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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A insustentavel beleza do ser

Eu tinha uma relaçao de amor e odio com meu cabelo. Alias, a quem estou tentando enganar? 

Eu tinha uma relaçao de odio e odio com meu cabelo. E essa relacao vinha desde pequena. Quando eu era um filhoooteeee, eu nao sabia que as pessoas poderiam gostar dos proprios cabelos. E, mais que isso, eu nao sabia que as pessoas poderiam gostar de cabelos cacheados ou, pior, crespos. Nem da cor dos meus cabelos eu gostava, afinal, a Xuxa era mais famosa que a Mara. Angélica era mais famosa que a Mara. Alias, cadê a Mara? (Viu? Gente de cabelo escuro soh se fode). Ah, Mara, se fossemos loiras! Nossas vidas poderiam ter sido diferentes!  

Na época em que eu nem sabia ler - mas que ja compreendia que nao ia ser Paquita - minha mae tentava domar meu cabelo fazendo uns penteados que nao eram nada populares entre minhas amigas e meu cabelo sempre foi motivo de piada na minha classe. - musica triste no violino - Curiosamente, era meu irmao mais velho, um verdadeiro perito em causar traumas, quem mais me importunava com essa historia, todo dia era um apelido novo. E o que dizer da minha mae que, um dia, enquanto me penteava, ja sem paciência com aquela cabeça cheia de cabelo, disse "eu passei a vida toda fazendo alisamento no meu cabelo, mas tinha esperança de ter uma filha com cabelo bom. Aih nasce essa coisa".

Pois é.

(Ja ficaram com pena da pequena Luci? Ou devo dizer que eu chorei caladinha quando ouvi isso?)

A minha mae, meu irmao, meus colegas e Xuxa acabaram por me convencer de que eu deveria ter cabelo liso. Desafiando as leis da natureza e contrariando meus genes, passei a fazer touca no cabelo com auxilio da minha mae. Para fazer a touca, os cabelos nao podem estar molhados, nem secos. E deve-se passar algumas horas com o cabelo virado pra direita e, outras tantas, pra esquerda. Isso dava dor de cabeça. Tinha sempre algum fio que ficava esticado demais ou sempre tinha algum friso filho da puta que nao tinha mais a ponta de plastico. Apesar de toda a perseverança, os frisos nao eram magicos e, quando finalmente eu retirava a touca, minha cabeça parecia uma palmeira, entao, eu amarrava os cabelos. E minha mae fazia essa toca praticamente todas as vezes em que eu lavava os cabelos.

Mais ou menos aos 11 anos, comecei a fazer alisamento no salao. Era uma coisa fedorenta, que continha formol, causava feridas no couro cabeludo, custava super caro e que deveria ser refeita basicamente a cada três meses (na parte da raiz, onde o cabelo ruim do demônio voltava a crescer). Estou absolutamente convencida de que eu devo ter passado por quase todos os saloes de beleza de Joao Pessoa (e alguns de Campina Grande), na esperança de finalmente encontrar a Fada do Cabelo Bom. Nao encontrei.


Tarde demais!


Eu era realmente escrava dos saloes. Ja cheguei a passar mais de 10h num salao em época de festas, mas quando eu saia de la, eu flutuava e meus cabelos acompanhavam o sentido do vento. Eu ficava tao diferente que meu ex-namorado me chamava pelo meu segundo nome. Mas mesmo com o cabelo liso, eu fazia questao de prende-lo. Finalmente, eu achei o salao com o alisamento "perfeito", mas isso foi somente la pelos 18. Antes disso, eu mergulhei em varias noias e tinha tanto complexo com meu cabelo, que eu fazia parte da turma do fundao porque queria evitar os olhares dos colegas. Eu sentava na parte de tras dos ônibus pelo mesmo motivo. Um pouco antes de entrar na faculdade, consegui deixar de lado o diadema e as presilhas que ajudavam a domar meu cabelo - isso foi uns dois anos depois de eu brigar com uma amiga que, inocentemente, quis fazer uma brincadeira retirando meu diadema. 

Ninguém toca no meu cabelo.

E, finalmente, chegou o dia em que eu tive que decidir se eu amava mais meu namorado francês ou a cabeleireira. Me mudei e, na França, passei momentos dificeis vendo meu cabelo se transformar. Era como se eu fosse Cinderela e todo dia fosse 23:59h. Eu vivia a angustia de me deparar com minha realidade capilar. Na França, eu teria de vender um orgao pra pagar pelo procedimento. E eu gosto dos meus orgaos. Durante três anos, me virei como pude para disfarçar o indisfarçavel.

Foi entao que eu comecei a prestar atençao nas outras pessoas (até fiz esse post, um dos mais visualizados no blog). Vi que elas tinham rugas e cabelos crespos soltos e cicatrizes e estrias e alguns nem tinham dente direito. E vi que elas nao pareciam se importar consigo, nem comigo, mas meus amigos, sim, eles nao entendiam como eu poderia ser tao extrema quando o assunto era o meu cabelo. 

Dois anos sem ir no Brasil e meu cabelo estava em cima do muro, nao se decidia se ele era liso ou cacheado. Desesperada, pedi pra Camilo corta-lo e ele subiu até o ombro. O cabelo, nao Camilo. E, pela primeira vez na vida, meus amigos, eu vi meu cabelo natural. Foi como ver o mar pela primeira vez aos 70 anos. Meu cabelo dava voltas. Ele era... era... cacheado. Foi dificil aceita-lo. Eu preferiria ter um cabelo  prostituto à um cabelo cacheado. 

Quando me perdi na Italia, meus patroes me contaram depois que eles foram no bar onde eu estive pela ultima vez e perguntaram se ninguém ali teria visto "uma menina de cabelos cacheados". E por um milésimo de segundo, ok, dois, pensei "como eles esperavam me encontrar perguntando por alguém de cabelo cacheado?!". Essa era eu. Mas mesmo atualmente, ainda estou tentando me acostumar à ideia. Ha uns dois meses, tomei um choque ao ver um desenho de mim feito por uma coloc onde eu fui feita com... cabelos curtos e cacheados. 

Mas o estranhamento vem da simples falta de costume e nao da dificuldade em aceitar. Me aceitei. Sai do armario, resolvi me assumir. Até tive uma espécie de pesadelo outro dia em que eu acordava de cabelo liso, como antes, e ficava angustiada de ter que ver o mesmo lento processo de crescimento. E sabe, minha vida agora é tao mais simples! Me pergunto ainda hoje por que eu demorei 27 anos pra ser eu. 


Mas ainda tou trabalhando em mim a possibilidade de fazer ainda mais volume nele cortando-o. Mas enfim, vida nova. Agora eu tiro fotos - sabendo que, um ano atras, eu nao conseguia nem olhar no espelho, que dira registrar o que via.



Essa, por exemplo, sou eu me amando ♥


Agora, parem de dizer aos seus filhos que eles nao nasceram do jeito certo.



domingo, 28 de abril de 2013

Cinco anos em cinco meses (ou do amor pelo lado de lah).

Nao querendo ser monotematica, mas ja sendo, queria colocar para fora um post que martela ha alguns meses minha cabeça  sobre a França e sobre essa coisa de evoluçao - e talvez ovulaçao, porque parte desse post é oferecimento da minha tpm. 

Quando eu cheguei aqui na França (2009), me sentia uma estranha em absoluto. Eu estava convencida de que soh estava aqui por Camilo - apesar da antiga vontade de ir embora do Brasil (Brasil = Joao Pessoa. Joao Pessoa = casa dos meus pais). Até hoje, eu nao sei se fui feliz ou nao nesses anos todos em que vivi aqui. Acho que Camilo era uma boa fonte de felicidade que mascarava a solidao sentida. Eu acordava respirando Camilo, mas começava a beber às 8h da manha nos finais de semana pra ver se aguentava o tranco de estar sozinha. E eu, que gosto tanto de falar (o blog veio da vontade de falar, nao de escrever), comecei a me fechar na minha conchinha. 

Ia pro trabalho/faculdade, voltava pra casa, entrava pelas escadas exteriores que davam acesso direto ao meu quarto (para nao ter a necessidade de entrar pela sala e cruzar com meus colocs) e soh descia quando o jantar estivesse pronto. Uma vez terminada a refeiçao, eu subia e me escondia novamente. Disso, surgiram inumeras brigas ferozes com Camilo que, sei la porque, gostava de perder tempo falando merda com o pessoal la na sala. O unico momento em que eu me permitia ser social, era com um, dois, três, vinte, copos de cerveja na mao. Nao gostava de falar francês porque coloquei na minha cabeça que, por nunca ter feito um curso decente, eu nao sabia falar francês. 

E dai, mesmo estando tao longe, eu tinha uns pesadelos estranhos com meu pai. E me pegava com o coraçao acelerado pelo pensamento de um dia ter de ve-lo novamente. Mas ao mesmo tempo, eu pensava em Fabio e meu coraçao se enchia da mais fina angustia, aquela coisa negra que ia me secando por dentro - alguns a conhecem como "saudade". Mas aih a angustia ia embora e dava lugar ao medo. Eu tinha medo de falar, de contactar as pessoas, de sair, de voltar, de ficar e de ser. E, como se nao bastasse, vinha sempre, uma vez ou outra, aquela sensaçao de nao pertencer a lugar nenhum, e alguns pensamentos sempre introspectivos e pseudo filosoficos sobre a necessidade de se pertencer a algum lugar. Eu pertencia a Camilo. E ele dizia que eu era a casa dele. E parecia um bom acordo, porque a gente parecia feliz. E eu amei tanto esse homem! Eu nem lembro mais como era, mas sei que amei porque eu preferi me abandonar à abandona-lo.

