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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Conclusao: Luci é um ser humano


Eu acho lindo quando as pessoas tentam me ajudar. Cada um faz ao seu jeito.

[13:41:10] o sol ta massa dit:
je suppose (hypothèse), je pose (thèse), j'oppose (antithèse), je compose (synthèse)

[13:41:48] o sol ta massa dit:
entendi, soh nao sei como aplicar isso

[13:46:43] Fábio dit:
agora fica a dúvida.. essa hipótese já é sua ou é a do texto?

[13:47:44] Fábio dit:
pq pode ser a hipótese do texto (por exemplo: luci peida dormindo.)

[13:48:07] Fábio dit:
a tese defendida no texto (luci peida dormindo pq tem gazes e pq dorme de bunda pra cima)

[13:48:31] Fábio dit:
a antítese defendida por tu (luci não peida! nunca! nem cu ela tem...)

[13:49:00] Fábio dit:
e a síntese (luci é um ser humano, se ela peida ou não, não importa)

[13:49:30] Fábio dit:
aí assim.. faço a menor idéia de nada ehehe

[14:06:54] o sol ta massa dit:
huahuahuaauahuauha

::

Algo me diz que eu preciso da ajuda de alguém mais capacitado.
Alguém conhece alguém?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fala que eu te escuto. Ou nao.

(Antes de tudo, perdao: post escrito num teclado espanhol desconfigurado).

Quando Camilo anunciou, ano passado, que iriamos morar com mais nove pessoas, eu fiquei preocupada. Ainda mais porque, das nove pessoas, eu conhecia somente duas. E superficialmente. Sempre morei com muitas pessoas, afinal, eramos seis na minha familia, entao quatro a mais, quatro a menos, nao deveria ser problema pra mim. Mas dai a gente lembra que o espaco onde um grupo numeroso vive soh funciona quando tem um lider ou coisa parecida regendo a coisa. Mas tentemos.

O cotidiano na casa eh curioso. Nas compras, sacos de 25kg de arroz, 25 kg de farinha, dezenas de pacotes de papel higienico. Na feira de frutas e verduras do sabado, o s feirantes ja nos conhecem e oferecem os produtos em caixas feitas pra venda no atacado. Todo dia se vai um quilo de macarrao ou de arroz no jantar e jantamos todos juntos. Todo dia. Quase vinte escovas no banheiro dividindo um mesmo potinho. Tem o saco de lixo de cem litros que eh trocado constantemente. No minimo, onze casacos espalhados pelo sofa e onze pares de sapato dividindo o chao com a sujeira (porque quando onze sujam e dois limpam, voces sabem...) Pra acomodar o vidro que sera reciclado depois, um carrinho de supermercado. E pra coisa toda dar certo: dialogo, muito dialogo.

Ja falei aqui que o amado tah criando uma empresa com um dos caras que moram com a gente. Eu nao vou explicar do que se trata, mas o fator "comunicação" eh essencial no tipo de projeto que eles estao criando e, por conta disso, os dois tem lido muito sobre essa "arte". Isso trouxe, inevitavelmente, pro meu namoro com Camilo, varias discussoes (algumas ferrenhas) e, ironicamente, nos demos conta de que não somos um casal que se comunica bem (pelo menos nao da forma ideal).

Uma das coisas que contribuem pra isso, eh o fato de que eu sou agressiva na hora de expor minha opiniao e intolerante na hora de aceitar a opiniao alheia. E eu nem preciso ir muito longe pra saber o porque, afinal, nossos defeitos e qualidades estao ligados a forma com a qual fomos educados, concordam? E na minha casa, a primeira e ultima palavra sempre foi a do meu pai. Entre berros. Por isso, reproduzir esse tipo de comportamento durante minha vida nao foi algo muito dificil pra mim e experimentei varias vezes a sensacao de "perder" quando eu nao podia convencer alguem de que meu pensamento era o certo ou estava perto disso.

