Mostrando postagens com marcador festas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador festas. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de fevereiro de 2014

So faltou o Rodrigo

Nunca tivemos problemas quanto à uma falta de convidados nas nossas festas. Somos nove moradores na teoria, mas doze na pratica. Entao, uma festinha com os amigos proximos, beira facilmente a centena. Por isso, com o passar dos anos e a popularidade de algumas festas, nos vimos obrigados a desenvolver certas praticas que pudessem proporcionar a loucura geral dos convidados e a tranquilidade dos vizinhos. Falhamos miseravelmente. Pelo menos quanto à segunda parte.

As primeiras festinhas tinham todo um cheiro de inocência. Cada criança trazia sua garrafa de alcool, um tira-gosto (96,5% das escolhas giram em torno de amendoins borrachudos, mas 100% dos amendoins sao devorados antes das 2h da manha) e dois ou três coleguinhas. Eles chegavam, bebiam, vomitavam e iam embora. Tranquilo. Mas as festas foram ficando mais conhecidas e começamos a nos adaptar à nova demanda: de umas três festas pra cah, começamos a disponibilizar barris de cerveja, muros de som, um dormitorio pros guerreiros (esvaziamos um grande quarto da casa e cobrimos o chao de colchoes), uma recepçao, um fumodromo com musica e alguns metros de pizza feitas num forno à lenha. Resultado: na festa do sabado, eramos quase 300. 


Aqui qué a festa?

Em festas assim, as pessoas nunca chegam em pequenos grupos, elas chegam em caravanas. De carro, metrô, jegue, bicicleta. Vi um grupo saindo de um bueiro. Eu, particularmente, sempre peço pros meus convidados trazerem amigos pra que eles nao se sintam deslocados caso eu saia de mim va dançar. Mas tem gente que nao sabe ponderar. Uma convidada, que trouxe metade da festa, foi logo se justificando na entrada: "Me disseram que era pra trazer os amigos". Quando eu vi a quantidade de pessoas que ela trouxe, quis explicar que era pra trazer os amigos mais proximos e nao todas as pessoas que ela ja conheceu na vida. A avoh dela ficou la no sofa, com um Malibu na mao. O professor de fisica do ensino médio foi dançar com a vizinha dela. O evento foi compartilhado no Feici. As pessoas ligavam chamando os amigos. "Traz todo mundo", ouvi um dizer ao telefone. Entao, a cada dez minutos, viamos uma horda ensandecida chegar e se enraizar na nossa sala. Para a ocasiao, veio gente de Marselha, veio gente de Paris. A meia-noite, eramos bastante numerosos e meus colocs ainda nao tinham se decidido se aquilo era algo a se comemorar. Encontrei um antigo coloc, mas no momento em que começamos a conversar, um grupo que pedia passagem o levou para longe e nunca mais tivemos noticias dele.

A festa se concentrava em quatro pontos: o fumodromo, a frente da casa, a sala e o subsolo. Este ultimo era o local mais procurado, ja que sediava o bar e os djs. Desci com dois amigos pra ouvir um pouco de musica, mas logo fomos engolidos pela fumaça que saia da maquina de gelo seco e, em três segundos, eu ja tava pegando na mao de pessoas que eu nao conhecia. Eu nao sabia onde meus amigos estavam. Eu nao sabia onde eu estava. Fiquei vagando sem rumo e trombando nas pessoas que brotavam na minha frente. Elas tinham uma cara tao perdida quanto a minha. Uma menina se jogou em cima de mim, me pegou pela gola e me pediu pra tira-la dali. O problema é que algum coloc de inteligência muito desenvolvida ligou a maquina e a escondeu atras de um sofa pra ninguém tropeçar nela, mas ninguém sabia exatamente em qual tomada ela estava ligada e atras de qual sofa. Taticas de guerra foram prontamente colocadas em pratica e vi um coloc se rastejar em direçao ao ponto mais denso de fumaça e desaparecer nas brumas. Mais uma grande perda. A maquina soh parou de fazer fumaça quando o conteudo se esgotou. Foi nesse momento que nos demos conta de que eramos bem mais numerosos do que pensavamos. Metade da festa foi descoberta e os reencontros foram felizes.

No fumodromo, uma menina fez uma entrada fenomenal usando um casaco de pele, herança da avoh. No instante em que bati os olhos no casaco dela, imaginei todas as cenas catastróficas possíveis e, antecipando o pior, fui preveni-la: "você é muito corajosa de vir a uma festa assim. Você nao tem medo que alguém derrube bebida em cima do seu casaco?" e ela, com ar superior, respondeu que "nao. Eu nao me importo. Eu nao gosto de me vestir de acordo com a ocasião, gosto de ser original... pra fazer esporte, ir às compras ou ir pras festas...". Meu lado cruzeta aflorou e eu tive vontade de jogar minha cerveja naquela merda de casaco e avisar que ser original é chegar nu.

Os problemas de superlotação logo apareceram. A casa tem dois banheiros, um no andar de baixo, outro no andar de cima, mas bloqueamos o acesso às escadas que levam ao primeiro andar (porque também dao acesso aos quartos) com um colchao de espuma. Puro luxo. O resultado é que a fila do banheiro saia da casa, seguia pela calçada e dava três voltas no quarteirao. Monique chegou em mim, carinha desolada: "eu segurei tanto meu xixi na fila que, mesmo agora depois de ter ido ao banheiro, minha bexiga ainda ta doendo". Tive doh. Aquela quantidade de gente tava insuportavel, entao, nao era nem 1h da manha quando decidi ir embora. Mas fui em grande estilo: subi em cima do sofa, dei um mosh na multidao e fui conduzida até a saida.