Acho que meu amor se confundiu com dependência. Eu nao conseguia fazer nada sozinha. No começo, mesmo quando eu conseguia me exprimir razoavelmente em francês, eu pedia pra que ele fosse comigo ao médico. Eu fazia uma drama pra ele ir comigo resolver algo na Prefeitura. Eu entrava em pânico e fazia birra de criança pra que ele fizesse algum telefonema de meu interesse. Uma vez, a gente pegou uma briga fenomenal nos metros parisienses, porque eu queria que ele me acompanhasse a um lugar que ele nao queria ir - tudo isso porque eu achava que eu era incapaz de voltar pra casa sozinha. Ele corrigia meus trabalhos da faculdade. Eu nunca viajava sem ele. Nunca saia sem ele! Cinema. Camilo. Teatro. Camilo. Show. Camilo. Bar. Camilo. Sim, eu tenho muita vergonha de dizer isso. Eu realmente fui muito fraca. Eu achava que tentava mudar isso, eu queria que as pessoas falassem comigo, mas quando elas falavam, eu rezava pra que elas se calassem. Eu soh queria que elas soubessem que eu era mais interessante do que aquilo, mas eu nao queria fazer esforço pra isso, porque "esforço" subtendia "falar" e, isso, eu nao era capaz de fazer.

E, apesar de toda essa dependência, eu acordei e finalmente percebi que eu tava tao vazia, tao pobre, que eu nao o amava mais, que eu estava com ele, nao mais por amor, mas por medo e, nesse dia, eu realmente me senti (ainda mais) sozinha. Tentei colocar a culpa na minha extrema e fatal instabilidade. Culpei meu signo. Culpei a lua. Culpei Lula - porque todo mundo culpa o Lula. Culpei a França, o Brasil. E lembrava de Artur da Tavola (desculpa atencipada, pois citaçoes soam sempre quase esnobes) quando ele dizia que "(música é vida interior, e) quem tem vida interior jamais padecerá de solidão". Eu achava que tinha e, portanto...

Quando acabamos, eu entrei em depressao. Alias, aquilo deveria ter outro nome, porque depressao eu ja tinha sentido, mas "aquilo" era mais intenso e "aquilo" me transformou. Eu achava insuportavel viver, mas vivia porque eu sabia que fazer alguma besteira iria provocar uma tristeza semelhante na minha mae e esse pensamento me apavorava (desculpa o drama, mas foi assim que aconteceu e, apesar de eu nao entender mais aquela tristeza, eu sei que ela existiu e que foi dessa forma que ela fez parte de mim). Até que um médico me disse que aquilo tudo era, em parte, decorrência de um tumor. Fui pro Brasil desejando estar com meus pais. Sim, pai e mae. Fiz a cirurgia e, quando voltei, meus amiguinhos...

Quando eu voltei, decidi mudar e fazer tudo o que eu queria fazer. Me libertei daquela vida vulgar que eu levava estando junto a você. Parei de me trancar no quarto. Decidi que meu francês nao é bom para um francês, mas que é bom para uma estrangeira. Perdi quase todo o peso ganho durante a doença. Entrei no mestrado, mesmo sabendo que nao haveria ninguém pra corrigir meus trabalhos. Fui descobrindo simplesmente o que era ser eu de verdade - quando comecei minha vida sexual/amorosa, engatei nove anos no stop de namoro e era a primeira vez em que eu estava vivendo sem um cara pra me dizer o que fazer (sou feminista, mas...). Fiquei meio perdida no começo porque sou o tipico clichê de menina que nao teve a figura do pai presente e que demanda muita atençao dos namorados. Agora, gasto meu dinheiro da forma que quero - agora nao gasto mais porque, se somos livres, "nohs gatos ja nascemos pobres", nao esqueçamos. 

Aprendi a viajar sozinha - na primeira vez que viajei sem Camilo, foi pra fazer um trajeto de pouco mais de uma hora. Compro uma quiche, entro no trem, me deparo com uma cadeira vazia ao meu lado. Aguento firme, mas ao ver que nao tinha ninguém pra dividir a porra da quiche, começo a chorar. E fico assim, comendo a quiche e chorando, tendo pena de mim. Deprimente. Hoje, eu prefiro viajar sozinha, isso me da a oportunidade de passar o tempo olhando pela janela, de observar as vaquinhas no pasto ou, em dias feios, de ver macro espermatozoides de chuva se formarem na janela do trem. Aprendi a planejar coisas sozinha. Viajo e, quando volto pra Lyon, vem quase sempre uma lagriminha emocionada me socorrer quando me dou conta de que aqui é minha casa. 

Eu cortei meus cabelos! Dei um pulo dificil para fora dos padroes e agora nao sou mais a menina de cabelos longos e lisos. Sou uma mocinha de cabelos curtos e cacheados (e crespos!). Decidi usa-los como eles sao e, porra, vocês nao imaginam a liberdade que é poder ser você mesma. Fiz o primeiro Amigo francês. E o segundo e o terceiro. E agora, quando eu chego em casa, as pessoas sorriem ao me ver. Quando estou estudando no quarto, elas batem na minha porta e me mandam descer. E eu ainda nao me acostumei com isso. Porque essas eram as pessoas que eu admirava em silêncio ha uns anos e, agora, elas me dizem "eu te amo". Eu amo meus colocs. Eu aprendo com eles. Sao dez ao todo. A gente fala tudo sobre tudo e sobretudo sobre nada. E acho que, finalmente, o que me salvou foram as pessoas. Eu ja tinha falado aqui, num post antigo, que o importante nao é o lugar, mas quem te rodeia. Pra mim, vida interior, Artur, sao pessoas. Eu preciso disso. Eu preciso falar, preciso ser ouvida, mas também tenho necessidade de ouvir, de conhecer o outro. 

Nesses meses em que passei longe do blog, recebi alguns emails de leitores desconhecidos que dizam "olha, desculpa, você nao me conhece, mas eu leio seu blog e sinto como se te conhecesse", e dai, elas me perguntavam se eu ia bem e contavam um pouco a historia de vida delas. Gente, eu amo! Eu acho isso genial! Gosto de gente dada (ui), aberta (ui), que nao faz pose, que nao faz tipo. No começo de 2008, um amigo me escreveu um email depois de ler um post antigo meu num blog antigo.

(...) Desculpe o texto pseudo-sério, mas seu post realmente mexeu comigo, de alguma forma... acho que fiquei meio emocionado, de alegria e tristeza por me sentir em sua pele. Ainda assim, quero que você guarde pra sempre a forma como te admiro; bem como a forma verdadeira como você ama esse negócio de viver - que faz parecer que você não tem medo de nada, parece que nada é realmente tão grande que não possa ser alcançado.

Pois é, eu tive medo de muita coisa, mas parece que continuei conquistando-as  - pelo menos era isso que Camilo me fazia tentar enxergar. Acho que aqui, na França, eu tive a oportunidade de crescer. Sim, poderia ter sido em qualquer outro pais, mas nao foi. Foi longe de casa, longe do meu perimetro de segurança. Me fudi muito sozinha, mas percebi que tudo isso fui eu quem provocou. E, apesar de achar que fosse enlouquecer em certos momentos por nao ter ideia do que fazer com minha vida, olho pra tras e sorrio com toda a ironia que me acompanhou. A vida é irônica. E soh. Sinto como se tivessem me dado uma injeçao de vida. Decidi parar de me vitimizar, de achar que eu sou fraca. Ninguém sabe que você é fraco até que você o diga - gente, baixou o satanas da auto-ajuda? E, finalmente, acho que estou onde eu queria estar. A França me emociona ♥. Aqui é casa e vai ser casa pelos proximos nove anos - a nao ser que eu queira partir de novo, porque eu tenho a escolha. Mas tenho amado esse pais. Adorei fazer o post anterior, adorei perceber que eu faço parte disso. Nao foi pela beleza do pais que eu vim, mas foi pela beleza que eu fiquei. E, sim, pelo povo. Nao escutem os clichês que rolam por aih sobre os franceses. Os franceses sao sim um povo amavel. E quem diz o contrario, nao conhece os franceses. 

Sei que a vida vai continuar nao sendo facil. Mas eu tou bem acompanhada. Eu tenho eu. :)



sábado, 21 de abril de 2012

Tem o Giba uma giba?

Você conhece este homem?


OHMEODEOSDOCEONAOEHPOSSIVEO!

Sim, post novo no caso.me.esqueçam. Antes que Cissa Guimaraes aparecesse aqui em casa com o quadro "Por onde anda...", resolvi mostrar que estou viva e explicar (parte) do meu sumiço.

Em fevereiro, por motivos que nao me covem explicar, fiquei mal da cabeça e doente do coraçao. Tadinha. Diante do meu infeliz estado, meu bob pai e minha mamae quirida me pagaram uma passagem pro Brasil: dois anos longe de casa. 

