quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Obrigada!

Mme Forfait. E olhe que eu gostei dela...

Hoje fui encontrar a tal da Mme Cler pra que ela me levasse até o local da minha primeira faxina como contratada da empresa dela. Longe pra caralho, fora de Lyon, num condominio enorme, com muitas arvores e crianças branquelas brincando nos parques.

A casa era de Mme Forfait. De cara ela ja me pareceu otima! Ela ta gravida e, pelo tamanho da barriga, acho que é de 17 meses: os peitos dela tinham o mesmo tamanho da barriga. Mme Cler perguntou pra quando era o filho e eu achei que ela fosse dizer "agora, segura!". Sério, não sei como aquela mulher respira, coitada, soh dava pra ver as pernas e a cabeça dela, o resto do corpo era soh barriga. E ainda, dentro das primeiras impressões, pelo estado da casa, achei que eles tivessem acabado de se mudar. O apartamento era muito pequeno e tinha bagunça por todo lado. Ela tem mais dois filhos pequenos e, no estado em que se encontra, vocês imaginam como deve ser manter uma casa limpa. Coitada, de novo.

Lavei os banheiros, o quarto dos guris, fui pra sala, aspirei o tapete e, pra executar melhor essa tarefa, coloquei as cadeiras em cima da mesa, os vasos de flores, as velas etc. Quando o chão ja se encontrava lindo e limpo, sai recolocando os objetos em seus devidos lugares. E agora, cena espetacular: três cadeiras em cima da mesa e um vaso. Dessas três cadeiras, fui inventar de tirar justamente aquela que servia de apoio pra uma outra. Quando retirei a tal cadeira, a outra perdeu o apoio e foi caindo em cima da mesa. Meus olhos seguiram a queda até se encontrarem com o vaso de flores que estava bem abaixo da cadeira que estava caindo, caindo... Eu soh tive tempo de fazer... nada. Em um segundo a cadeira caiu, o vaso explodiu, molhou a sala TODA e jogou caquinhos de vidro transparente pela casa que é habitada por duas crianças abaixo dos cinco anos. Que beleza! Pra completar, nesse exato segundo, Mme Forfait entra na casa (ela tinha saido). "Ah, o vaso quebrou". E eu, nadando na agua das flores,"mi mi mi, Mme Forfait, pardon, mi mi..." Ela disse que tava tudo bem, que esse vaso valia uns 5€, "mas cuidado pra não se cortar". Achei ela muito massa mesmo. Trinta segundos depois disso, ela perguntou se eu poderia vir proxima semana!

Ela me deixou novamente sozinha na casa e disse pra eu trancar bem tudo quando saisse. Assim o fiz, carregando prédio abaixo o lixo. Soh que eu não encontrei a lixeira do prédio e sai feito uma lesa pelas ruas com um saco preto de lixo na mão. Depois, procurei a parada de ônibus e, como não achei, perguntei a um cara o caminho. Ele perguntou a direção que eu queria ir, depois explicou onde ficava a parada de ônibus e eu agradeci, abestalhadamente feliz por ter feito minha PRIMEIRA pergunta na França a um desconhecido. Tcham ram! Eh incrivel como essas babaquices me deixam feliz. Peguei ainda um metrô, depois resgatei minha bicicleta que eu havia deixado na estação e cheguei em casa exatamente uma hora depois de ter deixado o apartamento de Mme Forget.

Acho curioso como essa semana se transformou em tantas coisas pra mim. Comecei bebendo feliz com Camilo, comemorando. No dia seguinte, passei a tarde chorando e ciscando, preocupada, tive insônia. Aih fiquei feliz por ter conseguido um contrato que, pensando bem, eu não queria. No segundo seguinte, me fizeram acreditar que era bom e eu fui. E depois de tanto vai e vem, acho que posso dizer que tou aliviada e satisfeita pelas oportunidades de sofrimento não-gratuito que essa semana me proporcionou. Por estar sempre com Camilo, nunca pergunto nada a ninguém, nunca faço um telefonema sozinha, não ando de ônibus, não compro bilhetes de metrô, nem pego metrô! De qualquer forma, espero que essa seja a unica viagem traumatizante, pra mim, que ele faz.

