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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Da arte de enrolar seus leitores - fotos recuperadas

Quando estavamos perto de completar um ano juntos, o computador de Camilo sofreu um derrame e perdemos tudo o que havia nele e coisas que soh havia nele, como todas as fotos dos ultimos cinco anos da minha vida. Passei três dias chorandinho e cada lembrança de foto perdida fazia meu luto ficar ainda mais negro. Semana passada, ao revirar umas caixas antigas, Camilo descobriu, por acaso, algumas fotos que ele havia revelado no Brasil. Entre elas, umas raridades: as primeiras fotos que tiramos juntos. Hihi Vou postar parte da leva encontrada aqui. Assim, se a casa pegar fogo um dia...





Eles nao sabiam que iriam dividir o aluguel um dia

Eles nao sabiam muitas coisas

 Essa sou eu: 13kg mais magra e a indefectivel cara de poucos amigos



Igreja do Carmo - Joao Pessoa 

Rio Sanhaua - Joao Pessoa

Igreja de Sao Pedro Gonçalves - Joao Pessoa



 Casa grande - Areia - PB

 A primeira foto que vi de Lyon

Arvore solitaria em alguma parte do mundo

 E um Jesus ainda mais solitario...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5 ml

Quando Camilo se demitiu do emprego, ele ganhou dos colegas, além de uma inutil maquina de fazer capuccino, um par de ingressos pra um famoso festival de Lyon, o Nuits de Fourvière. Ja falei dele aqui. Fiquei toda pimposa com o regalo, porque entre as atraçoes tinha uma banda que gostamos muito, o Dub Incorporation

Apesar de saber que iriamos viajar cedissimo no dia seguinte, ao meio-dia, estavamos afim de encher a cara, entao preparamos uma preciosa mistura de vodka e suquinho de laranja numa garrafa e rumamos pro show. "Eu sei que a gente nunca vai ficar bêbado com essa garrafinha, mas no show a gente continua a beber outra coisa", profecisei. 

Conselho: nunca subestime o poder do alcool.

Quando a garrafa terminou, eu ja tava sorridente. O festival se passa num dos lugares mais charmosos de Lyon, o teatro galo-romano. Como chegamos tarde, acabamos pegando um lugar péssimo pra quem tava afim de beber: longe do banheiro e do bar. Assim que o show começou, exatamente no horario indicado no ingresso, fui comprar vinho. Pra compensar a ida, comprei logo três copos. Como eles estavam muito cheios, dei umas bebericadinhas inocentes em cada copo pra que eles nao derramassem. Antes de eu voltar aos nossos lugares, três viraram dois. 

O show tava lotado, eu nao achava mais nossos lugares. Parei no alto da escadaria pra procurar Camilo. Passei os olhos minuciosamente em cada fileira da platéia. Vi gente gorda, magra, branca, preta, anao, traveco, ET, criança, cachorro e zumbi. So nao vi Camilo. Beberiquei mais um tequinho, procurei mais, me impacientei, quis desistir, beberiquei, procurei, procurei mais, beberiquei, me impacientei, bebi, bebi e nada de Camilo. Quando dois ja tavam virando um, vi um homem desesperado sacudindo um cachecol vermelho. 

Continuei subindo as escadas, dei uma volta fenomenal por tras das fileiras pra evitar o mar de gente e, quando finalmente entreguei o copo a Camilo, tive vontade de fazer xixi. Tomei o que tinha restado do meu vinho e fui ao banheiro. Pra compensar a ida, comprei mais três copos de vinho e voltei pro show. 

Show nesse teatro é mesmo um espetaculo, coisa diferente de tudo que ja vi. Curto quem ta no palco, mas passo a maior parte do tempo admirando o publico. Milhares de maos levantadas numa coreografia harmoniosa, o eco das vozes amplificado pela arquitetura do lugar. E eu no meio disso tudo. E eu no meio disso tudo, morrendo de vontade de fazer xixi outra vez. "Vou la antes que piore". Vocês conhecem aqueles comentarios que as pessoas fazem quando vao falar do "defeito" fisico de alguém? Por exemplo, um narigudo: "eita, que essa pessoa passou três vezes na fila do nariz!"? Pois bem. Quando Deus foi distribuir as bexigas, ja nao havia mais nenhuma na minha vez mas, bondoso como Ele é, me disse

- Luciana, eu vou te dar essa bexiga de passarinho.
- Que historia é essa, Deus?
- Luciana, eu escrevo certo por linhas tortas.
- Parabéns. Mas eu quero uma bexiga hu-ma-na.
- Desce.

