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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quem tem culpa, digo, consciência, ajuda

Ha uns meses, através do Twitter, acabei chegando a um site onde havia uma lista de associaçoes filantropicas de todos os tipos e as informaçoes necessarias praqueles que quisessem contribuir financeiramente com qualquer uma delas. Nunca tive a iniciativa de apoiar nenhum projeto do gênero. Nao porque eu seja lisa, egoista ou muquirana - nada disso, eu sou linda. Mas em todo caso, devo ter um pouco de cada por ter deixado passar tanto tempo antes de decidir contribuir. Acho que o problema estava mais no fato de eu ser preguiçosa acomodada mesmo. Faltava isso: uma eventualidade que colocasse debaixo do meu nariz o quanto é ridiculamente facil fazer uma doaçao. 

Decidi contribuir com os Médicos sem Fronteiras (o site mostrava quantas vacinas para tal doença eles poderiam comprar com o valor da minha doaçao. Fiquei empolgada). Queria poder dizer que contribui porque sou um anjo onde nas veias corre o sangue de Madre Teresa de Calcuta, mas acho que a origem da minha decisao deve ser relacionada à uma culpa crista mesmo. Nao me julguem. Alias, me julguem. 

Quando aconteceu o terremoto no Haiti, em 2010, eu li uma matéria que descrevia a vida das pessoas apos a tragédia. Fiquei com dor no peito lendo sobre as mulheres que eram estupradas. Queria tanto que aquilo acabasse bem! Entao, sabe o que eu fiz? Nada. Meses depois, li matéria parecida e, de novo, fiquei chocada. "Esse povo ainda ta nessa situaçao?! Coitados!". Dessa vez, sabe o que eu fiz? Nada. Nao fiz nada e nunca vou fazer nada. Porque eu sou isso, aih: preguiçosa, acomodada... Fato é que eu percebi, que minha conta bancaria nunca foi tocada pelo MSF. Algum problema aconteceu e eu nunca fui atras para resolvê-lo. 

Ha uns dias recebi uma ligaçao da Unadev (Associaçao Nacional dos cegos e deficientes visuais). A mulher começou a explicar quem eles eram, o que faziam e se eu poderia contribuir com sete euros mensais. Veja bem, sete euros.

- Olha, eu nao posso ajuda-los porque... Err... 
- Senhora, você nao se preocupa com a condiçao dos cegos?
- Nao, assim... Eu até me preocupo, sabe, mas... Err... Eu vou deixar o emprego e (gente, mentira, eu nao vou deixar o emprego porra nenhuma, eu soh queria desligar aquele telefone o mais rapido possivel)... E...
- Você acha que sete euros vao fazer diferença no seu orçamento?
- Nao, mas é que... é que... Nao. Nao acho.
- Entao, você estah disposta a contribuir com a Unadev?
- Tou...


Pronto, soh assim mesmo. Depois da mulher ter sugerido que eu era egoista e murrinha, eu aceitei contribuir com os cegos da França. E eu nao estou com vergonha de estar admitindo que eu sou podrinha, porque sei que 90% das pessoas que me leem agora nao tem atitude muito diferente da minha. Estou certa? Mas eu estou aqui para ajuda-lo, irmao-amigo. Ajudar a ajudar. Vocês ja tem aih o site dos MSF. Você nao gosta de ajudar gente? Tchudjo bem: temos a WWF. Muito clichê? Entao, aqui tem uma lista com outras opçoes que vao dos autistas à moças cristas, passando pelos alcoolicos anônimos. 

Pronto, agora posso dormir melhor essa noite. Ufa. 

(Antes de dar adeus, curiosidades que vao mudar a vida de vocês: um cao-guia leva 10 meses para ser treinado e dez anos para ser aposentado. O custo do treinamento? 20 mil euros. Meus sete euros nao devem nem pagar o potinho da agua). 

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Detalhe: dias depois, fiz um cartao num cinema daqui onde tenho entrada ilimitada. Preço da adesao: 20€ mensais. E a vida segue.





sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Um post trivial

Semana passada, conclui o estagio intensivo de inglês na faculdade. Se tudo der certo, posso dizer que essa foi minha ultima semana na faculdade como graduanda. O curso, apesar de cansativo, foi interessante. A professora praticamente nao ensinou nada de gramatica, mas nos estimulou bastante para que conversassemos em inglês com os colegas do lado. Claro que ninguém respeitava a regra e todo mundo conversava em francês mesmo. Quando a professora notava, ela reforçava o pedido para que as pessoas falassem em inglês. Toda vez que isso acontecia, tudo o que eu conseguia ouvir ao meu redor, era um dialeto esquisito e incompreensivel: franceses extremamente convencidos de que sabem falar inglês. Eu nao saberia reproduzir a forma deles falarem, mas é mais ou menos assim. Lindo.

O tema do dia era "trivia". Como ninguém sabia do que se tratava, a professora explicou que trivia é uma informaçao... trivial, algo curioso, mas sem importância. "O elefante nao consegue pular", por exemplo. Eu sentei na frente de duas meninas que eram amigas e que falavam pelos cotovelos. Uma delas, além da deficiência no inglês, era, digamos assim, tapada mentalmente lenta. 

- O que é uma trivia?
- Uma informaçao curiosa, mas sem importância.
- ???
- Olha, peguei uns exemplos nesse site e...
- Aaaah, trivia é um site! :D
- Nao. Burra. Trivia é um fato, uma curiosidade insignificante sobre algo ou alguém.
- Ah, entendi! 

Entao, ela se vira pra amiga e diz gritando:

- Tu é uma trivia! Hahahahaha Trivia! Trivia!

Aff.

Quanto mais eu explicava, mais a menina ficava confusa. A amiga dela ja tinha desistido. Buda ja teria dado um tapa. Mas eu sou uma pessoa iluminada, altruista e queria fazer com que ela entendesse o que era uma trivia porque iamos fazer um trabalho juntas porque eu queria que ela voltasse pra casa mais preparada pra continuar o estagio. 

Hora de fazer o trabalho: "pergunte ao seu colega se ele conhece alguma trivia". Ela me perguntou e eu dei o exemplo do elefante. Eu:

- E tu, conhece alguma trivia? 
- Conheço: "as pessoas que bebem café, fumam". 
- Err... eu nao acho que iss... (suspiro). Ah, deixa pra la...
- :D

Como eu sou sortuda, a professora perguntou pra mim um exemplo de trivia. Eu, nervosa, acabei lendo a "trivia" da songa-monga colega e a professora, claro, disse que eu tava errada. Toin! Mas até aih, tudo bem. Tenso mesmo foi quando a gente teve que fazer uma pequena entrevista entre a gente em inglês sobre nossos idolos. Eu, mais uma vez:

- Quem é seu idolo e por que?
- Zhsyeru ggsemgj iss Fulana de Tal badshsa zeahqqb euutt caersshh shtee xaiisetion!
- ...
- ...
- Eh o que, homi?

Aih ela repetiu a frase do mesmo jeito, so que cinco vezes mais alto. No dia seguinte, claro, procurei sentar ao lado de outra pessoa. Encontrei uma argelina bastante simpatica, da minha idade. Na condiçao de estrangeiras, a gente tinha muita coisa em comum e conversamos como se nos conhecessemos ha anos. Quando ela soube que eu era babah, fez um monte de perguntas sobre meu trabalho e perguntou se eu estava interessada em cuidar da filha dela. Como era justamente nos dias em que eu nao trabalho com os guris, disse que, por mim, nao haveria problema. Eu so nao esperava que...

