meu sumiço.

Em fevereiro, por motivos que nao me covem explicar, fiquei mal da cabeça e doente do coraçao. Tadinha. Diante do meu infeliz estado, meu bob pai e minha mamae quirida me pagaram uma passagem pro Brasil: dois anos longe de casa. 

Quem acompanha minimamente esse blog, sabe que fiz, durante meses, uma dieta pra perder os singelos 13kg que ganhei no ultimo ano. O ganho rapido de peso garantiu estrias pelo meu corpo inteiro. Mas nao eram estrias normais. Estas devem ser estrias mutantes. Nem gravidas de mamutes trigêmeos conseguiriam exemplares como os meus. Minha melhor amiga, quando viu minhas pernas, disse que achou que eu tivesse levado uma surra. Quem dera fosse. Pra vocês verem que eu nao estou exagerando, uma foto de um lado da minha barriga:

Convencidos de que o caso é sério?

Minha mae, diante do quadro, insistiu pra que eu fosse numa dermatologista pra um milagre tratamento e eu aceitei. Chegando la, a médica me olha e, em três segundos e meio, me diz: "você tem Sindrome de Cushing". Oi, pai de quem? Cushing. 

Entao, ela abre um livro que, pelo tamanho, deveria ter meu peso. Ela começa a folhea-lo e eu, curiosinha, arregalo os olhos pra ver as imagens dele. Metade das figuras eram de vaginas brancas, cheias de bolinhas esquisitas e pênis vermelhos com rachaduras. "Minha nossa, minha doença ta aih dentro?". Finalmente, ela para numa pagina onde tinha uma foto de uma pessoa gorda. Eu fico aliviada. "Ah, novidade, ela vai dizer que eu estou gorda". Nao. Entao, ela começa a ler sobre a Sindrome. Wikipedia ajuda.

A Sindrome de Cushing é provocada por altos niveis de cortisol no sangue. O cortisol pode ter origem externa ou interna: ou eu fiz tratamento prolongado com essa substância (99% dos casos, segundo meu médico) ou é minha hipofise que a esta produzindo ou ainda as glandulas supra-renais. Nesses ultimos dois casos, de qualquer forma, trata-se de um tumor. Pois é, viva eu que fui ao Brasil pra descansar e voltei com um tumor na mala. Detalhe, Sindrome de Cushing nao é uma doença comum (dois ou três casos por um milhao de habitantes). Meu médico soh a viu uma vez na vida. Viva eu de novo. 

Mas isso explica um monte de coisa. Nesses ultimos meses, meu corpo mudou muito e eu passei a desenvolver umas mazelas que, pra mim, eram resposta a dieta que eu tava fazendo. Sintomas? 

- Obesidade crônica, sobretudo na parte superior do corpo;
- Rosto gordo (dito "lua cheia") e vermelho;
- Surgimento de estrias violaceas;
- Pele fragil;
- Insônia;
- Afinamento e queda do cabelo;
- Perda de massa muscular;
- Equimose (hematomas);
- Labilidade emocional;
- Acne;
- Ganho de apetite;
- Cansaço nervoso;
- Problemas no ciclo menstrual;
- Aumento de pelos;
- Problemas psicologicos (depressao, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de atençao e memoria);
- Reduçao da libido;
- Aumento do volume urinario;

E ainda: geralmente, a Sindrome traz osteoporose, diabetes, hipertensao e/ou dificuldade na coagulaçao do sangue. Essa porra deve dar até piolho. 

As consequências de um diagnostico tardio: 

- Embolia pulmonar, trombose, diminuiçao da massa ossea (provocando fraturas), obesidade, 4-5 vezes mais chance de morrer em relaçao a alguém saudavel. Ou seja, muito amor.

Olha, com exceçao da acne e dos problemas menstruais, eu tinha, tenho, todo o resto. Eu vou no banheiro pelo menos duas vezes durante a madrugada pra fazer xixi; eu tenho roxos pelo corpo todo e nenhuma lembrança de ter me machucado; os cabelos caem aos quilos; a vermelhidao no rosto é tao aparente que uma vez cheguei em casa e perguntaram se eu voltei correndo do trabalho; nervosismo e tristeza nao precisam nem ser comentados (vide primeiro paragrafo); perda da libido?; fiz o buço pela primeira vez na vida quando o estado dos meus bigodes nunca tinha me incomodado antes - odjio; o cansaço começou a ser grande, mas eu achava que era a dieta e os guris que sugavam minha energia.

O endocrinologista que eu consultei disse que iria fazer um teste simples pra saber se eu tinha Cushing: ele segurou minhas maos, pediu pra que eu agachasse e, em seguida, tentasse me levantar. Eu soh consegui a façanha por ter me apoiado nele e jogado os quadris para tras: com a perda da massa muscular, a Sindrome te tira a força das pernas. Eu soh faltava morrer tentando subir uma escada. Tudo se explica.

Quando fiz a dieta, eu perdi 15kg, ou seja, fiquei mais magra do que estava antes de começar a ganhar peso. Mas o rosto continuou gordo e a pança nao diminuiu tanto quanto era de se esperar. Queria muito ter feito um post "antes e depois", mas com a cara gorda que eu me encontro, vocês nunca iriam notar a diferença. Eu cheguei a ir no médico aqui na França pra tentar resolver isso e ela disse que era normal, que eu iria emagrecer depois. Sei. 

A mae dos moleques é médica e me revelou essa semana que sempre desconfiou que eu estava com Cushing, mas achou indelicado dar essa sugestao na época. Indelicado é deixar a babah morrer, minha gente. Ainda assim, no ano passado, ela chegou a me aconselhar a ida a um endocrinologista caso eu fizesse uma dieta e nao perdesse peso. Acontece que eu perdi, entao logo descartei a possibilidade de estar doente. Ela perguntou por que eu ou Camilo nunca desconfiamos que eu poderia estar doente, mas como eu ja disse, as consequências de uma dieta de proteina pareciam ser uma explicaçao razoavel pra tudo o que estava acontecendo. 

Ha também acumulo de gordura na parte de tras do pescoço que os médicos chama de "giba". Gente, eu tenho uma giba que, infelizmente, nao é essa: 


(ou felizmente...)


Unxi, como é lindo!

