quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eis a questão

The Puppini Sisters

Ha dois meses, eu anunciei aqui meu belissimo presente de aniversario: ingressos pro show das Puppini Sisters. Agora chegou a hora em que eu descrevo o show. Em duas palavras? Absolutamente fantastico! Mas como eu não sou de falar pouco, ai vai:

O show estava marcado pras 20:30h, mas às 19h eu ja estava abortando de tanta ansiedade! Pulando toda a movimentação infeliz pré-show, entramos no teatro e procuramos uma vaguinha. Escolhemos um bom lugar, mas num anfiteatro ha maus lugares? O lugar em si é absolutamente fantastico. Meu lado historiadora estava batendo palminhas internas. Quantas centenas de pessoas ja não puseram a bunda exatamente naquele lugar em que eu estava sentada? Ok, sei que é uma coisa esquisita de se pensar, mas eu estava feliz também por isso. Pra mim, eram milhares de historias que se cruzavam sendo testemunhadas pelo mesmo local.

Com apenas cinco minutos de atraso, elas entraram. Eu nem percebi de imediato: quando escutei os gritos da multidão, voltei o olhar distraido em direção ao palco e vi aquelas três figuras prateadas sorrindo. Nossa! O queixo começou a tremer. "Se segura". Cantei pra disfarçar a cara de imbecil, mas na segunda musica comecei o berreiro e soh parei depois da terceira musica. Sim, Luis, elas são tão afinadas quanto no estudio. Elas tem presença de palco, elas soltam piadas engraçadinhas, dançam e tocam bem. A ruiva com um violino, a morena com um acordeão e a loira com uma escaleta (perdoem, não sei o nome delas e a falta de interesse não permite saber). Quando a ruiva entrou, Camilo disse "puta que pariu, que coxão da porra!". Pois é, tem ainda esse "agravante". Mas vamos voltar a esse assunto depois.

Indo para o Brasil...

Apesar de eu ja poder somar quase cinco meses de residência na França, ainda me surpreendo com muitas coisas que acontecem por aqui. Com um espetaculo como esse, não seria diferente. As três bandas que vimos (The Puppini Sisters, Java e Caravan Palace) são voltadas pro publico jovem. Mas isso não impediu que quase a metade das pessoas que viram ao show no ultimo dia 28, fossem compostas por pessoas acima dos 40 anos. No Brasil, pessoas de 40 anos saem de casa pra ver o show de Roberto Carlos. No Brasil, nunca vi um show começar com apenas cinco minutos de atraso. No Brasil, eu não deixaria minha mochila no banco enquanto pulo e balanço distraidamente. Monique me escreveu ha alguns dias dizendo que foi furtada no show do Festival de Inverno de Garanhus (PE). La você pode introduzir sua mochila na sua vagina e, acreditem, vão achar uma forma de tira-la dali, por bem ou por mal.

Voltando...

O publico era, pra mim, um espetaculo à parte. Quando a banda pedia palmas, batia-se palmas até o fim da musica. E não era raro ver a onda de braços balanço pra ca e pra la. Velho, foi um show bonito, pra onde se olhava (pro publico, pros assentos, pro palco) se via um espetaculo. Entre um show e outro eu corria pra me embebedar, o que tornou as coisas ainda mais fantasticas! Ou não.

Eh o seguinte... O figurino das Puppini era uma roupa prateada, bem bonitinha: a ruiva gostosona vestia uma roupa micro que deivaxa 99% das pernas de fora; a morena baixinha tinha pano até metade da coxa; ja a loira, usava um modelo até os joelhos. Na hora, eu dei pouco importância àquilo. A vocalista do Caravan Palace, no entanto, entrou com uma roupa que deixava a ruiva puppini parecendo uma freira. E cada vez que ela entrava no palco, a multidão gritava com mais energia. E quando ela descia até o chão (à la Sheila Carvalho)? Então eu comecei a achar aquilo meio idiota. A voz da mulher era uma massagem no ouvido (e o show foi do caralho!), mas eu me perguntava "pra que vir pelada?". Eh logico que vão dizer que eu estou sendo puritana ou neurotica, (ou pior, invejosa. credo!) mas a questão é que acho uma pena elas, todas elas, terem que aparecer peladas pra agradar. Então, acabei vendo o show de Caravan Palace com a mão no queixo, parecendo aquelas velhas ranzinzas. Porque cada vez que eu olhava pro palco e via aquela mulher pinotando pelada, eu tinha vontade de correr la, sacudir os ombros dela e dizer pra ela não se sujeitar àquilo.