Aih eu nasci.

Vinte e seis anos depois, la estava eu indo ao banheiro. Comecei a andar bem rapido porque senti que o negocio ia piorar em alguns segundos. Quanto mais eu me aproximava do banheiro, mais eu sentia vontade de mijar. A cada passo, o xixi ia aumentado e a bexiga ia diminuindo. Comecei a correr. Nao foi boa idéia. Parei. Tentei andar de pernas cruzadas e nao vou nem descrever o quanto fiquei ridicula tentando fazer isso. Vi o banheiro. Esperança. Nao tinha fila. Corri, peguei na maçaneta da porta e… fiz xixi nas calças. 

Essa é minha vida, Brazeel. 

Nunca saberei quanto tempo passei sentada naquele vaso tentando secar uma calça jeans com papel higiênico, mas digamos que a primeira banda acabou assim que voltei pro meu lugar. Acho que nao comprei mais vinho quando voltei, mas ha controvérsias. A atraçao seguinte era Tiken Jah. Queria descrever o show dele, mas nao lembro bem o que aconteceu. Mas eu tava feliz, apesar de.

Camilo me lembrou no dia seguinte que eu derrubei cinza de cigarro na cabeça da mulher que tava sentada na minha frente (sem querer) e que eu ficava colocando chifre na cabeça dela com a mao. Pelo visto, nao passei nenhuma vez pela fila da maturidade. Logo em seguida, antes do show acabar, "tu levantasse de repente e falasse 'amor, tou muito bêbada, quero ir embora'". E a gente foi. Como vocês podem ver, o show foi muito bom! 



domingo, 10 de abril de 2011

Um exemplo de perspicacia

Aconteceu uma coisa tao ridicula hoje que vale a pena postar de novo. 

Pra ir à universidade, eu pego um metrô no sentido contrario à ela pra depois pegar o tramway que me levara a faculdade. Esse percurso é feito em uma boa meia hora (com o plus do tramway estar sempre lotado). Mas eu sempre soube que havia um outro caminho pra universidade que passava por dentro do parque Parilly, que fica a cinco minutos da minha casa, onde eu gastaria somente 15 minutos indo de bicicleta, mas eu estava sem bicicleta desde setembro, entao, ignorei essa opçao. Soh que um dos caras que mora comigo, me disponibilizou uma bicicleta (que provavelmente eu comprarei, pois esta à venda) entao hoje, como eu fui correr no parque, resolvi dar uma olhada no novo caminho pra ir à universidade. Camilo me explicou qual caminho eu deveria pegar pra atravessar o parque, mas ele nao sabia me indicar a segunda parte do caminho, uma vez que eu estivesse fora do parque.



Fiz o percurso de sempre na corrida e cheguei no limite do Parque. Pensei "ok, soh falta conhecer agora o resto do caminho" (que eu faria no dia seguinte, com a bicicleta). Eu ja estava me virando pra voltar pra casa quando me deparei com uma placa indicando "Université Lyon 2" e uma setinha pra direita. Minha gente, de repente, a universidade brotou do chao e apareceu na minha frente! Ela estava ALI o tempo todo! Eu morava a 15 min da porra da universidade e nao sabia. Eu passei seis meses pegando dois transportes, um deles lotado, todo-santo-dia, quando bastava eu atravessar o parque! Olha, eu ri. Mas nao é modo de falar. Eu ri muito na calçada. Porque agora, ao invés de passar pelo tormento descrito, eu vou de bicicleta pra universidade, nesse tempo lindo que ta fazendo, vou ver o parque todo dia e ainda ganhar preciosos minutos de sono. Mas que foi ridiculo, foi.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Lyon: o xodo da Virgem Maria

