terça-feira, 27 de outubro de 2009

Homens são diferentes, machos, iguais

Uma coisa que vai ser obvia pros brasileiros que moram na França (ou na Europa, em geral), mas que pode ser uma novidade pros amigos brasileiros: a França é cheia de arabe. Cheia, cheinha. Ja li que é o pais com o maior numero de arabes na Europa, cerca de 10% da população francesa. No começo da minha estadia na França, lembro que eu ficava super impressionada (SUPER!) quando uma mulher passava por mim com um véu. Quando vi uma mulher usando uma burca, quase que caio pra tras! O choque visual foi extraordinario. Foi alguma coisa do tipo "nossa, elas realmente usam isso". Eh, Luciana, não foi Jade quem inventou a burca.

Mas antes de continuar o post, tenho que admitir minha completa e vergonhosa ignorância acerca dos costumes arabes. Não ha Wikipedia que baste. Morro de vontade de conversar com uma arabe, mas tenho receio de cair nas perguntas-clichê que seriam totalmente voltadas pro bem estar dela dentro de casa, pra religião e pro machismo. Por mais que se diga que algumas mulheres gostam de usar o véu, e não o fazem soh por questões religiosas, eu acho que sempre olharei pra elas com um pouco de pena*. Mas o que tem me incomodado mesmo são os homens arabes. Alguns, obviamente.

Eu percebi, e comentei com Camilo, que todas as vezes em que fui chateada na rua por homens, foi pelos arabes. Sério, todas as vezes. Eh logico que esse post tem tudo pra ser interpretado como um post de uma pessoa preconceituosa e eu não vou ser tão simploria em me defender repetindo o discurso do povo que se julga desprovido de preconceito do tipo: minha vizinha é arabe e meu tataravo também e eu estudo com uma ruma de arabe, logo, não posso ser uma pessoa preconceituosa. Sinto muito. O que eu tenho que admitir é que eu não me sinto bem entre os arabes jovens. Se isso é preconceito, eu aceito o dedo em riste, mas a verdade é essa: eu não me sinto bem entre arabes jovens do sexo masculino. E é bem especifico, assim mesmo!

Os arabes (sempre lembrando que estou falando dos "arabes jovens do sexo masculino") andam sempre juntos, com seus tênis brancos, seus mp3 às alturas e as calças esportivas com elasticos nos tornozelos. Eh facil reconhecer. O meu mal estar e insegurança chegaram depois de sucessivos acontecimentos infelizes entre mim e os AJSM.

Uma vez, eu tava andando de bicicleta com Camilo. Vocês sabem o quanto eu sou perigosa sob duas rodas, não sabem? Pois, nesse dia, resolvi atravessar justamente o caminho de um AJSM que também vinha de bicicleta. Quando notei o cara, freei à tempo, mas isso não impediu que ele, ao passar por mim, me xingasse. Ele GRITOU na minha cara. Perguntei a Camilo o que ele tinha dito e Camilo ficou calado. Perguntei de novo e ele disse que foi qualquer coisa sobre minha irmã (?). Camilo queria me poupar da raiva.

Ai vocês pensam que eu tou sendo dramatica e eu digo que não. No Brasil, eu ja fui abusada na rua diversas vezes, não gosto disso, mas duvido que alguém diria que eu tenho preconceito com brasileiro, não é mesmo? O problema é que, do mesmo jeito que eu não gosto de passar perto de grupos de homens brasileiros (aih, a idade não importa), eu também me sinto incomodada com os AJSM. Se isso é ter preonceito, então tenho preconceitos com brasileiros e AJSM.

Fora as cinco ou seis vezes em que tive a atenção chamada por algum grupo de AJSM ("vem cah", "psiu" e coisas do tipo), vou citar outro exemplo. Uma vez eu tava com Camilo, tinhamos acabado de comer um Kebab (de Kebab eu gosto...) e estavamos sentados numa praça. Tava cheio de AJSM em volta e eu tava atenta à movimentação deles. Noto que um vem se aproximando da gente, olho pra ele, ele olha pra mim e, ao passar pela gente, me diz: "salope!" Salope significa nada mais, nada menos, do que "vadia". Velho, eu fiquei paralisada. Perguntei a Camilo se ele tinha escutado, se aquilo tinha mesmo sido comigo e a gente viu que sim! O cara olhou nos meus olhos e me chamou de puta! Assim, de graça.

