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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A espera de um milagre

Sou inofensivo

Quem acompanha meu blog/me conhece, deve ter notado que eu dei uma engordadinha. Uma engordadinha de 14kg. As pessoas malvadas tentam culpabilizar minha cerveja, mas tudo nao passa de intriga da oposiçao. No Brasil, eu bebia muito mais e nunca engordei um quilo por isso. Obrigada, papi, pelos genes. Mas na França, eu fui apresentada ao inimigo. Camembert, Roquefort, Bleu. Somado a isso, no começo da faculdade, passei por uma crise de ansiedade onde tudo poderia (mas nao foi) ser resolvido com a ingestao de alimentos.

O resultado desse processo é que ganhei quilos de bochecha e perdi meu guarda-roupa. Uma tragédia. Semana passada, a mae do moleque perguntou se eu nao teria emagrecido. Essa mulher é tao cega gentil, meu deus! "Nao, na verdade, eu engordei um quilo nos ultimos dias". Para piorar a situaçao, os exercicios que eu costumo fazer cotidianamente (1h de bicicleta para ir/voltar do trabalho e as horas de caminhada parque-creche-casa com os guris) serao interrompidos por motivo de força maior. O frio. 

Foi entao que eu tive uma brilhante idéia: "vou comprar uma esteira". Camilo recebeu a noticia com bastante desconfiança. Sua boca dizia "você é livre, passarinho, pra gastar seu dinheiro no que quiser", mas seus olhos me diziam "esta mulher estah louca. Louca!". Louca ou nao, encomendei minha esteira. A entrega nao me custou nada, mas desde que eu quisesse que os entregadores subissem um andar com a encomenda, eu teria que pagar a bagatela de 79€! Olha, se quando eu fizesse cocô saisse dinheiro, eu poderia até pensar no caso, mas infelizmente eu ganho meu dinheiro de outra forma e preferi encontrar outra maneira de subir até meu quarto a tal esteira. Eu soh nao sabia que a ela pesava 60kg.

Com os olhos cheios de amor, convenci Camilo e um amigo a me ajudarem a subir a esteira. O amigo em questao parece uma tripa seca, mas era o que tinhamos pro momento. (Corentin, se você estiver lendo isso, saiba que eu estou muito agradecida. E que você é uma tripa seca). Cada um se colocou em uma das extremidades da caixa. Respiramos fundo, contamos até três, empurramos e a caixa... nem-se-mexeu.

Apos muito esforço, chegamos aos pés das escadas. Conseguimos ganhar o primeiro degrau. O suor descia de nossas frontes. Como bravos, lançamos olhares de incentivo uns aos outros, mas à medida em que subiamos, eram ouvidos barulhos de vertebras sendo partidas. O suor descia, as hemorroidas brotavam. Alguns companheiros foram ficando para tras. Camilo provavelmente nunca mais voltarah a andar, mas quem se importa: a esteira finalmente tinha encontrado seu lugar de direito.


Segunda parte da missao-esteira: monta-la. Primeiro, passei boas duas horas rearranjando  os moveis do quarto. Quando finalmente abri a caixa, encontrei um bilhao de plasticos, isopores e tabuas de madeira. Ta explicado porque a caixa era tao pesada.


Agora, adivinhem o que eu vou fazer. Nao, "comer queijo", nao. Vou inaugurar a esteira. Me desejem sorte. Alias, me desejem dinheiro.



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sobe. Desce.

Minha universidade deveria se chamar Université et Cirque Lumière Lyon 2 onde o palhaço é você, estudante. Minha vida estudantil tem mais reviravolta que... uma vida cheia de reviravolta. Maria do Bairro perde. O professor responsável pelo curso convocou os mentalmente incapazes alunos que ficaram de recuperaçao para apresentar o novo sistema de disciplinas. Tive varias surpresas nessa reuniao:

1. Nao vou precisar fazer a disciplina do coronel Landa. Obrigada a tod@s que enviaram pensamentos positivos, que desejaram a morte do meu professor e também àquel@s que propuseram toda sorte de macumba e tragédia no intuito de me ajudar. Vocês sao demais! E obrigada também à secretária do curso que disse que eu nao tinha outra opçao de disciplina além dessa, me fazendo viver, assim, longos dias de angustia e sofrimento. 