Quem acompanha minimamente esse blog, sabe que fiz, durante meses, uma dieta pra perder os singelos 13kg que ganhei no ultimo ano. O ganho rapido de peso garantiu estrias pelo meu corpo inteiro. Mas nao eram estrias normais. Estas devem ser estrias mutantes. Nem gravidas de mamutes trigêmeos conseguiriam exemplares como os meus. Minha melhor amiga, quando viu minhas pernas, disse que achou que eu tivesse levado uma surra. Quem dera fosse. Pra vocês verem que eu nao estou exagerando, uma foto de um lado da minha barriga:

Convencidos de que o caso é sério?

Minha mae, diante do quadro, insistiu pra que eu fosse numa dermatologista pra um milagre tratamento e eu aceitei. Chegando la, a médica me olha e, em três segundos e meio, me diz: "você tem Sindrome de Cushing". Oi, pai de quem? Cushing. 

Entao, ela abre um livro que, pelo tamanho, deveria ter meu peso. Ela começa a folhea-lo e eu, curiosinha, arregalo os olhos pra ver as imagens dele. Metade das figuras eram de vaginas brancas, cheias de bolinhas esquisitas e pênis vermelhos com rachaduras. "Minha nossa, minha doença ta aih dentro?". Finalmente, ela para numa pagina onde tinha uma foto de uma pessoa gorda. Eu fico aliviada. "Ah, novidade, ela vai dizer que eu estou gorda". Nao. Entao, ela começa a ler sobre a Sindrome. Wikipedia ajuda.

A Sindrome de Cushing é provocada por altos niveis de cortisol no sangue. O cortisol pode ter origem externa ou interna: ou eu fiz tratamento prolongado com essa substância (99% dos casos, segundo meu médico) ou é minha hipofise que a esta produzindo ou ainda as glandulas supra-renais. Nesses ultimos dois casos, de qualquer forma, trata-se de um tumor. Pois é, viva eu que fui ao Brasil pra descansar e voltei com um tumor na mala. Detalhe, Sindrome de Cushing nao é uma doença comum (dois ou três casos por um milhao de habitantes). Meu médico soh a viu uma vez na vida. Viva eu de novo. 

Mas isso explica um monte de coisa. Nesses ultimos meses, meu corpo mudou muito e eu passei a desenvolver umas mazelas que, pra mim, eram resposta a dieta que eu tava fazendo. Sintomas? 

- Obesidade crônica, sobretudo na parte superior do corpo;
- Rosto gordo (dito "lua cheia") e vermelho;
- Surgimento de estrias violaceas;
- Pele fragil;
- Insônia;
- Afinamento e queda do cabelo;
- Perda de massa muscular;
- Equimose (hematomas);
- Labilidade emocional;
- Acne;
- Ganho de apetite;
- Cansaço nervoso;
- Problemas no ciclo menstrual;
- Aumento de pelos;
- Problemas psicologicos (depressao, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de atençao e memoria);
- Reduçao da libido;
- Aumento do volume urinario;

E ainda: geralmente, a Sindrome traz osteoporose, diabetes, hipertensao e/ou dificuldade na coagulaçao do sangue. Essa porra deve dar até piolho. 

As consequências de um diagnostico tardio: 

- Embolia pulmonar, trombose, diminuiçao da massa ossea (provocando fraturas), obesidade, 4-5 vezes mais chance de morrer em relaçao a alguém saudavel. Ou seja, muito amor.

Olha, com exceçao da acne e dos problemas menstruais, eu tinha, tenho, todo o resto. Eu vou no banheiro pelo menos duas vezes durante a madrugada pra fazer xixi; eu tenho roxos pelo corpo todo e nenhuma lembrança de ter me machucado; os cabelos caem aos quilos; a vermelhidao no rosto é tao aparente que uma vez cheguei em casa e perguntaram se eu voltei correndo do trabalho; nervosismo e tristeza nao precisam nem ser comentados (vide primeiro paragrafo); perda da libido?; fiz o buço pela primeira vez na vida quando o estado dos meus bigodes nunca tinha me incomodado antes - odjio; o cansaço começou a ser grande, mas eu achava que era a dieta e os guris que sugavam minha energia.

O endocrinologista que eu consultei disse que iria fazer um teste simples pra saber se eu tinha Cushing: ele segurou minhas maos, pediu pra que eu agachasse e, em seguida, tentasse me levantar. Eu soh consegui a façanha por ter me apoiado nele e jogado os quadris para tras: com a perda da massa muscular, a Sindrome te tira a força das pernas. Eu soh faltava morrer tentando subir uma escada. Tudo se explica.

Quando fiz a dieta, eu perdi 15kg, ou seja, fiquei mais magra do que estava antes de começar a ganhar peso. Mas o rosto continuou gordo e a pança nao diminuiu tanto quanto era de se esperar. Queria muito ter feito um post "antes e depois", mas com a cara gorda que eu me encontro, vocês nunca iriam notar a diferença. Eu cheguei a ir no médico aqui na França pra tentar resolver isso e ela disse que era normal, que eu iria emagrecer depois. Sei. 

A mae dos moleques é médica e me revelou essa semana que sempre desconfiou que eu estava com Cushing, mas achou indelicado dar essa sugestao na época. Indelicado é deixar a babah morrer, minha gente. Ainda assim, no ano passado, ela chegou a me aconselhar a ida a um endocrinologista caso eu fizesse uma dieta e nao perdesse peso. Acontece que eu perdi, entao logo descartei a possibilidade de estar doente. Ela perguntou por que eu ou Camilo nunca desconfiamos que eu poderia estar doente, mas como eu ja disse, as consequências de uma dieta de proteina pareciam ser uma explicaçao razoavel pra tudo o que estava acontecendo. 

Ha também acumulo de gordura na parte de tras do pescoço que os médicos chama de "giba". Gente, eu tenho uma giba que, infelizmente, nao é essa: 


(ou felizmente...)


Unxi, como é lindo!

Seja como for, diante da possibilidade de estar com diabetes, tive que suspender o chocolate e o alcool (si, pero no mucho) com muita dor no coraçao. Depois de "curtir" alguns dias a ideia de ter diabetes, fiz um exame simples que revelou que eu nao tinha porra nenhuma! - pude aproveitar ao menos a festa de despedida. 

Antes de deixar o Brasil, fiz um outro exame que revelaria onde estah meu bebê tumor (espero que seja um bebê). Havia de 80% a 90% de chance de ser na hipofise. Hipofise, pra quem nao sabe, é uma glandula que fica na cabeça e tem o tamanho de uma ervilha. Ela é responsavel pela produçao de um monte de hormônio importante como o da produçao do leite e o do crescimento. O médico explicou que ele iria "raspar" a parte da hipofise que produz o cortisol.

O que poderia acontecer seria que o cirurgiao poderia raspar além do necessario afetando a produçao dos outros hormônios (e eu teria que repo-los também pelo resto da vida) ou, pior, nao raspar o suficiente me obrigando a fazer uma segunda cirurgia - acho valido lembrar que a cirurgia nao custa dois reau. Num terceiro fracasso, "a gente 'explodiria' sua hipofise numa radioterapia". Uma pena, porque eu nasci com essa hipofise e pretendia morrer com ela. Mas nao por causa dela, entao... Entao, tinha esses 10%, 20% de chance que o tumor estivesse na glâdulas adrenais.

Hoje liguei pra minha mae pra saber o resultado do exame que fiz antes de deixar o Brasil que indicaria a localizaçao do bebê e, guess what!, na sena eu nao ganho, mas meu tumor estah na supra-renal.

djing djing djing!

Essa historia toda me deu um mal humor danado (sobretudo a parte da diabetes). Mas interessante mesmo, foi receber um email de uma professora da faculdade, no mesmo dia em que descobri que tinha Cushing, dizendo que eu estava perdendo aula e... Bom, se eu estava perdendo aula todo esse tempo, significava que eu estava reprovada por falta e que, por isso, nao poderia fazer o mestrado esse ano (e somente em setembro de 2013!). Foi aih que eu, pela milésima vez, surtei. Sinceramente, espero que o mundo acabe mesmo em 2012. Nao esta sendo facil.

Pedi pra Camilo averiguar essa historia com a secretaria e ela garantiu a ele que eu havia finalizado a graduaçao, apesar das disciplinas que cursei semestre passado terem continuidade este semestre. Como eu ja fui ludibriada por esta mulher anteriormente, irei na faculdade exigir uma declaraçao por es-cri-to que indique que eu estou, na mais absoluta certeza, formada. Motivo: minha cirurgia vai ser feita no Brasil e eu nao quero nenhum impedimento ou coisa pendente na França. 

Borboleta, tou chegando. Betty, vou ter que declinar do seu convite pro casamento - ja havia comprado as passagens e tudo mais, mas. Mas havera pic nic de blogs em Paris no mês de maio e mocinhas e mocinhos das redondezas podem se preparar porque quem me lê agora ta convidado. Pode levar marido, Luci? Podji! Pode levar filho, cachorro e periquito? Podji. Pode levar a giba, Luci? Também!


