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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Vê vê vê de vingança

Um ano e meio como babá e, graças aos santos anjos do Senhor, ou nao, os guris nunca ficaram doentes. O maximo que eu enfrento é um cocô liquefeito ali, uma tosse de cachorro acolá ou um nariz escorrendo aqui e acolá. E alias, Miss Tolete e Mister Catarro. Mas ontem, quando fui buscar meus anjinhos na creche, uma crechete (qual o nome dado às mulheres que trabalham na creche? Professora? Tia? Mulher da creche?) me disse que o guri havia tido 39,3° graus de febre. 

Ele realmente parecia cansado e, quando ele disse no parque que queria voltar pra casa, antes mesmo de descer do carrinho, tive certeza de que algo nao ia bem. Chegando em casa, preparei o banho deles. Depois de cinco minutos dentro da banheira, ele subitamente começa a chorar, gritar e tremer. Enfase no tremer. O pirralho tremia tanto que ocupava todos os espaços do banheiro ao mesmo tempo. Entao, o resgatei, coloquei cueca, calça grossa, duas blusas, meias e ainda enfiei o menino numa manta grossa, soh deixei de fora os cilios dele. E ainda assim, ele ainda reclamava do frio. 

Fiquei com tanta pena do bichinho, Amanda, que tudo o que ele pedia, eu fazia. Coloquei o DVD preferido dele e ainda servi o jantar no sofa. Ele tomou a sopa, mas recusou parte do arroz, entao, passamos pro iogurte. Na terceira colherada, o presente: uma vigorosa vomitada verde. Quando eu era pequena, eu tinha medo de morrer sufocada enquanto vomitava, entao, entre um arroz e outro que saia pelo nariz, eu fazia o maior escândalo pra que alguém viesse supervisionar evitar minha morte. Eh, eu sou dramatica desde pequenininha. Por isso, me choquei com o ar blasé do menino enquanto  ele vomitava. Ele nem se mexeu. Eu, no entanto, parecia uma galinha cafeinada no meio da sala. Enquanto o primeiro jato voava pelo ar, "Luciana, porra, pensa rapido em algo que possa minimizar o estrago!"


Corri pra cozinha, peguei uma Tupperware, meio quilo de papel-toalha, voltei e, quando coloquei o recipiente debaixo do queixo do guri, caiu uma gotinha de sopa. 

- Calma, guri, nao se mexe! 
- ...
- Ai, meu deus, vai ficar tudo bem, pequeno!
- ...
- Calma, CALMA! VAI FICAR TUDO BEM!
- Tirem esta mulher louca da minha sala. 

Vocês se lembram do "cueca, calça grossa, duas blusas, meias, manta grossa"? Pronto. Juntem a isso a capa do sofa: ficou tudo verdinho. Tudo bem, Luci, você soh tem que passar uma aguinha em tuuudo isso. E o que importa se você acabou de dar banho nele? Enquanto, limpava o guri no banheiro, notei o silêncio de Crazy Creuza e lembrei das sabias palavras da minha mae: criança em silêncio ta fazendo coisa errada. Fui dar uma checada na sala e encontrei a menina com o pote de iogurte na mao e o conteudo dele na cabeça. Xampu de Activia, meu povo. Ah, ela também batizou o pijama e o tapete.

Estou tao despreparada pra imprevistos como esses, que quando fui tirar a temperatura do menino, colocando o termômetro debaixo do braço dele, ele disse "nao é assim!". Daih ele tomou de mim o termômetro e o enfiou na bunda. Fiquei chocada com o nivel de instruçao do menino de dois anos e meio. "Meu deus, quanta humilhaçao. Talvez o dia de amanha seja melhor". 

O dia de amanha:

Chego pra trabalhar e encontro, pela primeira vez, as crianças ainda dormindo. Mae: "Crazy ta dormindo na minha cama. Eu coloquei travesseiros ao lado dela, mas assim que você escutar algo, corra pra que ela nao caia da cama". Ela vai embora, a casa mergulha no silêncio que é rompido, 30min depois, por um POC ôco que, por sua vez, é seguido de um UUEEENNNNNN agudo. Bela maneira de começar o dia pra ambas.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Jogos mortais

Sinta o perigo

Camilo tem um casal de amigos que parte segunda-feira para fazer uma viagem de bicicleta de seis meses na Asia. Inveja define. Eu tenho deixado de ir às festas e encontros dos amigos de faculdade de Camilo, porque sempre me sinto um peixe fora d'agua: eles estao sempre tratando de assuntos pessoais/internos dos quais eu nao tenho a menor possibilidade de participar. Mas ontem, meus amiguinhos, eu estava com uma particular vontade de beber e, como estou de férias essa semana, fui à festa de despedida que eles deram ontem numa praça aqui de Lyon. 

