Mostrando postagens com marcador vida pinica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida pinica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E teremos todo um 2012 pela frente


Três semanas de férias. Luci é feliz. Mas Luci precisa voltar ao trabalho. 

Primeiro dia de trabalho depois que Luci foi feliz:

1. Guri aponta pra minha barriga: "o que é isso que tu tem ai dentro?!" (com aquela cara de OMG!). "Gordura, guri. Gordura".

2. Crazy Creuza, meu vulcao de cocô, esta com gastroenterite. Tirei cocô do pescoço dela hoje. Juro.

3. Guri no banho pega o pinto e confessa: 

- EU VOU CORTAR MEU ZIZI! HAHAHAHA Quer meu zizi?
- Errr… Nao, guri, obrigada.
- Eu frito ele na panela e tu come.

Sem mais.



domingo, 22 de maio de 2011

Quem gosta de ménage?

A semana de provas aconteceu semana passada. Cinco exaustivos dias onde o esquema era acordar às 8h, revisar a prova do dia, fazer a prova, voltar pra casa e revisar a prova do dia seguinte até a hora de ir dormir. Quando tudo acabou, eu soh pensava em fazer uma coisa: faxina. Nao é que eu curta fazer faxina (mentira, eu curto), mas se vocês vissem o estado da minha casa, entenderiam. O problema é que aqui em casa existem dez pessoas pra sujar e duas ou três pra limpar - sem contar os que sujam por cinco. 

Eh comum encontrar casca de cebola no chao da cozinha, o lixo do banheiro transbordando, roupas pelo sofa etc. A bagunça que eu mais admiro sao os copos espalhados, eu os encontro até no banheiro. Morando em dez, "a gente" costuma fazer uma baguncinha aqui e ali esperando que alguma outra pessoa va arrumar ("alguma outra pessoa" = eu). Eles deixam copos em cima do centro da sala e acho que esperam que eles ganhem vida durante a madrugada e caminhem todos juntos de maos dadas até a pia. Infelizmente, isso nunca aconteceu. 

o balde da faxina
Entao, ontem, aproveitando que todos os moradores da casa viajaram, eu comecei uma pequena faxininha ao meio-dia que se desenrolou até as 19h. Eu toquei o terror no mundo das aranhas. Eu apontava o aspirador e elas começavam a gritar e a correr, mas eu VLUPT! à todas! Claro que depois do processo eu perdi todas as minhas capacidades de movimento e fui me arrastando feito uma ameba até a cama onde fiquei durante 30 min pensando no sentido da vida. A amebice, a cama e a questao filosofica foram um oferecimento da minha embriaguez porque, né, a gente tem que compensar com algo. Foi um dia util. 

::

Pra celebrar os dois anos oficiais de França feitos ontem (iêi!), fiz algumas mudanças no blog. Espero que tenham aprovado!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Curriculo sincero

Oi, meu nome é Luciana, tenho 25 anos e sou viciada em memes. 

Leia pra entender: Estrada Anil 

::

Meu curriculo sincero

Idade: tou grandinha, ja passei da idade de beber até vomitar. Mas a gente vomita mesmo assim. 

Objetivos: ser professora de Historia e mudar o mundo. Ok, pelo menos o mundo de alguém. Vamos começar humildemente.

Disponibilidade para o trabalho: se o trabalho for muito trabalhoso, nenhuma.

Atuaçao: atriz, quando tenho que ler as historinhas de Tchoupi; Super-Homem, quando tenho que atravessar o parque voando pra aparar o menino da queda; escudo humano, quando o bebê resolve direcionar o jato de vômito pro chao (o estranho zelo pelo chao vem do fato do chao ser limpo por mim); faxineira, quando a atuaçao como escudo-humano falha.

Diferenciais: eu sou a unica pessoa pontual que eu conheço. Mas pontualidade nunca empregou ninguém. 

Experiências anteriores: oi?

Periodos: 1985 - 2008: papi pagava; 2008 - 2011: marido paga; 1989 - 2011: Luci estuda. 

Linguas estrangeiras: conheço uma muito bem e a amo! Na verdade, eu a amo tanto que casei com o dono dela. 

Conhecimentos: (resposta vazia por falta de criatividade da blogueira)

Capacidade de liderança: todos me obedecem. Afinal, so é respeitado quem tem o poder de intimidar. #bolsonarofeelings.   

Pos-graduaçao ou cursos complementares: para o céu e avante!

Ou nao.

::

"O cargo é seu": Brabuleta 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Hay que faxinar, pero sin perder la coluna jamás!

(Post escrito no 27/07/2010)

A gente vai crescendo e vai descobrindo cada coisa bizarra sobre si mesmo que da até medo. Hoje eu descobri: eu gosto de fazer faxina. E pior, quando a casa tah BEM podre. A casa dos meus pais sempre foi limpa graças à minha mãe, então, nunca me preocupei com esse quesito, ja que era minha mãe que regia tudo e dava as ordens de limpeza aos filhos. So que filhinha saiu da casinha de papai e mamãe e agora é que eu posso realmente avaliar minha capacidade de organização.

A cada dia que passa, fico mais obsessiva com a arrumação do quarto, mas de uma forma saudavel (alguma obsessão é saudavel?): deixo a bagunça rolar solta e depois arrumo tudo. Desde os tempos em que trabalhei de faxineira, vim notando um grande prazer em ver o resultado final da faxina. Detestava trabalhar nas casas em que não havia um traço de poeira: no final da faxina, a casa parecia estar na mesma. Claro que nem sempre foi assim e é justamente por isso que me surpreendo.

Antes, a idéia de fazer faxina me revoltava por eu ver que era um trabalho mais ligado às mulheres. Tem uma comunidade no Orkut que se chama, se não me engano, "eu não sou prendada", ou coisa que o valha. Não procurei, mas duvido que tenha uma comunidade "eu não sou prendado", porque, né, não é mesmo de se esperar que o homem seja dotado de qualidades domésticas.

Hoje fiz uma faxina na cozinha que durou exatamente cinco horas e meia. Você não leu errado. Essa longa duração nem se deve tanto ao fato de eu gostar de fazer faxina. Acredite, não chega a tanto, mas quem viu o estado da cozinha antes da limpeza entende porque eu levei horas pra limpar um espaço tão pequeno. Limpei todos os armarios, separei por tamanho os saquinhos de tempero, rearrumei o espaço das panelas, aspirei todos os cantinhos, limpei as paredes e o teto, lavei os três baldes de lixo (o do composto, o da reciclagem e o normal), limpei a geladeira, limpei o microondas e, finalmente, limpei toda a pia e chão (a parte mais nojenta): cinco horas e meia e quilos de lixo. Ao final, acho que levei o dobro do tempo contemplando a cozinha. Recebi os parabéns do pessoal que mora comigo umas cinquenta vezes.