- Tu toma conta de quantas crianças?
- Duas.
- Tu ganha quanto?
- O salario minimo: 7€ por hora.
- Isso da 3,5€ por criança...
- Eh...
- Humm, que legal. Entao, na sexta-feira tudo pode de que horas?

Peraih, oi? Sera que ela ta pensando que eu vou cuidar da filhota dela por três euros e cinquenta centavos por... hora? Nem se eu fosse uma pessoa iluminada e altruista. Mas deixei a conversa seguir para confirmar minha desconfiança sem precisar perguntar diretamente a ela o que ela estava pensando. Mas ela acabou desistindo da ideia quando soube que eu nao poderia cuidar da menina na minha casa. 

Feliz por ter concluido o estagio. 


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fome? Abra o dicionario

Fiz o bolo de iogurte do post passado e o resultado nao foi muito melhor do que o do Excelentissimo. E olha que dessa vez eu lembrei de colocar fermento. Na verdade, meu bolo ficou feiao, entao, pra compensar, vou começar a investir na apresentaçao dos pratos. O Technicolor nunca apresentaria um bolo num prato de beirada quebrada. Alias, o Technicolor nunca apresentaria um bolo desses.


Feio como o primo


Ana Maria Braga: musa
O assunto do programa de hoje, telespectador amigo é... adivinhem soh: di-e-ta. Você que estah aih no sofa, com esta pança pendurada, vai conhecer juntinho comigo alguns segredos preciosos para quem quer fazer uma dieta. Vamos lah? 

Percebi que estou obcecada por essa dieta e isso me assusta um pouco. Todas as compras que fiz no ultimo mês estao ligadas a ela: livros de receita, esteira, balança, comida light/diet/zero etc. Mas mesmo que ela nao dê certo (socorro, bate na madeira), eu vou sair dela com a consciência tranquila de uma fracassada lutadora e ao menos satisfeita com todo o aprendizado obtido durante esse periodo. Tenho lido bastante sobre culinaria e também sobre o funcionamento do nosso corpo durante o processo de digestao. 

Mas sempre surgem algumas duvidas, principalmente aquelas ligadas à questao da lingua. Meu parco vocabulario culinario me leva ao dicionario cotidianamente. "Cardamome? Que porra é essa?" Eh o primo do gengibre, minha gente. Anotem aih. Se um dia vocês vierem pra França e a fome bater no meio da rua, ja sabem. "Monsieur, est-ce que vous avez par hasard un... cardamome? J'ai faim"*. Nao tem erro. Aprendi também o que é "clou de girofle" (cravo-da-india), "arachide" (amendoim) e "avoine" (aveia). Mas de repente, me deparei com "maquereau". Eu tinha quase certeza de que maquereau era bacalhau**, mas fui no dicionario mesmo assim. Resultado:


Choquei. Pensei "meu deus, esse homem soh pode ter se enganado. Ou eu vou comer uma égua ou um cafetao". 

Luci, sua burra. Eh nois!

Depois, na coluna dos laticinios me aparece "faisselle". Beleza. Vou pro dicionario e qual minha surpresa: suvaco. Su-va-co, minha gente. 


Apos enfrentar a possibilidade real de encarar um prato de cafetao ao molho de sovaco, desci a barra de rolagem e vi que faisselle pode ser também um escorredor de queijo. Menos mal.


E as dicas, Luci? Vou dar algumas que foram retiradas do livro "O método Dukan - ilustrado". 6€ no Priceminister (valeu pela dica, Maira!).

- Vocês sabiam que 9g de sal podem reter UM LITRO de agua nos seus tecidos? Por isso, o consumo de sal é desaconselhado nessa dieta (bom, nao é surpresa pra ninguém que devemos evitar o consumo de sal). Felizmente, o Dr Vampiro (adorei, Jô!) disponibiliza nos maiores supermercados um pote de 180g de sal da sua linha de produtos por uma bagatela de 7€. O sal dele deve ser mais salgado do que o nosso. 

- Para aqueles que estao se questionanto sobre a necessidade de tomar complexos vitaminicos, Dr. Dukan aconselha o consumo de figado de bezerro duas vezes por semana e de uma colher de sopa de fermento de cerveja toda manha (é o mais perto que tenho chegado da cerveja nessa dieta). Ja garanti o figado do meu vitelinho no supermercado e aproveitei e comprei carne de cavalo. Oremos. Ah, a carne de cavalo deve ser consumida de preferência no almoço porque ela é muito... "tonifiant". Pocotoh.

- Sobre a velha questao de preferir subir escadas à usar o elevador: subir dez degraus faz queimar uma caloria. Logo, subir quatro andares duas vezes por dia resultaria, em um ano, em 1.400 kcal perdidas, o que equivale a 2 kg a menos na balança. Eu continuo preferindo o elevador, beijos. 

- Caminhar numa temperatura de 0° C faz com que consumamos 25% de calorias além do que se estivessemos numa temperatura "normal". Nao me perguntem o porquê. Estah no livro sagrado. E livro sagrado a gente nao discute! 

- O processo de saciedade soh começa 20min depois da primeira garfada. Entao, nao seja acanalhado e coma devagar para nao sair da mesa com sensaçao de fome. 

Por falar em fome, fui no supermercado outro dia e encontrei alguns dos produtos do Dr Vamp à venda. Fiquei estudando a possibilidade de comprar algum, mas todos eram caros demais e poderiam ser facilmente produzidos em casa (molho de tomate, vinagrete, barra de cereal etc). No entanto, todavia e porem, me deparei com isso:


Nutella Dukan, meu povo. Nutella. Uma lagrima rolou serena pelo rosto. Cai de joelhos. Agradeci aos céus. Olha, vou sobreviver a isso tudo e quando tudo estiver terminado, nunca mais vou passar fome, Scarlett. Ah, acabei comprando a barra de cereal também.


Pro jantar de hoje, decidi fazer um bolo de pudim (bolo normal com pudim por cima) pro pessoal que mora comigo, mesmo estando eu proibida de comê-lo. Perguntaram se tortura fazia parte do regime. Mas o problema mesmo é que coloquei um leite condensado nao açucarado e meu pudim, segundo geral, soh tinha gosto de ovo. Passei a noite ouvindo "passa a omelete aih!". Viram como eu sofro?

Força, Luci! 

* "Senhor, você nao teria por acaso um cardamome? Tou com fome".
** Bacalhau = "cabillaud" ou "morue"



domingo, 21 de agosto de 2011

Especial férias (Amandao e Chèri) - parte IV

Depois da viagem de bike, voltamos pra Lyon pra receber Mme. Amanda e M. Chèri. Foi tao lecau! Eu tava precisando conversar com alguém - alguém que nao fosse Camilo (nada contra seu papo, gato, foi ele que me ganhou, mas...). Eu acho que sou vista entre o pessoal que mora comigo como a muda da casa. Nao falo muito: prefiro ficar calada à me dar ao trabalho de participar de um dialogo onde eu vou falar o que sei falar, nao o que eu quero falar. Muito frustrante. E o primeiro passo para evitar uma frustraçao, meu amigos, é nao dar nenhum passo - é, eu sei, é brilhante como atitude, desconfio que deva ser por isso que o meu francês nao progride tanto quanto deveria. Mas como eu ia dizendo, foi muito bom ter os dois aqui. 