Voltei no dia seguinte, no final da tarde, rezando pra que a faxina ja tivesse sido feita. Nao tinha. Mas a casa estava inteira. A festa durou até as 9h. A cerveja acabou à 1h da manha (900 copos de cerveja consumidos), entao, os colocs empurraram pros convidados as velhas garrafas de alcool que sobram a cada festa que fazemos, aquelas que os convidados compram à 5 euros e que ninguém quer beber. Pois bem. Beberam. E ainda pagaram por isso.



Um coloc explicou porque odiou tanto a festa. Disse que, enquanto ele dormia, um casal entrou de fininho no quarto, se apoderou da cama do colega de quarto ausente e "copulou". Sim, ele usou essa palavra. Nao, ele nao tem 126 anos. A avoh da menina, que ainda se encontrava no sofa, riu do termo. "Eh trepar, meu filho. Trepar".

Uma convidada tropeçou no colchao enquanto descia as escadas e saiu bolando ladeira abaixo. Abriu o queixo, foi pro hospital às 4h da manha. O bar produziu 600 euros, mas acho que, depois de terem pago dj, caixas de som e cerveja, nao deve ter sobrado muita coisa. Também soube que um vizinho chegou às 8h da manha pedindo clemência. Disse que os vizinhos estavam cansados do barulho, mas que eles tem medo da gente entao, ninguém disse nada, nem quiseram chamar a policia. Olha, tudo bem que meu bairro parece o Bronx (gente fuzilada, carro queimado), mas é tudo exagero. Somos legais. O problema é que minha rua é uma rua de velhos de mente velha, entao preconceito rola solto. Outro dia, uma senhora chegou no emprego de um coloc (que fica no final da rua) e perguntou se as vans que ficam na frente da nossa casa, sao vans de prostitutas. Realizem. Nao sei se ela estava interessada em se candidatar à uma vaga, mas dispersamos os rumores.

Mas a proxima festinha taih: dia 15 de fevereiro, cumbia e cerveja. Vocês estao todos convidados, toda a internet. Tragam os amigos, caso eu saia da festa. Ou de mim.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Espalhando fluidos ou o primeiro post de 2012

Antes de tudo: feliz 2012, leitores queridos do meu coraçao! Queria agradecer todas as mensagens desejentas de amor, paz e saude que vocês deixaram, mas da proxima vez, desejem dinheiro. Obrigada.

Nesse exato momento, Camiloulou e eu estamos em Roma. Resolvemos passar o Reveillon aqui. Ta sendo bem legal, tudo é muito curioso. Assim que chegamos, fomos ao supermercado. Vimos alguns gladiadores fazendo compras, tinha alguns imperadores levando seus cachorros pra passear... Também ja visitamos alguns monumentos importantes, mas ainda falta muito pra ver.

Demos muita sorte e ficaremos alguns dias no apartamento de uma amiga de Camilo. O apartamento, nesse momento, esta vazio, mas na noite em que chegamos (30/dez), uma das colocs da amiga de Camilo estava aqui. O quarto da amiga de Camilo é super legal, mas a porta é meio problematica. Eh uma porta de correr de madeira bem pesada que emperra o tempo todo e faz o maior barulho quando mexemos nela, o que me garantiu um certo problema: como a dieta exige que eu beba, no minimo, 1,5l de agua por dia, vivo visitando o banheiro de madrugada. 

Primeira ida ao banheiro da madrugada: levanto da cama completamente desnorteada, tento abrir a porta do quarto pra sair, mas tudo o que consigo é fazer com que ela ranja violentamente. Com medo de acordar a coloc da amiga de Camilo, resolvi tentar sair pelo pequeno espaço aberto. Fiquei de lado, sequei a barriga, parei de respirar e, enquanto passava, coloquei a lingua pra fora num movimento involuntario e acabei lambendo o vao da porta. Olha, sei nao. O importante é que eu consegui sair do quarto e que agora eu conheço o gosto do imobiliario romano. 

Mijei e voltei pro quarto (na volta, guardei bem a lingua na boca).

Até os 26 anos, eu espero
Segunda ida ao banheiro da madrugada: nao houve, mijei na cama mesmo. "Nao, Luci, você so pode estar brincando. De novo?! Você nao tem vergonha nao?". Vergonha eu tenho, o que eu nao tenho é controle sobre essa bexiga. Ha dois anos, foi na cama do cunhado. Tou começando a achar que minha uretra tem algum problema pessoal contra mim. Uretra, querida, a gente poderia resolver nossas diferenças de outra maneira. O que você acha? Porque é meio deprimente saber que a criança de dois anos e meio que eu cuido mija menos na cama do que eu.

Na verdade, pra minha sorte (ou pra sorte da dona da cama, nao sei), eu consegui levantar antes de despejar o xixi na cama e a grossa calça que eu usava pra dormir absorveu tudo. Daih que foi super legal lavar calça mijada as 5h da manha. Entao, no dia em que eu for dormir na casa de vocês (se é que alguém vai querer, diante do meu historico), podem providenciar lençois e fraldas. Pampers é moh legal. A medida é + 26, se liguem. 