Seja como for, diante da possibilidade de estar com diabetes, tive que suspender o chocolate e o alcool (si, pero no mucho) com muita dor no coraçao. Depois de "curtir" alguns dias a ideia de ter diabetes, fiz um exame simples que revelou que eu nao tinha porra nenhuma! - pude aproveitar ao menos a festa de despedida. 

Antes de deixar o Brasil, fiz um outro exame que revelaria onde estah meu bebê tumor (espero que seja um bebê). Havia de 80% a 90% de chance de ser na hipofise. Hipofise, pra quem nao sabe, é uma glandula que fica na cabeça e tem o tamanho de uma ervilha. Ela é responsavel pela produçao de um monte de hormônio importante como o da produçao do leite e o do crescimento. O médico explicou que ele iria "raspar" a parte da hipofise que produz o cortisol.

O que poderia acontecer seria que o cirurgiao poderia raspar além do necessario afetando a produçao dos outros hormônios (e eu teria que repo-los também pelo resto da vida) ou, pior, nao raspar o suficiente me obrigando a fazer uma segunda cirurgia - acho valido lembrar que a cirurgia nao custa dois reau. Num terceiro fracasso, "a gente 'explodiria' sua hipofise numa radioterapia". Uma pena, porque eu nasci com essa hipofise e pretendia morrer com ela. Mas nao por causa dela, entao... Entao, tinha esses 10%, 20% de chance que o tumor estivesse na glâdulas adrenais.

Hoje liguei pra minha mae pra saber o resultado do exame que fiz antes de deixar o Brasil que indicaria a localizaçao do bebê e, guess what!, na sena eu nao ganho, mas meu tumor estah na supra-renal.

djing djing djing!

Essa historia toda me deu um mal humor danado (sobretudo a parte da diabetes). Mas interessante mesmo, foi receber um email de uma professora da faculdade, no mesmo dia em que descobri que tinha Cushing, dizendo que eu estava perdendo aula e... Bom, se eu estava perdendo aula todo esse tempo, significava que eu estava reprovada por falta e que, por isso, nao poderia fazer o mestrado esse ano (e somente em setembro de 2013!). Foi aih que eu, pela milésima vez, surtei. Sinceramente, espero que o mundo acabe mesmo em 2012. Nao esta sendo facil.

Pedi pra Camilo averiguar essa historia com a secretaria e ela garantiu a ele que eu havia finalizado a graduaçao, apesar das disciplinas que cursei semestre passado terem continuidade este semestre. Como eu ja fui ludibriada por esta mulher anteriormente, irei na faculdade exigir uma declaraçao por es-cri-to que indique que eu estou, na mais absoluta certeza, formada. Motivo: minha cirurgia vai ser feita no Brasil e eu nao quero nenhum impedimento ou coisa pendente na França. 

Borboleta, tou chegando. Betty, vou ter que declinar do seu convite pro casamento - ja havia comprado as passagens e tudo mais, mas. Mas havera pic nic de blogs em Paris no mês de maio e mocinhas e mocinhos das redondezas podem se preparar porque quem me lê agora ta convidado. Pode levar marido, Luci? Podji! Pode levar filho, cachorro e periquito? Podji. Pode levar a giba, Luci? Também!


sábado, 3 de dezembro de 2011

I've got to admit it's getting better

Essa semana esta sendo tao linda, que eu estou com pena que ela acabe. Primeiro, foi uma semana de férias. Os pais dos guris foram pra um congresso e deixaram seus pimpolhos com os avohs. No dia da partida deles, a mae estava inconsolavel por ter que se separar dos filhos por uma semana. Tentei amenizar o sofrimento dizendo que uma semana passava rapido. Entao, ela virou pra mim com uma cara triste e disse:

- Nossa, mas você também vai passar uma semana sem vê-los!
- Pois é, nao é o maximo? Pois é, vou morrer de saudade!
- Ah, mas se você quiser passar por aqui pra busca-los na creche algum dia, pode ta? :D
- Ma nem fudendo! Ah, que bom! Pode deixar! :D

Entao, eu passei na casa deles: passei longe. 

E essa semana de férias coincidiu coincidemente com a data do show de, oi, Paul McCartney! Uhhhh, sim, mais um! Olha, nao sei nem o que dizer. Mentira, sei sim. Hihihihi Gente, muita emoçao no coraçao. A emoçao ja começou na estaçao de Lyon, quando eu quase perco o trem pra Paris. Chegando ao destino, encontrei todas as amigs que o mundo bloguistico e beatlelesco teve o mérito de reunir: Aline, , Maitex e Alê

Antes de entrarmos, Aline e eu discutimos sobre um assunto que estava nos preocupando bastante: a possibilidade do confisco da tampa das nossas garrafinhas de agua na entrada. A garrafa de agua la dentro custava três euros e eu nao queria me desfazer da minha, mas geralmente eles confiscam so a tampa. Mas ja era suficiente. Na hora de entrarmos, o segurança nos perguntou desinteressadamente se tinhamos garrafas d'agua e foi nos empurrando pra dentro como se a resposta nao interessasse. Aline disse que nao, mas eu, otaria como sou, cidada consciente, disse que tinha. Aih, ele me olhou e tomou minha tampinha. 

:(

Mas ao menos eu sei que vou pro céu. Você nao vai, Aline. Beijos.

Apesar das meninas, eu fiquei sozinha na arquibancada. Quer dizer, sozinha nao. Fiquei ao lado de um cara que tinha um mau halito generoso. Era facil saber quando ele tava cantarolando: eu sentia no ar um cheirinho de tutti-frutti, so que ao contrario. Nao bastasse os pulmoes do cara estarem apodrecendo, ele cantava tudo na hora errada:

- Aaarrrr... Take a sad soooong... Oops! Arrrr...
- ✞

Mas quem se importa? Paul estava ali, sob o mesmo teto que eu. Bastava. 

Depois, fomos dormir na casa de Dé que, coitada, tentou me alimentar, mas sem sucesso. 

- Luci, você quer pao?
- Nao posso.
- Você quer geléia?
- Nao posso.
- Mas iogurte você pode...
- Tem 0% de gordura?
- Nao...
- Entao, nao posso.