Tinha esquecido como era conversar com alguém à vontade, gargalhar, fofocar, fazer confidências, falar merda, fazer piada. Acho que ela ja descreveu muito bem aqui o que eu queria dizer sobre afinidade, palavra bonita essa. Camilo comentou depois "é incrivel como duas pessoas de temperamentos tao diferentes podem ter o carater tao parecido". Pois é, isso explica muita coisa. E quanta tagarelice!

Pessoas, a gente falou tanto que teve uma hora em que eu acabei perguntando quantos dentes ela tinha, e ela, assim, bem naturalmente, começou a contar os dentes com a lingua. Inclusive, a quem possa interessar, ela tem 47 dentes, ao todo. Eh meio bizarro quando ela sorri, mas ela é minha amiga e eu aceito ela assim. No dia em que eles foram embora, a gente começou a matracar às 10h da manha e foi parar às 3h da madrugada, non stop - e somente porque ela tinha que acordar às 6h, senao a gente estaria contando os dentes dela até agora.

Infelizmente (?), quase nenhuma das pessoas que mora com a gente estava em casa. Mas Amanda pareceu bem contente em conhecer Josette, Lucette e Bernadette: nossos urubus nossas galinhas. A gente pensou em fazer um churrasco. Bernadette, a mais inteligente e desconfiada das dettes, ao saber da nossa intençao, foi se esconder entre as plantas do jardim. Ela é mesmo a rainha da camuflagem. 

Alguém ta me vendo?


Felizmente, Amanda é mais inteligente que a galinha* e acabou encontrando seu esconderijo secretissimo. E a dette foi parar na grelha**.

O tempo, claro, passou voando e cada casal partiu de Lyon pra dar continuaçao às suas férias. E todos viveram felizes para sempre. The end.

* Amanda soh se fode nesse blog.
** Brincadeirinha, gente, aquilo era pimentao. Eu seria incapaz de matar um animal. Eu soh os como.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Glub Glub


Peixe um: "nossa, tive uma ideia genial"
Peixe dois: "nossa, deixa eu sair da banheira antes"

Tenho tanta besteira pra dizer que nao sei nem por onde começar. Mas como eu sei que meus leitores nao sao nada exigentes, do contrario, nao seriam meus leitores (viu como eu consigo diminuir todo mundo numa sentença soh?), eu vou começar pelo dia de hoje. 

Nos dois ultimos meses, praticamente parei de trabalhar pra ver se conseguia dar conta dos periodos de provas e recuperaçoes da faculdade. Mas isso coincidiu com o periodo em que a mae do guri do qual eu sou babah saiu da licença-maternidade. Entao, entrou em campo a avoh dos guris que deixou momentaneamente a sua casa em Paris e se instalou em Lyon durante os ultimos dois meses pra cuidar dos netos. Mas a faculdade acabou (pelo menos por enquanto) semana passada e, apos nove lindos dias de férias, esta babah que vos escreve estah de volta à ativa. Pro azar dela.

O esquema agora nao inclui somente cuidar do guri, agora eu tomo conta da monstrinha também. Pois é, Brazeel, o mundo da voltas. Eu havia jurado que nunca mais chegaria perto de Crazy Creuza, mas o que a gente nao faz por dinheiro amor? A pobrezinha, pro azar dos pais e pra minha sorte, nao tem vaga na creche, entao agora eu serei a babah dela. Das 8h da manha às 19h. 

Ai.

Antes de começar a trabalhar com ela, tive dois dias de... treinamento... dados pela experiente avoh. O objetivo era conhecer os habitos da guria antes de me ocupar dela. Foi uma experiência bem interessante. Mas com a avoh. A familia paterna da gurizada é portuguesa (por isso contrataram uma babah que fala português), o que nao impede que a lingua seja motivo de piada, pra mim. Acho curioso, por exemplo, quando ela fala "calcinhas" se referindo à calça. 

- Luciana, hoje faz calor, entao pode pôr uma calcinha no guri.
- Err... Ok... A senhora é que é a avoh.

Na primeira vez em que fui trocar a fralda da bebê, ela disse "ah, limpa bem o cuzinho dela, viu". Limpa o que, fera? Essa mulher pensa que soh porque ela colocou a palavra no diminutivo o peso dela se perdeu, foi? Cu é cu, pô. Seria como "ai, limpa o furiquinho dela, viu". Soa estranho. Mas beleza. O negocio é que hoje eu escutei ela dizendo à guria, que estava elétrica, com um super sorriso no rosto: "ai, mas você é uma pica russa mesmo, hein". Aih, eu choquei, né. Pensei, porra, essa mulher tem pego pesado com essa criança. Cu ainda vai, mas pica é foda! 

Cheguei em casa, corri pro dicionario e me impressionei com a quantidade de significados pra pica. Eu so conhecia um, pra vocês verem como eu sou inocente. Entao, com rigor cientifico, analisei cada expressao esperando por aquela que seria a mais adequada de ser dita por uma avoh à sua neta de oito meses. 

Pica: Camisola de lã. "Ai, mas você é mesmo uma camisola de lã russa!" Hmm... Nao serve.

Pica 2: Cada uma das peças delgadas que entram na construção da proa e da popa. Acho que nao.

Pica 3: Cigarro de haxixe. Como a véia é doida, eu nao me supreenderia que ela chamasse a neta de baseado. Mas nao.

Pica 4: Peixe teleósteo da família dos ciprinídeos, de água doce, muito comum em Portugal. Opa! Portugal! Pode ser isso, vamos tentar? "Netinha, você é um peixe teleosteo russo. Que, inclusive, é muito comum em Portugal". Viram? Ficou mais adequado chamar a menina de peixinho. Mas aih vem a quinta pica:

Pica 5Entusiasmo, vigor, vontade (ex.: estão cheios de pica para treinar). Voila! Mistério resolvido.  "Netinha você tem muito vigor... russo" Se for isso, eu concordo com a avoh, porque essa guria nao para quieta. Tipo assim, nenhum segundo. Inclusive, Amanda disse que era um barato cuidar de bebês porque eles dormiam o dia todo. Mas é claro que o bebê que eu cuido nao podia ser normal: a avoh ja disse que ela nao gosta de dormir. Hoje mesmo ela dormiu vinte minutos de manha (deu nem tempo d'eu sorrir) e, à tarde, uma hora, quando o irmao, bem mais velho, dorme três horas por dia.  

Hoje a avoh voltou pra Paris no meio da tarde e eu assumi sozinha o trabalho com as crianças. Fui pegar o moleque na creche, mas nao fomos ao parque porque o calor estava infernal e eu notei uma certa afliçao na cara da bebê. Me debrucei sobre o carrinho, olhei bem nos olhos dela e perguntei, meu amor, o que esses olhos querem me dizer? "Me tira daqui, vaca". 