E foi assim, em grande estilo, que me despedi de 2011.
2012: veinimim!


domingo, 25 de dezembro de 2011

A chorada, a mamada e o ultimo post do ano

Camiloulou e eu estamos, ha uma semana, na casa dos pais dele passando parte das nossas férias. Eu pretendia aproveitar esses dias pra ver filmes, estudar pra ultima prova do semestre, ler bastante e dormir, mas os dias foram passando, ja estamos a um dia de voltar pra Lyon e até agora eu nao fiz nada do que pretendia. Eu procrastino até pra vagabundar, minha gente.

Apesar de, eu tou super contente. Gente, tem como nao ser feliz numa época em que tudo gira em torno de dar e receber presentes? Consumir e gastar? (Agora vocês estao em duvida se eu estou sendo irônica ou nao - e eu nao estou). No Natal da casa dos pais de Camilo, a tradiçao da troca de presentes, pra minha felicidade, reina. Fico super empolgada nao so com meus presentes, mas com o dos outros. Por isso, tratei cedo de garantir os presentes de Camilo, bem como os da familia dele. Mas qual foi minha surpresa, quando Camilo admitiu, sem nenhuma vergonha na cara, com a maior naturalidade do mundo, um dia antes de viajarmos pra ca, que nao havia me comprado nada. 

Gente.

Meu sangue parou de correr. Eu fiquei me perguntando se a frase "eu nao comprei nada pra tu" poderia ter outro significado. Eu fiquei esperando que ele dissesse "brincadeirinha, sua boba!". Mas nao. Ele tava bem sério e "nao comprei nada pra tu" realmente significava que Luci nao ia ter presente de Natal. Logo ela que havia comprado uma lembrancinha para todos. Logo ela que acredita que somente através da troca de presentes é que se pode demonstrar sua consideraçao pelo proximo. Houve um pequeno momento de tensao (que durou 12h) entre nohs dois. Desconfio que minha decepçao deve ter tocado o coraçao de Camilo porque, incrivelmente, nao sei por qual razao, ele foi ao centro da cidade no dia seguinte, assim que o sol nasceu.

Chantagem emocional, trabalhamos.  :)

Ja em Chateaubriant, decidimos ir ao Emmaus, mas era dia de Natal e a porcaria da loja estava fechada. Fico indignada com esse povo que nao trabalha em feriado. Francamente! No entanto, fomos a uma outra loja do gênero chamada Noz, que infelizmente, nao existe em Lyon. Meu povo, essa loja é tipo o paraiso na terra dos consumistas pobres. Eh uma loja de quinquilharia que vende desde chave de fenda à patê de figado de ganso, tudo a preços modicos. E quando falo de "preço modico", estou falando de meia-calça à 2,50€ (quando em qualquer loja de Lyon custa 20€).

Quanto à qualidade? E quem se importa com qualidade quando se pode comprar uma luva de pata de urso à 1€? Eu tinha meu cartao numa mao e uma cestinha na outra. Entrei naquele galpao e sai pescando tudo o que meu cérebro reconhecia como de necessidade vital: meia, anel, linha de costura, pinça, cinzeiro, chaveiro, muleta, mascara de leao, bengala, adesivo do Shrek, extintor, pano de chao, bocal de lâmpada, martelo, cueca, coador.

Mentira, peguei nada disso.

Quer dizer, pegar, eu peguei, mas eu sou uma mulher comedida e tirei a bengala e a muleta do carrinho. E todo o resto. Na verdade, eu soh levei cinco pares de meia (cada um a 1,30€), sete aneis feios (que, apesar da feiura, agora tem dedos para chamarem de seus, mas somente porque me custaram 0,95€ cada) e um pacote com dez linhas de costura. Eu nem sei costurar, mas o pacote era tao colorido! E custava somente 0,50€. Vai que um dia eu precise costurar algo. Alias, esse dia ja apareceu. Vai que um dia eu aprenda a costurar algo.

Depois das compras, fomos pra casa preparar a ceia de Natal. Achei que seria dificil seguir minha dieta na casa dos outros, mas a familia de Camilo ta me dando o maior apoio, sempre que vao cozinhar me perguntam sobre o que eu posso comer ou nao. Cunhado chegou mesmo a preparar meu mojito sem açucar. Nao, eu nao posso beber alcool durante o regime, mas eu liguei o foda-se e tomei umas cinco doses de Rhum ontem. Acho que isso contribuiu pra minha noite estranha. Porque sempre tem que ter uma palhaçada quando eu vou dormir na casa dos pais de Camilo. Da ultima vez, eu mijei na cama. Dessa vez, acordei no meio da noite pra fazer xixi, mas nao consegui abrir a porta. Tentei tantas vezes! E quando ja estava prestes a mijar de novo nas calças, acordei e me encontrei de quatro ao pé da parede tentando abri-la. Quando me dei conta de que estava tentando atravessar a parede, despertei e, bom... me senti um pouco ridicula. O importante é que consegui levar minha bexiga cheia até o banheiro.

Camilo acertou em cheio nos presentes (viu, amor, como é facil me agradar?). A familia de Camilo acertou em cheio nos presentes. Mas nada comparado ao que veio no dia seguinte: a mae de Camilo me pergunta se eu tenho algum tipo de alergia à brincos ou colares. Respondi que nao. Eis que ela me surge do quarto com meia duzia de brincos de prata e estes dois colares:



Quase caih pra tras quando vi que eram pra mim. Desculpa, gente, tou me sentindo meio idiota em ser tao exibida, hihi mas eu pirei muito nesses colares. Foram presentes de amigos comprados em algum buraco da Africa cujos fechos provocavam alergia na minha sogra. Pra minha tamanha sorte. Valeu, coceira de pescoço da sogra! Colares do gênero sao coisas que eu amo, mas que minha situaçao financeira nao pode dar conta, afinal, sou uma menina Noz. Uma menina Noz que vai terminar o 2011 cheia de presentes. Afinal, pra que serve o Natal?