Pro meu bem-estar, ja separei a idéia de arrumação/faxina à submissão feminina. Penso que essa mania de limpeza, nunca antes suspeitada por mim, vem do fato de eu ter morado numa casinha limpa durante a maior parte da minha vida. E agora, nesse chiqueirinho em que vivo, me vejo muitas vezes angustiada por não conseguir entender como as pessoas não se importam quando o banheiro começa a feder a xixi. Então, fico no dilema: se eu limpo, podem relacionar isso a uma obsessão feminina pelos serviços domésticos. Se eu não limpo, vocês ja sabem. Além disso, não quero que o pessoal relaxe achando que eu sou a faxineira oficial da casa. Mas quando o estado é critico, como o de hoje, me dou ao trabalho de faxinar e, depois, me dou ao direito de curtir o resultado sem nenhum tipo de peso na consciência de ordem ideologica. Mas diminuir a auto-vigilância? Nunca.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre pão, rosas e pessoas

Camilo anda ha meses insatisfeito com os chefes. Ano passado, quando ele ainda era somente estagiario na empresa, ele ja vinha enfrentando dificuldades com os malas de lah. Um dos socios da empresa chegou a ser meio que expulso dela, pois era uma cretino de marca maior. Mas ainda restaram todos os outros. Eh o louco que grita, é o cara que é cinico, é o outro mal educado e assim por diante. Como eu trabalhei de faxineira na empresa, sei bem do que ele fala. O chefão, um tal de Olivier, aparecia na empresa de vez em quando. Eu, com minha pobre vassoura na mão, nunca escutei uma resposta dele ao meu bom dia. Tipo assim, nunca. Espero que vocês nunca tenham a chance de comprovar isso, mas quando seu trabalho não é bem assim, glamouroso, você corre o risco de desaparecer. Daih, um belo dia, acho que alguém contou pro senhor Olivier que aquela otaria que ele sempre ignorou é a esposa de um dos engenheiros da empresa. Então, ele veio trocar duas frases comigo na hora do almoço. Deve ter sido dificil. Engraçado que esse episodio se passou bem na época em que assisti Pão e Rosas (2000). O filme gira em torno de alguns casos da vida de uma faxineira mexicana que foi morar nos Estados Unidos. Opa! Faxineira? Estrangeira? Rolou uma identificação.

Nesse exato segundo, Camilo tah no Senegal, provavelmente reunido com alguns homens engravatados discutindo sobre projetos de carbono a serem lançados na Africa. Ele me mandou um email ontem, meio aflito, contando o quanto era sufocante estar com os dois chefes. Antes de embarcar, ele ligou pra mim e disse que um dos chefes tava falando sobre a esposa dele: "Bla bla bla... mas é bom mesmo que ela faça a feira, porque eu passo três horas pra achar um produto, fico perdido. Mulher não, mulher é mais cuidadosa". Pois é, meu bom homem, é porque além de estarmos biologicamente preparadas pra gerar um ser humano, nohs mulheres também trazemos conosco o gene da feira.

E Camilo foi totalmente verdadeiro quando me disse, semana passada, que tudo depende das pessoas com as quais nos rodeamos. O trabalho é chato, mas o chefe é legal? Passa. A disciplina na faculdade é interessante, mas o professor é um cretino? Não passa. Não dah, pô. E ontem eu fui pra mais uma entrevista de emprego da qual eu gostei muito. Não soh porque era pra cuidar somente de um bebê, mas também porque o perfil dos pais me agradou muito. "Quero que você ensine coisas ao meu filho, ele é muito curioso. E nada de TV. E nada de passeios no shopping". E, quando a mãe soube que eu morava numa casa, ela perguntou se eu tinha jardim. "Eu tenho um jardim. E a gente vai plantar tomate nele". E ela sorriu. E agorinha, quando esse post ainda soh estava na minha cabeça, minha ex-patroa me ligou e disse que uma mulher havia ligado pra ela ontem perguntando pelas minhas referências, se eu era confiavel. E daih minha patroa disse que sim. E explicou que eu era séria e responsavel e meu sorriso do outro lado foi enorme e o rubor foi violento. Merci! Merci! E ela disse "mas você fez um trabalho excelente, Luciana". E eu nunca tinha comentado aqui o quanto essa mulher foi importante na minha adaptação na França e o quanto me senti bem trabalhando pra ela. E ja faz uma semana que cogito a possibilidade de voltar e trabalhar uma parte da semana como baba e a outra parte como faxineira. Porque quando a gente tah com as pessoas certas, passa.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Desempregos de verão

Agora que tou desempregada, me pergunto se eu não me demiti cedo demais. Apesar de ser um trabalho nada edificante, a faxina me dava duas coisas que eu aprecio muito nessa vida: independência e sono tranquilo.

Mas aih vem as aventuras!

No ultimo dia 07, teve um forum em Lyon pros jovens que estão à procura de empregos de verão. Na França, o sistema de férias escolares é bem diferente do sistema do Brasil. Aqui, você não soh tem somente um mês de férias no fim do ano e outro no meio dele. Você tem varias semanas de aulas e férias intercaladas durante o ano e, no verão, você tem os três meses livres. Eh por isso que os estudante usam esses meses pra trabalhar e depois curtir as férias. E chove empregos (de merda) nessa época!

No forum, tinha emprego pra motorista de trenzinho, pra animador de colônia de férias, caixa de supermercado etc. Camilo aproveitou bem essas oportunidades durante a sua vida de estudante universitario. Ja trabalhou num matadouro de porcos, foi salva-vidas numa colônia de férias, vendedor de peixe, pedreiro e entregador de lista telefônica. Em 2005, ele trabalhou um mês, pegou os mil euros e passou as férias no México, nesse lugar feio aih da foto.

Então, la fui eu pro forum. Entrei toda esperançosa, mas trinta minutos depois, eu ja tava fora do prédio, chutando pedrinhas. A primeira dificuldade: chegar até a coluna de anuncios. Encontrei gente mais desesperada por emprego que eu, tive que rastejar entre as pernas da galera, socar alguns, subornar. Segunda dificuldade: entender quais eram os cargos que estavam sendo oferecidos. Anotei um monte de anuncio sem saber se era pra trabalhar como pedreiro ou prostituta. Mas la estava eu: caneta a todo vapor. Muitas vagas exigiam formação ou eram chances fora de Lyon. Por isso anotei somente cinco ofertas.

Fui almoçar com Camilo logo depois. Amor, o que é plongeuse? Lavadora de prato. Foi assim que aprendi mais uma palavra em francês. Mas no Dicionario Lendemain, plongeuse pode também ser homem-rã. Eh que tinha uma vaga pra lavadora de prato numa sorveteria. Conversei mais um pouco com Camilo sobre as outras possibilidades, mas todas apresentaram alguma retrição (eram longe ou eu não tinha disponibilidade pro cargo).

Então, depois do almoço, me enchi de coragem, peguei a fantasia de rã que eu trago sempre comigo, pro caso de eventuais emergências, e cheguei na sorveteria um tanto assim, balbuciante. A mulher mal olhou meu CV e ja foi perguntando quando eu poderia começar. Mas aih veio o meu porém: eu não quero trabalhar nos finais de semana, nem durante a noite. Por isso a dona da sorveteria falou que não ia dar. Eu quero muito trabalhar, mas soh quem mora aqui pode entender o quanto pode ser sagrado o verão e eu, definitivamente, não quero perder os melhores momentos do ano dentro de uma sorveteria! Vestida de rã!

Mas vou colocar meu plano B em pratica: amanhã tenho um encontro com um cara de uma agência de empregos e acho que ele pode me ajudar. Vamos ver. Ainda tenho o plano C, o D, o E e o F de fudida. Espero não precisar recorrer a este ultimo: voltar a ser faxineira.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um corpo que cai

Ha algumas semanas, eu fui substituir a faxineira da casa de uma tal de mme Chevre O combinado seria eu ir somente uma vez, mas ela acabou gostando de mim e pediu pra que eu ficasse indo toda segunda-feira à casa dela. Fiquei feliz que tenha gostado do meu trabalho, e mais ainda porque a mme é muito simpatica.

