Um ano e meio como babá e, graças aos santos anjos do Senhor, ou nao, os guris nunca ficaram doentes. O maximo que eu enfrento é um cocô liquefeito ali, uma tosse de cachorro acolá ou um nariz escorrendo aqui e acolá. E alias, Miss Tolete e Mister Catarro. Mas ontem, quando fui buscar meus anjinhos na creche, uma crechete (qual o nome dado às mulheres que trabalham na creche? Professora? Tia? Mulher da creche?) me disse que o guri havia tido 39,3° graus de febre.
Ele realmente parecia cansado e, quando ele disse no parque que queria voltar pra casa, antes mesmo de descer do carrinho, tive certeza de que algo nao ia bem. Chegando em casa, preparei o banho deles. Depois de cinco minutos dentro da banheira, ele subitamente começa a chorar, gritar e tremer. Enfase no tremer. O pirralho tremia tanto que ocupava todos os espaços do banheiro ao mesmo tempo. Entao, o resgatei, coloquei cueca, calça grossa, duas blusas, meias e ainda enfiei o menino numa manta grossa, soh deixei de fora os cilios dele. E ainda assim, ele ainda reclamava do frio.
Fiquei com tanta pena do bichinho, Amanda, que tudo o que ele pedia, eu fazia. Coloquei o DVD preferido dele e ainda servi o jantar no sofa. Ele tomou a sopa, mas recusou parte do arroz, entao, passamos pro iogurte. Na terceira colherada, o presente: uma vigorosa vomitada verde. Quando eu era pequena, eu tinha medo de morrer sufocada enquanto vomitava, entao, entre um arroz e outro que saia pelo nariz, eu fazia o maior escândalo pra que alguém viesse supervisionar evitar minha morte. Eh, eu sou dramatica desde pequenininha. Por isso, me choquei com o ar blasé do menino enquanto ele vomitava. Ele nem se mexeu. Eu, no entanto, parecia uma galinha cafeinada no meio da sala. Enquanto o primeiro jato voava pelo ar, "Luciana, porra, pensa rapido em algo que possa minimizar o estrago!"
Corri pra cozinha, peguei uma Tupperware, meio quilo de papel-toalha, voltei e, quando coloquei o recipiente debaixo do queixo do guri, caiu uma gotinha de sopa.
- Calma, guri, nao se mexe!
- ...
- Ai, meu deus, vai ficar tudo bem, pequeno!
- ...
- Calma, CALMA! VAI FICAR TUDO BEM!
- Tirem esta mulher louca da minha sala.
Estou tao despreparada pra imprevistos como esses, que quando fui tirar a temperatura do menino, colocando o termômetro debaixo do braço dele, ele disse "nao é assim!". Daih ele tomou de mim o termômetro e o enfiou na bunda. Fiquei chocada com o nivel de instruçao do menino de dois anos e meio. "Meu deus, quanta humilhaçao. Talvez o dia de amanha seja melhor".
O dia de amanha:
Chego pra trabalhar e encontro, pela primeira vez, as crianças ainda dormindo. Mae: "Crazy ta dormindo na minha cama. Eu coloquei travesseiros ao lado dela, mas assim que você escutar algo, corra pra que ela nao caia da cama". Ela vai embora, a casa mergulha no silêncio que é rompido, 30min depois, por um POC ôco que, por sua vez, é seguido de um UUEEENNNNNN agudo. Bela maneira de começar o dia pra ambas.















