Coitadinho de Fabio. Eu sempre enlouquecia nas nossas discussoes, apesar de escutar todos os argumentos dele. Quando o odio no meu coracao aplacava, eu ia ate ele pra pedir desculpa e admitir que ele estava certo. Mas ate esse odio passar... Ah! Entao Camilo chegou e esse processo de "discordar - ter raiva - refletir - pedir desculpa" teve que ser otimizado: era isso, ou eu perdia o namorado.

E quando eu falo em comunicacao, eu estou falando de um sentido bem mais amplo do que esse de "ouvir o outro e saber aceitar a opiniao alheia". Entra aih a parte do saber falar. E querer falar. De vez em quando, fazemos uma reuniao com os moradores da casa pra que a gente discuta os problemas dela. No comeco, eu me limitava a ouvir e, quando tinha algo a dizer, o fazia atraves de Camilo. De uns tempos pra cah, aceitei que eu deveria comecar a dizer o que eu penso, mesmo se o idioma pode limitar a forma com a qual eu repasso minha opinioes. Sucesso. Diante de um grupo que esta nao soh disposto a ouvir como a aceitar o que voce tem a dizer, eu me senti muito estimulada a praticar esse tipo de comunicacao nao-violenta (interna: Camilo, se um dia voce ler esse post, nao ria de mim! hehehe)

Quando fui ao Brasil em fevereiro, Fabio disse que as vezes se sentia inclinado a concordar comigo, mas nao o fazia somente pela forma agressiva com a qual eu defendia meu ponto de vista. Pelo fato de eu ama-lo muito, dele me conhecer mais do que qualquer pessoa e tambem da opiniao dele ter peso mil sobre mim, decidi entrar nessa vibe da coloc de ser mais esforcada na hora de transmitir minhas opinioes. Nao, nao vou virar um anjo da compreensao. Sou muito enfezada e Camilo ja me preveniu que nao seria uma boa ideia me reprimir (hihi ele eh lindo). Mas ao menos quero que as praticas do patriarca da familia fiquem bem longe.

Finalmente eh engracado perceber que nao eh nenhum sacrificio jantar com as pessoas que moram com voce. Como eh engracado tambem perceber que, quando se tem bom senso, lideres sao inuteis. Se meu pai soubesse o quanto um pouco de dialogo o faria bem, e a sua familia, talvez ainda seriamos seis.

sábado, 27 de março de 2010

A re-volta

Como planejado, cheguei em Lyon ha quatro dias. A viagem foi cinquenta vezes menos cansativa que a da ida, mas como nem tudo é perfeito, peguei umas turbulências que me fizeram entender que ha, sim, formas de eu me sentir mais vulneravel do que me sentia na crescente violência de João Pessoa. Sabe aquelas descidas inesperadas do avião que fazem seu estômago parar nas suas amidalas? Pronto, senti três vezes. Foi otimo.

E como ja faz quatro dias que cheguei, muita das impressões da viagem se foram. O que ficou mesmo é que eu tenho amigos lindos e idiotas! Se eu não tivesse esse tempo no Brasil, acho que eu estatia babando agora, sem dizer coisa com coisa. Agora o rumo é outro. Mas antes, entendam.

Dizem que meu amor por ela é obssessivo e doentio.
Não acho



Minha moral baixa e minha barriga querendo
competir com meus peitos em tamanho


Nariz de Andressa, Fabio e Jeff, o doente


Andressa sobria


Jaque procurando a Biblia na bolsa e Elizinha.
Limpeza.

Foi bom, mas citando Paulo Francis: "Às vezes acho que aguentei tanto tempo viver no Brasil porque estava em estado etílico na maior parte do tempo". Gracias por isso, amigos!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Deixa que digam, que pensem, que falem...