A casa dela é enorme, com uma grande sala que tem vista pra uma piscina e um jardim, mas ela mora sozinha. Na primeira faxina, me espantei logo com duas coisas: com a quantidade de santos, anjos e rosarios pelo meio da casa, e com a quantidade de fotos de uma mulher bonita, espalhadas pela sala, que deduzi ser a namorada de mme Chevre (pra mim, ela seria muito jovem pra ter uma filha daquela idade).

Gosto dela porque ela me trata como se eu fosse uma vizinha antiga que veio ajuda-la com a faxina. Ela faz a faxina junto comigo e não para de perguntar sobre minha vida e de contar algo sobre a vida dela, principalmente sobre a filha que estah nos Estados Unidos. Ontem, eu anunciei que aquela seria minha ultima faxina na casa dela (a partir de agora, eu vou fazer somente substituições, pra ter tempo livre pra procurar outro emprego) e ela disse que sentia muito por isso. Então, ela perguntou se eu poderia ficar mais uma hora além do horario habitual pra que eu a ajudasse a montar umas caixas-arquivo.

Sentamos no sofa e ela continuou a fazer perguntas sobre mim. Como meu vocabulario ja tinha esgotado, inventei de perguntar se ela tinha outros filhos. "Tenho, a mais velha é Fabie, mas ela morreu em 2004. Nessa piscina", e apontou em direção à porta de vidro da sala. Quando ela disse isso, eu reagi espontâneamente como alguém que levou um susto, mas fazendo cara de enjoo. Eu realmente sei fazer as perguntas certas.

Ela contou que a filha tinha 26 anos e sabia nadar, mas que ela tava extremamente cansada depois de um dia de trabalho na época de soldes (queima de estoque na França) e que acha que foi isso que levou ao afogamento dela. "Eu tava cuidando do jardim e ela havia me dito que ia pra piscina. Como eu tenho problema auditivo, nunca vou saber se ela gritou por mim. Depois minha outra filha chegou em casa, vestiu seu biquini e encontrou a irmã no fundo da piscina". Aih ela mostrou a foto da filha: a mulher que estava por toda a casa e que eu achava que era... a namorada de mme Chevre.

Eu fico muito sensivel quando escuto historias sobre morte, porque eu sei que não poderia suportar a idéia de perder alguém querido. O enterro do meu avô, a pessoa mais distante de mim na minha familia, foi muito dificil e sofrida e, por ela, eu posso deduzir o que me espera com a morte de alguém querido.

Foi muito duro escutar tudo aquilo dela e ainda vê-la com lagrimas nos olhos. Perguntei como ela conseguia viver naquela casa, dando de cara com aquela piscina todos os dias. Mas olhando pros santos da sala, ja sabia a resposta. Ao fim de tudo, ela me acompanhou até a saida do condominio, me desejou muita sorte e me deu dois beijinhos: é a primeira vez, em quatro meses de faxina, que alguém fez isso. Devia ta entorpecida.

Ontem eu aprendi uma palavra nova: décéder.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Noticias do front

Se não morri no post passado, anuncio que estou prestes a morrer agora [olhar de suplicio]: morrer de nervosismo. Como ja deixei claro em alguns posts, eu sou uma pessoa ansiosa e essa França acaba comigo! Explico...

Como nem todo mundo sabe, eu sou "femme de menage" atualmente e, apesar de trabalhar pouco (no tocante às horas, não ao esforço miseravel), consigo pagar minhas modestas despesas. Trabalhar como faxineira na França é o sonho de muita gente no Brasil (é, pessoal, existe gente mais lascada do que vocês imaginam), mas eu não passei cinco anos numa faculdade, e nem derreti meus nervos como se derrete manteiga, em certas noites pra, no final das contas, acabar limpando o chão dos outros.

A idéia inicial ao arrumar esse emprego era, entre outras coisas, de aprofundar meu conhecimento na lingua francesa. Quatro meses depois, eu soh domino a linguagem técnica: "vassoura" é balais e "balde" é seau. Eu não converso com ninguém, trabalho em lugares diferentes a cada dia (perdendo muito tempo nos transportes) e o trabalho é tão cansativo que... que me cansa.

Então, fiz esse post pra anunciar que eu vou procurar outro emprego. Tcharam! Claro que vai ser outro emprego de merda, mas emprego de merda por emprego de merda, fico com aquele em que eu não tenha que me ocupar do sanitario dos outros. Meu foco é trabalhar como garçonete, e, apesar de eu não falar bem e estar em pânico, sinto que isso vai me ajudar justamente nessas duas coisas: a falar melhor e a ser menos ansiosa. Quer dizer, a enfrentar os problemas de frente. Ja até preveni mme Her dos meus intentos. E agora, contando a vocês, me sinto na obrigação MORAL de ir ao infinito e além! Quer dizer, a dar um passinho à frente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O pulo do gato

Estah indo dar um susto na faxineira...

Gosto de observar as peculiaridades de cada casa na qual eu faxino. Os minutos que antecedem minha entrada numa nova casa são cheios de expectativa. Quem eu vou encontrar? Sera que eu vou entender o francês da madame? Sera que ela vai entender o meu francês? Sera que eu vou trabalhar feito uma vaca? Sera que a casa é desarrumada?

Eh mesmo uma vida emocionante.

Mas essa ultima pergunta não é obvia. Você pode concluir: se alguém esta contratando uma faxineira, significa que sua casa esta desarrumada. Pois bem, leitor, nem sempre. As vezes eu entro em casas em que não ha um soh rastro de poh. Acredite, são as piores: evidenciam que a dona da casa é extremamente zelosa e que espera que você deixe a casa ainda mais limpa do que ela se encontra. São as casas em que eu arrumo os shampoos por ordem de tamanho. Hoje, por exemplo, fiz minha primeira faxina na casa de mme Le Gal (tentei fazer alguma piada: não soube). Entrei na casa e encontrei tudo arrumado, pensei até em dar meia volta e ligar pra mulher pra dar conselhos a ela de como investir melhor seu dinheiro. Mas daih vi um gato na casa. Meus queridos, gatos na casa das madames significam duas coisas pra mim: pêlos por todo lado e sustos. Muitos.

Ha dois meses, fiz uma faxina na casa de um cara que tinha um gato preto. A casa era meio bizarra. Era escura e tinha uns machados e espadas penduradas nas paredes, entre outras coisas, que não vem ao caso. Então, eu decido passar o aspirador debaixo do sofa, onde o gato, não sabia eu, descansava. Eu não poderia imaginar que um gato poderia pular tão alto. Eu não poderia imaginar que eu poderia pular tão alto. Eu fiquei paralisada, com o aspirador ligado VRRRUUUMM! e meu coração batendo mais alto. Depois, decido ir ao segundo andar. Entro num quarto escuro, cheio de tralha e procuro o interruptor. De repente, do meio da escuridão, o segundo pulo do gato. E, mais uma vez, eu, prestes a cagar na calças de tanto susto. Eh daquela situação em que você ri e chama palavrão ao mesmo tempo.