Oooolha, eu tava esperando a mulher me mandar tomar no cu. O pior é que, ha mais de uma semana sem me pesar, eu nem sabia se esse sacrificio todo estava dando um resultado positivo. Mas isso nao durou muito tempo: Dé tinha uma linda balança no banheiro que me mostrou que eu havia perdido 6kg (em 24 dias!). Fiz dancinha no banheiro. Gente, é a primeira vez em dois anos que eu perco peso. Minha calças estao caindo. Eu consigo tira-las sem desabotoar. Eh um milagre, naipe Monte das Oliveiras. Por isso, amiguinhos, eu aconselho vocês a nunca desistirem dos seus sonhos. Se você tem um sonho, cara, corra atras dele. De preferência, durante trinta minutos, todos os dias. 

Volto pra Lyon e fico esperando Camiloulou que também tinha viajado, so que a trabalho. De repente, escuto o socio dele, no quarto ao lado, falar ao telefone com Camilo: 

- Porra! Que massa! Puta que pariu! Nao acredito! Que coisa boa! Caralho, caralho! Nao acredito! Isso é muito bom! 

"Caralho" ad infinitum. E eu la, curiosa pra saber o que era tao bom. E o que era tao bom, caralho, caralho? Camilo e o socio ganharam uma appel d'offre pra um projeto importante, coisa que vai garantir um salario pra Co (o socio) durante quase um ano. Mas o dinheiro nao é nada. Esse é um projeto à nivel regional, que vai dar grande visibilidade à empresa deles. Tou feliz pra caralho, morta de orgulhosa! 

E, como se nao bastasse o show, a perda de peso e a appel offre, a melhor amiga manda mensagem dizendo que vem passar três semanas por essas bandas. Ela né linda?




(E o post da Dé sobre o show!)

domingo, 24 de julho de 2011

Finalmente


Fujam para as montanhas! Amanda estah vindo! 

Nao pretendia mais postar sobre o fim de semana que passamos em Paris em razao do pic nic (alias, parecia que eu nao pretendia postar nunca mais), mas olhando as fotos, vi que queria dizer que foi muito bom! E coisas assim merecem ser registradas.

Chegamos em Paris na sexta de manha (08 de julho). Amandao foi pegar a gente na estaçao e depois fomos matar o tempo num jardim aih à beira do Seine. Sinto muito, eu nao guardo nomes. Nesse momento, fomos brutalmente atacados por passarinhos famintos que visavam os farelos do nosso pao. Paris estah cada vez mais perigosa. 

Algumas horas depois, pude realizar um desejinho antigo: conheci dona Maria Ritalice, o motivo que deu surgimento ao pic nic, na minha opiniao. Graças ao primeiro abraço, passei três horas com o perfume dela em mim, nao sei se pelo esfregamento grande ou pela potência do dito, mas Rita, nao mude de perfume. E, gente, sim!, ela é a pessoa bonita que parece ser no blog. Por isso, ainda sinto a vergonha de ter deixado passar a oportunidade de vê-la no domingo, mas ela ha de perdoar. 

No final da tarde, depois da Amanda mirim ter capotado de sono (de rosa, na foto abaixo), nos despedimos da familia Paschoalin. Ainda na foto abaixo, Rita recebendo explicaçoes duvidosas de Amanda. Atentem pro detalhe da banana. Descobri que esse ser de blusa roxa tem banana como base alimentar. Quando ela teve em Lyon da ultima vez, comprou uma penca de banana e soh comeu isso. Achei esquisito, mas respeitei. 


Em Paris, enquanto todo mundo queria croissant, Amanda foi de banana. O problema é que ela nao respeitou o aviso...


 


Amanda e todo seu charme banânico



- Luci, onde você escondeu minha ultima banana?
- Menina, nem tchi conto!

Mas como eu ia dizendo, fomos a um bar magavilhoso. Ele nao tinha nada de especial, mas um lugar onde se vende cerveja é sempre maravilhoso. Respeitemos. Foi aih que eu conheci Maitê. Agora eu entendo porque as duas se tornaram amigas de infância! Maitê é muito legal, minha gente, gente sem frescuras! Basta dizer que a noite começou assim:



Phinas



E foi ficando assim...



Benzina recebendo a pomba-gira



Alguns copos mais tarde... 
A postagem dessa foto é a prova de que eu nao prezo pela minha imagem, beijos. 



Benzina com cara de quem perdeu a mae e Camilo, O Revoltado

No aguardado sabado, fomos ao Parque sei la o quê - desculpem, eu nao guardo nomes - pro pic nic. Eh legal demais poder ver a cara dos autores dos blogs que eu leio ha anos. Conheci a Adélia do Pedalando em Paris, a Drixz do Café Velho e a Helena do Certain Regard. Foi lindo! Soh achei o tempo curto, Drixz foi embora muito cedo, conversei pouco com elas. Culpa minha que estava trabalhando no modo timida. Aline do Sao-Paulo-Paris-Dakar (que teve alguns problemas com crocodilos) e a Mari do Agora nem sei mais sao velhas de guerra e eu ja conheço de outros carnavais pic nics. Também teve a Alê e a Adriana que, até onde sei, nao tem blogs, nao? Faltou a Carol. 




Faltou ela



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os passaros

Semana passada, Camilo me perguntou se eu gostaria de passar o fim de semana em Côte d'Azur. Apesar de se tratar do meu ultimo fim de semana de estudo antes das provas (que estao rolando essa semana), nao levei muito tempo pra me decidir. 
Do alto do meu pescoço, pensei "por que nao?", afinal, Côte d'Azur = mar. E Luci gosta de mar. Luci nao via mar ha mais de um ano. Luci gosta de falar na terceira pessoa. Mas Luci vai parar. 

A casa em que ficamos é de uma colega de trabalho de uma menina que mora com a gente. Uma coisa assim, impressionante. Perguntei à Camilo e a uma colega dele o quanto ela, a casa, valeria. Chutei dois, três milhoes, mas eles disseram que era bem mais que isso, que nao tinha nem como calcular. Enfim, casa de um povo que nao passa aperto. 