2. A segunda surpresa foi quando o professor pegou minhas notas e disse que eu deveria refazer também a disciplina de inglês. O tempo parou, meu coraçao congelou e um olhar maligno foi lançado à supracitada secretária que me disse, semestre passado, que eu nao precisava fazer a recuperaçao de inglês. Valeu pela informaçao correta. 

3. Entao, fui me inscrever na disciplina de inglês e o responsavel do curso disse que eu perdi a inscriçao, que era tarde para mim porque o curso ja tinha começado. "Agora você deve esperar o final do semestre (janeiro) para fazer uma recuperaçao". Ou seja, nem fiz o curso e ja estou de recuperaçao! :D

Se a preguiça permitir, farei um post informativo sobre a faculdade, porque confiar nessa secretária pode ser um pouco arriscado. Ja em mim... 



domingo, 11 de setembro de 2011

A médica que sabia demais

Das coisas que mais me fazem falta no Brasil estao, além dos meus caros amigos e de um prato de macaxeira, os médicos (mainha, também sinto muito sua falta, mas se a senhora fosse uma macaxeira amiga, seria ainda melhor, beijos). Aqui, na França, os médicos sao "de graça", mas nem por isso eu me sinto motivada a marcar uma consulta, mesmo quando a situaçao se mostra necessaria. 

Precisamos passar pelo médico generalista antes de uma consulta com um especialista, o que é um saco, porque as vezes eu tenho a impressao de estar me consultando com alguém que sabe tudo e... nao sabe nada. Geralmente, você escolhe um médico pra chamar de seu. Eh o medicin traitent. A vantagem de se ter um em particular é que a consulta com ele e com os especialistas se torna totalmente reembolsavel. Mas é tao dificil achar um bom médico! Quando eles nao sao simpaticos, eles sao incompetentes. Incompetentes! 

Semana passada, eu dei um jeito na coluna enquanto empurrava o carrinho de bebê. O negocio foi feio, pensei em me aposentar por invalidez. Parecia que eu tinha uma faca cravada nas costas. Cheguei a passar uma semana assim até que me rendi e marquei uma consulta com a médica que vem me atendendo desde a historia da gripe suina.

O povo francês costuma ser discreto e silêncioso, por isso, os metrôs daqui parecem cemitérios e os consultorios médicos guardam essa caracteristica: a barriga ronca e o barulho ecoa por toooda a sala. Eh constrangedor. Felizmente, minha médica fala alto.pra.caralho e tudo o que se passa no consultorio dela repercute na sala de espera.

- Alors! O que é que lhe traz aqui?
- Aerr... Eh que eu, eu... eu tou com um probleminha de ereçao, doutora, e... 
- PROBLEMA DE EREÇAO?! VOCÊ TEM PROBLEMAS DE EREÇAO, EH ISSO MESMO?!
- Quê?! Er, nao! Tenho uma acne! Uma acne!
- Ah, bom.

Tarde demais. O prédio inteiro ja sabe.

Como eu ja tava la pra tratar da coluna, aproveitei pra falar de umas marcas de acne que eu tenho na regiao da bunda (e depois eu fico me perguntando se exponho demais minha vida no blog). Quando ela examinou minha pele, ela disse alguma coisa que eu nao entendi direito, mas que poderia ser traduzido por "puta que pariu, que porra é essa?!" Olha, quando um médico se espanta com sua doença é porque, ou ele nunca viu aquilo antes, ou seu caso é realmente grave. Ou seja, se preocupe.