E ha umas duas semanas, eu tava num restaurante arabe (num bairro arabe) com Camilo e o pessoal do trabalho dele. Era horario de almoço e, como eu ja tinha terminado o meu e precisava voltar ao trabalho, me despedi dos que ficaram na mesa e sai do restaurante. Dei dois passos fora e um AJSM passa por mim e me da alguma cantada altamente sebosa a julgar pelo tom de voz dele e a forma que ele me olhou. Eca, é aquilo que eu chamo de sexo oral! Fiquei tão puta que arremedei o que ele falou fazendo "nhem nhem nhem" com a lingua pra fora. E passei. Ai ele disse algo do tipo "ah, você não é tal coisa não?" mas eu ignorei. Qual foi minha supresa quando, ao me virar pra tentar desamarrar minha bicicleta, vi que o cara tinha parado e tava me olhando. Ai eu, MAIS PUTA AINDA, olhei pra ele e disse "o que é?". Na hora ele arregalou os olhos, acho que ele não esperava que eu fosse confronta-lo, mas eu repeti "qu'est ce qu'il y a?" umas três vezes olhando pra ele e depois fui embora. O otario soh ficou repetindo meu qu'est ce qu'il y a? Cadê a macheza de dez segundos atras?

Saindo um pouco do tema arabe, ja que isso não é ação soh deles... Acho foda quando sou tratada dessa forma. A Lola morre de falar sobre isso e a gente morre de concordar, mas sempre vai ter cara que acha que essa é uma pratica supernormal, que mulher foi feita pra isso mesmo: pra ser humilhada na rua, abordada, comida com os olhos (quando não pela propria ação). E a gente sempre acanhada. Depois que percebi que boa parte desses otarios soh faz isso porque sabe que a gente não tem coragem de enfrenta-los, é que comecei a fazer isso. Claro que eu não aconselho ninguém a peitar um cara numa rua esquisita. Mas, por exemplo, coisas saudaveis: toda vez que eu voltava da casa do meu ex-namorado, de noite, pegava um ônibus bem vazio com um babaca que sentava la na frente, se virava e ficava me encarado. Tipo assim, colocava o cotovelo no encosto da propria cadeira e ficava apreciando minha estonteante beleza loura. No dia em que eu cansei de me acanhar e mostrei o tamanho do meu dedo a ele, ele soh olhou mais uma vez e parou.

E agora, a moral da historia: nenhuma. Apesar de ter falado durante boa parte do post sobre minha indignação com certos arabes, essas cantadas baratas são coisa universal e acho que, aonde quer que eu vah, vou escutar piada babaca. Afinal, tem alguma mulher que esta me lendo nesse momento que NUNCA teve que escutar piadinha de merda? Seja de AJSM, seja GHRE, seja de BDSZ, KGFV, WXSZJHI... e a puta que pariu?

Como eu imaginei.

*Update (19 de maio de 2010): apesar de nao fazer muito tempo que escrevi isso, me surpreendi com essa minha "pena" em relacao as mulheres que usam veu e sao submetidas a outras formas de (do que eu julgo ser) opressao. Eh facil criticar o veu, mas a gente esquece que, desse lado do mundo, as mulheres sao tao oprimidas quanto, cotidianamente, atraves de pequenos atos que ja foram absorvidos por nossa cultura machista e a gente nem se dah conta! Nao retiro o que eu disse, retifico: tenho pena das mulheres desse mundo.

13 comentários:

Amanda disse...

No caso dos AJSM, o mais engraçado é a relação que eles têm com a familia. Eles são bem mais proximos dela do que os franceses então se importam mais. Eles morrem de medo das mães descobrirem que fazem essas merdas na rua, pq sabem que iam levar mt esporro! Quer se vingar de um AJSM? Descobre endereço dele e conta tudo pra mãe dele! Ehehehe! Mas acho que o pior é o efeito do grupo. Se vc pegar um cara desses e conversar com ele sozinho, pode até descobrir que tem mts afinidades com ele. Acho que o problema do ser humano são os grupos.

Não, não tenho blog disse...

Lembrei do que uma amiga contou. Uma conhecida tava andando em Botafogo e o sujeito falando barbaridades atrás dela. Então, ela se virou e disse: "Ah, é? Quer fazer isso tudo? Então vem agora!" E o cara ficou bege, dizendo que tava só brincando.
Palhaço.
Abraço!