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Entao, nao é Natal...

Ontem tivemos nossa ceia de Natal. Ok, eu sei que é um pouco cedo para as  confraternizacoes natalinas, mas 05 de dezembro era o unico dia em que todos os colocs estariam em Lyon, so... 

So que a pobrezinha da Luci, coitada dela, muito provavelmente nao poderia confraternizar, gastronomicamente falando, com seus amiguinhos. Eu teria que fazer sozinha minha propria ceia. Foram dias isolada na minha imensa biblioteca culinaria composta por três livros. Dolorosas duvidas acerca de qual receita escolher. Como sobremesa, escolhi algo totalmente original: uma Boûche de Noël ("tora" ou "lenha" de Natal, segundo Wikipedia). 


Ca-la-ro que essa boûche nao veio da minha cozinha. A minha ficou mais parecendo um Graveto de Natal. Mas olha, eu fiquei tao feliz em fazê-la, vocês nao imaginam! Eu tenho sido um fracasso no preparo de sobremesas desde que comecei esse regime. Ou vocês pensam que é facil fazer sobremesa sem açucar? Tentem. Dificilmente eu consigo acertar na dose ou na escolha dos adoçantes recomendados nas receitas, o que me garante sobremesas sem gosto. Cuspi no prato a ultima torta de limao que fiz. 

Entao, coloquei todas as minhas esperanças na realizaçao dessa receita. E, com muito orgulho, admito que ela nao ficou ruim. Veja, eu nao disse que ficou boa. Mas ela estah bastante comestivel. Um amigo provou e disse que parecia uma esponja. Fiquei ofendida, mas depois de ter lido o artigo do Wikipedia sobre o que seria uma "Boûche de Noël", mudei de opiniao: A combinação mais comum é um básico bolo-esponja amarelo, congelado e recheado com chocolate e creme de manteiga. Bolo-esponja. Viram? Nao passei tao longe do que eu deveria ter feito. 

O que tem cor de esponja, gosto de esponja e nao é uma esponja?

Comecei a falar da sobremesa, mas o que fiz primeiro foi a entrada. A receita escolhida foi Bouchées de concombre aux oeufs de lump. Ou seja, pepino com ova de peixe. Nao parece apetitoso? Escolhi porque a foto era bonita. Obti sucesso total! Vejam a foto do livro de receitas: 


Agora, vejam as que eu fiz:


Convenhamos, nao ficou lindo? Veja bem, eu nao disse que ficou bom. Mas trata-se de uma receita muito elaborada, dificilima de fazer: abre-se um buraco num pepino, entala ele de queijo e enfeita com ovinho de peixe - que, diga-se de passagem, eu acho um nojo. Mas o que importa é que, com 4kg de carne, comemos feito porcos e passamos uma noite feliz. 


Luci, em pleno processo de criaçao









Notem a nossa bela arvore de Natal colada na parede. Criaçao (super) original da menina de faixa no cabelo.




sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Jogos mortais

Sinta o perigo

Camilo tem um casal de amigos que parte segunda-feira para fazer uma viagem de bicicleta de seis meses na Asia. Inveja define. Eu tenho deixado de ir às festas e encontros dos amigos de faculdade de Camilo, porque sempre me sinto um peixe fora d'agua: eles estao sempre tratando de assuntos pessoais/internos dos quais eu nao tenho a menor possibilidade de participar. Mas ontem, meus amiguinhos, eu estava com uma particular vontade de beber e, como estou de férias essa semana, fui à festa de despedida que eles deram ontem numa praça aqui de Lyon. 

Bebo ha mais de uma década (sou xovem) e ainda nao aprendi que barriga vazia e alcool nao sao amigos. Ha mais de oito horas sem comer, comecei a noite com uma inocente lata de cerveja, mas quando vi que na praça nao havia banheiro publico, resolvi me poupar das mijadas nas calças calçadas e passei logo pro vinho. O primeiro copo me deixou feliz. O segundo copo me deixou radiante. O terceiro copo me deixou bêbada. 

Algumas praças de Lyon nao tem nada além de terra, o que faz a alegria dos jogadores de pétanque (em português, o feio "petanca"). Esse é um esporte muito popular na França e é ela que leva quase todos os prêmios nos jogos mundiais. Nos campings franceses sempre tem uma quadra (?) de pétanque e três entre três velhinhos franceses a jogam. Mas nao somente os idosos: na praça de ontem, por exemplo, havia pelo menos quatro grupos de jovens jogando pétanque. Eu estava em um deles. 

Pra resumir o funcionamento do jogo: cada jogador tem bolas metalicas que devem ser arremessadas, diante de uma linha demarcada no chao, em uma bolinha de madeira que se encontra disposta no campo. Os pontos sao dados aos jogadores de acordo com a proximidade de suas bolas junto à bolinha. Sei que o jogo pode parecer entediante, mas... ele é. 