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Natal mortal

Nao me olhe assim, eu estou tao confuso quanto você


Contei como foi passar o Natal com os pais de Camilo, mas a provaçao real foi passar Natal com a familia da mae dele. No dia 26, fomos almoçar com a familia inteira e la vai Luci ter que (re)decorar todos os nomes de tios, tias e priminhos. Os bebês cabeçudos que vi no Natal de dois anos atras agora estavam andando, irreconheciveis. Chegamos às dez da manha porque Camilo seria o responsavel por acender o forno à lenha (na esperança de que os pernis ficassem prontos ao menos pro Natal de 2012). Enquanto meu querido se entretia com pernis alheios, eu esperava a vida passar sentada no sofa, com as maozinhas em cima dos joelhos. 

Fiquei assistindo com o avô de Camilo aqueles programas de auditorio. No momento, estavamos assistindo a um quadro com três casais onde o apresentador fazia perguntas às mulheres sobre a vida do casal, que haviam sido feitas anteriormente ao homem. Este deveria mostrar uma placa com a provavel resposta que a esposa daria. Fiquei tentando calcular o quanto isso poderia medir o entrosamento de um casal ao me dar conta de que, caso as perguntas fossem feitas à mim, julgariam que eu nao conheço Camilo, porque eu nao tinha idéia do que responder às perguntas feitas. Ja bastante cansada do besteirol, eu:   

- Sogra quirida, você ta precisando de alguma coisa?
- Nao, Luci, obrigada.
- Mas eu posso fazer alguma coisa.
- Nao, obrigada, querida.
- Minha senhora, entenda: eu quero fazer alguma coisa. 

Depois de uma certa pressao, ela me pediu pra descascar uma manga. Fui pra cozinha como se tivesse recebido A missao. Tipo assim, Papai Noel pedindo pra eu entregar os presentes porque ele esta impossibilitado, sabe. A manga, como eu, vinha do Brasil. Levei um papo com essa manga, mas ele durou pouco graças à minha grande eficiência e destreza no manejo de facas que permitiu que a manga estivesse descascada em um minuto. Foi o ponto alto do meu dia. 

- E agora, eu faço o que? :D
- Nada.

Voltei pro meu sofa. 

Esperei, esperei e as pessoas começaram a chegar. Cumprimentei à todos com um sorriso amarelo e esperançoso de que ninguém resolvesse ir além do cumprimento. Tipo assim, meu povo, eu sou mais do mato que Jeca Tatu e conversas sobrias com pessoas desconhecidas me deixam em estado de pânico. Alheia a este fato, uma tia de Camilo se aproxima e puxa assunto. Pensei em fingir um desmaio, mas talvez isso levasse ainda mais atençao sobre minha pessoa. "E se eu neutraliza-la com um golpe na nuca?", considerei. Melhor nao, é Natal, época de amor e paz. Luciana, que tal simplesmente responder à pergunta dela? Você é capaz, deixe de drama. E, quando vi, la estavamos nohs falando das galinhas

Camilo voltou do jardim com um cheirinho de fumaça e, a essa altura, eu ja estava com tanta fome que se tivessem colocado o casaco dele num prato, eu teria comido. Sentamos à mesa e ficamos esperando a boia. Quer dizer, o almoço. Seguindo o protocolo, depois dos aperitivos, que nao provei, tivemos a entrada. Meu coraçao se encheu de alegria quando vi camaroes em uma bandeja. E olha que eu nao como camarao. Quer dizer, nao comia. Mas com minha limitante dieta, era isso ou nada. No entanto, tive que recusar ponche, pistache, frutas, queijo, patê, pao, vinho, batata e feijao. Acho que a familia de Camilo deve ter pensado "nossa, que moça mais contida, nao é mesmo?" e eu la, quase comendo a toalha da mesa, as lombriga tudo gritando.


Como eu sou uma pessoa prevenida, preparei e levei um tomate recheado com ovo e queijo sem gordura. Parece bizarro. E era. E quem se impooortaaa? Comi e comi feliz. Logo em seguida, os pernis de Camilo apareceram no meu prato. Delicia. E pronto, essa foi a ultima coisa que pude comer. 

"Vocês nao tem idéia das coisas
que aparecem no Google quando
digitamos 'raspadinha'"
Uma prima de Camilo deu pra cada convidado uma raspadinha cujos prêmios eram de 1€, 2€, 6€, 20€, 100€, 500€ e 1000€. Tratava-se de um jogo da velha com os prêmios indicados nas linhas e colunas. Algumas pessoas chegaram a ganhar 2€, mas a grande vencedora do dia fui eu: ganhei um super prêmio de 6€! Fiquei ainda mais animada com o ganho quando vi, no verso do bilhete, que soh havia 7 mil prêmios de 6€. Alguém ainda me deu seu bilhete premiado de 2€, o que fez com que eu saisse daquele almoço 8€ mais rica. Fiquei imaginando o que eu faria com tanto dinheiro. 

Em seguida, pedi a Camilo pra darmos uma volta pelo bairro. A idade avançada do avô de Camilo (mil anos) e o fato dele estar na maioria do tempo numa cadeira de rodas esperando a morte chegar, fez com que Camilo e eu entrassemos numa discussao sobre morte, eutanasia e todas essas questoes apropriadas pra uma época de Natal. Ele disse que nao gostaria de viver em estado vegetativo e que respeitaria minha vontade caso eu quisesse partir dessa vida. Pegando o gancho e lembrando do programa de auditorio visto naquela manha, eu disse:

- Ah, olha, se um dia eu engravidar...
- Hum.
- ...e sofrer um acidente grave...
- Sim...
- ...e o médico disser "ou ela ou o bebê", você me escolhe, viu?
- Eh?
- Eh. 
- Por que?
- Porque um bebê a gente pode fazer de novo, mas outra Luci nao.
- Ta bom.

Silêncio. 

- Alias, alias! Depende. Se eu soh tiver 10% de chance de sobreviver, escolhe o bebê, ta?
- Ah, nao! Escolhe logo agora! Eu nao quero ter que escolher!

O bixinho ficou tao aflito em ter que saber o que fazer caso eu ficasse gravida e caso sofresse um acidente grave e caso o médico so pudesse salvar uma pessoa... O que importa é que, caso a gente participe de um programa de auditorio com esse jogo de casais, a gente acertaria a questao - caso ela fosse posta. 

Depois dessa conversa, voltamos pra casa e, sobre a mesa, a sobremesa. Umas pêras, calda de chocolate, uns doces que a mae de Camilo havia trazido de uma viagem à Turquia e, claro, chocolate. Eu nao sou do tipo que vende a mae por um pedaço de chocolate, mas passei momentos dificeis ao ver o pessoal se deliciando em meio a todo aquele cacao. Desejei a morte daquelas pessoas, queria que elas engasgassem e morressem entaladas. Foi um Natal tranquilo. 



domingo, 25 de dezembro de 2011

A chorada, a mamada e o ultimo post do ano

Camiloulou e eu estamos, ha uma semana, na casa dos pais dele passando parte das nossas férias. Eu pretendia aproveitar esses dias pra ver filmes, estudar pra ultima prova do semestre, ler bastante e dormir, mas os dias foram passando, ja estamos a um dia de voltar pra Lyon e até agora eu nao fiz nada do que pretendia. Eu procrastino até pra vagabundar, minha gente.

Apesar de, eu tou super contente. Gente, tem como nao ser feliz numa época em que tudo gira em torno de dar e receber presentes? Consumir e gastar? (Agora vocês estao em duvida se eu estou sendo irônica ou nao - e eu nao estou). No Natal da casa dos pais de Camilo, a tradiçao da troca de presentes, pra minha felicidade, reina. Fico super empolgada nao so com meus presentes, mas com o dos outros. Por isso, tratei cedo de garantir os presentes de Camilo, bem como os da familia dele. Mas qual foi minha surpresa, quando Camilo admitiu, sem nenhuma vergonha na cara, com a maior naturalidade do mundo, um dia antes de viajarmos pra ca, que nao havia me comprado nada. 

Gente.

Meu sangue parou de correr. Eu fiquei me perguntando se a frase "eu nao comprei nada pra tu" poderia ter outro significado. Eu fiquei esperando que ele dissesse "brincadeirinha, sua boba!". Mas nao. Ele tava bem sério e "nao comprei nada pra tu" realmente significava que Luci nao ia ter presente de Natal. Logo ela que havia comprado uma lembrancinha para todos. Logo ela que acredita que somente através da troca de presentes é que se pode demonstrar sua consideraçao pelo proximo. Houve um pequeno momento de tensao (que durou 12h) entre nohs dois. Desconfio que minha decepçao deve ter tocado o coraçao de Camilo porque, incrivelmente, nao sei por qual razao, ele foi ao centro da cidade no dia seguinte, assim que o sol nasceu.

Chantagem emocional, trabalhamos.  :)

Ja em Chateaubriant, decidimos ir ao Emmaus, mas era dia de Natal e a porcaria da loja estava fechada. Fico indignada com esse povo que nao trabalha em feriado. Francamente! No entanto, fomos a uma outra loja do gênero chamada Noz, que infelizmente, nao existe em Lyon. Meu povo, essa loja é tipo o paraiso na terra dos consumistas pobres. Eh uma loja de quinquilharia que vende desde chave de fenda à patê de figado de ganso, tudo a preços modicos. E quando falo de "preço modico", estou falando de meia-calça à 2,50€ (quando em qualquer loja de Lyon custa 20€).

