terça-feira, 23 de março de 2010

Especial Brasil: minha primeira tattoo

Sim, finalmente um post. E, provavelmente, o último em terras brasileiras, já que me restam menos de 48h por aqui e, se eu não escrevi muito durante essas sete semanas, é pouco provável que eu o faça nessas horas que me restam no Brasil.

Gostaria de dizer que os dias aqui foram de sol, céu e sal, mas só fui à praia três vezes, e somente pra beber cerveja e enterrar os pés na areia - na realidade, eu não vejo muita utilidade na praia além destas. Apesar disso, desconfio de que eu nunca achei as praias de João Pessoa tão bonitas! Rolou até lagriminha - mas nesse mundo onde as coisas foram criadas com o único propósito de me fazer chorar, o mérito da praia, nesse sentido, se perde.

Apesar dos dias terem sido bem parecidos uns com os outros, aproveitei pra fazer coisas que nunca tinha feito antes como, por exemplo, uma tattoo. Ouais! Já era desejo antigo, mas sempre adiei por dois motivos: falta de grana e falta de imagem. O primeiro problema foi resolvido com o câmbio euro-real. E a idéia da imagem pareceu tão fácil de resolver quanto.

Há uns meses (setembro de 2009?), Camilo me presenteou com um livro de um ilustrador francês, muito conhecido por lá, que se chama Sempé. Foi ele o responsável pelas ilustrações do Petit Nicolas (primeira imagem do post). O nome do livro se chama Simple question d'équilibre e retrata a relação dos franceses com a bicicleta. Nunca vi um povo pra gostar tanto de bicicleta. Basta dizer que, assim que cheguei em Lyon, Camilo me surpreendeu com uma. Confesso que duvidei da utilidade dela no início, mas hoje, eu não me imagino sem minha bicicletinha verde-cocô. Na dedicatória, uma frase simples, entre tantas: "pra você se reconciliar com a bicicleta". E assim foi. O livro é lindo. Sempé é absurdamente simples, mas cada traço percebido aumenta o sorriso.

Apesar de ter folheado o livro de trás pra frente, e de frente pra trás, me deparei com um casal sobre a bicicleta andando de forma linda, em plena harmonia (bem diferente de quando eu ando). Daí, achei que pudesse ser eu e Camilo. Daí, lembrei daquela vez em que eu o carreguei na bike depois de uma calourada bizarra na UFPB, começo de namoro, regados à Ypióca. Belo futuro teríamos pela frente. Eu tentando pedalar com aquele ser esparramado no guidão e ele falando merda e rindo. (segurem firme, vai ser brega, mas) Foi nesse dia em que ele disse que me amava - acho que eu o impressionei com minhas habilidades bicicletísticas. E depois, teve aquela vez em que eu caí: três dias no hospital. E também aquela vez em que ele caiu: véspera do nosso casamento, nariz esmagado. E depois, veio outro livrão de Sempé no Natal. E daí, quando vi, tinha uma tatuagem nas minhas costas.

A única forma que encontrei de nos mantermos
firmes em cima de uma bicicleta.



O responsável pela arte:
Jeison Peixoto - http://www.flickr.com/photos/jeisonpeixoto/

10 comentários:

Rita disse...

Comentário elaboradíssimo: óóóóóó, que fofo!

Bom te ler de novo.
Boa viagem. Daqui a duas semanas, estaremos a um canal da mancha de distância. Dá um tchauzinho de lá, que eu respondo do outro lá.

Bjs,
Rita

Aline Mariane disse...

linda tatoo!! e que corajosa!!
Bem-vinda de volta! Tenho ido à Lyon pelo menos uma vez por mês, agora a gente se vê, né?!
Bjss!

Drixz disse...

Que linda! Adorei a história e a tatoo. Fiquei com os olhos cheios d'água. Espero que vcs aprendam a andarem assim na 'vélo'.

Glória Maria Vieira disse...

Que linda a tatoo, Luci! Tão linda qnt a história! E, confesso, me emocionei! kk Sim, eu sou muito emotiva!

Margareth Travassos disse...

A tatoo é linda, a homenagem maravilhosa e o texto... pro texto eu nem tenho palavras (ficou engraçado isso, hehehe)

calcinha exocet disse...

Que belo! Adorei! Tenho uma vontade de fazer tatoo também! Falta na realidade um desenho que me deslumbre. Beijo.

::: Luís Venceslau disse...

E naquele dia eu olhando pra tuas costas e me perguntando se tu sempre teve aquela tatoo e eu nunca tinha notado, ou se já tinha antes de ir, ou tinha feito entre uma ida e uma vinda.. Mas é fuderosa de linda. E do jeito q tem q ser: sobre algo q vai estar na tua vida pra sempre.

Maíra disse...

Que incrível a sua tattoo, Lucy! AMEI! E o conceito também, perfeito.

Bom retorno!

beijos

Mariana disse...

Linda a historia da Tatoo Luci!! A minha tatoo é francesa, se quiseres fazer uma por aqui, vou atras do tatuador que fez a minha o Antoine..alias esse papo me lembrou que ja estou ha anos pensando em fazer uma segunda!!!
êêêêê
Parabéns!

Thayz disse...

Ai, ficou linda! :^

Talvez

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