- VOCE TEM ESSAS MARCAS HORROROSAS BEM NA BUNDA HA QUANTO TEMPO, MINHA FILHA?
- Sei la, ha uns dez anos, desde a adolescência.
- Isso é um caso de acne. ACNE NA BUNDA!
- Ja entendi, obrigada.

E continua...

- Quer dizer que você tem isso ha poucos meses...
- Mulher surda do cacete, eu ja nao disse que... Desde a adolescência.
- Sei. Entao, eu vou lhe medicar uma soluçao de érythromycine. Nao é?
- Sei la. Eh?
- Eh.

Meda. Pra questao da coluna, ela tocou minhas costas e perguntou "doi?". Respondi que, ao toque, nao, somente quando eu me abaixava (e me levantava, e me virava...). Foi o suficiente pra que ela receitasse uns comprimidos. Mais poderosa do que Jesus Cristo, ela soube através de um unico toque do seu indicador, qual problema eu tinha na coluna. Ela é adivinha? Tem visao raio-x? Nunca saberemos.



domingo, 28 de agosto de 2011

Especial férias (Jonzac) - parte MCMLXXV

Depois das bicicletas e da estadia de Amanda e Chèri em Lyon, Camilo e eu fomos visitar os pais dele. Apesar deles morarem no norte da França, eles estavam em Jonzac por motivos de saude: a mae de Camilo tem um sério problema nas articulaçoes do ombro. E Jonzac, vejam soh, é conhecida pela sua estaçao de agua termal, rica em sais minerais, e que é, comprovadamente, eficaz no tratamento de problemas nos ossos e articulaçoes. Bravo! Mas o que me interessou em Jonzac mesmo é que ela ta numa regiao que tem um forte carater historico, cheia de igrejas, cemitérios, castelos e outras construçoes medievais. Pra somar, a paisagem natural nao deixa nada a desejar. Passamos cinco dias de puro amor e tempo bom na cidade. 

Minha sogra é vegetariana e meio natureba. Ela conhece todos os pós, misturas, oleos e graos que podem potencializar o valor nutricional de qualquer prato. Ela aposta em tudo. Em Jonzac, ela conheceu um cara que vendia uns sprays especiais pra combater/evitar certos males. Um dos sprays ajudava a dormir, mas ele ja tava esgotado. Entao, Camilo comprou um que se chamava... courage. Isso mesmo, "coragem". Influenciavel como sou, comprei um vidrinho de coragem pra mim também.

Quando eu era pequena, passava as férias na casa da minha melhor amiga e a mae dela nos dava diariamente uma dose de Biotônico Fontoura. A gente devia ser meio amarelo, sei la. O comercial do produto dizia que ele dava muita energia, entao, logo apos recebermos nossa dose, saiamos desgovernados pela casa da mulher, gritando e tocando o terror, influenciados pela propaganda. Acontecia o mesmo quando ela nos servia espinafre. Crianças.

Contudo, meu povo, nao senti que fiquei mais corajosa com a coragem. Pior: tenho  preguiça de toma-la. Entao, fui verificar os ingredientes pra ver se eles poderiam provocar algum estimulo psicologico em mim: vi o nome cientifico de um monte de planta medicinal. Wikipedia soh me mostrou as propriedades de três:

angelica archangelica: ação digestiva e carminativa (elimina os gases), ação sedativa, equilibradora do sistema nervoso, tem poder antiinflamatório, diurético, depurativo e no combate a enjôos;

trifolium pratense: menopausa;

rosa chinensis: menstruaçao irregular;

Ou seja, Camilo, se você estiver no climatério, vai fundo. E como assim "açao sedativa"? Agora ta tudo explicado! Era por isso que eu tinha preguiça e nao sabia. Ah, esqueci do elemento mais importante da formula: conhaque à 20%! Finalmente, esse negocio pode até nao dar coragem, mas mal nao deve fazer. 

(Mas onde mesmo é que eu estava?). Ah, as férias!