Em uma das disciplinas de geografia da faculdade, a gente estuda as regioes francesas e a distribuiçao de riqueza entre elas (é bem interessazzZZZzzz). Professor disse que o sul era o lugar dos velhinhos, que os franceses aposentados iam pra la gastar suas aposentadorias. Pois bem, pude confirmar isso. A gente ficou na cidade de Saint Raphael. Minha gente, parecia um mundo paralelo dominado por velhos. Velho, velho, velho. Se eu fosse investir nesse lugar, com certeza apostaria em farmacias, hospitais e cemitérios. 

Fomos comprar pao pro café da manha e vimos no caminho dezenas de velhinhos fazendo ciclismo. Aqui na França, é muuuuito comum ver equipes de ciclistas, com uniforme e tudo, fazendo... ciclismo. Quando chegamos na padaria, tinha um velhinho ciclista comprando pao. A caixa perguntou "oh, você anda com uma nota desse valor enquanto faz esporte?" Era uma singela notinha de 100$. Esperei que ele fosse dizer a ela "fique com o troco", mas nao rolou. Pois é, pessoas que compram pao com notas de 100€. 

Pra minha sorte, choveu durante todo o sabado, entao nao foi realmente um sacrificio ficar dentro do quarto estudando. Mas no domingo...

Aqui os caranguejos sao felizes


Gordo lindo bocejando


A outra perna ta debaixo do chapéu


:(

No sabado, um amigo foi pegar ouriço. Que coisinha nojentinha e fedorenta! Mas essa nao era a opiniao da gaivota que apareceu por la. A gaivota tava completamente enlouquecida atras dos ouriços deixados na varanda. Ela dava uns voos rasantes e tinha um olhar maligno. A gente espantou ela, mas a marvada voltou no dia seguinte, determinada. Colocamos a mesa na varanda e, à mesa, um delicioso prato de quiche. Em dois minutos, tinhamos um passaro comendo nosso almoço. Enquanto a gaivota se fartava, uma das meninas gritava. Fiquei sem saber se eu espantava o passaro ou se eu batia na menina pelo escândalo. 

Depois de compartilharmos o que sobrou da comida, tive a excelente idéia de tomar banho de mar. O que poderia ter sido um maravilhoso mergulho em aguas mediterrâneas, se revelou uma sessao de tortura. Tirei o biquini da mala. Peguei minha toalha. Lambuzei a cara de protetor solar e desci toda serelepe pra praia. Quando coloquei minhas patinhas na agua, descobri que a vida nao é tao bonita assim. A agua tava gelada e, 15 min depois, eu ainda estava na mesma posiçao tentando arrumar coragem, enquanto Camilo ja devia ter feito Saint Raphael - Malta à nado. Quando finalmente entrei no mar, fiquei me debatendo, engoli agua... e sai cinco minutos depois. Phino. 


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




sábado, 16 de outubro de 2010

Valeu, Zoller. Batchi!

Quando Camilo fez o (feliz) intercâmbio dele na UFPB, ele disse que tinha um professor que havia feito sei-la-o-que na França e que adorava se dirigir a Camilo em sala de aula cada vez que falava sobre o pais. Camilo chamava ele de "professor-babao". Pois, atualmente, eu tenho um professor babao. Juro que, a cada aula (que dura 4h por semana), M. Zoller, fala do Brasil pelo menos umas duas vezes. Ja falou dos morros cariocas, dos Bandeirantes, do carnaval, de Olinda, do futebol, de Santos, de Braudel e a USP e etc etc. Na semana passada, ele me perguntou quantos estados o Brasil possuia. E, trinta segundos depois, falou sobre a lauhncheuntt (aparentemente, um lugar que existia no Brasil). Meio Didi Mocoh, eu perguntei cuma?, e ele repetiu a palavra. 

- Isso te diz alguma coisa?
- Ah, sim, claro, "lanchonete".

"No Brasil, existe essa especie de restaurante onde se vende petiscos pas très cher, onde as pessoas, ao final de cinco minutos, trocam três ou quatro cartoes de visita com alguém que eles nunca viram na vida. Aqui na França, as pessoas no metrô olham através de você. Você é transparente".

Lavei-minha-alma.

Tive vontade de subir em cima da carteira e gritar "EU ENTENDO". Mas nao acho que seria um ato inteligente. Mas, oh, saiu um "bah, ouais!" que fez com que, pelo menos a menina do lado, soubesse que lah, do outro lado, as pessoas costumam ser humanas. Ainda que demasiadamente humanas. Irresponsavelmente humanas. Profundamente. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mainha é brother!

(...) Outra coisa, nunca deixe de mandar notícias apenas pelo fato delas não serem boas. Por razões obvias, é claro que eu gosto de receber boas notícias, mas que mãe seria eu se não ouvisse também os seus dissabores? Saiba que, apesar da distância, o meu cabeção tá sempre aí com vocês dois.Tá ligada? kkk

Espero que esteja melhor do catarro (é, minha gente, eu tive catarro).Tome vitamina C, pois o inverno se aproxima e o que você menos precisa agora é de ficar dodoi. Filhos não deveriam se afastar tanto assim da mãe. Dá um espécie de "impotência materna" nessas horas. Procura se recuperar e procurar um médico, se necessário. Eu também tive gripada por esses dias, mas já tô bem de novo. Seu papai tá de licença por quinze dias, pois se machucou em Fortaleza nos jogos da Caixa. Como se não bastasse, os bancos vão entrar em greve nessa próxima quarta-feira. Coitadinha de mim! Tá vendo minha filha, como tem coisas piores do que assistir aulas em francês sem entender? kkkkk

Ficar longe de você é uma delas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um parênteses

Eu poderia até dizer que esse post é fruto da minha TPM, mas eu nao tou com TPM. O post é de graça e ja faz um tempo que eu venho pensando em escreve-lo. 

Sei que cada pessoa que decide morar fora do seu pais tem uma experiência unica em relaçao a isso. Ha os que vao pra nunca mais voltar pela saudade da terra natal ser muito menor que as vantagens em se morar longe dela. Ha aqueles que sonham com a cidade em que cresceram todos os dias, num banzo sofrivel. Eu, eu ja nem sei mais o que sentir. 

