segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Construindo clichês

Agora que eu escrevi a introdução, hihi, vamos à coisa curiosa que me aconteceu. Não fiquem curiosos, não é tão curioso assim. Eh tosco.

Ha algumas semanas, antes mesmo de eu entrar no curso de francês, os alunos da minha turma estavam trabalhando numa pesquisa sobre seus proprios paises a fim de apresenta-los durante as aulas da sexta-feira. Peguei o bonde andando, mas como o trabalho não é assim, acadêmico, fiz meu cartaz sobre o Brasil e fui convidada a abrir as apresentações na sexta passada.

No começo, fiquei um pouco nervosa e tive que me conter pra não quebrar os dedos da mão no estalar sem fim. Isso durou três minutos. Depois fiquei toda empolgadinha e sai falando sem parar sobre os portugueses, os indios, o presidente Lula, o dedinho que lhe falta, a feijoada, o Nordeste, o Real, o povo "catolico" do Brasil etc. Falei até dos filmes de pornochanchada dos anos 70. Não falei de caipirinha, nem de futebol, mas falei do carnaval! Disse que existia dois carnavais super tradicionais no Brasil: o do Rio de Janeiro e o de Olinda. Claro que eu puxei a brasa pra sardinha daquele que eu adoro! No final, depois de uns 20min de apresentação, sentei no meu lugar razoavelmente satisfeita, me perguntando quais as conclusões que as pessoas tiraram do Brasil depois do meu seminario.

Foi quando a professora se virou e disse que estava curiosa e que tinha uma ultima questão: "como é o carnaval de Olinda, o que vocês fazem?" Soltei um risinho porque pensei no quanto seria complicado descrever aquele suplicio nas ruas de Olinda como sendo bom, mas tentei resumir: "Ha muita gente por todo lugar. Eh preciso alugar seu alojamento muitos meses antes. Dai a gente sai nas ruas... E fica todo mundo por aih, dançando. A toda hora passam as bandas de fanfarra... tocando musicas de... carnaval... e... as pess... buuaaaaaaaaaaaaa!"

Sim, eu chorei!

Hahahahahaha! Eu chorei! Eu chorei muito! Minha gente, vocês não estão entendendo: eu chorei na sala de aula falando sobre o carnaval! Nossa! Eu rio toda vez que lembro dessa palhaçada, mas é porque foi muito cômico (ridiculo). Acho que eu fiquei emocionada quando lembrei do loloh. Vocês deveriam ter visto: as sete pessoas na sala pararam todas de respirar e olharam pros seus pés, completamente mudas, sem saber o que dizer. A professora saiu pra buscar agua e, quando voltou, eu ja tava rindo, morta de vergonha.

Mas uma coisa é flagrante: a ultima coisa que eu disse antes de parar de chorar (quando eu consegui dizer alguma coisa) foi "é porque aqui é muito diferente" e segurei com todas as forças a nova demanda de lagrimas. Falei por 20min do meu pais. Da musica, do cinema, de politica, das praias, mas quando lembrei do carnaval, da festa, das pessoas loucas que aquele pais tem, sim, eu chorei. Não acredito no clichezão de que os franceses são frios. Não, não são. Ja me diverti muito com os franceses que conheci, mas lembrando dos brasileiros, a diferença é do tamanho da distância que separa os paises em questão. Agora acho que ajudei a consolidar mais um clichê nesse mundo: no final das contas, acho que o pessoal da sala concluiu que brasileiro gosta mesmo é de carnaval.

13 comentários:

Amanda disse...

kkkkkkkkkk!
Ai Luci, vc é uma comédia! Morri de rir e Aurelien tbm!
Vou adotar sua tatica e volto aqui pra comentar direito amanhã, pq tô morrendo de sono! Beijos!

Aline Mariane disse...

hehehe, acho que todas sabemos o que é esse negocio de chorar por coisa besta que nada mais é que saudade...
Ai, me deu ainda mais vontade de ir ao carnanval de Olinda. Imagino mesmo que seja legal assim, a ponto de chorar! ;o]
Bjss!

Drixz disse...