Castelo de Jonzac - séc XV

Hospital dos Peregrinos - Pons 

Eu fiquei toda pimpona ao ver esse hospital. Paguei uma disciplina cujo tema era viagem/viajantes na época Moderna (disciplina na qual fui reprovada, diga-se de passagem). E, claro, a historia dos peregrinos nao poderia ficar de fora. Li muito sobre as passagens desses desocupados dos peregrinos pela Europa e esses hospitais eram pontos de apoio essenciais na viagem deles (e abrigo pros pobres, crianças abandonadas, velhos, cachorro, doentes e toda essa gente inutil que ninguém quer ter por perto). 

A concha é o simbolo dos peregrinos que costumavam costura-las nos seus chapéus como forma de identificaçao. Reza a lenda que a familia de um certo Caio Carpo Palenciano, la pelos idos de 44, estava na beira de um rio vendo passar um majestouuuso barco que navegava calmamente. Foi quando Caio se abestalhou e o cavalo saiu desembestado pra dentro do rio, sumindo com Caio e tudo. A familia de Caio ficou naquela expectativa: morre ou nao morre?, morre ou nao morre? E eis que, de repente, surge cavalo e cavaleiro de dentro das aguas cobertos de purpurina conchas. Caio perguntou, entao, aos marinheiros quem eram eles e pra onde iam. Eles responderam que iam pra Espanha levar o corpo de Santiago que estava dentro do barco.

Ooooh!

Aquilo se tratava de um milagre, minha gente. Viram? Agora, vocês estao culturalmente mais elevados depois dessa historia. De nada.

Estatua de um soldado da 1GM erigido em frente ao Castelo de Jonzac. Taih outra coisa que você encontra em qualquer cidade da França: monumento aos mortos de guerra. Il ne faut pas les oublier.

Eglise Saint-Gervais de Jonzac - séc XII

Posto a foto da calçada da igreja porque ela me interessa mais que a fachada: tao vendo essas marcas vermelhas no chao? Eh um cemitério que data dos séculos VI e VII, cheio de objetos pessoais dos mortos. As caveirinhas fashion, cheias de anel, brinco, colar, pulseira. Lindas!

Alambique ♥

Eu: o sol cegando e a grama espetando a bunda, mas ainda assim, florida

E pra confirmar que tudo é Historia, eis aih a famosa escadaria que faz a ligaçao entre a cidade alta e a baixa de Pons, construida em 1665, com seus 124 degraus (nao, eu nao contei). Ah, na foto: as duas mulheres mais importantes da vida de Camilo. Cof. 

 Pai de Camilo, fantasiado de Trotsky, e Camiloulou

 Paisagem biita I

 Paisagem biita II

 Paisagem biita III

E rosas que, à essa altura, nao existem mais

Fomos também à Talmont, uma vila tao charmosa quanto minuscula. O defeito dela: lotada de turistas (afinal, os unicos turistas aceitaveis somos nohs).

Proibido se abaixar

Église Sainte-Radegonde de Talmont (séc XII)

Foi aih que eu descobri que eu curto muito visitar (igrejas? nao.) cemitérios. E nao precisa ser naipe Père Lachaise. Qualquer cemitério beira de estrada me deixa muito pensativa, eu gosto de calcular o tempo de vida de cada pessoa e imaginar o rosto dela, o que ela fazia, do que ela morreu, de quem gostava. Fico tentando avaliar, pela quantidade de arranjos de flores nas sepulturas, o quanto ela foi amada ou se ainda é lembrada. 