Quanto à qualidade? E quem se importa com qualidade quando se pode comprar uma luva de pata de urso à 1€? Eu tinha meu cartao numa mao e uma cestinha na outra. Entrei naquele galpao e sai pescando tudo o que meu cérebro reconhecia como de necessidade vital: meia, anel, linha de costura, pinça, cinzeiro, chaveiro, muleta, mascara de leao, bengala, adesivo do Shrek, extintor, pano de chao, bocal de lâmpada, martelo, cueca, coador.

Mentira, peguei nada disso.

Quer dizer, pegar, eu peguei, mas eu sou uma mulher comedida e tirei a bengala e a muleta do carrinho. E todo o resto. Na verdade, eu soh levei cinco pares de meia (cada um a 1,30€), sete aneis feios (que, apesar da feiura, agora tem dedos para chamarem de seus, mas somente porque me custaram 0,95€ cada) e um pacote com dez linhas de costura. Eu nem sei costurar, mas o pacote era tao colorido! E custava somente 0,50€. Vai que um dia eu precise costurar algo. Alias, esse dia ja apareceu. Vai que um dia eu aprenda a costurar algo.

Depois das compras, fomos pra casa preparar a ceia de Natal. Achei que seria dificil seguir minha dieta na casa dos outros, mas a familia de Camilo ta me dando o maior apoio, sempre que vao cozinhar me perguntam sobre o que eu posso comer ou nao. Cunhado chegou mesmo a preparar meu mojito sem açucar. Nao, eu nao posso beber alcool durante o regime, mas eu liguei o foda-se e tomei umas cinco doses de Rhum ontem. Acho que isso contribuiu pra minha noite estranha. Porque sempre tem que ter uma palhaçada quando eu vou dormir na casa dos pais de Camilo. Da ultima vez, eu mijei na cama. Dessa vez, acordei no meio da noite pra fazer xixi, mas nao consegui abrir a porta. Tentei tantas vezes! E quando ja estava prestes a mijar de novo nas calças, acordei e me encontrei de quatro ao pé da parede tentando abri-la. Quando me dei conta de que estava tentando atravessar a parede, despertei e, bom... me senti um pouco ridicula. O importante é que consegui levar minha bexiga cheia até o banheiro.

Camilo acertou em cheio nos presentes (viu, amor, como é facil me agradar?). A familia de Camilo acertou em cheio nos presentes. Mas nada comparado ao que veio no dia seguinte: a mae de Camilo me pergunta se eu tenho algum tipo de alergia à brincos ou colares. Respondi que nao. Eis que ela me surge do quarto com meia duzia de brincos de prata e estes dois colares:



Quase caih pra tras quando vi que eram pra mim. Desculpa, gente, tou me sentindo meio idiota em ser tao exibida, hihi mas eu pirei muito nesses colares. Foram presentes de amigos comprados em algum buraco da Africa cujos fechos provocavam alergia na minha sogra. Pra minha tamanha sorte. Valeu, coceira de pescoço da sogra! Colares do gênero sao coisas que eu amo, mas que minha situaçao financeira nao pode dar conta, afinal, sou uma menina Noz. Uma menina Noz que vai terminar o 2011 cheia de presentes. Afinal, pra que serve o Natal?


sábado, 8 de outubro de 2011

Katia me entenderia


Esse post deve ser lido ao som da marcante Nao esta sendo facil, by Katia Cega. Solta, DJ!

Luci, uma pessoa zen. Zen paciência 

Quando comecei a trabalhar como babah, eu me ocupava de um bebê de um aninho, super gentil e simpatico. Alguns meses depois, a sua irmazinha nasceu e, como era de se esperar, o menino começou a ter umas crises de ciume que estao transformando a vida de toda a familia, sobretudo a vida da sua pobre babah. 

Todo dia ao amanhecer 
Quanto mais tento te esquecer 
Mais me lembro 
Não tem jeito...

Ha uns meses, virei a babah exclusiva da pequena ja que o guri estava na creche em tempo integral. Isso durou pouco tempo: os pais o tiraram da creche nos dias em que trabalho, afinal, nao fazia sentido pagar creche quando se tem uma babah em casa. Mas... WHY, GOD, WHY? Minha vida nunca mais foi a mesma.

Desde quando eu te conheci 
Nunca mais te tirei daqui 
Do meu peito
De que jeito...

A atividade preferida do menino é tomar o brinquedo que a irma tem na mao. Nao interessa se é um ursinho desinteressante, um pedaço de trapo ou uma tampa de caneta. O que interessa é ter o objeto pra si e, pra isso, ele se utiliza dos mais diversos artificios pra chegar ao seu objetivo: monta em cima da menina, puxa o cabelo, chuta, enforca, pisa e empurra. De vez em quando, ele cospe na cabeça dela. Eu sou uma pessoa paciente. Tudo que Buda sabe fui eu que ensinei. Entao, quando escuto a menina berrar, vou flutuando até a sala e aparto a briga calmamente. Quando escuto a menina chorar, vou feito um trem-bala até sala pra salva-la do irmao que, a essa altura, ja arremessou o brinquedo tomado do outro lado do cômodo. Esse processo se repete a cada 3 minutos e meio. Mas vamos pro refrao!

Não está sendo faaaácil
Não está sendo faaaácilllll
Não está sendo fácil viver assim
Você está grudado em miiiiiim

Quando ele nao age capetamente, ele se comporta no modo carência. Ele fala choramingando, pede pra ir pro braço, chora por tudo, grita e faz todo tipo de coisa pra chamar a atençao. Tenho que ser ninja e saber reagir a isso de uma forma na qual ele nao se sinta ignorado (e nao precise fazer analise aos 18 anos durante 50 anos), mas tampouco devo dar grande atençao a ele pra que ele nao repita esses comportamentos cada vez que quiser atençao. 

Geralmente, eu me agacho, tento fazer com que ele olhe nos meus olhos e explico porque ele nao pode matar a irma. Enquanto a conversa rola, ele ja esta tentando alcançar o brinquedo que ela tem na mao. Quando a situaçao se torna extrema, eu pergunto se ele quer ir pro quarto ficar de castigo. Ele avalia a situaçao e responde negativamente. 

Detalhe: fui jantar na casa da Mari e encontrei a filha dela sentada numa almofada na sala, de castigo. Perguntei quantos minutos ela deixava a menina la e ela disse que se deve calcular o tempo do castigo de acordo com a idade do delinquente: se a criança tem um ano, deixa um minuto, se ela tem dois, deixa-se dois minutos e assim por diante. Digamos que eu o castigo como se ele tivesse 20 anos. Sou legal?

Quando tento me divertir 
Nos lugares que eu quero ir 
Você sempre está
De algum jeito estaaaá...

Ha umas semanas, a mae precisou trabalhar em casa e tivemos a oportunidade de discutir sobre o comportamento do guri. Comentei que, na França, os pais dialogam bastante com os filhos, mesmo se eles tem alguns meses de vida, e que, no Brasil, os conflitos geralmente, quando nao sao resolvidos à base do chinelo, sao resolvidos por um "porque eu tou mandando" ou por um "porque sim" impaciente. 

- Chinelo?
- Eh. Os pais batem nos filhos assim. 
- :O
- Eles podem usar as maos, mas geralmente é com a sandalia.
- :OO
- Ou de cinto.
- :OOO

Eu ia dizer que meus primos ja apanharam de flanela molhada e corda, mas tive medo de provocar um enfarto nela. A mulher ja estava suficientemente chocada. Contei alguns causos da minha infância e a conversa foi longa. Falei que meu irmao caçula apanhou bastante por ter sido o mais desobediente e ela quis saber quais as consequências disso. "Sessoes no psicologo aos dez anos". Pra mim, uma baixa auto-estima violenta que desencadeou uma ansiedade e um complexo de inferioridade que acordam e dormem comigo todo dia. 

Falei que, pior que ter apanhado, foi ter sido minada por um pai que nunca perdeu uma oportunidade de gritar e humilhar os filhos (a esposa, o cachorro...), tendo sido ele proprio também vitima de um pai pouco cuidadoso com a educaçao dos seus. Diante de tao infeliz desabafo, pobrezinha de mim, a mae disse que sentia muito por isso, mas que eram esses traumas que me transformaram em quem eu sou hoje e que ela nao sabia o que faria sem mim. Minha gente, eu fiquei tao emocionada! Ela ainda disse, entre outras coisas muito legais, que eu era uma pessoa equilibrada. Eu, equilibrada.

Eu ri.

Elogios assim entram por um ouvido e saem pelo outro, mas eu gostei de escuta-la, tentei nao ignorar o que ela disse, nao assim. No dia seguinte, cheguei pra trabalhar e encontrei um envelope em cima da mesa com meu nome escrito. Abri e encontrei três coisas. Um bilhete: 


Luciana, nohs gostariamos de te agradecer pela tua gentileza e por todo cuidado que tu nos dah! Obrigado também por ser paciente com a gente, mesmo se nao somos sempre gentis! Obrigado por tua disponibilidade. Nohs temos muita sorte de te ter pra cuidar da gente! Muitos beijos! (e os nomes censurados dos dois guris no canto). 