Sim, você nao errou de blog: o caso.me.esqueçam estah atualizado. Afinal, eu nao poderia deixar de escrever sobre a festa mais conhecida de Lyon, que ocorreu essa semana: a Fête des Lumières ou Festa das Luzes. A historia que da origem à Festa é bem razoavel: em 1643, a cidade foi assolada por uma peste que foi combatida pela... Virgem Maria. Como as pessoas tem certeza disso eu nao sei, mas a partir dai o povo presta homenagens à Virgem. Até alguns anos, era muito comum que as pessoas colocassem velinhas acesas nas suas janelas no 8 de dezembro*, dia da santa. A mulher livra a cidade da peste e ganha velas acesas. Francamente. Se fosse eu, mandava matar to-do-mun-do. 

O que importa é que, nos anos 80, o governo municipal transformou essa tradiçao em dinheiro e, todo ano, a Festa é comemorada em dezembro. Videos sao projetados nos edificios mais importantes da cidade, como as Prefeituras (cada bairro tem a sua) e as catedrais. Cada esquina da cidade, que ja é lindamente iluminada, recebe novas cores, luzes e gente, muita gente: nos quatro dias de festa 4 milhoes de pessoas saem às ruas de Lyon (lembrando que a grande Lyon tem um milhao e meio de pessoas). O resultado é esse aih:


Hôtel de Ville


Place des Jacobins


Gros Caillou de la Croix Rousse


Todo ano, eu espero ansiosa por essa festa que me faz lembrar minha chegada na França (que aconteceu uns dias antes da Festa de 2008). Entao, as lembranças sao muito boas. A cidade se transforma, os espetaculos sao impressionantes (pirotecnia, dança, musica) e o melhor de tudo: vinho quente. Eh, eu sei que nesse calor brasileiro é dificil entender o sentido de se tomar um vinho quente, mas quando suas orelhas ja estao no ponto de cair por causa do frio, a bebida é bem vinda.

Mas esse ano a Festa me decepcionou um pouco. No primeiro dia, fui com Camilo e um amigo ver um espetaculo numa praça. Morta de fome, parei no Kebab montado especialmente para a festa. O vendedor tinha cara de cozinheiro de navio pesqueiro, soh faltava a tatuagem de âncora no braço, mas ele tinha uma boina. E todo cozinheiro de navio pesqueiro que se preze tem uma boina. Mas isso é, como vocês podem imaginar, uma teoria minha. 

Eu pedi um kebab de frango, apesar de nao estar vendo frango, soh uma massa meio branca sendo remexida numa chapa. Entao, o marinheiro colocou essa... mistura... dentro do meu pao e me deu.  E era isso: aquela gosma borbulhante, que me custou CINCO euros, era frango. Olhei com certa desconfiança praquilo (que nao tinha forma de frango, nao tinha cor de frango e, como eu veria saber em seguida, nao tinha gosto de frango, mas que era frango) e comi. A primeira mordida, foi também a ultima: digamos que a carne tinha um gosto muito particular. Especial mesmo, eu diria. Com certeza, esse frango veio de alguma ilha desconhecida do Pacifico, em que o navio do vendedor topou por aih, onde as galinhas sao invertebradas e se  locomovem atraves de impulso interno. Nao da pra mim.

No segundo dia, fui sozinha à Festa porque Camilo foi à trabalho pro Gabao, fato que esta tornando minha semana um pouco solitaria (Cocô, volta!). Mas aproveitei a oportunidade pra tirar algumas fotos da cidade - fotos um pouco introspectivas, mas...  


Place Bellecour


Rue de la Republique


Quai du Rhône


Quai du Rhône


Foto de uma chama? Parc de la Tête d'Or


Quai du Rhône


Quai du Rhône

Apesar da Festa nao ter me empolgado como nos outros anos, aconselho fortemente àquele que tiver planos de vir à Lyon no inverno, de planejar a viagem de acordo com o calendario da Festa. E de nao dar mais que 1,50€ num copo de vinho quente. E, sobretudo, jamais, jamais pedir um Kebab à pessoas que usam boina. 