Voltei pra casa com os dois e preparei o banho deles na banheira. Aguinha morna, brinquedinhos boiando... Joguei os dois la dentro e sai passando sabao em tudo que se mexia. Eu suava BICAS. O guri pediu pra sair. Enxuguei ele, pus sua fralda e, quando olhei pra banheira pra ver se a guria ainda tava viva, vi que a agua estava preta: quilos de cocô boiando junto com a menina e os brinquedos. Véi, eu fechei os olhos, respirei profundamente e cantei uma cançao. Era isso ou ia fazer aquele menina tomar aquela agua. Aih, né, pesquei a guria do meio da bosta toda, dei um banho de ducha na pica russa e vim pra casa. Mas amanha tem mais. E depois e depois e depois.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Livres (com update)

A Brabuleta recebeu um meme, repassou pra Rita, que repassou pra mim. Meme sobre livros que lemos e que deixamos de ler. A quantidade de livros que estas nobres pessoas leram me constrange, porque meu curriculo literario nao é tao extenso quanto eu gostaria que fosse, mas a gente se mete mesmo assim a falar de livro. Emperiquitando o comentario que deixei na Borboleta:


1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Li e reli varias vezes O diario de Anne Frank. Eh absurdo dizer isso, mas foi identificaçao profunda e a cada leitura eu vejo algo diferente. Lembro perfeitamente do dia em que ouvi falar dela pela primeira vez: eu tinha uns doze anos, tava na rodoviaria de Joao Pessoa com minha mae, numa fila sem fim, quando ela comentou sobre essa menina que ficou escondida durante a Segunda Guerra "num quarto". Fiquei louca de curiosidade. Ela me comprou o livro algumas semanas depois num sebo (update: nesse post, eu digo que implorei por dois anos pelo livro à minha mae. Memoria, essa safada). Paginas amareladas, cheirando estranho. Muito amor. 

2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

O morro dos ventos uivantezzzZZZzzz. Cheguei três vezes na metade, trouxe ele pra França, mas acho que é caso perdido. Mas Kate Bush cantando (e dançando!) Wuthering Heights é tudo o que ha. 

3 — Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Sem duvida alguma, Cem anos de solidao. Chorei feito uma desgraçada quando o livro acabou. Fiquei assim, em estado de choque. Orfa. 

4 — Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

O segundo sexo, porque procrastinar, prazer, é meu nome. 

5– Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

Ah, o final de Eramos seis. Afinal, quase minha familia, né...


6– Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Nao chamaria de "habito" hehehe Digamos que eu lia mais que as outras crianças, o que nao significa nada, ja que brasileiro nao tem habito de leitura e ler uma caixa de fosforo ja te faz ficar acima da média nacional. Mas eu lia o que a escola pedia e outras coisas que ficavam na despensa de casa: livros didaticos sobre sexo (foi quando aprendi quantos buraquinhos eu tinha), Turma da Mônica forever, a revista Seleçoes dos anos 50 do meu avô (vocês nao tem idéia do quanto uma revista pode ser machista), As anedotas do Pasquim, contribuiçao inestimavel e imensuravel pra formaçao da minha escrotagem do meu carater. 

Meu tio (o tal que matou um cara e foi assassinado, que eu comento no perfil do blog), deixou uns manuais da Disney que minha mae, por motivos obvios, tinha o maior ciume, guardava à sete chaves. E a gente sabe que o que é proibido é mais interessante... Entao, quando ela saia de casa, eu destrancava as sete trancas. Fui procurar agora as imagens dos manuais e... quanta emoçao! O que eu mais gostava era esse dos escoteiros mirins: eles ensinavam a fazer uma fogueira. Eu nunca aprendi. O falecido também tinha uns gibis do Mortadelo e Salaminho que eu AMAVA, morria de rir, e que minha tia jogou fora quando de uma mudança. Gosto nem de lembrar. Ele também tinha uns livros de contos de terror que eu adorava! Mas depois eu tinha pesadelo à noite e nao podia dizer a minha mae o por que. Jênia.

7. Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?

Madame Bovary foi tortura chinesa. Li até o fim porque ja havia tempos que eu queria ler o livro e porque nao gosto de deixar livro pela metade, mas ô coisa dificil!

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

A insustentavel leveza do ser (presente de uma girafa); O iluminado e O exorcista (pelas imagens terriveis que me proporcionaram. Obrigada); Lolita (por conseguir me fazer torcer pelo pedofilo).

9. Que livro estás a ler neste momento?

Ulysse from Bagdad. Livro bobinho cuja importância esta mais ligada ao fato de me ensinar a conjugar os verbos no imperfeito que à historia em si.  


terça-feira, 26 de abril de 2011

Futuro mais-que-perfeito

Semana passada, uma das minhas professoras decidiu arruinar minha vida: a monstra desse post. Sabe aquele trabalho sobre Abbé Pierre/Emmaus? Pronto, eu tirei oito. Isso seria uma noticia maravilhosa se a média das notas escolares francesas nao fosse dez (a nota maxima é vinte). Mas o problema nao foi a nota, foram os comentarios super motivadores. 

Ela disse que eu nao dominava o francês (o que de maneira alguma representou uma surpresa pra mim. Oi, eu estou na França ha quase dois anos e nao sei conjugar os verbos no subjuntivo) e ficou me questionando sobre o que eu pretendia fazer depois da graduaçao. Ela me chamou atençao e me questionou sobre coisas absolutamente normais, mas enquanto ela ia falando, as pessoas à minha volta foram se calando e as observacoes dela sobre minha habilidade com a lingua foram sendo ouvidas pouco a pouco pelos outros alunos até o momento em que eu me encontrei completamente constrangida, sobretudo quando eu tive que responder que o que eu gostaria de fazer em seguida era um mestrado. Foi chato. Foi chato escutar tudo aquilo e foi chato ver que o que ela disse me atingiu tanto que, assim que ela deu as costas, eu comecei a chorar. E se fosse so isso! Comecei a avaliar todas as dificuldades que eu teria num possivel mestrado com esse meu francês capenga e mimimi, o choro foi aumentando, mimimi, o que é que eu tou fazendo nessa faculdade, mimimi, ela tah certa, mimimi, eu nao vou tentar o mestrado. Olha, nem queria descrever meu estado de espirito naquele momento. TPM, baixa auto-estima, complexo de inferioridade e cansaço se deram as maos e massacraram este pobre coraçao durante as horas que se seguiram.

Entao, pra minha extrema surpresa, a Luci forte foi convocada e disse pra Luci patética  "a unica pessoa que tem o direito de sabota-la é você mesma, amiga, nao uma professora que ta com a vida ganha e que ta pouco se fudendo com você". Entao, a nuvem de medo se dissipou e eu voltei a sorrir e a reconsiderar todos os meus planos. Acho que vou escrever um livro de auto-ajuda. "Como matar seu eu patético". Vendera milhoes. E sera escrito em francês. Sem o uso do subjuntivo, é claro. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Presente"

A Borboleta pediu a alguns amiguinhos pra que eles fizessem alguns posts tematicos pra comemorar seu aniversario. Eu fui uma das escolhidas (tou me achando?) e, como o tema era livre, decidi falar de um drama pelo qual estou passando ha algumas semanas. Preparem os lenços.