Como eu nao tinha muito pra fazer, fui com um copo de vinho numa mao e uma bola na outra jogar uma partida com Camilo e dois amigos. A unica vez que joguei pétanque ja data de dois anos e, como eu queria impressionar, eu me concentrava bastante antes de jogar as bolas. Algumas caiam bem longe da bolinha, mas numa jogada, eu cheguei até mesmo a conseguir afastar da bolinha uma das bolas do adversario. Viva eu! 

Quando comecei a arremessar as bolas a cinco quilômetros da praça, comecei a desconfiar de que eu havia bebido demais. A certeza veio logo em seguida. Peguei uma bola, arremessei e simplesmente... fui junto com ela. Nao sei o que houve, mas quando percebi, la estava eu no ar. Se eu tivesse aberto os braços, eu teria planado pela praça. Comentario de Camilo essa manha: "Luci, tu deve ser a unica pessoa na Terra que teve a façanha de cair num jogo onde a gente joga parado". "Eh como cair jogando xadrez".

Minha gente, é muita humilhaçao. 

Vestimenta altamente recomendavel
para o jogo de pétanque
Pois quem nunca caiu parado que atire a primeira bola de pétanque pra ver. Eh um jogo perigoso! Vocês sabiam que as bolas tem mais de meio quilo? Pois é, pois é, pois é. No que isso influencia minha queda? Nada. Mas imaginem uma pessoa bêbada arremessando bolas de meio quilo. Eh um jogo perigoso! Eu tava com um vestido cinza escuro que a terra branca fez mudar de cor. O sangue escorreu do joelho. Otimo é quando as pessoas perguntam se você esta bem. Claro que é por educaçao e agradeço muito, obrigada, mas a vontade de responder é "fora o mico, o sangue, a dor e o vestido? Tou otima". 

Mesmo depois da palhaçada, quando o alcool acabou, pedi a Camilo pra irmos ao bar da frente. Ele nao quis, mas uma singela ameaça de morte o fez mudar de ideia. Esse é meu jeitinho. A partir daih, eu tenho alguns flashes da noite. Camilo sempre me ajudando a reconstitui-la. Fomos pra um outro bar, um cara ficou dando em cima de Camilo. Eu disse ao cara que eu nao era ciumenta e ele disse que eu deveria ser. Er... Ok. Depois "tu enchesse o saco pra que a gente fosse comer". Coitada de mim, eram duas da manha. 

A volta pra casa foi aquela maravilha. Voltamos de Velov. Mas nao tinha possibilidade de eu cair, minha gente, porque havia duas pistas. As vezes até três, imaginem vocês. Chegamos em casa sao e salvos e, se vocês querem saber, fora o mico, o sangue, a dor e o vestido, eu tou otima.




quarta-feira, 1 de junho de 2011

A fuga das galinhas

Agora, somos uma grande coloc de onze. Como eu disse no post passado, o presente de aniversario de uma coloc foram três galinhas. Ela adora fazer bolos e doces e acho que ter ovos frescos deve significar muito pra ela - mas essa é minha explicaçao sobre o fato. Entao, quando as galinhas chegaram, sabado passado, improvisamos um galinheiro entre o forno à lenha e a estufa. Eu nunca vi pessoas tao empolgadas com galinhas, pareciam crianças. "Olha, ela abriu as asas!", "olha, ela ta ciscando!", "olha, ela ta comendo o milho". Eh, caralho, olha, ela ta agindo feito uma galinha! Puta merda. O pessoal observava as galinhas e eu observava o pessoal. 

Eu desconheço a relaçao dos meus leitores com galinhas, mas pra mim estas nao representam um bicho estranho. Minha avoh paterna, quando sabia que iamos visita-la, sempre comprava uma ou duas galinhas pro almoço. Mas vovoh era roots. Ela poderia muito bem comprar um frango congelado no supermercado. Mas nao, vamos ser diferentes: ela comprava uma galinha viva na feira, a degolava (um parênteses: ver uma galinha semi-degolada cacarejando é uma das cenas mais bizarras que eu tenho da minha infância), depois a escaldava, a depenava e a esquartejava. E a gente comia esse negocio. 


Josette, Lucette e Bernadette. Nao necessariamente nessa ordem.

Nao tenho pena no pescoço. So linda?

Depois de cinquenta minutos de admiraçao, o pessoal da casa finalmente se dispersou pra curtir a festa que tava começando a rolar. A festa foi otima! Foi a primeira que fizemos no jardim, com direito à pizza no forno e churrasco. Como sempre acontece, misturei todas as bebidas que encontrei pela frente e, apesar de nao ter ficado muito bêbada, tive uma feliz ressaca que me fez pensar que eu ia ter dor de cabeça até o aniversario do proximo ano.

Daih, acordo no dia seguinte com aquela cara de quem morreu e esqueceram de enterrar e desço com Camilo pra dar uma primeira geral na casa. O chao da casa pregava, tinha garrafa de alcool por todo lado, piola de cigarro pelo chao, caixa de som estourada, salgadinho pra todo lado, enfim, a visao do caos. Eh quando a campainha toca anunciando a visita surpresa de quem? Dos meus patroes.

Gente.

Eu estava decrépita. Eu era uma mistura de mendiga com zumbi. Cabelo despenteado, cara amassada e halito de alcool. A casa tava mais apresentavel. Obviamente que evitei que eles entrassem nela, entao conduzi os pais pelo jardim. Lembram? O jardim bonito que eu descrevi aqui? De repente, como se nao bastasse, passa uma galinha correndo pela gente. Sim, uma das dettes tinha fugido. Eu nao sabia se eu fingia que nao tinha uma galinha preta correndo pelo meu jardim ou se eu procurava identifica-la e apresenta-la formalmente à mae do guri. 