*As pessoas ainda colocam as tais velinhas nas janelas, mas a tradiçao ta se acabando aos poucos. Seguindo o destino de toda tradiçao...

Fonte das três primeiras fotos: Lyon Photos

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Alguém tem que ceder


Pra quem nao sabe, a França esta em polvorosa por causa de um projeto do Petit Nicolas que pretende elevar a idade pra se aposentar de 60 pra 62 anos e de 65 a 67 pra se ter uma pensao completa. Ha dois anos, Camilo estava me explicando como funcionam as regalias sociais que os franceses tem como remédio de graça, consultas médicas a preços acessiveis, ajuda pra moradia etc. Perguntei como a França tinha tanto dinheiro pra dar conta disso tudo. "Nao tem. A França vai quebrar dentro de alguns anos". 

Agora o Governo ta tentando tapar o buraco em cima dos trabalhadores.  O desespero é grande. O incentivo governamental pros casais franceses terem filhos é enorme. O que mais se vê na rua é bebê e mulher gravida, porque o pais precisa de gente pra trabalhar pra manter os aposentados, mas por enquanto que esse povo nao cresce...

Dai que nos ultimos dias, o pais ta mergulhado em greve e Lyon no caos. Carros foram incendiados, nego foi preso, vitrines quebradas, depredaçao, roubo de lojas, bombas de gas lacrimogênio, enfim, aquela merda toda no meio da rua. Os transportes publicos funcionando uma hora sim, outra nao (levei mais de uma hora hoje pra voltar pra casa. Usei o metro, o tramway, a bicicleta e, finalmente, fiz o percurso final, à pé). Nao tive aula nem ontem, nem hoje (por isso as atualizaçoes no blog!): universidade fechada pra que os alunos possam participar da greve.

Aih você vê as fotos do pessoal responsavel pela destruiçao e nota que eles nao tem porra nenhuma a ver com a greve. Da uma pena do pessoal que tah se mobilizando a favor dela. Enfim, eu nao sei em que pais eu vou me aposentar, entao esse assunto nao me é tao caro quanto o é pros franceses, por isso nao meto meu bico. Mas ontem tava conversando com uma arabe na parada de ônibus sobre o assunto e ela estava revoltada dizendo que ela nao pode ver o marido trabalhando até quase os 70 anos como pedreiro (porque vocês sabem que trabalho de estrangeiro em pais rico é braçal), que "Sarkozy tah procurando merda e ele vai achar". Por enquanto, torçamos pra que esse homem se aposente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As exploraçoes começa

O dia de ontem soh nao foi mais estressante porque soh durou 24h. Acordei de madrugada (6:40h) e, cheia de preguiça, fui pro meu primeiro dia de aula na faculdade. Desde que soube que fui aprovada, em julho, ignorei o fato de eu nao saber falar francês direito, fingi que esse seria mais um dos tantos momentos tranquilos da minha vida na França, que tudo daria certo.

Nao deu.

Eu era toda nervosismo. Tomei meu café da manha, tomei meu banho e tentei controlar meus pensamentos pra nao deixar um rastro de cocô de casa até a sala de aula. A unica coisa que me deixava tranquila, era o fato de que eu entendo francês. Mas até isso tiraram de mim!

A primeira aula de ontem foi de Historia Moderna I. As pessoas sacaram seus computadores e cadernos e começaram a escrever loucamente tudo o que o professor dizia. Eu, claro, quis fazer o mesmo: eu escrevia tudo o que eu entendia (ou seja, metade das coisas) mas como nao era rapida o suficiente mesmo pra escrever o que eu entendia, metade das frases que eu entendi ficou pela metade. Tcharam! Sinceramente, achei que eu tivesse arrasando, porque eu tinha quase uma folha completa escrita, mas quando fui lê-la, me deparei com coisas desse tipo:

"A cirurgia progressa. As descobertas e exploraçoes começa. As religioes sao conservadores. Tudo é vontade de Deus. Isso justifica todas as inegalidades sociais, mas no 19o ha o desenvolvimento do pensamento. (...) Os judeus se integram a essa pratica. (...) O pensamento é legal".