Então, quando encontrei o gato na casa de hoje, lembrei do gato preto e procurei tomar cuidado. Uma hora depois, ja tinha esquecido da porra do gato e, quando meti o aspirador debaixo da cama, o gato tentou correr, mas deu de cara com meus pés. E ai, o gato e eu ficamos sambando, sem saber o que fazer. Foi horrivel. Mas horrivel mesmo é saber que sujeira de pêlo de gato é eterna: você limpa e ela retorna três segundos depois. Um verdadeiro pesadelo.

Eh muito feio o que eu vou admitir agora, mas... eu odeio gatos. Pronto, falei. Quer dizer, odiar é uma palavra muito forte. Na verdade, eu os repudio. Os que gostam de gatos os defendem com a historia batida de que eles são animais independentes, que não são carentes feitos os cachorros. Ora, se eu quisesse um animal que não dependesse de mim, eu não teria um. Eh como resolver ser mãe e adotar um filho de 30 anos. Não faz sentido.

E agora, depois de minha experiência de faxineira com gatos, eu os odeio, quer dizer, os repudio, mais ainda. Outro dia, fui limpar um banheiro e, ao abrir a porta, dei de cara com a casinha do gato, cheia de cocô. Vocês sabem da fama do cheiro do cocô de gato? Não soh fede: é o pior cheiro que existe, eu tive que me controlar pra não desmaiar. Que tipo de gente em sã consciência se tranca num banheiro com uma caixa cheia de cocô de gato? (e não venham dizer que é tatica de camuflagem).

O irônico é que aqui em casa temos um gato. Ele vive do lado de fora, na janela da cozinha. Quando Camilo coloca o gato no braço, eu passo três dias sem toca-lo. Camilo diz que ele é um gato caçador. Caçador de quê, eu não sei. Tudo o que eu vejo é o gato dando voltas no jardim, meio perdido, como se tivesse fumado alguma coisa. Aih, as vezes eu dou umas batidinhas na janela da cozinha, faço "ooiinn, gatinho, xiuiu"... depois me lembro que eu odeio gatos, me recomponho e volto a ignora-lo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Eu fico com o balanço

Sera que algum blogueiro vai fugir à regra de escrever sobre o Natal ou de fazer um balanço de como foi seu ano? Ou melhor, fazer listinhas de coisas a se fazer no proximo ano? Eu fico com o balanço, ja que acho que meu 2009 foi bem movimentado, onde de tudo aconteceu.

1. Adeus, solteirice (09/jan)

Ja no nono dia do ano, Camilo e eu nos casamos. Claro que foi mais uma medida que visava facilitar minha entrada na França do que qualquer outra coisa. Mas nem por isso eu deixaria de comemorar o fato de poder ficar ao lado dele, da forma que nos escolhemos. Mais sorte da proxima vez, Sarko.

2. Adeus, vida pedestre (28/abr)

Sabendo que na França o custo pra se tirar uma carteira de motorista é exorbitante, ai meu deus, eu fiz aos 23 o que deveria ter feito ha muitos anos: aprendi a dirigir. Pra falar a verdade, nunca tive muito desejo de aprender a dirigir (o tempo que levei pra fazer isso prova o que tou dizendo), mas minha mãe disse que é util, e se mãe diz, então é verdade. Espero que eu me saia melhor com o carro do que com a bicicleta.

3. Adeus, Brasil (21/mai)

Dei adeus ao mar e me instalei em Lyon. E, parafraseando um amigo: foi melhor e pior do que eu pensei. Arabes, segurança, burocracia, frio, quedas de bicicleta (muitas), queijos, liberdade, solidão. Independência.

4. Adeus, graduação (17/ago)

O segundo dia mais feliz do ano! Tudo o que sinto quando penso nessa data é "alivio". Acabou! Foram sofridos os ultimos momentos. Espero que tenha sido a primeira e a ultima vez em que estudei algo que não gostasse (me refiro somente à monografia, ja que o curso em si deveria ser obrigatorio pra qualquer ser humano que se preze). De qualquer forma, sou uma pessoa formada. Alias, eu e o namorado, que se formou no mês seguinte.

5. Adeus, desemprego (17/set)

Trabalhar como faxineira não faz parte dos meus sonhos mais ambiciosos, mas tem pago minhas contas e minhas cervejas. E, mais do que significar uma simples mudança de status empregaticio, esse emprego assinalou uma "profunda mudança no meu ser". Ha três meses, eu era uma meninota chorona e ansiosa, que ciscava antes de dar qualquer passo. Agora eu soh sou ansiosa. Esse emprego foi o inicio da verdadeira adaptação, é o que me da, até hoje, a sensação de que eu tenho dominado o espaço, de que eu tenho abarcado o ambiente. Eh o que faz com que eu sinta que pertenço um pouco a esse lugar.

6. Adeus, ignorância (?)

A cada dia que passa, eu fico mais feliz e empolgada com minha compreensão em relação ao francês. Ainda falta uns meses e um bocado de esforço até que eu possa dizer que "eu sei falar francês", ja que eu nem mesmo consigo conjugar os verbos corretamente, mas o medo de sair de casa ja passou e a sensação de liberdade soh cresce.

7. Oi, Paul! (10/dez)

Mwwhahaha! Esse foi o melhor dia do ano! Nem vou mais comentar, que é pra não afugentar os leitores, mas fica aqui o (milésimo) registro! Ano lin-do [foto de Priscila Tanaami - obrigada!].

Bom, é isso. Acho que foi um ano proveitoso, não? Mas soh aproveitando que tou falando de coisas boas, queria dividir com vocês a grande felicidade que eu sinto, que eu tou sentindo, em ter Camilo do lado. Hihi. (ele não lê meu blog, logo, a contemplação é gratuita). No final das contas, é ele que faz com que os momentos que não são assim, dignos de topicos de blog, sejam fodas. Em cada ponto desse, ele esteve colocando minha moral la em cima. Minha auto-estima deve muito a ele. Tenho sentido que eu posso muito mais do que eu poderia imaginar. Ele me faz respirar muito melhor e é por isso que, apesar de toda dor que eu sinto aqui nesse peito dilacerado de saudade, vale a pena ficar aqui. Eh como ele mesmo diz: "tu é minha casa". Então, àqueles que realmente gostam de mim, vai o recado: porra, eu tou feliz!

E que ano bom!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cevando a faxineira

Trabalhar pra madame tem la suas vantagens (soh vi essa até agora): quarta-feira passada, cheguei na casa de mme Trognon e vi uma super caixa de Ferrero em cima da mesa com um bilhetinho: "boas festas!" Meus olhos brilharam! Se ela tivesse deixado uma caixa de cerveja, eu teria feito a faxina de graça. Na quinta-feira, mme Forfait me deu outra caixa de chocolate, também uma de Ferrero (foi ai que eu lembrei que o chocolate tava em promoção no Carrefour, mas o que vale é a intenção e ela foi muito bem apreciada). Na sexta-feira, mme Blague uma velhinha super simpatica, que provavelmente não havia ido ao Carrefour naquela semana, me deu um singelo envelope com 40€! Gente, soh não sentei no colo dela e a chamei de vovoh porque o povo na França é formal demais. Mas eu mal pude passar pela porta tamanho o sorriso! Ah, e ela disse, com toda a sinceridade dela, que eu soh não recebi mais porque faz pouco tempo que eu trabalho la, mas que no proximo Natal... (huhuhu) Pensei até em trabalhar mais um ano de piniqueira, mas desisti porque ela tah tão velhinha que é possivel que ela morra antes do proximo Natal. Esperamos que não.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Puoh

Como o post passado foi sobre briga e o antipenultimo foi sobre mme Goujat, lembrei de uma historia. Gente, quando chamei a mme Goujat de mme Louca, não foi à toa. Ha duas semanas, eu cheguei na casa dela no horario de sempre pra fazer a faxina e a encontrei completamente surpresa com minha visita dizendo que ela não tinha marcado comigo naquela semana. Eu repassei mentalmente todos os palavrões que eu conhecia e me xinguei por pensar que eu tinha me enganado de horario/dia e que talvez não tivesse entendido bem quando mme Cler* cancelou a faxina. Sei la (não seria a primeira vez que eu teria me enganado de horario). Então, pedi desculpas a mme Goujat, disse que eu deveria ter me enganado e fui embora.