Antes que eu pudesse me decidir, a avoh do guri, que também veio, abriu as pernas, os braços, se posicionou como goleiro e ficou esperando a galinha. Todas as atençoes se voltaram pra ela. A galinha entao parou, refletiu e deve ter concluido que conseguiria romper a barreira humana da voh, porque ela recomeçou a correr loucamente. Felizmente, a mulher conseguiu segurar a galinha e o fez com tamanha segurança, que eu conclui que ela foi goleira fazendeira em outra vida. Ela disse que deveriamos cortar as penas das asas das galinhas pra que elas nao voltassem a fugir. Anotado.

As galinhas sao da inglesa, mas a pessoa mais empolgada é o socio de Camilo. Camilo diz que ele vai na varanda umas quatro vezes por dia dar uma olhada nas galinhas, depois verifica se elas ja puseram ovos. Eu nao me surpreenderia se o encontrasse um dia dormindo no galinheiro. Hoje, ele entrou pela sala super empolgado anunciando que umas das dettes tinha colocado dois ovos. "Oitenta gramas!" Ah, eu me divirto! 




sábado, 28 de maio de 2011

04. Do que é diferente - Fête des voisins

Na ultima semana de cada mês de maio, a França comemora a Festa dos vizinhos. A idéia surgiu em 1999 com o proposito de estimular as relacoes entre os moradores dos bairros. Eu nunca tinha ouvido falar na festa até um dos meus colocs resolver organizar uma aqui em casa, ontem. Pro caso francês, isso é fantastico, porque as pessoas aqui nao moram, se escondem. No Brasil, eu pensaria mais numa campanha pra que os vizinhos nao participassem tanto da vida alheia.

"Bom dia, eu sou o babaca do quinto andar!"
"Oi, eu sou a puta do terceiro!"
Apesar de existir ha pouco tempo, a festa parece ser bem popular. Meu coloc foi na sub-prefeitura e pegou o material que ela disponibiliza pra festa: cartazes, baloes, convites, camisas e adesivos pra colar na blusa onde os vizinhos escrevem seus nomes pra facilitar o reconhecimento durante a festa. 

Eu moro ha quase dois anos aqui e o unico rosto de vizinho que eu conheço é o da vizinha da frente, e somente porque ela sai de casa pra fazer feira no mesmo momento em que saimos. Mas desconheço os moradores de toda a rua - que consistem basicamente em velhos solitarios e ranzinzas. A vizinha do lado, um amor de pessoa, ameaça denunciar a gente por uma construçao que fizemos sem permissao da prefeitura. Nao, a construçao nao foi no jardim dela, foi no nosso, mas ela nao gostou e pronto. 

A perdiçao das crianças. E a minha
Pra festa, pensei em fazer um prato brasileiro, algo bem elaborado. Entao, fiz brigadeiro. Foi dificil. Mas dificil mesmo foi explicar às pessoas que aquela sobremesa nao tinha nada além de leite condensado como ingrediente. Eh que francês nao curte muito doce. O leite condensado daqui, por exemplo, é diferente, é menos doce! 

Mas o primeiro desafio da festa foi o de convencer as pessoas a participarem dela. Depositamos convites nas caixas de correspondência, mas como a vizinha da frente é especial, uma coloc foi falar com ela pessoalmente na vespera da festa e a convidou pra conhecer nosso jardim. Minha gente, que desgraça. Nosso jardim é a ultima coisa apresentavel desse mundo. Temos um bom espaço na area externa da casa onde cada coloc poe em pratica seus projetos: temos uma estufa onde plantamos tomate; a construçao da discordia, ja citada, em madeira, pra guardar nossas bicicletas; temos um forno à lenha; um grande espaço pro composto e, em breve, teremos um... galinheiro.


Pessoas de boca cheia 


Da esquerda pra direita, vos apresento: torta de chocolate, quiche, brigadeiros, cerejas,  purê de lentilhas, mais torta, paes e pessoas sem importância ao fundo


Vizinho faminto e eu 

 Mas tudo isso é assunto pra um outro post. O que importa neste é que, pra fazer o fogo do forno à lenha, precisamos de que, amiguinhos? De leeenha. Entao, o pessoal passou a juntar todos os restos de madeira e pau que viam pela frente e o resultado é que parece que toda a madeira do universo se encontra no nosso jardim: resto de cadeira, tabua de mesa, galho de arvore, bau, sequoia etc. O monte de galho fica bem na entrada do bêco que da acesso aos fundos da casa, e sempre que eu passo por la, eu prendo meu vestido, minha saia... Eh perigoso se aproximar, ja perdemos dois gatos, uma criança e um vizinho que tentaram passar por essa area. Eles tao la até hoje se debatendo.

Eh sério.

A vizinha, quando viu nosso jardim, ficou impressionada com nossas plantaçoes, mas quando viu o tanto de madeira amontoada disse chocada "mais ça fait un peu de bordel quand même!" que em traduçao livre (livre de certeza) quer dizer "puta que pariu, que bagunça do carai". Inclusive, acho que ela nao veio pra festa com medo de ficar engalhada.