Quando cheguei pra morar definitivamente aqui, eu chorava horrores e ficava entre a delicia de estar com Camilo e o sofrimento de nao poder ver o rosto dos meus amigos. Aqui, descobri que eu iria enfrentar mais despedidas do que se tivesse me fixado no Brasil. Porque aqui, todo mundo vai embora. A Europa te da essa oportunidade de estudar sei la onde, de trabalhar do outro lado, e eu ja venho me preparando pra, de novo, me despedir da minha atual "melhor unica amiga", aquela que foi, no ultimo ano, a peça fundamental pra que eu me sentisse viva e nao murchasse nessa terra fria. E ela disse que eu ia sofrer. Nao é por maldade, ela sabe: "todo mundo vai embora daqui, Luci, e eu nao sei como tu aguenta tanta despedida". E depois continuou dizendo que nao teria minha coragem de abandonar tudo assim. Aih eu tive que incorporar Bob Dylan e explicar. 

Me encontrei formada, sem emprego, sem perspectiva de nada, com o cara que eu amava puxando minha mao, me convidando gentilmente a dividir teto e problema com ele. Quem nao iria? E hoje, eu olho pra Camilo em silêncio, e até o dentinho discretamente rachado que ele tem, me encanta. Mas eu tenho um buraco que nao pode ser preenchido por ele (por favor, nao tirem essa frase de contexto): necessidade de amigos. Nao tou falando de qualquer tipo. Falo do perfil dos meus amigos que francês nenhum, nem de longe, pode parecer alcançar. 

E isso tudo era pra dizer que o blog e tudo o que ele me traz, direta e indiretamente, tem me feito bem. Ele passou de uma simples ferramenta de contato entre mim e meus amigos à uma poderosa forma de escape nos dias de furia (e de tristeza, e de saudade, e de alegria) e vocês sao as grandes responsaveis por isso, por aliviarem essa necessidade de contato humano. Claro que minhas relaçoes virtuais nao irao nunca substituir o contato real. Claro. Mas fico super satisfeita de conhecer um pouco mais da vida daquelas que estao no meu blog hall, de poder compartilhar momentos da minha vida aqui e de perceber que pessoas interessantes se interessam por eles. 

Talvez esse post tenha saido hoje porque, essa manha, eu acordei e me deparei com um recado no Orkut muito carinhoso, inesquecivel, deixado pela maluca da Glorinha (lindo, viu? Vocês nem imaginam como ela foi fofa. Ou imaginam. Fiquei toda besta!). Eu sou sensivel demais pra deixar essas "demonstraçoes publicas de afeto" passarem sem serem reconhecidas. Fico realmente muito feliz com as mensagens que vocês deixam aqui: quando dizem que torcem por mim, quando ficam preocupadas, ou quando simplesmente riem da minha cara por algum post mais avacalhado. Como igualmente é adoravel lê-las, questiona-las e conhecê-las um pouco mais. Escolho a dedo os blog que leio e adiciono, e sinto muito orgulho das visitas que recebo. 

Quero agradecer, mas nao vou citar nomes. Quem vem aqui com frequência deve saber que me sinto agradecida pela sua presença e os outros, devem saber que sao sempre bem-vindos. Esse post é pra isso, pra um grande obrigada.  

Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now, you got no secrets to conceal

How does it feel?
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

::

Va para ele agora, ele te chama, você nao pode recusar
Quando você nao tem nada, você nao tem nada a perder
Você esta invisivel agora, você nao tem mais segredos a ocultar

Como se sente?
Por estar por sua conta
Sem direçao alguma pra casa
Como uma completa estranha
Como uma pedra a rolar?

(Dylan)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Olhai meu guri!

Aqui na França, a graduação dura somente três anos, o que facilita muito a vida dessa gente. A inglesa que mora comigo, e que fez seus estudos na França, completou 24 anos em maio e ja esta no primeiro ano do doutorado. Eu, por outro lado, vou andar de marcha ré e voltar pra graduação. Fui aceita no terceiro ano do curso de Historia, na Lyon 2 - como se cinco anos não tivessem sido suficientes. Sei que pareço um pouco negativa dando essa noticia, mas tou satisfeita ja que agora vou ter a oportunidade de conhecer gente nova, melhorar meu francês, ter as vantagens de ser estudante, ganhar um diploma e, principalmente, estar em contato com as professoras do meu sonhado mestrado. Mas não é sobre nada disso que quero falar, na verdade. Dei essa noticia somente pra dizer que hoje foi, ao que tudo indica, meu ultimo dia de trabalho como baba do guri.

Primeiro, porque eu vou viajar com Camilo até o final de agosto. Depois, porque as aulas começam em setembro e, como ainda não conheço meus horarios na faculdade, fica dificil me comprometer com a familia do guri. Mas que aperto no coração! Na semana passada, quando decidi que ia me demitir, chorei no parque enquanto o pequeno corria pra la e pra ca. E, soh de pensar, ja tou com vontade de chorar de novo!

Foram somente três meses, mas esse cargo me fez refletir tanto sobre mim! E, claro, sobre os outros também. Gosto da forma com a qual os pais o educam e gostaria de praticar algumas coisas com meus filhos (caso eu decida ter algum). O guri jamais come sal, açucar ou manteiga; vai ao parque varias vezes ao dia; não assiste televisão; mesmo tendo somente um ano de idade, ele faz cocô no peniquinho pelo menos uma vez ao dia (gostaria de usar "cocô" no diminutivo também, mas merda de elefante perde em tamanho praquilo); tem milhões de livros (e prefere eles aos brinquedos); os pais falam com ele como se ele fosse um adulto - no sentido de explicar as coisas. Vejo no parque as crianças dos outros tomando coca-cola, quando ainda nem largaram a chupeta. Dai, tenho orgulho do "meu" filho.