Bebo ha mais de uma década (sou xovem) e ainda nao aprendi que barriga vazia e alcool nao sao amigos. Ha mais de oito horas sem comer, comecei a noite com uma inocente lata de cerveja, mas quando vi que na praça nao havia banheiro publico, resolvi me poupar das mijadas nas calças calçadas e passei logo pro vinho. O primeiro copo me deixou feliz. O segundo copo me deixou radiante. O terceiro copo me deixou bêbada. 

Algumas praças de Lyon nao tem nada além de terra, o que faz a alegria dos jogadores de pétanque (em português, o feio "petanca"). Esse é um esporte muito popular na França e é ela que leva quase todos os prêmios nos jogos mundiais. Nos campings franceses sempre tem uma quadra (?) de pétanque e três entre três velhinhos franceses a jogam. Mas nao somente os idosos: na praça de ontem, por exemplo, havia pelo menos quatro grupos de jovens jogando pétanque. Eu estava em um deles. 

Pra resumir o funcionamento do jogo: cada jogador tem bolas metalicas que devem ser arremessadas, diante de uma linha demarcada no chao, em uma bolinha de madeira que se encontra disposta no campo. Os pontos sao dados aos jogadores de acordo com a proximidade de suas bolas junto à bolinha. Sei que o jogo pode parecer entediante, mas... ele é. 

Como eu nao tinha muito pra fazer, fui com um copo de vinho numa mao e uma bola na outra jogar uma partida com Camilo e dois amigos. A unica vez que joguei pétanque ja data de dois anos e, como eu queria impressionar, eu me concentrava bastante antes de jogar as bolas. Algumas caiam bem longe da bolinha, mas numa jogada, eu cheguei até mesmo a conseguir afastar da bolinha uma das bolas do adversario. Viva eu! 

Quando comecei a arremessar as bolas a cinco quilômetros da praça, comecei a desconfiar de que eu havia bebido demais. A certeza veio logo em seguida. Peguei uma bola, arremessei e simplesmente... fui junto com ela. Nao sei o que houve, mas quando percebi, la estava eu no ar. Se eu tivesse aberto os braços, eu teria planado pela praça. Comentario de Camilo essa manha: "Luci, tu deve ser a unica pessoa na Terra que teve a façanha de cair num jogo onde a gente joga parado". "Eh como cair jogando xadrez".

Minha gente, é muita humilhaçao. 

Vestimenta altamente recomendavel
para o jogo de pétanque
Pois quem nunca caiu parado que atire a primeira bola de pétanque pra ver. Eh um jogo perigoso! Vocês sabiam que as bolas tem mais de meio quilo? Pois é, pois é, pois é. No que isso influencia minha queda? Nada. Mas imaginem uma pessoa bêbada arremessando bolas de meio quilo. Eh um jogo perigoso! Eu tava com um vestido cinza escuro que a terra branca fez mudar de cor. O sangue escorreu do joelho. Otimo é quando as pessoas perguntam se você esta bem. Claro que é por educaçao e agradeço muito, obrigada, mas a vontade de responder é "fora o mico, o sangue, a dor e o vestido? Tou otima". 

Mesmo depois da palhaçada, quando o alcool acabou, pedi a Camilo pra irmos ao bar da frente. Ele nao quis, mas uma singela ameaça de morte o fez mudar de ideia. Esse é meu jeitinho. A partir daih, eu tenho alguns flashes da noite. Camilo sempre me ajudando a reconstitui-la. Fomos pra um outro bar, um cara ficou dando em cima de Camilo. Eu disse ao cara que eu nao era ciumenta e ele disse que eu deveria ser. Er... Ok. Depois "tu enchesse o saco pra que a gente fosse comer". Coitada de mim, eram duas da manha. 

