sexta-feira, 10 de julho de 2009

Bem feito

Ah! Familia cansa! Cansa pra caralho! E é uma confusão o que eu sinto pela minha. E não falo da familia de primos, tios e avos, porque, com essa dai, me desapeguei ha uns dez anos. Definitivamente, eu não sou uma pessoa "familia". Quando morava em João Pessoa, passava um mês longe de casa (entre as casas de amigos e de C.) e, quando voltava para minha, era somente pra escutar grito e presenciar briga. Eh foda olhar as pessoas que cresceram com você, as pessoas que educaram você, e se dar conta de que, apesar de eu falar igual a minha mãe, ter as mesmas sobrancelhas do meu pai, dividir o mesmo coração mole da minha irmã, eu não tenho absolutamente nada a ver com eles. Quero todos bem, saudaveis, trabalhando em algo recompensador, meu irmão "de cuca legal", mas é da forma que ta agora: longe. Me contorço de saudade dos meus amigos, e amuo quando olho pra foto do meu cachorro, mas quando recebo os emails da familia (ainda com exceção dos emails da pequena), eu respiro fundo. E quando escrevo a resposta, preciso antes de umas cinco revisões pra tirar todos os "pare com isso", "deixe de besteira", "não quero saber" e "puta que pariu", porque sei que isso magoaria imensamente a todos e não é bem isso que quero. Acontece que as pequenas coisas que vivi durante a adolescência e idade adulta insistem em não sair da cabeça. Aquelas magoas que latejam e sempre voltam, a cada dia, de uma forma diferente. Eh impressionante como sonho com meu pai. Se é que se pode chamar aquilo de sonho. Ele em um carro, minha mãe do lado. Ele bate nela, eu mando ela reagir, ela fecha os olhos. Então, castigo aos três: "vocês nunca mais vão me ver". Eu vou embora. Eles choram. Eu choro também. Viu? Não é simples diagnosticar tanta magoa? Nem precisa ter formação como psicologo. Foram anos batendo cabeça, puxando cabelo, fungando de madrugada e imaginando em que ocasião eu finalmente sairia de casa. E demorou tanto, tanto! Mas quando fiz, fiz bem feito. Fui pra outro continente. E agora eu durmo tranquila (quando os tais sonhos não vem). E acordo ao lado de pessoas que se respeitam, que se amam. Acordo todo dia com "bom dia, amor da minha vida". E, apesar de enfrentar dias solitarios, dias angustiantes de silêncio, tão torturantes pra alguém que adora falar e contar historia, sim, eu estou bem. E me aborreço soh de pensar que tenho que voltar um dia. E esses emails, esses tais emails me chegam pra me torturar. Pra que eu nunca esqueça que, apesar dos pesares, eu venho deles e pra eles eu voltarei quando eu deixar de ser o amor da vida dele e estar perdida novamente.

Um comentário:

Amanda disse...

Familia é fogo mesmo. Os amigos vc escolhe, mas familia... Eu tbm não entendo como minha familia pode ser tão diferente de mim. Ou melhor, como eu posso ser tão diferente dela. Mas olha, aprendi que quanto mais longe, mais a gente ama a familia, pq a gente vai esquecendo as brigas e guardando so as melhores partes. Você vai ver, quando eles se acostumarem com a idéia de que você veio pra ficar (pelo menos um tempo), que foi uma coisa pensada, que você pode sobreviver sem eles e que você não vai voltar correndo e chorando semana que vem, eles vão deixar as amolações de lado e te respeitar como alguém capaz de tomar suas proprias decisões.

Talvez

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