Cinco minutos depois, mme Cler me liga dizendo que eu não tinha me enganado coisissima nenhuma e que queria me ver no escritoria agora. Fui sem entender nada. E la encontrei mme Cler:

"Luciana, você estava certa. Então, ao telefone, disse a mme Goujat que o erro não era seu e que ela deveria pagar seus tickets de metrô e pelo menos uma hora do seu salario. Ela se recusou e gritou comigo! Disse que soh pagaria os tickets e eu disse 'mme Goujat, o pagamento não é para mim, é pra Luciana', mas eu nunca a vi gritar daquele jeito, dizendo que estava cansada e que não sabia de nada. Então, ela encerrou seu contrato".

Brother, que situação! Mas sinceramente? Eu tenho um cartão de metrô que me permite pegar quantos metrôs, ônibus e tramways eu quiser por dia a um custo de 40€ por mês. Ou seja, o fato de eu não ser paga pelo transporte dessa faxina não representa realmente um rombo no meu salario no final do mês. E a "decepção" de ter a faxina cancelada é transformada na alegria de ter uma tarde livre! E de repente, eu vejo as duas madames se estressando no telefone por minha causa (hihi). De qualquer forma, eu ri muito da descrição que mme Cler fez da ligação entre as duas. E ela completou "Luciana, acho que ela vai reclamar com você na semana que vem".

Que legal!

Com o cu na mão, fui pra casa de mme Goujat, na semana seguinte, esperando que ela me recebesse com uma vassourada. Ela abriu a porta e eu não sei qual das duas estava mais desconfiada. Mas ela logo perguntou com voz meiga:

- Luciana, você ficou sabendo?
- Fiquei. Que a senhora, murrinha, não queria me pagar? Não, o quê?
- A briga que eu tive com mme Cler!
- Ah, não sabia...
- Pois bem. Ela me gritou Luciana! Ela me gritou tanto!
- Nossa, foi mesmo?!
- Foi (com ar consternado). Ela me tratou como se eu fosse uma criança!
- Por que sera? Ah, que pena!
- Mas Luciana, eu vou lhe pagar! Vou lhe pagar duas horas! E os tickets!
- Madame, me desculpa, mas não precisa, pra mim tan...
- Não, eu vou sim :)

Apesar de saber que ela, mesmo sendo rica, não queria me pagar, e ainda veio com essa historia de boa samaritana pro meu lado querendo pagar até as horas que não precisava, não da pra ficar chateada com mme Goujat. Nenhum pouquinho. Grande parte do que eu sinto por ela é pena. Ela cuida sozinha de dois bebês recém-nascidos, não sai de casa por causa deles e, quando as gêmeas param de encher o saco, ela vai passar as camisas do marido. E detalhe: no dia em que houve a discussão, ela tava fazendo faxina quando eu cheguei. Juntou o cansaço com a indignação de ter que pagar quase 50€** pra outra pessoa por uma faxina que ela mesma fez e deu no que deu...

Comigo ela é supertagalera. Não perde a oportunidade de comentar algo, de falar das filhas, de mostrar cada roupa que ela comprou pra elas, o nome da loja e o quanto custou (não se exibe, ela compra baratinho). Fala do peso das filhas e a quantidade de dias que elas ja existem sob a Terra. Comenta sobre quantas horas elas dormiram naquele dia. E conta sobre as férias que vai passar na Russia e como se fala "bom dia" la. Me oferece doce e café de cinco em cinco minutos e pediu varias vezes que eu fosse visita-la. Da pena.

* Pro leitor recém-chegado: mme Cler é dona da empresa de faxina pra qual eu trabalho. Mme Goujat é (era) uma de suas clientes. Eu sou a escrava.
** Uma vez vi um quadro na empresa e, se o li bem, cada hora de faxina custa 21€ por cliente + 2,60€ por faxina (o transporte pro escravo). Desses 21€, pagos a mme Cler, eu ganho 7€. Por isso, calculei que mme. Goujat pagaria quase 50€ pela faxina perdida.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A culpa é do sistema, mano

Nas terças, eu trabalho na casa de mme Goujat. Nas quintas, na casa de mme Forfait. O que essas mulheres tem em comum, alem das suas faxineiras, é que elas acabaram de ter filhos. Goujat teve gêmeas, suas primeiras filhas. Forfait, teve seu terceiro filho (os outros dois tem quatro e dois anos apenas).

Como tou ha quase três meses trabalhando semanalmente na casa delas, é impossivel que o modo de vida de cada uma nao me provoque uma reflexao sobre o fato de ser mae. De ser mae e mulher. De ser mae, mulher e casada. De ser mae, mulher, casada e dona de casa. Tudo ao mesmo tempo e em tempo integral.

Mme Forfait conversa com seus dois pequenos como se eles fossem adultos. Eu gosto muito dela, gostei desde o primeiro dia. Acho que ela tem uma cabeça aberta, é total relax e conversa comigo sem me julgar, sem fazer caras e bocas. Na ultima faxina, o bebê dela chorou muito, mamou e dormiu. E dormiu justamente no quarto em que eu deveria fazer faxina com o aspirador. Timidamente, perguntei à mae se eu poderia ligar mesmo assim o trambolho. Ela disse sem pestanejar: "sim, ele tem que se acostumar". Detalhe, o pirralho tem um mês de vida. Quando liguei o troço, o guri deu um pulo no berço tamanho foi o susto, coitado! Quando ela tem que sair de casa, nao conta historia: mesmo com o inverno chegando, ela mete o recem-nascido na bolsa-canguru (sei la como se chama aquela porra) e vai embora com ele. A casa, pro meu desespero, é repleta de brinquedo, de lapis, de papel colorido, quebra-cabeça, bola, casinha. Tem até uma pia e um aspirador de po de brinquedo. Acho o maximo ela nao se limitar aos "brinquedos de homem". Ah, e nenhuma televisao à vista!

Mme Goujat é o extremo oposto. A palavra que define bem ela é "neurotica". Creio fortemente que o nome dela deveria estar como sinônimo pra esse adjetivo no dicionario. Ela tem uma risada nervosa e mania de limpeza. Quando tava gravida, passava o dia todo feito um parasita dentro de casa. A ordem é a de sempre: mulher embucha, marido trabalha. Agora que ela pariu, esta pior: ela nao sai de casa de forma alguma. Eu vou ao correio pra ela, vou à lavanderia, vou pegar as suas cartas "porque os bebês nao podem sair! Elas nao podem sair! A gripe! O frio! O inverno, Luciana!" E agora a coitada tah com uma cara cada vez mais de louca. Quando as bebês choram ao mesmo tempo, eu a vejo correr pra todo lado e dizer "que maratona!". Ela me mandou, excepcionalmente, na ultima faxina, passar as camisas do marido porque "nao aguento mais! Ja disse ao meu marido que ele nao vai usar camisa de botao no fim de semana!" Eh, minha senhora, coloque o seu marido pra passar as camisas dele e ele vai entender que seria melhor evitar as camisas dificeis de se passar.