Gente.

Isso é anotaçao de quem ja fez faculdade? Traduçoes ao pé da letra, falta de concordância, falta de sentido (os judeus se integram a essa pratica. Que pratica, meu deus?!). O pensamento é legal. Realmente. Mais legal ainda é escrever certo. Mas tudo bem, continuei fingindo que tudo estava correndo bem (até quando o professor fazia piada e eu soh entendia que era piada quando as pessoas riam).

O cara citou o Brasil umas quatro vezes durante a aula. Falou de uma faculdade, dos bandeirantes, do futebol, de Copacabana e depois, que ja tinha dado aula la "em francês". No intervalo, levantei e fui choramingar junto a ele, tirar minhas duvidas e explicar que eu era brasileira e que...

- BRASILEIRA! Ah! Que maravilha! "Ftscdoe glsrpei"? :D
- Eh o que, homi?! Hum rum! (Interpretei essa frase bizarra como sendo "tudo bem?" e confirmei com um sorriso amarelo).
- Ah, mas você fala muito bem!
- Obrigada, professor, mas ta sendo dificil, é justamente sobre isso que eu queria fal...
- Ah, mas você é de onde?
- Joao Pessoa.
- Onde?
- Perto de Recife. Eu g...
- Aaaaaahhh! Que legal!
- Entao, professor, eu gostaria de...
- Ah, entao você mora perto de Olinda!
- Mizera, deixa eu falar.

Minha gente, eu soh queria perguntar onde eu poderia encontrar os textos. Acabei falando sobre o Brasil e sai sem nenhuma resposta! Ele soh disse que eu teria que me juntar com algum grupo pra fazer um trabalho oral (mais uma da série "Frases que nao podem ser retiradas de contexto"). Eh fogo! Eu ODEIO trabalho em grupo. Odeio! De todo o meu coraçao! Ainda mais nessa situaçao, em que vou ter que pedir pra ser aceita em algum grupo, porque, claro, depois de dois anos de curso*, todo mundo ja tem seus amiguinhos e seus grupinhos.

*Pra quem nao entendeu: eu ja sou formada em Historia pela UFPB, entao, por possuir esse diploma, fui diretamente pro terceiro e ultimo ano do curso de Historia na Lyon 2.

Eu ja tinha ha tempos desistido de fazer anotaçoes quando a aula acabou. Proximo round: Iniciaçao à Pesquisa em Historia Moderna, ministrada por um professor com voz de adolescente. Sabe quando os guri de 12 anos começam a trocar a voz E A FALAR assim, meio alTO E MEIO BAixo e totalMENTE TOsco? Pronto. Vi uma aula de Historia em diferentes frequências. Fantastico. La pela metade da aula (depois dele ter passado um trabalho em dupla, pro meu sofrimento), ele nos deu um papel com a reproduçao de um documento, como o da foto, escrito no século XVIII. "Agora, decifrem": era aula de Paleografia. Eu ri, né. Ri porque, vejam bem: eu passo quatro horas tomando no meu cu pelo fato de eu nao entender o que esta sendo dito pelos professores. Daih, chega um cara com um documento ilegivel do século XVIII e diz que eu devo transcrevê-lo. Eu nem sei ler o francês contemporâneo! Mas tudo bem, fingi que sabia tudo e, pra minha surpresa, o documento tinha muito mais sentido que minhas anotaçoes da outra aula.

Novamente, fui choramingar dizendo que eu era estrangeira e que precisava de ajuda. Ele disse que eu falava muito bem francês e o professor de hoje disse o mesmo. Foi aih que notei uma coisa: quando eu chego pra alguém mostrando dificuldade (por causa da lingua), as pessoas automaticamente elogiam meu francês tentando levantar minha moral. Quando eu me apresento como brasileira, sem comentar nada além disso, ninguém se manifesta. Utilizando isso como tatica, ja consegui ser liberada de duas apresentaçoes orais. Hihi (e nao quero saber de quem vai dizer que isso nao é bom pra mim. Se eu soubesse que nao corro o risco de ter um ataque cardiaco durante uma apresentaçao pra 40 pessoas, eu a faria).  