Suzanne, te ponho aqui, caso te esqueçam





E alguém que foi lembrar alguém

Mas nenhum cemitério conseguiu ser mais sombrio que a praia que fomos no dia seguinte à visita à Talmont. Taih minha cara de entusiasmo que nao me deixa mentir: 

A mae de Camilo, coitada, cheia de boa vontade, sugeriu que fossemos ver o mar. Beleza, broder. Fazia um sol lindo em Jonzac e praia ficava a uns 40min de carro. Coloquei protetor solar, enfiei os oculos escuros na bolsa e percebi que, à medida em que nos aproximavamos do mar, o sol ia desaparecendo e, à medida em que o sol ia desaparecendo, eu ia junto. Enquanto as pessoas fazem topless nas praias do sul, nas praias do oeste elas vestem casacos. Mas nada de pânico, Luciana, você trouxe seu livro, você ainda pode ser feliz nesse lugar, pensei. 

Pensei errado. 

Um bilhao de quilos de areia fina se acumularam na minha iris. As crianças, visivelmente grandes dependentes de Biotônico Fontoura, estavam loucas do cu correndo pra cima e pra baixo e pareciam ser as unicas a se divertir - é interessante como um monte de areia molhada pode causar tanta fascinaçao numa criança. Porque todo o resto da populaçao tava jogado na areia, pareciam umas tapiocas. Vento frio. Eu olhava pro mar e tinha vontade de chorar. Sogra cogitou ainda a possibilidade de um banho de mar: "vou verificar se a agua ta quentinha". Taih um exemplo de mulher otimista. Ela voltou e disse "é. A agua ta quente, mas ta cheia CHEIA de agua-viva". Pff. Fomos embora antes que o tsunami viesse. 

(Jaca Paladium mode on) Agora, preparem-se para ler a dramatica historia da jovem que quase foi morta por um espinhento pé de amora.

La estava eu, contente e feliz passeando pela floresta, quando me deparei com um pé de amora. Pensei: vou pegar somente algumas para o caminho, nao vai fazer falta

Nao vai fazer falta o caralho. Toma! - disse a Mae Natureza. 

De repente, deu um vento lateral e os ramos espinhentos da amoreira me envolveram em uma teia mortal. 

Quanto mais eu me debatia, mais presa eu ficava. Eu ja estava dando meus ultimos suspiros quando, de repente, consegui me livrar da armadilha maligna de Gaya. 

 Felizmente, sobrevivi e hoje posso usar meu testemunho para salvar outras pessoas. 


Fim.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Especial férias (en velo) - parte III

(Para ler a primeira parte da viagem clique aqui).
(Para ler a segunda parte da viagem clique aqui). 

Carnon Plage veio pra compensar Grau du Roi: foi o melhor momento da viagem! Eu nao sei quantos quilômetros rodamos (Camilo acha que foi em torno de 150km, nos cinco dias), mas a cada dia que passava, pedalavamos cada vez menos porque vimos que estavamos aproveitando pouco os lugares por onde passavamos. Acho que nem pretendiamos ficar na cidade, mas eu tava de saco cheio e queria pegar uma praiazinha. Entao, nos registramos no primeiro camping que encontramos. 

Camilo e eu tivemos algumas experiências com campings nas nossas ultimas viagens e agora eu posso confirmar o que bem falou Amanda: camping na França é mesmo uma instituiçao. Nao fui a muitos campings no Brasil, mas eu arriscaria dizer que essa parece mais ser uma saida pra estudante lascado. Aqui na França, os grandes frequentadores dos campings de lascados nao tem nada: sao compostos na sua maioria por aposentados franceses abastados ou por familias estrangeiras com bom orçamento. Pelo menos esse é o perfil que vi com mais frequência por onde fui.

E aqui, o tempo de estadia nao é para uma ou duas noites, eles passam semanas inteiras plantados no mesmo camping com as caravanas das mais modernas e com as barracas das mais caras. Eles montam com isso verdadeiras casas, super equipadas, que tem de mesinha de plastico à antena parabolica. A gente chegava no nosso espaço, montava a barraca, saia, voltava e eles continuavam la, naquela vida mansa, jogando baralho e fumando maconha tomando café.



Na boa, nao sei que lugar é esse

Soh sei que...