E, na ultima faxina, mme Louca me perguntou se eu conhecia alguém que tem bebê. Pensei em mme Forfait e disse que sim. Entao, ela veio a mim com uma sacola repleta de roupas e brinquedos pra bebês e disse: "ta tudo novo, tou dando porque as coisas sao laranja e o tema do quarto das meninas é rosa" (ui). E os brinquedos? "Ah, eles fazem barulho e criança nao gosta de brinquedo que faz barulho" (ai).

Comentario 1: que feio! Se desfazer de presentes alheios!
Comentario 2: vocês também acham que se as filhas dela usassem a cor laranja elas iriam provocar o fim do mundo?
Comentario 3: ao oito de dezembro de 2009 foi decretado: criança nao gosta de brinquedo que faz barulho.

Sinceramente, até agora, o estilo de educaçao que eu venho apreciando é o pânico do aspirador. Depois de me dizer que criança nao gosta de brinquedo que parece brinquedo, Goujat me mostrou uma casinha feita de feltro, totalmente bizarra e sem graça e disse que era aquilo que era legal. Espero que ela nao seja o tipo da mae que da roupa de presente no Natal. Cruzes. E quanto ao marido, o Y da questao, eu ainda tou preferindo o meu.

::

E por falar em maternidade, divulgo aqui o Terceiro Concurso de Blogueiras. Otima oportunidade pra conhecer novos blogs. No meu caso, foi uma otima oportunidade pra repensar se eu quero mesmo ter filhos...

Eu também nao...

De vez em quando, bem de vez em quando, eu saio de Lyon pra fazer uma faxina em St Didier. Eh uma commune bem longe de Lyon, ao norte, onde soh moram ricos. Quanto mais afastada de Lyon esta a commune, mais rica ela é. Eh em St Didier, por exemplo, que moram mme Cler e um dos chefes de Camilo. Fui a St Didier duas vezes pra fazer uma faxina na casa da vizinha e amiga de mme Cler, mme Liseron, uma velhinha viuva. Na saida da primeira faxina, pude averiguar que St Didier foi feita pra ricos porque existem ruas sem calçadas. Ora, calçadas servem pra pedestres, os mortais que andam a pé. E andar a pé? Em St Didier? Jamais.

Quando sai da casa de mme Liseron, procurei, sem sucesso, alguma alma viva que pudesse me informar onde eu poderia pegar o ônibus 84. O maximo que consegui foi avistar ao longe um jardineiro dentro de uma propriedade que era tao grande, que nem valia a pena me esgoelar pra chamar atencao do trabalhador. Outra conclusao de que St Didier é rica é que o ônibus, que eu finalmente peguei, soh tinha três pessoas: eu, uma velhinha e o motorista.

Mas St Didier me lembra coisas boas. Lembra um bom festival que fui assim que cheguei à Lyon e também mme Liseron, que é muito gentil. Hoje, fui pela segunda vez na casa dela. Ela fala bem-pau-sa-da-men-te. Bem pausadamente. Porque eu sou estrangeira. Mas é melhor pau-sa-da-men-te do que GRITANDO, como fazia a enfermeira que me cuidou de mim na ocasiao da Queda de Bicicleta. Ela gritava o francês, como se meu problema fosse surdez e nao o desconhecimento da lingua. Bom, de qualquer forma, mme Liseron tem um gato. E ela disse que ela adotou esse gato. Mas, pela solidao dela, acho que foi o gato que resolveu ficar com a mulher.

Quase ao final da faxina, ela me mostrou uma planta morta e disse: "é marijuana". Como mme Liseron tem uma mao inutilizada por alguma doenca, pensei "ah, pobrezinha, ela utiliza a erva pra diminuir a dor". Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela se adiantou. "Ah, mas eu nao consumo. Nao mais". Acho que a velhinha da historia sou eu.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Chega de saudade!

Eu odeio falar aqui no blog sobre meus momentos de tristeza. Evito mesmo. Fiz um blog soh pra isso e, quando eu tou afim de expor minhas angustias, eu exponho no outro... (na verdade, eu exponho", ja que o blog é fechado). Ah, mas eu preciso falar desses dias. Aqui.

Ha uns dias, eu recebi uma otima noticia que me deixou triste: o fato dos meus amigos de universidade terem passado no mestrado. Isso me deixou feliz, claro! Mas ao mesmo tempo, essa situação logo me questionou sobre o que EU tou fazendo da vida. Bom, eu? Eu faço faxina. O fato de eu ter estudado com esse pessoal faz com que eu pense que eu fiquei "pra tras", ja que eu não tou acompanhando a maré junto a eles. Aih, tome tristeza!

Somado a isso, veio a saudade. Nem sei falar sobre saudade. Nem sei dizer como começa, mas termina sempre em tristeza. E o sentimento de abandono é muito forte. Então, adorei quando Amanda me deu uma sacudida nos ombros dizendo que quem abandonou os amigos fui eu. Bom, isso não melhora minha tristeza, mas ao menos livra meus pobres amigos de serem responsaveis pelo abandono. E por falar nisso, mais um cravo: a despedida de Simone.

Ha muitos meses eu falei de Simone aqui. A amizade soh tava começando, mas eu ja sentia que ia ficar muito amiga dele e acertei. Simone é foda. Simplesmente. O que ele conseguiu despertar na minha pessoa beira mesmo o amor. Quando eu falava, Simone era soh ouvidos. E quando Simone abria a boca, eu soh conseguia escutar. Eu jamais, jamais conheci alguém assim e é facil saber porque todo mundo aqui na França gosta dele. Falar dele aqui soh vai me deixar em crise, porque eu nem mesmo conseguirei descrever a figura imensa que ele é. Mas vale a pena registrar que eu tive por quatro meses um superamigo que tornou esses meses na França totalmente felizes. Mas Simone teve que voltar pra Argentina. Ele vai ser pai.

E a vida continua...

Mas, pra resolver aquilo que pode ser resolvido: fui pesquisar meu mestrado. Pensei em trabalhar com feminismo, mas não consegui ir além disso. Assim, sem imaginação, fica dificil bolar um projeto. Mas dizem que vouloir c'est pouvoir... Por enquanto, a possibilidade de um mestrado, ainda que distante, me deixa mais tranquila. E aproveito pra pedir às leitoras brasileiras que estão fazendo mestrado na França que me contem um pouco como foi o processo pra chegar ao mestrado: equivalência de diploma, tema, dificuldades iniciais (pré-curso). Por favor, uma luz! E prometo que os proximos posts vão refletir uma Luci menos desconsolada. Mas por enquanto...