Eu queria muito ter visto a cena. Que emoção no clichê. hehehe Mas sabe que não é fácil falar do carnaval mesmo. Só a tese de mestrado da minha cunhada que trabalhou com o carnaval dos ranchos (no Rio, antes da Sapucaí) tem 300 páginas. Eu acho que os gringos não conseguem pegar a idéia.

Helena disse...

Hahaha, chorei de rir porque me identifiquei muito. Sou uma baita chorona e quando morei na França vivia com essa dorzinha de saudade. Mas adorei a história, isso é que é viver! :)

Mariana disse...

Bem, qto ao carnaval de Olinda, sou meio escaldada, fui arrastada pela multidão, além de ter tido minha câmera querida roubada...
Mas acho que chorava facil se começasse a falar do verão, das praias de Floripa, das trilhas mata atlântica adentro....
e o calor humano então??!!!
chorava facil!!
mas sabe que eu fico de cara como a gente chora??? vejo uns programas na tv aqui, as pessoas contando umas historias tristes super traumatizantes e ninguém chora!! Nos la dos tropicos temos mesmo as emoções à flor da pele...

...que saudade da terrinha!


bjuuus!

Bel Butcher disse...

Não sei se o carnaval me faria chorar, mas certamente me faria lembrar de como é o contato entre as pessoas no Brasil. E, honestamente, por mais gente-boa que um francês pode ser, é diferente.

Calcinha exocet disse...

Luci, você é incrível! Cada vez mais gosto de ler seus posts. Me fez rir e deixou meus olhos marejados ao mesmo tempo. Pode? Acho que entendi a sua saudade. Kisses.

::: Luís Venceslau disse...

O carnaval mais foda q fui na vida foi o de Olinda, anos atrás. Apesar da muvuca, não vi uma briga, o pessoal com uma cordialidade comovente. Até o sol tinha um brilho diferente. É pra chorar mesmo.

Ju Moreira disse...

Olá Luci! Engraçado esse teu post. Me fez lembrar dos meus carnavais na terrinha. :)

Mas um comentário sobre o clichézão q vc falou. Eu nunca na vida tinha ouvido dizer q Frances era frio (tinha ouvido q o Europeu em geral é mais frio q o brasileiro - qual o povo q nao é?!). Nos dois anos em q morei na França, posso contar em metade dos dedos da minha mao franceses q sejam frios. :)

Boa sorte na tua estada por ai...

Amanda disse...

Achei super bonitinha sua demonstraçao de amor pela terrinha! Eh uma boa historia pra contar, mas que no momento deve ter sido um pouco constrangedora, né? Eu quase chorei (ta, chorei) com o video do Rio para as olimpiadas: http://www.youtube.com/watch?v=Z00jjc-WtZI
Tipo, eu ja vi TODAS as cenas que aparecem. Tudo me parecia tão familiar, mas tão longe! Beijo!

kbLo disse...

confesso que também choraria se fosse afastado do loló.

Anônimo disse...

Hahah q lindo... pode acontecer... qdo eu fui falar sobre o Brasil numa apresentacao na uni, escolhi falar sobre os indios, a cultura deles e o "descobrimento do brasil". Com o ultimo, veio o rancor com os portugueses hehe A professora achou q a minha apresentacao foi mt infantil, afinal d contas tds os paises do mundo foram dominados por um povo ou outro no decorrer da historia (mas n "descobertos"!). Enfim, depois descobri q ela me odiava, sem motivo mesmo. Mas eu n chorei haha

Outra coisa: o carnaval d Olinda nao eh o segundo maior do Brasil, Luci, vc esqueceu do de Salvador!!!
Mas q faz falta faz, mesmo q vc odiasse carnaval no Brasil e odiasse axe... daqui a alguns anos vc vai se pegar dancando na boquinha da garrafa hahaha triste mas verdade...

Beijao,
Maira

Maria Espinheira disse...

Luci, me apaixonei pelo seu blog e comecei a ler desde o começo, aí me deparo com isso! Como vc tem coragem de não citar o carnaval de Salvador, o maior carnaval do mundo??!! Fiquei decepcionada!! Vou relevar isso, pq deve ser alguma rixa com a gente, só pode!! beijos!!!

Talvez

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