Finalmente, sai meio que em estado de choque da universidade. Fui encontrar Diana: era o ultimo dia dela na França. Resumindo lindamente essa segunda parte do dia: fomos deixa-la na estaçao, segurei o choro e, na volta pra casa, fui andando devagar pra nao balançar demais e explodir em lagrimas (coisa que soh fiz quando cheguei em casa). Agora, acabou. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Praga

A viagem à Praga, pra mim, nao foi tao marcante quanto a de Berlim, mas posso dizer que Praga é a cidade mais bonita que ja vi. Pra onde se olha, ha alguma coisa bonita a ser vista, é impressionante. Os prédios, as pontes, os parques, os jardins... as tchecas - nunca vi tanta mulher gostosa! Mas o que você mais vai ver em Praga, amiguinho, é turista. Aos milhares. Por isso, se você for à Praga, muita atençao aos pick pockets. Uma coisa atrai a outra.

Achei o povo de Praga, em relaçao aos alemaes, igualmente tranquilo. Todas as vezes em que pedimos informaçao, percebemos um esforço por parte das pessoas em tirar nossa duvida. Mesmo aquelas que nao falavam inglês, gesticulavam e sorriam. Adorei ver os casais gays da cidade. Era comum ver homens e mulheres de maos dadas com seus parceiros. O mesmo pra Berlim. Em Lyon, essa exposiçao é bastante rara. 

A cerveja é ridiculamente barata. No supermercado, 20 centavos de euro por meio litro. Vou repetir. Vinte-cen-ta-vôs. Meio-li-trô. No Jardim da Cerveja, no topo de Praga, onde fica o Metrônomo (foto abaixo), e uma linda vista da cidade, compravamos meio litro de cerva por 1€. Esse parque (Jardim da Cerveja) é lindo, enorme e tem bares que vendem cerveja barata. Fomos duas vezes. 



Na segunda vez, à luz do dia, pudemos reparar nas crianças praguenses. O nosso anfitriao havia nos dito que as praguinhas comem desde cedo "comida de adulto", que a dieta deles é a mesma dos pais. E, como os pais se empanturram de comida ruim, os filhos seguem o caminho. Nessa tarde de cerveja, vimos varias maes acalmarem os guris com batatas fritas. Os bebês, que nem tinham idade pra andar, seguravam suas batatinhas. Outra criança, que deveria ter um ano e meio, com sua lata de Fanta na mao. Podem me condenar por eu estar criticando os pais que fazem isso, mas acho que ha coisa melhor a se oferecer a um bebê. Pior que, pela grossura dos braços das crianças, aquela nao parecia ser uma pratica rara, de final de semana. 

Outra coisa muito curiosa que vi, foi varias crianças vestidas iguais. As maes que tinham duas ou três filhas (vi isso somente com meninas) as vestiam com roupas idênticas, mesmo elas nao sendo gêmeas. Nunca tinha visto isso antes. E alias, ja acho bizarro vestir crianças gêmeas de maneira igual. 

Bom, como de costume, usamos o Couchsurfing pra nos hospedarmos. Ficamos na casa de um senhor de 65 anos que tinha acabado de fazer seu perfil no site e, no espaço de duas semana, ja havia recebido 16 pessoas. Quando chegamos na casa dele, ja havia quatro hospedes. O cara é uma figura: um inglês muito bem humorado, de piadas acidas, que bebia cerveja o dia todo. Um sonho! Assim que chegamos na casa dele, nos deparamos com nada menos que cinquenta relogios espalhados pelos cômodos (contei "somente" 55). No banheiro, tem quatro. Na cozinha, cinco. No quarto e sala, o restante. Ele também nunca contava o tempo usando as horas, mas sempre os minutos. "Vocês vao demorar 60 minutos pra chegar em tal lugar". E, cada vez que falava sobre o tempo entre sua casa e tal lugar, era de uma precisao incrivel. "Vocês vao levar 16 minutos pra chegarem". 