A volta pra casa foi aquela maravilha. Voltamos de Velov. Mas nao tinha possibilidade de eu cair, minha gente, porque havia duas pistas. As vezes até três, imaginem vocês. Chegamos em casa sao e salvos e, se vocês querem saber, fora o mico, o sangue, a dor e o vestido, eu tou otima.




domingo, 28 de agosto de 2011

Especial férias (Jonzac) - parte MCMLXXV

Depois das bicicletas e da estadia de Amanda e Chèri em Lyon, Camilo e eu fomos visitar os pais dele. Apesar deles morarem no norte da França, eles estavam em Jonzac por motivos de saude: a mae de Camilo tem um sério problema nas articulaçoes do ombro. E Jonzac, vejam soh, é conhecida pela sua estaçao de agua termal, rica em sais minerais, e que é, comprovadamente, eficaz no tratamento de problemas nos ossos e articulaçoes. Bravo! Mas o que me interessou em Jonzac mesmo é que ela ta numa regiao que tem um forte carater historico, cheia de igrejas, cemitérios, castelos e outras construçoes medievais. Pra somar, a paisagem natural nao deixa nada a desejar. Passamos cinco dias de puro amor e tempo bom na cidade. 

Minha sogra é vegetariana e meio natureba. Ela conhece todos os pós, misturas, oleos e graos que podem potencializar o valor nutricional de qualquer prato. Ela aposta em tudo. Em Jonzac, ela conheceu um cara que vendia uns sprays especiais pra combater/evitar certos males. Um dos sprays ajudava a dormir, mas ele ja tava esgotado. Entao, Camilo comprou um que se chamava... courage. Isso mesmo, "coragem". Influenciavel como sou, comprei um vidrinho de coragem pra mim também.

Quando eu era pequena, passava as férias na casa da minha melhor amiga e a mae dela nos dava diariamente uma dose de Biotônico Fontoura. A gente devia ser meio amarelo, sei la. O comercial do produto dizia que ele dava muita energia, entao, logo apos recebermos nossa dose, saiamos desgovernados pela casa da mulher, gritando e tocando o terror, influenciados pela propaganda. Acontecia o mesmo quando ela nos servia espinafre. Crianças.

Contudo, meu povo, nao senti que fiquei mais corajosa com a coragem. Pior: tenho  preguiça de toma-la. Entao, fui verificar os ingredientes pra ver se eles poderiam provocar algum estimulo psicologico em mim: vi o nome cientifico de um monte de planta medicinal. Wikipedia soh me mostrou as propriedades de três:

angelica archangelica: ação digestiva e carminativa (elimina os gases), ação sedativa, equilibradora do sistema nervoso, tem poder antiinflamatório, diurético, depurativo e no combate a enjôos;

trifolium pratense: menopausa;

rosa chinensis: menstruaçao irregular;

Ou seja, Camilo, se você estiver no climatério, vai fundo. E como assim "açao sedativa"? Agora ta tudo explicado! Era por isso que eu tinha preguiça e nao sabia. Ah, esqueci do elemento mais importante da formula: conhaque à 20%! Finalmente, esse negocio pode até nao dar coragem, mas mal nao deve fazer. 

(Mas onde mesmo é que eu estava?). Ah, as férias!

Castelo de Jonzac - séc XV

Hospital dos Peregrinos - Pons 

Eu fiquei toda pimpona ao ver esse hospital. Paguei uma disciplina cujo tema era viagem/viajantes na época Moderna (disciplina na qual fui reprovada, diga-se de passagem). E, claro, a historia dos peregrinos nao poderia ficar de fora. Li muito sobre as passagens desses desocupados dos peregrinos pela Europa e esses hospitais eram pontos de apoio essenciais na viagem deles (e abrigo pros pobres, crianças abandonadas, velhos, cachorro, doentes e toda essa gente inutil que ninguém quer ter por perto). 

A concha é o simbolo dos peregrinos que costumavam costura-las nos seus chapéus como forma de identificaçao. Reza a lenda que a familia de um certo Caio Carpo Palenciano, la pelos idos de 44, estava na beira de um rio vendo passar um majestouuuso barco que navegava calmamente. Foi quando Caio se abestalhou e o cavalo saiu desembestado pra dentro do rio, sumindo com Caio e tudo. A familia de Caio ficou naquela expectativa: morre ou nao morre?, morre ou nao morre? E eis que, de repente, surge cavalo e cavaleiro de dentro das aguas cobertos de purpurina conchas. Caio perguntou, entao, aos marinheiros quem eram eles e pra onde iam. Eles responderam que iam pra Espanha levar o corpo de Santiago que estava dentro do barco.