Dois minutos depois, ele tava no ônibus e eu tava aos prantos.
Chega de saudade!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Express

"Se eu contar, ninguém acredita" pode virar uma série permanente nesse blog. Não que eu adore passar por situações espetacularmente improvaveis, mas é que o azar tem me perseguido. E, tipo assim, sabado passado me entregaram uma carta e vi que o nome do remetente não me era estranho. Dai, me dei conta de que era o nome do motociclista do post passado. Eu ignorava o conteudo da carta, mas a ultima coisa que eu pensei foi "que legal, uma carta, ele deve estar muito preocupado com meu estado de saude". Vi uma carta imensa escrita à mão e um papel. Arranquei esse papel das mãos de Camilo e desci a vista procurando aquilo que eu sabia que ia achar: um valor. E um valor salgado: 270€. Isso mesmo. O papel era a estimativa da nova pintura da moto dele. Duzentos e setenta euros. Meu coraçãozinho cansado parou. Quando ele terminou de ler a carta (em que o cara dizia que o arranhão era profundo demais pra ser removido com um kit-emergência lah), eu soltei o choro que eu tava segurando. Tudo bem, eu estava errada por estar pedalando na calçada, tudo bem, eu não consegui prever que o cara não ia parar a moto depois das meus insistentes toques de campainha, mas eu acho que eu não mereço pagar DUZENTOS E SETENTA EUROS por causa de um arranhão de QUATRO CENTIMETROS numa porra de uma moto!

Canalisando a raiva, canalisando a raiva... meu cu, meu cu...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Obrigada!

Mme Forfait. E olhe que eu gostei dela...

Hoje fui encontrar a tal da Mme Cler pra que ela me levasse até o local da minha primeira faxina como contratada da empresa dela. Longe pra caralho, fora de Lyon, num condominio enorme, com muitas arvores e crianças branquelas brincando nos parques.

A casa era de Mme Forfait. De cara ela ja me pareceu otima! Ela ta gravida e, pelo tamanho da barriga, acho que é de 17 meses: os peitos dela tinham o mesmo tamanho da barriga. Mme Cler perguntou pra quando era o filho e eu achei que ela fosse dizer "agora, segura!". Sério, não sei como aquela mulher respira, coitada, soh dava pra ver as pernas e a cabeça dela, o resto do corpo era soh barriga. E ainda, dentro das primeiras impressões, pelo estado da casa, achei que eles tivessem acabado de se mudar. O apartamento era muito pequeno e tinha bagunça por todo lado. Ela tem mais dois filhos pequenos e, no estado em que se encontra, vocês imaginam como deve ser manter uma casa limpa. Coitada, de novo.

Lavei os banheiros, o quarto dos guris, fui pra sala, aspirei o tapete e, pra executar melhor essa tarefa, coloquei as cadeiras em cima da mesa, os vasos de flores, as velas etc. Quando o chão ja se encontrava lindo e limpo, sai recolocando os objetos em seus devidos lugares. E agora, cena espetacular: três cadeiras em cima da mesa e um vaso. Dessas três cadeiras, fui inventar de tirar justamente aquela que servia de apoio pra uma outra. Quando retirei a tal cadeira, a outra perdeu o apoio e foi caindo em cima da mesa. Meus olhos seguiram a queda até se encontrarem com o vaso de flores que estava bem abaixo da cadeira que estava caindo, caindo... Eu soh tive tempo de fazer... nada. Em um segundo a cadeira caiu, o vaso explodiu, molhou a sala TODA e jogou caquinhos de vidro transparente pela casa que é habitada por duas crianças abaixo dos cinco anos. Que beleza! Pra completar, nesse exato segundo, Mme Forfait entra na casa (ela tinha saido). "Ah, o vaso quebrou". E eu, nadando na agua das flores,"mi mi mi, Mme Forfait, pardon, mi mi..." Ela disse que tava tudo bem, que esse vaso valia uns 5€, "mas cuidado pra não se cortar". Achei ela muito massa mesmo. Trinta segundos depois disso, ela perguntou se eu poderia vir proxima semana!

Ela me deixou novamente sozinha na casa e disse pra eu trancar bem tudo quando saisse. Assim o fiz, carregando prédio abaixo o lixo. Soh que eu não encontrei a lixeira do prédio e sai feito uma lesa pelas ruas com um saco preto de lixo na mão. Depois, procurei a parada de ônibus e, como não achei, perguntei a um cara o caminho. Ele perguntou a direção que eu queria ir, depois explicou onde ficava a parada de ônibus e eu agradeci, abestalhadamente feliz por ter feito minha PRIMEIRA pergunta na França a um desconhecido. Tcham ram! Eh incrivel como essas babaquices me deixam feliz. Peguei ainda um metrô, depois resgatei minha bicicleta que eu havia deixado na estação e cheguei em casa exatamente uma hora depois de ter deixado o apartamento de Mme Forget.

Acho curioso como essa semana se transformou em tantas coisas pra mim. Comecei bebendo feliz com Camilo, comemorando. No dia seguinte, passei a tarde chorando e ciscando, preocupada, tive insônia. Aih fiquei feliz por ter conseguido um contrato que, pensando bem, eu não queria. No segundo seguinte, me fizeram acreditar que era bom e eu fui. E depois de tanto vai e vem, acho que posso dizer que tou aliviada e satisfeita pelas oportunidades de sofrimento não-gratuito que essa semana me proporcionou. Por estar sempre com Camilo, nunca pergunto nada a ninguém, nunca faço um telefonema sozinha, não ando de ônibus, não compro bilhetes de metrô, nem pego metrô! De qualquer forma, espero que essa seja a unica viagem traumatizante, pra mim, que ele faz.

Ah, queria agradecer pelos recados de estimulo deixados aqui. Com a viagem de Camilo, eu tou me sentindo mais sozinha do que nunca. E eu fiquei bem feliz de ver gente que nem me conhece, que nunca me viu na vida, me colocando pra cima. A idéia inicial desse blog era permitir uma conexão entre mim e os amigos que deixei, mas agora eu me sinto mais estimulada a escrever pras pessoas que nunca vi na vida (graças à Amanda, essa situação estah prestes a mudar), ja que meus ilustres amigos nunca dão as caras (nem por aqui, nem por e-mail), com a exceção rarissima de poucos, me fazendo achar que eu tou falando sozinha. Blogueiro adora comentario, mas eu agora tenho um motivo maior pra apreciar os recados de vocês: companhia. Obrigada!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Continuando...

Hoje de manhã fui na ACFAL, empresa responsavel pelo curso de francês oferecido pelo Governo. Falei com uma mulher doida la, que fala rapido, e ela me disse que minhas aulas serão todos os dias, com exceção da terça. Serão 21h semanais. Pelo que vi nas salas de aula de la, eu vou ter muitos amiguinhos arabes. Pelo menos esses eu sei que vão morar em Lyon.

De tarde, me preparei psicologicamente pra enfrentar a entrevista. Para chegar la, fiz pequenas coisas que nunca tinha tido a possibilidade de fazer por estar sempre acompanhada de Camilo.