Uma vez, um conhecido de João Pessoa me perguntou, abismado, o porquê de eu ter um blog onde eu expunha toda minha vida (ele falava do Circo sem Futuro ainda). Eu não soube responder. João Pessoa é uma cidade ridiculamente pequena, mas eu sempre me surpreendia quando eu ficava sabendo que alguém, que eu jamais falei na minha vida, lia meu blog sempre. Tem uma fofoqueira em João Pessoa que espalhava historias alheias, falsas ou verdadeiras, aos quatros ventos. A Fofoqueira chegou uma vez a dizer que eu pegava Camilo e meu ex (nunca soube se ela quis dizer que os três faziam suruba ou se eu "somente" traia Camilo com o ex, mas... pouco importa) e que me conhecia. "Ah, conheço demais, eu leio o blog dela". Eu nunca disse um oi à figura, mas ela me conhece: ela lê meu blog.

São pessoas como essa que me mostram que eu não devo me importar com o que eu penso, falo ou escrevo. Porque, primeiro: a divulgação do que eu falo e escrevo não sera feita à semelhança do que eu disse. Segundo, serão espalhadas coisas que eu nunca disse, que eu sequer fiz, independente da minha escolha, dos meus registros. Então, do que adianta ficar se preocupando? Eh obvio que se eu escrevo, eu dou material pra fofoca, mas o pior que pode acontecer é as pessoas falarem sobre minha vida.

Bom, uma vez eu escrevi no Circo que a chefe do meu estagio era assustadora e que tinha olhos de tubarão (entre outros). Meses depois, enquanto eu trabalhava, vi, em tempo real, ela lendo meu blog. Pelo contador, soube depois que a maldita tinha procurado o proprio nome no Google e encontrado meu blog (o nome dela é tão bizarro que ela soh precisou digitar o nome). Eu fiquei gelada, mas não aconteceu absolutamente nada.

Eu sempre gostei de escrever, mas o Blog em si é uma espécie de terapia onde eu, bizarramente, me liberto, graças aos olhos de desconhecidos, dos problemas que me afligem. Eu escrevo cartas, emails, mas eu sinto que preciso falar aqui. Quando acontece alguma coisa no meu dia, mesmo que ela não seja especial, é muito normal que eu pense em relatar no blog. E, atualmente, duas coisas fazem com que eu me sinta mais ansiosa por escrever: a solidão e as descobertas francesas.

Esse post inteirinho, na realidade, não pretendia tratar de fofoca ou do alcance dela. Tinha a unica intenção de dizer que é provavel que eu escreva posts sem sentido daqui pra frente. "Sem sentido", no meu dicionario, é "sem um objetivo especifico". As vezes eu sinto somente vontade de dizer como eu me sinto, das sensações que o mundo me provoca e não quero me privar disso, ainda mais aqui, no meu espaço. Bom, acho que esse post é um começo de qualquer coisa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu nunca digo nunca?

Ao andar pelos arquivos do supremo blog Sindrome de Estocolmo, achei esse post e fiquei super empolgada pra fazer igual. Eh a segunda vez que vejo esse tipo de lista em que você diz quais são as coisas que você nunca vai fazer antes de morrer. Eu sou completamente viciada em questionarios ou listas desse tipo. Mesmo que seja uma ficha médica com meus dados pessoais a ser preenchida pra dar entrada no hospital, tah valendo! Se Camilo me visse escrevendo esse post, ele iria rir. Eu odeio e adoro coisas com grande convicção. O problema é que minhas grandes convicções duram trinta segundos.

- ODEIO cebola.
- Prova essa aqui.
- Não!
- Soh um pouco...
- (nhac)
- E ai?
- ADOREI! Meu deus, eu adoro cebola! :D

Tipo isso. Portanto, que fique bem claro que essa é a lista do 13 de outubro de 2009. Então, vamos à mais uma inutilidade publica:

O que eu acho que não vou fazer antes de morrer:

- deixar de ser dramatica;
- parar de gostar de escrever (em blogs ou diarios ou emails ou cartas);
- deixar a Historia de lado;
- parar de ser chorona;
- gostar de comédia romântica;
- abrandar a vontade de ser mãe;
- ser paciente;
- parar de roer unha;
- ter orgulho da minha irmã;
- deixar de me emocionar ao pensar em Camilo;
- ficar tranquila diante de um exemplo de machismo;
- fazer bronzeamento artificial;
- deixar de beber cerveja;
- ir aos EUA à turismo;
- ouvir Zeca Baleiro;
- entender Drummond;
- gostar de biscoito recheado de morango;
- deixar de comer chocolate;
- poupar palavrões, seja qual for o motivo;
- não ter medo de espirito;
- deixar de me questionar sobre minha auto-estima;
- deixar de amar Fabio;
- ser fresca;
- parar de achar que os Beatles são os melhores e sempre serão;
- gostar de flores;
- achar que religião e Estado combinam;
- confundir cavalheirismo brega com educação;
- deixar de falar de sexo escancaradamente;
- gostar mais das amizades femininas que das masculinas;
- usar aliança;
- deixar de odiar e adorar coisas com grande convicção;

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O terceiro olho

Sempre fico esperando que alguma novidade apareça na minha vida para que eu tenha motivos para postar neste blog. O que é detestável, afinal, a idéia inicial era de ter um contato direto com meus amigos, escrever somente para eles, o que quer que fosse, pois eu sei que qualquer coisa que eu escreva será bem-vinda. Mas o fato de outras pessoas agora lerem o blog, me deixa um pouco mais inibida. Gastei uma hora do meu tempo ontem escrevendo um post que, depois de publicado, foi deletado (justamente por eu não ter me sentido à vontade com as confissões e o público estranho). Mas que tenha sido a primeira e última vez! Odiei fazê-lo!

O post de ontem, que os amigos finalmente receberam via e-mail, falava de ciúme. Eu falava de uma faísca entre mim e Camilo por causa de uma menina que o havia paquerado numa pizzaria. Nada demais. E, no post, tentei dizer justamente isso, foi apenas um mal-entendido. Mas ao ler o email-resposta de Monique que dizia "ciúme é saudável" (um tipo de consolo/conselho?) eu me senti na obrigação de vir aqui salvar a minha reputação (e eu tenho?).

Não é que eu tenha sentido ciúme de uma esquisita paquerando meu namorado. Não é a primeira vez que isso acontece. E, oxalá, não será a última. Não gostei somente da forma com a qual ele me contou o fato (com certa alegria). Não é que ele tenha que acender uma vela preta e contar, entre lágrimas, que foi paquerado. Mas um pouco de seriedade nessas horas não faz mal a ninguém. Ele sabe perfeitamente bem que não sou de encrencar com essas coisas, mas temos códigos de ética.

Nos quatro anos em que passamos juntos, Fábio me ensinou muitas coisas boas. Duas delas foram de tremenda importância para que eu viesse a me tornar o que sou hoje. Ele me ensinou a não ter orgulho (quando errada: "refletir, arrepender-se, desabafar, desculpar-se". Isso passou a ser prática freqüente) e a ser sincera. Ser sincera é poder dizer sem censura coisas que antes eu não ousava dizer ou fazia questão de não ouvir. Logo, eu não tenho problemas em falar a Camilo questões que vão deixá-lo enciumado ou de ouvir deste confissões que possam me deixar da mesma forma. Essa prática me tornou mais compreensiva e tolerante (hoje, quem se utiliza dos benefícios dos ensinamentos do mestre Fábio não é ele, é Camilo). Ou seria, menos incompreensiva e intolerante? (Fábio, manifeste sua nobre opinião).

De tarde, logo depois de ter publicado (e deletado) o tal post, fomos a um bar. Conversávamos. Camilo disse que achava esquisito que no Brasil os caras sacassem a bunda das mulheres sem o menor pudor. "É, como se isso fosse um sinal de virilidade, não de estupidez", completei. E comecei a falar do quanto detesto quando meus amigos fazem isso, do quanto ficam parecendo idiotas. E ele perguntou se tinha alguma forma de um cara olhar meu corpo (ou o corpo de qualquer menina) sem parecer grosseiro. Eu respondi tudo o que achava sobre o fato, mas ele perguntava novamente. Ainda não satisfeito com a resposta, finalmente disse "pela décima vez, eu vou reformular minha pergunta" e "confessou" que olhava para outras meninas (para o corpo, mais precisamente) e não queria que elas se sentissem mal, então, ele estava atrás de alguma fórmula para que pudesse fazê-lo sem me ferir, sem ferir a moça e sem manchar a dignidade dele. Aí, lá vai Luci dar dicas ao namorado de como olhar pros corpos de outras meninas.