Ele nos deu um pequeno roteiro que ele havia feito para seus couchsurfers conhecerem melhor a cidade. Mas eu nao vou me estender muito sobre essa viagem. Vou postar as fotos e falar sobre algumas coisas rapidamente.



Torre de televisao Zizkov, também chamada de "Pênis de Praga". Falei: toda cidade tem alguma construçao falica. Lyon tem seu famoso Crayon. Recife, a pica de Brennand. Berlim, a Torre de TV. E assim vai. Se vocês repararem, tem uns bebezinhos subindo pela torre. Arte de David Cerny. Também vimos mais bebês de Cerny à beira de um rio de Praga:



Prefiro meu guri

O inglês me colocou numa cama de armar que fazia TREC! cada vez que eu me mexia. Bastava eu pensar em respirar que a cama fazia TREC! Aih, eu comecei a ficar incomodada por estar respirando, porque tinha outras quatro pessoas dormindo no mesmo cômodo. Foi uma noite e tanto! As molas que ficavam na altura das minhas costas ja estavam bem gastas, deixando um buraco nessa parte. O nivel dos meus pés e cabeça estava bem acima do nivel da coluna. Aquilo parecia mais uma rede, entao, eu nao poderia dormir de bruços (a unica posiçao que me permite dormir) com medo de quebrar minha coluna. Mas me mantive sossegada, tentando nao respirar muito. Mas do que adianta você tomar tanto cuidado quando você tem um namorado doido que tem o sono assombrado? No meio da noite, acordo com uma movimentaçao estranha. Quando olho pro lado, vejo Camilo se levantando e indo sentar no sofa onde dormia o inglês. 

PANICO.

Imagine o susto dessa criatura quando Camilo sentasse na cabeça dele? Dei um pulo, TREEC!, agarrei a mao de Camilo, TREEEC!, e fiquei puxando, TREEEEC!, ele pra perto de mim. O inglês acorda, se levanta e vai ao banheiro. Camilo desperta. 

- Menino, o que é que tu quer fazer, hein?!
- Sei la!

Eh tao tenso dormir com Camilo, meu deus. Noite sim, noite nao, ele apronta dessas. Outro dia, acordei com um pé na minha cara: era ele que tinha virado ao contrario enquanto dormia. Ha umas semanas, ele acordou, puxou meu cabelo (sabe criança puxando cabelo da amiguinha? Pronto) e dormiu. Eu acordo sendo maltratada, minha gente. Posso nem acionar a Lei Maria da Penha, porque o desgraçado faz dormindo. Ele da chute, beliscao, puxa o lençol, o cabelo, empurra, fala, grita, levanta, ri. Quando é comigo, tudo bem, mas quando a gente divide o quarto, eu durmo com um olho aberto e outro fechado. No dia seguinte, eu estava tao quebrada, que quando eu respirava, doia, juro!

Esquecendo a noite passada, pegamos um tramway, fomos até a parte mais turistica da cidade, ao norte, e descemos a pé, visitando os pontos mais famosos da regiao. A tarde, quando chegamos numa praça bonita, comecei a me sentir mal: lombrigas dando sinais de vida. Otimo, pensei. Comecei a suar levemente e minha pressao foi baixando. Fiquei em duvida se eu ia desmaiar ou cagar nas calças. Foi entao que vi um banheiro publico. Como a maioria das minhas disenterias sao psicologicas, respirei fundo e disse com firmeza a mim mesma que aquilo nao era nada. Três segundos e meio mais tarde, eu estava no banheiro.

Essa disenteria (e as três seguintes...) foram oferecimento da comida de Berlim. No ultimo dia na cidade, por exemplo, comemos pizza no café da manha, Kebab no almoço, uma porçao de batata frita + salsicha no lanche e mais pizza no jantar. Uma disenteria era o minimo que eu poderia esperar com uma dieta tao equilibrada. Fica o exemplo.