No final do show, discuti sobre o assunto com Camilo e passamos quase uma hora (estimulados pelo alcool) falando sobre machismo, sobre os direitos da mulher sobre seu corpo etc. Disse que era desnecessario que elas usassem aquelas roupas pra representar um determinado estilo musical. Camilo rebateu dizendo que elas poderiam soh querer ser sexy. E depois de mais meia hora discutindo, ele me perguntou se tinha alguma forma das mulheres usarem pouca roupa, querendo ser bonita/sexy, e não serem chamadas de vitimas (ou não) da sociedade machista. Velho, eu não sei. Não é que uma mulher não possa usar roupa curta, decote. Quem sou eu pra dizer isso, não é? Eu sou a primeira a usar. Mas o apelo erotico usado pra dar audência à banda é que me deixa nervosa. Camilo, aos cinco minutos do primeiro tempo soltou "que coxão da porra". Talvez ele tenha percebido que a voz da moça era bonita, mas o comentario foi sobre a coxa. Tou de acordo com ele. Que coxão da porra! Mas é uma peninha que o coxão da porra não possa ser poupado da exibição. E é uma peninha pensar que a idéia daquela roupa minima, provavelmente, não foi idéia de uma mulher. Ou melhor, da mulher que usou o traje.


4 comentários:

Ana disse...

Oi Luci, boa sacada essa sua.
As mulheres se tornam "sexies" para venderem, darem audiência? Pode ser. Seria uma forma de prostituição? Também pode ser.
Fico pensando se elas se sentem confortáveis com isso. Eu não uso decote, saia curta no trabalho, justamente para não dar motivos para olhares e comentários desagradáveis. Mas sempre somos alvos, de uma forma ou de outra.
Gostei do post.
Beijos,

Amanda disse...

Nossa, vc me apresentou às sisters no primeiro post que falou delas e eu viciei!! Teve um show aqui em Paris tbm, mas era muito caro, deixei pra proxima, mas ouvindo vc falar agora, me arrependi de não ter ido!!

Quanto às roupas, a sementinha dos novos blogs que vc ta lendo foi plantada! Hehehe! Mas eu concordo com vc, até nas duvidas. Vc leu um post da Marjorie que falava sobre o lingerie day (uma proposta no twitter para as garotas trocarem a foto normal por uma de lingerie)? Pois duas feministas aderiram à campanha dizendo que era uma escolha delas. Leia o que a Marjorie escreveu.
Beijos!!

psique disse...

esses comentários sobre feminismo e os blogues renderam altas discussões ontem, eu, fábio e taíssa... e me lembrou do show de jorge ben, q apesar de ter sido do caraleo, teve uma parte lá de umas menininhas da produção no palco, se requebrando até o chão, enquanto jorge ben passava o braço em volta delas e cantava "gostosaaa"... que foi foda.

Anônimo disse...

Poxa, Luciana, adorei seu blog, li um monte de posts, achei comédia, emocionante...vou virar frequentadora! Mas agora, permita um pequeno peraí: quem são essas pessoas de 40 anos que você conhece "no Brasil", que vão ver show de Roberto Carlos? Será que em Jampa é assim? Porque no meu eixo (Rio-Recife), Roberto Carlos é pra mais de 60 e olhe lá... eu nem entendo como é que ele continua fazendo show...em todo caso, boa sorte, com o blog e com o resto! Renata

Talvez

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