Eh otimo vê-lo crescer. Lembrar que, quando eu cheguei, ele preferia engatinhar à andar e que hoje ele corre por aih. E a gente começou a fazer um monte de coisinhas juntos, coisinhas idiotas, mas que são nossas, como quando ele mostra os dentes: é pedindo pra que eu morda os dedos dele. Eh, é bizarro, mas ele faz isso todo dia. Todo dia eu mordo, todo dia ele sente dor e todo dia ele pede de novo. Eh lindo! Os pais disseram que esperam que eu tenha tempo entre as aulas pra continuar com eles. Eu também espero isso. Se não der, eu vou morrer de saudade!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre pão, rosas e pessoas

Camilo anda ha meses insatisfeito com os chefes. Ano passado, quando ele ainda era somente estagiario na empresa, ele ja vinha enfrentando dificuldades com os malas de lah. Um dos socios da empresa chegou a ser meio que expulso dela, pois era uma cretino de marca maior. Mas ainda restaram todos os outros. Eh o louco que grita, é o cara que é cinico, é o outro mal educado e assim por diante. Como eu trabalhei de faxineira na empresa, sei bem do que ele fala. O chefão, um tal de Olivier, aparecia na empresa de vez em quando. Eu, com minha pobre vassoura na mão, nunca escutei uma resposta dele ao meu bom dia. Tipo assim, nunca. Espero que vocês nunca tenham a chance de comprovar isso, mas quando seu trabalho não é bem assim, glamouroso, você corre o risco de desaparecer. Daih, um belo dia, acho que alguém contou pro senhor Olivier que aquela otaria que ele sempre ignorou é a esposa de um dos engenheiros da empresa. Então, ele veio trocar duas frases comigo na hora do almoço. Deve ter sido dificil. Engraçado que esse episodio se passou bem na época em que assisti Pão e Rosas (2000). O filme gira em torno de alguns casos da vida de uma faxineira mexicana que foi morar nos Estados Unidos. Opa! Faxineira? Estrangeira? Rolou uma identificação.

Nesse exato segundo, Camilo tah no Senegal, provavelmente reunido com alguns homens engravatados discutindo sobre projetos de carbono a serem lançados na Africa. Ele me mandou um email ontem, meio aflito, contando o quanto era sufocante estar com os dois chefes. Antes de embarcar, ele ligou pra mim e disse que um dos chefes tava falando sobre a esposa dele: "Bla bla bla... mas é bom mesmo que ela faça a feira, porque eu passo três horas pra achar um produto, fico perdido. Mulher não, mulher é mais cuidadosa". Pois é, meu bom homem, é porque além de estarmos biologicamente preparadas pra gerar um ser humano, nohs mulheres também trazemos conosco o gene da feira.

E Camilo foi totalmente verdadeiro quando me disse, semana passada, que tudo depende das pessoas com as quais nos rodeamos. O trabalho é chato, mas o chefe é legal? Passa. A disciplina na faculdade é interessante, mas o professor é um cretino? Não passa. Não dah, pô. E ontem eu fui pra mais uma entrevista de emprego da qual eu gostei muito. Não soh porque era pra cuidar somente de um bebê, mas também porque o perfil dos pais me agradou muito. "Quero que você ensine coisas ao meu filho, ele é muito curioso. E nada de TV. E nada de passeios no shopping". E, quando a mãe soube que eu morava numa casa, ela perguntou se eu tinha jardim. "Eu tenho um jardim. E a gente vai plantar tomate nele". E ela sorriu. E agorinha, quando esse post ainda soh estava na minha cabeça, minha ex-patroa me ligou e disse que uma mulher havia ligado pra ela ontem perguntando pelas minhas referências, se eu era confiavel. E daih minha patroa disse que sim. E explicou que eu era séria e responsavel e meu sorriso do outro lado foi enorme e o rubor foi violento. Merci! Merci! E ela disse "mas você fez um trabalho excelente, Luciana". E eu nunca tinha comentado aqui o quanto essa mulher foi importante na minha adaptação na França e o quanto me senti bem trabalhando pra ela. E ja faz uma semana que cogito a possibilidade de voltar e trabalhar uma parte da semana como baba e a outra parte como faxineira. Porque quando a gente tah com as pessoas certas, passa.

sábado, 27 de março de 2010

A re-volta

Como planejado, cheguei em Lyon ha quatro dias. A viagem foi cinquenta vezes menos cansativa que a da ida, mas como nem tudo é perfeito, peguei umas turbulências que me fizeram entender que ha, sim, formas de eu me sentir mais vulneravel do que me sentia na crescente violência de João Pessoa. Sabe aquelas descidas inesperadas do avião que fazem seu estômago parar nas suas amidalas? Pronto, senti três vezes. Foi otimo.

E como ja faz quatro dias que cheguei, muita das impressões da viagem se foram. O que ficou mesmo é que eu tenho amigos lindos e idiotas! Se eu não tivesse esse tempo no Brasil, acho que eu estatia babando agora, sem dizer coisa com coisa. Agora o rumo é outro. Mas antes, entendam.

Dizem que meu amor por ela é obssessivo e doentio.
Não acho



Minha moral baixa e minha barriga querendo
competir com meus peitos em tamanho


Nariz de Andressa, Fabio e Jeff, o doente


Andressa sobria


Jaque procurando a Biblia na bolsa e Elizinha.
Limpeza.

Foi bom, mas citando Paulo Francis: "Às vezes acho que aguentei tanto tempo viver no Brasil porque estava em estado etílico na maior parte do tempo". Gracias por isso, amigos!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: álcool histórico

Continua minha saga em busca dos amigos que preciso rever. Semana passada, foi a vez do pessoal do curso de História. Eu só faltei sambar na mesa de tanta empolgação! Povo bom, adoro! E adoro porque [modo piegas on] eles representam tudo aquilo que eu mais admiro num amigo: bondade, graça, inteligência, embriaguez... Como eu adoro esse povo! Aqui, alguns deles:

Nível alcoolico 1: todos ainda penteados e vestidos

Nível alcoolico 2: nesse estado, você sorri, faz uma gracinha...

Nível alcoolico 3: já começa a fazer careta, levanta da mesa, grita

Nível alcoolico 4: pega uma peruca, incorpora o satanás e esquece que tem uma vida social a zelar

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Especial Brasil: a felicidade em pôr acentos

É, eu sei, eu demorei a atualizar o blog, mas tudo nessa vida tem uma explicação - ainda que a gente não a conheça. Repararam no meu e maiúsculo acentuado? Repararam nesse u acentuado? Pois é, gente, eu estou usando um teclado brasileiro. Pois é, eu estou no Brasil! Hihi

Como assim, porra?!