Havia ainda três fotos lindas em preto e branco dos guris. Eu comecei logo a chorar. Depois, chorei ainda mais quando vi a terceira coisa: duas notas de 50 euros. Minha gente, muita emoçao. Se eu soubesse que ela ia tentar compensar meus traumas de infância assim, eu teria dito que apanhava de cabo de aço. 

Eu te encontro em qualquer canção 
Você vive em meu coração 
E eu aceito
Não tem jeito...

Eu nao sei onde vamos parar. O guri ta a cada dia mais carente e eu tou cada vez mais tensa com o comportamento dele, me questionando fortemente a cada decisao tomada, morrendo de medo de deixar que ele se transforme em uma Luci cagona.

Não está sendo fácil 
Não está sendo fácil
Não está sendo fácil viver assim...
Você está grudado em mim



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Solo

La vai.

Eu e meus irmaos crescemos ouvindo, quase que diariamente, que estavamos abaixo intelectualmente das outras pessoas. Ouvindo de quem? Do nosso querido genitor. Eu sempre fui comparada à filha do gerente do banco em que ele trabalha, à filha da vizinha, às minhas primas, às minhas melhores amigas... Todo mundo era mais esperto e mais capaz do que a gente. Essas pessoas faziam Medicina ou Direito e estavam em cargos publicos de salarios exorbitantes. E eu... eu era soh uma aluna de Historia. Uma "vagabunda". Quando você tem 25 anos e escuta coisas desse tipo, você nem mesmo pensa em ouvir o sermao até o fim. Mas quando você tem 12 anos, brother, isso te afeta. E quando esse se torna o mantra do seu pai, ja era. Cresci assim: acreditando que eu nao podia. Me convenceram disso. Me convenceram realmente que eu sou inferior à qualquer criatura. Mas eu escuto, nao raramente, inclusive do meu pai, que eu sou forte. Que eu sou forte por estar aqui na França, por estar numa faculdade no "estrangeiro", por estar enfrentando todos os problemas que a distância da terra natal pode trazer. Mas eu nao levo esse reconhecimento em consideraçao, pelo menos nao ao ponto de ter uma postura mais positiva em relacao às minhas capacidades. Eu nao quero desistir de nada porque isso seria confirmar tudo aquilo que meu pai pensa de mim. Meu complexo de inferioridade, meu medo e minha timidez ainda nao impediram que eu colocasse em pratica as coisas que eu planejo. Mas isso nao quer dizer que eu nao faça essas coisas me cagando de medo. Eu sou chorona, admito. Eu choro muito, eu choro por qualquer coisa. Eh uma forma nada original de escape da qual eu dependo. E eu tento me convencer de que isso nao me faz necessariamente uma pessoa fraca. Eh que eu ando com o coraçao na mao, assim, ao vento. Eh por isso que quando alguém me diz alguma coisa ruim, eu me sinto destruida, mas o efeito inverso vem pra equilibrar minha vida: basta eu escutar algo positivo, qualquer palavra de afeto, e eu me derreto. E, olha, eu gosto de ser assim. Eu pretensiosamente acho que vivo mais que muita gente. Minha vida nao é a mais fantastica, minha rotina se limita à "casa-faculdade-trabalho", mas eu sinto tanto que as vezes fico cansada. E, por algum misterio que eu ignoro, eu consegui reunir ao meu redor, sem perceber, um bom numero de pessoas que sao mais ou menos assim, intensas. Eh isso que torna minha vida, apesar de todos os probleminhas que eu possa ter, florida. Linda. 

O impulso que me levou a escrever esse post, foi um email que acabei de receber, da dona desse blog aqui (e que me fez chorar, claro). Eu nunca vi essa mulher na minha vida! E, de repente, sei la, ela se tornou muito mais compreensiva e preocupada comigo como jamais meu pai sera (e isso nao vem de hoje). E a cadeia de eventos que me ligou à ela (através dos nossos blogs) me ligou também a outras pessoas e, meu deus... Como agradecer a vocês? Na verdade, como celebrar isso tudo, como mostrar meu agradecimento sem ser brega (tarde demais?) ou de forma eficaz? Alias, nao acho que a questao se limita somente à agradecer todas as palavras e comentarios positivos que me chegam. A questao é mesmo "que puta sorte eu tenho por ter essas pessoas". Vou deixar de ser cagona? Dificilmente. Mas da pra respirar mais tranquilamente quando penso que eu sou RYYYYCA em recursos humanos (hihi). As vezes da vontade de engolir o mundo. E eu adoro dividir essas coisas com vocês. Obrigada!  




segunda-feira, 7 de março de 2011

Crazy Creuza


Oi, eu sou uma farsa!


Lembram quando escrevi esse post falando sobre o quanto o guri tava mimado e dificil? Ok, vocês nao lembram. Mas eu escrevi. Pois bem, o guri mudou. Mudou e virou a coisinha mais fofa!, comportada! e inteligente! desse mundo. Ele ja começa a falar e entende tudo o que dizemos a ele (seja em português, seja em francês). Ele vai fazer dois anos e ja caga no sanitario, minha gente. Eh mesmo um prodigio. E ha tempos ja come de garfo! Claro que eu sempre fico esperando que um dia eu o encontre com o garfo enfiado no olho, mas se a mae libera, nao sou eu que vou castrar o garoto. Tou super orgulhosa e curiosa com o desenvolvimento dele. O trabalho de babah acabou se tornando a melhor atividade da semana. Mas...

Mas.

Um professor anunciou, no começo do semestre, que os horarios da sua aula estavam errados e que passariam a ser na sexta-feira, o unico dia que eu tinha pra trabalhar. Ou seja, além de nao poder mais acompanhar o pequeno, eu fiquei desempregada. A rua da amargura me espera. E, como gostamos de situaçoes extremas, Camilo se demitiu também e daqui a alguns dias seremos um casal de desempregados. Nosso objetivo agora é mostrar ao mundo que um casal pode sim viver de amor. Vamos comer carinho no café da manha e amor no almoço. As cinco da tarde faremos um lanchinho de afeto e, à noite, comeremos ternura. Dinheiro pra que, nao é mesmo?

Mas antes do trabalho acabar, a mae do guri perguntou se eu poderia trabalhar como babysitter durante três segundas-feiras seguidas. Eu topei, apesar de ter durante a segunda  dez horas de aula seguidas (com apenas um intervalo de 15min a cada 1:45h de aula). Mas eu precisava de dinheiro e so tomaria conta do guri, a irma dele (de cinco meses) ficaria na casa de uma vizinha (porque eu nunca tomei conta de um bebê tao novinho antes). Soh que, no terceiro e ultimo dia de babysitter, a mae perguntou se eu me garantiria de tomar conta da bebê também. Eu disse que sim, mas somente porque, nessa noite, Camilo iria comigo pra conhecer os pais do guri e me fazer companhia (ja que eu trabalharia até meia-noite).

Tudo certo. 

A mae começa a dar as instruçoes e a explicar os habitos da guria. "Ela nao gosta de ficar no berço e provavelmente soh vai dormir nos seus braços. As vezes, quando a gente tenta coloca-la no berço, quando ela começa a dormir, ela acorda. E acorda cheia de energia". Em outras palavras: você vai segurar sete quilos das 20h à meia-noite, beijos. 

Posso adiantar logo? Foi a pior noite de trabalho da minha vida. Aquele bebê nao é de Deus, minha gente. Assim que a mae saiu, ela começou a chorar e nao-parou-mais. Eu e Camilo colocamos um desenho infantil, esperando que ela se distraisse e deu certo! Deu certo durante sete segundos e meio. Depois de meia hora chorando, ela começou a mastigar um brinquedo e se acalmou durante incriveis 20min. Mas o brinquedo deixou de exercer seu efeito magico sobre ela e o choro voltou. 

Como ela estava sempre nos meus braços, o choro era beeem dentro do meu ouvido. Eu fiz de tudo: falei, sorri, a sacudi, a coloquei no berço, mostrei a ela todos os brinquedos da casa, dancei mas... nada. Nada acalmava aquela menina. Era aquele choro constante e agudo. As 22:30h, quando a mae disse que, provavelmente, ela dormiria, eu a coloquei no berço. Minha nossa senhora. Essa menina começou a chorar de um jeito que... Olha, nem sei explicar. Ela gritou e chorou ainda mais. As veias do pescoço dela saltaram e ela ficou roxa. Os olhos, esbugalhados. Achei que os pulmoes dela fossem voar pela boca. Temendo que ela explodisse, peguei ela de volta, mas ela continuou a chorar. Corri pra Camilo e entreguei o pacote, porque tendências homicidas começaram a nascer em meu ser. 

Luci
As 23h, Camilo começou a assoviar e a dar tapinhas nas costas dela pra que ela arrotasse. A menina parecia um pedreiro arrotando. De repente, ela começou a se calar e eu comecei uma oraçao. Quando Camilo ja nao sentia mais os proprios braços, ela começou a dormir. Eu sentei no sofa completamente perturbada, ainda escutando o choro da menina. Trinta minutos depois, os pais chegaram e ela... acordou. Acordou sorrindo! E eu la, dura. 