Ooooh!

Aquilo se tratava de um milagre, minha gente. Viram? Agora, vocês estao culturalmente mais elevados depois dessa historia. De nada.

Estatua de um soldado da 1GM erigido em frente ao Castelo de Jonzac. Taih outra coisa que você encontra em qualquer cidade da França: monumento aos mortos de guerra. Il ne faut pas les oublier.

Eglise Saint-Gervais de Jonzac - séc XII

Posto a foto da calçada da igreja porque ela me interessa mais que a fachada: tao vendo essas marcas vermelhas no chao? Eh um cemitério que data dos séculos VI e VII, cheio de objetos pessoais dos mortos. As caveirinhas fashion, cheias de anel, brinco, colar, pulseira. Lindas!

Alambique ♥

Eu: o sol cegando e a grama espetando a bunda, mas ainda assim, florida

E pra confirmar que tudo é Historia, eis aih a famosa escadaria que faz a ligaçao entre a cidade alta e a baixa de Pons, construida em 1665, com seus 124 degraus (nao, eu nao contei). Ah, na foto: as duas mulheres mais importantes da vida de Camilo. Cof. 

 Pai de Camilo, fantasiado de Trotsky, e Camiloulou

 Paisagem biita I

 Paisagem biita II

 Paisagem biita III

E rosas que, à essa altura, nao existem mais

Fomos também à Talmont, uma vila tao charmosa quanto minuscula. O defeito dela: lotada de turistas (afinal, os unicos turistas aceitaveis somos nohs).

Proibido se abaixar

Église Sainte-Radegonde de Talmont (séc XII)

Foi aih que eu descobri que eu curto muito visitar (igrejas? nao.) cemitérios. E nao precisa ser naipe Père Lachaise. Qualquer cemitério beira de estrada me deixa muito pensativa, eu gosto de calcular o tempo de vida de cada pessoa e imaginar o rosto dela, o que ela fazia, do que ela morreu, de quem gostava. Fico tentando avaliar, pela quantidade de arranjos de flores nas sepulturas, o quanto ela foi amada ou se ainda é lembrada. 

Suzanne, te ponho aqui, caso te esqueçam





E alguém que foi lembrar alguém

Mas nenhum cemitério conseguiu ser mais sombrio que a praia que fomos no dia seguinte à visita à Talmont. Taih minha cara de entusiasmo que nao me deixa mentir: 

A mae de Camilo, coitada, cheia de boa vontade, sugeriu que fossemos ver o mar. Beleza, broder. Fazia um sol lindo em Jonzac e praia ficava a uns 40min de carro. Coloquei protetor solar, enfiei os oculos escuros na bolsa e percebi que, à medida em que nos aproximavamos do mar, o sol ia desaparecendo e, à medida em que o sol ia desaparecendo, eu ia junto. Enquanto as pessoas fazem topless nas praias do sul, nas praias do oeste elas vestem casacos. Mas nada de pânico, Luciana, você trouxe seu livro, você ainda pode ser feliz nesse lugar, pensei. 

Pensei errado. 

Um bilhao de quilos de areia fina se acumularam na minha iris. As crianças, visivelmente grandes dependentes de Biotônico Fontoura, estavam loucas do cu correndo pra cima e pra baixo e pareciam ser as unicas a se divertir - é interessante como um monte de areia molhada pode causar tanta fascinaçao numa criança. Porque todo o resto da populaçao tava jogado na areia, pareciam umas tapiocas. Vento frio. Eu olhava pro mar e tinha vontade de chorar. Sogra cogitou ainda a possibilidade de um banho de mar: "vou verificar se a agua ta quentinha". Taih um exemplo de mulher otimista. Ela voltou e disse "é. A agua ta quente, mas ta cheia CHEIA de agua-viva". Pff. Fomos embora antes que o tsunami viesse. 

(Jaca Paladium mode on) Agora, preparem-se para ler a dramatica historia da jovem que quase foi morta por um espinhento pé de amora.

La estava eu, contente e feliz passeando pela floresta, quando me deparei com um pé de amora. Pensei: vou pegar somente algumas para o caminho, nao vai fazer falta

Nao vai fazer falta o caralho. Toma! - disse a Mae Natureza. 