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Do caso do professor que nao tinha voz


E os visigodos conquistaram a Penin… bérica. Com a che… dos abbassides, em seissen… …renta e nove, ess… região vai se de…volver por um perio…

É assim que tem me chegado as informações da disciplina de Historia Medieval. O professor tem um pequeno probleminha de voz que não o permite falar todas as palavras, a voz dele falha completamente em certos momentos. Detalhe importante: faço essa graduação na França, então, além do esforço que tenho que fazer pra entender o que esta sendo dito, tenho agora que me esforçar pra saber aquilo que não esta sendo. "Tina", por exemplo, é Palestina. Não que ele erre sempre e exatamente nas mesmas silabas/palavras, mas a repetição é freqüente e Palestina virou Tina varias vezes.

(Para continuar lendo, clique aqui). 



sábado, 18 de dezembro de 2010

O que você nao aprende na escola (update)



 Esse nao é um post para os castos.


Eu tava namorando Camilo ha poucos meses quando ele foi à uma consulta no urologista, no Brasil. Ele chegou em casa e começou a me contar como havia sido a consulta. Entre um comentario e outro, ele disse:

- ...e dai eu contei que tinha uma nova namorada e ele me perguntou se eu tinha tirado teu cabaço e...
- O QUE?!
- ?
- Ele perguntou se tu tirasse meu "cabaço"?! Ele usou essa palavra?!
- Sim, por que?

Inocência.

Quem me conhece (e quem nao me conhece também) sabe que eu tou longe de ser uma pessoa pudica. Mas acho um pouco inapropriado um profissional usar termos chulos com seus pacientes. Além disso, é evidente que esse sujeito so usou esse termo depois de perceber a condiçao de estrangeiro de Camilo e sua provavel inocência em relaçao à certas expressoes brasileiras. Fiquei puta, mas tampouco ia pegar na mao de Camilo e tomar satisfaçao com o tal médico doente. Nao sei vocês, mas eu temeria levar meu filho pra uma consulta com uma figura dessas. 

Entao, foi pensando em situaçoes como essa que surgiu a idéia desse post. Eh um post de utilidade publica que vai ensinar você, estrangeiro mané inocente, alguns termos em francês para que você possa se defender, se for o caso, ao ser xingado. 

Pau: bite 

Buceta: chatte ("gata"), moule ("mexilhao")

Xoxota: minou ("gatinha")

Trepar: baiser, tirer

Gozar: jouir

Punheta: se branler, se taper une queue, s'astiquer le bout

Viado: pédé, tapette, pédale, tarlouze, tantouze  

Sapatao: gouine 

Puta: salope, pétasse, trainé, morue

Puto: salop

Pinto: zizi

Vai tomar no cu: va te faire enculer

Vai te fuder: va te faire foutre

Idiota: conne e connasse (mulher), con e connard (homem)  

Chata/chato: chiante, chiant

Chupar (buceta): brouter le minou (brouter é "pastar"), cunnilingus (faire un cunni),  
  
Chupar (pau): sucer, tailler une pipe ("fazer um cachimbo")

Palavroes gerais:

Putain!

(Ça me) fait chier! ("isso me faz cagar")

Ça me caisse les couilles! ("isso me quebra os ovos")

Ça me caisse les burnes!

Racaille: forma pejorativa de tratar pequenos delinquentes ou gente que se encontra à margem da sociedade. Aqui, é geralmente usado pra falar dos jovens arabes. Entao, ainda no intento de fazer vocês nao falarem besteira quando estiverem na França, evitem esse termo perto desse pessoal.

Bom, e por aih vai. Infelizmente, eu acho que preciso dizer que esse post nao tem a intençao de contribuir com preconceitos: eu nao me responsabilizo pela babaquice alheia, soh pela minha.

Estejam à vontade pra aumentar essa lista nos comentarios com qualquer termo que vocês julgarem util à vida em sociedade na França. Hoho.

sábado, 6 de novembro de 2010

O jovem cavalo amarelo de cabelos terriveis esta embaixo

Eu sou como o francês: terrivel

A lingua francesa, pela proximidade que tem do Português, permite certas deduçoes que fazem com que ela se passe por um idioma de facil aprendizado. A primeira vista, claro. Porque tem aquelas palavras/expressoes safadas que soh existem pra me fazer falar feito idiota. 

Jeune, por exemplo, é "jovem". Mas se eu nao fizer o bico certo, e eu nunca faço, eu vou falar jaune ("amarelo"). Entao, frases do tipo "ela é uma menina bastante amarela" sao frequentes. 

Cheveux é "cabelos". Mas quando eu vou falar dos meus, sempre falo chevaux ("cavalos"). Entao, vocês imaginam o olhar do meu interlocutor quando digo que meus cavalos estao secos.

Terceiro termo que eu nunca pronunciarei decentemente: dessous ("embaixo") - com biquinho no e - e dessus ("em cima") com biquinho no e e no u. Na pressa da fala, eu faço biquinho até nas consoantes, que é pra nao ter perigo de errar - o que nao faz o menor sentido, claro.

Eteindre: apagar
Etendre: estender
Attendre: esperar

E qual o problema de, ao invés de dizer "eu vou apagar a luz e estender a roupa", falar "eu vou esperar a luz e desligar a roupa"? De repente é isso mesmo que eu quero. Esperar o Senhor e... desligar... a roupa. Normal.

Outro dia, eu tava lendo pra Camilo um texto que eu vou apresentar na proxima segunda-feira (meda!), quando surgiu a frase "il s'en branle". Eu li a frase errada. Ele deu uma risada.

- O que foi? 
- A pronuncia certa é il s'en branle ("ele nao ta nem aih"). 
- E eu li o que?
- Il se branle.
- E isso quer dizer o que?
- "Ele se masturba".
- ...

Pra garantir uma nota acima de zero, cortei a frase da minha apresentaçao.

Ha uns meses descobri o si jamais. Numa primeira vista, parece significar "se jamais...", dando uma idéia de negaçao. Mas, na verdade, quer dizer "se por acaso isso acontecer SIM... blablabla". Mas nao foi facil entender isso. A mae do guri me pedia pra fazer as coisas, mas colocava a porra do si jamais no meio da frase. Pelo contexto parecia que eu deveria fazer, mas o jamais me confundia e eu ficava "finalmente,  é pra fazer ou nao é?" Hihi

E nessa linha "afirmo e nego ao mesmo tempo", tem o pas terrible. Pas é um termo que exprime ideia de negacao em francês:

Le garçon est content (o menino esta feliz)
Le garçon est pas content (o menino nao esta feliz)

Logo, uma coisa pas terrible seria "nao terrivel", logo "boa". Mas nem sempre a logica é logica.  Pas terrible é "terrivel" mesmo. Mas terrible pode ser bom ou ruim, como no português. Depende da entonaçao dada. Mas eu adoro o francês. Eh uma lingua... terrible! 

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E, pra finalizar, queria agradecer a uma borboleta de lindo nome por esse selinho. Ganhar selinho e cerveja faz muito meu dia! Uh! Obrigada!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Fugitivos

(uma fuga rapida!)

Estou conhecendo uma Luci que eu nao imaginava que existisse: a Luci que estuda nos fins de semana. Jardim de infância, Ginasio, Ensino Fundamental, Médio... Cinco anos de faculdade e nunca na historia desse pais eu abri um livro durante o fim de semana. Mas estudar é preciso, viver nao é.