Quando chegamos em Carnon Plage, montamos nossa barraca e fomos à praia. Antes mesmo de nos instalarmos, vi ao menos quatro mulheres fazendo topless. Nao pensei duas vezes e entrei na onda. E qual foi a surpresa ao ver que... ninguém-ta-nem-aih. Nem mesmo o adolescente mais envenenado pelos hormônios te olha de esgueira. Em Joao Pessoa, eu teria sido estuprada três vezes.

O nosso camping em Carnon Plage: bicicletas ao fundo, barraca nas trevas, tênis e um lindo rolo de papel higiênico sobre a canga. Porque ir na casa do Pedrinho é preciso, viver nao é.

Camilo e eu, eu e Camilo.

Minha nada kicht campainha. Lovo. 

Entao! Daih que, depois da praia, eu precisava de um banho. Esperei Namorado voltar da ducha dele e ele avisou: "tem fila no banheiro dos homens". 

Tensao. 

REFLITAMOS: se tem fila no banheiro dos homens, o que eu posso esperar do banheiro feminino? Respirei fundo e fui la. E o que encontro? Um zilhao de meninas de 15 anos +  chapinha, batom, prancha, absorvente, cera quente, cera fria, cera morna, cera, creme hidratante, rimel, lapis, touca, esmalte, sombra, contorno, blush, repador de pontas, pinça, tesoura, cola, spray, prego, martelo, cimento, cal, britadeira e todas aquelas coisas que se precisa pra se deixar alguém biito. Gente. Eu soh queria agua! Calor dos infernos, eu suava por todos os poros e tinha areia até no feh-oh-foh. 

Acho que passei meia hora na fila da ducha até que alguma iluminada desocupasse uma vaga. Eu tinha lagrima nos olhos quando entrei na cabine. Metodica, coloquei minha roupa limpa aqui, meus produtos de higiene ali e abri a torneira esperando um banho revigorante. 

Quando abri o chuveiro, me apareceu um jato d'agua tao forte, mas tao forte, que eu pensei que meu couro fosse ir embora ralo abaixo. Me virei de frente pra lavar o rosto e a ducha foi bem nos meus peitos. Dai eu tive que procurar meus mamilos no chao, porque, minha gente, que ducha era aquela? 80 toneladas de pressao sobre minha cabeça. Eu lavei o cabelo e sai da ducha pelo menos uns três centimetros menor. Você pode nao acreditar, mas isso aconteceu na Nova Zelândia. 

Depois, nohs fomos pro centro procurar algum restaurante. Escolhemos um que servia mexilhoes. Apesar de ter crescido no litoral, acho que eu nunca havia comido mexilhoes. Fiquei tentando lembrar, mas nao consegui. Quando comi o primeiro, tive certeza de que eu nunca havia comido antes: o gosto é inesquecivel e a maneira de comer, errr... é bem particular. Nao é à toa que, em francês, moule (mexilhao) é um nome usado pra se referir à vagina.

Na frente do restaurante que vendia vaginas

No dia seguinte, com muito aperto no coraçao de minha parte, deixamos Carnon Plage e fomos pra Vic. Pegamos esse caminho simpatico:


A unica coisa que conhecemos do lugar foi o camping, porque estavamos muito cansados e, no dia seguinte, partimos direto para Sète, onde iriamos pegar o trem de volta à Lyon.

Feio, feio, feio...

A gente passou menos de duas hora em Sète, o suficiente para comer uma pizza e testemunhar uma tradiçao local: uma terrivel batalha de barcos!

Uh la la, braços!

Os barcos se aproximavam um do outro...

...o suficiente para que os dois nobres cavalheiros, dispostos na ponta de cada embarcaçao...

...estivessem proximos o suficiente para se atacarem com um bastao. O objetivo era derrubar o oponente na agua.

Eh, eu sei. Emocionante.



Algumas horas depois, estavamos em Lyon para receber dona Amanda e seu chéri que chegariam de Paris no dia seguinte. Mas os posts de férias continuam. Proximo destino: Jonzac!


Talvez

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