De repente, deu um vento lateral e os ramos espinhentos da amoreira me envolveram em uma teia mortal. 

Quanto mais eu me debatia, mais presa eu ficava. Eu ja estava dando meus ultimos suspiros quando, de repente, consegui me livrar da armadilha maligna de Gaya. 

 Felizmente, sobrevivi e hoje posso usar meu testemunho para salvar outras pessoas. 


Fim.

domingo, 14 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte II

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui). 

Depois de Tarascon, fomos parar em Saint Gilles. Nesses dois primeiros dias, nohs pegamos muitas estradas ruins por culpa de Camilo por falta de experiência. No segundo dia, por exemplo, tomamos uma estradinha simpatica que seguia o curso de um canal. Começamos contentes e felizes, mas de repente os buracos começaram a aparecer, a mata começou a se fechar e, quando nos demos conta, ja era impossivel pedalar. Entao, peguei minha foice de bolso e fui derrubando arvore por arvore e nem mesmo os ferozes hipopotamos e dragoes que encontramos pelo caminho ficaram vivos pra contar historia. 

Inclusive, aproveito esse momento para dizer àqueles que acham que eu exagero em certas historias que tudo o que eu falo aqui no blog é a mais pura verdade. No ultimo pic nic de blogs, Camilo, injustamente, disse que eu inventava as historias, minha gente. Absurdo! Foi um golpe duro, sobretudo por se tratar de alguém que me conhece bem e sabe que eu nao minto nun-ca. Portanto, hoje, quero apresentar a vocês o patrono do caso.me.esqueçam. O rei! O mestre! O inesquecivel Nelson!

 iêu?

Opa, Nelson errado. Agora vai: Nelson Rubens, meu povo!

Tchan ram!

Criador do bordao "eu aumento, mas nao invento", Nelson Rubens certamente me entenderia. Mas voltando...

Em uma outra estrada, encontramos um cercado cheio de touros. Touro foi o bicho do qual mais vi referência indo pro sul. Nao sei que tara é essa desse povo pelo bicho. Estatua de touro, exposiçao de touro, feira de touro, cartazes de touro. Touro.

 Os touros estavam desconfiados com a presença da maquina fotografica. Menos um. 


 Gente, pode ser pro Daily Press
Nao era. 


 Nao sei o que me encantou mais nesse touro. Se foram os mosquitos sambando nos olhos dele...

...ou se foi essa linguinha preta. 

Chegamos à Saint Gilles, nos instalamos no camping e fomos tomar uma cerveja. Foi pra compensar, estavamos saudaveis demais. No dia seguinte, fomos dar uma volta na cidade (o que deve ter nos tomado 2 min, dado o tamanho dela). A coisa mais bonita da cidade era essa igreja que faz parte do itinerario dos peregrinos que vao à Santiago de Compostela:





Tinha até uma "casa dos peregrinos" perto da igreja. E esse mendigo que ta na frente dela é meu marido. (Eh naaaao, amor! Eh mendigo nao, é lindo! Chuac!)

 A esquerda, uma bunda. A direita, uma placa que diz "compartilhemos a estrada" que, claro, era ignorada pelos carros que tentavam a todo custo nos matar. Eu, como cidada consciente, respeitei a placa e pedalei a menos de 70 km/h.

Trecho da viagem: vinhas

Vamos recapitular nossa viagem, amiguinhos?

1° dia: Lyon - Avignon (em trem) - Beaucaire - Tarascon
2° dia: Saint Gilles 
3° dia: Grau du Roi 

Grau du Roi foi o lugar mais cu da viagem, apesar da praia, do céu azul, do cheiro de mar, do sol, das gaivotas gaiteiras... (ai, que bom!). Quando chegamos, eu tava quase infartando de tanta felicidade (pelos motivos citados), mas a cidade tava atolada de turistas e tava dificil encontrar vaga nos campings. Nao tiramos nem foto, mas joga no Google e você vai entender porque a cidade fica lotada nessa época.

Ficamos rodando e a unica vaga que encontramos num camping custava 56€ pros dois (quando estavamos acostumados a pagar 15/20€)! Era um camping 4 estrelas, mas pra gente que so queria um chaozinho pra armar uma barraca, isso pouco interessava (momento classe média sofre). Mas Grau du Roi é uma cidada pra gente RYCA!, e se a gente ta na chuva é pra se molhar. Inclusive, havia chovido na noite anterior e a vaga que nos deram estava completamente enlamaçada. Tou dizendo, foi um cu. Tive vontade de deixar um cocô no terreno, mas isso nao seria muito sao. Picamos nossa mula e fomos pra Carnon Plage.