Como nao recebemos confirmaçao de nenhum vizinho, ficou aquela tensao no ar se teriamos uma festa de vizinhos sem vizinhos. Pouco a pouco, as pessoas foram chegando. A primeira, foi uma vizinha ja conhecida que é freguesa da nossa lojinha - temos uma micro-loja na garagem de produtos bio em processo de desenvolvimento: igualmente assunto pra outro post. Ela veio com a familia. Depois chegou um velhinho solitario que encheu a cara e contou a historia da nossa rua. Finalmente, chegaram mais duas familias. Uma delas era composta por um guri que tocava violao e uma menina que tocava flauta. O guri conseguia dedilhar alguma coisa sem fazer o ouvido doer, mas a menina... Aplaudi por educaçao, mas a vontade mesmo era arremessa-la no monte de galhos. A flauta dela e meus pensamentos:

- Fi-foooom fiii-foooom!
- Eu podia ta roubando. Eu podia ta matando.
- FI-FOOM FI-FOMM...
- Mas nao... Estou aqui escutando essa...
- Fiiiiiiiii... Fooooooommm...
- ...pessoa. 

Quando ela acabou, eu fui a primeira a aplaudir: aplaudi o silêncio.

Mas a festa foi otima! Nao serviu muito pra mim no proposito de conhecê-los, ja que eu sigo sem saber o nome das pessoas ou a casa onde eles moram. Mas é bom guardar boas relaçoes com os vizinhos, dificilmente estes vao chamar a policia quando das nossas festinhas barulhentas.

Por falar nisso... hoje é o meu aniversario! *dancinha

Taih, nao curto envelhecer, mas esse é o unico dia em que eu sou babada e mimada ao extremo, entao, aproveito! O dia nem acabou e ja foi lindo! Fomos a um restaurante indiano na parte antiga da cidade (Vieux Lyon). Depois compramos uma cerveja e fomos dar uma voltinha. Vieux Lyon é a parte mais turistica da cidade e hoje tava tendo uma feira onde as pessoas da organizacao estavam vestidas em trajes medievais. Louco! Tinha uma tenda com tiro ao alvo onde a arma era uma besta. Lembrando que a besta da qual eu tou falando é mais parecido com isso,


do que com isso:

    
E por falar em animais (tou parecendo o wikipedia e seus hyperlinks), as galinhas acabaram de chegar! Acreditem ou nao, elas sao presente de aniversario de uma das colocs. Ela faz aniversario amanha, entao, faremos uma festinha hoje aqui em casa. Por conta disso, vou me recolher aos meus aposentos e descansar um pouco pra estar disposta hoje à noite.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Lyon: o xodo da Virgem Maria

Sim, você nao errou de blog: o caso.me.esqueçam estah atualizado. Afinal, eu nao poderia deixar de escrever sobre a festa mais conhecida de Lyon, que ocorreu essa semana: a Fête des Lumières ou Festa das Luzes. A historia que da origem à Festa é bem razoavel: em 1643, a cidade foi assolada por uma peste que foi combatida pela... Virgem Maria. Como as pessoas tem certeza disso eu nao sei, mas a partir dai o povo presta homenagens à Virgem. Até alguns anos, era muito comum que as pessoas colocassem velinhas acesas nas suas janelas no 8 de dezembro*, dia da santa. A mulher livra a cidade da peste e ganha velas acesas. Francamente. Se fosse eu, mandava matar to-do-mun-do. 

O que importa é que, nos anos 80, o governo municipal transformou essa tradiçao em dinheiro e, todo ano, a Festa é comemorada em dezembro. Videos sao projetados nos edificios mais importantes da cidade, como as Prefeituras (cada bairro tem a sua) e as catedrais. Cada esquina da cidade, que ja é lindamente iluminada, recebe novas cores, luzes e gente, muita gente: nos quatro dias de festa 4 milhoes de pessoas saem às ruas de Lyon (lembrando que a grande Lyon tem um milhao e meio de pessoas). O resultado é esse aih:


Hôtel de Ville


Place des Jacobins


Gros Caillou de la Croix Rousse


Todo ano, eu espero ansiosa por essa festa que me faz lembrar minha chegada na França (que aconteceu uns dias antes da Festa de 2008). Entao, as lembranças sao muito boas. A cidade se transforma, os espetaculos sao impressionantes (pirotecnia, dança, musica) e o melhor de tudo: vinho quente. Eh, eu sei que nesse calor brasileiro é dificil entender o sentido de se tomar um vinho quente, mas quando suas orelhas ja estao no ponto de cair por causa do frio, a bebida é bem vinda.

Mas esse ano a Festa me decepcionou um pouco. No primeiro dia, fui com Camilo e um amigo ver um espetaculo numa praça. Morta de fome, parei no Kebab montado especialmente para a festa. O vendedor tinha cara de cozinheiro de navio pesqueiro, soh faltava a tatuagem de âncora no braço, mas ele tinha uma boina. E todo cozinheiro de navio pesqueiro que se preze tem uma boina. Mas isso é, como vocês podem imaginar, uma teoria minha. 

Eu pedi um kebab de frango, apesar de nao estar vendo frango, soh uma massa meio branca sendo remexida numa chapa. Entao, o marinheiro colocou essa... mistura... dentro do meu pao e me deu.  E era isso: aquela gosma borbulhante, que me custou CINCO euros, era frango. Olhei com certa desconfiança praquilo (que nao tinha forma de frango, nao tinha cor de frango e, como eu veria saber em seguida, nao tinha gosto de frango, mas que era frango) e comi. A primeira mordida, foi também a ultima: digamos que a carne tinha um gosto muito particular. Especial mesmo, eu diria. Com certeza, esse frango veio de alguma ilha desconhecida do Pacifico, em que o navio do vendedor topou por aih, onde as galinhas sao invertebradas e se  locomovem atraves de impulso interno. Nao da pra mim.