Seguinte: Diana chegou um belo dia no meu quarto e disse que tinha um amigo que estava vendendo passagens super baratas pro Brasil e que ela iria perguntar a ele qual os detalhes dessa passagem. No dia seguinte, um dia ainda mais belo que o anterior, eu cheguei no quarto de Diana e disse "comprei uma passagem pro Brasil" (quando eu era pequena, eu desconfiava que eu era uma pessoa impulsiva). Eu nem esperei pela passagem de Diana porque, há tempos, eu já vinha sentindo uma tristeza no meu ser que, dependendo da interpretação de cada um, poderia ser diagnosticada como sendo saudade, banzo, frescura, não-adaptação etc. E, como a única coisa boa que tristeza dá é samba, resolvi me livrar da minha.

Não disse absolutamente nada a ninguém residente no Brasil. Passei boas 24h pra chegar ao meu destino, dormi somente uma hora durante os voos, mas cheguei. Ao descer do avião, fui recepcionada pelo bafo que soprava dos infernos, e que aqui chamam de "brisa", mas eu sorri. Peguei um ônibus e minha primeira parada foi na casa do melhor amigo. Somente ontem, uma semana depois de chegar, é que vim pra casa dos meus pais. Prioridades primeiro.

Tou feliz com a mesa de bar, com o mar e a comida, mas feliz mesmo eu tou em poder ser eu. Oito meses sem ser eu. Eles não entendem, eles não podem nem imaginar que eu não sou ela. Eu não sou aquele ser balbuciante que não entende piadas. Eu não sou aquela pessoa amarela que vive calada. Eu não sou a tímida que chega a ser mal educada por não saber puxar assunto. Eu não sou ela. Eu não tenho nada a ver com ela. E era nesses momentos de frustração infinita que eu começava a chorar. Nesses momentos, eu desejava estar do outro lado com a gente que me conhecia, a gente que acharia graça (ou teria pena) se visse uma Luci quieta. Porra, tou profundamente feliz e quero aproveitar cada minuto, porque depois eu vou voltar pro gelo, ainda que verão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Foto da defunta


Pois bem, lembram da foto que meu pai tirou no dia em que eu quase morri? Foi essa. Realmente, eu pareço bem desanimada (morta). Também, com esse vestido, quem não ficaria triste? Ou foi a sandalia! Adultos tem que entender que sandalias com elasticos atras não são legais. Doem entre os dedos, porra. E alias, eu tinha três anos, mas pelo visto, devia calçar 40. Pobre de mim. Ah, e os mais atentos notaram logo: eu menti pra vocês e minha mãe mentiu pra gente: a foto data de julho de 88. Anos-luz de qualquer dia das mães. Shame on you, mainha. Tsc.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eramos quatro. Lascados.

A Lola me pediu pra explicar melhor essa historia de morrer aos quatro anos, que eu cito no meu perfil. Na verdade, eu também gostaria muito de saber mais sobre essa historia. Tudo que eu sei é que minha mãe sofreu muito com seus filhinhos. Eis um pequeno resumo de alguns dos seus pesadelos de mãe.

Somos quatro: Guilherme, eu, Renato e Elis (26, 24, 22, 15 anos).

Guilherme foi o mais cruel (com ele mesmo). Um dia, ele pegou a espada do He-man (adoro essas frases) e gritando "pelos poderes de Greyskull", correu e atravessou a porta de vidro da sala. Ele tinha (em torno de) cinco anos. Ele tinha cinco anos e muito sangue. Minha mãe disse que nunca tinha visto tanto sangue na vida dela. Acredito que a visão que ela teve naquele momento do seu primogênito não foi das melhores. Não sei se pouco antes ou depois disso, o pirralho curioso prendeu a toalha na qual ele estava enrolado numa panela de leite fervente. Resultado: uma cicatriz que toma 2/3 da barriga dele até hoje.

Eu, por outro lado, não dei muito trabalho a minha mãe. A unica reclamação que ela tinha era a de que eu chorava muito. Meus apelidos eram boca da meia-lua e manteiga derretida. Alias, eu os odiava. E alias, as coisas não mudaram muito, continuo chorona. Tudo bem que uma vez eu chorei porque não consegui tirar uma meia do pé (sete anos), mas isso não é motivo pra banalizar o choro de uma criança. Eu acho. Bom, então, eu morri. Minha mãe disse que la estava eu, aos quatro anos de idade, em cima da cama, com o relogio do meu pai no braço, quando comecei a suar. Ela disse que eu suava bicas e que eu comecei a ficar palida e mole. Então ela me colocou debaixo do chuveiro. Não sei exatamente o que ela estava esperando com isso, mas não deu certo. Meus labios ficaram roxos e meu pobre coração parou de bater. Ai ela, ninja, fez massagem cardiaca e eu ressuscitei. Aposto que eu chorei depois disso.

Renato
sim foi o filho-problema. Eh chamado de duas mãos esquerdas até hoje. Pensando nisso agora, vejo que minha familia não é muito criativa pra apelidos. Ele cortou a cabeça umas quinhetas vezes. Ele quebrou os quatro dentes da frente numa queda. Abriu a lingua. Socava os amigos, chutava a professora, foi pra diretoria inumeras vezes, fugiu dos meus pais num passeio. Foi o que mais quebrou objetos em casa, o que mais levou gritos e o que mais apanhou. Tudo se explica.

Elis foi a caçula que recebeu muita atenção. Ou não. Acho que, mesmo que eu morra aos 100 anos de idade, com Alzheimer, eu nunca vou esquecer desse fato: numa tarde dos anos 90, uma pessoa tocou nossa campainha à tarde: era a vizinha e ela estava com Elis nos braços. A gente não entendeu nada, pois ha dois minutos, Elis estava na sala de estar. Então a vizinha disse que viu Elis andando sozinha no meio da rua (Elis tinha menos de dois anos). Essa vizinha morava numa rua perpendicular à nossa e soh viu Elis porque seu portão era cheio de furinhos. Minha mãe pegou Elis nos braços sem palavras. Eu tremia. Quem estava "tomando conta" dela, era eu. Até hoje eu lembro disso e volto a estremecer pensando no que poderia ter acontecido se a vizinha não estivesse no seu terraço e se seu portão não fosse furado, até onde Elis iria?

Coitada da minha mãe...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Chega de saudade!