Mas como eu ja vinha anunciando (na minha cabeça?) que eu precisava ficar bêbada pra nao "péter un câble", como dizem por aqui, fui encontrar Camilo depois do trabalho dele na sexta pra tomarmos um vinho no quai (à beira do rio) e irmos à nossa pizzaria preferida. 

No metrô, vi um cara passar por mim rapidamente com uma roupa de paciente de  hospital, sujo e descalço (eu disse hospital, mas pela cara dele, devia ser hospicio mesmo). Fiquei esperando o médico do cara aparecer e nada! O cara tava super inquieto. Percebi que ninguém parecia se importar com aquela figura maluca. Olhei pro cara da frente, meio gatinho e tal, e ele esboçou o que parecia ser um sorriso, mas faltava, pelo menos, uns cinco dentes naquela boca. Credo. Depois percebi que esse cara tinha uns trejeitos esquisitos, uns tiques, fazia uns movimentos bizarros com a boca. Finalmente o doido era normal e o normal era doido. Isso é Lyon, minha gente. 

Cumpri minha missao naquela sexta-feira. Bebi uma garrafa de vinho de barriga vazia e esqueci metade da noite. Camilo diz que eu bebo feito uma adolescente que nao conhece seus limites. Hihihi "Pelo menos tu fica docil". Docil, minha gente. Como um cavalinho. 

No sabado, teve o SUPER show de Cat Empire! Nada melhor que escutar ao vivo musicas que você adora! E foi aquele show lindo, sabe, onde todo mundo canta à plenos pulmoes e bate palminha junto com o vocalista. Andamos de uma ponta a outra do teatro à base de chutes e empurroes. Levei um murro que ficarah gravado pra sempre em nossos coraçoes. E no meu estômago. Que Deus o tenha. 


Mas quando o sol raia, eu vou pro computador me dedicar à Historia (insira aqui barulho de fogos de artificio e algum hino bonito)!

Eu tou tensa e sensivel até a alma. Chorando por tudo e por nada, es-tres-sa-da, sonhando com a faculdade, com bicho papao, com o guri cagando minha roupa, com as apresentaçoes etc. Nice. Mas minha mae deve rezar com muito afinco, e Deus deve gostar muito dela, porque hoje... Hoje.

Hoje era aula de Historia Moderna. Hoje eu teria que me meter em um grupo qualquer pra fazer uma apresentaçao oral a ser marcada. Dai, lembrei de uma menina que senta sempre sozinha nessa aula e que parecia ser legal. Estrategicamente, cheguei mais cedo e sentei ao lado da cadeira onde ela costuma sentar. Mas quando a aula começou, ela ainda nao havia chegado. Fiquei decepcionada, porque as pessoas nao costumam se atrasar e achei que ela nao viria mais. Mas eis que ela chegou (apos meia hora). Fiquei feliz de vê-la entrar na sala, mas vi que ela foi rumando pra um outro lado. Aih ela parou, voltou e sentou-se ao meu lado. O plano estava dando certo. Soh faltava eu tomar coragem em pedir a mao dela em casamento pra fazer o trabalho com ela. Mas eu sou uma cagona e nao aproveitei o intervalo pra fazer isso, fiquei enrolando. Quando o intervalo acabou, ela se virou pra mim e disse "olha, tu tem grupo pra esse trabalho? Porque eu queria saber se posso fazer contigo". Hahahaha Minha gente, eu nao me contive, dei um sorrisao e até chamei palavrao. "Putain! Ouais! Bien sûr!" Acho que a menina pensou, Ok, minha filha, é soh um trabalho. 

Agora todas as apresentaçoes estao marcadas pra novembro. Algumas com apenas três dias de intervalo entre elas. Claro que ja comecei a estudar, mas algumas coisas me desanimam. Por exemplo, se me perguntassem qual o tema da aula do professor de hoje, eu nao saberia responder. Nao é o maximo? Passar quatro horas se concentrando numa aula que nao faz o menor sentido pra você? Eu adoro! O foda é que ja faz um mês que ele fala e eu nao entendo nada!

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Saudades das minhas leituras bloguisticas diarias, mas continuarei off por tempo indeterminado dos vossos blogs queridos, queridas. Preciso garantir que nao serei vaiada durante novembro. 

À Historia!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aaaaall byyy myseeelf...

Sei que ainda nao estou à vontade com a faculdade porque ainda tenho pesadelos super bizarros. Essa semana sonhei que era sequestrada e, no dia seguinte, sonhei que estava sendo possuida por um ser diabolico: eu gritava, mas a voz nao saia, tentava tocar Diana (que estava a dois centimetros de mim), mas o braço nao a alcançava. Meus sonhos sao assim, simpaticos. Nada de bruxa ou jacaré. 

De qualquer forma, estou um tequinho menos nervosa, mesmo se o numero de trabalhos pra expor oralmente esta aumentando. Esses trabalhos me tiram o sono por duas coisas: primeiro pelo obvio: eu sou uma pessoa nervosa por natureza. Na UFPB, eu ja tinha ataques de pânico a cada apresentaçao e, com certeza, nao sera diferente agora - ainda mais eu tendo que apresentar os conteudos em uma lingua que eu nao domino. O segundo problema dessas exposiçoes, é que elas sao feitas em dupla/grupo. E, oi, eu nao conheço ninguém. Dos quatro trabalhos que foram marcados até agora, eu estou sozinha em todos, porque ninguém abre espaço. Outro dia, a professora pediu à turma pra que alguém fizesse o trabalho comigo (que era em dupla) e ninguém se candidatou.

- Gente, ela nao pode fazer sozinha.
- ...
- Gente, ela é estrangeira, nao vai conseguir fazer tal e tal coisa*.
- ...
- Ninguém quer ajuda-la? 
...
- Entao, ta bom...

Juro. Ela pediu umas quatro vezes e nenhuma das quarenta pessoas quis fazer trabalho comigo. Olhe, eu tentei, mas nao consegui nao me sentir idiota diante daquele silêncio. 

Tem uma disciplina na segunda-feira que é ministrada por um professor muito chato, maluco, cheio de complexo. Um DOIDO (falo dele depois). Ele também passou um trabalho em grupo, mas dessa vez eu tava disposta a chegar em alguém e me meter no grupo dela: nao posso me fuder assim, esperar que alguém caia do céu. Dai, eu tinha percebido novas caras na aula e decidi arriscar achando que eram novatos tao perdidos quanto eu. Eu tava errada, mas aconteceu algo melhor:

- Sera que eu poderia fazer trabalho com vocês duas?
- Er... Claro!
- Desculpa me oferecer assim, mas eu nao conheço ninguém aqui.
- Sem problema, mas tu é de onde?
- Do Brasil.
- Ah, eu também!

Hihihi

- Ah, err... ah! Hum! Er... Ah, é?! De onde?
- Récifi. 

Acho que eu nunca me senti tao feliz ao ver um brasileiro na minha frente. Alias, uma brasileira. De cara, ela ja foi dizendo que eu deveria sentar com elas na aula (a outra é francesa). Ela contou que morava ha alguns anos na França, mas que ja havia voltado ao Brasil por causa de uma depressao gerada aqui. Disse que havia perdido dois anos na faculdade porque nao conseguia seguir o curso e que se sentia a "burrinha" da turma. Disse ainda que ja saiu duas vezes da sala pra chorar nos corredores. Senti uma mistura de pena, alivio e preocupaçao. De qualquer forma, ela foi bem legal, disse que eu poderia ligar pra ela quando tivesse precisando de algo. Infelizmente, soh estou duas horas com ela (das 16h semanais), mas duas horas ja aliviam. E muito!