No segundo dia, fui sozinha à Festa porque Camilo foi à trabalho pro Gabao, fato que esta tornando minha semana um pouco solitaria (Cocô, volta!). Mas aproveitei a oportunidade pra tirar algumas fotos da cidade - fotos um pouco introspectivas, mas...  


Place Bellecour


Rue de la Republique


Quai du Rhône


Quai du Rhône


Foto de uma chama? Parc de la Tête d'Or


Quai du Rhône


Quai du Rhône

Apesar da Festa nao ter me empolgado como nos outros anos, aconselho fortemente àquele que tiver planos de vir à Lyon no inverno, de planejar a viagem de acordo com o calendario da Festa. E de nao dar mais que 1,50€ num copo de vinho quente. E, sobretudo, jamais, jamais pedir um Kebab à pessoas que usam boina. 


*As pessoas ainda colocam as tais velinhas nas janelas, mas a tradiçao ta se acabando aos poucos. Seguindo o destino de toda tradiçao...

Fonte das três primeiras fotos: Lyon Photos

domingo, 26 de setembro de 2010

Figo de uma figa!

Camilo mostrou toda sua indignaçao pra mim, outro dia, apos ter lido esse post. "Mimimi, eu nao sou desastrado, mimimi, eu sou azarado". Aih, me chega hoje com cara de bezerro desmamado.

Eu: - O que foi, amor?
BD: - Caramba, eu soh faço merda.
Eu: - La vem...
BD: - Quebrei o pote com a geléia de figo que Cecilia havia feito.

Mas quando eu falo que é desastrado...*

::

Diana partiu, mas no lugar dela, restou outra mexicana, Victoria. Eh o quarto mexicano que passa pela casa. Em todos os quatro pude notar uma certa semelhança que vai além da fisica: mexicanos sabem fazer barulho. Hoje, Victoria preparou uma pequena festa aqui em casa com seus amigos da faculdade. Passei a tarde toda escutando "shot! shot! shot! shot!" e musica de mariachi. No começo da noite, a menina começa a gritar debaixo da minha janela. Fiquei emocionada, achei que fosse uma serenata em minha homenagem. Camilo foi verificar do que se tratava e a viu no chao, deitada, aos prantos, gritando "pinche figo!" O causo: escorregou num figo e arrombou o joelho que ja tinha passado por duas cirurgias nos ligamentos. As frutas de hoje estao cada vez mais perigosas.  O Samu foi chamado, ela foi pro hospital e passa bem.

::

Ainda em tempo:

1. Camilo leu o post e tah aqui dando chilique, exigindo justiça: tu distorce tudo! Eu cheguei pra tu e disse 'acho que tu tem razao, eu sou mesmo desastrado' justamente pra nao ouvir 'eu nao avisei?'. Justiça seja feita, amor!

2. Enquanto eu escrevia o paragrafo anterior, Camilo vira pra mim, meio indignado, meio desconfiado e pergunta: e o que é um bezerro?

Coisa linda!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paris (e seus gays)



Passamos o ultimo fim de semana em Paris aproveitando que Camilo deveria trabalhar na capitá na sexta-feira e a passagem, claro, é paga pela empresa. Por coincidência, tivemos a oportunidade de ver a Gay Pride e um show de Caetano Veloso. De qualquer forma, Paris sempre vale a pena. Eh o tipo do lugar inesgotavel, que sempre vai oferecer alguma coisa interessante, não tem como se cansar da cidade, simplesmente não tem como, mesmo com suas bizarrices (ja ja chego la).

Na sexta-feira, depois da pelada do Brasil contra Portugal, corri pra estação pra pegar o trem. Ficamos no modo vinho barato, numa praça qualquer. No sabado, show de jazz no Parc Floral com os amigos brasileiros. Me dei conta que meus unicos amigos na França moram em Paris. Mas é melhor não reclamar, poderia ser pior: meus amigos poderiam morar no Brasil. Ai.

Parc Floral


Yo!


Dedo revoltado

A essa altura, o alcool ja estava cumprindo com sua obrigação. Eu estava tranquila na cerveja, feliz, sem problemas. Então, o dono do dedo revoltado, Benzina, me entrega uma garrafa de vinho. Agora, uma pausa: ainda em Lyon, enquanto eu estava fazendo minha mochila, duvidei em colocar meu vestido branco porque, claro, conheço bem minha coordenação motora quando estou bêbada. "Vou com uma roupa escura, porque sei que vou beber vinho e sei que vou derramar o vinho na roupa". Mas eu sou tão teimosa, que eu discordo até de mim mesma. E o que foi que aconteceu, meus amigos? Coloquei o vestido branco na mochila e, no sabado, derrubei vinho tinto nele, claro. Eu acho é pouco.

Felizes e saltitantes (e manchados de vinho), fomos à Place de la Bastille pra dar um oi à Gay Pride e um xau à Bel, que partiria no dia seguinte numa temporada em Portugal.



Os meninos com cara de desconfiados
(soh durou trinta segundos)


Eu, Lindinho e Benzina, embalado por Gloria Gaynor


Pra quem pensa que anjo não tem sexo



Nice!

Vocês não imaginam o quanto uma hetero pode ficar saltitante numa parada gay


Ou imaginam...

Talvez

Related Posts with Thumbnails