Eu odeio falar aqui no blog sobre meus momentos de tristeza. Evito mesmo. Fiz um blog soh pra isso e, quando eu tou afim de expor minhas angustias, eu exponho no outro... (na verdade, eu exponho", ja que o blog é fechado). Ah, mas eu preciso falar desses dias. Aqui.

Ha uns dias, eu recebi uma otima noticia que me deixou triste: o fato dos meus amigos de universidade terem passado no mestrado. Isso me deixou feliz, claro! Mas ao mesmo tempo, essa situação logo me questionou sobre o que EU tou fazendo da vida. Bom, eu? Eu faço faxina. O fato de eu ter estudado com esse pessoal faz com que eu pense que eu fiquei "pra tras", ja que eu não tou acompanhando a maré junto a eles. Aih, tome tristeza!

Somado a isso, veio a saudade. Nem sei falar sobre saudade. Nem sei dizer como começa, mas termina sempre em tristeza. E o sentimento de abandono é muito forte. Então, adorei quando Amanda me deu uma sacudida nos ombros dizendo que quem abandonou os amigos fui eu. Bom, isso não melhora minha tristeza, mas ao menos livra meus pobres amigos de serem responsaveis pelo abandono. E por falar nisso, mais um cravo: a despedida de Simone.

Ha muitos meses eu falei de Simone aqui. A amizade soh tava começando, mas eu ja sentia que ia ficar muito amiga dele e acertei. Simone é foda. Simplesmente. O que ele conseguiu despertar na minha pessoa beira mesmo o amor. Quando eu falava, Simone era soh ouvidos. E quando Simone abria a boca, eu soh conseguia escutar. Eu jamais, jamais conheci alguém assim e é facil saber porque todo mundo aqui na França gosta dele. Falar dele aqui soh vai me deixar em crise, porque eu nem mesmo conseguirei descrever a figura imensa que ele é. Mas vale a pena registrar que eu tive por quatro meses um superamigo que tornou esses meses na França totalmente felizes. Mas Simone teve que voltar pra Argentina. Ele vai ser pai.

E a vida continua...

Mas, pra resolver aquilo que pode ser resolvido: fui pesquisar meu mestrado. Pensei em trabalhar com feminismo, mas não consegui ir além disso. Assim, sem imaginação, fica dificil bolar um projeto. Mas dizem que vouloir c'est pouvoir... Por enquanto, a possibilidade de um mestrado, ainda que distante, me deixa mais tranquila. E aproveito pra pedir às leitoras brasileiras que estão fazendo mestrado na França que me contem um pouco como foi o processo pra chegar ao mestrado: equivalência de diploma, tema, dificuldades iniciais (pré-curso). Por favor, uma luz! E prometo que os proximos posts vão refletir uma Luci menos desconsolada. Mas por enquanto...

Dois minutos depois, ele tava no ônibus e eu tava aos prantos.
Chega de saudade!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Construindo clichês

Agora que eu escrevi a introdução, hihi, vamos à coisa curiosa que me aconteceu. Não fiquem curiosos, não é tão curioso assim. Eh tosco.

Ha algumas semanas, antes mesmo de eu entrar no curso de francês, os alunos da minha turma estavam trabalhando numa pesquisa sobre seus proprios paises a fim de apresenta-los durante as aulas da sexta-feira. Peguei o bonde andando, mas como o trabalho não é assim, acadêmico, fiz meu cartaz sobre o Brasil e fui convidada a abrir as apresentações na sexta passada.

No começo, fiquei um pouco nervosa e tive que me conter pra não quebrar os dedos da mão no estalar sem fim. Isso durou três minutos. Depois fiquei toda empolgadinha e sai falando sem parar sobre os portugueses, os indios, o presidente Lula, o dedinho que lhe falta, a feijoada, o Nordeste, o Real, o povo "catolico" do Brasil etc. Falei até dos filmes de pornochanchada dos anos 70. Não falei de caipirinha, nem de futebol, mas falei do carnaval! Disse que existia dois carnavais super tradicionais no Brasil: o do Rio de Janeiro e o de Olinda. Claro que eu puxei a brasa pra sardinha daquele que eu adoro! No final, depois de uns 20min de apresentação, sentei no meu lugar razoavelmente satisfeita, me perguntando quais as conclusões que as pessoas tiraram do Brasil depois do meu seminario.

Foi quando a professora se virou e disse que estava curiosa e que tinha uma ultima questão: "como é o carnaval de Olinda, o que vocês fazem?" Soltei um risinho porque pensei no quanto seria complicado descrever aquele suplicio nas ruas de Olinda como sendo bom, mas tentei resumir: "Ha muita gente por todo lugar. Eh preciso alugar seu alojamento muitos meses antes. Dai a gente sai nas ruas... E fica todo mundo por aih, dançando. A toda hora passam as bandas de fanfarra... tocando musicas de... carnaval... e... as pess... buuaaaaaaaaaaaaa!"

Sim, eu chorei!

Hahahahahaha! Eu chorei! Eu chorei muito! Minha gente, vocês não estão entendendo: eu chorei na sala de aula falando sobre o carnaval! Nossa! Eu rio toda vez que lembro dessa palhaçada, mas é porque foi muito cômico (ridiculo). Acho que eu fiquei emocionada quando lembrei do loloh. Vocês deveriam ter visto: as sete pessoas na sala pararam todas de respirar e olharam pros seus pés, completamente mudas, sem saber o que dizer. A professora saiu pra buscar agua e, quando voltou, eu ja tava rindo, morta de vergonha.

Mas uma coisa é flagrante: a ultima coisa que eu disse antes de parar de chorar (quando eu consegui dizer alguma coisa) foi "é porque aqui é muito diferente" e segurei com todas as forças a nova demanda de lagrimas. Falei por 20min do meu pais. Da musica, do cinema, de politica, das praias, mas quando lembrei do carnaval, da festa, das pessoas loucas que aquele pais tem, sim, eu chorei. Não acredito no clichezão de que os franceses são frios. Não, não são. Ja me diverti muito com os franceses que conheci, mas lembrando dos brasileiros, a diferença é do tamanho da distância que separa os paises em questão. Agora acho que ajudei a consolidar mais um clichê nesse mundo: no final das contas, acho que o pessoal da sala concluiu que brasileiro gosta mesmo é de carnaval.

Talvez

Related Posts with Thumbnails