(Fim do segundo ato)


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

5 ml

Quando Camilo se demitiu do emprego, ele ganhou dos colegas, além de uma inutil maquina de fazer capuccino, um par de ingressos pra um famoso festival de Lyon, o Nuits de Fourvière. Ja falei dele aqui. Fiquei toda pimposa com o regalo, porque entre as atraçoes tinha uma banda que gostamos muito, o Dub Incorporation

Apesar de saber que iriamos viajar cedissimo no dia seguinte, ao meio-dia, estavamos afim de encher a cara, entao preparamos uma preciosa mistura de vodka e suquinho de laranja numa garrafa e rumamos pro show. "Eu sei que a gente nunca vai ficar bêbado com essa garrafinha, mas no show a gente continua a beber outra coisa", profecisei. 

Conselho: nunca subestime o poder do alcool.

Quando a garrafa terminou, eu ja tava sorridente. O festival se passa num dos lugares mais charmosos de Lyon, o teatro galo-romano. Como chegamos tarde, acabamos pegando um lugar péssimo pra quem tava afim de beber: longe do banheiro e do bar. Assim que o show começou, exatamente no horario indicado no ingresso, fui comprar vinho. Pra compensar a ida, comprei logo três copos. Como eles estavam muito cheios, dei umas bebericadinhas inocentes em cada copo pra que eles nao derramassem. Antes de eu voltar aos nossos lugares, três viraram dois. 

O show tava lotado, eu nao achava mais nossos lugares. Parei no alto da escadaria pra procurar Camilo. Passei os olhos minuciosamente em cada fileira da platéia. Vi gente gorda, magra, branca, preta, anao, traveco, ET, criança, cachorro e zumbi. So nao vi Camilo. Beberiquei mais um tequinho, procurei mais, me impacientei, quis desistir, beberiquei, procurei, procurei mais, beberiquei, me impacientei, bebi, bebi e nada de Camilo. Quando dois ja tavam virando um, vi um homem desesperado sacudindo um cachecol vermelho. 

Continuei subindo as escadas, dei uma volta fenomenal por tras das fileiras pra evitar o mar de gente e, quando finalmente entreguei o copo a Camilo, tive vontade de fazer xixi. Tomei o que tinha restado do meu vinho e fui ao banheiro. Pra compensar a ida, comprei mais três copos de vinho e voltei pro show. 

Show nesse teatro é mesmo um espetaculo, coisa diferente de tudo que ja vi. Curto quem ta no palco, mas passo a maior parte do tempo admirando o publico. Milhares de maos levantadas numa coreografia harmoniosa, o eco das vozes amplificado pela arquitetura do lugar. E eu no meio disso tudo. E eu no meio disso tudo, morrendo de vontade de fazer xixi outra vez. "Vou la antes que piore". Vocês conhecem aqueles comentarios que as pessoas fazem quando vao falar do "defeito" fisico de alguém? Por exemplo, um narigudo: "eita, que essa pessoa passou três vezes na fila do nariz!"? Pois bem. Quando Deus foi distribuir as bexigas, ja nao havia mais nenhuma na minha vez mas, bondoso como Ele é, me disse

- Luciana, eu vou te dar essa bexiga de passarinho.
- Que historia é essa, Deus?
- Luciana, eu escrevo certo por linhas tortas.
- Parabéns. Mas eu quero uma bexiga hu-ma-na.
- Desce.

Aih eu nasci.

Vinte e seis anos depois, la estava eu indo ao banheiro. Comecei a andar bem rapido porque senti que o negocio ia piorar em alguns segundos. Quanto mais eu me aproximava do banheiro, mais eu sentia vontade de mijar. A cada passo, o xixi ia aumentado e a bexiga ia diminuindo. Comecei a correr. Nao foi boa idéia. Parei. Tentei andar de pernas cruzadas e nao vou nem descrever o quanto fiquei ridicula tentando fazer isso. Vi o banheiro. Esperança. Nao tinha fila. Corri, peguei na maçaneta da porta e… fiz xixi nas calças. 

Essa é minha vida, Brazeel. 