Aproveito o post pra dizer que, infelizmente, vou ter que ficar um pouco distante do blog. Vou tentar postar e ler meus blogs queridos, mas os comentarios ficarao prejudicados, porque preciso de todo o tempo que puder pra deixar as leituras em dia. Nao tenho conseguido, entao... Paciência. Nao podemos ter tudo. 

*Aparentemente se tratava de algo cujo sistema eu nao conhecia. 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As exploraçoes começa

O dia de ontem soh nao foi mais estressante porque soh durou 24h. Acordei de madrugada (6:40h) e, cheia de preguiça, fui pro meu primeiro dia de aula na faculdade. Desde que soube que fui aprovada, em julho, ignorei o fato de eu nao saber falar francês direito, fingi que esse seria mais um dos tantos momentos tranquilos da minha vida na França, que tudo daria certo.

Nao deu.

Eu era toda nervosismo. Tomei meu café da manha, tomei meu banho e tentei controlar meus pensamentos pra nao deixar um rastro de cocô de casa até a sala de aula. A unica coisa que me deixava tranquila, era o fato de que eu entendo francês. Mas até isso tiraram de mim!

A primeira aula de ontem foi de Historia Moderna I. As pessoas sacaram seus computadores e cadernos e começaram a escrever loucamente tudo o que o professor dizia. Eu, claro, quis fazer o mesmo: eu escrevia tudo o que eu entendia (ou seja, metade das coisas) mas como nao era rapida o suficiente mesmo pra escrever o que eu entendia, metade das frases que eu entendi ficou pela metade. Tcharam! Sinceramente, achei que eu tivesse arrasando, porque eu tinha quase uma folha completa escrita, mas quando fui lê-la, me deparei com coisas desse tipo:

"A cirurgia progressa. As descobertas e exploraçoes começa. As religioes sao conservadores. Tudo é vontade de Deus. Isso justifica todas as inegalidades sociais, mas no 19o ha o desenvolvimento do pensamento. (...) Os judeus se integram a essa pratica. (...) O pensamento é legal".

Gente.

Isso é anotaçao de quem ja fez faculdade? Traduçoes ao pé da letra, falta de concordância, falta de sentido (os judeus se integram a essa pratica. Que pratica, meu deus?!). O pensamento é legal. Realmente. Mais legal ainda é escrever certo. Mas tudo bem, continuei fingindo que tudo estava correndo bem (até quando o professor fazia piada e eu soh entendia que era piada quando as pessoas riam).

O cara citou o Brasil umas quatro vezes durante a aula. Falou de uma faculdade, dos bandeirantes, do futebol, de Copacabana e depois, que ja tinha dado aula la "em francês". No intervalo, levantei e fui choramingar junto a ele, tirar minhas duvidas e explicar que eu era brasileira e que...

- BRASILEIRA! Ah! Que maravilha! "Ftscdoe glsrpei"? :D
- Eh o que, homi?! Hum rum! (Interpretei essa frase bizarra como sendo "tudo bem?" e confirmei com um sorriso amarelo).
- Ah, mas você fala muito bem!
- Obrigada, professor, mas ta sendo dificil, é justamente sobre isso que eu queria fal...
- Ah, mas você é de onde?
- Joao Pessoa.
- Onde?
- Perto de Recife. Eu g...
- Aaaaaahhh! Que legal!
- Entao, professor, eu gostaria de...
- Ah, entao você mora perto de Olinda!
- Mizera, deixa eu falar.

Minha gente, eu soh queria perguntar onde eu poderia encontrar os textos. Acabei falando sobre o Brasil e sai sem nenhuma resposta! Ele soh disse que eu teria que me juntar com algum grupo pra fazer um trabalho oral (mais uma da série "Frases que nao podem ser retiradas de contexto"). Eh fogo! Eu ODEIO trabalho em grupo. Odeio! De todo o meu coraçao! Ainda mais nessa situaçao, em que vou ter que pedir pra ser aceita em algum grupo, porque, claro, depois de dois anos de curso*, todo mundo ja tem seus amiguinhos e seus grupinhos.

*Pra quem nao entendeu: eu ja sou formada em Historia pela UFPB, entao, por possuir esse diploma, fui diretamente pro terceiro e ultimo ano do curso de Historia na Lyon 2.

Eu ja tinha ha tempos desistido de fazer anotaçoes quando a aula acabou. Proximo round: Iniciaçao à Pesquisa em Historia Moderna, ministrada por um professor com voz de adolescente. Sabe quando os guri de 12 anos começam a trocar a voz E A FALAR assim, meio alTO E MEIO BAixo e totalMENTE TOsco? Pronto. Vi uma aula de Historia em diferentes frequências. Fantastico. La pela metade da aula (depois dele ter passado um trabalho em dupla, pro meu sofrimento), ele nos deu um papel com a reproduçao de um documento, como o da foto, escrito no século XVIII. "Agora, decifrem": era aula de Paleografia. Eu ri, né. Ri porque, vejam bem: eu passo quatro horas tomando no meu cu pelo fato de eu nao entender o que esta sendo dito pelos professores. Daih, chega um cara com um documento ilegivel do século XVIII e diz que eu devo transcrevê-lo. Eu nem sei ler o francês contemporâneo! Mas tudo bem, fingi que sabia tudo e, pra minha surpresa, o documento tinha muito mais sentido que minhas anotaçoes da outra aula.

Novamente, fui choramingar dizendo que eu era estrangeira e que precisava de ajuda. Ele disse que eu falava muito bem francês e o professor de hoje disse o mesmo. Foi aih que notei uma coisa: quando eu chego pra alguém mostrando dificuldade (por causa da lingua), as pessoas automaticamente elogiam meu francês tentando levantar minha moral. Quando eu me apresento como brasileira, sem comentar nada além disso, ninguém se manifesta. Utilizando isso como tatica, ja consegui ser liberada de duas apresentaçoes orais. Hihi (e nao quero saber de quem vai dizer que isso nao é bom pra mim. Se eu soubesse que nao corro o risco de ter um ataque cardiaco durante uma apresentaçao pra 40 pessoas, eu a faria).  

Finalmente, sai meio que em estado de choque da universidade. Fui encontrar Diana: era o ultimo dia dela na França. Resumindo lindamente essa segunda parte do dia: fomos deixa-la na estaçao, segurei o choro e, na volta pra casa, fui andando devagar pra nao balançar demais e explodir em lagrimas (coisa que soh fiz quando cheguei em casa). Agora, acabou. 

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Berlim - parte II - lingua, bicicletas e amores

Mais sobre a nossa viagem à capital alema. 

Da (des)orientaçao:

Senti o peso (de novo!) de estar num pais cujo idioma eu nao domino ja nos primeiros minutos em solo alemao. Precisavamos pegar um ônibus, mas as placas me eram indecifraveis. Minha sorte é que eu tenho um namorado orientado, desenrolado e sabido todo ao meu lado. Sério, minha gente, deixa eu babar um pouquinho o amado agora. Acho impressionante o senso de direçao de Camilo. E nao é so porque eu sou uma toupeira nesse assunto. A gente mal chegava nos lugares e ele ja sabia qual o metrô certo, quanto custava o bilhete, a direçao das estaçoes, as ruas, os bairros etc. Eu perguntava aflita se ele sabia pra onde a gente tava indo e ele respondia malandro: "relaxa, meu bem, eu tou em casa". Hahaha Lindo!