"Rapaz, em primeiro lugar, faça tudo, menos olhar pro rosto dela depois de ter olhado pra bunda, porque se o olhar de vocês se baterem, vai ser ridículo! E também não precisa olhar cinqüenta vezes pros peitos da menina, uma olhada rápida pra dar uma sacada tá de boa, afinal, mesmo que ela não o veja, a amiga pode estar de olho e, acredite, ela vai comentar sobre o fato com a outra". E a conversa foi andando...

Não adianta se enganar. Minha querida leitora, por mais que seu marido/namorado diga que os dois olhos dele são para você, acredite: há um terceiro olho e esse aí, ninguém controla. E isso não significa absolutamente NADA. Mentalize isso, afinal, não há nada mais sexy que uma pessoa segura de si. Quando a coisa fica difícil, eu finjo segurança e escuto com paciência qualquer coisa que eu ainda não possa compreender bem. Porque, no fim, sempre vem a recompensa: "como é bom poder falar essas coisas contigo!”


sexta-feira, 12 de junho de 2009

O chão

Estou tendo problemas em escrever esse blog. Fico entre o narrar de forma estúpida minha estadia aqui na França e escrever minhas impressões sobre as coisas que vivencio. É, parece ser mais óbvio escolher a segunda opção, mas não é fácil escrever sobre as minhas impressões quando a "essência" se perdeu entre o momento em que as senti e àquele em que pude chegar ao computador. Tudo se perde.

Geralmente, quando eu estou andando pela cidade e pensando a respeito da minha vida, eu costumo formar as frases que serão dirigidas aos amigos, seja em blog, e-mail, telefone etc. Mas é quase sempre certo me imaginar falando com Fábio. Praticamente tudo o que sai da minha cabeça é dirigido a ele, mesmo que eu não esteja pensando em dizê-lo. A falta que ele faz (que você faz) é grande. E não há nada melhor na nossa amizade que a possibilidade que ela traz de conversarmos. As escadas do Caricé me acostumaram mal e, desde a separação, falo sozinha pra você.

Ontem, enquanto atravessava uma rua de bicicleta, vi uma velhinha encurvada parada na calçada. Fiquei me perguntando o que ela procurava no chão e a apontei pra Camilo. Ele disse que ela era assim mesmo. Fiquei observando e ela realmente não ficava ereta. Era sempre no ângulo de 90° graus, sustentada por uma bengala. O sinal abriu e ela começou a se mover: fez um esforço e levantou a cabeça minimamente (que estava, até então, virada pro chão), viu o caminho livre, baixou a cabeça e deu dois passos. Levantou a cabeça novamente e, devagar, avançou vagarosamente mais uns metros. Parou, levantou a cabeça de novo e andou mais. Assim, ia progredindo na travessia de uma avenida que, para ela, deveria significar uma pista de maratona.

Eu fiquei olhando tudo com uma pena que doía. Olhava e dizia "ooooww" e virava o rosto. Não resistia e olhava de novo pra velhinha, pra de novo fazer "oooow". E fiquei tão penalizada que os olhos começaram a se encher de lágrimas. Aquela velhinha era visivelmente mais independente do que eu dentro da cidade (era velhinha, mas estava sozinha, e eu, sempre acompanhada de Camilo). Mas não foi isso que me consolou. Foi pensar em Fábio dizendo "mas ela tá feliz, ela tem dificuldade, mas ela nem liga!" E daí eu esbocei um sorriso e esqueci da velhinha

Talvez

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