Nunca saberei quanto tempo passei sentada naquele vaso tentando secar uma calça jeans com papel higiênico, mas digamos que a primeira banda acabou assim que voltei pro meu lugar. Acho que nao comprei mais vinho quando voltei, mas ha controvérsias. A atraçao seguinte era Tiken Jah. Queria descrever o show dele, mas nao lembro bem o que aconteceu. Mas eu tava feliz, apesar de.

Camilo me lembrou no dia seguinte que eu derrubei cinza de cigarro na cabeça da mulher que tava sentada na minha frente (sem querer) e que eu ficava colocando chifre na cabeça dela com a mao. Pelo visto, nao passei nenhuma vez pela fila da maturidade. Logo em seguida, antes do show acabar, "tu levantasse de repente e falasse 'amor, tou muito bêbada, quero ir embora'". E a gente foi. Como vocês podem ver, o show foi muito bom! 



domingo, 24 de julho de 2011

Finalmente


Fujam para as montanhas! Amanda estah vindo! 

Nao pretendia mais postar sobre o fim de semana que passamos em Paris em razao do pic nic (alias, parecia que eu nao pretendia postar nunca mais), mas olhando as fotos, vi que queria dizer que foi muito bom! E coisas assim merecem ser registradas.

Chegamos em Paris na sexta de manha (08 de julho). Amandao foi pegar a gente na estaçao e depois fomos matar o tempo num jardim aih à beira do Seine. Sinto muito, eu nao guardo nomes. Nesse momento, fomos brutalmente atacados por passarinhos famintos que visavam os farelos do nosso pao. Paris estah cada vez mais perigosa. 

Algumas horas depois, pude realizar um desejinho antigo: conheci dona Maria Ritalice, o motivo que deu surgimento ao pic nic, na minha opiniao. Graças ao primeiro abraço, passei três horas com o perfume dela em mim, nao sei se pelo esfregamento grande ou pela potência do dito, mas Rita, nao mude de perfume. E, gente, sim!, ela é a pessoa bonita que parece ser no blog. Por isso, ainda sinto a vergonha de ter deixado passar a oportunidade de vê-la no domingo, mas ela ha de perdoar. 

No final da tarde, depois da Amanda mirim ter capotado de sono (de rosa, na foto abaixo), nos despedimos da familia Paschoalin. Ainda na foto abaixo, Rita recebendo explicaçoes duvidosas de Amanda. Atentem pro detalhe da banana. Descobri que esse ser de blusa roxa tem banana como base alimentar. Quando ela teve em Lyon da ultima vez, comprou uma penca de banana e soh comeu isso. Achei esquisito, mas respeitei. 


Em Paris, enquanto todo mundo queria croissant, Amanda foi de banana. O problema é que ela nao respeitou o aviso...


 


Amanda e todo seu charme banânico



- Luci, onde você escondeu minha ultima banana?
- Menina, nem tchi conto!

Mas como eu ia dizendo, fomos a um bar magavilhoso. Ele nao tinha nada de especial, mas um lugar onde se vende cerveja é sempre maravilhoso. Respeitemos. Foi aih que eu conheci Maitê. Agora eu entendo porque as duas se tornaram amigas de infância! Maitê é muito legal, minha gente, gente sem frescuras! Basta dizer que a noite começou assim:



Phinas



E foi ficando assim...



Benzina recebendo a pomba-gira



Alguns copos mais tarde... 
A postagem dessa foto é a prova de que eu nao prezo pela minha imagem, beijos. 



Benzina com cara de quem perdeu a mae e Camilo, O Revoltado

No aguardado sabado, fomos ao Parque sei la o quê - desculpem, eu nao guardo nomes - pro pic nic. Eh legal demais poder ver a cara dos autores dos blogs que eu leio ha anos. Conheci a Adélia do Pedalando em Paris, a Drixz do Café Velho e a Helena do Certain Regard. Foi lindo! Soh achei o tempo curto, Drixz foi embora muito cedo, conversei pouco com elas. Culpa minha que estava trabalhando no modo timida. Aline do Sao-Paulo-Paris-Dakar (que teve alguns problemas com crocodilos) e a Mari do Agora nem sei mais sao velhas de guerra e eu ja conheço de outros carnavais pic nics. Também teve a Alê e a Adriana que, até onde sei, nao tem blogs, nao? Faltou a Carol. 




Faltou ela



Talvez

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