Ah, queria agradecer pelos recados de estimulo deixados aqui. Com a viagem de Camilo, eu tou me sentindo mais sozinha do que nunca. E eu fiquei bem feliz de ver gente que nem me conhece, que nunca me viu na vida, me colocando pra cima. A idéia inicial desse blog era permitir uma conexão entre mim e os amigos que deixei, mas agora eu me sinto mais estimulada a escrever pras pessoas que nunca vi na vida (graças à Amanda, essa situação estah prestes a mudar), ja que meus ilustres amigos nunca dão as caras (nem por aqui, nem por e-mail), com a exceção rarissima de poucos, me fazendo achar que eu tou falando sozinha. Blogueiro adora comentario, mas eu agora tenho um motivo maior pra apreciar os recados de vocês: companhia. Obrigada!

16 comentários:

Aline Mariane disse...

Minha vez de achar que o que você escreve deveria ter sido escrito por mim!! Nao, nao conheço a Mme Forget, apesar de achar que me daria bem fazendo faxina (estou considerando essa opçao seriamente. E é sério!).
Bem, é sobre se sentir sozinha e receber conforto de desconhecidos. Também criei meu blog para a familia e os amigos do Brasil e nao tinha nenhuma pretensao em ter outros leitores. Tanto que passei um tempo sem escrever, porque e-mails pra eles estava sendo mais facil...
E, nao é que de repente, ganho varias leitoras fofas, que comentam minhas divagaçoes, que até se admiram com as minhas aventuras toscas (literalmente). Nossa!! =o]
Quero muito conhecer todas!! OBRIGADA! também!

PS: Estava com um tom negativo sobre a Africa, né?! Obrigada por me alertar! Eh que no final dos 3 meses comecei a ficar tao de saco cheio que nem me admirava mais... Ainda preciso pensar sobre "o melhor de Dakar", porque ainda tenho a impressao que isso nao existe. Mas gostei do desafio! hehe

calcinha exocet disse...

Luci,
é sempre um prazer tomar parte das suas aventuras cotidianas! Fiquei vendo o vaso balançando balançando e... caindo. Serve até de metáfora para a vida, muitas vezes a gente só pode mesmo testemunhar os acontecimentos e tem que lidar com a frustração resultante disso. Obrigada também pela companhia!
abraços

monique disse...

ixi velho, também já quebrei um vaso de plantas numa faxina. malditos! parece que quebram de propósito. o meu era de barro e com terra dentro... a mulher tbm teve essa mesma reação e no natal ela me deu um bonus de 50 euros! Ieeei. Felicidade de pobre ilegal é uma beleza.

Laércio disse...

Eu já estava pensando ir na Alves Miudezas comprar um vaso para te mandar... rsss
Eu, aqui, sinto-me só... imagino você, e com Camilo viajando, minha nossa!
Ai, cada vez que vou na UFPB é uma tristeza, não tem as caras que eu me acostumei a ver... as conversas que tinha... E na última calourada então... voltei tão deprimido! Acho que só Marinho era mais antigo que eu! hehehehe
Saudades!
Grande abraço!

Amanda disse...

Que bom que, fora o vaso, deu tudo certo! O legal é que com o trabalho vc vai sendo mais independente do Camilo, as coisas vão acontecendo.

Como vc e a Aline disseram, eu tbm comecei meu blog para os amigos e eles quase não vão la! São uns ingratos mesmo! Bom, pelo menos graças aos blogs estamos fazendo novos amigos!

Magareth Travassos disse...

Luci,

Vc vai ver que, geralmente, as relações entre empregador e empregado aqui na França são um pouco diferentes, são mais de igual pra igual, assim, acidentes como esses não são um verdadeiro drama, são como são, acidentes.

Mas, olha, dei gargalhadas, pois vc conta as coisas de uma maneira muito cômica, nem parece que vc sofre. Isso é ótimo, pra vc e pra nós!

Quanto a sentir se só, sei bem o que é...