E o inglês? Antes de chegar na França, eu nunca tinha ousado falar uma frase em inglês (ok, também nunca tinha precisado). Mas o que é a necessidade, nao é mesmo, meus amigos? Cheguei na França e comecei a usar um inglês que eu nem sabia que tinha! Mas bastou me concentrar no francês e agora eu sou incapaz de ter êxito numa frase em inglês. Sempre sai uma coisa cagada tipo "I would like to parler avec vous". A minha sorte (é, eu sou uma garota de sorte) é que ficamos na casa de uma francês em Berlim e, em Praga, na casa de um senhor que entendia francês, do contrario, eu passaria duas semanas muda.

Feuerwehrzufahrt. Ou seja, "oi".

Do lazer:

Os berlinenses parecem nao se importar com o fato de nao terem praia. Pelo menos tem saidas bem interessantes pra contornar a falta de mar. Nas beiras dos rios, essas cadeiras de praias sao postas e o povo fica ali, na maior tranquilidade pegando um solzinho. No momento da foto abaixo, um nubladinho.



Essa foto acima foi tirada perto do Checkpoint Charlie (explicaçoes mais adiante). Era um cercado com areia e cadeiras de praia no meio de uma avenida movimentada, um pequeno refugio no meio da cidade. O achamos bem por acaso. E alias, achamos outros lugares assim, por acaso, dando uma olhadinha aqui e ali. Adorei os bares de Berlim! Contei mais de dez bares visitados e posso dizer que amei a todos, todos criativos, a maioria com grande espaço a céu aberto, com decoraçao em madeira, super arborizado. Eh uma pena que eu nao tenha tirado mais fotos pra mostrar a vocês.


Esse é um bar à beira do rio Spree, perto do Muro. Em Berlim tah rolando uma polêmica que ja dura alguns anos sobre a ocupaçao dessa area da foto acima. Ha uma infinidade de bares parecidos com esse na beira desse rio que esta prestes a desaparecer graças a um projeto do governo, o Media Spree, que visa a construçao de varias empresas de grande porte nessa area. A area é do governo, mas é inegavel a importância desses bares, nao soh pros seus donos, mas pra vida cultural da cidade. Achei uma pena, espero que dê tudo errado :D


Da comida:

Como eu ja disse, francês é um povo muito saudavel e, depois de visitar Berlim, essa impressao soh aumentou. Eu tava completamente desacostumada a ver gente acima do peso. Mas também, pudera!, a cada dois metros tem alguém vendendo comida gordurosa. E barata. Minha gente, o Kebab em Berlim custa DOIS euros. E o melhor de tudo: tem cara de comida, nao é como o Kebab francês: é barato, o molho é uma delicia e a salada vem em quantidade generosa. Foram os melhores Kebabs provados. Mas quem quiser comer o hamburguer perfeito, vai no Burgermaister. Juro que foi o melhor hamburguer que ja comi na vida. Você come meio triste porque sabe que uma hora ele vai acabar.

Do meio ambiente:

Quem vai a Berlim pode também se impressionar com duas coisas: a quantidade de arvores e de bicicletas. Mesmo dentro da cidade, em meio à loucura dos carros, tudo é arborizado, lindo. E ha bicicletas por todos os lados, numa quantidade muito maior que em Lyon (e olhe que em Lyon a tradiçao de usar a bicicleta é grande).


Do transporte:

Nico, nosso anfitriao, nos aconselhou a alugarmos duas bicicletas, mas o preço era meio salgado: uma semana de locaçao por 40€ por pessoa. Como eu sou uma pessoa meio... desempregada, preferi pegar o bilhete de metrô que custa 25€ (por pessoa) pelo mesmo periodo. O bilhete de metrô custa 2,60€. Nao que isso devesse interessar, mas nas estaçoes de metrô nao existem catracas, no entanto, os controladores estao por aih pra manter a ordem e a lei, amém, através de suas multas (40€).

Dos pontos turisticos:

Como é impossivel falar de todos os lugares dos quais visitamos (impossivel = estou com preguiça) vou postar algumas fotos de alguns lugares visitados com comentarios superficiais. O Wikipedia esta do seu lado.

Igreja Kaiser-Wilhelm Gedächniskirche. Foi bombardeada e permanece assim desde 1943. Nao foi reconstruida pra que servisse de lembrança da Guerra. No entanto, uma nova igreja, super moderna, onde os padres rezam de sunga preta (brincadeira), foi erguida ao lado. Mais sobre a igreja aqui.


Toda cidade que se preze, tem uma construçao falica. Aqui, a Torre de TV e seus 368m. Enooorme.


A maior catedral de Berlim: Berliner Dome (inicio do século XX).


Altes Museum. Segundo o Wikipedia, "o maior e mais importante museu do mundo no campo da arte antiga da Grécia, Roma e Etruria". Agora, uma bala na testa por soh estar sabendo dessa informaçao agora.

Altes Museum ontem


O Checkpoint Charlie era um dos pontos de passagem do Muro entre os setores americano e soviético. Controlado, é claro. Parada obrigatoria pra quem vai a Berlim. O Museu do Muro fica logo ao lado e, claro, temos o McDonalds ao fundo.


Outro museu fantastico: Topografia do Terror, logo ao ladinho do Muro, no terreno em que ficava o escritorio principal da Gestapo. Tem uns paineis incriveis com fotos, documentos e textos sobre as barbaridades nazistas. Entrada gratuita.


Memorial do Holocausto, homenagem aos judeus mortos.


Portao de Brandemburgo, visita indispensavel, palco das manisfestaçoes quando da queda do Muro.


E, claro, o MuroAh, e fiquei chocada quando vi numa lojinha de souvenirs pedaços do Muro à venda. Um pedaço que media um palmo por uma bagatela de... 40€. Depois entendi que aqueles troços que vinham pregados nos cartoes postais eram, na verdade, pequenos pedaços do Muro. Quem garante a originalidade? Prefiro investir meu dinheiro de outra forma.


Seguindo a dica de uma leitora, a Lu, saimos de Berlim e fomos a Potsdam, uma cidadezinha a 30min da capital. Pegamos emprestado duas bicicletas do cara que também nos cedeu o quarto na casa de Nico e seguimos de trem pra cidade. Tivemos que pagar um bilhete de trem pras bicicletas também, mas nao lembro quanto custou. A cidade é cheia de pracinhas e parques lindos. Na foto, o palacio de verao de Frederico, o Grande, Rei da Prussia. O nome do palacio é Sanssouci ("sem problema").


Fomos ainda no Museu Anne Frank. A entrada custa 5€, mas Camilo dizia que éramos estudantes, entao pagamos meia entrada em uns três museus. Depois dizem que brasileiro é que é malandro. Pobi de nois. Esse museu é minusculo, mas satisfez minha curiosidade. Ja falei o quanto amo a moça aqui


Amei Berlim, sobretudo o Klaus. Querido, se você estiver me lendo, saiba que jamais o esquecerei. Beijos. 

Talvez

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