A mae perguntou se ela tinha chorado muito e eu narrei a noite (deixando de lado a parte em que eu quis matar a filha dela). Ela pediu desculpa e explicou que Creuza tah acostumada com a mae e que costuma estranhar as pessoas que ela nao conhece. Depois, ela disse que, agora que Creuza me conhecia, seria mais facil nas proximas vezes. Minha senhora, agora que eu conheço a sua filha, nao havera mais proxima vez. Mentira, eu sorri nervoso. 

Depois ela disse "espero que vocês nao estejam traumatizados e ainda pensem em ter filhos he-he-he". Querida, no primeiro ataque de choro dela, eu tentei arrancar meu utero com as unhas! Sério, imaginem isso todo-santo-dia. Deus me livre! A menos que eu tenha certeza de que meu filho sera um bebê Anne Gueddes, nao parirei. E eu bato na primeira que deixar comentario dizendo que eu soh tive uma experiência ruim e que bebês sao fofos! 


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Resultado do jogo (ou do quanto eu odeio a Carol)

Como prometido via tuite, publico as respostas do jogo lançado pela Amanda outro dia. Descobri que vocês acham que eu sou meio abestalhada (o que nao é de todo mentira), ja que a maioria dos chutes de vocês giraram em torno da minha falta de capacidade pra nadar e voar, de um possivel retardo em relaçao à fala e do meu famigerado medo de seminarios na faculdade. Erraram todos! Mwwhahaha! 

1. Eu nao sei nadar (5 votos):
Falso. Olha, eu demorei a aprender a andar (com um ano e dez meses!), a nadar (7 anos?), demorei a andar de bicicleta (8 anos?), a menstruar (15 anos), a dar o primeiro beijo (15, também), a dirigir (23 anos), maaaaas... Eu aprendi a fazer tudo isso. Quer dizer, menos a andar de bicicleta. 

2. Perdi a virgindade aos 16 anos (6 votos):
Falso. Eu sou virgem. 



3. Empurrei propositadamente uma amiga da escada (6 votos):
Super verdadeiro e ela mereceu! E se ela aparecer na minha frente, eu empurro de novo! Vou contar como foi o drama. Eu tinha meus sete anos e estudava numa escolinha do bairro. Um dia, as professoras disseram que um palhaço iria à nossa escola. Eu fiquei louca. Dormia e pensava no palhaço (minha gente, que frase). Eu era expectativa e ansiedade dos pés à cabeça. Na hora do intervalo do dia em que o palhaço iria à escola, eu corri pro portao de entrada e subi numas escadas estreitas que possibilitava à pessoa que estava dentro da escola de ver quem estava na calçada. Mas nada do palhaço. De repente, escuto varias risadas felizes de crianças vindo dos fundos da escola. Era o palhaço que tinha chegado pelos fundos (ui). Virei toda feliz pra descer as escadas, mas com quem eu dou de cara? Com a porra da Carol! Ela me prendeu à parede e ficou dizendo "nao vai ver o palha-çô! Tah pre-sa!" Eu pedi com toda a paciência (mentira) do mundo pra ela me deixar passar. "Nao dei-xô". Entao, delicamente, eu joguei ela escada abaixo. O problema é que ela foi rolando e caiu bem nos pés da nossa professora! Avaliei a situaçao e com muita serenidade, conclui: fudeu. Qual foi a da professora? "Luciana, você esta de castigo e nao vai ver o palhaço".

Morri. 

Olhe, eu ainda SINTO a dor da injustiça correndo em mim. Ou vocês acham que é à toa que eu lembro dessa historia depois de quase vinte anos? Eu fiquei doente de tanta tristeza, imploreeeeei pra nao ficar de castigo, pelo amor de deus, o palhaço, tia, deixa eu ver o palhaço! Nada. Aih fiquei de castigo na sala de aula vendo o palhaço pela janela divertir as pessoas. Inclusive, a otaria da Carol. 

Um PS nada a ver: no ultimo dia em que estive no Brasil (em março desse ano), minha mae me chega muito séria: 

- Luciana, você sabe quem esta viciada em drogas? 
- Quem, mainha?
- Aquela tua amiga Carol.
- Eh? Viciada em que?
- Em maconha, né? Deve ser...

Hahahaha Minha mae é otima. Pra ela a pior droga do mundo é a maconha. Ela mal desconfia que a vida dela teria sido mais tranquila se o marido dela fumasse maconha ao invés de beber... 

4. Marquei um encontro com um cara da internet no ginecologista (6 votos):
Verdade. Eu era uma menina bestinha. Bastava um cara ou uma menina ser legal na internet e eu ja marcava um encontro. Costumava marcar no shopping, mas o tal cara era irmao de um conhecido e a probabilidade dele me raptar, me estuprar e me jogar num poço sem fundo era minima. Entao, fomos no ginecologista. Era meu aniversario. Foi legal. 

5. Fazia aula de jazz (a dança) quando criança (8 votos):
Verdade. Foi na mesma escolinha ja citada. Inclusive, com Carol. A gente tinha uns 6 anos e estavamos ensaiando pra nos apresentarmos. Eu ainda lembro do começo da coreografia. Eu adorava as aulas e fiquei super empolgada com a possibilidade da apresentaçao. Mas... (sempre tem que ter um mas nessa vida) minha mae me enrolou e eu faltei o dia do espetaculo. Hmmm, suspeito: estou começando a fazer uma ligaçao entre os traumas da minha infância e Carol. 

Tai, acho que o problema
 foi que esqueci a capa
6. Pulei do telhado de casa quando pequena (11 votos):
Verdade. Criança abestalhada é assim, né? Fazer o quê. Eu nem posso dizer que foi porque eu vi no desenho animado, porque eu ja era grandinha o suficiente pra saber que seres humanos nao voam. Mas eu achava o maximo essas "traquinagens" de criança suicida. Meu irmao tinha varias e eu queria ter a minha também. Entao, eu pulei. E nao foi tao glamouroso quanto eu pensei que seria. Na verdade, doeu pra caralho. E se eu soubesse que essa historia soh ia me render cinco linhas num blog que eu faria vinte anos depois, eu nao teria pulado.

7. Tinha dificuldades pra pronunciar o R (7 votos):
Falso. Falar é a unica coisa que eu sempre fiz sem dificuldades. Tirei a idéia do caso do meu outro irmao, na verdade, que teve que ir ao fonoaudiologo durante à infância. Ainda lembro da minha mae fazendo ele falar com um lapis embaixo da lingua. Impagavel. 

8. Chorei durante um seminario na faculdade (no Brasil) (9 votos):
Falso. Hohoho Essa eu fiz na maldade. Eh tanto choramingo nesse blog por causa da faculdade que era mais que esperado que vocês achassem que eu chorei numa apresentaçao. Mas nao! Péééém!

09. Na adolescência, paguei pra tirarem o tarot pra mim (6 votos):
Falso. Pô, essa doeu. Seis infelizes acharam que eu gastei meu rico dinheirinho em... Tarot? Os adeptos que me perdoem, mas eu nunca fui tao preocupada com meu futuro à ponto de pagar pra um desconhecido adivinha-lo. 

10. Eu tenho TOC (3 votos): 
Verdadeiro. Hahahaha Tenho, minha gente, EU TENHO TOC! Mas é num nivel super leve. Nada de dar cinco voltas no hidrante da calçada três vezes antes de atravessar a rua. Mas eu nao consigo ficar bem se eu nao fecho até o fim o creme dental. Nao suporto girar a chave na porta pela metade. Na verdade, nao gosto de coisas inacabadas: quadro mal apagado, porta e gaveta mal fechada. Argh! Ah, e também nao piso em tampas na calçada. 

E agora? Quem sera a proxima blogueira a entrar no jogo?

sábado, 23 de outubro de 2010

Vinte e cinco anos de sonho, sangue... e urina

(Post escrito no 22 de Outubro, também conhecido como "ontem").

Um dos irmaos de Camilo ta morando temporariamente na Polônia. Como a familia dele costuma passar os natais juntos, meus sogros ja garantiram as passagens pra congelarem a bunda na Polônia. Mas como eu sou uma pessoa pobre, nao vamos poder viajar com eles. E quando eu digo pobre, é isso: Camilo, ha cinco minutos: "coloquei grana na tua conta porque tu tava com - 15€". Hihi Portanto, resolvemos antecipar nosso encontro natalino passando esta semana na casa dos pais de Camilo, em Chateaubriant, que é de onde eu vos escrevo nesse exato momento. 

Tou toda contente porque, ha umas semanas, conheci uma cantora através de uma amiga. Ela se chama, a cantora, Hindi Zahra. Eh uma marroquina que mora na França e faz um som bem tranquilinho, perfeito pra uma pessoa que anda intranquilinha. Gostei tanto do album dela que fui no seu site oficial procurar por algum show em Lyon. Nem previsao. Mas eis que vejo que teria um show em Chateaubriant esse mês. "Seria muita sorte se fosse bem na semana em que estaremos la". E adivinhem... O show é hoje. Uh!


::

(Narrador da Globo mode on) Tenho vivido aventuras muito loucas desde que saimos de Lyon. Por conta da greve, somente dois de cada três trens estao circulando. Como somos de sorte, nosso trem foi cancelado, mas a bagunça é tao grande, que poderiamos pegar qualquer trem pra qualquer lugar da França desde que, claro, houvesse vaga nele. 