Jardim biito









Muro John Lennon. Fica em frente à Embaixada francesa. Famoso, até Yoko Ono ja deixou mensagem aih. 









Cristo feito de calçados



Dancing House - originalmente chamado de Fred e Ginger - tem um restaurante francês no teto e uma vista incrivel da cidade. 









Meiguinha na Praça Venceslau com o Museu Nacional ao fundo. Essa é uma das praças mais importantes da cidade. Foi nela em que Jan Palach, um estudante de Filosofia, ateou fogo ao proprio corpo em sinal de protesto contra a ocupaçao soviética, morrendo três dias depois. 






Achei os museus caros. Fomos somente a dois: Museu do Comunismo e o de Mucha (lê-se "murra"), onde havia uma linda exposiçao sobre ele. O trabalho do cara é sensacional. Compramos cartao postal, blusa, cartaz, isqueiro, tudo que eu tinha direito. Adoro! Grande parte da cidade esta construida no estilo Art Nouveau, estilo criado por Mucha. 

O Museu do Comunismo, na minha humilde opiniao, deveria se chamar Museu Anticomunista, porque apesar da historia de Praga parecer ter se tornado negra no momento da ocupaçao soviética, soh havia uma versao dos fatos nos painéis que contavam a historia do comunismo no pais. O comunismo matou mais, poluiu mais, fez mais infelizes, comeu crianças, bla bla bla. Olha, enchi o saco na metade da visita. Os souvenirs consistiam basicamente em reproduçoes de cartazes soviéticos com mensagens pouco elogiosas aos vermelhos. Em um cartaz em que se via, originalmente, meninas comunistas, havia uma frase que dizia "por que nos nao queimamos sutias como as americanas? Porque eles nao existem por aqui". Ou qualquer coisa do tipo. Havia um video com imagens dos anos 90 de revoltas realizadas na Praça Venceslau e duramente reprimidas pela policia. Chocante. De qualquer forma, achei o Museu um perigo praqueles que nao tem senso critico (alias, qualquer coisa pra alguém que nao tem senso critico é um perigo). Ironicamente, o Museu fica no prédio de um cassino, bem ao lado de um McDonalds. 



Quer dizer, ainda fomos num terceiro museu. Camilo viu esse cartaz e chamou minha atençao. Estavamos no final do penultimo dia de viagem, mas depois de ver esse cartaz, era obvio que eu tinha que reservar o ultimo dia de pra ver essa exposiçao. Valeu a pena. Vimos umas fotos raras, um casaco de John Lennon, uns rabiscos que ele fez num envelope e outras coisas idiotas que soh um fa da valor.





Por hoje é soh, pessoal!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Musica frances: Carmen Maria Vega


Taih uma coisa que curti muito na França em termos de musica: Carmen Maria Vega. Descobri esse ano, através da Bel que falou, como quem não quer nada, dessa lionesa (que nasceu que Guatemala). Por coincidência, no dia seguinte, ouvi o seu album de estréia na sala da minha casa sem saber de quem se tratava. Adorei! Eu consigo ver as expressões que ela faz enquanto canta tamanha a habilidade que ela tem pra interpretar as musicas. Meu guru musical escavou essa internet e achou o album dela e, agora, eu repasso pra vocês. Espero que gostem!

Carmen Maria Vega - La menteuse - 2009 (novo link no 24 de janeiro)

Praqueles que estão em duvida, La Menteuse no Youtube.

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um aniversario


Pra que não passe em branco. No ultimo dia 21, fez um ano que cheguei na França pra morar definitivamente. Normalmente, eu teria pensado, e pensei, em todas as coisas que conquistei até aqui. Teria feito uma balanço, e fiz, de tudo que ganhei e tudo o que perdi nesse ultimo ano. E tudo o que eu tenho pra dizer, é que tem dado certo. Tem dado tudo certo.

Digo isso porque esse blog nasceu por causa da minha vinda à França e, graças a ele, conheci um monte de gente legal. Queria agradecer a TODAS as pessoas que passaram por aqui com seus comentarios positivos e generosos. Obrigada mesmo. Tem dado certo.

Talvez

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