Mariana disse...

No Brasil, sempre fui de fazer cara feia e partir pra porrada mesmo! Xingar é so o aquecimento... Mas aqui confesso que sempre fico com medo de criar um rolo, parar na delegacia e perder meu titre de séjour! hahahha!
Com arabe aqui nunca tive problemas, ja conversei com algumas mães de familia arabes, nos grupos de pais daqui. Agora bêbado francês, é a minha sina! Ja fui abordada por cinco no ônibus que resolveram me encher a paciência e ficar fazendo insinuações babacas relacionadas ao meu bebê que dormia tranquilamente no carrinho...fiquei furiosa!!! Me deu uma raiva não ter vocabulario suficiente para xingar os caras!!! Essa foi so um dos casos, em outros a insistência foi tanta que mesmo meu ja treinado vocabulario de xingamentos não bastou! fiquei passada! nessas horas sempre me vem à mente a historia da Lorena Bobbit... dou aquela risadinha e penso na maravilha que ela nos fez abrindo esse precedente!!! um dia eu me ofendo feio e faço como ela, quem sabe??? hehhehehe
bjuus

::: Luís Venceslau disse...

Ah, agora eu vou defender a classe! (mentira, tô brincando.. vou apenas fazer uma ressalva ueheuhe). 99,99% das meninas odeiam esses "psiu" e "vem cah", isso é óbvio, mas se uma menina anda quase nua na rua (oq não é o caso de vcs, moças de bom gosto) é pq tá querendo se exibir. E mesmo q ela seja boboca o suficiente pra não ter essa intenção, a galera vai cair em cima, aí não tem pra onde. Se elas não têm bom-senso, não vão ser os caras q vão ter.

E eu acho q tu devia era provocar mesmo essa galera arabe. ehhehe No caso deles tem um componente cultural, por tu tá sem véu, tu é a "errata", a "escrota" do mundo todinho. Aí oq q tu faz? Faz biquinho, mostra a barriga, do jeito q eles são duvido q não iam murchar na hora.. uauheuaheah

monique disse...

rapaz, discordo com esse comentário de luís, é como se dissesse "ah, foi estuprada mas também, andando com essa saia nessa rua escura... tava pedindo!"

eu uso saias curtíssimas e isso não faz com que eu queira ser cantada pela rua, ou mereça desrespeito. agora todo mundo tem que andar de véu é? luís, vc pensou exatamente como os próprios árabes, vendo luci vestida de um jeito 'impróprio', merecia ser chamada de 'puta'. peraê. isso é machismo!

só lembrei de maíra andando pelas ruas da holanda, e passa um cara falando "peitão do carai". acho que ela mandou ele tomar no cu ou alguma coisa assim, e o cara abriu um olhão de susto quando percebeu que ela falava português. são uns cagões esses caras, se aproveitam da suposta fragilidade feminina e falam essas coisas pq na maioria das vezes não são punidos.

otaaaarios, minha irmã!

Rosa Lopes disse...

Oi Luci!! Era vc que estava no tópico dos árabes no orkut?Só a nível de curiosidade...
Bem, agente precisa parar de se achar culpada de atitudes que vão contra a opinião comum, acho que dizer q o contrário de algo "politicamente correto" é preconceito tá mal!! ok, às vezes até pode ser, mas essa coisa de comprar o pacote completo sem questionar é bem longe também da verdade, são tantas coisas, não?Eu não tenho q odiar palestinos por ser judia ou defender gay por ser feminista ou adorar música axé por ser bahiana...
Falando dos muçulmanos, eles são bem mais agressivos q os brasileiros na maioria das vezes, é minha experiência, eu realmente tinha medo de passar por certas ruas, é complicado não ter uma idéia negativa quando vc passa por um bar e os homens se levantam e quase q te tocam, falando aos gritos.
E as mulheres q parecem aprovar quando "seus homens" fazem isso com outras mulheres que não são árabes, me intimida, não há solidariedade.
Tipo se não é uma de nós é puta.
Não acho também que todos atuem ou pensem assim, há diferenças de acordo c/o país de origem.
Abraços

Maíra disse...