Planejamos um Lyon - Paris e depois Paris - Rennes (que fica perto de Chateaubriant). Deu certo. Chegamos em Paris e pegamos um metrô (pra irmos à estaçao de onde partiria o segundo trem). No metrô, fui abordada por uma mulher com um mapa na mao: "da pra você me indicar aqui onde fica a linha 6?". Eu odeio dar informaçao. Nao porque nao goste de ajudar o proximo, ja que minha formaçao catolica nao permite tal pecado. Mas porque

eu-nao-consigo. 

Eu entro numa especie de minipânico e acabo sempre dando a informaçao errada, tipo: tou subindo no ônibus, indo pro centro. Nego chega junto: "vai pro centro?" e eu respondo "nao" e ainda sorrio. Nao é maldade, é abestalhamento mesmo. Entao, prefiro dizer que nao sei antes mesmo de ouvir a pergunta, ainda mais se a informaçao tem que ser passada em outra lingua, sobre uma cidade que eu nem conheço! Soh que a mulher perguntou a todas as pessoas do metrô onde diabos estava a linha 6. Finalmente, ela disse: "é porque tou escrevendo um romance e queria saber a reaçao das pessoas à minha pergunta". A reaçao de todas as pessoas foi a mesma. Se eu soubesse, teria feito uma mimica.

Uns minutos depois, o metrô foi parado devido a um pacote suspeito na estaçao em que desceriamos. Em Lyon aconteceu o mesmo essa semana. Olha, se eu fosse um terrorista, ficaria muito chateado com essa banalizaçao dos pacotes suspeitos. Um dia, ninguém mais vai dar crédito ao pacote abandonado no canto do metrô (e nesse dia, eu nao quero estar por perto, porque vai ser justamente esse que vai fazer catapum). 

Seja como for, chegamos ao nosso destino. Tou muito satisfeita de ter uma semana de férias pela frente, mesmo se eu sei que devo estudar durante esse periodo. Aproveitei hoje pra dormir até tarde, descansar bastante. Mas acho que exagerei na relaxada: hoje eu fiz xixi na cama. 

(Pausa).

O meu tem funcionado
bem, obrigada
Tou falando sério, minha gente. Eu-fiz-xixi-na-cama. E pior: eu nao tenho dois anos de idade. Eu sonhei que eu queria fazer cocô, na verdade, mas como eu nao conseguia, fui consultar minha querida mae que me aconselhou: "quando você for a um banheiro, você vai conseguir" - até entao eu tava tentando cagar sei la onde. Entao, fui ao banheiro e... "Que porra é essa que eu tou fazen..? Ah, meu deus, mas o qu...?! Puta que pariu!". Acordei assim, divina. 


- Amor!
- zzZZZzzz... Hum...
- Eu fiz xixi na cama.
- E foi?
- Foi...
- Coisa linda!

O caba tem que ta mermo muito apaixonado pra chamar de linda uma pessoa que mija na calcinha aos 25 anos. Enfim. Ja vinha suspeitando de que eu nao estava numa boa fase da minha vida. Preciso de um psicologo. E de fraldas. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Mainha é brother!

(...) Outra coisa, nunca deixe de mandar notícias apenas pelo fato delas não serem boas. Por razões obvias, é claro que eu gosto de receber boas notícias, mas que mãe seria eu se não ouvisse também os seus dissabores? Saiba que, apesar da distância, o meu cabeção tá sempre aí com vocês dois.Tá ligada? kkk

Espero que esteja melhor do catarro (é, minha gente, eu tive catarro).Tome vitamina C, pois o inverno se aproxima e o que você menos precisa agora é de ficar dodoi. Filhos não deveriam se afastar tanto assim da mãe. Dá um espécie de "impotência materna" nessas horas. Procura se recuperar e procurar um médico, se necessário. Eu também tive gripada por esses dias, mas já tô bem de novo. Seu papai tá de licença por quinze dias, pois se machucou em Fortaleza nos jogos da Caixa. Como se não bastasse, os bancos vão entrar em greve nessa próxima quarta-feira. Coitadinha de mim! Tá vendo minha filha, como tem coisas piores do que assistir aulas em francês sem entender? kkkkk

Ficar longe de você é uma delas.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Chega de maças!


Gente, resolvi participar, depois de encerrado, do 4o concurso de blogueiras promovido pela Lola. Nao gosto muito da idéia de "concurso", porque isso me da a sensaçao de competição e eu sou daquelas que prefere nao jogar com medo de nao ganhar, pela pressão etc. Mas a idéia defendida pela Lola, é que os blogs sejam divulgados e que as pessoas possam se conhecer. E, como eu conheci muito blog legal através dos concursos anteriores, resolvi participar deste sem maiores frescuras. O concurso foi dividido em três partes e, caso eu entre, sera somente na terceira, mas vocês ja podem ler e votar pra primeira etapa. Entao, um, dois, três, la vai: A origem do meu feminismo.

::

Estava eu lendo um livro à sombra de uma arvore quando, de repente, uma jaca caiu na minha cabeça. Aquele caso curioso provocou em mim um lampejo de auto-observação e, depois de assistir a um rápido filme que se passava pela minha cabeça sobre minha vida, me veio uma revelação extraordinária: "eu sou feminista!" - talvez o caso se torne ainda mais insolito pelo fato de que a arvore era uma macieira. Mas isso nao importa. O que importa é que minha vida mudou a partir dali. 

Ok, as coisas nao aconteceram assim. Na verdade, o processo foi menos romântico e levou mais tempo do que eu gostaria. Ironicamente, me tornei feminista graças a convivência com machistas. Afinal, leitor, sabe você o que significa crescer num dos estados mais machistas do Brasil? Pois eu vou te contar o que é. 

Meus pais nasceram em Campina Grande, interior da Paraíba e, meus avos, nasceram num interior ainda mais interior - tao interior que eu nem sei aonde fica. Nao fui um primor de inteligência, nem dispunha de um senso critico aguçado: sempre fui muito feliz com minhas Barbies, os carrinhos de bebês e as vassourinhas de brinquedo. Também aproveitei bem das "brincadeiras de menino" por ter dois irmaos. Era a única menina na minha escola que sabia fazer uma pipa ou lançar um peão sem perder um olho. Mas nossa irma nasceu e, como eu já tinha nove anos de idade, poderia me ocupar, além das tarefas domésticas, das fraldas cagadas da pequena. Questionada pela razao daquela injustiça, minha mae respondia com naturalidade e inocência: "porque você é mulher. Ou você quer que seus irmaos limpem a bunda da sua irma?" (Bom, na verdade, eu queria). "Prefiro que você lave os pratos, porque seus irmaos nao sabem fazer direito". Eh que se podia ler nos meus cromossomos algo como "Born to be dishwasher". 

Eu, como uma lady que sou, esperneava e gritava. Nao adiantava: centenas de anos de tradiçao estavam contra mim. Minha boa mae, que tinha aquele machismo cravado na pele, nem se dava conta do que estava falando quando dizia que eu deveria aprender a cozinhar porque, do contrario, no dia em que eu casasse, o marido morreria de fome. Meu irmão tinha liberdade pra dizer que ia dormir na casa da namorada. Se eu fizesse o mesmo, eu nao teria os 24 dentes na boca. Meu pai disse que ia escolher meus namorados. Minha mae dizia que falar palavrao nao ficava bem em uma mulher. Um inferno.

A vida de certas amigas igualmente me davam arrepio. Tinha aquela que fechava os livros, em plena época de vestibular, pra fazer o jantar do irmão (que ficava na sala com as pernas pro ar, gritando a fome e devolvendo o prato de comida caso este nao estivesse bom o suficiente pro seu paladar). E aquela outra que me revelou que nao iria perder a virgindade antes do casamento porque nao saberia com que cara olharia pro pai quando chegasse em casa. Ora, cara de quem deu, ué.

Anos depois, conheci o amado e resolvemos nos casar por meras questoes burocraticas (facilitar minha entrada e estadia no pais em que ele nasceu). O casamento era coisa simples (casei de jeans e All Star), mas minha avoh, temendo pela minha honra, me preveniu pra tirar fotos com o juiz, do contrario, eu ficaria mal falada, as pessoas iam pensar que eu tinha apenas me amancebado*. E contou historias de meninas do interior que, nao podendo casar como gostariam, se vestiam de noivas e tiravam fotos pra mostrar a sociedade que mereciam respeito. E nao ha nada pior pra uma mulher que a perda de seu himen sua honra. Minha prima, por exemplo, antes de casar, foi obrigada pelo meu tio a ir no ginecologista pra comprovar sua virgindade. 

*Viver como casada sem o ser

Eh natural que meus pais tenham reproduzido a educação machista que receberam da sociedade e dos meus avos. Por isso, me indago sobre o que me levou a me distanciar da cultura machista da minha família, do meu estado, do meu pais. O que faltou pra prima que cresceu comigo tornar-se feminista? Qual foi o momento que permitiu que eu tivesse esse comportamento quase fobico em relação ao machismo? Sinceramente, soh tenho uma explicação plausivel: foi a jaca. 

Talvez

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