A minha maneira de lidar com isso foi – mais uma vez achando que eu era a fodona – sair por aí tentando resolver tudo sozinha, mostrando pra mim mesma que eu podia mesmo viver só. Dei com os burros n’água inúmeras vezes, mas fui indo, até levar o carro no mecânico eu fui. E incrível como a gente se fortalece quando se vira.

Avante et bon courage!

O convite pra ficar aqui em casa ta super e pé.

asnalfa disse...

Essa parte do vaso foi totalmente sessão da tarde, né? Nao vai negar pra mim!
Em todo caso, bom sucesso pra vc!!! Mas o que vc fez com o saco de lixo? Jogou no metrô?

Maga (a de Kblo) disse...

Luci,
embora não deixe recadinho aqui, sempre acompanho seu blog (e adoro), mas hoje resolvi deixar um pra vc se sentir com mais companhia ainda!!

Vc tá indo muito bem, amore...Força na peruca!!!

beijos

Mythus disse...

Enquanto uns cultuam o cubismo, eu me amarrei no circulismo.

Não consegui visualizar como uma cadeira estava servindo de apoio para outra. Ela descontou os 5€?

E a coisa de babá? Vai rolar?

To torcendo por você! Vai ser um crescimento da pêula pra você como pessoa.

Drixz disse...

Nossa, tinha tempo q eu não lia ou comentava por aqui. 1º, adorei a fotinha do lado! 2ª, ficar sozinha num país estranho é uma barra. Eu passei um mês na França longe da minha família, num perrengue total sem conseguir ligar pra minha família pq o telefone dos meus pais tava cortado, eles estavam se separando... A maior loucura. Mas foi pouco tempo, posso imaginar um pouquinho do q vc tá passando. Mas o bom disso é q vc vai ficar um pouco mais independente, vai melhorar o seu francês e porque não ser otimista: fazer amigos! Sim! Sempre nas piores horas da nossa vida esbarramos com pessoas maravilhosas num passe de mágica. Eu encontrei um israelense q me ajudou a sair do aeroporto sem pagar uma fortuna de taxi e me deixou na porta do albergue, uma marroquina linda q se ofereceu para me ajudar com a mala no metrô e etc. Se anime! Mais tarde vc vai rir de tudo q está acontecendo, pode acreditar!

Bjaum!

::: Luís Venceslau disse...

O pior da solidão é encontra-la justo qdo vc tinha esquecido q ela existia. Mas acho q é bom tb pra vc poder redescobrir o qto é bom estar consigo mesmo, por mais clichê q isso pareça..

Filosofias baratas a parte, pode ficar certa q sempre vai ter gente aqui disposta a não deixar tu esquecer o português. =]

Neide disse...

Oi Luci,o q vc ta vivendo , eu vivo igual, estou na França ha 2 meses, então tudo q eu faço é colmeu marido, outro dia fui fazer exame de sangue e consegui me comunicar, sair de la tão feliz! comecei um curso de francês numa escola da cidade onde moro, isso esta me fazeno muito bem, estou perdendo o medo de falar e andar sozinha
Beijos

Neide disse...

perdão é fazendo, esse teclado me mata!!! (francês)

Ana disse...

Oi moça, quanto tempo que não te faço uma visita!
Pelo jeito anda aprontando todas.
A moça foi muito gente boa, legal trabalhar com gente assim.
Fica feliz, moça, vc está na França!
Beijos,

Thayz disse...

Eu achei que tu não conseguiria arrumar uma casa, mas tu conseguiu!

feliz!

Maíra disse...

Lucy, querida, os momentos em q a gente aprende mais vivendo no exterior eh qdo somos deixadas sozinhas pq de uma maneira ou outra vc vai ter q se virar: achar o caminho para casa (pq vc precisa fazer xixi urgentemente ou pq, eh... ja eh hora d dormir e esta frio do lado d fora...), fazer a feira (eh dificil viver sem comida...), encontrar um emprego (mesmo q seja horrivel, afinal a gente n quer ter q pedir dinheiro a nossos homens ate para poder fazer xixi na Mac Donalds...), etc.

E eu acho q mt gente le o seu blog. Mesmo sem t conhecer, so pela maneira como vc consegue transformar um acontecimento, por mais bobo q seja, numa aventura.

Bjus ;)

Talvez

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