Aqui na Holanda tb tem muitos turcos (e tb marroquinos). Eles vieram para o pais na decada d 60, qdo o pais precisava d mao-de-obra barata. Eles vieram com sonhos d juntar dinheiro e poder voltar rico p seus respectivos paises, mas nao contavam com o alto custo de vida holandes... no final das contas eles acabaram trazendo as familias para a Holanda. A Alemanha fez a mesma coisa, alias, a Alemanha q teve essa ideia, os holandeses so copiaram. Mas so q os alemaes contrataram pessoas das cidades grandes, e os holandeses pegaram pessoas do campo. E como vc sabe, qto mais p o interior se anda, mais religiosas as pessoas sao. Esse eh o problema aqui: tem muitos turcos e marroquinos extremistas. Houve 2 assassinatos politicos aqui nos ultimos 10 anos e eu n preciso dizer pq aaconteceu, ne? Mas vou dizer o seguinte: os assassinados eram politicos q diziam abertamente q os turcos e marroquinos estavam acabando com a Holanda.Hm, mas isso eh preconceito. Mas vamos ver como esse preconceito surgiu. Bom, quem eh responsavel por 70% dos crimes q acontecem na Holanda? Quem nao respeita a cultura holandesa, xinga mulher q faz top-less na praia ou q anda com o fio dental a mostra? Quem anda em transporte publico com a musica nas alturas e fala da mesma maneira? Quem inventou escolas turcas e marroquinas, se desgregando da sociedade? Enfim... eu posso dizer q eu achava horrivel qdo cheguei na Holanda e ouvia tantos holandeses falarem mal dos turcos e marroquinos, mas agora entendo o porque. Deve ser a mesma coisa q os portugueses e espanhois sentem com os brasileiros q moram nesses paises, por sermos a raca q tem as maiores gangues nesses paises - nesse quesito estamos ganhando ate dos mocambicanos e caboverdianos, q sao mt mais pobres. Enfim, falei, falei e nao disse mt sobre o seu topico hehe Aqui na Holanda tb eh dos marroquinos e turcos q as mulheres tem medo, pq sao eles os unicos q dao cantadas na rua; os holandeses sao bem reservados (com excecao dos lixeiros, pedreiros e caminhoneiros: esses sao iguais no mundo inteiro). As vzs eu respondo as cantadas, mas na maioria das vzs eu prefiro n dizer nada ja q eles sao os maiores responsaveis por crimes cometidos na Holanda...

Maíra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maíra disse...

Agora uma coisa idiota. Eu fui comprar uma shoarma e perguntei ao cara se aquilo era feito com carne d porco. Hm... o unico problema eh q eles n comem carne d porco, so d ovelha... hehe santa ignorancia, a minha...

::: Luís Venceslau disse...

Pois é, Monique, eu tb não concordo com o meu comentário, com o óbvio estado de coisas q eu apenas constatei e do qual nem longe reflete o meu pensamento.

Que bom seria se as mulheres pudessem andar como quisessem ser ser importunadas por homens q se acham no direito falar gracinhas. E mais: q melhor seria o mundo se os arabes respeitassem mulheres q andam sem véu. Infelizmente esse mundo tá longe de existir.

Como tb está distante o mundo em q moças (e rapazes, velhos, e qualquer um) possam andar de madrugada, por ruas escuras, sem q isso signifique "dar sopa pro azar".

::: Luís Venceslau disse...

E só pra confirmar o q eu disse, se liga nesse vídeo. Vou acreditar q tu leu meu comentário apressadamente pra achar q eu concordo com esse tipo de palhaçada. É uma "bela" ilustração pro post.

http://tvig.ig.com.br/180444/estudante-causa-tumulto-por-usar-minissaia.htm

Mythus disse...

Caracas. Absurdo esse vídeo, Luiz! Preconceito do créu. Ainda mais aqui no Brasil. E a mini-saia nem era tão mini assim.

Luci, tira uma dúvida: eu sei qual a reação que você não quer ver de um AJSM e afins por você se produzir e ficar deslumbrante, mas qual a reação que a senhorita gostaria de provocar ou ver naqueles que se deslumbrarem contigo? Ou o melhor que um estranho pode fazer é ser absolutamente indiferente?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Adorei o blog! E o post!
Eu tenho uma relação contraditória com a cultura árabe...
Sou feminista... e também sou apaixonada por dança, dança do ventre mais especificamente.
Então, ao mesmo tempo que me encanto pela música, pela dança, pelas dançarinas de lá, por alguns costumes, a cultura de submissão feminina me embrulha o estômago... Não que também não tenhamos uma cultura machista, mas...

Abçs

Talvez

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