Passo um: achar o metrô certo pra chegar ao "bairro nove". (Linha Verde - D)
Passo dois: comprar os bilhetes pro metrô. Depois de observar atentamente uma mulher, consegui compra-los (dez bilhetes por 13€).
Passo três: achar o local da entrevista. Como eu tenho um otimo senso de localização, depois que desci do metrô, fiquei rodando sem saber aonde eu tava indo e decidi parar num lugar pra ver melhor o mapa. Parei uns cinco minutos e segui decidida pra direita. Depois voltei. Não entendi nada. E, finalmente, percebi que eu estava o tempo todo na calçada da empresa. Tipo assim, quase beijando a porta do lugar. Sinceramente, aquele mapa tem umas proporções bizarras. Ta errado.
Passo quatro: controlar o intestino pra não cagar no birô da mulher.
Passo cinco: "Bounjour! Mme. Cler?" (era eu ja apertando a mão da Madame). Na noite anterior, treinei com Audrey todas as frases pra responder às possiveis questões dela. Passamos uma hora nesse treinamento e eu ja nao aguentava mais ter que decorar tanta coisa. Pensei que a mulher não ia exigir muito. Mais uma vez, eu estava equivocada. A mulé perguntou tudo a que tinha direito, parecia que eu tava me candidatando ao cargo de gerente da empresa. Minha amiga, eu vou fazer fa-xi-na! Em certo momento ela se levantou e disse "você pode passar essa camisa pra mim?" E, quando eu vi, surgiu do chão um ferro de passar, uma mesa e uma camisa amassada. Eu nunca passei uma calcinha na minha vida! "Fudeu, fudeu!" Olhei pra camisa, olhei pra Mme Cler, sorri e fui passando, passando... Como se eu tivesse tudo sob controle. Depois ela chegou junto e perguntou simplesmente "você não passa as camisas do seu marido?". Foi foda.

Foda I: essa foi uma maneira muito gentil dela dizer que eu não sabia fazer porra nenhuma daquilo.
Foda II: é impressão minha ou madame Cler é machista?

"Não, não passo, porque ele não deixa" (o que em parte é verdade, a outra parte é que a gente não tem ferro de passar). Ai ela perguntou "você quer aprender a passar ferro?" e eu disse "não" (eu tinha entendido errado). Coitada. Porém (esse porém é bom), sai de la com um contrato de tempo determinado (ainda não assinei), de três meses, sendo as duas primeiras semanas de treinamento. Fiquei feliz por ter conseguido superar o drama, mas não sei... O primeiro trabalho, que é amanhã, fica fora de Lyon. E, pelo que ela disse, não é coisa simples. "Ah, você vai fazer uma faxininha, cuidar das crianças e fazer o jantar". Quero saber até quando vou ter saco de cuidar da familia e da casa dos outros e deixar a minha de lado. Por enquanto, vamos ver no que vai dar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cestinha ou morte

O que é melhor que dinheiro pra simbolizar independência? Nesse sete de setembro, um pequeno post em homenagem ao meu primeiro cheque.

Hoje fui faxinar na casa de uma amiga (Julie) de uma amiga nossa (Audrey). Audrey havia nos dito que o apartamento de Julie era "magnifique". Quando ela disse magnifique, ela quis dizer "o apartamento é grande pra caralho e tu vai se fuder limpando ele". Se ela não quis dizer isso, ela deveria ter dito, porque o apartamento era grande pra caralho e eu me fudi limpando ele.

O combinado foi que eu limparia somente as partes em comum da casa. Pensei "que facil, vou fazer essa faxina em duas horas". Mas o sofrimento ja começou na hora de entrar no prédio. O nome que ela havia me dito simplesmente não estava escrito no interfone. Ai fiquei apertando o botõezinhos de cada apartamento esperando que alguém respondesse. Ou não. Ja que, sempre lembrando, eu não falo francês. Finalmente alguém respondeu no apartamento certo e a femme de ménage (nome bonito pra piniqueira) subiu pra fazer seu trabalho.

A menina, cujo nome eu esqueci, me apresentou ao apartamento (o banheiro é do tamanho do meu atual quarto) e aos produtos. Tinha uns trinta tipos de sabão, agua sanitaria, limpa-vidro etc. O interessante é que eu não sabia o que era o quê. 80% dos produtos tinham uma cozinha bonita desenhada na embalagem, o mesmo cheiro, a mesma cor. Sabão em po que é bom, nada. Finalmente eu peguei qualquer coisa e sai por ai, lavando, limpando, esfregando, varrendo, aspirando e espanando durante exatas três horas. No final, uma outra fulana que chegou, que eu tampouco sei o nome, me perguntou se ela me pagaria na hora. Olhei pra cara dela pensando "claro, né, porra! tah doida?" mas eu disse "aaah, boon, je pense... err... si tu... oh... oui". Que dureza.

Dificil ou não, sai de la com um cheque bastante humilde de 24€ e um sorriso do tamanho do cansaço. Como ainda não recebi a grana do patrão de Camilo, considero este meu primeiro "salario". E eu ja sei onde vou torrar meus primeiros euros. Na Decathlon, nessa cestinha de bicicleta aih do lado. Isso mesmo: uma cestinha de bicicleta, meu maior sonho de consumo (viram que pessoa humilde?). Faz meses que eu almejo em ter uma cestinha e Camilo sempre me enrola (é, amor, você me enrola). Vai ser lindo e maravilhoso poder colocar a bolsa na cestinha ao invés de ficar toda atrapalhada com a bolsa nas costas. Vai ser lindo! Divino! Vai ser meu! Finalmente um sete de setembro a se comemorar.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dignamente de quatro

Na ultima segunda-feira, Camilo me increveu no site do Pole Emploi, uma agência de emprego. Penso que ela é ligada ao Governo francês, porque quando fui dar continuidade ao processo do visto, na ultima quarta-feira, a moça de la disse que teriamos, se precissassemos, aulas de francês, consulta com uma assistente social E um cadastro no Pole Emploi, praqueles que estao à procura de alguma ocupação. Como eu.

Conheci o tradutor de lingua portuguesa da Agência de Imigração. Um pernambucano super legal, Flavio. Ele tah aqui na França desde 2005 e falou um pouco sobre os empregos que teve. Disse que era super dificil arrumar trabalho aqui, que ele ja havia mandado curriculo pra todos os lugares (de Carrefour à escola primaria). A minha sorte é que, ao contrario desse coitado, eu não preciso fazer faxina pra sobreviver. Camilo foi contratado essa semana pela empresa na qual ele estagiava e, apesar da nossa atual crise econômica, as coisas vão se normalizar com o tempo. Quero trabalhar pra ter dignidade, ainda que esse trabalho signifique limpar privada alheia. Deixar de depender do meu pai pra depender do meu marido não é lah o sonho da minha vida.

Infelizmente, eu não posso trabalhar com aquilo que quero e, por não saber falar francês, tenho que me limitar a esses trabalhos braçais pontuais. A medida em que meu francês for evoluindo, envoluirah também a qualidade dos meus empregos. Ou assim espero. De qualquer forma, falando francês ou não, la fomos eu e Camilo, hoje de manhã, pra agência do Pole Emploi pro cadastro pessoal.

No site, a informação é a de que, apos o cadastro via internet, o interessado deve ir à agência até cinco dias apos o cadastro on-line. Mas na verdade, segunda a moça da empresa, devemos esperar um email do Pole Emploi com a hora e a data marcada pra uma entrevista pessoal. Por isso, voltamos pra casa sem nada.

Ja em casa, quando abri a caixa de email, li uma mensagem de uma das meninas que vai morar comigo na proxima casa, Audrey. Ela disse que fez esses trabalhos de limpeza ano passado e que tinha alguns contatos. Perguntou, na ocasião em que conversavamos, se poderia repassar meu email a alguem que estivesse à procura de uma faxineira. "Tudo bem". Então, qual foi minha surpresa ao ler hoje uma mensagem de uma menina que perguntava se eu poderia fazer uma faxina no apartamento dela. Seria coisa de 3h por semana, pagando oito euros por hora. Mais do que a empresa de Camilo paga. Otimo! Vou responder que sim. Mas agora, hora de estudar francês.

Talvez

Related Posts with Thumbnails